leia e escreva já!
DOIS FILMES PERFEITOS
Falo de cara: Voce não vai encontrar dois filmes em preto e branco com fotografia mais fantástica. GREAT EXPECTATIONS e OLIVER TWIST são dois filmes que David Lean fez no começo da carreira, 1947 e 1948, e ambos são considerados as mais brilhantes adaptações de Charles Dickens já produzidas para a tela. ( E não há autor mais adaptado que ele ). Guy Green é o nome do genial diretor de fotografia e Oswald Morris o camera man. Green se tornaria diretor de cinema nos anos 60 e Morris venceria Oscar no futuro. Seria o fotógrafo favorito de Huston.
Jamais esqueço os primeiros minutos dos dois filmes. Em ambos há uma mistura de medo e beleza, horror e estética sofisticada, som e sombras que anunciam tudo o que virá a seguir. Grandes Expectativas é considerado mais perfeito, eu não consigo escolher. No primeiro se conta a história do menino pobre que enriquece graças à uma doação anônima. No segundo, todos sabem, é a história do menino de rua, Oliver. O que vemos? Rostos acima de tudo. Rostos expressivos, fortes, caricaturais, faces que contam uma narrativa, rostos de gente de verdade, sujos, marcados, vivos, muito vivos. Ao redor desses rostos temos os cenários. Labirintos de barracos em Oliver, a mansão cheia de teias e pó em Expectations. Lean usa o expressionismo alemão nos cenários e na luz, mas de um modo muito maior, mais rico, detalhista. Janelas, pisos, escadas, velas, andrajos, canecas, garrafas.
Expectations é quase surrealista. Há nele o espírito dos sonhos. Já Oliver é um filme de horror. Tudo assusta, tudo causa medo. Os atores são brilhantes. John Mills, Francis Sullivan, Martita Hunt, Robert Newton, Jean Simmons...e também essa força da natureza Alec Guiness.
Reli recentemente a auto bio de Guiness e o livro de Kenneth Tynan sobre ele. Na bio o mais bonito é a conversão religiosa de Guiness. Ele se torna católico num processo detalhista e lento. Fora isso, Alec Guiness, um eterno disfarçado, fala sobre quem ele conheceu e não sobre si mesmo. Tynan diz que ele foi o primeiro ator moderno da Inglaterra. Ao contrário das estrelas Olivier, Gielgud e Redgrave, Guiness fazia um papel, não se exibia, se escondia atrás do personagem. Laurence Olivier ( assim como Anthony Hopkins e Daniel Day Lewis ) é sempre Olivier fazendo Hamlet, Olivier fazendo Shaw, Olivier fazendo comédia. Alec Guiness não. É o personagem sendo feito por um ator. O Fagin que ele faz em Oliver Twist é um milagre de criação. Ele não tinha 35 anos ainda. Veja o que ele fez.
Eu vi Oliver Twist pela primeira vez aos 11 anos, na TV, com meus pais. Jamais esqueci o choque. A cena da morte de Nancy se gravou na minha mente como a coisa mais violenta e revoltante que já assisti. Revisto, após tantas cenas gore em tantos filmes mais novos, ela ainda choca. Por que? Pelo uso que Lean faz do cão berrando, da cara de Newton e do porrete. Não vemos nada, mas imaginamos. Ele nos faz ver sem ter visto. Por isso fica gravado em nós.
É preciso ver os dois filmes.
Jamais esqueço os primeiros minutos dos dois filmes. Em ambos há uma mistura de medo e beleza, horror e estética sofisticada, som e sombras que anunciam tudo o que virá a seguir. Grandes Expectativas é considerado mais perfeito, eu não consigo escolher. No primeiro se conta a história do menino pobre que enriquece graças à uma doação anônima. No segundo, todos sabem, é a história do menino de rua, Oliver. O que vemos? Rostos acima de tudo. Rostos expressivos, fortes, caricaturais, faces que contam uma narrativa, rostos de gente de verdade, sujos, marcados, vivos, muito vivos. Ao redor desses rostos temos os cenários. Labirintos de barracos em Oliver, a mansão cheia de teias e pó em Expectations. Lean usa o expressionismo alemão nos cenários e na luz, mas de um modo muito maior, mais rico, detalhista. Janelas, pisos, escadas, velas, andrajos, canecas, garrafas.
Expectations é quase surrealista. Há nele o espírito dos sonhos. Já Oliver é um filme de horror. Tudo assusta, tudo causa medo. Os atores são brilhantes. John Mills, Francis Sullivan, Martita Hunt, Robert Newton, Jean Simmons...e também essa força da natureza Alec Guiness.
Reli recentemente a auto bio de Guiness e o livro de Kenneth Tynan sobre ele. Na bio o mais bonito é a conversão religiosa de Guiness. Ele se torna católico num processo detalhista e lento. Fora isso, Alec Guiness, um eterno disfarçado, fala sobre quem ele conheceu e não sobre si mesmo. Tynan diz que ele foi o primeiro ator moderno da Inglaterra. Ao contrário das estrelas Olivier, Gielgud e Redgrave, Guiness fazia um papel, não se exibia, se escondia atrás do personagem. Laurence Olivier ( assim como Anthony Hopkins e Daniel Day Lewis ) é sempre Olivier fazendo Hamlet, Olivier fazendo Shaw, Olivier fazendo comédia. Alec Guiness não. É o personagem sendo feito por um ator. O Fagin que ele faz em Oliver Twist é um milagre de criação. Ele não tinha 35 anos ainda. Veja o que ele fez.
Eu vi Oliver Twist pela primeira vez aos 11 anos, na TV, com meus pais. Jamais esqueci o choque. A cena da morte de Nancy se gravou na minha mente como a coisa mais violenta e revoltante que já assisti. Revisto, após tantas cenas gore em tantos filmes mais novos, ela ainda choca. Por que? Pelo uso que Lean faz do cão berrando, da cara de Newton e do porrete. Não vemos nada, mas imaginamos. Ele nos faz ver sem ter visto. Por isso fica gravado em nós.
É preciso ver os dois filmes.
MTV 2020
Um dos chavões dos anos 60 mostra pais de 40 anos, nascidos nos anos 20, olhando hippies de 18 anos e chamando-os de sujos. Depois, nos anos 70, os velhos nascidos nos anos 30, chamam os jovens de 18 de bichas, ou de frouxos. É doloroso pensar que me tornei um velho nascido nos anos 60, que pode estar sendo injusto com uma geração que se revelará brilhante. Por outro lado seria absurdo eu não me revelar em meu próprio blog. Portanto, este texto muito breve, poderá ser injusto, preconceituoso, burro, mas jamais dissimulado.
Tenho alunos de 11, 14 e até 22 anos. Gosto da maioria e não tenho problema algum de comunicação com eles. Para mim, eles são como fui um dia. Pessoas inseguras que tentam se definir. Seres cheios de esperança que topam, todo dia, com um muro de realidade. Ouvem funk. Ouvem pop. E isso pouco me importa. Música para eles não é tão importante como foi pra mim.
Posto isso, vejo hoje MTV. E me sinto completamente ultrapassado. Não entendo nada do que é exibido. O som é o de sempre: Pop anos 80 ou black music pós Madonna. Vocais hiper profissionais e impessoais, instrumental simples. Nada disso me choca, é banal. O que me deixa pasmado é a cara das pessoas. QUE GENTE É ESSA?
Um teen branco com rosto de deprimido radical canta um rap desanimado onde ele chora a namorada perdida. Um gordinho com cara de deprimido radical canta a saudade da infância. Um cabeludo desanimado e mal nutrido canta em ritmo de Pet Shop Boys a desalegria em viver. Uma menina esquelética dança um pretenso funk sexy que mais parece uma desanimada dança da morte eslava. E por fim a big ídola, Bille Einlish Einglish, English, ou coisa assim, surge com sua cara pós suicida pingando sangue enquanto exibe seu corpo sem sexo sem vida e sem vontade. O que penso?
Que se em 60 o que irritava os mais velhos era a droga e o sexo, que se em 70 era a transsexualidade e o cinismo, hoje o que me deixa irritado é sua absoluta falta de fibra. Todos parecem adolescentes em crise e essa crise é aquela do teen que não supera ter perdido seu ursinho. Eles cantam com voz tristonha, querem cama e silêncio, olham entre lagrimas e despertam bocejos. Nasceram para não nascer. Abortos vivos.
Prefiro meus alunos.
Tenho alunos de 11, 14 e até 22 anos. Gosto da maioria e não tenho problema algum de comunicação com eles. Para mim, eles são como fui um dia. Pessoas inseguras que tentam se definir. Seres cheios de esperança que topam, todo dia, com um muro de realidade. Ouvem funk. Ouvem pop. E isso pouco me importa. Música para eles não é tão importante como foi pra mim.
Posto isso, vejo hoje MTV. E me sinto completamente ultrapassado. Não entendo nada do que é exibido. O som é o de sempre: Pop anos 80 ou black music pós Madonna. Vocais hiper profissionais e impessoais, instrumental simples. Nada disso me choca, é banal. O que me deixa pasmado é a cara das pessoas. QUE GENTE É ESSA?
