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LOGAN LUCKY, ROUBO EM FAMÍLIA, UM FILME DE STEVEN SODERBERGH

   Steven Soderbergh é a prova, assim como tantos outros, de que o nome de um diretor nada significa hoje para o povão. E quando falo povão estou elogiando esse tal povo. Sempre foi o anônimo frequentador de cinema quem garantiu a nobreza do empreendimento. Era o sucesso de Louis de Funes e de Lino Ventura que garantia a existência de Godard e de Rhomer. Era Alberto Sordi e Gina Lollobrigida que financiavam, indiretamente, Pasolini e Rosselini. Mas, diferente de hoje, onde o dinheiro de Homem de Ferro vai para acionistas e não para outros filmes; havia diretores que com seu nome produziam filas. Nem preciso falar de Hitchcock. Fellini, Kurosawa ou Truffaut eram anunciados na TV como estrelas. Sim, em 1975, no meio da novela das 9, se anunciava a estreia do novo Truffaut. Os últimos diretores com esse status foram Spielberg e Woody Allen. O único que ainda se mantém é Tarantino. ( Não vem me falar de Nolan ou Fincher. Seus sucessos são sucessos em que seus nomes mal constam na propaganda ).
  Soderbergh começou com um sucesso de jovens metidos: sex lies e videotapes ( em minúsculas, coisa de universitário metido ). Depois ele teve uma ridícula sequência de fracassos. Veio então um espertíssimo filme policial com Clooney e Lopez, ainda seu melhor filme. Foi então, 1997, que Steven entrou em sua big fase. Mas, desde 2010, ele vinha fazendo filmes sub. Sub cinema e sub arte. Este Logan Lucky é uma clara tentativa de voltar ao gosto do público. Um estilo anos 70 que ele domina como cinéfilo que é. Mas tudo dá errado. O fracasso é absoluto.
  Ele não faz um esperto filme de assalto à Don Siegel ou Lumet. Ele escolhe o "retrato da américa dos fracassados freaks", e quebra a cara. O filme, com um manco e um maneta, mulheres histéricas e estradas vazias, é chato de doer. Lembra muito os piores filmes de Friedkin ou Bogdanovich.
  O elenco tem bons nomes. Um diretor com fama ainda atrai atores que não encontram papel que preste nessa Hollywood sem boas falas e bons personagens. Daniel Craig só tem de fazer cara de mau. Tem ainda Channing Tatum, Hillary Swank, Katie Holmes e Adam Driver. Katie está assustadora de tão magra. O filme é magro como ela.

NINE - CLOONEY - TIM BURTON - KEVIN SPACEY

   JOGO DO DINHEIRO de Jodie Foster com George Clooney e Julia Roberts.
Quando Clooney faz filmes conscientes, típicos da esquerda americana, ele vira um chato. Aqui ele denuncia a tv. O filme é tão divertido quanto o noticiário de segunda-feira.
   O LAR DAS CRIANÇAS PECULIARES de Tim Burton com Eva Green e Terence Stamp.
Burton está sem estilo. Ok. O filme é comum. Tem um problema sério: os personagens são sem sal. A batalha final, num parque, é legal. Fala de um garoto desajustado que encontra uma fenda temporal.
  VIREI UM GATO de Barry Sonnenfeld com Kevin Spacey, Christopher Walken e Jennifer Garner
Sonnenfeld já foi um diretor bem bom. Perdeu toda a mão de uns anos pra cá. Esta é uma comédia muito sem graça. Spacey é um milionário sem coração que vira um gato pra aprender a ter bom coração. Pois é...
   NINE de Rob Marshall com Daniel Day Lewis, Penelope Cruz, Marion Cotillard, Judi Dench, Kate Hudson e Nicole Kidman.
Se voce esquecer Oito e Meio talvez dê pra gostar deste filme. A fotografia é belíssima, os cenários lindos e Penelope Cruz está no momento mais sexy de toda sua carreira. Ela rouba o filme com facilidade. Mas...como esquecer Marcello Mastroianni...Day Lewis faz com que a gente sinta saudades de Marcello! Oito e Meio é mais bonito, mais sexy, mais profundo e muito, muito, muito mais vivo. Este não é um filme ruim. Não é mesmo! Mas Fellini...

XADREZ- COEN- DEANNA DURBIN- ZWICK- SUO

   O DONO DO JOGO de Edward Zwick com Tobey Maguire, Peter Sargaard e Liev Schreiber
Lembro de 1972. O mundo parou para assistir, em suspense, a série de jogos entre o campeão do mundo, Boris Spassky, e o fenômeno americano, Bobby Fischer. Eu era bem criança e ainda lembro. Manchetes no Jornal Nacional da Globo. Manchetes dia a dia. Fischer venceu. O xadrez virou mania mundial. Mequinho surge aqui como mestre prematuro. E eu ganho um tabuleiro de xadrez do meu pai ( tenho-o até hoje ). Aprendo a  jogar sozinho, na Barsa. Creia, no mundo louco de 72, xadrez era pop. Tinha coluna diária nos jornais, e o mais legal, é que com os códigos de grandes partidas impressos, a gente podia as repetir em casa. O jogo 6 entre os dois foi repetido em minha casa por meu irmão ( ele tinha 7 anos de idade então ). Este filme recria bem a paranoia daquele tempo e a loucura de Fischer ( sim, ele era louco ). Não é um grande filme mas é um grande tema. Adaptado ao gosto de 2016, é um filme sobre xadrez que não mostra nada de uma partida ou de um movimento. Se concentra, óbvio, na doença de Bobby. Cansamos dos seus sintomas e cansamos dele. Mas o tema é sensacional. Fosse mais ousado seria uma forte crítica à loucura daquele mundo e a mediocrização deste nosso tempo. Hoje não temos mais loucos célebres, temos apenas celebridades doentes. Nota 5.
   AVE CÉSAR! dos irmãos Coen com Josh Brolin, George Clooney e um monte de stars.
Um fracasso. Os irmãos Coen, que eu adoro, erram feio aqui. Exageram em seu veneno e se envenenam. Querem falar tanto, abranger tanto, que perdem o foco. O filme acaba no vazio, um monte de som e imagem que nada significam. A intenção era excelente: mostrar que no cinema americano é o produtor que mantém alguma sanidade em meio a atores idiotas e diretores narcisistas. Eddie Mannix existiu na vida real, foi produtor da MGM, já no começo do fim da era do glamour. Ele realmente "dava um jeito" em filmes de produção complicada, atrizes promíscuas e atores gays. Lidava com prazos, dinheiro, gente, doenças, artistas e roteiristas "comunistas". Mas...que ironia, faltou um Eddie Mannix para este filme. Nota 4.
   DANÇA COMIGO de Masaiuki Suo com Koji Yakusho
Este filme de 1996 foi sucesso no Japão e refilmado em 2006 nos EUA com Gere, Sarandon e J.Lopez. A refilmagem vulgarizou a extrema delicadeza desta pequena joia. Fala de um homem de 40 anos que resolve aprender dança de salão, escondido da esposa e da filha. Pois no Japão de hoje dança de salão é coisa vergonhosa, coisa de gente que se toca. O filme, triste, engraçado, real, lindo, acompanha a lenta caminhada desse homem bom, tímido, travado. Todos deveriam assistir esta obra e ter uma bela surpresa. Nota 9.
   100 HOMENS E UMA GAROTA de Henry Koster com Deanna Durbin
Uma menina ajuda seu pai desempregado a conseguir trabalho com um grande maestro. Um exemplar belo do cinema da "grande depressão" americana dos anos 30. Deanna era um anjo e o filme nunca fica piegas, è bonito. Nota 7.
  

