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PEDAÇO DE PLÁSTICO
Eu vi um homem descendo a Serra com um pedaço de plástico na frente do rosto. Assim como um outro de frente ao mar com um outro pedaço de plástico na frente dos olhos. Diante de um show, onde coisas aconteciam no palco, uma mulher manteve a cara detrás do plástico todo o tempo. E vi um casal, à mesa, olhando cada um para seu plástico enquanto não observava mais nada. O poder, esse adora o pedaço de plástico, porque logo notaram que as pessoas não iriam querer mais nada. Nem livros, nem carro, nem casa, nem posse nenhuma, apenas um pedaço de plástico na frente da cara para dar a sensação de se ter tudo. ---------------- Não, voce nunca esteve na Koreia e não é modelo, pois jamais posou para nada a não ser para o pedaço de plástico. Voce não é um escritor pois escreve apenas no plástico, ninguém te paga, não te criticam, não pensam naquilo que voce escreve. Quando voce morrer voce deixará de ser. Não, fora do plástico voce é apenas um homem vestido de mulher, são seus amigos do plástico que te chamam de ELA, mas na vida biológica voce é o que nasceu. Voce jamais deu um tiro, por mais que esteja em guerras virtuais, é apenas um pedaço de plástico, e voce não é um jogador de poker, pois nunca pisou em um cassino. É só o plástico onde voce olha. -------------------- Suas emoções nascem e morrem nesse plástico, nessa tela, nesse pedacinho de nada. Olhe pra fora dele e veja que voce não tem nada, não fez nada, não vê nada. É só lixo plástico, não é mais nada.
SE FOI A CASA DAS ROSAS
Derrubaram a casa cor de rosa da esquina. Ela tinha uma linda janelas com losangos de ferro e um jardim bem cuidado, cheio de rosas brancas e vermelhas. Havia uma cadeira onde uma senhora tomava sol e as janelas estavam sempre abertas para deixar o sol entrar. Passei lá ontem e vi no lugar um terreno vazio. A terra lisa, sem um só capim e os tijolos retirados e levados embora. O silêncio agora tomou conta daquela esquina. --------------- Antes: Passei em frente aquela mesma casa e eu andava pelas ruas com uma canção na cabeça. Eu a cantava baixo, entre os dentes. Uma menina saía da casa acenando para a mãe. No outro lado da rua, em frente, um homem lavava seu carro, água de mangueira. Era setembro. Três mulheres vinham trazendo o pão nas mãos e uma delas mancava. Dois meninos se deixavam levar pelas bicicletas. Mais adiante a grama era cortada e um caminhão estava quebrado. Pela porta da sala se podia ver a mesa posta para o café da tarde e em outra porta se via a televisão ligada. Um cachorro pulava o portão voltando de alguma fuga. A menina que eu conhecia vinha pela calçada com os livros contra o peito. Ali um garoto gritava o nome Walter. Lá a mãe, de quem?, chamava o moleque para apanhar de cinto. Na rua de baixo estavam jogando taco, ouvia os gritos. A velha japonesa andava devagar com a sombrinha aberta. Eu parava pra ver o sapateiro martelar a sola de uma bota. Esses bairros tinham um tesouro, suas crianças, e por isso todos cuidavam delas. O filho da Fernanda, o filho do Mario, a filha da Clélia. Todo lugar era estar em casa, toda casa era o lugar certo para estar. Quando o calor apertava havia o porão de casa ou a beira do córrego. Sempre havia água por perto, lagoa, bica, poço. Dentro de casa era chato. ------------------- Mas agora a esquina está vazia e o que farão lá não vai ter água e nem porão. Nem rosas e muito menos velhas com pão. O bairro não terá tesouro algum. E quando derrubarem, no futuro, o que lá agora irão fazer, ninguém haverá de lamentar.
SE VOCE NÃO SUPORTA ASTROLOGIA NÃO LEIA ISTO
Não há como um planeta, por exemplo Vênus, influenciar a vida aqui nesta Terra. Eu jamais cheguei perto de crer nisso. Porém há algo de simbólico na astrologia que me diverte ( divertir é a palavra exata e nela nada há de irônico ). Por uma estranha coincidência, ou sabedoria antiga, existem pessoas que são taurinas ou cancerianas, que apresentam o perfil como o do dito signo. Jamais penso que isso se deve ao fato de fazeram aniversário dia 12 ou dia 31, o que imagino é que ocorra aí alguma espécie de intuição ou coincidência que não tenho como entender ou provar. Me envergonho de gastar tempo pensando nesse assunto? Não. Na pior da hipóteses se trata de um brinquedo, na melhor é uma intuição arcaica. ----------------- Na astrologia, talvez a mais interessante das coisas, é que eles dividem os ciclos da história em períodos de 2 mil anos e esses ciclos caminham no sentido inverso ao astrológico. Cada 2 mil anos um signo começa a reger a história humana e esse relógio caminha em sentido inverso. Então desde o ano zero de nossa era, o nascimento de Cristo, estivemos sob a regência de peixes, e agora começamos o caminho de aquário, que durará 2 mil anos. É interessante observar isso. Antes de Cristo vivemos dois mil anos sob o signo de aries e isso faria da vida na Terra algo radicalmente diferente do que conhecemos. História, religião, arte, política, tudo teria sido tingido pelas cores de Marte, ou seja, militarismo e guerra. Os maiores nomes seriam os de guerreiros, as relações humanas se dariam por valores como dever, honra e coragem e tanto o mundo do espírito como o da carne teriam a prevalência da agressividade egoísta de aries. Coincide? Parece que sim e eu não sei o porque. ------------------ Já sob peixes teria havido uma virada. O militarismo deixa de ser o centro da vida ( continua a haver, lógico, mas de outro modo ), a religião passa a ser o assunto central do planeta. Teríamos vivido dois mil anos de auto sacrifício, de humildade, de culto da passividade, de humanismo espiritualizante. Em peixes se encontra criatividade e fé, mas também preguiça e medo. Teria sido a mais frágil das eras. Será? --------------------- Agora estaríamos adentrando um mundo absolutamente diferente de peixes, radicalmente oposto ao que vivemos até aqui. E talvez venha daí nosso mal estar. Religião, arte, amor, guerra continuarão a existir como sempre existiram, mas tudo isso terá um caráter aquariano e como seria esse caráter? Inumano. O amor aquariano é um amor ao geral e uma completa frieza ao indivíduo. Aquário ama conceitos, a humanidade e não o homem como ser separado do todo. A religião seria científica, assim como a arte teria de possuir uma função social. Entenda, nada do que entendemos como arte seria "a arte" desta nova era. A arte de peixes é a arte da alma, do espírito, e agora a arte seria do bem comum, de todos. Se algo no que falo faz voce pensar em ditadura voce acertou. Para aquario ditadura ou democracia não faz sentido, o que importa é o funcionamento do organismo social como ser vivo. Não importa a liberdade ou mesmo a felicidade, o que interessa é o conceito de progresso. Progresso como vitória sobre as necessidades e carências biológicas. Aquário criará o pós humano, o homem que não mais é escravo da biologia. -------------- Será? Parece que sim e não deixa de ser bela coincidência observar que aquário casa com isso.
AGONIA E ÊXTASE, FILME DE CAROL REED SOBRE UM INDIVÍDUO. E O FILME DE NOLAN.
