ARNOLD J. TOYNBEE

Durante todo o século XX, Toynbee foi o intelectual mais citado do mundo. Sim, pois é, a moda muda e hoje voce deve achar que dezenas de outros eram mais citados. Toynbee foi diplomata e historiador e lembro que Paulo Francis o citava muito embora não concordasse em tudo com o inglês. Morto em 1975, Toynbee foi gradualmente entrando em ostracismo e hoje é visto com desdém por historiadores que se dizem sérios. Por que? Ele não levava em conta motivos de gênero e tinha em alta conta as razões religiosas para a história. Para Toynbee, a história se explica pelo conflito entre religiões. Nada mais fora de moda em 2026, não? ---------------------- Arnold era mestre em cultura grega e romana e para ele era um prazer sentir que sua alma fazia parte desse mundo antigo e não do mutável e superficial mundo moderno. Viajou muito, chegou a ir até a China, em tempo em que o país era fechado ao mundo, ìndia e claro, dezenas de estadias na Grécia, Turquia e Itália. Para Toynbee, a região que vai do sul da França até a Turquia, da Macedônia ao Líbano, de Israel à Croácia é o mundo que importa. Essa é a civilização real, eterna, verdadeira. É aí que reside nosso espírito. O resto do mundo, seja Inglaterra, Russia, EUA ou Africa, é o mundo bárbaro, incivilizado, que em seu melhor copia Atenas, Roma ou Bizâncio. Em seu pior, são simples iletrados. -------------------- Tenho em mãos dois livros dele, um de memórias ( onde ele fala muito mais do mundo que dele mesmo ) e outro sobre a situação mundial nos anos 60. O que mais me impressiona é a imensa mudança que as duas guerras mundiais causaram ao planeta. Na primeira, metade dos amigos de Toynbee morreram, e na segunda todo o resto de otimismo que ainda havia foi por água abaixo. Toynbee percebe que após Hitler e Stalin nunca mais houve liberalismo no planete, mesmo países que se dizem democratas, como EUA e Inglaterra, possuem uma vigilância estatal que seria inimaginável em 1890 por exemplo ( fico pensando no que ele escreveria sobre 2026 ). --------------------------------- Por fim, se Toynbee exagerava o poder das religiões ( será que exagerava ? ), hoje chega a ser patético o modo como tentam diminuir a importância da crença, chegando ao ponto de ignorar que o conflito entre Israel e Irã é religioso e não econômico. Mesmo no Brasil de agora, muito do que aqui acontece tem um fundo conflituoso entre uma visão de mundo que segue regras religiosas e outra onde Deus morreu e vale tudo, ( quando não o próprio culto à figuras demoníacas, realidade que intelectuais negam ). Não advogo Toynbee, mas ignorar o papel central da fé religiosa na história do mundo ( as cruzadas foram uma guerra entre Maomé e Cristo, nada havia de valioso para se obter no deserto árabe ), é como falar que os conquistadores não se horrorizavam com o canibalismo por motivos de crença. Aliás, marxismo, existencialismo ou paganismo sempre foram questões de crença. Né não? ( n'est pas? )