Um teen branco com rosto de deprimido radical canta um rap desanimado onde ele chora a namorada perdida. Um gordinho com cara de deprimido radical canta a saudade da infância. Um cabeludo desanimado e mal nutrido canta em ritmo de Pet Shop Boys a desalegria em viver. Uma menina esquelética dança um pretenso funk sexy que mais parece uma desanimada dança da morte eslava. E por fim a big ídola, Bille Einlish Einglish, English, ou coisa assim, surge com sua cara pós suicida pingando sangue enquanto exibe seu corpo sem sexo sem vida e sem vontade. O que penso?
Que se em 60 o que irritava os mais velhos era a droga e o sexo, que se em 70 era a transsexualidade e o cinismo, hoje o que me deixa irritado é sua absoluta falta de fibra. Todos parecem adolescentes em crise e essa crise é aquela do teen que não supera ter perdido seu ursinho. Eles cantam com voz tristonha, querem cama e silêncio, olham entre lagrimas e despertam bocejos. Nasceram para não nascer. Abortos vivos.
Prefiro meus alunos.
A FÁBRICA DE PECADOS
Roger Scrutton diz numa palestra que a esquerda se tornou uma espécie de fábrica de reivindicações. O menu de pedidos cresce sem parar e nada indica que tenha um limite. Como exemplo ele dá a questão gay. Qualquer outro assunto pode ser utilizado.
Primeiro se pedem direitos iguais. Justíssimo. Depois o casamento gay civil. Justo. Então o casamento religioso. Aí já parece coisa estranha. Pra quê? Mudar uma tradição dentro de uma instituição que existe em função da manutenção da tradição? Então o que acontece? Antes, se voce era a favor dos direitos civis LGBTS, ok, voce era deixado em paz. Mas agora se voce não é a favor do casamento gay na igreja, igreja que era até ontem o mal, voce é homofóbico. Mesmo que seja a favor de todo o resto da agenda. Então voce é obrigado a estar em constante reciclagem, aceitando de forma passiva reivindicação sobre reivindicação. Na verdade a filosofia da esquerda é uma só: Observar até onde o tecido social resiste. Puxar o limite ao máximo. Como desejo de criança mimada, os pedidos jamais terão um fim, porque não pedem satisfação, pedem subversão.
A vigilância sobre todos é constante. Tudo que voce faz ou aprecia hoje, poderá amanhã ser considerado pecado. Este livro pode ser denunciado como machista ou racista, este compositor poderá ter viés fascista e sua postura poderá ser considerada errada. O denuncismo, palavra bonita para dedo durismo, impera.
Meu avô caçava lebres em Portugal e meu tio serviu o exército na África. Hoje meu tio seria um colonialista assassino ( ele não chegou a matar ninguém, mas levou uma granada no lombo e ficou sem o baço ). Meu avô seria um assassino de lebres. Que Moçambique deveria ser livre é óbvio. Mas uma análise mais profunda revela que meu tio não esteve lá porque quis. Mais ainda, nenhum ser humano pode ser reduzido ao que ele fez durante um ano de sua vida. Por isso a pena de morte é injusta. Meu tio pagou qualquer erro com a quase morte no hospital e a invalidez consequente. E se voce usar a tese do nazismo, de que então um soldado nazista pode ser absolvido, eu digo que sim, foi isso o que aconteceu. Os comandantes não podem ser absolvidos, pois eles tinham o massacre como objetivo de vida, o soldado não. 99% deles mal sabiam onde estavam e em quem estavam atirando. A guerra é confusa para o soldado. Isso poucos filmes mostram. Eles atiram como autômatos. O bom soldado não pensa, reage. Veja como o tema é difícil e inconclusivo. Muito mais fácil dizer: Soldado colonialista = assassino, e durma em paz.
Pare e imagine que em 2050 todos nós seremos considerados primitivos. Comedores de pobres bichos indefesos. Poluidores. Gente que queimava combustível, usava madeira e plástico. Seremos tão massacrados quanto o povo que vivia no tempo da escravidão e nada fazia contra esse crime. Iremos ser rotulados. Nossa vida será vista como um pecado sem fim. Nosso legado será podado.
Chesterton tem uma bela imagem que é mais ou menos assim: Imagine que um colibri, um belo dia, começasse a fazer pequenas estátuas de um colibri. E depois passasse a anotar como foi seu dia. O que voce pensaria? Que ali estava acontecendo um milagre. E que aquele colibri era um tipo de deus, ou um enviado dos seres superiores. Então me diga porque voce acha que o ser-humano, que é esse colibri, é uma animal tão nocivo e inferior?
Chesterton disse isso como denúncia da mania moderna de condenar o homem como o grande mal do planeta. Hoje, em 2020, essa tendência aumentou muito. A natureza é vista como mundo perfeito e o homem seria o vírus que veio botar fim à tudo. Será?
Estrelas morrem todo dia e pelo que se sabe, não há nenhum humano lá. A primeira dificuldade é aceitar que o fim é parte da natureza. Tudo termina, mesmo sem o homem. Tigres comem cervos ainda vivos. Leões matam filhotes de elefantes órfãos. Leopardos não dividem a água com zebras doentes. Macacos cruzam com todas as fêmeas. Se somos parte da natureza, somos assim. Egoístas. Mas somos mais que isso. Sinto dizer algo tão pouco da moda, mas somos melhores. Melhores pelo simples fato de esticarmos a mão para puxar um cervo fora do rio cheio de jacarés. Por ajudarmos quem não é de nossa espécie. De nossa tribo. De nossa família.
OH! mas o homem, miserável, pode destruir o planeta! Sim. Ele pode. E ele é tão maravilhoso que ainda não fez isso. Mesmo podendo fazer. Animal que tem livre arbítrio. Animal que é o único a apreciar não só o que ele fez, o que lhe pertence, mas até mesmo aquilo que jamais será dele. Ser que se interessa pelo que não é ele mesmo. Um milagre. Único bicho que se distrai da luta por comida. Que ousa não comer. Ousa não cruzar. Ousa ser não animal.
O homem cria. Eis seu milagre. Faz da pedra uma enxada e da terra, tinta. Faz do inanimado um foguete, uma vacina, música. Ele cria. Ele modifica. Ele se vê. Vasculha sua alma.
Mas hoje é moda dizer que não. A Terra não precisa de nós. Os bichos vivem sem nós. Modo simplório de pensar. Pouco trabalhoso. Sem nós a Terra nem Terra seria. Um pedaço de pó com umas coisas vivas repetindo por tempo indefinido atos sempre iguais. Esses bichos seriam extintos mesmo sem nossa ajuda. Como foram dinossauros. Esses bichos morreriam em secas. Morreriam em nevascas. Morreriam na queda de meteoros. Sem nossa ajuda.
Estamos aqui. E apesar do meu avô caçar lebres e meu pai ter tido pássaros em gaiolas, somos o milagre. Somos o único milagre na Terra. E isso não é um erro.
Primeiro se pedem direitos iguais. Justíssimo. Depois o casamento gay civil. Justo. Então o casamento religioso. Aí já parece coisa estranha. Pra quê? Mudar uma tradição dentro de uma instituição que existe em função da manutenção da tradição? Então o que acontece? Antes, se voce era a favor dos direitos civis LGBTS, ok, voce era deixado em paz. Mas agora se voce não é a favor do casamento gay na igreja, igreja que era até ontem o mal, voce é homofóbico. Mesmo que seja a favor de todo o resto da agenda. Então voce é obrigado a estar em constante reciclagem, aceitando de forma passiva reivindicação sobre reivindicação. Na verdade a filosofia da esquerda é uma só: Observar até onde o tecido social resiste. Puxar o limite ao máximo. Como desejo de criança mimada, os pedidos jamais terão um fim, porque não pedem satisfação, pedem subversão.
A vigilância sobre todos é constante. Tudo que voce faz ou aprecia hoje, poderá amanhã ser considerado pecado. Este livro pode ser denunciado como machista ou racista, este compositor poderá ter viés fascista e sua postura poderá ser considerada errada. O denuncismo, palavra bonita para dedo durismo, impera.
Meu avô caçava lebres em Portugal e meu tio serviu o exército na África. Hoje meu tio seria um colonialista assassino ( ele não chegou a matar ninguém, mas levou uma granada no lombo e ficou sem o baço ). Meu avô seria um assassino de lebres. Que Moçambique deveria ser livre é óbvio. Mas uma análise mais profunda revela que meu tio não esteve lá porque quis. Mais ainda, nenhum ser humano pode ser reduzido ao que ele fez durante um ano de sua vida. Por isso a pena de morte é injusta. Meu tio pagou qualquer erro com a quase morte no hospital e a invalidez consequente. E se voce usar a tese do nazismo, de que então um soldado nazista pode ser absolvido, eu digo que sim, foi isso o que aconteceu. Os comandantes não podem ser absolvidos, pois eles tinham o massacre como objetivo de vida, o soldado não. 99% deles mal sabiam onde estavam e em quem estavam atirando. A guerra é confusa para o soldado. Isso poucos filmes mostram. Eles atiram como autômatos. O bom soldado não pensa, reage. Veja como o tema é difícil e inconclusivo. Muito mais fácil dizer: Soldado colonialista = assassino, e durma em paz.
Pare e imagine que em 2050 todos nós seremos considerados primitivos. Comedores de pobres bichos indefesos. Poluidores. Gente que queimava combustível, usava madeira e plástico. Seremos tão massacrados quanto o povo que vivia no tempo da escravidão e nada fazia contra esse crime. Iremos ser rotulados. Nossa vida será vista como um pecado sem fim. Nosso legado será podado.