PRESTON STURGES/ GEORGE CLOONEY/ WOODY ALLEN/ PETER O`TOOLE/ RENÉ CLAIR/ ELIO PETRI

   ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE de Roberto Santucci com Leandro Hassun e Danielle Winits
A volta da chanchada é uma boa notícia. Mas, ao contrário das comédias de Oscarito e do impagável Zé Trindade, agora a chanchada procura um público mais classe média. Assim, tudo aqui é clean, tem um jeitão Miami de ser e de parecer. Acho saudável. O cinema do Brasil desde 1960 tem esse pudor bobo de ser pop. Ora, todo cinema precisa ser pop! E quer saber? Hassun é um bom comediante. Jerry Lewis made in Brasil. O roteiro é bem bobinho, a trilha sonora luta para ser Disney, mas funciona para os casais de shopping center, tipo domingo a noite pós compras. Eu não me irritei. Nota 5.
   O ASSASSINO de Elio Petri com Marcello Mastroianni, Micheline Presle e Salvo Randone
A Folha de SP lança mais uma coleção de DVDs. E como sempre nos frustra com um monte de filmes que todo mundo tem. Mas às vezes surge algo de diferente. Como este ótimo policial noir, primeiro filme de Petri, diretor morto muito cedo, e que em sua curta carreira ganharia até Oscar, com o excelente Investigação Sobre Um Cidadão. Neste filme, do tempo em que o cinema italiano era o melhor do mundo, Mastroianni, como sempre espetacularmente sutil, faz um antiquário boa vida que é preso acusado do assassinato de sua namorada mais velha e rica. O clima do filme é existencialista, jazz na trilha sonora, fotografia de Carlo di Palma ( que depois faria os melhores filmes de Woody Allen ) e um roteiro surpreendente. É um filme que mescla Antonioni com John Huston! Mastroianni diz nos extras que ficou feliz ao ver um poster deste filme no escritório de Scorsese! É uma diversão classe A. A venda nas bancas por apenas 17 paus. Nota 8.
   LONGE DESTE INSENSATO MUNDO ( FAR AWAY FROM THE MADDING CROWD ) de John Schlesinger com Julie Christie, Terence Stamp, Peter Finch e Alan Bates
Uma mulher e três homens. Um é puro sentimento. Outro é sexo misterioso. E um terceiro é cerebral. O filme é lindo de se ver e lindo de se estar. Grande produção de 1967, não foi o sucesso esperado. A trilha sonora impressionista de Richard Rodney Bennet é magnífica! Nota DEZ.
   MULHER DE VERDADE ( THE PALM BEACH STORY ) de Preston Sturges com Claudette Colbert e Joel McCrea
Uma dieta de uma semana de filmes como este conseguiria me fazer voltar a me apaixonar pelo cinema. Feito no auge da fulgurante carreira de Sturges, conta a história, sem nenhum sentido, de uma esposa que se separa do marido para conseguir com algum home rico, bastante dinheiro para dar ao ex-marido. O sonho do marido é construir um aeroporto nos ares, feito de cordas de elástico. Faz sentido? Tem ainda um velho texano que distribui dinheiro, um bando de caçadores que caçam dentro de um trem, um casal de irmãos ricos que jogam dinheiro fora. Tudo no veloz ritmo de Preston Sturges. Uma das grandes maravilhas dos DVDs foi fazer com que Sturges fosse ressuscitado. A comédia com ele é sempre grossa, tosca, boba até, mas tudo é tão bem pensado, o roteiro é sempre tão rocambolesco que a gente acaba se rendendo e se apaixonando pelo filme. Nota 9.
   SEM ESCALAS de Jaume Collet-Serra com Liam Neeson e Julianne Moore
Tem uma bomba num avião. E um policial neurótico tem de descobrir quem é o terrorista enquanto o vôo acontece. Puxa! Este filme, nada ruim, tem todos os clichés. Mas a gente até assiste na boa, sem grandes problemas. O que irrita é a falta de humor, de leveza dos filmes de ação de hoje. Parece que há um desejo tolo de se parecer sério. Aff...nada aqui faz sentido! Pra que a seriedade? Nota 5.
   CAÇADORES DE OBRAS PRIMAS de George Clooney com George Clooney, Matt Damon, Bill Murray e Jean Dujardim
Um absoluto fiasco! Chato, vazio, desinteressante e modorrento. Tentaram fazer um filme esperto, classudo, como aquelas velhas aventuras de guerra, produzidas entre 1960/1967, filme maravilhosos, geralmente com Burt Lancaster, Lee Marvin ou James Garner. Esqueceram do principal: o roteiro. Esses clássicos tinham roteiros brilhantes, criavam frases cheias de significado, desenvolviam personagens interessantes, misturavam suspense, humor e drama. Aqui o que temos? O nada. O vácuo. Lixo. Nota ZERO.
   CASEI-ME COM UMA FEITICEIRA de René Clair com Frederic March e Veronica Lake 
Quando os nazis invadiram a França, lá se foram Renoir e Clair para Hollywood. Clair se deu melhor. Fez nos EUA excelentes filmes. Este é um dos melhores. Uma comédia mágica sobre um mortal que se casa com uma bruxa. Na verdade ela quer se vingar. Um antepassado do mortal a colocou numa fogueira nos idos de Salem. Neste filme vemos o toque de mestre de Clair, um dos mais poéticos dos diretores. Coisas voam, pessoas perdem a memória, o tempo vai e volta, tudo pode acontecer. Clair via o cinema como brinquedo, ferramenta de sonhos. O filme é um banquete de ilusões. Belo. Nota DEZ!
   O QUE É QUE HÁ GATINHA? de Clive Donner com Peter O`Toole, Peter Sellers, Woody Allen, Romy Schneider e Paula Prentiss
O roteiro é de Woody Allen. A trilha sonora, alegre e criativa, de Burt Bacharach. E a história tem as bossas e o groovy de 1965. Peter é um homem que está cansado de namorar tantas mulheres com tanta facilidade. Quer se dedicar só a uma. Sellers é seu analista, um sedutor fracassado. Woody Allen faz um jovem nerd que sonha em ser como Peter O`Toole. Romy é a boazinha namorada de O`Toole. Incrível como o mundo mudou! Peter O`Toole foi um sex-symbol sem músculos, sem corte de cabelo bacana e todo baseado em sua delicada figura andrógina e culta. Eu adoro Peter, adoro! O filme, dizem, foi uma festa de sexo e whisky, atores sem comando pouco se lixando para o pobre diretor. Very sixties. Não é um bom filme. É antes um retrato antropológico de um mundo que jamais existirá novamente. Visto assim, com olhar bobinho, o filme se faz uma bobice doce e chic. O roteiro de Woody fala daquilo que até hoje ele reescreve: sexo, sexo e sexo. Nota 6.
   OS AMORES DE HENRIQUE VIII de Alexander Korda com Charles Laughton, Robert Donat, Merle Oberon, Elsa Lanchester
Clássico inglês que deu um Oscar a Laughton. Há quem considere até hoje Charles Laughton o maior ator-gênio do cinema. Aqui ele brilha. Faz Henrique como uma vítima. Ele ama as mulheres, é seduzido por elas, e manda matar algumas....tudo como um brinquedo inocente. O filme, bonito, vai do intenso drama ( sua pior parte ), à comédia frívola, é seu melhor. Um raro é bom filme com a equipe hiper-profissional de Korda. Vale muito ver. Nota 7.

PETER O`TOOLE/ ALFONSO CUARÓN/ SINATRA/ ROBERT RODRIGUEZ/ FELICITY JONES/ OS DOUGLAS

   GRAVIDADE de Alfonso Cuarón com Sandra Bullock e George Clooney
Ao contrário do que fez Isabela Boscov, não vou comparar este filme de aventuras com a peça de arte conceitual chamada 2001. O filme de Kubrick está no mesmo saco dos filmes de Malick, são refelxões sobre a vida. No caso, 2001 talvez seja o mais profundo dos filmes. Este belo filme do muito bom Cuarón, está na senda de Star Wars ou de Alien, apuros espaciais. E eu adorei isto aqui. Há alguns anos escrevi que o cinema moderno nada mais era que um retorno ao cinema mudo. Primeiro tivemos a era de imagem e ação, filmes de Keaton, Chaplin, Murnau e Lang. A pureza do visual, as elaborações de cenários, atores que eram acrobatas e mestres em maquiagem. Depois veio a época do falado, a arte dos grandes diálogos, das belas vozes, de Mankiewicz, de Wilder, Bergman e Woody Allen. Gênios continuaram a misturar os dois, o visual e a voz, Fellini, Welles, Kurosawa etc. E hoje o que temos, já desde algum tempo, é a primazia da imagem sobre a voz. Os filmes que não revisitam o passado, que não tentam reviver Altman, Scorsese, Godard ou Peckimpah são visual e movimento a serviço do deslumbramento. Quem quiser entender o cinema de hoje deve procurar, e levar a sério, esse tipo de filme. São eles que contam nosso testemunho sobre este mundo. A verborragia dos anos 50 e 60 está viva apenas nos pseudo-novos cineastas cultores de um passado muito distante. Cuarón sabe disso. Seu filme, de uma simplicidade de A General, mostra uma habilidade com a câmera ( Emmanuel Luzbecki, Oscar certo ), raras vezes igualada. Os rodopios no espaço são um ballet dos mais apurados, belíssimos. A Terra é linda! A luz angelical do Sol banhando todo nosso organismo, tudo o que existe na nossa morada. E há o final, claro. Sandra Bullock na cápsula como um bebê com seu cordão umbilical, o parto, dificil, que é a queda na Terra e a saída da água, um nascer, um estar vivo. Ela anda hesitante, e o que sentimos é a alegria pelo nosso mundo existir. O filme atinge seu alvo, ao final estamos gratos pela vida. Confesso que chorei, um lago e uma árvore nunca me pareceram tão lindas. Esse final, uma simplificação do bebê de 2001, é perfeito. O filme, símbolo nobre daquilo que só o cinema ainda pode ser, é um filme anti-tv, deve e precisa ser visto. Nota DEZ.
   MACHETE MATA! de Robert Rodriguez com Danny Trejo, Michelle Rodriguez, Charlie Sheen, Sofia Vergara, Antonio Banderas e Mel Gibson
Uma decepção. O primeiro é uma divertida festa de violência camp e nudez alegre. Este é mais sério e bem menos inspirado. De bom só o presidente feito por Sheen e o vilão, ótimo, de Gibson. Chega a ser bem chato e parece looooongo....Nota 3.
   UM NOVO FÔLEGO de Drake Doremus com Guy Pearce e Felicity Jones
Um músico, cello, recebe em intercâmbio uma aluna inglesa ( ele dá aulas ). Óbvio que os dois vão se apaixonar. Óbvio que a familia vai vencer e os separar. E um diretor que se chama Drake Doremus!!! se acha um artista e vai filmar como tal. Ou seja, é um filme lento, triste, frio, mal filmado e silencioso. Há um desejo imenso de ser Bergman, mas o roteiro nada tem a dizer, então fica sendo um Bergman burro. Os atores estão muito bem, Felicity tem uma beleza de gente de verdade.Não passou aqui, mas deve passar lá por março ou abril. Nota 3.
   OS 4 HERÓIS DO TEXAS de Robert Aldrich com Sinatra, Dean Martin, Ursula Andress
Aldrich foi um grande diretor de filmes de ação. Mas aqui, a serviço da turma de Sinatra, ele nada pode fazer. Sinatra filmava só para se divertir, e ás vezes ele se esquecia do público. Acontece isso aqui, ficamos vendo Frank e Dean, como dois cowboys, se divertirem com tiros, piadas, muitas mulheres e cavalgadas. Mas nós não nos ligamos em nada! Parece com assistir uma festa pela janela. Nota 1.
   AVATAR de James Cameron
Reassisti Avatar. Belo visual, história sem emoção. O filme é gelado como um picolé...de xuxú. Não há nada com que se apegar e a história é a mesma de milhares de westerns pró-indio dos anos 50. Belas imagens a serviço do tédio. Nota 4.
   DESBRAVANDO O OESTE de Andrew V. McLaglen com Kirk Douglas, Robert Mitchum, Richard Widmark e Sally Fields
Uma Sally Fields adolescente faz aqui sua estreia em tela grande. Bonita e com rosto de caipira do sul, ela enfrenta um trio de atores muito fortes. Kirk faz um deputado rico, que leva bando de colonos para o Oregon. No caminho, indios, desertos, montanhas e neve. Mitchum faz o guia, um mestiço cool que está ficando cego. Widmark é o explosivo rival de Kirk, um cara do povão. Os cenários são maravilhosos, faz com que a gente pensa nos estragos que tais lugares devem ter causados em europeus de 1800 acostumados aos cenários civilizados de sua terra. Tudo aqui é vasto, sem fim, extremo. O roteiro não dá conta de tanto assunto. Coisas se perdem sem serem desenvolvidas. Dá pro gasto e esses atores são como parentes queridos, é bom os ver na sala de casa. Nota 6.
   A ESTALAGEM VERMELHA de Claude Autant-Lara com Fernandel
Fuja. Nota 1.
   A JÓIA DO NILO de Lewis Teague com Michael Douglas, Kathleen Turner e Danny de Vito.
Continuação do ótimo Tudo Por Uma Esmeralda, um dos grandes sucessos dos anos 80. Este é bem pior. Turner é raptada por um árabe e Douglas vai atrás. A dupla é ótima, Douglas nasceu para ser um herói safado e Turner foi a maior estrela do inicio dos anos 80. Mas o roteiro tem aquele que é o pior defeito dos anos 80, é metido a ser mais chique e engraçado do que é na verdade. Nota 4.
   WHATS NEW PUSSYCAT?de Clive Donner com Peter O`Toole, Romy Schneider, Peter Sellers
Revi como homenagem ao grande Peter O`Toole. Roteiro de Woody Allen e uma trilha sonora espetacular de Burt Bacharach. Um retrato do que era o tal espirito groovy da época. Peter estava no auge da fama, e o cinema inglês nunca mais teve tantas estrelas ( e bons atores ). Alan Bates, Michael Caine, Sean Connery, Richard Burton, Richard Harris, Oliver Reed, Terence Stamp, Peter Sellers, Tom Courtenay, James Mason, Laurence Olivier, Michael Redgrave, John Hurt, Albert Finney, todos em forma e trabalahndo muito.  O Oscar esnobou todos eles. Boa diversão ingênua. Nota 6.

