Beck Devil's Haircut Live 9-6-1997 New York,NY



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O QUE ANDEI OUVINDO...

Faz tempo que não revelo o que tenho escutado. Nestes últimos dias foi isso: MEDESKI, MARTIN E WOOD. Uma coletânea. Medeski é um chato. Não gosto do teclado dele. Martin é um baixista maravilhoso. O som é tipo jazz de trilha sonora de filme cool. É ok. TOUR DE FRANCE-KRAFTWERK. Alguém escreveu que os alemães perderam a graça quando passaram a usar instrumentos digitais. Exatamente isso! A genialidade do Kraftwerk era o timbre. Só eles soavam daquele modo. Quando em 1986 passaram ao digital sua sonoridade se vulgarizou. Ao vivo a coisa é ainda pior. Autobahn parece fundo de Pet Shop Boys. É o mesmo som. Já em 1975, Autobahn, mesmo escutado hoje, parece único. Este disco, de 1993, é uma decepção. PUFF DADDY- NO WAY OUT. Foi o disco mais premiado em 1997. Tem Notorious BIG, Jay Z...Sei lá...é legalzinho. BEE GEES. Uma coletânea frustrante. Os Bee Gees são uma banda frustrante. Seus discos, todos, têm sempre uma grande faixa, genial, e várias chatíssimas. Esta coletânea é inglesa, e na Inglaterra How Can You Mend a Broken Heart não fez sucesso. Então não tem essa grande canção. E nem Mr Natural, minha favorita, que só vendeu bem no Brasil. Mas há Words. Há To Love Somebody. VAN HALEN- FAIR WARNING. Reouvi tudo deles gravado de 78 até 84. A fase Lee Roth. Este é o melhor disco deles. Caramba! É bom ouvir os caras tocando tão bem! Eddie ainda não sola demais neste disco de 1980. Adoro a bateria de Alex! DEPECHE MODE 1981-1986. Os hits da primeira fase. A fase mais techno pop puro. Gostoso de ouvir. MY BLOODY VALENTINE-LOVELESS. Não parece mais ser tão irado. Mas ainda é bonito de dar gosto. ADAMSKI-PHARMACY...é aquele disco que tem o Seal cantando crazy. E o clip do cachorrinho que rolava muito na MTV. É dance eletro de 1991, grande ano do POP. ZZ TOP-3 HOMBRES. Na boa,acho chato de doer. JEFF BECK- THE GUITAR SHOP. Ouvi uns 4 discos de Jeff Beck. É meu guitar player favorito. Jeff teve o azar de não saber compor e nem cantar. Então sua carreira não tem o apelo POP que Clapton ou Page têm. Inquieto, ele toca jazz, toca eletrônico e toca até rockabilly. Adoro! FRANK ZAPPA- ZOOT ALLURES. Só consigo ouvir o Zappa de 1975-1979. É o mais POP. Foi quando ele vendia bem. Este disco tenho desde 1977! Divertido e sem o excesso de bla bla bla que em outros discos estragam tudo. BECK- ODELAY. Um dos grandes discos dos anos 90. Um festival de ideias e de ousadias. Excitante. Devil Haircut é uma das melhores coisas da história. JANE'S ADDICTION- NOTHINGS SHOCKING. Este é um dos best dos anos 80. Tem de tudo: hard rock, psycho, balada, jazz...não envelheceu um só dia. GET SHORTY TRILHA SONORA DE JOHN ZORN. cool. RUSH- HEMISPHERES. A menos cool das bandas se tornou agora chique de ouvir. E eu joguei meu preconceito no lixo. Eles são caras legais. Ouvi tudo deles gravado de 1975 à 1982. Gostei. Eles trabalham duro. Tocam bem. E são simpáticos. METTALLICA- KILL EM ALL. Por falar em perder preconceito...virei um cinquentão que ouve Mettalicca.