Chesterton tem uma bela imagem que é mais ou menos assim: Imagine que um colibri, um belo dia, começasse a fazer pequenas estátuas de um colibri. E depois passasse a anotar como foi seu dia. O que voce pensaria? Que ali estava acontecendo um milagre. E que aquele colibri era um tipo de deus, ou um enviado dos seres superiores. Então me diga porque voce acha que o ser-humano, que é esse colibri, é uma animal tão nocivo e inferior?
Chesterton disse isso como denúncia da mania moderna de condenar o homem como o grande mal do planeta. Hoje, em 2020, essa tendência aumentou muito. A natureza é vista como mundo perfeito e o homem seria o vírus que veio botar fim à tudo. Será?
Estrelas morrem todo dia e pelo que se sabe, não há nenhum humano lá. A primeira dificuldade é aceitar que o fim é parte da natureza. Tudo termina, mesmo sem o homem. Tigres comem cervos ainda vivos. Leões matam filhotes de elefantes órfãos. Leopardos não dividem a água com zebras doentes. Macacos cruzam com todas as fêmeas. Se somos parte da natureza, somos assim. Egoístas. Mas somos mais que isso. Sinto dizer algo tão pouco da moda, mas somos melhores. Melhores pelo simples fato de esticarmos a mão para puxar um cervo fora do rio cheio de jacarés. Por ajudarmos quem não é de nossa espécie. De nossa tribo. De nossa família.
OH! mas o homem, miserável, pode destruir o planeta! Sim. Ele pode. E ele é tão maravilhoso que ainda não fez isso. Mesmo podendo fazer. Animal que tem livre arbítrio. Animal que é o único a apreciar não só o que ele fez, o que lhe pertence, mas até mesmo aquilo que jamais será dele. Ser que se interessa pelo que não é ele mesmo. Um milagre. Único bicho que se distrai da luta por comida. Que ousa não comer. Ousa não cruzar. Ousa ser não animal.
O homem cria. Eis seu milagre. Faz da pedra uma enxada e da terra, tinta. Faz do inanimado um foguete, uma vacina, música. Ele cria. Ele modifica. Ele se vê. Vasculha sua alma.
Mas hoje é moda dizer que não. A Terra não precisa de nós. Os bichos vivem sem nós. Modo simplório de pensar. Pouco trabalhoso. Sem nós a Terra nem Terra seria. Um pedaço de pó com umas coisas vivas repetindo por tempo indefinido atos sempre iguais. Esses bichos seriam extintos mesmo sem nossa ajuda. Como foram dinossauros. Esses bichos morreriam em secas. Morreriam em nevascas. Morreriam na queda de meteoros. Sem nossa ajuda.
Estamos aqui. E apesar do meu avô caçar lebres e meu pai ter tido pássaros em gaiolas, somos o milagre. Somos o único milagre na Terra. E isso não é um erro.
Michael Powell BBC LATE SHOW Special (1992)
Michael Powell BBC LATE SHOW Special (1992)
leia e escreva já!
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AS CORES VIVAS
Vejo um documentário sobre as cores em Technicolor. Vem nos extras de AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD. Quem já teve a honra de assistir um filme em technicolor sabe do que falo. Mas atenção! Ele tem de ser restaurado. As cores com a qualidade original. Neste documentário temos depoimentos de Vittorio Storaro, Oswald Morris, Jack Cardiff, Scorsese claro, e mais um bando de feras em imagem. Não há até hoje um processo de imagem mais bonito que o technicolor. Deixou de ser usado, nos anos 60, porque era muito, muito caro. Em seu lugar veio o Eastmancolor, da Kodak, e as cores fortes foram assim banidas das telas.
Ainda tive tempo de provar o technicolor em tela imensa. Foi nos anos 70. Eu era criança e fui no cine Astor, no Conjunto Nacional, ver uma reprise em cópia nova de Pinocchio. Eu devia ter uns 8 anos de idade e perdi a respiração. Lembro como se fosse hoje. ( Vittorio Storaro, diretor de fotografia dos filmes de Bertolucci, diz que as cores em technicolor mudavam nossa pressão arterial, era uma experiência física ). Em Pinocchio, naquela tarde de sábado, recebi em 90 minutos, toda a minha educação estética. Azuis que nunca mais esqueci. Vermelhos que me deixavam doido. Amarelos excitantes. Era tanta energia, tanta vida, que me senti eufórico. Cores mais vivas que a própria vida. Ou não. Segundo o documentário, são as cores reais, nós é que não as percebemos no dia a dia.
Eu tenho alguns dvds restaurados. Cores como no dia de sua estreia. Mesmo em tela pequena a experiência da cor é maravilhosa. Robin Hood é um deles. A história é muito conhecida e o filme é infantil ao extremo. Mas as cores...meu Deus do céu! Olhe o verde da roupa de Erroll Flynn! O dourado de Claude Rains! O riacho brilha no sol com todas as cores possíveis. Nunca houve cavalo mais branco que este! E o negro do veludo....é infinito! Nossos olhos ficam em êxtase. Puro deleite. É uma experiência sensual.
No dvd Martin Scorsese diz que os filmes de Michael Powell feitos entre 1941-1952 são a maior ousadia já feita no cinema dentro de um grande estúdio. Entenda. Há ousadia no cinema de Rosselini ou Tarkovski. Mas eram filmes pequenos e não pop. Powell fez ousadia dentro da grande indústria e fazendo cinema popular. Essa ousadia usa principalmente a imagem e essa imagem é o technicolor.
Infelizmente minha cópia de Coronel Blimp não é restaurada. As cores estão desbotadas. Mas as cópias dos outros filmes brilham e enfeitiçam. The Red Shoes é a obra prima do technicolor. Mas atenção! É o estilo inglês. As cores são um pouco mais pastel. Menos brilho e mais sombra.
Não posso deixar de comentar que um dos maiores filmes em cor foi censurado. ..E O VENTO LEVOU saiu da HBO por pressão. É uma obra racista. Me parece que sentiram que o lado escravocrata, lado de Scarlet, não é censurado o bastante no filme. Não vou analisar o filme. Digo apenas que saímos de décadas ( anos 80 e 90 ) onde todos queriam ser crianças, e entramos numa década onde todos são tratados como crianças. Não se aceita mais a ideia de que existam adultos que entendam o que é certo e errado. Nada mais a ser dito.
PS: Se voce gosta de westerns guarde-os em mídias físicas. Logo serão todos censurados.
Ainda tive tempo de provar o technicolor em tela imensa. Foi nos anos 70. Eu era criança e fui no cine Astor, no Conjunto Nacional, ver uma reprise em cópia nova de Pinocchio. Eu devia ter uns 8 anos de idade e perdi a respiração. Lembro como se fosse hoje. ( Vittorio Storaro, diretor de fotografia dos filmes de Bertolucci, diz que as cores em technicolor mudavam nossa pressão arterial, era uma experiência física ). Em Pinocchio, naquela tarde de sábado, recebi em 90 minutos, toda a minha educação estética. Azuis que nunca mais esqueci. Vermelhos que me deixavam doido. Amarelos excitantes. Era tanta energia, tanta vida, que me senti eufórico. Cores mais vivas que a própria vida. Ou não. Segundo o documentário, são as cores reais, nós é que não as percebemos no dia a dia.
Eu tenho alguns dvds restaurados. Cores como no dia de sua estreia. Mesmo em tela pequena a experiência da cor é maravilhosa. Robin Hood é um deles. A história é muito conhecida e o filme é infantil ao extremo. Mas as cores...meu Deus do céu! Olhe o verde da roupa de Erroll Flynn! O dourado de Claude Rains! O riacho brilha no sol com todas as cores possíveis. Nunca houve cavalo mais branco que este! E o negro do veludo....é infinito! Nossos olhos ficam em êxtase. Puro deleite. É uma experiência sensual.
No dvd Martin Scorsese diz que os filmes de Michael Powell feitos entre 1941-1952 são a maior ousadia já feita no cinema dentro de um grande estúdio. Entenda. Há ousadia no cinema de Rosselini ou Tarkovski. Mas eram filmes pequenos e não pop. Powell fez ousadia dentro da grande indústria e fazendo cinema popular. Essa ousadia usa principalmente a imagem e essa imagem é o technicolor.
Infelizmente minha cópia de Coronel Blimp não é restaurada. As cores estão desbotadas. Mas as cópias dos outros filmes brilham e enfeitiçam. The Red Shoes é a obra prima do technicolor. Mas atenção! É o estilo inglês. As cores são um pouco mais pastel. Menos brilho e mais sombra.
Não posso deixar de comentar que um dos maiores filmes em cor foi censurado. ..E O VENTO LEVOU saiu da HBO por pressão. É uma obra racista. Me parece que sentiram que o lado escravocrata, lado de Scarlet, não é censurado o bastante no filme. Não vou analisar o filme. Digo apenas que saímos de décadas ( anos 80 e 90 ) onde todos queriam ser crianças, e entramos numa década onde todos são tratados como crianças. Não se aceita mais a ideia de que existam adultos que entendam o que é certo e errado. Nada mais a ser dito.
PS: Se voce gosta de westerns guarde-os em mídias físicas. Logo serão todos censurados.