Li recentemente a afirmação de que a Reanscença criou o homem como indivíduo. Claro que Julio César e Platão foram personalidades completas, mas é na renascença que pela primeira vez o Homem se vê sozinho diante do Universo. Crendo em Deus ou não, ele está só com sua vida e deve fazer dela aquilo que lhe é reservado. Isso, em 1350, era novo, único, inusitado e isso dura mais ou menos até hoje. ------------ No digno filme de Reed ( Carol Reed foi um grande diretor inglês ), Michelangelo se vê às voltas com a pintura da Capela Sistina e com o Papa Julio, um papa guerreiro. Charlton Heston faz o artista, e faz com mérito. Tememos o tempo todo que ele imite Kirk Douglas fazendo Van Gogh, mas não. De todo modo, Rex Harrison engole e janta Heston. Estupendo ator, Harrison faz um Julio delicioso. É maravilhoso prazer ver ator como Rex Harrison. Ele parece ter gosto em atuar e assim temos gosto em olhar para ele. ---------------- Mas eu preciso falar de uma produção atual que obviamente não irei assistir. É a nova versão da Ilíada, feita por Nolan. A linguagem será a mesma de uma versão POP tipo HQ e Aquiles será feito por Ellen Page que agora é Elliot. Já Helena será, óbvio, negra. E realmente feia. WEEELLLL....leio o crítico dizendo que o objetivo é desmerecer a cultura branca, machista etc etc etc. Mas dá pra ir mais fundo. O que acontece é a destruição da Renascença. -------------------- Tudo no wokismo pede a vulgarização da pessoa. Não mais herois, não mais personalidades imensas, não mais INDIVÍDUOS ÚNICOS. Diversidade que possui cardápio, voce pode ter mil sexos, mas não pode sair do woke. Quando voce coloca Helena, a mulher tão bela que provocou uma guerra, como uma mulher comum, voce está dizendo que a mulher mais linda do mundo não existe, ou melhor, ela NÃO DEVE EXISTIR. Do mesmo modo, o heroi, Aquiles, é uma pessoa frágil, assim como o mais frágil dos meninos do ensino médio. Aquiles nada tem de especial. ------------------- A mensagem é clara ( desculpe pelo clara ), ninguém é especial, ninguém é único. Jung deve estar irritado se pode nos ver. --------------------- O filme de Carol Reed tem efeito contrário. Ele afirma a certeza de que existem gênios, que seres humanos podem ser gigantes e de que devemos e podemos ser como eles. Ou tentar ser. Voce termina o filme se sentindo um pouco artista e um pouco menos banal. E se sentir especial e único é tudo que nosso tempo não quer que sintamos.
O BAIRRO MORREU
Desço do carro e olho a esquina da rua Iaiá com João Cachoeira. Derrubaram o bar do meu pai. Tapumes cobrem a esquina toda e onde estava o bar há um vazio. O lugar parece sujo. ----------------- Onde está o Extra? Um quarteirão inteiro foi destruído. Não só o Extra como todo o comércio ao redor. Noto então o que aquela região se tornou. ------------------ O comércio do Itaim está destruído. Comprados a preços de desespero, todo o bairro se transforma em imensos prédios de vidro e cimento. Onde antes se viam lojas com suas portas abertas, empregados e donos em trabalho de recepção, agora há fachadas mortas, sem vida, fechadas, anônimas. Carros que passam com pressa e poucas pessoas que andam na calçada. Buracos onde não havia, sujeira onde sempre foi limpo, pessoas indiferentes ao bairro, pois é o comércio que ama a rua, não aquele que vive no décimo oitavo andar. ------------------- Em 1984 eu fui à inauguração do Mappin Itaim, Mappin que depois virou Extra. Esse Mappin era voltado à elite e tudo nele transpirava luxo. Havia um café estilo inglês lá no alto, ao ar livre. Muito dourado, muito espelho, muito tapete macio. O Itaim queria ser Jardins e a certeza de crescimento comercial era absoluta. Quando abriram a Nova Faria Lima a festa foi total. Eis nossa Paulista. ----------------- Ninguém imaginava que a própria Paulista se tornaria India. E que o Itaim seria comprado por duas construtoras. A Faria Lima, a mais morta das avenidas, se fez cemitério com túmulos de trinta andares. O Itaim, o mais risonho dos bairros, nascido familiar e feito para ser vila, hoje é uma ruína composta por comerciantes, os últimos, desesperados, e moradores que mal conhecem a rua onde moram ( e onde não vivem ). -------------------- Saio de lá triste.
ONDE ESTÃO AS PESSOAS ORIGINAIS?
Nosso tempo odeia e teme a originalidade. Entre pessoas de 70 ou 80 anos voce ainda encontra "a figura", o excêntrico, mas não nos demais. Nos acostumamos a esperar o que se deseja, a ter aquilo que se pede, a ir ao encontro do que se acha que se precisa; e o inesperado, o desafiador foi abandonado. Em todo carro cinza ou prata, em cada roupa de cor pastel, se afirma o mais do mesmo. Mas também nos bandos que se afirmam como "diversidade" se produz o comum e o vulgar. Nas milhares de mulheres de cabelo rosa e tatuagens fofas, nas barbas que desfilam aos milhões, o que vemos é o fato de que os conhecemos antes de os conhecer. Aquele será de esquerda e como tal terá gostos e opiniões de esquerda. O mesmo com aquele de direita. Já aquela figura, uma trans, será banal até em sua voz, pois todos eles repetem não só discurso como o timbre vocal e o gestual. O que se anuncia como artista será o mais vulgar entre todos. Exporá sua fala decorada e amará aquilo que fica bem ao seu grupo. -------------- Entre os jovens, entre eles que se esperaria o invulgar, a coisa é pior. O medo de ser diferente dita tudo. Eles serão "do grupo". Em 18 anos vivendo entre eles, conto 8 ou 9 almas originais, surpreendentes, ousados. Os demais são repetições ao infinito da mesma vida e do mesmo diálogo. Se a função da vida é se individualizar criando uma alma, então posso dizer que desde a Idade Medieval não somos tão fracassados. E quando falo era medieval não falo do ano de 1.100 ou 800, pois esses foram anos de vida exarcebada, falo daquilo que se pensa ter sido erroneamente toda a idade média: massa de pessoas tementes a Deus e à Igreja e se portando-pensando como fossem uma só personalidade. Substitua Deus por ideologia e igreja por moda e vocé terá o mundo em 2026. --------------- Uma personalidade original é maravilhosa. Ela prova a realidade da alma. Ela possui vida e liberdade. Ela, que não tem consciência de ser original, pois o não vulgar de fato jamais procura ser propositalmente diferente, é uma pessoa que fertiliza. Onde ela está as coisa despertam e acordamos com elas. E talvez aí resida a atual aversão ao original. A pessoa que é ela-mesma nos acorda e nosso mundo ama o sono. Queremos ser zumbis distraídos em sonho desperto. Vivemos na nuvem da inconsciencia, balbuciando palavras sem peso e que mal sabemos para que servem. O original nos tira desse mundo vago onde esperamos e queremos mais do mesmo. --------------- Procure então voce ser diferente. Como? Ousando ser voce mesmo. É ardua tarefa mas nada justifica sua vida de modo mais nobre que isso. E é uma tarefa discreta, silenciosa. Boa sorte.