MOVENDO A CÂMERA, MOVENDO ATORES, MOVENDO O FUNDO

Veja meu post abaixo. É sobre Kurosawa e é uma aula de como se olhar um filme. O ponto central é a comparação dos movimentos de cãmera em Kurosawa e em Os Vingadores. Não vou falar qual a sacada. Assista.

Akira Kurosawa - Composing Movement



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Kraftwerk - Nummern/Computerwelt Live 1981



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AS DUAS BANDAS MAIS INFLUENTES DA HISTÓRIA

Bing Crosby foi o cantor mais influente do século XX. Foi o primeiro a entender o microfone. Cantores não haviam percebido que com o microfone não era mais necessário soltar o vozeirão. Voce podia cantar como se estivesse ao ouvido do ouvinte. Sem Bing e sua voz suava, não haveria Sinatra, nem Fred Astaire, não existiria João Gilberto e nem Roberto Carlos. Claro que mesmo após Bing continuaram a existir as vozes operísticas. Nelson Gonçalves, Tom Jones e Freddie Mercury são tipos pré microfone. No Rock leio que existiram duas bandas influentes. A primeira são os Beatles. Já disse e repito, mesmo se voce os despreza, mesmo se voce acha que Slayer ou MC5 são melhores, foram os Beatles que criaram coisas tão básicas que hoje parecem ter existido desde sempre: o próprio conceito de banda nasce com eles. Antes o que havia era um cantor e sua banda ( Elvis, Buddy Holly, Chuck Berry ). No máximo existiam grupos vocais ( The Platters, Beach Boys ) ou grupos instrumentais ( Shadows ). Os Beatles criam a ideia de banda como célula que compôe, canta, se acompanha e até mesmo produz. Eles inventam aquilo que no rock é dominante até hoje: a auto suficiência construída em três ou quatro pessoas. Secundariamente, é deles também a ideia da dupla de compositores que canta suas próprias composições, dos albuns que contam uma hsitória e até da venda de produtos licensiados. O Black Sabbath ou o Pink Floyd podem ter criado novos estilos, mas continuam sendo bandas em moldes Beatle. Revistas e sites têm cada vez mais lançado a ideia de que a segunda mais influente banda é o Kraftwerk. Dizem até que Computer World ou Trans Europe Express serão em votações futuras aquilo que Sgt Peppers e Revolver são hoje. Eu pergunto por que, e eu mesmo respondo. O Kraftwerk destroi o que os Beatles foram sem para isso voltar aos tempos de Elvis ou Johnny Cash. Primeiro: rock sempre foi e ainda é a mais emocional das expressões. Cantores gritam, choram, ofendem, gemem. Os alemães não. Nem cantar eles cantam. Segundo: Rock são instrumentos tocados com fúria, ou então com lirismo de menestrel. Os alemães não. Terceiro: uma banda tem bateria, baixo e guitarra, seja elétrica ou acústica. Na falta da guitarra, piano tocado como percussão. Kraftwerk não tem instrumento convencional nenhum. Quarto: Rock é sincero. Kraftwerk é ironia. Se os ingleses fizeram nascer toda banda, de Led à Stones, de Nirvana à Radiohead, todas usam o molde formado por cantor sincero, compositores da banda e a mistura que usa como base bateria, baixo e guitarra ( ou teclado ); o Kraftwerk nem parece ser uma banda. Lembro que nos anos 70 eram chamados de "fake". Pois não tocavam nada, apenas apertavam botões. Sem eles não haveria nada de eletrônico. Do Depeche Mode à Marilyn Mason, todos usaram as ideias que em Dusseldorf foram pensadas em 1975. Mais importante ainda, o RAP e o House foram nos anos 80, segundo os próprios caras desses estilos, inspirados por Computer World, o disco de 1981 do Kraftwerk. Até 81 fazer rap era fazer aquilo que Kurtis Blow fazia: usar bases do grupo Chic e mandar a voz por cima. Rap tinha muito piano, guitarra riscada e baixo de verdade. Após Computer World, as bases passaram a ser as de Metal on Metal, a percussão do disco alemão. Não estou exagerando. Os caras do Run DMC sempre falaram que suas vidas mudaram quando foram ver os caras em New York, 1981. Quase 40 anos!!!!! E continuamos fazendo discos que variam entre a banda-Beatles ou a produção eletrônica computadorizada-Kraftwerk. Na verdade, como notou Bowie em 1976, os melhores misturam as duas coisas. No Rock n Roll Hall of Fame, aquele clube que tem até Pat Benatar mas não tem o Jethro Tull, Kraftwerk não faz parte. Isso apenas revela que o estilo criado por eles ainda não foi absorvido. Em 2020 o Depeche Mode entrou para o clube. Os alemães não. Ontem reouvi Computer World. Ainda é inspirador. Pensei em Daft Punk. Pensei em Lady Gaga. Pensei em Rammstein.