A ESTÁTUA DE CHURCHILL E OUTROS TROÇOS
Escreveram a palavra racista na estátua de Winston Churchill. Fizeram o mesmo nas de Lincoln, Gandhi, dos soldados que morreram nas guerras e até mesmo no monumento a um batalhão negro que lutou na guerra civil. Pura ignorância e dizem que devemos perdoar a ignorância pois ela não sabe o que faz. O problema é que por trás dessa ignorância há gente nada inocente.
Harold Bloom escreveu nos anos 80 que os estudos modernos de línguas estavam destruindo o valor da literatura. Dante era estudado apenas como um macho branco e rancoroso e assim sua obra não importava mais. Dickens era outro macho branco opressor e típico propagandista do mundo vitoriano. Shakespeare nada entendia de mulheres, era outro homem branco europeu. Criava-se a ideia, perigosa, de que cada raça deveria ler livros escritos por representantes de sua etnia e de seu gênero. Já são 35 anos passados e hoje vejo alunas negras que fingem não ouvir o que qualquer professor branco fale.
Tive um professor assumidamente comunista nos anos 70. Muito boa gente, ingênuo, simpático, ele era partidário do famoso "quanto pior melhor". O único modo de vencer o capitalismo seria criar uma crise descomunal. Dos escombros da tragédia nasceria um povo socialista. Na prática isso nunca aconteceu. Da Alemanha destruída veio o nazismo e da URSS acabada veio Putin. Mas o hábito do quanto pior melhor não desapareceu. Alegremente, por puro instinto, sem raciocinar, há um tipo de reformista que ainda crê que do Kaos absoluto virá o tal mundo justo. Não meu querido. Do Kaos nascem políticos mais autoritários e geralmente são de direita.
A guerra racial substituiu a guerra de classes. A equação primária é simples assim. A esperança dos reformistas sociais é que nessa guerra morra o capitalismo malvado. Não percebem que as pessoas ao fazerem saques, pegam bens do capitalismo. E sorriem por isso. No pior dos cenários, a guerra racial poderia produzir um tipo de novo apartheid "do bem". Raças separadas. Detalhe: a Africa do Sul era mega capitalista. Nenhum negro americano quer o controle estatal sobre sua vida. Ao contrário, eles querem o fim da polícia. Ou seja, nenhum controle. ( Devo comentar que o fim da polícia seria o retorno do mundo do faroeste, mas me parece que esses militantes não assistem esse tipo de filme ).
Dentro desse mundo que aqui descrevo fica difícil falar de Churchill ou Lincoln ou Gandhi. Pensando por slogans, lendo apenas apostilas, esse povo vê cada um deles apenas como homens brancos que defendiam a cultura branca. Toda a complexidade de almas imensas fica no limbo da tola ignorância.
Interessante observar que a diminuição da alma humana está se dando exatamente dentro do humanismo moderno. Enquanto a ciência nos leva ao limite do muito grande e do muito pequeno, o mundo das humanas diminui cada vez mais nosso limite. Uma alma branca não poderá jamais entender o que é ser negro. E um homem nada sabe sobre uma mulher. O espírito e o intelecto hoje têm cor e sexo. Tentando ser liberais, eles sexualizaram e deram raça a tudo.
Jamais li Emilly Bronte ou Virginia Wolff pensando estar lendo uma mulher. Nunca ouvi Miles Davis pensando estar ouvindo um negro. Para mim sempre foi Literatura. Sempre foi Música. Valores muito acima da contingência temporal de raça e sexo. Para mim a arte sempre foi o mundo democrático onde cada um é aquilo que é: Único. Colocar um artista como latino americano gay ou macho russo dono de terras, é desvalorizar e não apreciar aquilo que a arte tem de melhor, sua transcendência. O latino americano gay é muito mais que isso. Idem o russo macho.
Para o povo que destrói o passado, olhar para trás é ver apenas racismo e machismo. Mais nada. Para eles toda a história se reduz a exterminação de raças e opressão feminina. Se um dia a história foi reduzida ao conflito de classes, agora é ainda pior. Estamos condicionados a ver o passado do ponto de vista de nossa raça. Não conheço inferno mais limitante que esse.
Por fim, a história nos ensina que mudamos. Que tudo é um processo. Churchill lutou no Sudão, lutou contra os Boers. E eu não gosto desse lado dele. Mas depois ele mudou. Porque a história nos faz mudar. E segurou o nazismo sozinho por dois anos. Quando negamos a história estamos negando a mudança. O passado morre. Ele se torna estático. E ao fazer isso acabamos por negar nossa própria possiblidade de mudança. Brancos serão sempre brancos. Negros serão sempre negros.
O mundo real meu caro, não é assim.
Harold Bloom escreveu nos anos 80 que os estudos modernos de línguas estavam destruindo o valor da literatura. Dante era estudado apenas como um macho branco e rancoroso e assim sua obra não importava mais. Dickens era outro macho branco opressor e típico propagandista do mundo vitoriano. Shakespeare nada entendia de mulheres, era outro homem branco europeu. Criava-se a ideia, perigosa, de que cada raça deveria ler livros escritos por representantes de sua etnia e de seu gênero. Já são 35 anos passados e hoje vejo alunas negras que fingem não ouvir o que qualquer professor branco fale.
Tive um professor assumidamente comunista nos anos 70. Muito boa gente, ingênuo, simpático, ele era partidário do famoso "quanto pior melhor". O único modo de vencer o capitalismo seria criar uma crise descomunal. Dos escombros da tragédia nasceria um povo socialista. Na prática isso nunca aconteceu. Da Alemanha destruída veio o nazismo e da URSS acabada veio Putin. Mas o hábito do quanto pior melhor não desapareceu. Alegremente, por puro instinto, sem raciocinar, há um tipo de reformista que ainda crê que do Kaos absoluto virá o tal mundo justo. Não meu querido. Do Kaos nascem políticos mais autoritários e geralmente são de direita.
A guerra racial substituiu a guerra de classes. A equação primária é simples assim. A esperança dos reformistas sociais é que nessa guerra morra o capitalismo malvado. Não percebem que as pessoas ao fazerem saques, pegam bens do capitalismo. E sorriem por isso. No pior dos cenários, a guerra racial poderia produzir um tipo de novo apartheid "do bem". Raças separadas. Detalhe: a Africa do Sul era mega capitalista. Nenhum negro americano quer o controle estatal sobre sua vida. Ao contrário, eles querem o fim da polícia. Ou seja, nenhum controle. ( Devo comentar que o fim da polícia seria o retorno do mundo do faroeste, mas me parece que esses militantes não assistem esse tipo de filme ).
Dentro desse mundo que aqui descrevo fica difícil falar de Churchill ou Lincoln ou Gandhi. Pensando por slogans, lendo apenas apostilas, esse povo vê cada um deles apenas como homens brancos que defendiam a cultura branca. Toda a complexidade de almas imensas fica no limbo da tola ignorância.
Interessante observar que a diminuição da alma humana está se dando exatamente dentro do humanismo moderno. Enquanto a ciência nos leva ao limite do muito grande e do muito pequeno, o mundo das humanas diminui cada vez mais nosso limite. Uma alma branca não poderá jamais entender o que é ser negro. E um homem nada sabe sobre uma mulher. O espírito e o intelecto hoje têm cor e sexo. Tentando ser liberais, eles sexualizaram e deram raça a tudo.
Jamais li Emilly Bronte ou Virginia Wolff pensando estar lendo uma mulher. Nunca ouvi Miles Davis pensando estar ouvindo um negro. Para mim sempre foi Literatura. Sempre foi Música. Valores muito acima da contingência temporal de raça e sexo. Para mim a arte sempre foi o mundo democrático onde cada um é aquilo que é: Único. Colocar um artista como latino americano gay ou macho russo dono de terras, é desvalorizar e não apreciar aquilo que a arte tem de melhor, sua transcendência. O latino americano gay é muito mais que isso. Idem o russo macho.
Para o povo que destrói o passado, olhar para trás é ver apenas racismo e machismo. Mais nada. Para eles toda a história se reduz a exterminação de raças e opressão feminina. Se um dia a história foi reduzida ao conflito de classes, agora é ainda pior. Estamos condicionados a ver o passado do ponto de vista de nossa raça. Não conheço inferno mais limitante que esse.
Por fim, a história nos ensina que mudamos. Que tudo é um processo. Churchill lutou no Sudão, lutou contra os Boers. E eu não gosto desse lado dele. Mas depois ele mudou. Porque a história nos faz mudar. E segurou o nazismo sozinho por dois anos. Quando negamos a história estamos negando a mudança. O passado morre. Ele se torna estático. E ao fazer isso acabamos por negar nossa própria possiblidade de mudança. Brancos serão sempre brancos. Negros serão sempre negros.
O mundo real meu caro, não é assim.
CORONEL BLIMP, MICHAEL POWELL. GENTLEMAN
Tendemos a não crer que um dia as coisas foram diferentes. Não existem mais pessoas vivas que eram adultas nos anos de 1930. Então quando lemos testemunhos de um mundo diferente, tendemos a pensar que tudo é apenas caso de nostalgia. Coronel Blimp, filme de Michael Powell feito em 1942, no auge da segunda guerra, o momento em que realmente parecia que Hitler iria vencer, fala do assunto que Churchill menos queria ouvir falar então: Bons Modos.
Churchill tinha sangue azul e era um conservador. Portanto ele conhecera o mundo de Blimp. Mas em 1942 ele já incutira na mente dos ingleses que para vencer a Alemanha era preciso lutar como os nazis lutavam: de um modo sujo. Sem respeitar acordos. O vale tudo absoluto. A destruição total. Blimp é um general que ainda crê na honra entre iguais e nos bons modos mesmo na guerra.