RACIONALISMO EM POLÍTICA - MICHAEL OAKESHOTT
Professor inglês, viveu entre 1901 e 1990. Seu conservadorismo é lógico, claro, muito lúcido. Foi professor em Oxford. --------------- Foi a partir do século XIV que a individualidade passa a ser motivo de ambição. Fazer parte de uma comunidade ou de uma profissão deixa de ser o motivo maior, o que se passa a desejar é poder assinar sua passagem pelo mundo. É aí que a prática deixa de ser o centro do saber e a razão começa a ocupar seu lugar central. --------------- Por que a razão? Ora, prática requer tempo de saber, requer execução repetida, requer um mestre. A razão pede apenas um manual. O que a vida racional pede é que o passada seja apagado, sua mente esvaziada e preenchida pelas instruções de um manual. Isso é rápido, descomplicado, objetivo. Lentamente, século após século, a Europa e depois os EUA, passam a desvalorizar a história, o passado, e a criar um vazio, amplo e limpo, onde a razão pode ser instalada. A história passa a ser vista como tempo de horror, de violência irracional, de injustiças, tempo onde não havia a ditadura racional. E o hábito, ou o costume, é eliminado como lixo sem razão. ------------------ Logo esse modo de agir se infiltra na família. Não importa mais quem era ou o que sua família representava, voce se vê como um ser livre, vazio, pronto para ser o que desejar ser. Uma lousa em branco. Um ser da razão. Racionalmente nada te obriga a se parecer com seu pai. Não há razão alguma para seguir o rumo familiar. Tudo que existe é uma razão que deve ser usada. Livremente. ------------------ Não se percebe que a razão é uma prisão. ------------------- Na política o domínio logo se faz notar. Se antes o ser político tinha como característica uma imensa experiência de vida e o dom familiar da diplomacia, agora basta seguir algum manual de política. Maquiavel e O Príncipe ou Karl Marx. Ou ainda a constituição dos USA, pois os EUA são um país nascido da vazio, feito e dirigido com um manual prático e democrático. ----------------- Logo, a partir do século XIX, a razão passa a ser a única força a agir no ocidente. A religião tem de se provar prática, a arte precisa ser compreensível e ter seu manual de interpretação, a política aberta a todos que desejem seguir algum manual, o trabalho especilaizado e pior que tudo, a educação deixa de ser adquirir cultura, mas antes aprender algum manual. -------------------- Ontem fui visitar um belo antiquário. Ficamos impressionados com a beleza detalhista de espelhos, armários, estantes. Cada canto enfeitado por algum detalhe que exibe a técnica do artesão. Tudo dando alimento para que voce usufrua da imaginação. Convites ao sonho e ao relaxamento. Pois bem, racionalmente nada daquilo faz o menor sentido. UM sofá deve ter um assento e um encosto, mais nada. Um espelho precisa refletir sua imagem. Todo o resto é PESO HISTÓRICO. É inutil. Tão inutil quanto seu avô. Foi esse pensamento, racional, que nos fez destruir todo centro histórico de SP e ocasionou duas guerra na Europa que visavam apagar todo o passado ( e conseguiram ). ------------------- No mundo político anterior, um senador ou um Lord discutia política do dia a dia. Cada momento visava manter a história em seu ritmo constante. Um fato tinha valor por ter sido aprovado pelo costume. Se sempre se fez assim, porque não manter? Esse tipo de pensamento é para a razão sinal de obscurantismo, de irracionalidade e de tola teimosia. O manual requer a mente vazia para que ele possa ser absorvido. ----------------- Um manual tem aquilo que pode ser posto em páginas escritas: instruções. Ele é perfeito para quem não tem prática e nem grande cultura. Requer apenas que voce esteja disposto a decorar. E para decorar sua mente precisa estar vazia. Esse o mundo democrático aberto para todos. Não importa se voce tem a prática e o dom do saber. Siga o manual. A nação que melhor representa o tempo da razão são os EUA, país feito no vazio, sem passado, para pessoas que seguem algum manual técnico. Já o socialismo ignora seus fracassos porque ele ignora o passado. Sua atenção é voltada apenas ao manual. Se a coisa na vida real não deu certo é porque o manual não foi bem seguido. ------------------- Oakenshott percebe que o ensino do futuro será via correio, voce recebe o manula em casa e usa a técnica decorada. Escrito em 1946, este texto, que influenciou toda a direita inglesa, é claro, simples e de uma coragem imensa. Obrigatório.
A GUERRA DE HOJE
Muitas pessoas, a maioria, ainda estão pensando a guerra em termos de século XX. A Russia na Ucrânia luta uma guerra de invasão típica de 1970. Ou 90. Uma luta estúpida, dura, cara. Os Estados Unidos têm nos mostrado que a guerra do século XXI é uma guerra inteligente. Não se coloca soldados em luta para invadir a capital e capturar seu comando. Se vai direto ao comando após meses de espionagem e planejamento. Não se usa uma bateria de 100 tanques. Se usa uma arma construída para aquele fim. Se a Russia estivesse em 2026 já teria a muito matado o presidente ucraniano e destroçado o comando de guerra. ------------------ Todo século tem um novo estilo de guerra e as pessoas acham feio, hoje, falar de guerra. É como se ao falar disso eu compactuasse com a guerra. Primeiro fato, guerra é como um vírus ou a fome, ela existe. Sempre existiu e sempre vai acontecer. É um mal porque mata, porque causa dor, mas ela é parte de nosso DNA. Então é bom estar preparado para ela e saber algo sobre o assunto. -------------------- A guerra do século XX é a mais estúpida da história da humanidade porque ela era feita de aço e fogo. O exército era feito para esmagar o adversário, com o máximo de peso e de brutalidade possível. O que importava era o tamnho da armada, a quantidade de bombas e de balas. Essa guerra, a de 1970 ou 1940, era totalmente diferente daquela de 1870 ou 1890. No século XIX tudo se baseava no cavalo, na rapidez da cavalaria e na ordem do pelotão. O grupo mais disciplinado vencia. O soldado era como um tijolo, ele tinha de se manter firme e cumprir sua função dentro do pelotão. O objetivo não era esmagar, era cercar e capturar uma posição. -------------- Quem trouxe a guerra de esmagamento, de destruição total, a guerra do século XX, foi a formação de blindados e a aeronáutica. Quem criou a guerra do século XIX foi a cavalaria de Napoleão. E quem cria a guerra de hoje é Israel. Os EUA a ampliaram. ------------------- Não se despejam toneladas de bombas a esmo. Se jogam 20 misseis no alvo. Não se envia um grupo de 40 aviões, se envia um avião com quatro a escoltar. Não se matam 20 mil soldados para então entrar na capital e fazer o lider se render. Se mata o líder e se ignora a capital. Não se esmaga. Se atinge o alvo e se captura ou destroi o cérebro do inimigo. ----------------- O Irã irá lançar montes de bombas a esmo para todo lado. A maioria vai atingir o deserto, outras atingirão pessoas civis que não farão a menor diferença. E por sorte, algumas irão acertar um quartel ou um avião. Essa é a guerra antiga, e ela só poderá vencer, hoje, se houver material o bastante para manter tanto despedício de munição. E se o adversário lutar também a guerra antiga. Caso contrário a derrota é certa e o desespero fará com que as bombas, inuteis, continuem a ser lançadas até o fim. Novos tempos, eis os novos tempos.
HEDONISMO
O hedonista se tornou um paria em uma sociedade que vive para o prazer. Parece um absurdo falar isso, mas é um fato. E basta parar e observar. ---------------- Parar é um ato hedonista e nós desaprendemos a ficar parados. A diversão é uma espécie de esforço e ter prazer é um trabalho. Vivemos dentro desse mundo sem sentido e estamos tão imersos nisso que mal percebemos. --------------- Comer se tornou suspeito. Ou comemos para ter saúde ou comemos com tanta ansiedade que não conseguimos parar. Não se come pelo simples prazer de saborear. E isso acontece com tudo. Vemos um filme para termos emoções, para aprender algo, para ser consolado, para conhecer. Quase nunca nos dirigimos ao filme com este pensamento: que prazer será ver esse filme! Pior ainda são as viagens. ------------------ Um hedonista viaja sem plano. Ele viaja para ter prazer NA VIAGEM. Mas hoje viajamos para ir a tal lugar e conhecer tal cidade. --------------- O mais estranho em tudo isso é que havia antes, talvez até 1990, uma reserva de hedonismo no mundo. Nós sabíamos que artistas, em sua maioria, eram hedonistas. Sabíamos que músicos de rock eram hedonistas. Uma banda como os Stones, ou o Led Zeppelin, tinha como filosofia o prazer puro e simples. Transe para gozar, se drogue porque é gostoso, caia na estrada para ser livre e seja livre para...ser livre. Havia uma promessa de hedonismo, de sol e corpos soltos em toda a estética desse grupo social. Isso terminou. O rock hoje, se é que ele ainda existe, tem missão, tem ética, tem função, tem um porque, ou seja, é estoico. E não há nada menos rocknroll que o estoicismo. ---------------------- Politicamente a esquerda nasce dentro de um estoicismo ateu. Ele tinha o sentido de trabalho e de sacrifício da religião. Mas dentro da esquerda haviam grupos, muitos, que pregavam um hedonismo radical. A vida devia ser vivida em absoluta liberdade, sem regras e sem freios. O trabalho deveria ser abolido e a vida em comunidade era um eterno saborear. Esse era um tipo de hedonismo infantil, fake em sua filosofia, mas mesmo assim tinha algo de autêntico. Em 2026 tudo isso foi varrido. Existe hoje um modo de ser junkie, uma filosofia rígida para gays ou trans, uma luta árdua que deve ser travada por libertários, uma ideologia intransigente para aqueles que pregam o fim do trabalho. São todos estoicos. E o mais triste e ironico é que se consideram livres. --------------- O hedonista busca o prazer todos os dias, é um habito de apreciação do ato de viver. O sol pode dar cancer, mas pegar sol é bom, dá prazer e então eu o faço. O que como é aquilo que gosto e não aquilo que limpa meu organismo. ---------------------- Gosto de usar o exemplo da maconha. Um maconheiro estoico, eles existem, fuma por que tem um objetivo. A erva diminui sua ansiedade. Ou ajuda no sono. Um hedonista fuma porque gosta. Esse é sempre o motivo do hedonista, gostar. O estoico precisa de um alibi para o prazer. É como se o prazer fosse um pecado e ele devesse criar um motivo para cada ato potencialmente prazeroso. Exemplo maior é o sexo. Transar diminui a pressão arterial. Transo porque amo essa pessoa. Transo porque favorece minha saude mental. Transo para ter companhia na vida. O hedonista dirá: transo porque sinto desejo por transar. --------------------- A vida é simples na vida hedonista e por isso a relação do hedonista com o tempo é melhor. O tempo flui mais lento para ele, porque é o tempo da natureza e não o do relógio. ----------------- sim, eu sei que voce precisa lutar pela vida e que o hedonismo parece um luxo de imperadores romanos ou de milionários tarados. Posso te garantir que hoje nem estrelas de Hollywood são hedonistas. Todos devem ter um papel social e cuidar da saúde física e mental por TODO O TEMPO. Se voce é pobre nada te impede de olhar a lua e ficar à toa sem fazer nada, desprezando a TV e o tempo da sua programação. Nada te impede de apreciar uma cerveja, com lentidão e gosto. Ou tomar um banho por puro prazer e não apenas por higiene. O hedonismo é um modo de fluir no tempo e de apreciar a vida que independe do que se tem e de onde se está. O sol estará na rua quando voce vai ao trabalho, basta lembrar que ele existe. A vida será sua e o prazer é seu.
