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UM SHOW DE ROCK
Foi no fim dos anos de 1980 que bandas como Pixies e Replacements deixaram carisma e estilo visual de lado e começaram a se apresentar no palco com a mesma roupa que um moleque usa na rua ou na escola. Eu odiei. Crescido vendo Mick Jagger, Roxy Music e Bowie, rock pra mim era visual. O apelo sexual ou a estranheza eram tão importantes quento a música. Nos festivais de música dos anos 90 e até hoje, 2025, me dá extrema aversão ver uma banda sobre um palco com absoluta ausência de mensagem visual. Rock nunca foi apenas ouvido, sempre foi olho e cintura. De Little Richard e Elvis até Kraftwerk e Prince, a imagem é 50% da coisa. ------------------ Paulão, cantor do Velhas Virgens me surpreende por isso, ele tem quase dois metros, e usa e abusa de adereços visuais. Sempre no limite do gosto, nunca brega. Sim, este texto é sobre uma noite em que fui ver essa velha banda de velho humor. Fui para sair com uma amiga, não para ver a banda, e acabei gostando da banda. Porque eles conseguem ser ainda divertidos, mas acima de tudo rocknroll. Eles possuem garra. Transmitem imenso prazer no que fazem. E amam seu público. Falei amor? ------------------------- Pessoas que olham o rock como apenas música não entendem que um dos maiores segredos do bom show é o amor. Bandas recebem amor e o devolvem. Esse foi o segredo de bandas musicalmente não tão brilhantes e que mesmo assim se tornaram mitos. Penso em Ramones, ACDC ou Status Quo. Os fãs eram sócios de um clube cujo estatuto era o amor. A banda os amava, eles a amavam. Isso era explícito. E real. Várias bandas falharam e falham nisso, geralmente por cansaço, quebraram essa regra, e se tornaram prostitutas, amor fake, mecãnico. Poucas conseguiram prosseguir dentro desse halo amoroso. O Velhas Virgens conseguem. O público vibra e eles vibram de volta, há uma troca honesta, de verdade. Paulão brinca, sacaneia, faz de Chacrinha, pula, dança, provoca, aponta para os fãs mais fieis. Cavallo, o guitar base, mantém a pose de rocker, óculos escuros, pé sobre a caixa de som, a vocalista faz folia e ela realmente parece amar o que faz. Há ainda um contrabaixista sisiduo e o batera, muito bom e que toca pesado. O guitarrista solo parece tímido, é o Mick Taylor da banda. ---------------------- Quem já foi em show comigo sabe, eu sou contido. Não me movo, sou aquele cara que fica parado prestando atenção. Aqui não. Eu sorrio e preciso retribuir o amor. Então interajo com a banda, aceno, mando mensagens, me envolvo. ( Lembro agora do show do Iggy Pop que vi a vários anos atrás e em como aquilo não me tocou em nada. Adoro Iggy, mas era uma puta velha fazendo amor mecânico ). ------------------------ Quando o show termina há uma sensação de que tudo foi entregue, a promessa foi cumprida. Eles saem do palco cansados e o público está cansado também, o cansaço bom, do pós sexo e não o do tédio. Voce percebe que a banda se revigorou sobre o palco e que o público, ao notar isso, se revigora junto. Esse o segredo do rock. Voce dá e recebe, voce recebe dando. Saio pra rua, zonzo, minha amiga detonada, e tudo parece menos complicado. Isso é só rocknroll e eu gosto sim. Exatamente assim. E claro, penso em achar um belo buraquinho pra me esbaldar.
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