BILL MURRAY/ FRANK OZ/ EXODUS/ CHARLIE SHEEN/ STILLER

   OVELHA NEGRA de Christopher Neil com David Duchovny e Vera Farmiga
Um hippie maconheiro que anda com cabras. Um teen down que vai para escola rigorosa. Pais separados. Porque alguém faz um filme como este? Extremamente conservador, aqui a mensagem é clara, voce pode fumar maconha e até ser um roqueirinho, desde que tire dez na escola e pense no futuro. Adolescentes deprimidos e sem sonhos, eis seu filme. Nota 1.
   QUERO FICAR COM POLLY de John Hamburg com Ben Stiller, Jennifer Aniston, Philip Seymour Hoffman, Hank Azaria e Alec Baldwin
Para uma comédia de Stiller até que não é das piores. Ele leva um chifre da esposa na lua de mel. Conhece garota doidinha...Tem algumas boas cenas e Stiller não exagera na ego-trip. Aniston é ótima. Nota 5.
   A ÚLTIMA VEZ QUE VI PARIS de Richard Brooks com Van Johnson e Elizabeth Taylor
Entediante...
   WELCOME TO COLLINWOOD dos irmãos Russo com Sam Rockwell, William H. Macy, Patricia Clarkson e Luiz Guzman
Refilmagem da obra-prima de Monicelli ( Eternos Desconhecidos ). Macy faz o papel de Mastroianni e Rockwell o de Gassman. O roteiro de Monicelli é tão bom que mesmo este filme consegue sobreviver. Produção de George Clooney que faz o papel que foi do grande Totó. Nota 5.
   NOSSO QUERIDO BOB de Frank Oz com Bill Murray e Richard Dreyfuss
Murray é um doente mental com centenas de sintomas. Dreyfuss é uma estrela da psicologia. O que vemos é o choque dos dois. Uma comédia com atuação soberba de Dreyfuss, vemos o enlouquecimento do auto-controlado doutor. Murray faz o Murray habitual, ótimo. Oz foi e é um dos últimos mestres da comédia ( além de ter feito parte da equipe dos Muppets e de Star Wars ). Nota 6.
   AS LOUCURAS DE CHARLIE de Roman Coppolla com Charlie Sheen, Jason Schwatzman, Bill Murray e Patricia Arquette
O que é isto??? Parece um daqueles filmes very doidos de 1969... Sheen é um astro drunk. O que vemos é seu cotidiano louco. Algumas cenas são tão ruins que chegam a constranger...Mas quer saber? Sheen é muito gostável e é um alívio ver uma coisa tão politicamente incorreta. Roman é filho de Coppolla, irmão de Sofia e tem esse nome como homenagem a Polanski. Que karma! Me parece que ele sabe rir de tudo. O filme, uma brincadeira, me divertiu. Capaz de voce odiar. Ou não...
   EXODUS de Otto Preminger com Paul Newman e Eva Marie-Saint
Uma super-produção sobre a construção do estado de Israel. O filme, longo, não cansa, mas jamais chega a altura do tema. A trilha sonora virou hit. Newman parece desconfortável, ele funciona sempre melhor em papéis de anti-heróis. Uma boa aula de história. Nota 6.

CLOONEY/ SEAN CONNERY/ MARLOWE/ ANG LEE/ ALDRICH

   SETE PSICOPATAS E UM SHIH TZU de Martin McDonagh com Colin Farrell, Sam Rockwell, Abbie Cornish, Woody Harrelson, Christopher Walken e Tom Waits
Um elenco interessante em mais uma imitação de Tarantino. Diálogos sem sentido, violência de HQ, musiquinhas cool e uns personagens esquisitos. Tempere essa receita com humor e cores fortes. Certo? Não, tudo errado. Neste filmeco sobre um escritor sem inspiração e seu amigo tonto ( que vive de sequestros a cães ), tudo dá errado. O humor é medíocre e pior, os personagens são frouxos. Insuportável de tão vazio. Nota Zero.
   UM HOMEM MISTERIOSO de Anton Corbijn com George Clooney
Clooney é um assassino de aluguel que se refugia na Itália. Anton foi um famoso diretor de clips. Isso se percebe logo, ele é incapaz de encenar um diálogo. O filme é uma série de imagens frias, mal montadas e sem porque. Clooney posa e o filme é um nada absoluto. Nota Zero.
   NUNCA MAIS OUTRA VEZ de Irvin Kershner com Sean Connery, Klaus Maria Brandauer, Kim Basinger e Max Von Sydow
Em 1983 dois filmes de James Bond foram feitos. Um oficial, produzido por Saltzman e Brocolli; e um alternativo feito por outra equipe, mas com o trunfo de ter Sean Connery de volta ao papel, após 12 anos longe. É estranho, porque é um Bond sem o tipo de letreiro habitual e sem a trilha sonora de John Barry. Mas é 100% o velho Bond de sempre. A trama é sobre o roubo de arma nuclear e Connery está excelente no papel: cínico, mulherengo e frio como aço. De bônus há o fato de ele brincar com sua idade. James Fox faz seu patrão e diz que Bond está ultrapassado. O filme tem uma ótima primeira parte ( e uma péssima trilha sonora, de Michel Legrand ), mas perde ritmo no fim. Kershner vinha de dirigir O Império Contra-Ataca e Kim Basinger começava a chamar a atenção. É uma aventura que jamais se leva a sério. Nota 5.
   LOCAL HERO de Bill Forsyth com Peter Riegert e Burt Lancaster
Faz muito tempo que eu queria ver esse filme. Isso porque ele é sempre eleito pelos ingleses um de seus filmes favoritos de todos os tempos. Trata-se de um modesto filme dos anos 80 que fala de um jovem americano que vai à uma vila escocesa. Esse jovem trabalha numa enorme companhia de petróleo e seu objetivo é comprar a vila para construir uma refinaria. O filme tem seus primeiros quinze minutos sem nada de especial, mas de repente ele cresce e nos seduz completamente. A população adora a ideia de vender a vila inteira e o filme transcorre desse jeito: as coisas acontecem imprevisíveis e em ritmo normal. Nada de chocante acontece, nada é grande ou esquisito, entramos na vida banal daquela gente, que não são tristes e nem alegres, e sentimos estar diante de gente real e de vida de verdade. O lugar nem é tão bonito! Lancaster está excelente como o dono da empresa de petróleo, um solitário que é apaixonado por astronomia. O filme, discreto e bonito, é cheio de vida. Nota 8.
   MURDER, MY SWEET de Edward Dmytryck com Dick Powell
Excelente filme noir. Powell faz Marlowe, o mitico detetive de Raymond Chandler, e sua abordagem é completamente diferente daquela de Bogart. Powell faz um Marlowe muito mais pé de chinelo, sem moral, cheio de humor. Dmytryck era um ótimo diretor antes de ser pego pela comissão de McCarthy e demonstra isso aqui. O filme tem estilo, tem ritmo, ótimas cenas e diverte muito. Todo passado no mundinho de botecos, becos e sombras, é boa opção para quem quer conhecer esse maravilhoso gênero de cinema. Másculo, direto, e muito influente. Nota 7.
   COM A MALDADE NA ALMA de Robert Aldrich com Bette Davis, Olivia de Havilland, Joseph Cotten e Agnes Moorehead
Após o sucesso de Baby Jane, Aldrich reconvoca Bette Davis e lhe dá mais uma vez um filme de horror em que ela faz uma velha doida. E coloca outros veteranos a seu lado. Mas se Baby Jane foi inesquecível, este é apenas correto. Não assusta como o filme anterior e Bette não tem um papel tão forte como foi aquele. A gente percebe que alguma coisa aqui foi forçada. De qualquer modo, é um prazer ouvir Bette Davis e temos Agnes Moorehead dando um show como a maltrapilha empregada da casa. Nota 5.
   AS AVENTURAS DE PI de Ang Lee
Visualmente belíssimo, ele passa por alto das implicações contidas no primeiro terço do livro de Martell. Dessa forma, deixamos de conhecer Piscine em profundidade e nem sabemos o porque de sua familia. Mesmo assim Ang Lee produz mais um filme que nos surpreende. Vivemos uma época de cineastas pouco versáteis. Um filme de Wes Anderson ou de Thomas Anderson ou de Tarantino, por melhor que seja, sempre se parece com tudo aquilo que seu diretor sempre fez e faz. Mas não Ang Lee. Ao melhor estilo John Huston ou William Wyler ou Fred Zinnemann, Lee faz filmes em função da história a ser contada. Desse modo, Hulk nada tem que lembre Brokeback Mountain que nada tem a ver com Tempestade de Gelo. É um dos maiores talentos de nosso tempo. O filme é o que poderia ser, nem mais nem menos. Emociona menos que deveria, erra menos do que seria provável. Em mãos menos hábeis teria tudo para ser ridiculo. Nota 7.