JÁ PEDIRAM PERDÃO À MICHAEL JACKSON?
Diziam que o arquivo de Epstein era delírio da direita. Assim como riam das acusações de sequestros infantis em Marajó. Sim, havia uma ilha onde crianças dopadas eram oferecidas ao prazer de famosos atores de Hollywood ( entre outros ). O que garanto é que nunca mais conseguirei ver filme nenhum desses monstros. ------------ Enquanto isso diziam que Mel Gibson era um mal caráter. Keanu Reeves uma fraude. E Tom Cruise um louco. O que havia em comum entre eles é que nenhum deles gostava de Epstein. Assim como Jim Carrey, que largou Hollywood enojado. ---------------- A pena para quem abrisse o bico era se tornar pária no cinema e na TV. Filmes só se ele mesmo produzisse. Festinhas de lançamento nunca mais. Prêmios? NUNCA! -------------------- Macauley Kulkin abriu o bico hoje. Michael Jackson odiava Epstein e Neverland salvou o menino de ESQUECERAM DE MIM. Jackson, alvo de zombarias e suspeitas, era, com eu falo desde sempre, um menino assexuado, um homem inteligente, adulto, mas que sexualmente nunca saíra dos 10 anos de idade. Não era fácil ser rotulado como freak ao se interpor à Epstein. Jackson não teve a coragem de expor o jogo. Trump teve. Desde 2005. E veja o que voce pensa que Trump é. Entendeu o jogo? Ou tenho de desenhar? ---------------------- Aqui no Brasil, Luciana Gimenez esteve na ilha aos 14 anos. E crianças brasileiras têm um valor alto no esquema. Confesso que sinto nojo do que eu escrevo. Mas falo mais ( o mundo está cheio de gente calada demais ). ------------------ Conheci um menino que aos 12 anos já se prostituía. Gay desde sempre, ele se vendia na rua. Foi aluno da escola onde trabalhei. Isso é pedofilia e nos enoja ( espero que te enoje ). Na ilha de Epstein a coisa era pior. Pois a criança não se prostituia, era dopada e violada. Para o deleite de milionários entediados de 40 ou 50 anos de idade. Qual a pena para esses monstros? Por mim, que apodreçam na masmorra. Mas sabemos que irão se internar a fim de "curar" sua doença. Um SPA para esses diabos. --------------- Espero que os humoristas, fofoqueiros, jornalistas, víboras, peçam perdão a MJ.
SOBRE UM FILME MUITO RUIM, NINGUÉM SEGURA ESSAS MULHERES, E PORQUE ELE HOJE TEM UM VALOR IMENSO
Esse filme, que postei abaixo, era impossível de ser achado, mas foi disponibilizado no youtube. Até quando? Não é uma pornochanchada, ele é um dos muitos filmes em episódios que se fazia então, cópias do cinema que a Italia fazia desde os anos 50. Filmes que tinham um pouco de humor, drama e uma pitada de sexo. Produzido por Silvio Santos, em 1976, o cinema era então um bom negócio no Brasil, mesmo sem ajuda financeira estatal, a Embrafilme fazia apenas filmes dificeis, é um filme bem ruim. Mas que agora, passados 50 anos, meio século!, se tornou um documentário sobre um mundo que não existe mais. Há a curiosidade de se ver Tony Ramos em papel de malandro sexy, ou Miele fazendo Miele. O elenco é todo de famosos de então, inclusive com a mãe de Luciana Gimenez, Vera. Mas as histórias são bobas, óbvias, sem porque. O que vale, hoje, é o que não se dava valor então. ----------------- Eu, em 1976, ano do filme, tinha 14 anos, então é humanamente compreensível, haver saudade de um tempo em que eu era tão jovem. Mas não pense que eu era feliz. Passei toda a adolescência sofrendo com uma timidez mortal e uma neurose que me fazia sentir e pensar como fosse um velho. Memórias de minha adolescência são cinzentas e sempre invernais. Mas... não há conhecimento nenhum, entre jovens, do que foi o Brasil de 1976. Ao contrário da Europa ou dos EUA, onde há uma imensa profusão de filmes, séries, clips, discos do período, aqui há quase nada sobre a época, e quando há é sempre uma visão que coloca a ditadura como centro da vida. O Brasil era imenso, bem maior que hoje, e a vida era muito vasta. Jovens irão estranhar tudo neste filme. ---------------- Havia praia livre e gente sorria nas calçadas. Se andava mais devagar e se falava com menos ansiedade. Não tinha tanque do exército nas ruas e nem polícia ostensiva. Sim, se podia fazer festas e não havia toque de recolher. Gente reconhecidamente de esquerda, Caetano, Gil, Dias Gomes, Saldanha, Jorge Amado, ia à praia sem o menor constrangimento. Não eram xingados ou vaiados pelos conservadores. Apesar da repressão contra a guerrilha, o brasileiro ainda ostentava o rótulo de cordial. Sabíamos que havia uma luta entre militares de direita e guerrilheiros de esquerda. Onde? Sei lá. Em 1976 a guerrilha já havia sido sufocada e o regime relaxava. Por pressão de Jimmy Carter, os generais começariam a deixar os líderes radicais, aqueles que pegaram em armas, voltar. Brizola pedira por uma guerra civil, Gabeira sequestrara um embaixador. Dilma participara do fuzilamento de um soldado. Todos seriam zerados. Limpos. E indenizados. -------------- Esse era o Brasil que vemos nesse filme, por detrás das histórias bobas. Parecia que ainda poderia dar certo. Coreanos do sul ainda vinham para cá, em fuga da miséria se seu país. De Taiwan também. Quem imaginaria que em mais 20 anos eles nos passariam? ------------------ Basta olhar o filme e ver o Rio ainda com chances de ser aquilo que nasceu para ser, aquilo que Dom João plantou quando veio para cá: civilizado. Gentil. Da paz. -------------- Experimente pegar um filme de 1985, por exemplo, um filme bobo como este. Popular. E note como tudo mudou em apenas 9 anos. O humor parece mais agressivo. As pessoas mais ansiosas. O Rio já tem algo de incivilizado, de perda de rumo, de descontrole. Não há mais a figura do gozador, agora é o aproveitador. Saudade? Não é uma questão de saudade. O Brasil de então estava muito longe de ser uma maravilha. Hospítais eram tão ruins como sempre. Os transportes eram pavorosos. Mas tinhamos algo que se perdeu para sempre, esperança. Sabíamos que íamos dar certo. Era inevitável. Não tinha como dar errado. Em 1990 seríamos primeiro mundo. Para isso não acontecer, algo de muito errado teria de ser feito. O Brasil teria de fazer muita força para dar errado. ------------------- Fez. Ele fez.