O CASTELO MAL ASSOMBRADO E OUTROS CONTOS - E.T.A. HOFFMANN. O PONTO MÁXIMO DO ROMANTISMO.

Ao contrário do que muitos pensam, existem pouquíssimos filmes genuinamente românticos. Um dos motivos é que a alma romântica é acima de tudo, solitária, e o cinema é a mais socializante das artes. Milhões de filmes falam de amor, ou são góticos, ou falam de uma vida romântica, mas muito raros são aqueles que são feitos dentro de um espírito romântico. O Atalante é o maior exemplo dentre todos. Michael Powell fez um filme chave chamado OS CONTOS DE HOFFMANN, baseado o roteiro numa ópera de Offenbach que por sua vez se baseia no autor alemão. Vejam o filme se quiserem entrar no clima. Powell consegue parecer romântico. Não só nesse como em The Red Shoes. Der Sandmann é o primeiro conto do livro. Freud tinha fixação por esse conto. O vienense dizia estar no conto a primeira discrição consciente de uma neurose. Hoffmann fora o primeiro homem, antes do próprio Freud, a entender que fantasmas, medos súbitos, loucura, histeria, não eram manifestações de fora, mas sim criações de estados mentais. O horror não era uma ação externa, nem um ato da natureza, era reflexo daquilo que vivia dentro de nossa alma. Sandmann fala de um homem que tem toda sua vida destruída pelo medo do Homem de Areia. Ele crê desde criança nesse homem do mal, e assim faz com que para ele o Sandmann seja real. Hoffmann é grande escritor e nos deixa sem saber se o advogado era de fato o mal ou se o pobre personagem é que o via como tal. Hoffmann além de escritor foi músico e pintor, e foi ele quem chamou a atenção da Europa para a genialidade de Beethoven. Mas seu ídolo era Mozart, e temos dois contos sobre música. Em um deles há a aparição de um fantasma durante uma apresentação do Don Giovanni. No outro é a própria música que surge como algo do além. O último e mais longo conto é o que dá nome ao livro. Engenhoso e sempre irônico, Hoffmann mostra o crime como desencadeador de maldições sem fim. Sua influência sobre Poe é imensa. Mas Hoffmann é bem melhor. Poe parece sempre apressado e às vezes se repete. Hoffmann escreve bem. Otto Maria Carpeaux na sua HISTÓRIA DA LITERATURA OCIDENTAL coloca Hoffmann nas alturas. Para ele foi o alemão quem criou o romantismo em prosa. Deu nascimento a Walter Scott e Gogol. Li-o com grande prazer. Quero mais.

The Jimi Hendrix Experience - Voodoo Child (Slight Return) (Live In Maui...



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Peg STEELY DAN Instrumental



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Rammstein - Rosenrot (Official Video)



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O YING YANG DA ARTE: CLÁSSICOS CONTRA ROMÂNTICOS. UMA VISÃO NO ROCK N ROLL PRA VOCE ENTENDER MELHOR.