WYLER/ EASTWOOD/ CRONENBERG/ STURGES/ CAPRA/ SODERBERGH/ PINA/ CARY GRANT

   SUBLIME TENTAÇÃO de William Wyler com Gary Cooper, Teresa Wright e Anthony Perkins
Concorreu  a seis Oscars em 1956 e perdeu todos. Mas é um muito bom filme realizado pelo mais profissional dos diretores da América. Wyler tem uma impressionante lista de filmes, de sucessos e de prêmios. Aqui ele fala de uma familia de Quacres, que nos EUA da época da guerra civil, se recusam a lutar. O filme é lindo de se ver, cor e cenários são imagens ideais de um passado bucólico. Mas esse bucolismo é manchado pelo mundo. Perkins, muito jovem, está comovente como o filho que parte para a guerra. Ainda sem os tiques de Norman Bates, ele realmente prometia ser um novo tipo de ator, frágil, hesitante. Cooper prova mais uma vez ser um grande ator. Vemos em seus olhos a confusão de um pai que não sabe mais como agir. Cinema grande, vasto e muito satisfatório. Nota 8.
   OS ABUTRES TÊM FOME de Don Siegel com Shirley MacLaine e Clint Eastwood
No México, Clint encontra uma freira e a salva de ser violentada. Juntos, eles cruzam um deserto e lutam contra as tropas de Maximiliano. A trilha sonora é de Ennio Morricone e a foto de Gabriel Figueroa. Tem um jeitão de western italiano, um ar de não seriedade, de pastiche. Uma diversão apenas ok, feito em tempo em que tanto Clint como Shirley não eram levados a sério. Nota 6.
   UM MÉTODO PERIGOSO de David Cronenberg com Michael Fassbender, Keira Knightley e Viggo Mortensen
O elenco é bom, mas o roteiro de Hampton é banal. Caretésimo, se parece muito com aquelas séries solenes que a BBC fazia nos anos 70. No fundo, se a gente trocar os nomes dos personagens, é a velha história do filho que quer ser independente do pai. E do pai que, com sua autoridade ameaçada, passa a exigir obediência do filho. Tudo recheado por sofrido caso de amor. A criatividade passou muito longe daqui. Enfadonho. Nota 4 dada ao belo trabalho dos 3 atores.
   MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA de Peter Webber com Scarlet Johansson e Colin Firth
Revisto agora se revela uma quase ridicula recriação de um momento crucial na história da arte: a gênese da mais famosa pintura de Vermeer, o mais valorisado dos pintores. Firth, que como provou em O DISCURSO DO REI, é um dos melhores atores em atividade, nada tem a fazer aqui. O pintor é tão real quanto o é o Jung de Fassbender. Tem a profundidade de um boneco de palha. Scarlet nunca esteve tão bonita, na verdade o filme é dela. Lento, sem emoção, monótono. Nota 1.
   CONTRASTES HUMANOS de Preston Sturges com Joel McCrea e Veronica Lake
Recém lançado em DVD, mostra o talento esfuziante de Sturges.  Um diretor de filmes escapistas, resolve fazer uma obra relevante. Parte então à estrada, para conhecer e viver a vida dos pobres. Mas seus empregados seguem sua estrada e ele não consegue ser um pobre. Acaba conhecendo uma aspirante a atriz e é preso quando sem documentos é confundido com assassino. Na prisão é que ele dará valor a seu trabalho, em uma cena simples e inesquecível. Este filme foi homenageado pelos Coen em E AÍ MEU IRMÃO...Preston Sturges vive hoje um momento especial, sua obra é finalmente reavaliada. Nota 9.
   ESSE MUNDO É UM HOSPÍCIO de Frank Capra com Cary Grant
Uma dupla de adoráveis velhinhas mata seus hóspedes com veneno. Grant é o sobrinho delas que não sabe o que fazer. Relançado agora, a Veja elogiou muito, assim como o Estado. Apesar de eu ser fã de Cary Grant, eu não gosto deste filme. É exagerado, nervoso demais, passa do tom. Capra voltara da segunda guerra mudado. Se antes seus filmes eram odes otimistas ao homem comum, aqui ele se mostra confuso. Cary parece estar em filme de Hawks, sua atuação maluca não se casa com a dos outros atores. Nota 3.
   SAN FRANCISCO de WS Van Dyke com Clarck Gable, Jeannette MacDonald e Spencer Tracy
Imenso sucesso dos anos 30, é um filme quase insuportável. Uma baboseira sobre dono de bar que se apaixona por moça "certinha" que quer ser cantora. Gable faz seu papel padrão, um machão sorridente e levemente mal caráter. Jeannette canta demais. E Tracy faz um padre que a aconselha. O filme se redime em seu final, a cidade de SF é destruída pelo terremoto de 1906. Os efeitos, por incrivel que pareça, ainda impressionam. O terremoto é mostrado com cortes espertos, paredes que caem e multidões em pânico. Funciona e muito bem. Mas até chegar a esse final emocionante o filme é um nada. Nota 3.
   IRRESISTÍVEL PAIXÃO de Steven Soderbergh com George Clooney, Jennifer Lopez, Don Cheadle e Luiz Gusman
A trilha sonora de David Holmes é um show em si mesma. Uma recriação das trilhas cool dos anos 70, ela mistura Schiffrin com Hayes e funk tipo Clinton. Estupenda! O roteiro é sobre um ladrão de bancos que se envolve com policial feminina. Clooney está excelente. Ainda em sua fase galã, ele dá uma aula de estilo. Adoro esse tipo de filme que Soderbergh sabe tão bem fazer. O filme tipo "espertinho", uma recriação de Steve McQueen com Peter Yates e Norman Jewison. Foi com este filme que a carreira de Steven foi salva. Revisto agora, ele ainda diverte, Nota 7.
   PINA de Wim Wenders
Quando Wenders acerta ele faz filosofia ( ASAS DO DESEJO ), ou poemas visuais ( PARIS TEXAS ). Aqui ele faz uma filosofia poética em movimento. O cinema de agora pode ser salvo se assumir seu caráter de pesquisa visual. Os ótimos HUGO e O ARTISTA enfatizaram esse fato. O futuro está na imagem e não em dramaturgia.  Este filme nos convence do futuro possível. O deslumbre de imagens que se movem. O cinema jamais poderá se renovar ao repetir os passos de tanta gente que já esgotou a linguagem dos dramas e dos simbolos. Ele sobreviverá em seu aspecto de espetáculo plástico. Seja o movimento sem palavras ( eis a modernidade corajosa e radical de O ARTISTA ), seja em sonho de beleza ( o jogo de Scorsese em HUGO ). Wenders lança a opção do movimento puro. Poesia possível. Nota 9.

BURT LANCASTER/ GEORGE CLOONEY/ EWAN MCGREGOR/ BURT REYNOLDS/ KIM NOVAK/ CHRISTOPHER PLUMMER

   SERVIDÃO HUMANA de Ken Hughes com Laurence Harvey e Kim Novak
Baseado no famoso livro de Somerset Maugham, eis um filme onde tudo dá errado. O diretor teve todas as chances em sua carreira e nunca as aproveitou e Harvey é um dos piores atores da Inglaterra. A história fala do jovem estudante de medicina que se apaixona por uma mulher falsa e interesseira. Ele procura ver só o lado bom dela, mas isso se faz cada vez mais dificil. O filme é completamente desinteressante, chato, arrastado. E tem um visual muito feio. Kim Novak, a deslumbrante beleza de Vertigo e de Pic Nic, está irritantemente deslocada. Não é papel para ela, força um sotaque cockney tolo. A carreira dela começava a desabar. O filme é nada. Nota ZERO.
   A FILHA DA PECADORA de Lewis Allen com Lizabeth Scott, John Hodiak e Burt Lancaster
No recente livro de entrevistas de Scorsese, ele e o entrevistador elogiam este obscuro filme de 1947. É um dos mais esquisitos filmes que já vi. Com certeza muito adiante de seu tempo, ele se parece com coisas que Douglas Sirk faria dez anos mais tarde e tem ecos de Almodovar e de Lynch. A história já é bizarra. Uma garota rica e mimada, que tem relação estranha com a mãe divorciada, se enamora de misterioso e durão forasteiro. Esse homem vive a anos com um "amigo", amigo este que cuida dele e morre de ódio da tal garota. Lancaster, em começo de carreira, é um policial impotente. Como a censura rígida de 47 deixou passar este filme é um mistério. É óbvio que os dois forasteiros são gays, como é claro que a garota não gosta de homens. O diretor foi sempre de classe B, mas aqui ele faz um filme perturbador e de colorido maravilhoso ( Charles Lang ). Mary Astor, no papel da mãe rouba o filme. Lancaster já tem todo o jeitão do astro que viria a ser: o sorriso vibrante, a postura elegante, a simpatia esfuziante. Nota 7.
   COLOMBIANA de Olivier Megaton com Zoe Saldana
Produzido por Luc Besson, é um filme de Jason Statham sem Jason Statham. O que faz com que não tenhamos nínguém para torcer. Tem tudo aquilo que Besson sempre usa: velocidade nas cenas, gente com cara de HQ, ambientes sombrios e metálicos. Mas a mocinha é um zero e os vilôes não nos dão raiva. Ah sim... fala sobre tráfico na Colombia e menina que vai vingar o pai. Nota 1.
   OS DESCENDENTES de Alexander Payne com George Clooney
Procurei mas não achei uma só crítica que demonstrasse ter entendido o filme. Visões ralas, superficiais, tolas até. A maioria dos criticos, assim como o público, começa a só entender o que é explicito. A forma dissociada do conteúdo é algo que desapareceu da critica. Quando topam com um filme como este, discreto, elegante, todo centrado no formato e não no conteúdo, os criticos se perdem. Preguiçosos, não se dão ao trabalho de pensar. O filme de Payne é primoroso. Uma aula de bom cinema, ele evita todas as armadilhas do óbvio e jamais cai na tentação do modernismo afetado. Sabe mostrar e sabe conduzir. Clooney brilha em papel sem grandes lances. É um homem perdido. Me causa espanto ninguém ter falado do fato de termos um conjunto de personagens adultos. Aqui ninguém parece personagem de cartoon ou tipo de manual de casos psiquiátricos. Gente, gente como eu e como voce. Isso ainda existe. Nota 9.
   TODA FORMA DE AMOR ( BEGINNERS ) de Mike Mills com Ewan McGregor e Christopher Plummer
É o filme que provávelmente dará a Plummer um merecido Oscar de coadjuvante. A não ser que o mito Max Von Sydow estrague sua festa. Plummer faz um homem de 75 anos que assume sua condição gay após a morte da esposa. Ewan é o filho desse homem, que sofre com o câncer do pai. Um cãozinho comenta o filme. Uma ruiva esquisita se torna o amor desse filho. Weeellll..... eis um filme que é a cara destes tempos frouxos. Ele é tristinho, fofinho, bacaninha, delicado, moderninho e antenadinho. Tem até hospital e imagens que lembram clips de cantores folk. Ewan fala baixinho e ama a menina como se tivesse 12 anos ou menos. Já a mocinha, tão alternativa, vive como se fosse uma fadinha num mundo tristonho. Milhares de filmes são como este. É feito para os fãs de Michel Gondry. Mas ele tem duas coisas que o salvam da absoluta chatice. O cão, que é a coisa mais inteligente do filme, e a atuação de Plummer. O pai se torna o único humano viril de todo o filme. Ele sabe escolher, sabe decidir, luta para ser feliz. É um homem de outra época em tempos de cinzas passivos e flores pálidas. Ah geração Morrissey..... O filme serve como retrato da atual geração de vampiros bonzinhos que infesta o planeta e de filmes fofinhos e docinhos que são como coisas de outro planeta para alguém como eu. Devo estar muito velho, esses seres me são completamente incompreensíveis. Seu modo de falar e de viver são como lingua marciana pra mim. Nota 4.
   ENCONTROS E DESENCONTROS de Alan J. Pakula com Burt Reynols, Jill Clayburgh e Candice Bergen
Burt leva um pé na bunda de Candice, que é uma cantora bem sucedida e bonita. Deprimido, ele conhece Jill, um tipo de Annie Hall de Boston. Burt fica na dúvida quando Candice volta. O roteiro é de James L. Brooks. E ele é que deveria ter dirigido. Brooks é o cara que na TV fez Mary Tyler Moore, Cheers, Taxi e os Simpsons. No cinema dirigiu Laços de Ternura e Melhor é Impossível, campeões de Oscar. Pakula era um diretor triste. O filme é todo escuro, silencioso, travado. Jill Clayburgh era a atriz da moda em 1979. Uma Diane Keaton mais feinha. Burt tentava se tornar um ator "sério". Pra quem não sabe, na década de 70 ele e Clint Eastwood eram os astros campeões de bilheteria. Com Charles Bronson e Steve McQueen formavam a nata dos atores de ação. Nos anos 80 seriam suplantados por Harrisson Ford, Bruce Willis e a dupla Stallone/ Schwarza. Este filme, completamente chato, não fez de Burt um "novo" ator. Nota 2.

