O SEGREDO ESTÁ NA COR

No livro sobre drogas que li, Portas da Percepção, Aldous Huxley, é dito pelo autor que a cor é a entrada para o mundo do "lado de lá". Ao final do livro Heaven and Hell, Huxley fala claramente que existe um mundo pós morte e que esse mundo, sem ego, é feito de cor. Assim, muito mais que Rembrandt ou Constable, artistas que Huxley admira sobre todos, é Matisse o homem que chegou mais perto do que seria o mundo do além. --------------- Isento de drama, sem ação, sem a definição rígida de espaço, de isto e aquilo, é um universo de cores puras, fortes, vivas. Huxley chega à isso através de sua própria mente, nas provas com peyote. Aquilo que ele vê são cores puras, que parecem explodir em potência. Ele não vê pessoas ou coisas, ele vê cores. O cérebro, livre das amarras da razão, bombardeado por noradrenalina, pode ser o que ele é de fato, real. A realidade ao nosso redor é isso, cores aterradoras, infernais e celestiais. Estáticas e unidas em um todo. Matisse. Buda e O Livro dos Mortos. --------------- Tenho uma mãe demente. Sofrendo de alzheimer, ela está hoje com 5 anos de idade, em termos mentais. Ou seja, por um momento que será breve, ela está livre da camada racional-escolar-utilitária da mente. E eu vejo. na minha frente, o que acontece com ela diante da cor. Andando na rua, ela para e entra em êxtase diante de flores vermelhas, diante de rosas amarelas, ao ver um pássaro laranja. Minha mãe é capaz de ver o céu em um inseto azul. Ela nunca foi assim, ou melhor, não era assim desde que eu lembre de a conhecer. --------------- Eu fui assim aos 6, 7 anos. -------------- Ando lendo sobre hedonismo e descobri que sofro de Hedofobia, medo mórbido do prazer. Não vou revelar a voces o porque e como é isso, basta falar que não consigo ter prazer pleno com nada. Minha paixão pelo hedonismo é aquela de quem não conhece o que ama. Hoje acordei as 11 da manhã. Estou tentando ser um pouco mais solto, despreocupado, hedonista. Ao lado de minha cama há uma máscara africana que comprei em 1999. Abro os olhos e me obrigo a olhar para ela por 3 minutos. Ela é de um verde profundo, uma mistura de abacate maduro com um sapo. Há traços de laranka e de vermelho. Lentamente começo a sentir calma, vagar, lentidão. Desacelero. E vem o prazer. Fazia anos, muitos anos, que eu não acordava sem o sentimento de levantar da cama depressa pois há algo a se fazer. Para gente como eu é preciso um esforço para não se fazer esforço. E garanto, 90% da minha vida foi um prazer incompleto, uma broxada. -------------------- Há também uma pequena máscara balinesa em meu quarto. E vejo vermelho e branco, traços em preto puro, laranja claro, amarelo canário. ------------------ Saiba então que olhar longamente uma obra de Matisse é uma terapia espiritual. E é por isso que sempre fui fascinado pelos grandes coloristas. ( Van Gogh não. Há mensagem ali. Ele é muito pouco abstrato ). Não se iluda. O paraíso não é uma aventura e nem uma dança. É uma cor.

henri matisse

leia e escreva já!