Desde sempre a coisa foi assim. De um lado criadores que usam acima de tudo a razão. E do outro, os que pensam ser o coração o centro criador. Os racionais seguem regras, evitam falar de si mesmo, querem criar obras distintas de si-mesmo. Os outros são o oposto em tudo: desejam ser originais, falam sempre de si e a obra é feita como fosse parte da própria alma de quem a faz. O clássico se vê como um mestre. O romântico como um heroi. O mestre pode ser heroico, Bach e Mozart são herois clássicos. Mas o mestre NUNCA se guia por algum heroísmo. Ele tem pudor. Ele serve à obra. O romântico pode ser um mestre no que faz. Beethoven domina toda o conhecimento musical. Mas, romântico que é, Beethoven É sua obra. Acima de tudo o romântico se desnuda ao público. O clássico se esconde. No mundo do rock, mundo em que penso voce estar mais à vontade, todo desavisado tenderá a achar que tudo nele é romantismo, pois o rock é coração e alma exposta. NÃO BABY, NÃO É. Se Johnny Cash falava de sua alma todo o tempo, Elvis era o artista perfeito. Elvis domina o meio, mas NUNCA se revela. Marvin Gaye é romântico desde sempre, Otis Redding não. Perceba como os Beatles ficam todo o tempo falando de ME, MYSElf and I. Tudo neles tem por objetivo emocionar. E essa emoção vem pelo coração posto nú. No rock hippie dos anos 60, voce dificilmente encontrará algo de cerebral. Quando acontece, geralmente é no POp negro. A Motown e a Stax fazem arte em moldura perfeita. Picket e Smokey Robinson são perfeitos. E nunca falam de si mesmos. Hippies odiaram os anos 70 porque foi tempo de rock muito mais clássico. Não à toa é o tempo de Kraftwerk, Bowie e Steely Dan. Neles o objetivo é a perfeição. A técnica. A música é estudada, planejada. Cérebro adiante da pura emoção. Nada feito por acaso. Sem improvisos. Na música prog nada é romântico. Voce se engana se confunde letras bizarras com romantismo. No prog o que importa é a técnica. Saber fazer. Fripp tocando sentado é a cara desse tipo de som. No heavy sim, há o exagero caricato do romantismo. Castelos, demons e medievalismo: romantismo para as massas. Wagner com eletricidade.

U2 - Even Better Than The Real Thing - official video



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eu não gosto desta banda, mas eu gosto muito deste disco. A gente tem de falar sobre Achtung Baby, do U2, um dos cinco grandes discos da última grande década

Em 1991 nem o U2 aguentava mais o U2. Durante toda a década de 80 eles foram onipresentes. Com seus hinos simplórios, sua batida marcial, sua mensagem tão irlandesa. Não houve banda maior naquele tempo. Os anos 80 tiveram MJ e Madonna, Prince e Bruce Springsteen. Mas entre as bandas, nascidas na década, o U2 reinou sozinho. Bon Jovi e Duran Duran, Inxs e REM, ninguém chegava perto deles em sucesso. Eu os odiava. Eles tinham aquele ranço de bom mocismo, de consciência social que me enchia o saco. Pior lado da Irlanda: essa mania de se achar um monge pregador. Bono era patético. Mas em 1991, o próprio Bono estava farto de ser Bono. E fizeram aquilo que Bowie fizera quando se enjoara de ser Ziggy: foram para Berlin com Brian Eno. E lá se reinventaram. No mítico estúdio Hansa, onde Iggy gravou The Idiot e Bowie gravou Low e Heroes, Eno mostrou para o grupo seu modo de ver a música. Sons como "estratégia do acaso", timbres mais importantes que harmonias, ritmo quebrado, e acima de tudo, uma filosofia em que nada é tão sério. Brian Eno lhes deu aquilo que antes ele dera ao Roxy, ao Devo, aos Talking Heads, ao Ultravox: Ironia. O U2 que emerge dos Hansa Estúdios é muito mais complicado, enigmático, indefinido. A mais óbvia das bandas lança, aos 12 anos de carreira, um disco de extrema coragem, que deixa os fãs aturdidos e a crítica surpresa. Achtung vende 13 milhões de cds. Após a surpresa inicial, o mundo aceita. Em 1992, é o grande disco de um grande ano. Foi das muito raras vezes em que uma banda estabelecida se reinventa. Mais raro ainda: deu certo. Quando ouvi a primeira vez, na época, fiquei embasbacado. Era tão atual quanto Happy Mondays ou Stone Roses, melhor ainda, lembrava o Pop Will Eat Itself, minha banda favorita de então. Parecia tão jovem quanto Primal Scream ou Pixies. Fora One, uma balada insuportável, todo o disco balançava. Tinha cor, tinha ruído, era mixado com engenho ( The Flood ), tinha uma capa linda, clips fabulosos, e de repente entendi o milagre : O U2 PARECIA SEXY! Foi o que mais senti: a banda descobrira o sexo. Leio na net que em 2020 ele tem status de clássico. Um dos discos chave de anos brilhantes.