PS: O gozador, marca maior do brasileiro de então, é um ser que não leva nada a sério. Irresponsável, leva tudo na brincadeira. Seu objetivo único é se divertir. Rir. E conquistar mulheres. Ele espalha confusão. O aproveitador, que toma poder nos anos 80, é um faminto por dinheiro. Usa tudo que pode para se dar bem. Tudo nele é uma questão de status. Ele quer parecer rico, parecer poderoso, parecer ter muitas mulheres. Se vê como líder inatacável. Blindado. É um destruidor.
COMO SER FELIZ
Em 1950, aos 24 anos, chegado ao Brasil, meu pai viu seu primeiro filme. Até então, tudo o que ele vira fora sua aldeia em Portugal. Todas as ruas do mundo eram as ruas de sua aldeia e todas as mulheres do mundo eram aquelas poucas que ele vira. Imediatamente, meu pai descobrira que havia um lugar chamado Arizona e que cem anos antes, cowboys andavam pelo deserto. Meu pai nunca havia visto um deserto. Nunca havia visto um americano. Ele nem mesmo sabia que havia gente com 1.85 de altura. Mais importante, meu pai não sabia que havia mulher tão bonita como Rita Hayworth. ----------------------------------- Meu pai, em 1950, assim como acontecera com grande parte da humanidade a partir de 1920, entrava em um univero duplo: de um lado aquilo que era real, que ele podia tocar, sentir na pele, estar dentro, se relacionar, e de outro o mundo da imaginação, aquilo que era apenas luz, inefável, e que entrando dentro de sua mente modificava o funcionamento de seu cérebro. Não haveria volta. Depois viria a TV. ---------------------------- Uma psicóloga diz que nosso cérebro é uma Harley Davidson, ele foi feito para andar a no máximo 80 por hora. É uma máquina que aprecia o entorno, que flui devagar, que absorve em seu tempo próprio. Hoje, com a hiper conexão à tudo, nossa mente se vê obrigada a andar como um fórmula 1. O repouso é a 120 por hora, o desejo corre a 300. Em um dia, vemos mais mulheres que um homem de 1900 via em toda sua vida. Repito, em um dia, na rua, na TV, na Net, vemos mais mulheres que um homem via em toda sua vida. Nosso cérebro é o mesmo, o que o excita não. Mais enervante para ele, essas centenas de mulheres vistas em 24 horas o atraem, porque todas tentam ser atraentes. Algumas estão nuas. Em um dia ele verá mais corpos nus que Casanova viu em toda sua vida. A ansiedade se impõe. -------------------- Quem se recorda de 1960, ou mesmo 1980, sabe, as pessoas eram mais lentas. Andar era menos apressado, falar era mais pausado. Ouvia-se mais. O tempo era mais longo. Se voce duvida basta ver um filme ou uma série de então. O tempo que ali se faz é mais acelerado que o tempo real da rua e se voce acha o filme ou a série lenta, creia, na rua a lentidão era maior. Esse tempo longo era devido ao fato de que ainda se podia desligar a TV. E não ir ao cinema. Na rua, no ônibus, no trem, voce não levava a tela com voce. Nem mesmo o telefone. Então, quando voce estava na rua voce estava na vida real, queira ou não. Andar de ônibus era ouvir os companheiros de viagem, ouvir o motor, ver a rua, sentir o sol na pele, sentir o calor. Cheiros. Seu cérebro entrava no fluir da vida ao redor, real, voce a tocava, a mastigava, cheirava, ouvia. Na praia o relaxamento era total: vozes distantes, cherio de mar, de comida, ondas quebrandO, o cérebro mergulhado no beira mar. Absoluto. -------------------- Voce poderá dizer, mas e daí? Qual o problema? Que se acelere. Que se veja tudo na tela. ---------------------------- Sim, voce pode escolher isso. Pode? Escolhemos o que queremos fazer mas não escolhemos, nunca, o que desejamos. Isso é Schopenhauer. Desejamos nos ligar, nos informar, saber, e desejamos velocidade, tudo rápido, pra ontem. Produzimos. Produzimos muito. E sofremos. Como nunca antes. Por que? Porque o mundo real, pela primeira vez, parece pouco. ------------------------- As pessoas se expõe nas redes sociais porque desejam fazer parte do mundo que parece melhor, o virtual. Voce viu a menina de 18 anos que comprou um iate, voce viu o homem de 40 que fez um bilhão e voce deseja ser como eles. De repente sua vida, a real, não importa mais. Ela parece limitada, lenta, sem emoção. Voce sabe que existe Uganda e viajar para o Pantanal é pouco. Voce viu a mulher fazer sexo no porn videos e sua esposa não sabe transar. Seu pau parece pequeno. A vida dos outros, a que voce vê nas telas, é fascinante, a sua não importa. Dá pra ser feliz? ------------------------- Nossas melhores lembranças da infancia são aquelas em que estamos completamente ligados ao real. Temo que pessoas com menos de 30 anos não tenham tido essa sensação, mas se voce tem 35 ou 40 sabe do que falo. Aos 6 ou 7 anos, voce está no quintal e a chuva está chegando. Voce sente o cheiro dela e a temperatura cai. O ar fica úmido. Pássaros saem voando. Voce relaxa e ao mesmo tempo sente apreensão. Alguma coisa vai acontecer. O céu escurece, tons de roxo e de cinza. Então as gotas começam a cair. Voce corre pra casa enquanto sua cabeça molha. São esses os momentos da infancia que valem a pena. O que aconteceu? ------------------------ Nosso cérebro, seja obra Divina, seja obra da natureza, é parte deste planeta. E este planeta tem seu modo. Nossa mente, como nosso corpo, tem limites. A realidade é o que nosso cérebro é. Ele processa de um modo analógico, biológico, em seu tempo e seu lugar. Ele é envolvido por sentimentos. Ele aprecia, sente, saboreia, e procura conforto. Para esse saborear, esse conforto, ele precisa usar as mãos, os olhos, os ouvidos. Sentir. Com tempo, seu tempo. O tempo biológico e não o digital. ----------------------------- As mãos são parte central do processo e por isso existe uma diferença imensa entre pegar o papel e desenhar com uma caneta e tocar uma tela, a mesma, sempre a mesma, seja para desenhar, escrever ou ver um filme. Há uma diferença de experiência tátil entre procurar, tirar o disco da capa, ligar o aparelho, colocar o disco para rodar e ouvir a música, ou digitar uma faixa na tela. Ir à estante pegar um livro, segurar ele aberto, sentir o cheiro e o tato da folha ou olhar a mesma tela de sempre. O real é sempre uma questão de toque, de habilidade manual, de aprender a pegar. Isso é o cérebro. -------------------------- Voltando a meu pai, ele sempre soube que aquilo que via na TV era apenas TV. Ele falava isso. Só na TV isso acontece. Outra frase dele era: só em filme.... Por ser de uma geração pré cinema, o real estava sempre presente. E esse real lhe bastava. Havia nele a dor de todo ser vivo, mas em meu pai eu jamais identifiquei a ansiedade ou a depressão que são marcas comuns em todos os meus contemporâneos. Eu brigava muito com ele exatamente porque eu não aceitava seu "comodismo", comodismo que hoje sei ter sido a adaptação ao mundo como ele é, real. Eu era e sou agitado, nervoso, neurótico, sempre insatisfeito. Ele dormia relaxado e um bom almoço o fazia ser feliz. Por que diabos ele era assim? ----------------------- Poque até os 24 anos, meu pai nasceu em 1926, ele nunca fora tentado pelo virtual. Seu mundo era sua aldeia e seu mundo lhe bastava. Houve um choque ao ver o Arizona, o Alasca e Ava Gardner, mas sua mente estava ancorada no bom e velho mundo biológico. Ele não imaginava ser John Wayne. Ele adoraria ser, mas ele sabia que querer ser John Wayne era bobagem. E fim de papo. Sua atenção, e aqui encerro este texto, era toda do mundo real. Muito melhor que John Ford era o bife na mesa. Mais excitante era sua mulher na cama que uma estrela na tela. Ir andar na rua era mais bonito que imagens de Star Wars. Porque sua mente, viva no real, sabia TODO O TEMPO: isso é só um filme. ------------------ Lembro que quando eu tinha 13 anos, meu pai achou uma Playboy escondida no meu quarto. Minha mãe nem sabia que mulheres posavam nuas e meu pai veio conversar comigo. A frase que ele mais me falava era: ISTO É SÓ PAPEL. VOCÊ NÃO VÊ PAULO? SÓ PAPEL. Ah meu velho....voce era saudável....que saudade de gente como voce.....
