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JAMES HOLLIS E JACK LONDON

Termino de ler o livro de James Hollis e, apesar de às vezes quase resvalar para a auto ajuda, é um texto interessante. O que destaco de mais forte é sua afirmação, com a qual concordo, pois a senti na pele, de que não há dor maior em um homem do que a de não ser aceito por seu pai. O pai representa para um homem o mundo lá de fora, a lei, a realidade, a coragem na vida, a tomada do destino. O pai, o bom pai, deve ser capaz de levar e conduzir o filho para longe da mãe e para longe da casa. Para fazer isso é necessário que esse pai seja amoroso e duro, tenha autoridade e experiência, transmita o conhecimento prático. O homem que não tem esse pai, todos nós no mundo de hoje, terá uma inadaptação à realidade, procurará o pai em outros homens, será inseguro como homem, e tentará provar a si mesmo sua masculinidade, que será caricata. Um eterno menino. -------------------------- Leio em seguida, sem querer, Jack London, O Lobo do Mar. Um intelectual é salvo de naufrágio por um capitão de navio que caça focas. Esse intelctual passa a ser um quase escravo desse capitão brutal. E assim se torna homem aos 35 anos de idade. Eis aí um rito de passagem. O livro, do começo do século XX, foi escrito ao mesmo tempo que Freud e Jung lançavam suas teses e London não leu nenhum dos dois. Mas voce nota no texto o embate entre ego e inconsciente, entre instinto e razão, entre carne e alma. O capitão é um seguidor de Nietzsche e Darwin, o intelctual um idealista. -------------- Jack London nasceu muito pobre e fez de tudo na vida. Com 19 anos já havia sido operário, mineiro, marinheiro, ladrão, vagabundo e vaqueiro. Auto didata, começou a escrever contos e ficou rico. Mas perdia cada fortuna que ganhava em planos utópicos. Morreu aos 40 numa overdose de morfina. Percorreu meio mundo e casou duas vezes. Sua prosa, simples, inaugura, mais que Poe, a prosa americana. Realista, cruel,violenta, dura. Às vezes me desagrada o modo como ele expõe de modo didático suas teses filosóficas, e até nisso ele é bem americano, mas ele cria ação e me fez ler suas 250 páginas em uma tarde. ------------------- Lembro que aos 15 anos eu li O Chamado da Floresta e dei à meu cachorro o nome de Buck, o mesmo do heroi do livro, um cão civilizado que se torna selvagem. O livro apaixonou a mim e a meu irmão que o leu em seguida. Jack London é ótimo para se aprender e adquirir amor aos livros.