O filme foi em seu tempo um fracasso de público e poucos críticos lhe deram atenção. Hoje é chamado de obra prima por gente como Roger Ebert, Martin Scorsese e Copolla. Falo agora do que vemos...
Ele é dividido em 3 grandes blocos. No primeiro, todo em clima de comédia farsesca, vemos Blimp já velho, em 1942, sendo ofendido por jovens soldados da nova geração. Fazem uma palhaçada com ele. Então vem um flash back e vamos à 1902. Jovem, Blimp vai à Berlin resolver um problema. Lá, se envolve em duelo com oficial alemão. Estranhamos o duelo e o que acontece depois como se fosse um tipo de fantasia para crianças. Mas aquele é exatamente o mundo dos oficiais em 1902. O mesmo mundo que Renoir mostra em outro filme sobre o mesmo tema. Acima de tudo há o orgulho em se manter um bom nome. Um compromisso de classe. Um código de honra que precisa ser mantido para que a civilização que se defende não desabe. Observe bem essa frase: A civilização não desabe. A educação humanista da época pregava isso: Acima de Alemanha ou Inglaterra, vinha a civilização romana-cristã-ocidental. Tudo poderia ser perdido, menos essa base. O código de honra a mantinha a salvo.
No segundo bloco está a primeira guerra mundial, e aí o código começa a ruir. A guerra química destrói o acordo de cavalheiros e a Alemanha dá o primeiro chute no início do fim. Blimp diz que é um orgulho ter vencido a guerra dentro do código de respeito e honra, mas ele está enganado. Os ingleses já usam a tortura para obter confissões. E após a guerra erram ao humilhar os vencidos. Esse segundo bloco é já em outro clima, o filme fica mais seco e a comédia desaparece.
O terceiro bloco é trágico. É a segunda guerra e Blimp é afastado do exército. Suas crenças atrapalham a nação. A Inglaterra luta como a Alemanha, de modo sujo. O filme se torna trágico e de uma beleza absoluta. A fala do amigo alemão, tentando obter refúgio em solo inglês, é comovente.
Paralelamente à tudo isso, há a amizade entre os dois duelistas. Blimp e o alemão mantém a amizade porque ambos acreditam nas mesmas coisas. Mais que ingles e alemão, eles são civilizados. A mulher que o alemão rouba de Blimp, sem saber, é o símbolo do mundo perdido pelo general, a beleza que jamais poderá voltar.
É um filme imenso em todos os sentidos. Roger Livesey como Blimp tem uma das melhores atuações da história do cinema, e Anton Wallbrock como o alemão é ainda mais fascinante. O filme é considerado um exemplo do estilo biográfico. Ele humilha as biografias feitas nos últimos anos.
Voce pode falar que na idade média se torturava etc etc etc. Sim. É fato. Mas se torturava quem não fazia parte do universo dentro do código: o herege. Entre iguais se observava a honra da guerra justa. Cinismo? Pode ser. Mas dentro dessa civilização, a nossa, havia pelo menos essa certeza. A guerra feita com hora e local marcado, dentro de um limite. Quando esse limite era quebrado, e era, a punição era exemplar. Os crimes cometidos em países fora da Europa eram crimes contra outra civilização. O que Blimp diz, e que tanto irritou Churchill, é que ingleses e alemães são da mesma origem, têm os mesmos códigos e se os alemães erraram, e realmente erraram, o filme deixa isso muito claro, são ainda participantes da mesma civilização.
Vivemos um tempo de relativismo e achamos extremamente falso um código de honra que abrange apenas os iguais. Mas mesmo no globalismo atual é isso que acontece. Voce respeita quem é da sua tribo e só quem compartilha de suas crenças. O problema pós nazismo é que não há limite algum mesmo dentro da tribo. Vale tudo para vencer, mesmo que se negue a sua própria honra.
Não existe civilização sem acordo. Não vale a pena manter uma estrutura baseada apenas no prazer. Blimp sabe que o que dá sentido à vida é a crença em coisas que estão acima e além de voce mesmo.
O filme, antigo, velho, ultrapassado, está muito além do cinema.
Churchill tinha sangue azul e era um conservador. Portanto ele conhecera o mundo de Blimp. Mas em 1942 ele já incutira na mente dos ingleses que para vencer a Alemanha era preciso lutar como os nazis lutavam: de um modo sujo. Sem respeitar acordos. O vale tudo absoluto. A destruição total. Blimp é um general que ainda crê na honra entre iguais e nos bons modos mesmo na guerra.
O filme foi em seu tempo um fracasso de público e poucos críticos lhe deram atenção. Hoje é chamado de obra prima por gente como Roger Ebert, Martin Scorsese e Copolla. Falo agora do que vemos...
Ele é dividido em 3 grandes blocos. No primeiro, todo em clima de comédia farsesca, vemos Blimp já velho, em 1942, sendo ofendido por jovens soldados da nova geração. Fazem uma palhaçada com ele. Então vem um flash back e vamos à 1902. Jovem, Blimp vai à Berlin resolver um problema. Lá, se envolve em duelo com oficial alemão. Estranhamos o duelo e o que acontece depois como se fosse um tipo de fantasia para crianças. Mas aquele é exatamente o mundo dos oficiais em 1902. O mesmo mundo que Renoir mostra em outro filme sobre o mesmo tema. Acima de tudo há o orgulho em se manter um bom nome. Um compromisso de classe. Um código de honra que precisa ser mantido para que a civilização que se defende não desabe. Observe bem essa frase: A civilização não desabe. A educação humanista da época pregava isso: Acima de Alemanha ou Inglaterra, vinha a civilização romana-cristã-ocidental. Tudo poderia ser perdido, menos essa base. O código de honra a mantinha a salvo.
No segundo bloco está a primeira guerra mundial, e aí o código começa a ruir. A guerra química destrói o acordo de cavalheiros e a Alemanha dá o primeiro chute no início do fim. Blimp diz que é um orgulho ter vencido a guerra dentro do código de respeito e honra, mas ele está enganado. Os ingleses já usam a tortura para obter confissões. E após a guerra erram ao humilhar os vencidos. Esse segundo bloco é já em outro clima, o filme fica mais seco e a comédia desaparece.
O terceiro bloco é trágico. É a segunda guerra e Blimp é afastado do exército. Suas crenças atrapalham a nação. A Inglaterra luta como a Alemanha, de modo sujo. O filme se torna trágico e de uma beleza absoluta. A fala do amigo alemão, tentando obter refúgio em solo inglês, é comovente.
Paralelamente à tudo isso, há a amizade entre os dois duelistas. Blimp e o alemão mantém a amizade porque ambos acreditam nas mesmas coisas. Mais que ingles e alemão, eles são civilizados. A mulher que o alemão rouba de Blimp, sem saber, é o símbolo do mundo perdido pelo general, a beleza que jamais poderá voltar.
É um filme imenso em todos os sentidos. Roger Livesey como Blimp tem uma das melhores atuações da história do cinema, e Anton Wallbrock como o alemão é ainda mais fascinante. O filme é considerado um exemplo do estilo biográfico. Ele humilha as biografias feitas nos últimos anos.
Voce pode falar que na idade média se torturava etc etc etc. Sim. É fato. Mas se torturava quem não fazia parte do universo dentro do código: o herege. Entre iguais se observava a honra da guerra justa. Cinismo? Pode ser. Mas dentro dessa civilização, a nossa, havia pelo menos essa certeza. A guerra feita com hora e local marcado, dentro de um limite. Quando esse limite era quebrado, e era, a punição era exemplar. Os crimes cometidos em países fora da Europa eram crimes contra outra civilização. O que Blimp diz, e que tanto irritou Churchill, é que ingleses e alemães são da mesma origem, têm os mesmos códigos e se os alemães erraram, e realmente erraram, o filme deixa isso muito claro, são ainda participantes da mesma civilização.
Vivemos um tempo de relativismo e achamos extremamente falso um código de honra que abrange apenas os iguais. Mas mesmo no globalismo atual é isso que acontece. Voce respeita quem é da sua tribo e só quem compartilha de suas crenças. O problema pós nazismo é que não há limite algum mesmo dentro da tribo. Vale tudo para vencer, mesmo que se negue a sua própria honra.
Não existe civilização sem acordo. Não vale a pena manter uma estrutura baseada apenas no prazer. Blimp sabe que o que dá sentido à vida é a crença em coisas que estão acima e além de voce mesmo.
O filme, antigo, velho, ultrapassado, está muito além do cinema.
FIM DA POLICIA ( MATEMÁTICA BABY )
Leio que um grupo de atores e atrizes de Hollywood faz um movimento pedindo o fim do financiamento da polícia. Atores não são famosos por seu senso de realidade, mas eu não imaginava que eles houvessem chegado a tal nível de infantilismo. Vale à pena comentar?
Sem a polícia voltaríamos aos tempos do faroeste. Cada comunidade escolheria um xerife, esse xerife nomearia ajudantes e estaria instalada a lei. Todo cidadão, sem a polícia, se armaria para defender o que é seu e o que ele ama. E mesmo que as armas por mágica fossem extintas, facas e porretes seriam usados. Eu realmente não consigo entender esse tipo de raciocínio. Penso que nasceu uma nova espécie de mamífero humanoide e entre eu e esses seres há a distância que existe entre Leões e gatos de madame.