UMA QUESTÃO DE HAVAIANAS E DE COCA COLA
Até 1989, eu sei, eu estava lá, esquerdistas não iam ao McDonalds. E não bebiam Coca. Lembro de meu professor de cursinho dizendo que devíamos beber guaraná, jamais produtos da direita americana. Esquerdistas eram machos. Hiper realistas, eles não acreditavam em nada que não fosse real, sólido, visível. A imagem do militante era a do operário, o homem que lida com aço, ferro, constroi coisas que são uteis. A mulher era igual, a camarada operária. Mas o real deu errado em 1989 quando a URSS caiu. O real provou na vida prática que o socialismo não funcionava. Bastava olhar e ver com seus olhos. Todo o mundo da esquerda afundou ( menos Cuba e Coreia do Norte que se mantiveram estática e a China, que espertamente manteve o regime em termos filosóficos e políticos, mas mudou a economia aplicando doses estatais de capitalismo sob controle ). Uma revolução mental e depois de propaganda mudou a esquerda, já que o mundo real os traiu, viva o desejo, viva a fantasia, viva a ilusão. Explico: Se a economia pode ser cruamente exposta por fatos, números, dados, vamos negar tudo isso como irrelevante. Nossos argumentos serão atados ao sonho, ao querer é poder, ao eterno porvir, ou seja, a fé. Uma inversão ocorre durante a década de 90, a direita se torna cinetífica, a esquerda irreal. ---------------- Isso fez com que chegassemos ao paradoxo de 2025. A esquerda nega a ciência todo tempo, a direita a defende. Como? Simples constatar. Todo tipo de terapia exotérica, crendice paspalha, fé sem base alguma é imediatamente encampada pela esquerda. Eles passaram a amar religiões esquisitas, drogas absurdas, ciências alternativas ( ciência alternativa é sempre questão de fé ), no extremos passaram a crer que uma pessoa sem útero e que jamais teve a experiência da menstruação e jamais engravidará, é uma mulher como qualquer outra. Por que? Porque ele quer. No extremo eles apelam para a tese da alma feminina. Ora....esquerdista falar de alma já prova que estão perdidos e se formos falar em alma devemos entender que não existe alma feminina, e nem masculina. O que define nosso sexo é nosso corpo, e ele tem ovários ou testículos, o resto é questão psicológica e não biológica. Voce pode ser um homossexual, e não há mal algum nisso. Voce pode ser um homem com sensibilidade totalmente feminia, mas será sempre um homem feminino e nunca uma mulher. Isso é ciência, isso é biologia simples, banal, mas esse FATO cria uma conversa raivosa na esquerda. Por que? Por causa de 1989, do divórcio feito com o mundo real. Se a ciência econômica deu errado, não existe mais ciência nennhuma. ------------------------------ O mesmo acontece com vacinas que não precisam ser testadas ( eu quero porque eu creio que ela funciona ), história ( eu creio na história que me é confortável e não naquilo que está registrado ), cotidiano ( eu vejo o que devo ver ou aquilo que confirma o que eu desejo ver, não observo com isenção ), informação ( eu idolatro o que valida o que eu já imaginava e desprezo tudo que seja contrário ao que quero crer ). --------------------- Toda essa situação cria um beco sem saída esquerdista, pois, sendo uma questão de desejo ou de fé, tudo que a esquerda fizer será imediatamente justificado, não importando jamais o MUNDO REAL. Detalhes "futeis" como corrupção ou mentiras, coisas atreladas à realidade, não farão parte do que interessa, pois o interesse será sempre o de COMBATER O MUNDO REAL, A VIDA SÓLIDA DA MATÉRIA. ----------------- Se formos levar ao lado psicológico, será obvio que tudo isso vem da negação do princípio paterno. O império do pai, que é o mundo lá fora, da luta para sobreviver e o mundo da lei, foi abandonado, e mais que isso, odiado. A esquerda procura, em desespero, viver no mundo da mãe, onde o Estado dá leite e colo e a vida se torna um brinquedo sem cobrança. ------------------------ O que estranho e falo aqui é que não era assim. A direita era acusada de crer em Deus e de usar isso como Fantasia que tudo resolvia. Era direita que negava a ciência, crendo em Deus e alma e a esquerda era dura, fria, científica, sem nenhum tipo de fé ou de religião. Eu respeitava essa esquerda porque ela era lógica, corajosa, destemida. A atual é de uma tolice atroz. Pegou o pior da diretia e adaptou a sua ideologia a transformando num mingau aguado onde inexiste virilidade ou coragem. ---------------- Eu falei virilidade? Inexiste na massa esquerdista e em seu pior militante, o esquerdista chique. Mas a casta dirigente, aqueles que realmente comandam, donos de bancos, o líder do partido vermelho, esses sabem fazer. São esquerdistas do velho estilo, machos, duros, sem fantasia. Souberam encampar as modas exotéricas, as fés new age, os desejos absurdos de uma massa de perdidos iludidos e assim refundar a esquerda como a ideologia do EU POSSO TUDO. -------------- Mas creia, nas salas dos partidos, eles sabem: o mundo real é o mundo do dinheiro, da força, da briga, e eles usam seu exército de idiotas como bem entendem. .
OS DOIS NEURÔNIOS
Há gente que tem apenas dois neurônios, e por isso enxerga tudo em termos de SER contra ou SER a favor. Explico. ---------------- José mora em Goiás. Nada contra. Ele pegou seu carro, e foi prestar ajuda aos moradores da cidade do Paraná que sofreu a tragédia do tornado. José é bolsonarista. Como pensa o ser com dois neurônios? Sou contra bolsonaro, portanto, sou contra esse tal José. Foda-se ele. A mesma coisa acontece com Pedro. Ele ajuda cães abandonados. E o cara de dois neurônios é contra Pedro porque ele votou em Lula. --------------- Para entender um ser humano, tentar o conhecer, são precisos bilhões de conexões cerebrais e mais uma imensa dose de intuição e de educação. Sim, voce tem todo direito de odiar qualquer um dos dois, mas dê motivo para isso, um bom motivo. --------------- Pensar em termos de contra ou a favor é pensar em termos de futebol, sou contra o Vasco porque sou Flamengo. Fim. Isso serve para torcer, mas não para julgar nada. -------------- Falei em julgar? Eis um belo exemplo! Juizes julgam, mas no STF eles torcem sempre. Tanto que eu tenho a certeza de que voce sabe o veredito antes do julgamento começar. Aliás, até a pena já se sabe. Eles a anunciam em jantares cheios de risos. --------------- Usar dois neurônios também favorece sua paz de espírito, paz hipócrita, mas é um tipo de paz de avestruz. Se centenas de pessoas estão presas por terem invadido um prédio público, sem armas, sem feridos, e pegaram 14 anos de pena sem direito à recurso, voce fica em paz e nem sente pena ao pensar que eles são DO OUTRO LADO e portanto, inimigos. Veja, voce não os conhece, voce não os individualiza, são como ratos, todos iguais. ------------------ Por outro lado, voce pede a individualização de gente armada que atirou na polícia. Voce grita para que cada um fosse julgado individualmente. Na realidade voce apenas torce, não pensa. Eles são dos meus, e são dos meus porque meus rivais não gostam deles. Fim. ----------------------- Eu gosto de Jung. De Henry James e de Nabokov. Adoro Bergman. Cinema francês e Bartok. Bergson e Wittgeinstein. Bebo e nada tenho contra erva em si, odeio o modo como ela é vendida. Sexualmente não creio em fidelidade. Não tenho religião definida. E sou bastante anti esquerda. Porque usando meu cérebro vejo que ela nunca funciona, e no caso brasileiro, é tragicamente mentirosa e desonesta. Me identifico com Milei e Meloni. Acho Trump um cara eficiente e sei que Bolsonaro foi apenas um bobo e isso não é crime. Mas veja, se voce tem dois neurônios eu sou apenas UM CARA FASCISTA. Não interessa meu discurso ou o que faço. Pouco interessa minha história e minha moralidade. Eu sou Vasco e voce é Flamengo. Vamos morrer nos ofendendo. --------------------- Para quem se interessar, a teoria dos dois neurônios é de Olavo de Carvalho, aquele cara que foi me ensinado ser um perigoso nazista e que ao o conhecer descobri ele ser antes de tudo um humanista cristão. Olavo adivinhou tudo que aconteceria no Brasil após a queda da Dilma. Na mosca. --------------------------- Humanos são complexos. Conheça-os antes de os julgar.