OS DESCENDENTES- ALEXANDER PAYNE

    Alexander Payne. É um diretor que acompanho desde 1998. Não faz parte do hype, portanto não tem a fama pop de Nolan, Fincher e Trier. Com Payne, nada de psicoses diabólicas, firulas de câmeras moderninhas ou temas ousadinhos. Payne conta histórias, de um modo elegante, adulto, simples. E voce sabe, ser simples é a mais dura das artes.
   Barcinski acertou ao dizer que este filme lembra os filmes dos 70's de Hal Ashby. A mesma sutileza. Mas como estamos em 2012, ele não tem a intenção reformista dos filmes da década da inquietação. Payne é um pacificador. Seus filmes são sempre do bem. Mas não o bem idealizado, é o bem que nos resta, o possível.
   Com os irmãos Coen, mais Tarantino, Curtis Hanson e PT Anderson, ele é dos poucos cineastas atuais que despertam minha curiosidade. Se Coen é o cineasta da surpresa e Tarantino o da diversão, Payne é o da finura. Veja este filme:
   Voce pensa que a mãe em coma será o centro do filme. E que teremos mais um lixo em que o pai ausente passará todo o filme em crise de consciência e a mãe será vista em flash-backs como um tipo de musa. Não. Payne, sem grandes alardes, inverte as expectativas. A mãe é apenas um objeto inanimado e o pai não é um homem ruim em crise para ser bom. A mãe é que errou e ele é apenas um homem tentando acertar. O mesmo sucede com as duas filhas. Pensamos que vamos ter de aturar mais um filme com uma pequena criança geniosa e chorona, não, a criança apenas vive sua vida de criança. E quando surge a adolescente achamos que haverá uma série de crises entre ela e o pai. Não, ela ajuda o pai. É assim todo o filme. Uma expectativa é não-confirmada, sempre. Mas tudo sem grandes lances autorais, sem tiques de "olha como sou criativo", sem frescuras de "artista".
   O centro não é a mãe, aliás. É a ilha. Ao contrário do que é dito, lá existe um paraíso sim. Eu amo aquela humidade, as plantas brotando de cada canto, a vida abundante. Mas assim como a mãe está morrendo, nós sabemos que todas as ilhas estão em coma. O centro do filme é a visão do imenso terreno que está a venda. É o paraíso. Quando a filha diz: -Mas eu quero acampar...", entendemos que a dor de Clooney pela infidelidade da esposa é supérflua. Essa raiva o moverá para fazer o certo. Não vender o paraíso.
   George Clooney é o grande ator deste inicio de século. Apesar de detestar seu apreço por politica, é um ator que tem tudo. Sabe fazer drama sem parecer patético e tem um dom fantástico para comédia. Dom que Payne também tem. O filme não tem uma só cena de pastelão, mas o diretor/roteirista consegue extrair humor das situações mais dramáticas. Além de tudo raras vezes eu vi neste século a morte ser tratada de modo tão adulto. Jean Dujardim tem uma atuação de mais "gênio" em O Artista, mas se Clooney for premiado nada haverá de injusto nisso.
   Destaque também para a maravilhosa trilha sonora feita de canções havaianas. São o contraponto daquilo que os homens vivem e daquilo que a ilha é.
   Delicioso, bonito, simples, elegante. Alexander Payne deveria filmar mais. Faz poucos filmes, mas todos são interessantes e discretos. Os dois primeiros são os melhores, mas este é o mais ambicioso. Elegantemente ambicioso. Alexander Payne ainda crê na vida.
   Sem familia, sem religião, sem aventuras e sem heróis, tudo o que fazia da vida uma experiência transcendente nos foi tirado. A única coisa que se colocou no lugar foi a ciência. Mas a ciência não pode nos ensinar a viver. No máximo ela nos ajuda a não morrer. Clooney é esse homem sem nada. Ele não sabe ser pai, não tem religião, nada percebe de aventuroso em seus dias e está longe do mundo de heróis. Tudo o que lhe resta é o frio caminho racional: deixar morrer, deixar vender. Mas mesmo assim, ao ser tomado pela ira, pela surpresa, pela dor, ele faz algo. E esse algo é a última das transcendências, ele protege a vida, nega o caminho óbvio, faz sua escolha.
   Como aconteceu no ano passado com O DISCURSO DO REI, as pessoas desacostumadas a pensar não irão perceber a complexidade embutida na simplicidade. Verão aqui como lá, apenas um filme comum, bem feito, quase banal. Mas se no filme de Tom Hooper e Colin Firth havia uma profunda reflexão sobre a fragilidade humana; neste filme de Payne e Clooney temos uma visão sobre tudo aquilo que ainda pode nos salvar.
   Em meio a crimes em série, heróis mascarados e efeitos sensacionais, é mais do que ótimo. É uma esperança.

SODERBERGH/ JACKIE CHAN/ TONY CURTIS/ ROBERT RODRIGUEZ/ BRAD PITT/ OLIVIER

   VIVO PARA CANTAR de Frank Ryan com Deanna Durbin
Em 1999 Haley Joel Osment, eu juro, foi chamado de gênio. O menino do Sexto Sentido era tido como "o maior talento infantil da história do cinema". Anna Paquin recebera a mesma dádiva alguns anos antes e na época Matrix era considerado na Set "o maior filme da história dos filmes". Nada como o tempo para colocar tudo nos eixos. Matrix é encalhe de sebos, Paquin luta por papéis na TV, e Joel.... sei lá. Atores infantis costumam quebrar a cara quando crescem. Judy Garland, Natalie Wood e Jodie Foster são os únicos que tiveram como adultos o mesmo sucesso de crianças. Roddy MacDowall também teve uma boa carreira adulta, mas como criança ele era bem mais. Deanna Durbin foi uma big star aos 14 anos. Cantava e tinha uma imagem simpática, calorosa, do bem. Mas aqui, já adulta, dá pra se notar a proximidade do fim. Ela se tornou "comum". Sem grande diferencial. Sabiamente ela largou o cinema e foi viver na França. Poupou seus fãs de assistir seu ocaso. Ela era ótima, mas este filme é um lixo. Nota 1.
   O ESCUDO NEGRO DE FALWORTH de Rudolph Maté com Tony Curtis, Janet Leigh, Herbert Marshall e Barbara Rush
Finalmente lançam este DVD no Brasil!!! Um dos mais reprisados filmes da Sessão da Tarde dos anos 70, é surpreendentemente bom. Maté foi um grande diretor de fotografia. Começou com Dreyer e foi para Hollywood onde dirigiu alguns filmes médios. Este é seu melhor. Tony Curtis era lançado a época como a nova estrela da Universal. Ele funciona em aventuras muito bem. Faz aqui um tipo estourado, meio bronco. O filme fala de jovem, estamos na idade média, que é o filho de um nobre arruinado sem o saber. Vai para a corte, onde é hostilizado por jovem nobre e ajudado por velho mestre de espadas. Eu não sei porque o filme me lembrou muito Star Wars. De qualquer forma, ele é alegre, movimentado, muito colorido. Boa amostra do antigo filme juvenil, do antigo filme "B", que hoje seria tratado como filme "A". Nota 7.
   EL MARIACHI de Robert Rodriguez
Eis o primeiro filme de Rodriguez, famoso na época por ter sido feito com a grana de um carro. Ele é pobre, claro, tem uma fotografia miserável, mas é cheio de ação, clima e promete aquilo que seu diretor faria em seguida. Filmes pop levados com leveza e rapidez. Vale conhecer. Nota 5.
   FÚRIA DE TITÃS de Desmond Davis com Judi Bowker, Laurence Olivier, Claire Bloom e Maggie Smith
Não se empolgue com os nomes veneráveis de Olivier, Bloom e Maggie Smith. Muito menos com os efeitos de Ray Harryhausen. É uma insuportável aventura mitológica sobre Perseu etc... Incrivelmente ruim, até os efeitos de Ray estão ridiculos. A magia que ele criava antes, aqui está perdida. O ator central é um dos piores já vistos. A câmera insiste em dar close de seu rosto e tudo o que ele faz é ajeitar os cachos dos cabelos e aumentar seu biquinho. Olivier é Zeus. Porque, ao fim da carreira, ele aceitava filmes tão ruins? Vaidade? Grana? Pior: este lixo foi refilmado no ano passado com o mesmo nome. Pra que? ZERO!!!!
   HORA DO RUSH 2 de Brett Ratner com Jackie Chan e Chris Tucker
O cinema americano não soube usar os talentos de Chan e de Chris. Assim como ocorreu com Jim Carrey, os executivos os rotularam de "astros para filmes ligeiros" e fim. Jackie Chan merecia aventuras mais caras, mais ambiciosas ( mas talvez nessas aventuras ele fosse sufocado em efeitos digitais ) e Chris merecia filmar mais, muito mais. Este filme, delicioso, é aquele que voce já sabe: os dois vão para Hong Kong, se envolvem com máfia e depois tudo se resolve nos EUA. Eu queria mais, mais lutas, mais piadas, mais duração. Mas é um filme legal para dias de tédio. Nota 6.
   SET UP de Mike Gunter com 50 Cent, Ryan Philippe e Bruce Willis
Muito rap, massacres, vida de cão na prisão, guitarras, tiros e mal caratismo. Que lixo é isto? Como é possível que uma coisa que já foi tão nobre como o cinema, possa agora, como uma rameira sifilica ou um traficante de veneno produzir algo tão do mal, com intensões tão ruins. Ele glorifica a bandidagem, a violência, a vida sem moral alguma. Depois não venham reclamar do rumo que o mundo toma. Bruce se especializou em pequenos papéis "especiais" de chefões do crime. Morro de saudades do "bom e velho" Duro de Matar. Ali tínhamos ação com boas intenções, humor e tiros, explosões e suspense. Nada disso aqui. ZERO!!!!!!
   PÁGINA OITO de David Hare com Bill Nighy, Rachel Weisz, Judy Davis e Michael Gambom
Bom filme inglês. Bill, sempre sério e elegante, é um velho funcionário da segurança britãnica. Ele descobre que o primeiro-ministro tornou-se conivente com a politica americana de tortura e combate ao terror. Mais que isso, que há uma outra agência de segurança dentro do governo, mais imoral, mais corrupta, para agenciar as coisas desse ministro. O filme mostra sua intenção: a Inglaterra é agora apenas um apêndice dos EUA. Bill Nighy é um agente à velha moda, ético, trabalha para o país, para o defender de inimigos e não para acomodar interesses globais. Amargo e com final dúbio, é um digno veículo para um bom ator. Rachel faz uma vizinha ativista da causa árabe. Seu papel, melhor do que parece, é que faz com que Bill se mova. Não sei se esse filme foi exibido aqui. Nota 7.
   ONZE HOMENS E UM SEGREDO de Steven Soderbergh com George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Julia Roberts, Elliot Gould e Andy Garcia
Revejo-o após dez anos. O filme tem poucas semelhanças com o original de Sinatra. O que fica de mais próximo é o aspecto cool da produção. Temos um fascinante desfile de roupas elegantes, cenários bonitos e figurantes bem dirigidos. A trilha sonora de David Holmes é exuberante, ninguém hoje faz trilhas sonoras melhores. Vejo o filme, excelente, e penso que ele é uma bela amostra daqueles filmes espertos feitos por volta de 1960, com seus ladrões amorais e seu clima chique. Nos extras do DVD, Soderbergh fala de Golpe de Mestre ( um espetacular filme com Paul Newman e Redford que ganhou melhor filme em 1973 ), e mais, atrás de Soderbergh há um poster de um filme: Bande a Part de Godard. Um filme com Anna Karina que trata de roubo. O que tem Bande a Part? É o nome da produtora de Tarantino e agora surge no escritório de Soderbergh...filme influente é assim que se revela... Voltando, dá pra notar um monte de furos no roteiro, o plano não é assim tão genial; mas a coisa é muito bem dirigida e tudo o que sentimos durante o filme é prazer. George Clooney está em casa, nasceu para esse tipo de papel. Mas Brad Pitt está ainda melhor. Seu rosto é pura diversão. É este filme que exibe melhor o tipo de filme pop que eu adoraria ver mais na Hollywood de hoje. Absolutamente sem erros. Nota 9.