As pessoas estão desistindo de pensar. Elas estão sendo ensinadas a colocar rótulos e pensar por slogans. Desse modo, todo aquele que discorda de seu ponto de vista é comunista ou nazista. Todo policial é um porco fascista e todo homossexual é de esquerda e portanto, comuna. O mais assustador é que o humor, primeira característica da inteligência, está completamente ausente desses slogans. Mesmo aqueles que se propõe a fazer humor, acabam por fazer uma espécie de piada hiper agressiva, um riso que baba veneno e rancor.
Eu ando vendo filmes de guerra. Os filmes que Michael Powell fez durante a segunda guerra. Em Coronel Blimp, filme de 1941 filme que Churchill odiava, Powell mostra que até os alemães são humanos. Sim. Em plena segunda guerra, um diretor fez um filme inglês que demonstra que mesmo os inimigos sofrem e pensam. Ontem assisti Canterbury, onde é mostrado que Deus concede milagres mesmo dentro da guerra. O que tento dizer aqui? Que o humanismo morreu. Se voce destrói uma amizade porque seu ex amigo pensa diferente de voce, seu humanismo não é mais humano. Voce é apenas uma máquina de pensar. Basta um código binário que não encaixe na fórmula da amizade para que todo o programa desabe.
Comecei este pequeno texto falando de atores privilegiados. Falo agora do problema da área de humanas. Li um artigo que expõe o problema. Problema insolúvel devo dizer. Frequentei os bancos de humanas, da melhor universidade do continente, por oito anos. E o que vi? Excelentes professores. Sim, conheci dentre muitos, alguns realmente ótimos. Carismáticos, abertos, democratas reais, racionais, encantadores. E muitos enganadores. Não, não pense em dogmas. Os enganadores são apenas preguiçosos. Só isso. O problema está muito além dos professores. O problema é o próprio alvo de estudos.
Até o século XVII mais ou menos, humanas englobava tudo. Um bom filósofo estudava matemática, astronomia, latim, grego e química. Quando, já no século XVIII, esses conhecimentos se separam, nasce o especialista em história, línguas ou filosofia, aquele que tem um certo orgulho em dizer: " Sou de humanas, não sei fazer contas", ou pior, " A ciência também é relativa". Relativa em relação a quê, caro humanoide?
Em humanas nada precisa ser provado porque tudo é questão de gosto. Ou de fé. Nunca nos esqueçamos, para tristeza de 90% dos humanoides, que universidades, livros e especulações são coisas criadas pela igreja. Na base do humanismo há sempre a repetição da ladainha e a paixão da fé.
Tanto faz voce dizer que Dostoievski era um cristão radical ou um louco. Tanto faz voce dizer que Joyce era de esquerda ou direita. Não há como comprovar e mesmo que eles estivessem vivos e falassem o que pensam, voce separaria o homem da obra. Não existe conclusão em humanas e por isso nela cabe qualquer teoria. Por mais absurda e irracional que seja. Se alguém quiser crer nela, ela existirá.
Até aí tudo é inofensivo como é inofensivo um brinquedo. O problema é quando esse método sem método é levado para a vida prática. Por princípio o humanoide odeia tudo que é prático e pragmático. Pois essas duas palavras lhe recordam aquilo que ele mais odiava quando jovem: ciência matemática. Ordem. Clareza. Limpidez. Por mais que um filósofo invente teorias, dois mais dois será quatro mesmo em 2100. Assim como foi em 2000 ac. A ciência, assim como a vida real, faz com que o humanoide fique irritado. Nesse mundo não acadêmico ele é impotente. A física quântica não o salvará da morte ou do tempo que passa. Pois até a física quântica é apenas....ciência.
O que mais me dava risos nas aulas era quando um professor chamava sua aula de ciência. Onde? Ciência sem laboratório? Sem a repetição de resultados idênticos? Sem a ocorrência idêntica independente de lugar e tempo? Eu falava em aula: "Vamos parar com essa fixação em ser aceitos pelas ciências e nos contentemos com nosso campo, restrito e falho". Sim amigos, eu falava isso. E muitos concordavam. Inclusive professores. Mas a maioria não. Humanas de humanoides quando aplicadas à economia, medicina, administração, química, aplicadas a todo modo de pensar é sempre um desastre. Porque não há um objetivo concreto. Um alvo mensurável. É tudo abstrato.
Como resultado, passamos a ter no mundo concreto aquilo que cabia apenas ao mundo acadêmico das humanas: a relativização da verdade. Homero escreveu a Odisseia para quem assim o quiser. Dante é um monstro para quem acreditar. Napoleão era um herói para voce e um vilão para mim. Tanto faz. Dentro da academia ou em cadernos de cultura tudo isso é muito divertido. Na vida do dia a dia, onde se lida com dinheiro, com guerras iminentes, com doenças, isso é patético. Ou pior, trágico.
Apesar das aulas de filosofia e das teorias literárias, o mal existe. O bem existe. E há uma verdade chamada bem comum. Certas coisas são melhores que outras. Certos hábitos persistem por serem bons. Quando voce relativiza, tudo se desmancha, e o motivo não é "porque a vida é assim", mas porque, como bom humanoide, voce aplica o saber das humanas ao objeto errado. Podemos discutir se Descartes era pior que Pascal, mas não podemos discutir se este método de produção funciona ou não. Basta medir sua eficiência.
O humanoide é aquele que irá à sua festa de bodas de diamante e dirá: " Dura muito tempo...mas isso não significa...bla bla bla"....Verá uma vitória por 7x1 e dirá ...."Tenho a teoria de que o jogo foi e bla bla bla"....
Ele terá teoria para tudo e todas serão verdadeiras para quem as comprar. Mas, o simples fato de existirem tantas teorias já contribui para provar que todas são falhas. Como eu disse, brinquedos.
Termino com Einstein, aquele cientista sério que os humanoides pintam como um bom vovô meio hippie. Ele dizia que toda verdade é SEMPRE A MAIS SIMPLES E A MAIS ELEGANTE. Seja em matemática, física ou na vida prática, há na verdade sempre a luz do óbvio, do claro, da evidência mais direta e sem firulas. Toda teoria que necessita de uma sucessão de atos ou acasos é falsa.
Mas humanoides abominam o que é simples. Muito menos o elegante. Aos 13 anos eles tinham diante de si uma equação clara, simples e elegante. E muito verdadeira. E a odiaram com todas as forças.
Sem a polícia voltaríamos aos tempos do faroeste. Cada comunidade escolheria um xerife, esse xerife nomearia ajudantes e estaria instalada a lei. Todo cidadão, sem a polícia, se armaria para defender o que é seu e o que ele ama. E mesmo que as armas por mágica fossem extintas, facas e porretes seriam usados. Eu realmente não consigo entender esse tipo de raciocínio. Penso que nasceu uma nova espécie de mamífero humanoide e entre eu e esses seres há a distância que existe entre Leões e gatos de madame.
As pessoas estão desistindo de pensar. Elas estão sendo ensinadas a colocar rótulos e pensar por slogans. Desse modo, todo aquele que discorda de seu ponto de vista é comunista ou nazista. Todo policial é um porco fascista e todo homossexual é de esquerda e portanto, comuna. O mais assustador é que o humor, primeira característica da inteligência, está completamente ausente desses slogans. Mesmo aqueles que se propõe a fazer humor, acabam por fazer uma espécie de piada hiper agressiva, um riso que baba veneno e rancor.
Eu ando vendo filmes de guerra. Os filmes que Michael Powell fez durante a segunda guerra. Em Coronel Blimp, filme de 1941 filme que Churchill odiava, Powell mostra que até os alemães são humanos. Sim. Em plena segunda guerra, um diretor fez um filme inglês que demonstra que mesmo os inimigos sofrem e pensam. Ontem assisti Canterbury, onde é mostrado que Deus concede milagres mesmo dentro da guerra. O que tento dizer aqui? Que o humanismo morreu. Se voce destrói uma amizade porque seu ex amigo pensa diferente de voce, seu humanismo não é mais humano. Voce é apenas uma máquina de pensar. Basta um código binário que não encaixe na fórmula da amizade para que todo o programa desabe.
Comecei este pequeno texto falando de atores privilegiados. Falo agora do problema da área de humanas. Li um artigo que expõe o problema. Problema insolúvel devo dizer. Frequentei os bancos de humanas, da melhor universidade do continente, por oito anos. E o que vi? Excelentes professores. Sim, conheci dentre muitos, alguns realmente ótimos. Carismáticos, abertos, democratas reais, racionais, encantadores. E muitos enganadores. Não, não pense em dogmas. Os enganadores são apenas preguiçosos. Só isso. O problema está muito além dos professores. O problema é o próprio alvo de estudos.
Até o século XVII mais ou menos, humanas englobava tudo. Um bom filósofo estudava matemática, astronomia, latim, grego e química. Quando, já no século XVIII, esses conhecimentos se separam, nasce o especialista em história, línguas ou filosofia, aquele que tem um certo orgulho em dizer: " Sou de humanas, não sei fazer contas", ou pior, " A ciência também é relativa". Relativa em relação a quê, caro humanoide?
Em humanas nada precisa ser provado porque tudo é questão de gosto. Ou de fé. Nunca nos esqueçamos, para tristeza de 90% dos humanoides, que universidades, livros e especulações são coisas criadas pela igreja. Na base do humanismo há sempre a repetição da ladainha e a paixão da fé.