HEDONISMO

O hedonista se tornou um paria em uma sociedade que vive para o prazer. Parece um absurdo falar isso, mas é um fato. E basta parar e observar. ---------------- Parar é um ato hedonista e nós desaprendemos a ficar parados. A diversão é uma espécie de esforço e ter prazer é um trabalho. Vivemos dentro desse mundo sem sentido e estamos tão imersos nisso que mal percebemos. --------------- Comer se tornou suspeito. Ou comemos para ter saúde ou comemos com tanta ansiedade que não conseguimos parar. Não se come pelo simples prazer de saborear. E isso acontece com tudo. Vemos um filme para termos emoções, para aprender algo, para ser consolado, para conhecer. Quase nunca nos dirigimos ao filme com este pensamento: que prazer será ver esse filme! Pior ainda são as viagens. ------------------ Um hedonista viaja sem plano. Ele viaja para ter prazer NA VIAGEM. Mas hoje viajamos para ir a tal lugar e conhecer tal cidade. --------------- O mais estranho em tudo isso é que havia antes, talvez até 1990, uma reserva de hedonismo no mundo. Nós sabíamos que artistas, em sua maioria, eram hedonistas. Sabíamos que músicos de rock eram hedonistas. Uma banda como os Stones, ou o Led Zeppelin, tinha como filosofia o prazer puro e simples. Transe para gozar, se drogue porque é gostoso, caia na estrada para ser livre e seja livre para...ser livre. Havia uma promessa de hedonismo, de sol e corpos soltos em toda a estética desse grupo social. Isso terminou. O rock hoje, se é que ele ainda existe, tem missão, tem ética, tem função, tem um porque, ou seja, é estoico. E não há nada menos rocknroll que o estoicismo. ---------------------- Politicamente a esquerda nasce dentro de um estoicismo ateu. Ele tinha o sentido de trabalho e de sacrifício da religião. Mas dentro da esquerda haviam grupos, muitos, que pregavam um hedonismo radical. A vida devia ser vivida em absoluta liberdade, sem regras e sem freios. O trabalho deveria ser abolido e a vida em comunidade era um eterno saborear. Esse era um tipo de hedonismo infantil, fake em sua filosofia, mas mesmo assim tinha algo de autêntico. Em 2026 tudo isso foi varrido. Existe hoje um modo de ser junkie, uma filosofia rígida para gays ou trans, uma luta árdua que deve ser travada por libertários, uma ideologia intransigente para aqueles que pregam o fim do trabalho. São todos estoicos. E o mais triste e ironico é que se consideram livres. --------------- O hedonista busca o prazer todos os dias, é um habito de apreciação do ato de viver. O sol pode dar cancer, mas pegar sol é bom, dá prazer e então eu o faço. O que como é aquilo que gosto e não aquilo que limpa meu organismo. ---------------------- Gosto de usar o exemplo da maconha. Um maconheiro estoico, eles existem, fuma por que tem um objetivo. A erva diminui sua ansiedade. Ou ajuda no sono. Um hedonista fuma porque gosta. Esse é sempre o motivo do hedonista, gostar. O estoico precisa de um alibi para o prazer. É como se o prazer fosse um pecado e ele devesse criar um motivo para cada ato potencialmente prazeroso. Exemplo maior é o sexo. Transar diminui a pressão arterial. Transo porque amo essa pessoa. Transo porque favorece minha saude mental. Transo para ter companhia na vida. O hedonista dirá: transo porque sinto desejo por transar. --------------------- A vida é simples na vida hedonista e por isso a relação do hedonista com o tempo é melhor. O tempo flui mais lento para ele, porque é o tempo da natureza e não o do relógio. ----------------- sim, eu sei que voce precisa lutar pela vida e que o hedonismo parece um luxo de imperadores romanos ou de milionários tarados. Posso te garantir que hoje nem estrelas de Hollywood são hedonistas. Todos devem ter um papel social e cuidar da saúde física e mental por TODO O TEMPO. Se voce é pobre nada te impede de olhar a lua e ficar à toa sem fazer nada, desprezando a TV e o tempo da sua programação. Nada te impede de apreciar uma cerveja, com lentidão e gosto. Ou tomar um banho por puro prazer e não apenas por higiene. O hedonismo é um modo de fluir no tempo e de apreciar a vida que independe do que se tem e de onde se está. O sol estará na rua quando voce vai ao trabalho, basta lembrar que ele existe. A vida será sua e o prazer é seu.