CARY GRANT/ AUDREY/ MUPPETS/ DOUGLAS SIRK/ GEORGE CLOONEY/ NICHOLAS RAY/ JOHN WAYNE/ GINA, ELKE, VIRNA, MONICA VITTI

   SANGUE DE REBELDE de Douglas Sirk com Rock Hudson
O alemão Sirk ( ídolo de Fassbinder e Almodovar ), tornou-se cult graças a série de dramas que fez nos anos 50 na Universal. São filmes exagerados, barrocos, que não temem a emoção e os fatos esquisitos da vida. Mas ao mesmo tempo, Sirk fez outros tipos de filmes, inclusive western. Este é uma aventura que fala da Irlanda revolucionária. Hudson, que sempre foi bom ator com Sirk, é um impulsivo irlandês procurado pela lei. O filme, todo feito em locações reais é muito bom. Tem suspense, tem ação, e tem muito clima. Fica a certeza de que Sirk foi um belo diretor em mais de um tipo de filme. Nota 7.
   A VIDA ÍNTIMA DE UMA MULHER de Nicholas Ray com Maureen O'Hara, Gloria Grahame e Melvyn Douglas
Ray, chamado de gênio por Godard e Truffaut, é dos mais irregulares dos diretores. Se é capaz de fazer filmes belos como Rebel Without a Cause ou Johnny Guitar, é capaz de coisas mal realizadas e capengas como este muito desagradável drama policial. Maureen tenta matar Gloria e assume a culpa. Porque, se tudo leva a crer que não foi ela? Gloria Grahame, que não era bonita, foi uma das mais sexys atrizes da América. Há algo nela de perverso, de doido, de proibido. Na vida real ela foi casada com Ray, que era homossexual, e se envolveu em escândalos sexuais na época. Este filme é quase salvo da vulgaridade por sua presença magnética. Mas na verdade é mais um irritante e mal feito filme do superestimado Ray. 3.
   TUDO PELO PODER de George Clooney com Paul Giamati
Clooney surgiu no meio dos anos 90 como a promessa de um novo Cary Grant. Ele tinha o dom de ser engraçado e de misturar esse humor a um charme raro. Mas a partir do século XXI ele começou a querer ser "mais", e se embrenhou na senda dos filmes "relevantes e úteis". Bem, um filme como este pode ser útil, e é bem dirigido. Mas não consigo me envolver com personagens que não me interessam e situações que nunca me comovem. Recordo de "Bom dia Boa Sorte" ( era esse o nome? ), uma das coisas mais insuportáveis que já vi. Há um tipo de filme feito hoje que bebe tudo no estilo que Lumet e Pakula faziam nos anos 70 ( década em que Clooney foi teen ), filmes tipo "Todos Os Homens do Presidente" ou " Network". Não consigo gostar. ( Apesar de Network ser uma obra-prima ). Nota 4.
   CHARADA de Stanley Donen com Audrey Hepburn, Cary Grant, Walter Mathau, James Coburn
Da primeira a última cena, este é um filme delicioso. A música de Henry Mancini começa nos coloridos letreiros de abertura, vem uma cena nos Alpes nevados e Audrey recebe um close em seu Givenchy. Cary entra em cena, rabugento e então... pronto! O filme te leva numa trama hitchcockiana sobre marido morto e montes de bandidos atrás da viúva. Todo mundo mente neste filme, e as cenas sempre misturam policial com humor, romance e suspense. Donen começou dirigindo musicais ( Cantando na Chuva, Sete Noivas Para Sete Irmãos ), e depois se tornou um grande diretor de filmes sofisticados. Ele faz com que as cenas dancem. Cary se achava velho demais para o papel ( era 25 anos mais velho que Audrey ) e isso acabou por dar um charme extra ao filme, acompanhamos Audrey tentando o seduzir e ele sempre a lembrando de sua idade e resistindo. Com a excessão de My Fair Lady, é este o filme onde ela está mais bonita e há ainda uma galeria de vilões espetaculares, todos originais e muito bem feitos por atores que se tornariam estrelas em seguida. Neste século ele foi refilmado por Johnathan Demme com Mark Wahlberg fazendo Cary e Thandie Newton em lugar de Audrey.... preciso dizer no que deu? Com suas cenas de uma Paris noturna, seus improvisos entre Audrey e Cary, seu clima chic, é um dos meus mais queridos filmes. Desde que o descobri, na verdade foi meu irmão que o viu antes e me deu a dica, é um caso de amor eterno e bem resolvido que tenho: entre eu e um filme chamado Charada. Nota Dez, claro.
   WONDER BAR de Lloyd Bacon com Al Jolson e Dolores del Rio
Ah....os anos 30....eis aqui um tipico produto pop da época: tolo, futil, vazio....e tingido de ouro. Esquecemos que a década de 30  é a década da grande depressão, então Hollywood fazia filmes para tentar curar essa deprê. E valia tudo. Aqui temos piadas, dança, sexo, música, romance e uma exagerada e encantadora breguice. Busby Bekerley coreografou dois números que são uma viagem de LSD cafona. No primeiro moças desfilam em formações geométricas, tudo com muito prata e plumas; no outro ( bastante racista ), um negro pobre morre e vai pro céu. Mas é um céu de negros, onde eles comem costelas de porco, jogam dados e dançam. Bem...nos EUA de hoje essa cena é censurada, mas não vi nada que Mussum ou Macalé não fizessem. Se a gente deixar isso pra lá, é um filme doido, ebuliente, mal interpretado, picareta e absolutamente delicioso!!!! Todo passado numa boate francesa, tem gigolôs, dançarinas, maridos em férias e etc etc etc. Dolores del Rio foi uma das piores atrizes do mundo, e ao mesmo tempo é uma das mais bonitas e sensuais já filmadas. Suas cenas com Ricardo Cortez ( adoro esses nomes ) são aulas de sexy camp. Relaxe e se divirta!!!!  Nota.... sem nota.
   IWO JIMA de Allan Dwan com John Wayne
É o filme que deu a primeira indicação de ator para Wayne ( ele só teve duas. A segunda só em 1969, que foi quando venceu. O fato de não ter sido indicado por Rastros de Ódio e Red River demonstra o preconceito de Hollywood com o western ). Aqui ele é um sargento durão, do tipo odioso, que treina jovens soldados para a guerra no Pacifico. Em seu gênero ele é OK. As cenas de guerra são muito boas, cheias de imagens da guerra real ( documentários misturados a cenas de ficção ). É sempre bom ver John Wayne nesse tipo de papel, o durão seco que tem um lado humano escondido. É neste filme que se filma a lenda: os soldados erguendo a bandeira em Iwo Jima, tema de filme de Clint. Nota 6.
   MAN OF THE WORLD de Richard Wallace com William Powell e Carole Lombard
Os filmes sonoros em seu começo foram combatidos por causa de filmes como este. Enquanto os filmes silenciosos tinham uma fluidez mágica ( como demonstra Aurora ), os falados, em seu primeiro ano, eram parados, sem movimento, congelados. Isso se devia ao problema de captar o som e ao equipamento pesado. Peter Bogdanovich diz que o som veio no pior momento, pois em 1929 o filme silencioso atingia seu auge. Powell é aqui um golpista que se apaixona por vitima de seu golpe. O filme é amargo, de final nada feliz. Mas está longe de ser bom, vale só como curiosidade. Nota 2.
   AS BONECAS de Dino Risi, Luigi Comencini, Franco Rossi e Mauro Bolginini com Virna Lisi, Elke Sommer, Monica Vitti e Gina Lollobrigida
No auge de seu cinema ( anos 40/70 ), a Itália, além de seus mestres tinha uma segunda divisão de diretores muito famosos. Gente como Lattuada, Campanille, Zampa, Petri e Indovina. E principalmente esses quatro citados acima. Essa segunda divisão está hoje esquecida, então se tem a impressão de que o cinema da época era só Fellini, Antonioni, Monicelli, De Sica, Pasolini, Visconti, Zurlini e Rosselini. Moda na época era a de fazer filme em episódios. Voce contava quatro histórias, totalmente independentes, com direção e elenco diferentes. Neste tipico exemplo do estilo, temos quatro histórias cujo tema seria o sexo. E quatro simbolos sexuais são escalados. O filme é, visto hoje, ingênuo. Pior, pouco engraçado. Na época já era um filme tolo, e o tempo o piorou. Virna Lisi foi das primeiras atrizes que idolatrei. Eu a achava a coisa mais linda do mundo. Vista agora mantenho a opinião, ela era belíssima! Elke Sommer, que era outra que eu adorava, já nem tanto. E Gina, a mais famosa dentre elas, continua o que sempre foi, bella!!! Mas é Monica Vitti que surpreende. Seu segmento é o melhor ( tem um ator que imita Brando que é impagável ) e ela é a mais bonita. Antonioni, que foi casado com ela, sempre conseguiu a deixar mais feia em seus filmes. Aqui, longe de seu marido, vemos o rosto de Monica como eu o recordava: magnificamente belo, uma perfeição de cabelos, olhos e boca. O rosto dela é o melhor desse filme tão chato. Nota 2.
   MUPPETS, O FILME de James Frawley
Atenção!!!! Não é o novo filme! Este é o primeiro, de 1979. Tem participações de Steve Martin, Orson Welles, Bob Hope, James Coburn, Telly Savallas, Mel Brooks e Richard Pryor. Caco é achado no pântano por um caçador de talentos. Vai para Hollywood, e no caminho vai se unindo a todo o grupo Muppet. As canções, excelentes e emocionantes, são de Paul Willians, uma delas ganhou o Oscar. Jim Henson criou a coisa toda e Frank Oz, hoje um grande diretor de comédias, o ajudou. O filme é deliciosamente on the road, Caco indo estrada afora até Hollywood.
Jim Henson foi um gênio. Revi o filme ontem. Ele pegava um pedaço de pano verde, enfiava a mão dentro, e só com isso conseguia nos fazer crer que aquilo era vivo, tinha personalidade e pensava. Na simplicidade em que ele trabalhava, os olhos dos bonecos não se movem, uma das mãos é paralisada, e mesmo desse jeito a gente embarca naquilo. Isso é genialidade! É o cara que pega um pedaço de madeira e um pincel e cria vida. Um cara que pega papel e pena e faz um universo. E é Henson, que pegava alguns metros de tecido e fazia um ser vivo.  Cresci vendo Vila Sésamo. Recordo em detalhes a estréia no Brasil. Eu voltei correndo da escola pra não perder e quando terminou fiquei contando as horas pra ver o próximo. Quando Muppet Show estreiou aqui, cinco anos depois, eu já me achava grande demais para Henson ( tinha 13 ). Minha paixão por ele é via Vila Sésamo. Os Muppets vim a descobrir já adulto, em vhs e em reprises na TV. Jim Henson sabia tudo sobre crianças, sobre o que elas pensam, querem e sentem. Sua morte fez com que o mundo ficasse muito mais pobre.
Todos aparecem aqui. Gonzo é meu favorito e até os dois velhos estão presentes. Emocione-se!

