LIVROS QUE DURAM E LIVROS QUE MORREM

Se um livro hoje for lembrado ou relevante por 5 anos pode ter certeza que se trata de coisa fora do padrão. Obras Primas são eternas e grandes livros duravam por volta de 50 anos, agora 5 anos é um bom limite. Qual o sinal de que o livro ainda está vivo? Reedições são a melhor pista, mas também há a adaptação para cinema, TV ou até mesmo citações em HQs ou músicas. Um bom sinal é também a procura em sebos, na net, em leilões de primeiras edições. Um livro respira enquanto é estudado em universidades, quando um novo autor fala de sua admiração por ele, ou quando dois amigos falam dessa obra. Autores que se fizeram eternos jamais perdem sua condição atemporal e esses eu creio que não preciso citar. São mais de 300 nomes e menos de 1000. Mas há aqueles que foram muito, muito respeitados e que hoje parecem afundar no mar do esquecimento. Sempre há a possibilidade de ressureição, isso aconteceu algumas vezes, mas esse renascimento é raro e nunca é inesperado para quem conhece literatura. ------------ Tennessee Willians e Arthur Miller eram figuras centrais do mundo cultural por 40 anos e hoje estão bastante anêmicos. Eugene O'Neill, primeiro americanos a ganhar o Nobel, ícone do teatro é figura morta em 2026. No teatro inglês há a múmia Bernard Shaw, o escritor mais famoso das letras inglesas do século XX, nome que festejou em fama por cerca de 60 anos e que hoje é mais antigo que Galsworthy ou Longfellow, outros dois nomes que sumiram. ------------------- Nenhum desses autores me causam nenhuma saudade, não lamento seu ostracismo. Mas fico triste por ver que livros como Zorba, O Grego ou No Fio Da Navalha não serem mais lidos. Kazantzakis foi famoso por 30 anos e Maugham por 40. A lista é infinita: onde se lê o nome de Dorothy Parker ser citado hoje? Sinclair Lewis, Upton Sinclair, John dos Passos, todos autores amados por antigos intelectuais e em 2026 encalhados em sebos. André Gide parece estar retornando, ele merece, mas cadê o ótimo Lawrence Durrel? Seus livros são fascinantes, exóticos, diabólicos, belos e terríveis, porque saíram de moda? Entre 1960-1980 ele vendeu como pão e era amado como Huxley. ------------- Mais recentemente, lembro que Martin Amis era O Cara da nova literatura inglesa, muito à frente de Ian McEwan ou Julian Barnes, seus colegas de geração, mas hoje quem leva Amis em conta? Assim como Tom Wolfe ou Vonnegut eram mitos nas letras da América nos anos 70 e hoje são desconhecidos por leitores sem cabelos brancos. Saul Bellow caiu após 40 anos de glória e temo que Updike e Roth sigam seu caminho. Mulheres como Iris Murdoch e Yourcenar têm a vantagem hoje de serem mulheres, mas mesmo elas perderam gás. Parece que há uma barreira de 40 anos de fama que só os gigantes conseguem ultrapassar. ---------------- E há as zebras, claro. Quando falei de Shaw lembrei que em seu início, por volta de 1890, Conan Doyle era aposta certa para o esquecimento, e eis que em 2026 Doyle continua sendo editado, já Shaw desapareceu. O que mostra que ser chamado de gênio não garante imortalidade à ninguém.