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UMA MULHER - PÉTER ESTERHÁZY

Compro esse livro porque o húngaro Esterházy é autor central nas letras da Europa neste século. Descendente dos Esterházy que voce já ouviu falar, a família mais nobre da Hungria, ele tem a cultura vasta e natural, não afetada, que os intelectuais da Europa central costumam ter. Nesta obra ele fala de mulheres, são flashs de mulheres que o amam, amaram ou que o odeiam, odiaram. Momentos de sexo, de viagens, de refeições, sono, conversas, pensamentos. São 99 mulheres e 99 capítulos de uma ou duas páginas. Okay. Mas eu acho chato, é um livro chato. E as mulheres, estarei certo?, são a Hungria, todas são a Hungria, o país que Péter odiou e amou, a ditadura comunista, a liberdade caótica a partir dos anos 90 e o crescimento a partir de 2010. É a literatura que se pode fazer hoje? Essa literatura sem cenários, sem descrições, quase sem personagens, apenas uma narrativa que se parece com aquela que se ouvem em terapia, um tipo de confissão. É só isso?