VINCENTE MINELLI/ GUERRA AO TERROR/ MAX OPHULS/ GEORGE CLOONEY

GUERRA AO TERROR de Kathryn Bigelow com Jeremy Renner
Estéticamente é um filme miserável. Usa e abusa de câmera tremida e é todo closes. Feito para tela pequena, para o nosso mundo de dvd. Mas mesmo assim é um excelente filme. Howard Hawks disse que para se fazer um grande filme bastam duas grandes cenas e nenhuma cena ruim. Este filme tem duas grandes cenas, mas tem uma muito ruim. O tiroteio no deserto é sua melhor cena. E o iraquiano amarrado em bombas é a outra. De péssima, a cena dos socos. Está longe de ser um filme profundo. O fato de merecer, sim, o Oscar de melhor filme, mostra onde estamos. Ele é superficialmente excelente. Ficamos absorvidos, vendo todo aquele som e fúria sem significado. Mas como em Tarantino, assistimos a talento puro sem assunto. Um adendo : Assim como nos anos 50 o tema válido era a normalidade ( o que é normal, o que é doentio ) e nos 60 era a busca por sí-mesmo ( quem eu sou e o que posso ser ), hoje o único tema relevante é a violência. Falar da violência é tocar no centro de nossa vida. Todos os outros temas são pouco urgentes. Para quem quiser saber, o grande tema dos 70 foi a paranóia, dos 80 foi o poder e nos 90 a dispersão da vida. Guerra ao Terror é retrato perfeito nosso : a guerra como guerra, sem heroísmo, sem vilões, sem política, sem porquê. Apenas um modo de se viver. De se viver intensamente. Como a droga. Nota 8.
NA TEIA DO DESTINO de Max Ophuls com Joan Bennet e James Mason
Para quem não sabe : Ophuls foi um diretor austríaco que emigrou para a Amércia durante a segunda guerra. Seu estilo é fluido, sensual, estético. Não foi feliz nos EUA e voltou para a Europa nos anos 50 onde também teve problemas com produtores. Tipo de diretor que poderia e deveria ter feito muito mais. Aqui, em clima noir, conta-se a história de mãe que protege a filha de chantagista que viu ela matar seu ex-namorado. Mason é um dos chantagistas que se apaixona pela mãe e paga por isso. O filme é simples, envolvente, bonito e magníficamente bem interpretado. James Mason, inglês com carreira nos dois continentes, era perfeito para esse tipo de papel, o de homem fragilizado. Um filme que representa outra era, o tempo dos filmes objetivos, curtos, diretos e profissionais. Nota 7.
A ÁRVORE DOS ENFORCADOS de Delmer Daves com Gary Cooper, Karl Malden e Maria Schell
Médico chega a cidade mineira. Começa a clinicar e se envolve com moça vítima de assalto. Ele é um homem estranho, bondoso e muito cruel ao mesmo tempo. Eis básicamente a sinopse do filme. Mas ele é bem mais. Coisas acontecem sem parar e tanto quanto o papel de Cooper, todo o filme parece meio doentio, torto, quase neurótico. Malden tem maravilhoso papel, um mineiro mentiroso que tenta violentar a moça. Gary Cooper é Gary Cooper, o maior ladrão de cenas de Hollywood, ficamos olhando pra ele sempre à espera do que ele vai fazer. O protótipo do que é ser astro. Daves foi com Mann e Boeticher, um dos últimos grandes diretores de westerns. 7.
O DIABO FEITO MULHER de Fritz Lang com Marlene Dietrich e Mel Ferrer
Ruim. Lang faz aqui um western todo errado. Se parece com uma sátira que não deu certo. Tenta ser leve e esperto, é apenas desagradável. Lang quando acerta é genial, mas quando erra é odiável. Este é puro ódio. Nota zero.
AMOR NA TARDE de Eric Rhomer
Quem não gosta de Rhomer acha que todos os seus filmes são iguais. Não são. Alguns são encantadores. Outros são menos que nada. Neste tudo é nada. Porque ? Muito simples. Como em Rhomer nada é artifício, tudo depende de nosso afeto pelos personagens. Aqui não se cria esse afeto. Olhamos aqueles caras falando e não queremos saber quem eles são ou o que têm a dizer. O filme naufraga. Nota 1.
AMOR SEM ESCALAS de Jason Reitman com George Clooney
Comentei este filme? Acho que só falei dele por alto. Bem... é o mais vazio dos filmes. Os personagens fazem coisas, mas o roteiro é incapaz de nos dizer quem eles são. Quando o filme se encerra continuamos não tendo a mínima idéia do que aconteceu. Porque na verdade nada aconteceu. Todos os personagens não têm razão de ser. E nem a irrazão do niilismo eles possuem. A menina deixa de ser dura e profissional sem qualquer explicação. Clooney se derrete porque ? Nada nos convence de nada. Para aceitar o que acontece precisamos desligar todo senso crítico, o que é lamentável. Pois o tema, se melhor escrito e dirigido com mais fibra, renderia um ótimo filme. Como está ele é xoxo, superficial e falso. Aliás, sua única verdade é seu conservadorismo. Sua mensagem explícita é : a família é o paraíso. Fora dela a vida não tem razão. É uma mensagem tão antiga que chega a ser vitoriana. É pré-Freud. Reitman, que produziu o filme com seu papai, Ivan Reitman, é o rei do cinema para meninos. Filmes fofos e sensíveis, isentos de qualquer raiva ou violência. Ah... e tem a trilha sonora ! Músicas de violão de vozes chorosas. São tão meladas que o CROSBY, STILLS E NASH perto delas é punk puro. Um horror !!!!! Mas há algo de bom neste melô, é George Clooney. Esse ator que destoa dos outros ( não tem músculos e tem cabelos brancos, sabe se vestir e fala com clareza ) aperfeiçoa aqui seu modo Cary Grant de atuar. Consegue passar alguma vida real neste filme tão castrado. No final chega a ser comovente sua vontade de dar profundidade a roteiro tosco. Ele é o filme. PS ; o filme me fez perceber que não estou fora deste mundo. O personagem de Clooney retrata superficialmente a minha condição espiritual : no ar. Uma pena este tema ter caído em mãos tão puerís..... nota 5 ( por Clooney, apenas )
ASSIM ESTAVA ESCRITO de Vincente Minelli com Kirk Douglas, Lana Turner, Gloria Grahame e Dick Powell
Voce quer saber o que é um roteiro perfeito ? Veja este filme. Uma mistura deliciosa de emoção e fantasia descabelada, de bons diálogos e ação corrida, drama e charme sem pudor. E com bons atores e um diretor esbanjando gosto. Que mais voce quer ? A história : Kirk é filho de falido produtor de cinema. O filme conta como ele reergueu essa companhia usando pessoas e roubando idéias. Quando o filme começa ( ele é em flash-back ) ele já faliu novamente e o que vemos são 3 de seus ex-colaboradores rememorando sua vida. Um diretor, uma atriz e um escritor. O filme cita deliciosamente a vida real. Lana Turner tem fixação pelo pai, estrela alcoólatra. É óbvio que esse pai é John Barrymore. Há ainda personagens que lembram William Wyler, King Vidor, Ava Gardner, Ramon Novarro, Billy Wilder e vasto etc. Tudo combinado de modo tão hábil que chega a nos causar um perene sorriso de prazer e cumplicidade. Kirk faz o tipo de papel em que é insuperável, o canalha. E Lana faz a alcoólatra ninfo em que se esmerou. Aliás o filme brinca com pólvora, tanto Lana como Gloria não eram fáceis. Lana, hiper estrela da Metro, envolveu-se em escândalo. Sua filha namorou o gangster de quem ela própria era amante. Tudo terminou em assassinato ( a filha matou o amante da mãe ) e Gloria era casada com o homossexual Nicholas Ray, amante de James Dean ( ele, não ela ). Gloria se separou de Ray e descobriu-se que ela tinha dúzias de casos, com homens e mulheres e até com um filho adotivo. Que elenco !!!!! O próprio Minelli era casado com Judy Garland, que morria de solidão, pois Minelli era outro caso de gay tentando mudar de vida e não conseguindo. Ela mergulharia nos remédios e ele continuaria colecionando porcelana. E fazendo filmes tão geniais como este e mais UM AMERICANO EM PARIS, O PIRATA, A RODA DA FORTUNA e mais alguns etcs... Assista este filme malicioso, fantasioso, adorável e divertidíssimo. Aprenda como se faz um filme sólido. Nota 8.