AS PORTAS DA PERCEPÇÃO - ALDOUS HUXLEY

Em 1954 Aldous Huxley, vivendo na California, resolveu provar peyote, droga extraída de um certo tipo de cactus. Índios americanos usavam essa droga, umas poucas do sul. O que Huxley procurava era compreender o cérebro e a conciência, o que ele encontrou foi o entendimento da linguagem. ------------------- Henri Bergson dizia, Huxley o cita, que o cérebro funciona como um filtro. Servo do nosso corpo, ele joga fora tudo que não esteja comprometido com a sobrevivencia. O peyote, e várias outras coisas, fazem com que esse filtro falhe. Nosso cérebro passa a funcionar livremente. ------------------------ Quando eu era criança me lembro da fascinação que eu tinha pelas COISAS. Uma folha de papel azul me dava uma sensação de eternidade que durava horas. Eu sentia gozoas estéticos com o rótulo do Toddy ou de Neston. As galinhas no quintal me fascinavam e os coelhos me apaixonavam. Havia nas imagens algo de sagrado e é disso que Huxley fala. Sob efeito do peyote, Huxley observa as dobras de sua calça e percebe nessas dobras e nessa cor o segredo inenarrável da vida. -------------- É dificil para voce entender isso? Não há palavras para descrever esse tipo de experiência. Eu compreendo porque recordo com clareza da minha infância. Por que a infância? Porque é nesse tempo que nosso cérebro ainda permite que alguma experiência não comprometida com o utilitarismo ocorra. --------------- Não se engane: a sabedoria, o segredo do universo não se encontra nas outras pessoas. Ele reside no seu contato com as coisas. É preciso esquecer as palavras. É preciso o silêncio. E é preciso ver. ---------------- Huxley passa então a falar dos pintores que viam as coisas, dos fundos negros, dos azuis, das dobras dos mantos. O segredo não está nos rostos retratados, está nos tecidos, no fundo da paisagem. Nos jardins. ---------------- Huxley critica a modernidade por ter prostituído a imagem. O azul sintético vulgarizou a experiência de se ver o azul real e o plástico anestesiou o prazer de se ver o vidro ou a pedra real. Eis a grande mensagem deste pequeno relato, a espiritualidade se esconde na realidade. Para ver a alma olhe um grão de areia. Pois o grão, a folha, a pele, tudo compartilha desta existência, tudo estão aqui neste momento JUNTOS. A areia e a folha estão unidas aqui e assim elas fazem parte da alma. ------------------ Nossa vida, sobrevivência, nos impede de ver. Corremos, falamos, ouvimos, queremos, e não temos como ver. -------------- Recentemente eu estava com um disco, um LP na mão. A capa, linda, era famosa por sua maestria. Foi então, súbito, que percebi nunca ter PARADO para olhar aquela capa de LP. Eu havia visto, sabia que era o rosto de uma pessoa, um fundo claro, meio corpo, mas nunca VIRA DE VERDADE AQUILO. E olhei então. E senti que entrava naquela foto. ----------------------Aos 12 anos, quando me apaixonei por histórias em quadrinhos, lembro que eu ficava admirando as capas das revistas. Olhava os títulos, as cores, os traços e mergulhava dentro daquilo que me deixava imerso em prazer. Peyote? Sim. Huxley diz que o peyote fez com que ele tivesse uma experiência que ele pode ter com seu cérebro sem droga alguma. A droga apenas facilita isso. ------------------- No segundo texto do livro, CÉU E INFERNO, ele diz que a experiência com drogas pode levar a esses dois mundos. Pois no mergulho nos objetos há o risco da perda de sentido, de não se voltar ao normal. --------------------------- Texto simples, Huxley consegue chegar ao ponto.

JÁ PEDIRAM PERDÃO À MICHAEL JACKSON?