Tanto faz voce dizer que Dostoievski era um cristão radical ou um louco. Tanto faz voce dizer que Joyce era de esquerda ou direita. Não há como comprovar e mesmo que eles estivessem vivos e falassem o que pensam, voce separaria o homem da obra. Não existe conclusão em humanas e por isso nela cabe qualquer teoria. Por mais absurda e irracional que seja. Se alguém quiser crer nela, ela existirá.
Até aí tudo é inofensivo como é inofensivo um brinquedo. O problema é quando esse método sem método é levado para a vida prática. Por princípio o humanoide odeia tudo que é prático e pragmático. Pois essas duas palavras lhe recordam aquilo que ele mais odiava quando jovem: ciência matemática. Ordem. Clareza. Limpidez. Por mais que um filósofo invente teorias, dois mais dois será quatro mesmo em 2100. Assim como foi em 2000 ac. A ciência, assim como a vida real, faz com que o humanoide fique irritado. Nesse mundo não acadêmico ele é impotente. A física quântica não o salvará da morte ou do tempo que passa. Pois até a física quântica é apenas....ciência.
O que mais me dava risos nas aulas era quando um professor chamava sua aula de ciência. Onde? Ciência sem laboratório? Sem a repetição de resultados idênticos? Sem a ocorrência idêntica independente de lugar e tempo? Eu falava em aula: "Vamos parar com essa fixação em ser aceitos pelas ciências e nos contentemos com nosso campo, restrito e falho". Sim amigos, eu falava isso. E muitos concordavam. Inclusive professores. Mas a maioria não. Humanas de humanoides quando aplicadas à economia, medicina, administração, química, aplicadas a todo modo de pensar é sempre um desastre. Porque não há um objetivo concreto. Um alvo mensurável. É tudo abstrato.
Como resultado, passamos a ter no mundo concreto aquilo que cabia apenas ao mundo acadêmico das humanas: a relativização da verdade. Homero escreveu a Odisseia para quem assim o quiser. Dante é um monstro para quem acreditar. Napoleão era um herói para voce e um vilão para mim. Tanto faz. Dentro da academia ou em cadernos de cultura tudo isso é muito divertido. Na vida do dia a dia, onde se lida com dinheiro, com guerras iminentes, com doenças, isso é patético. Ou pior, trágico.
Apesar das aulas de filosofia e das teorias literárias, o mal existe. O bem existe. E há uma verdade chamada bem comum. Certas coisas são melhores que outras. Certos hábitos persistem por serem bons. Quando voce relativiza, tudo se desmancha, e o motivo não é "porque a vida é assim", mas porque, como bom humanoide, voce aplica o saber das humanas ao objeto errado. Podemos discutir se Descartes era pior que Pascal, mas não podemos discutir se este método de produção funciona ou não. Basta medir sua eficiência.
O humanoide é aquele que irá à sua festa de bodas de diamante e dirá: " Dura muito tempo...mas isso não significa...bla bla bla"....Verá uma vitória por 7x1 e dirá ...."Tenho a teoria de que o jogo foi e bla bla bla"....
Ele terá teoria para tudo e todas serão verdadeiras para quem as comprar. Mas, o simples fato de existirem tantas teorias já contribui para provar que todas são falhas. Como eu disse, brinquedos.
Termino com Einstein, aquele cientista sério que os humanoides pintam como um bom vovô meio hippie. Ele dizia que toda verdade é SEMPRE A MAIS SIMPLES E A MAIS ELEGANTE. Seja em matemática, física ou na vida prática, há na verdade sempre a luz do óbvio, do claro, da evidência mais direta e sem firulas. Toda teoria que necessita de uma sucessão de atos ou acasos é falsa.
Mas humanoides abominam o que é simples. Muito menos o elegante. Aos 13 anos eles tinham diante de si uma equação clara, simples e elegante. E muito verdadeira. E a odiaram com todas as forças.
A ELEIÇÃO DE DONALD TRUMP MUDOU O MUNDO. LEIA E SAIBA
Foi em 1989. A rede Globo de televisão, poderosa, dona das mentes de 85% do país, resolveu que Collor tinha de ser eleito. E foi. Claro que foi. Dois anos depois a mesma Globo resolveu que Collor estava errando demais. Ele tinha de cair. E caiu. O movimento das ruas, seja Diretas Já ou o Fora Collor começava antes da Globo se tocar, mas sabíamos que para que eles parecessem reais havia a necessidade da aceitação da emissora. Ela legitimava a rua. Brizola morreu com o desejo de acabar com esse poder, não conseguiu. A Globo enquadrou até mesmo Lula, mas sabia que pacificar Brizola era impossível.
Foi na Inglaterra do século XVIII que o jornalismo começou a mostrar sua cara. País que primeiro alfabetizou o povo em massa, tabloides se beneficiaram disso. Já no século XIX, nos EUA, um jornal podia eleger governadores e acabar com a reputação de qualquer presidente. Jornalistas começaram a se ver como uma mistura de professor e filósofo, eram os auto declamados educadores do povo e defensores da democracia. O cinema dos anos 30, americano, tinha sempre um jornalista como figura heroica. Muitos dos jovens idealistas queriam trabalhar na imprensa, e a partir dos anos 50, na TV.
Os anos 80, aqui no Brasil, foram o momento máximo da glamurização da profissão. Os jornais tinham tiragens imensas, revistas idem, e a TV nadava em berço de ouro. Mesmo em meio à uma inflação absurda. O país afundava, mas a imprensa tinha salva-vidas.
Quando Donald Trump vence a eleição americana esse mundo racha. Surge uma real novidade. Um candidato pode vencer sem campanha baseada em algum veículo de imprensa. Trump vence com o apoio das redes sociais, do indivíduo baseado em casa. E esse choque, para o heroico jornalista, foi insuportável. Entre a "nobreza" das redações instalou-se o horror. "Mas como? Agora a opinião do José Verdureiro vale tanto quanto a minha?"
Estranhamente a reação da imprensa foi copiar o que de pior há na internet. O jornalista começa a acusar, a blasfemar, a insultar descaradamente. NÃO HÁ PROVA MAIOR DA DECADÊNCIA DE UMA CLASSE QUE COPIAR SEU ADVERSÁRIO.
No Brasil o mesmo fenômeno aconteceu. Mas no modo Brazilian way. Quem já viu Trump numa coletiva sabe como ele é articulado. Duro. Agressivo, porém articulado. Bolsonaro não sabe falar com diplomacia. É um Trump jeca. Mas o fenômeno que o elegeu é idêntico ao de lá. O poder do indivíduo contra a velha empáfia da imprensa.
Os veículos não escondem seu preconceito. Tratam esse novo poder digital como fossem bandidos, ou pior, negam sua realidade. Inventam teses paranoicas. Acusam. Sabem que o tempo não voltará, que o tempo do jornal como templo da verdade se foi. Hoje um jornalista é militante quando razoável e mero fofoqueiro quando sem pudor. A luta da imprensa não é contra Trump ou Bolsonaro, é contra o José Verdureiro, o "analfabeto" que ousa falar de política.
Democracia?
Foi na Inglaterra do século XVIII que o jornalismo começou a mostrar sua cara. País que primeiro alfabetizou o povo em massa, tabloides se beneficiaram disso. Já no século XIX, nos EUA, um jornal podia eleger governadores e acabar com a reputação de qualquer presidente. Jornalistas começaram a se ver como uma mistura de professor e filósofo, eram os auto declamados educadores do povo e defensores da democracia. O cinema dos anos 30, americano, tinha sempre um jornalista como figura heroica. Muitos dos jovens idealistas queriam trabalhar na imprensa, e a partir dos anos 50, na TV.
Os anos 80, aqui no Brasil, foram o momento máximo da glamurização da profissão. Os jornais tinham tiragens imensas, revistas idem, e a TV nadava em berço de ouro. Mesmo em meio à uma inflação absurda. O país afundava, mas a imprensa tinha salva-vidas.
Quando Donald Trump vence a eleição americana esse mundo racha. Surge uma real novidade. Um candidato pode vencer sem campanha baseada em algum veículo de imprensa. Trump vence com o apoio das redes sociais, do indivíduo baseado em casa. E esse choque, para o heroico jornalista, foi insuportável. Entre a "nobreza" das redações instalou-se o horror. "Mas como? Agora a opinião do José Verdureiro vale tanto quanto a minha?"
Estranhamente a reação da imprensa foi copiar o que de pior há na internet. O jornalista começa a acusar, a blasfemar, a insultar descaradamente. NÃO HÁ PROVA MAIOR DA DECADÊNCIA DE UMA CLASSE QUE COPIAR SEU ADVERSÁRIO.
No Brasil o mesmo fenômeno aconteceu. Mas no modo Brazilian way. Quem já viu Trump numa coletiva sabe como ele é articulado. Duro. Agressivo, porém articulado. Bolsonaro não sabe falar com diplomacia. É um Trump jeca. Mas o fenômeno que o elegeu é idêntico ao de lá. O poder do indivíduo contra a velha empáfia da imprensa.
Os veículos não escondem seu preconceito. Tratam esse novo poder digital como fossem bandidos, ou pior, negam sua realidade. Inventam teses paranoicas. Acusam. Sabem que o tempo não voltará, que o tempo do jornal como templo da verdade se foi. Hoje um jornalista é militante quando razoável e mero fofoqueiro quando sem pudor. A luta da imprensa não é contra Trump ou Bolsonaro, é contra o José Verdureiro, o "analfabeto" que ousa falar de política.