A BBC MENTIU E MENTE. SÓ ELA?
Se voce acompanha apenas a mídia oficial, toda de esquerda e por isso ideológica, voce não sabe que o chefe da BBC renunciou ontem. Não só ele. Vários diretores pediram pra sair. Por que? Porque anos atrás eles editaram um discurso de Trump, fazendo com que parecesse que ele incentivava a invasão do Capitólio. ( Aquela invasão que no Brasil foi porcamente imitada, inclusive quase na mesma data. A diferença é que na democracia esse ato foi tratado com vandalismo e todos estão soltos. Aqui, na ditadura do judiciário, isso foi um ato terrorista, terrorismo sem armas e feito por donas de casa de 60 anos. !4 anos de prisão sem direito a defesa ). Mas.... voce deve estar pensando, só agora eles pedem pra sair? Sim, pois lá como cá, atos pró esquerda demoram anos para serem julgados enquanto atos pró direita são condenados em 24 horas. -------------- De qualquer modo isso prova o quanto os veículos de mídia inventam um mundo fictício que jogue a favor de sua ideologia e demonize toda a direita ( começando pelo vocabulário usado. Toda direita é extrema direita e todo direitista é fascista. Quem duvida é negacionista e ser de esquerda é ser progressista ). Agora, neste momento, há uma discussão sobre a BBC, outra vez, pois se percebeu o óbvio, que todas as notícias sobre Israel são retorcidas para favorecer o Hamas. ----------------- Então voce pode dizer: mas existe mídia que apenas informe? E eu te respondo: existem as que distorcem menos e existem as que mentem todo o tempo. Para voce saber quais são observe o vocabulário usado e se eles dão voz ao outro lado. Simples. ---------------- Conheço gente que trabalha ou trabalhou em jornalismo e 90% deles pouco se importam com a verdade. Sem perceber, não são pessoas ruins, eles se preocupam em expor o "inimigo" e dar "boas mensagens", que mensagem? A superioridade ética intelectual moral da esquerda sobre qualquer tipo de direita. Para eles, TODO direitista é um semi analfabeto e todo esquerdista é cool. ---------------- A atriz Sidney Sweeney neste momento sofre uma pressão enorme dos meios de comunicação americanos para se retratar. Querem que ela peça perdão por ser branca e loira. Tudo por causa de um comercial de jeans. Ela, que não é uma dessas idiotas que representam 99% da Hollywood de hoje, resiste calmamente e não faz o papel covarde que lhe é imposto. Não vai demorar para começar a campanha que vai a colocar como "pessoa com problemas neurológicos" ou "ser com passado fascista". Já vimos isso ser feito com Mel Gibson e Tom Cruise. ----------------- Vejo de passagem uma entrevista com um dos responsáveis por esse novo filme Agente Secreto. Ele diz que há um movimento fascista no mundo. O que bebê? Voce realmente crê nisso? Então esses líderes que falam em diminuir o tamanho do estado, acabar com a censura e liberar o cara das obrigações estatais são fascistas? Mesmo? Será que esse ingênuo sabe que o lema de Mussoilini era TUDO PELO ESTADO. TUDO NO ESTADO, NADA CONTRA O ESTADO? ? ---------------------- Ou ele é burro ou pior, mal intencionado. Na verdade acho que ele é as duas coisas.
AZUL PROFUNDO E A MENTIRA DO MUNDO DA ARTE ( SÓ DA ARTE? )
Uma obra de Yves Klein acaba de ser leiloada por 27 milhões de dólares. É uma tela pintada em belo azul profundo. Voce pode fazer uma igual em casa e talvez a sua fique melhor. ----------------- Meia dúzia de jornalistas semi letrados interpretam a genial mensagem da obra. O que eles falam pode ser aplicado à minha versão feita em casa. No caso fiz em verde para dar um tom ecológico e irlandês. --------------- Faz cem anos que a arte, a literatura, a música, o cinema, a política funciona assim. Amigos ou gente bem paga tece elogios a um certo personagem. Voce fica curioso. Ao conhecer a dita figura voce sente vergonha por não o apreciar. E se convence de que DEVE HAVER ALGO ERRADO EM VOCE E NÃO NA FIGURA FAMOSA. Automaticamente, todos aqueles que desprezam o "gênio" serão taxados de incultos e o clube daqueles que entendm o "gênio" se sentirão uns super extra cool humano. No fundo da sua alma voce sabe que aquilo ou aquele não vale nada, mas querendo fazer parte da "turma legal" voce finge gostar. Finge tanto que até acredita. ------------- Isso funciona para Yves Klein mas também para 90% das figuras da mídia impressa. Seja um cantor, um autor, um político ( há centenas de figuras ridículas que são elogiadas sem jamais terem feito nada ), filósofo ou cineasta. Basta estar no clube e para estar no clube há certas características que são infalíveis. ------------------ Usar palavras que não dizem nada mas que parecem ecoar algo. Ser bastante chato. Atacar família-religião-tradição. Ter uma sexualidade indefinida. Apresentar traços óbvios de psicopatia. Ser de esquerda porém democrático. Ser irônico. Ter origem sofrida. Fazer parte de alguma minoria ( que hoje ditam a realidade social ). E principalmente, ser amigo do editor do jornal ou do cara poderoso da TV. --------------------- Habilidade, originalidade, transcendência pouco importa. Assim como no mundo político hoje não tem valor algum a competência. São considerados valores burgueses. O que tem valor é parecer ser parte do clube. --------------------- É assim que centenas de artistas realmente talentosos são colocados ao canto. Quando não, ridicularizados. Gente que produz excitação, beleza, frisson real, que exibe técnica, refinamento, conhecimento histórico, verdade. Ou seja, gente que vive fora do clube da imprensa, do press release, dos coquetéis, das bienais. Gente do mundo real, e que portanto, não contam. -------------- Não é preciso que eu diga que o clube é composto de otários.