Diziam que o arquivo de Epstein era delírio da direita. Assim como riam das acusações de sequestros infantis em Marajó. Sim, havia uma ilha onde crianças dopadas eram oferecidas ao prazer de famosos atores de Hollywood ( entre outros ). O que garanto é que nunca mais conseguirei ver filme nenhum desses monstros. ------------ Enquanto isso diziam que Mel Gibson era um mal caráter. Keanu Reeves uma fraude. E Tom Cruise um louco. O que havia em comum entre eles é que nenhum deles gostava de Epstein. Assim como Jim Carrey, que largou Hollywood enojado. ---------------- A pena para quem abrisse o bico era se tornar pária no cinema e na TV. Filmes só se ele mesmo produzisse. Festinhas de lançamento nunca mais. Prêmios? NUNCA! -------------------- Macauley Kulkin abriu o bico hoje. Michael Jackson odiava Epstein e Neverland salvou o menino de ESQUECERAM DE MIM. Jackson, alvo de zombarias e suspeitas, era, com eu falo desde sempre, um menino assexuado, um homem inteligente, adulto, mas que sexualmente nunca saíra dos 10 anos de idade. Não era fácil ser rotulado como freak ao se interpor à Epstein. Jackson não teve a coragem de expor o jogo. Trump teve. Desde 2005. E veja o que voce pensa que Trump é. Entendeu o jogo? Ou tenho de desenhar? ---------------------- Aqui no Brasil, Luciana Gimenez esteve na ilha aos 14 anos. E crianças brasileiras têm um valor alto no esquema. Confesso que sinto nojo do que eu escrevo. Mas falo mais ( o mundo está cheio de gente calada demais ). ------------------ Conheci um menino que aos 12 anos já se prostituía. Gay desde sempre, ele se vendia na rua. Foi aluno da escola onde trabalhei. Isso é pedofilia e nos enoja ( espero que te enoje ). Na ilha de Epstein a coisa era pior. Pois a criança não se prostituia, era dopada e violada. Para o deleite de milionários entediados de 40 ou 50 anos de idade. Qual a pena para esses monstros? Por mim, que apodreçam na masmorra. Mas sabemos que irão se internar a fim de "curar" sua doença. Um SPA para esses diabos. --------------- Espero que os humoristas, fofoqueiros, jornalistas, víboras, peçam perdão a MJ.

NO PAÍS DAS FADAS - H.G.WELLS

Seria bom, e deveria ser o correto, se ler fosse sempre um prazer. Nós sabemos, que principalmente na adolescência, ou perto dela, lemos obras para sermos cultos e essas obras não são necessariamente prazerosas. Depois começamos a ter prazer, algum tipo de prazer, mesmo quando lemos Kant ou Vasari. Mas sabemos, sempre, que o maior prazer em leitura é aquele provocado pelo texto criativo. E quando falo criativo não falo da criatividade linguística de Joyce ou de Eliot, falo do ato de criar histórias. O maravilhamento. -------------------- Wells consegue fazer isso em todos os contos aqui reunidos. Sim, todos. E cada um deles aponta um alvo. O primeiro, chamado NO PAÍS DAS FADAS, pode lhe parecer infantil por seu título. Mas ao o ler voce logo vê que nada há de infantil. Ele é desencantado e seco. O OVO DE CRISTAL inspirou Borges a escrever O Aleph. Em poucas palavras, todos os contos são curtos, Wells nos faz ver um mundo. A PORTA NO MURO deve algo à Jung. Fala de quando topamos com o inesperado que leva à ruptura com o consciente. Como conto é uma obra prima. Já A ESTRELA é o único que remete ao estilo em que Wells é mais famoso, aquele da ficção espacial ou temporal. O FALECIDO MR.EVELSHAM é uma obra perfeita de horror. Ele realmente dá medo. A LOJA MÁGICA deve ter inspirado A Fantástica Fábrica de Chocolates, e OS INVASORES DO MAR daria um maravilhoso filme apocalíptico. O breve relato chamado O QUARTO VERMELHO cria horror sem uso de sangue ou de violência. NO FUNDO DO ABISMO é aventura maravilhosa. O CORPO ROUBADO tem o estilo de Conan Doyle em chave bem mais irracional e por fim temos JANELA INDISCRETA, conto que inspirou o filme de Hitchcock, mas aqui em estilo vitoriano e sem mulher nenhuma. ----------------- O que une todo esse material é o estilo "estranho" de Wells. Um ateu que fala de acontecimentos irracionais. Inexplicáveis. Todas as histórias terminam sem conclusão e sem verdade absoluta. Obra de mestre.

