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johnny hartman john coltrane

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JOHN COLTRANE E JOHNNY HARTMAN. A BELEZA É UM PRAZER ETERNO

John Keats escreveu que a thing of beauty is a joy for ever. É o que pensei assim que esse disco começou a rodar. --------------- A voz de Johnny Hartman parece vir de outro mundo, um mundo melhor. O timbre tem a ressonância do âmago do cosmos. Surge entre névoa estelar, ecoa como memórica. Penso: o que perdemos quando deixamos de dar valor a voz como essa? Perdemos beleza e com isso entramos no vazio do não-valor. ----------- John Coltrane se contém. Nada dos solos febris ou das mirabolantes evoluções religiosas, é um Coltrane belo, puro, suave, de uma perfeição apolinea. A banda também se contém, McCoy Tyner dedilha breve, um pianista de bar, Jimmy Garrison está sóbrio e Elvin Jones, mesmo o diabólico Jones, toca seus tambores com suavidade. Tudo é feito para o brilho da canção, e que canções! Hartman tem a voz para fazer justiça ao repertório, a balada romântica americana. Ouvir este album é se apaixonar. Pelo som e pela garota ao seu lado. Não tem como não se deixar seduzir. ---------------- Por falar em sedução, a música do século XXI, em sua imensa maioria, não seduz, ela se exibe em balcão de boteco. Ela exige atenção, implora reconhecimento, se faz presente em histeria. Nada menos cool. ( Alguém sabe o que é cool? Usar roupa cara e botar os peitos pra fora não é cool. Fumar charuto e andar num Bentley é cool? Não é. ). Cool é o oposto do século atual, é não estar nem aí. É fazer pouco caso do hype. É não querer chamar a atenção de ninguém. Este disco é o mais cool dos discos. --------------- Dizem que Coltrane o gravou para ajudar Johnny Hartman que estava em baixa. Pois Trane acabou ajudando todos nós. O disco nos eleva e nos faz melhores. Uma obra prima de apenas 31 minutos. Joia das mais raras. Um monumento.

John Coltrane 4tet "A love supreme" | Archive INA

A LOVE SUPREME - JOHN COLTRANE

A geração nascida nos anos de 1940 ouvia muito jazz e assim, o sax de John Coltrane se tornou uma influência enorme no rock. Roger McGuinn em Eight Miles High solou como se sua guitarra fosse o saxofone de Coltrane, mas não só ele. De Robert Fripp à Jimi Hendrix, todo guitarrista pegou a liberdade solar, as notas abundantes, as harmonias orientais do músico de jazz. A Love Supreme, um dos muitos discos da curta e rica carreira de John Coltrane é, ao lado de Kind of Blue, de Miles, o disco mais famoso e mais vendido do estilo. Ouço-o após mais de 20 anos sem o escutar.-------------------------- John Coltrane era espiritual. Ele quer que ao ouvir seu som voce entre numa espécie de meditação profunda. O que ele faz com sons é aquilo que Jung chamava de Mandala, uma paisagem sonora que expressa o inconsciente coletivo. Cada nota, e são milhares, é parte de uma paisagem de energia pura. O ideal seria que sua alma flua entre e dentro dessas partículas sonoras. -------------- Muitos críticos na época atacaram esse som. Lembro de alguns falando que Coltrane destruíra o swing, que seu som não tinha balanço. Era um ruído que destruía o swing de uma banda cheia de calor e de beat. Elvin Jones na bateria, Jimmy Garrison no baixo e McCoy Tyner no piano, realmente eles são hot. E se voce quer saber de onde Mitch Mitchell tirou seu modo tão incrível de tocar bateria, foi daqui, de Elvin Jones. ------------------------ Hoje este disco é um clássico e não há mais crítico que não o aceite. Quanto a mim, Coltrane não é meu tipo de saxofonista preferido, eu sou da turma de Lester Young, notas longas, poucas notas, a transformação de cada nota em uma melodia. Mesmo meus guitarristas favoritos são assim, econômicos. Portanto é preciso dizer que A Love Supreme é, sim, uma obra prima, mas me incomoda sua sonoridade pouco Thelonious Monkiana. De qualquer modo, seria um despedício voce passar pela vida sem ter conhecido este album.