Democracia?
CLINT EASTWOOD, O HOMEM QUE TINHA TUDO PARA FRACASSAR
Clint nasceu em 1930. Ele faz 90 anos hoje, 31 de maio. Ele é da geração anterior à Pacino, De Niro etc. Ele é da geração Paul Newman, Redford e Steve McQueen.
Não era articulado como Newman. Não era bem relacionado como Redford. Nem tinha a cara de rebelde de McQueen. Era apenas bonito. Muito alto, muito bonito. Como centenas em sua geração. Tinha voz ruim. E não era de teatro, era, pior que tudo, da TV. Se hoje vir da TV ainda atrapalha, nos anos 50 ser ator de série de TV era um anti currículo. Ele era ator em Rawhide. Mais uma das muitas séries de western de então. Durou de 1956 à 1965. Nessa época Clint esteve em alguns filmes de cinema B. Mr Ed, numa ponta. Um filme de sci fi, com uma fala. Seu destino parecia ser a TV. Fazer mais algumas séries de western. E depois, por volta dos 40 anos, sumir.
Mas houve uma primeira guinada. Em 1964 ele vai fazer um filme na Itália. Com um tal de Leone. Entenda: fazer western na Itália em 1964 seria como hoje ir fazer uma ficção científica na India. Pura decadência. Leone não era Fellini. Não era Antonioni. Era um ninguém. E faroeste na Itália só podia ser uma piada. Vergonha. Porém o filme fez sucesso. Por uma intuição, uma coincidência, ele bateu com o espírito da época. Era amoral. Era violento. E Clint era misterioso, calado, quase irreal.
Entretanto nos USA continuava um zé ninguém. Foi trabalhar com Don Siegel, que também era um velho zé ruela. Clint já tinha 38 anos. Newman já era Paul Newman, Redford fazia Butch Cassidy e McQueen era o ator mais cool do mundo. Clint Eastwood era apenas o cara do faroeste italiano. Com Siegel fez Coogan. Bom filme. Ótimo na verdade. Mas era uma situação estranha. Ídolo na Itália. Ator de segunda em seu país.
Então em 1971 veio Dirty Harry. No auge do movimento hippie, Clint e Don Siegel fazem um filme onde o herói é um policial. Que mata sem julgamento. E o vilão é um hippie. Pauline Kael e outros críticos caem matando: Clint é fascista. O filme é nazista. Kael iria perseguir Clint por toda a vida. Dirty Harry tinha tudo pra ser um fracasso. Não foi. Fez de Clint um ídolo nos USA e no mundo. O herói de paletó, cabelo lavado e sem barba, Magnum na mão, se tornava aceito no mundo louco de 1971.
Mesmo assim todos apostavam: Ele não dura. James Caan é melhor. Apostem em Elliot Gould. Michael Sarrazin. Até mesmo Michael J. Pollard parecia ter um destino melhor. E mais irritante para quem não gostava dele, Clint Eastwood achava que sabia dirigir filmes!!!! Isso Kael não perdoava. Como esse ignorante podia se meter a fazer filmes?
Parece absurdo tudo isso. Visto hoje é quase inacreditável, mas por volta de 1977 Clint era considerado o pior diretor da América. Um estúpido, inarticulado, que fazia filmes para caipiras dos cafundós do Alabama. Até Burt Reynolds tinha mais respeito. ( Os dois eram os campeões de bilheteria de então ). Um filme como Josey Wales, de 1976, mal foi resenhado. Era chamado de apenas mais um western daquele cara que não sabe dirigir. Clint já tinha 46 anos.
Nos anos 80 ele se assumiu republicano e até prefeito foi. Eu lia jornal nessa época e não ia com a cara dele. Na verdade o odiava. Todo crítico o chamava de fascista, então não tinha como não o odiar. Quando ele fez Bird, em 1987, alguns críticos começaram a negar tudo o que diziam até então. O cara ouvia Jazz? Dizia ter visto Bird tocar? Mas como? Ele não era racista? Ele sabia ler? Será que vale à pena levar ele à sério?
Coração de Caçador foi o filme que mudou a vida de Clint Eastwood. Aos 60 anos, a crítica via o óbvio: ele era o grande herdeiro do cinema de John Huston. ( Para mim ele é muito mais Howard Hawks ). Da noite pro dia parecia que haviam esquecido Dirty Harry. Agora era chique gostar de Clint Eastwood. Na relativa paz entre democratas e republicanos nos anos 90, Clint pode finalmente mostrar quem ele sempre fora. Um grande tipo. Um imenso caráter. O Gary Cooper de sua geração.
O que veio depois voce já sabe. Dois Oscars como melhor diretor. A aceitação de Hollywood ( que desapareceu neste século intolerante ), a tranquilidade de uma carreira vencedora.
Mas era pra não ter dado certo.
Não era articulado como Newman. Não era bem relacionado como Redford. Nem tinha a cara de rebelde de McQueen. Era apenas bonito. Muito alto, muito bonito. Como centenas em sua geração. Tinha voz ruim. E não era de teatro, era, pior que tudo, da TV. Se hoje vir da TV ainda atrapalha, nos anos 50 ser ator de série de TV era um anti currículo. Ele era ator em Rawhide. Mais uma das muitas séries de western de então. Durou de 1956 à 1965. Nessa época Clint esteve em alguns filmes de cinema B. Mr Ed, numa ponta. Um filme de sci fi, com uma fala. Seu destino parecia ser a TV. Fazer mais algumas séries de western. E depois, por volta dos 40 anos, sumir.
Mas houve uma primeira guinada. Em 1964 ele vai fazer um filme na Itália. Com um tal de Leone. Entenda: fazer western na Itália em 1964 seria como hoje ir fazer uma ficção científica na India. Pura decadência. Leone não era Fellini. Não era Antonioni. Era um ninguém. E faroeste na Itália só podia ser uma piada. Vergonha. Porém o filme fez sucesso. Por uma intuição, uma coincidência, ele bateu com o espírito da época. Era amoral. Era violento. E Clint era misterioso, calado, quase irreal.
Entretanto nos USA continuava um zé ninguém. Foi trabalhar com Don Siegel, que também era um velho zé ruela. Clint já tinha 38 anos. Newman já era Paul Newman, Redford fazia Butch Cassidy e McQueen era o ator mais cool do mundo. Clint Eastwood era apenas o cara do faroeste italiano. Com Siegel fez Coogan. Bom filme. Ótimo na verdade. Mas era uma situação estranha. Ídolo na Itália. Ator de segunda em seu país.
Então em 1971 veio Dirty Harry. No auge do movimento hippie, Clint e Don Siegel fazem um filme onde o herói é um policial. Que mata sem julgamento. E o vilão é um hippie. Pauline Kael e outros críticos caem matando: Clint é fascista. O filme é nazista. Kael iria perseguir Clint por toda a vida. Dirty Harry tinha tudo pra ser um fracasso. Não foi. Fez de Clint um ídolo nos USA e no mundo. O herói de paletó, cabelo lavado e sem barba, Magnum na mão, se tornava aceito no mundo louco de 1971.
Mesmo assim todos apostavam: Ele não dura. James Caan é melhor. Apostem em Elliot Gould. Michael Sarrazin. Até mesmo Michael J. Pollard parecia ter um destino melhor. E mais irritante para quem não gostava dele, Clint Eastwood achava que sabia dirigir filmes!!!! Isso Kael não perdoava. Como esse ignorante podia se meter a fazer filmes?
Parece absurdo tudo isso. Visto hoje é quase inacreditável, mas por volta de 1977 Clint era considerado o pior diretor da América. Um estúpido, inarticulado, que fazia filmes para caipiras dos cafundós do Alabama. Até Burt Reynolds tinha mais respeito. ( Os dois eram os campeões de bilheteria de então ). Um filme como Josey Wales, de 1976, mal foi resenhado. Era chamado de apenas mais um western daquele cara que não sabe dirigir. Clint já tinha 46 anos.
Nos anos 80 ele se assumiu republicano e até prefeito foi. Eu lia jornal nessa época e não ia com a cara dele. Na verdade o odiava. Todo crítico o chamava de fascista, então não tinha como não o odiar. Quando ele fez Bird, em 1987, alguns críticos começaram a negar tudo o que diziam até então. O cara ouvia Jazz? Dizia ter visto Bird tocar? Mas como? Ele não era racista? Ele sabia ler? Será que vale à pena levar ele à sério?
Coração de Caçador foi o filme que mudou a vida de Clint Eastwood. Aos 60 anos, a crítica via o óbvio: ele era o grande herdeiro do cinema de John Huston. ( Para mim ele é muito mais Howard Hawks ). Da noite pro dia parecia que haviam esquecido Dirty Harry. Agora era chique gostar de Clint Eastwood. Na relativa paz entre democratas e republicanos nos anos 90, Clint pode finalmente mostrar quem ele sempre fora. Um grande tipo. Um imenso caráter. O Gary Cooper de sua geração.
O que veio depois voce já sabe. Dois Oscars como melhor diretor. A aceitação de Hollywood ( que desapareceu neste século intolerante ), a tranquilidade de uma carreira vencedora.
Mas era pra não ter dado certo.
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