SODERBERGH/FELLINI/JAMES STEWART/CLINT/OZ

A ÚLTIMA CARROÇA de Delmer Daves com Richard Widmark e Felicia Farr
Um assassino condenado lidera grupo de religiosos através de terras de índios. Ele próprio é um índio. Simples, como todo western deve ser. Belas paisagens, bons personagens. Widmark agrada sempre, com seu ar de psicopata. Daves foi um dos bons diretores de ação dos anos 50. Diversão sem compromisso. nota 6.
A TRAPAÇA de Federico Fellini com Broderick Crawford e Richard Basehart
Se Bogart não houvesse tido seu câncer fatal, teríamos aqui um momento de antologia. Pois era Bogey quem iria fazer o papel do pequeno malandro, explorador de pobres diabos que nada têm. Com Crawford, este filme, feito entre La Strada e Cabíria, perde seu sentido. Um Fellini que não parece Fellini, pois é realista, documental, quase um Rosselini. nota 5.
IRRESISTÍVEL PAIXÃO de Steven Soderbergh com George Clooney e Jennifer Lopez
Reassistí este muito agradável filme. Do tempo em que Soderbergh era bom. Do tempo em que Clooney parecia querer ser um novo Cary Grant ( hoje é um novo Gregory Peck ). Do tempo em que Jennifer prometia ser uma futura comediante... O filme, sobre malandragens e trapaceiros, é delicioso. Junto com The Limey, é meu Soderbergh favorito. nota 7.
O GATO PRETO de Edgard G. Ulmer com Bela Lugosi e Boris Karloff
Inacreditávelmente picareta!!!! Um absurdo de diálogos ridículos, imagens de fru-fru, atores sem direção e roteiro amador. Bela tem o pior desempenho da história do cinema. Um tipo de ator pretensioso recitando má poesia colegial. Mas por tudo isso...nota 6.
SUBLIME DEVOÇÃO de Henry Hathaway com James Stewart e Richard Conte
Existem certos atores que nos fazem vibrar quando os vemos e ouvimos suas vozes. São como gente da família. Gente que visitamos por toda a vida e não nos cansamos de rever. Atores que fizeram muitos filmes bons e que portanto nos dão muitos motivos para visitar. James Stewart é um dos mais amados. Ele é simpático. ele parece confiável, ele jamais dá uma interpretação ruim, ele é um ícone. Aqui ele é um repórter que investiga um caso de assassinato. Ele não crê na inocência do condenado, mas acaba, lentamente, mudando de opinião. Este filme, sem trilha sonora, seco, duro e ágil, quase um documentário; é maravilhosamente bem dirigido pelo muito competente Hathaway, diretor de quase cem filmes e um dos gigantes que fizeram a glória da Fox. Um filme que te deixará muito tenso, ligado, interessado e torcendo muito. Roteiro e fotografia de gênio. nota 8.
COMEÇOU EM NÁPOLES de Melville Shavelson com Clarck Gable e Sophia Loren
Apesar do nome o filme se passa quase todo em Capri. Isso dito... que linda ilha!!!!! E como Sophia era bonita de se ver! Tão bela que chega a parecer irreal, um milagre da natureza. Ela hipnotiza nosso olhar, vulcaniza a tela e explode em vida e alegria. Genuinamente. O filme, uma comédia romântica, trata do contraste entre a América, fria, rica, eficiente; e a Itália, quente, pobre, preguiçosa. Felizmente toma o partido da Itália. Um dos primeiros filmes que ví em minha vida, numa velha Sessão da Tarde, no tempo em que filmes de Loren, Elvis, Jerry Lewis e Lucille Ball abundavam na tv. nota 6.
ALWAYS de Steven Spielberg com Richard Dreyfuss, Holly Hunter e John Goodman
Muito estranho o ano de 89. Enquanto Stephen Frears filmava uma obra-prima chamada Ligações Perigosas, Milos Forman fazia Valmont, baseado no mesmo livro. E enquanto se filmava Ghost, Spielberg fazia Always- o mesmo filme, porém, passado entre aviadores e sem metade do interesse do filme com Swayze e Demi. Um diretor do tamanho de Steven não tem o direito de fazer algo tão primário, tão mal construído, tão inútil. Cheio de romance que não emociona, ação que nada move, diálogos que nada dizem. Um desastre! nota zero.
COMO AGARRAR UM MARIDO de Frank Oz com Steve Martin e Goldie Hawn
Eu adoro Steve Martin. Como Jim Carrey, Will Smith, Kevin Kline, Clint Eastwood; adoro ver seu rosto na tela. Ele não precisa fazer muito para agradar. Basta estar lá. Este roteiro, bobíssimo, trata do velho tema de opostos que se descobrem apaixonados. Não faz rir. Mas se deixa ver sem problema algum. nota 5.
BRONCO BILLY de Clint Eastwood com Clint e Sondra Locke
Um tipo de Beto Carrero dos pobres. Essa é a história de Billy, um cowboy que com sua trupe de ex-detentos faz shows pelo interiror dos EUA. Um filme on the road, uma comédia amarga. O filme, bastante feito nas coxas, é barato, quase amador. E mal escrito. Clint, no tempo em que parecia sem grande talento, não se dá ao trabalho de dirigir os atores. Erros se acumulam. Faltam cortes, faltam segundas tomadas. Um filme muito estranho... nota 3.
O SOL É PARA TODOS de Robert Mulligan. com Gregory Peck, Mary Badham. roteiro de Horton Foote e música de Elmer Bernstein
Não é uma obra-prima. Não tem essa pretensão. Mas é um dos mais lindos filmes que já assistí. Comovente em profundidade, tudo funciona à sublime perfeição. Leia meu comentário logo abaixo. Coloco aqui um adendo : o filme tem a estréia de Robert Duvall no cinema. Entra mudo e sai calado. Seu personagem fica 3 minutos em cena. Veja o milagre que ele faz. Um discurso com os olhos... Quanto a Gregory e Mary... se houvesse nota maior que dez eu a daria.

SLUMDOG MILLIONAIRE/WILDER/TRUFFAUT

Que saudade do tempo em que comprei meu dvd ! Como foi magnífico o tempo em que comprei as caixas dos Marx, do Tarzan, do Bogey !!!!! Como foi delicioso colecionar Hitchcock, Lang, Ford. Descobrir os tesouros: Vigo, Clair, Murnau...
Invejo a inocencia de quem tem tudo isso para descobrir. Mas, vamos lá...
SLUMDOG MILLIONAIRE de Danny Boyle.
Fiz uma enorme força para adorar este filme. Danny é um cara legal, o filme está causando alguma sensação, quero gostar dele. Mas... após 10 minutos de encerrado voce o esquece. Porque ? Porque este filme padece de nada ter a dizer. Sua técnica existe enquanto ele roda. Depois que ele pára, nada fica. É como um corpo sem alma.
A influencia de Cidade de Deus é óbvia, como também o exibicionismo do camera-man. Toda tomada é elaborada, moderninha, diferentex. A câmera não trabalha em função da história, ela existe por si-mesma, presa em seu narcisismo futil. As crianças são ok, e a cena inicial ( na verdade a terceira cena ) da queda na bosta é muito bem ritmada. Mas depois cansa, e o filme parece muito mais longo do que é.
Me diga alguém : quem lançou a obrigatoriedade de que toda cena deve ser gravada como se a câmera estivesse dentro de um barco em mar agitado ? Pra que ? Eu quero poder olhar as cenas, pensá-las, observar o trabalho dos atores. Mas não: lá vem a onda tsunami, as cenas chacoalhando atrás do trio elétrico, a rapidez que nada mostra e nada conta, os cortes rápidos que impedem qualquer pensamento. Uma chatice esse jeito de filmar!!!!!
Mas o filme se salva pela simpatia dos atores. Nota 6.
A PRIMEIRA PÁGINA de Billy Wilder com Jack Lemmon, Walther Mathau e Susan Sarandon.
O texto de Ben Hecht e Charles MacArthur é um clássico. Aqui ele é filmado pela terceira vez. Este, um dos últimos filmes de Billy, foi massacrado na estréia e se tornou um dos seus grandes fracassos. Injustiça! O filme é de uma maravilhosa leveza!!! Todos os diálogos ( ferinos, duros, diretos, brilhantes ) pulam como bolas de ping-pong e os atores que os dizem ( cheios de alegria e vontade de atuar ) se divertem com a lucidez da coisa toda.
Espertamente, Billy liga a máquina e deixa o show rolar ( em sua biografia ele conta várias vezes gostar de diretores que dirigem sem chamar a atenção ao seu próprio trabalho ). Duas horas de completo prazer. nota 8.
O MORRO DOS VENTOS UIVANTES de William Wyler com Laurence Olivier, Merle Oberon, David Niven.
O livro é infilmável. Como filmar a paixão obsessiva ? Como ?
Wyler é um grande diretor ( o mais premiado da história, ao lado de Ford ), mas falta ao filme a paixão louca que o livro tem. Olivier está correto, mas Merle é um completo desastre! É como dar Macbeth para Ben Affleck. Fotografia estupenda do mestre Greg Tolland. nota 6.
O MUNDO EM SEUS BRAÇOS de Raoul Walsh com Gregory Peck e Anthony Quinn.
Caraca! Quanta ação! Walsh foi uma das figuras mais míticas da velha Hollywood. Tapa-olho na cara, megafone na mão, começou como ator ( nos filmes mudos ) e ao perder uma vista virou diretor. Antes disso fora aviador e corredor em Indianápolis ( o legal é que os caras do cinema antigo não sonhavam em ser autores, portanto não eram ratos de cinemateca- eles viviam e tinham muita coisa pra contar ). Este filme tem brigas, viagens, traições, muito mar, socos e bebediras. nota 8.
MY BLUE HEAVEN de Herbert Ross com Rick Moranis e Steve Martin.
Martin passa todo o filme imitando De Niro. Mas colocar Moranis no papel principal... ele é um grande vazio na tela! Roteiro de Nora Ephron, ou seja, ruim. nota 1.
O AMOR CUSTA CARO de Joel Coen com George Clooney e Zeta Jones.
Assiti no cinema em 2002 e desgostei. Errei. É uma bela comédia frívola. Bons diálogos, boa direção, boa diversão. Clooney dá um show e mostra ser o Cary Grant de sua geração. 7.
UMA JOVEM TÃO BELA COMO EU de Truffaut com Bernardette Lafond, Charles Denner.
O maior fracasso de François. Mas não é tão ruim. Uma comédia doida, bastante amoral, corrida e até histérica. Os primeiros 30 minutos são excelentes. nota 4.

cary grant, george clooney e clarck gable

Quem já assistiu algum filme de Cary Grant sabe do que falo. Ele parecia ter nascido dentro de um terno feito sob medida. Tudo nele era pura elegancia. Nunca afetado, sempre simples.
As mulheres o adoravam porque ele parecia ser protetor, adulto, confiável. Era bonitão, mas não tinha traços femininos. Jamais corria atrás das mulheres, parecia não precisar delas, parecia poder viver bem e ser feliz sem ninguém. Passava a imagem de alguém que sabe viver, sabe ter prazer, mas sempre com discrição, suavidade, tato.
Muita gente diz que George Clooney é a reedição de Grant.
Realmente ele tem o mesmo queixo, usa bem ternos sob medida, não ostenta sua natural elegancia e envelhece sem drama algum. Mas ele tem uma certa infantilidade que Cary jamais exibiu. Clooney é muito mais um Clarck Gable, mais macho que Grant, menos suave e um pouco desleixado.
De qualquer modo, George Clooney é o único ator com menos de 50 anos que une elegancia a virilidade, boas atuações com charme inteligente, um certo " não estou nem aí " que nele parece autentico.
Os outros atores de sua geração parecem muito pouco viris se comparados a ele ( Depp, Keanu, Pitt ) ou destituídos de qualquer sombra de atração ( Hanks, Carrey, Spader ).
Ele é uma anomalia neste tempo em que todo ator fala grunhindo, se veste como um pedreiro e se comporta como um presidiário.