PORTAS DA INFÂNCIA. LENDO H.G.WELLS

Portais se abrem no mundo da criança. Todo dia. Depois isso se perde com a educação racional, os horários do dia a dia, a obrigação de viver uma rotina. Mas eles existem. Quem lembra sabe. ----------------- É uma porta que voce repara na escadaria do prédio onde vive sua madrinha e que antes parecia não estar lá. Porta que é pequena demais e ninguém mais a percebe. É a janela do subsolo da casa onde voce vive, janela que tem uma teia de aranha e onde voce sente o apelo de ficar horas ali parado, esperando. É o piso de lajotas coloridas, piso que surge no meio do matagal alto, numa rua que leva à lugar nenhum, um piso de algo que lá havia e não há mais. É a menina que passa e que traz no rosto uma expressão nunca vista antes e nem depois. Mas é ainda o homem de dois metros e cinco de altura que anda com a cabeça lá no alto e que parece pensar coisas que ninguém nunca pensa. O chinês de rosto redondo que tem um problema físico e te enche de medo e surge sempre na rua e na esquina onde não deveria estar. São os milhares de insetos que voam de tarde, no verão, invadindo a cozinha pela janela, zumbindo, e batendo na cara. Aquele aparelho que passou voando enquanto sua mãe conversava com uma amiga, o piloto detrás do vidro, imenso, gigante, e ninguém mais parece ter visto esse veículo que para e me vê. E ainda é o riacho que corre entre árvores e serpenteia adiante e canta suavemente enquanto eu vejo a prata dos peixes quase transparentes. A luz da noite de lua que ilumina o escuro da noite e traz nas sombras uma presença sem forma. O ratinho entre os tijolos do quintal, com orelhas maiores que eu já vi e que parece prestes a falar comigo. É a tela da TV preto e branco onde passam imagens de um homem enfeitiçado que se vê como um bicho e chora na beira do lago. Imagens que ninguém liga de ver, só eu. São as nuvens cantando raios e eu sinto gigantes brigando onde tudo existe mas nada pode ser. São as pernas da menina loira que lava o quintal e corta o pé num prego e uma gota de sangue nasce. Uma criança percebe portais que se abrem para mundos fora do mundo, como o calor que grita lá fora enquanto aqui eu exito. ----------------- Tudo isso vive nos contos de H.G.Wells, seus contos fantásticos que eu não conhecia, contos que não são infantis, são adultos, mas que fazem lembrar de portas que esquecemos. Ele inaugurou um gênero que seria seguido por Borges e Calvino, fãs do inglês, e que trariam a valorização do que se imagina, do que se cria, do que se lembra e do que mora dentro de nós.