A ERA DO ESTADO
Faz agora 18 anos que trabalho no estado. E voce deve pensar: que hipocrisia, voce se coloca contra o estado e vive dele! Bem, a vida não é como gostaríamos e há fatos que nos obrigam a sobreviver como podemos e não como desejamos. É o mesmo problema com o tráfico de drogas. Conheço quem odeie traficantes e seja obrigado a comprar maconha deles. Veja, voce odeia matadouros e adora comer carne. Esses consumidores de maconha adorariam que ela fosse legal e que assim a produção saísse da mão dos assassinos e fosse para os campos dos produtores legais. Mas não há chance. País que produz droga nunca irá legalizar. Governo e tráfico trabalham juntos e é o negócio mais lucratico do planeta. --------------- Weelll....então eu trabalho no estado e sei então o que ele é. Ele não tem como funcionar. Pelo fato muito simples de que ninguém está preocupado com isso. Não há pressão do consumidor, empresa estatal não concorre com empresa nenhuma, e não há presença do patrão, todos são funcionários, ninguém paga o salário ou pode demitir. Então o clima é de relaxamento eterno. --------------- Mas há algo pior. O estado se tornou refúgio daqueles que deram errado no "mundo real". Dou um exemplo. Oswaldo é engenheiro. Mas por ser meio "aéreo", lento, desconcentrado, nunca conseguiu durar mais de 6 meses em emprego nenhum. Pois bem, com seu diploma de engenheiro ele pode dar aula de matemática no estado, sem precisar prestar concurso. E eis que a 10 anos ele dá aulas de matemática para jovens de 15 anos. Sem didática e sem nunca ter pensando em ser professor. Na verdade Oswaldo odeia dar aula. Ele não teve escolha. ---------------- O estado se tornou dessa maneira uma espécie de consolo para o fracasso. Voce não tem capacidade de dar aula no Dante Alighieri? Dê no estado! Voce é um péssimo administrador? Dê aula de projeto de vida no estado! Voce é um fracasso como psicólogo? Preste concurso, entre nos Correios e nunca mais se preocupe com desemprego! --------------------------- Falo isso porque não há campo pior. no estado. que o das artes. O "artista" apresenta um projeto medíocre, algo que ninguém quer ver, e se tiver o contato certo, levanta alguns milhões que garantirão sua vida por mais dez anos. Foi aprovada uma nova lei que irá cobrar 5% de imposto sobre a Netflix e outros serviços desse tipo. Esse dinheiro, na mão do estado, será usado para financiar o canal de governo e produções de conteúdo nacional. Coisas tipo Show da Faxina, um concurso de gastronomia ou um documentário sobre os artesãos do Maranhão. Claro que tudo super faturado. E com traço zero na audiência. Qual o sentido? Alimentar o exército de fracassados. E garantir apoio de uns poucos talentosos espertalhões. ( esses são os piores ) -------------------- Nunca na história do mundo fomos tão reféns do estado. Tudo o que fazemos requer autorização, vigilancia, cobrança, multa estatal. Metade dos brasileiros trabalha diretamente para o estado ou são associados a ele. Muitas vezes sem perceber isso. Cada movimento seu, cada projeto, cada passo tem o olho gigante de algum burocrata entediado te cobrando. Mais absurdo, há quem ame isso. Freud explica. Explica ? Pagar para ter coisas de graça é a malandragem mais ridícula da história. Mas se sentir seguro sob as asas de uma organização monstruosa que pouco se importa com a eficiência é doentio. Somos Brasil e somos escravos. Sempre. E forever.
SOBRE O MAL
Uma das piores crenças que graça entre intelectuais é a de que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe. Rousseau santificou a criança e por achar que o selvagem era infantil, também o santificou. Quem conhece uma criança sabe, ela não é boa. Uma criança é cruel com um animal alegremente e tiraniza os pais se não for impedida. Uma criança é amoral e a amoralidade é uma maldade. Como? ------------------ O que é maldade? Maldade é tudo aquilo que provoca dor física ou moral em uma outra pessoa que não deseja sentir essa dor. A maldade é uma invasão mental ou corporal que tem por objetivo violentar a integridade dessa pessoa. A maldade usa o outro para um fim que não é compartilhado por ela. Crianças fazem tudo isso e não é por fazerem isso sem consciência que esse ato deixa de ser doloroso, deixa de ser um mal. Maldade involuntária, talvez, ela é ainda maldade. ------------------ Aprendemos a ser bons pois nascemos egoístas. Quem nos ensina, ou deveria ensinar o bem é nossa família, nossa religião e nossa educação. Exatamente as 3 instituições que o mal ataca. A família é tratada como fosse um fardo. A religião como fosse opressão. E a escola é sequestrada por agentes da maldade. --------------- Se crianças devem aprender a compartilhar, a esperar, a abrir mão, a ceder, selvagens devem aprender a aceitar a tribo rival, o estrangeiro, o diferente, o que parece não familiar. Não se engane, eles estão sempre em guerra e usam alegremente a escravidão. Voce odiaria viver a vida deles e não é por falta de um phone ou um remédio, é por não encontrar a bondade. ------------------- Sim, voce pode me acusar de estar falando de um valor artificial e é isso que defendo. O bem é uma construção obtida com esforço. Na vida puramente natural o mal impera. Um leão velho é abandonado a morte e creio que se voce fizer isso com sua mãe será chamado de monstro. Entenda, nossos melhores valores são criações humanas. Ou divinas. Nada de nobre foi criado na natureza. ------------------- O mal pode ser casual, não proposital e isso não faz com que ele deixe de ser mal. O resultado é a dor e a destruição. Não relativize. O mal "sem querer" é mal. E há o mal proposital que tem por meta a obtenção de um ganho ou de um prazer. ---------------- O mal é simples, fácil de fazer, o bem requer educação, refinamento, esforço. O bem garante um mínimo de paz ao mundo, o mal é uma guerra sem fim de todos contra todos. ------------- O bem se paga com o bem, o mal se vence com a força. Chegamos ao ponto principal. ----------------- Não se destroi a maldade com delicadeza. Não se vence o mal com conversa. O mal é vencido ao se usar a linguagem do mal, a força física, o poder, a voz que fala mais alto. O bem, para ter alguma chance, deve se disfarçar de mal e penetrar no mundo do mal e sair de lá com a vitória: a certeza de haver menos mal no mundo. --------------- O mal ri do bem. O mal respeita o bem apenas se ele se mostrar mais forte. E força para o mal é PODER. Ser mais mortal. Não há outro meio. O mal se curva à força. Nada mais pode o deter. Pois a maldade jamais será extinta mas ela pode e deve ser REPRIMIDA. Na infância ela é reprimida pela educação e na vida adulta pela força. Sinto dizer, mas essa é a vida real. Sem vigiar e punir não se diminue o mal. Sem produtos fortes não se limpa a sujeira. Sem liderança não se assusta a maldade e se a maldade não teme ela aumenta. Sem parar. -------------------- O mal existe meu amigo. E ele, não se cura. Pois o mal se orgulha de sua força. Para dobrar esse orgulho há que se ter uma força maior: honra. Firmeza. União. Constância.-------------------------- Eu amaria dizer que o mal se vence com a bondade. Que a maldade se apaga diante do bem. Mas não é assim. O mal é vencido quando o BEM se mostra mais mortal que ele. Essa a linguagem que a maldade compreende. O rugido mais aterrorizante. E a força mais exuberante.
AS FAXINERS E O RIDÍCULO DA TV EM 2025
Quando temos no ar um programa onde 3 moças e um homem, que se auto nomeiam Faxiners, passam o tempo limpando casas bagunçadas, temos a certeza de que o fundo do poço chegou. Não há mais trama, não há personagens, tudo o que vemos é gente banal trabalhando. Assim como acontece em programas de mecânicos, cozinheiros, decoradores, ficamos em frente à tela vendo gente trabalhar. Nada de suspense. Nada de drama. Apenas um sonífero. ---------------------- A TV se torna uma fonte de luz e de ruídos, um objeto na casa que tem por função nos fazer esquecer o silêncio. Civilização que teme o vazio, o tédio, a solidão, ficamos em frente à TV, solitários, em silêncio, olhando sem ver, uma gente que faz coisas que não importam. Hoje a TV não é muito mais importante que a luminária. ---------------- É isso.
PORNOGRAFIA - WITOLD GOMBROWICZ
Autor polonês que viveu refugiado na Argentina, sua escrita não é nada fácil. E não espere erotismo nesta história de dois homens maduros que ao viajar para o campo, na época da Segunda Guerra, ficam fascinados por um casal de adolescentes. Eles os espiam, seguem, conversam com eles. Notamos então a tese do autor, a pornografia existe apenas na cabeça de quem a usufrui. Os dois homens sentem erotismo em cada movimento do casal, enxergam pornografia em todo olhar trocado entre os adolescentes, criam toda uma história de sexo e pecado em pessoas que na verdade, eu sinto isso, nada têm de malicioso. --------------- A escrita dele é labiríntica, gira na mesma situação, se repete, é verborrágica. ----------------- Nosso mundo, esse mundo século XXI, fico surpreso em notar que gente com 25 anos não nasceu em meu século, é um tempo pornográfico. Vemos segundas intenções, maldosas, em tudo e criamos histórias que nada têm a ver com a realidade. Nossa mente, hiper excitada, cria fatos medíocres todo o tempo. Não é tempo de pureza.
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