VEM UM SENTIMENTO

Se desmaiava muito no século XIX. Vemos isso nos livros do romantismo. Será verdade ou não? Provável que seja verdade. Nossos sentimentos estão cada vez mais embotados. Um homem com a minha idade sabe disso. Dou como exemplo a seleção de futebol. A emoção de uma partida é cada vez menor. Assim como se desespera menos em enterros e se protesta menos contra injustiças. Sim, claro que o Irã é excessão. Mas lá não é ocidente. Deste lado a coisa está cada vez mais fria. Uso outro exemplo do futebol. A torcida inglesa. Pesquise no youtube e assista a torcida em 1977. Somos muito menos emocionais hoje. Dizem que na idade média dois amigos ao se encontrar rolavam no chão de alegria. ----------------- Andei hoje, cedo, pela rua Padre João Manoel. Cruzo com muitos judeus ortodoxos levando os filhos pela mão. Todos com seus paletós pretos. Sempre que os olho lembro de Freud e de Kafka. São pesados e os admiro por isso. A vida para eles é grave. ---------------- A rua sobe e eu tenho andado, faz semanas, sem alegria. Não entendo o porque. Mas algo acontece. Vem para mim uma sensação. De onde vem? -------------- Andei sonhando com objetos que encontro debaixo da cama. Meu inconsciente quer me contar algo. E agora, na calçada da rua, eu penso em leva-la a um bar e entendo tudo: eu amo. E Freud, e Jung, e Adler e todos estão certos. A dor e a tristeza é um sentimento não assumido. Eu amo e não quero amar. Eu amo e não posso amar. Mas eu amo. --------------- No final de Manhattan, o filme de Woody Allen, filme que voce deveria ver, ele percebe, tarde demais, que a mulher que ele amava era a menina muito jovem e que por preconceito ele não dava valor. Esqueça a fama de Allen etc e pense no que falo. Ele afunda numa depressão braba ( é aí a cena famosa onde ele lista aquilo que faz a vida valer a pena e Groucho Marx vem logo em primeiro ), e só após essa dor tem a coragem de perceber o que sente. Corre por NY para encontrar a menina que parte em viagem. Lhe confessa seu amor mas ela se vai mesmo assim. E fala à ele a frase que define Allen mas também toda a mentalidade neurótica: Voce precisa confiar mais nas pessoas. ---------------- Welllll..... eu ia falar de mais um livro de E.T.A. Hoffmann que li mas acabei divagando. É um texto de mistério sobre assassinatos. E se desmaia muito nesse texto.

Gauguin: Maker of Myth: Part 1

GAUGUIN - LAWRENCE E ELISABETH HANSON

Uma vasta biografia de Gauguin em edição de Portugal publicada em 1976. Felizmente eles não romantizam, o pintor francês surge como aquilo que foi, um enigma. Tendo passado cinco anos no Peru, quando criança, Gauguin jamais esqueceu a cor e o calor do país americano. Vaidoso, silencioso, ele foi corretor bem sucedido na Bolsa de Paris e se casou com uma dinamarquesa que jamais o entendeu. Pai de vários filhos, começou a pintar e não parecia ter talento. Larga tudo aos 35 anos e se faz artista como ocupação integral. A partir daí, a vida de Gauguin é uma luta sem fim por dinheiro e por reconhecimento. Dos seus contemporâneros, Monet e Renoir o desprezaram, Degas viu seu valor, Cézanne o detestava. Van Gogh o via como mestre e irmão. Gauguin não era fácil. Orgulhoso, achava que as pessoas deviam o ajudar, se via como nobre, como ser especial. Mas ao mesmo tempo, ele era sincero, fiel à família, sempre otimista, sempre crendo em sua arte e que tudo iria mudar. Tivesse vivido mais 5 anos, apenas 5 anos, teria dado a volta por cima, sua arte passou a ser apreciada quando Matisse e Picasso surgiram para o mundo. Mas ele morreu antes, no Tahiti. ------------------ Quando se fala em Gauguin logo se pensa em ilhas do sul, mas na verdade ele passou relativamente pouco tempo por lá. Gauguin era irriquieto e viveu em Paris, Copenhaguem ( odiou ), na Bretanha, no sul da França, no Tahiti e na Martinica. Ainda trabalhou no canal do Panamá e foi marujo na pós adolescência. Ele procurava a simplicidade, o básico, o real, o primitivo. Dizia que só as crianças e o selvagem entendem a vida. Era um anti intelectual, apesar de culto, um europeu que amava e odiava a Europa e nisso foi um precursor. Gauguin foi um hippie quando ainda ser hippie era um risco de vida, um absurdo, uma loucura. Quando não havia a moda de se cair na estrada, de se romper com a civilização. Ele, em 1880, 1890, inconformou-se com a sociedade, rompeu com a arte de então e viveu de acordo com aquilo que ele era: um buscador. --------------- Todo adolescente inteligente, se conhecer Gauguin irá se identificar com ele. Livre e irriquieto, ele foi e ainda é o sonho de muita gente, mesmo que sua vida tenha sido um pesadelo. Ele não posava de artista rebelde porque esse modelo ainda não existia, foi criado por ele. Mais que Manet ou Courbet, é Paul Gauguin quem cria o persoangem do pintor que se isola e cria arte. Do artista que fez fama após morto, do homem que não se vendeu. É uma figura admirável e dos poucos artistas que podem ser chamados de heroi, no caso, anti heroi.

Henri Matisse in 60 seconds

PRA QUE SERVE A ARTE?

A arte faz a vida valer a pena. Eis tudo. A arte, mesmo quando fala da morte, da dor ou do tédio, faz a vida valer a pena ser vivida. Isso porque o artista se interessa pela morte, pela dor ou pelo tédio, e faz assim com que mesmo isso pareça ter um sentido. Nem que seja o não sentido. Observe bem o que eu disse: o artista se interessa. Essa a diferença da arte verdadeira do engodo artístico. O artista se interessa, se enamora, se atraca com seu tema. Ele o conhece, tanto quanto um apaixonado, ele o investiga, penetra, dorme e sonha com seu tema. Não há nada de blasé aqui. Como na paixão, ele "acontece", não escolhe. Ele é levado, não vai. E assim faz com que algumas pessoas, seu público, sintam que aquilo é interessante, talvez apaixonante, e a vida se revela na obra. ----------------- Quantas pessoas Matisse não guiou para o interesse? Fazendo-as simplesmente olhar e ver a vida. Apaixonar-se pela cor. Janelas, folhas, mulheres, cadeiras, cortinas, peixes, pássaros, tudo lá, mostrados para nossos olhos e assim nos ensinando a ver e ao ver nos fazendo olhar. E ver. Não via símbolo, Matisse não era simbolista, mas sim vendo o que há para se ver, a verdade da presença das coisas. Há muito para ver, duas cadeiras é muito para ver, um peixe no aquário é o bastante. Engolir com os olhos. ------------- Leio o livro da esposa de Picasso, Françoise Gilot, MATISSE E PICASSO, ela recorda os anos que esteve casada com o espanhol feroz e foi amiga do pintor francês discreto. Ela própria foi pintora e viveu até os anos de 1990. O livro, inspirador, nos dá desejos de viver e de fazer coisas. De criar. Como Gauguin, Matisse sabia que havia um paraíso dentro de si, mas ao contrário de Gauguin, ele não discursava em sua obra, ele mostrava a realidade da cor e dos volumes. Quem olhasse que sentisse a presença da vida. ----------------- Quando Gilot conheceu Matisse ele já era um velho que convaslecia de um câncer. Henri ainda viveu 20 anos pós doença, mas era uma vida dentro de casa, com muitas visitas, muito trabalho, e ocasionais viagens em busca do sol. Picasso o admirava intensamente e ao mesmo tempo sentia ciúmes. Picasso era intenso e inseguro, possessivo e expansivo, amedrontador e vulnerável. Não era fácil. Ele procurava briga e Matisse prezava a paz. ------------------ A partir de um certo momento, talvez os anos de 1920, a arte passou a se orgulhar de ser chamada de " perturbadora". Quando alguém, como eu, ousa falar na utilidade da arte, parece que o artista atual se incomoda. Como se utilitarismo fosse um valor burguês. Eles não aceitam que mesmo uma arte que ofende ou perturba tem a utilidade de nos acordar. Ou irritar. Ao odiar uma arte pornográfica eu passo a valorizar a arte refinada e isso é útil. Mas entenda que essa arte "violenta" ou pornô só será real se for feita por "interesse profundo" e não por outro motivo qualquer. Arte feita por convenção ou para vender uma ideia ou um valor é facilmente esquecida. Como um casaco, nos encanta ao ser visto na vitrine, nos alegra ao ser comprado, e logo desaparece dentro do guarda roupa. ------------------ Quando eu tinha 30 anos de idade e descobri Matisse, ele me trouxe uma vitalidade que eu necessitava muito então. Ele me despertou para a alegria do sol, das cores fortes e do poder do olho. Não foi pouca coisa.

High Speed Chase

Blow