KISS KISS BANG BANG. DESCUBRA ESSE FILME.

Kiss Kiss Bang Bang é um filme que passou despercebido. Acho que ele é de 2010, 2011, por aí. Tem Robert Downey Jr no seu papel mais engraçado. O clima é tipo Raymond Chandler no século XXI, ou seja, um esculacho. Downey é um ladrão de terceira que sem querer vira ator em Los Angeles. Lá ele se envolve numa trama mirabolesca ao lado de um detetive gay, feito por um hilário Val Kilmer, sem afetar e sem exageros, e ainda com uma atriz de quinta categoria, Michelle Monagham linda de dar raiva. Shane Black, um dos roteiristas top de Hollywood dirigiu e o filme foi um big flop. Inteligente e fino demais para o público der de hoje. É esperto, é divertido, é inteligente, não se leva a sério. Não sei como voce vai fazer para o assistir. Tente. vale muito.

Get Shorty (1995) - Official Trailer (HD)



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Elmore Leonard - Highest Grossing Movies



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MAXIMUM BOB - ELMORE LEONARD

Não sei se este livro de Elmore virou filme. Foi lançado em 1991, e daria um ótimo filme se feito pelas pessoas certas. Como disse em outro post, Leonard tem, desde os anos 50, sido um escritor muito usado pelo cinema, mas 90% dos filmes feitos a partir de livros seus, são lixo. Maximum Bob tem personagens maravilhosos, é realista e ao mesmo tempo grotesco, e se passa naquela região maravilhosa para ser filmada, os pântanos da Florida. O livro é quente, mas dessa vez nada sexy. É engraçado, e ao mesmo tempo assustador. Maximum Bob é o Big Bob, um juiz poderoso que só pensa em sexo com jovens mulheres. Ele e Elvin, um ex presidiário tosco e violento, são os personagenas mais fortes. Kathy, uma oficial da condicional, é muito menos interessante. Ela é normal demais. Elmore tem imensa facilidade para criar gente, e seus diálogos são afiados. Estão prontos para serem gravados. Os filmes ruins criam novos diálogos. Os bons usam o que já está à disposição. Como disse antes, escrever sobre o que é relevante hoje é escrever sobre o crime. Seja o tarado anônimo que aterroriza uma praça, seja o bilionário que derruba governos usando o tráfico de armas e drogas. Elmore fala sobre o crime pequeno, banal, aquele que rola na sua rua. Pequeno em divulgação, enorme em ressonância.

EU CONTRA VOCE. EU COM VOCE.

O ser humano é muito original. É um animal gregário, que necessita estar em grupo, que só é feliz quando conectado à seus semelhantes, mas ao mesmo tempo ansia por ser único, diferente, original. A contradição existe desde pelo menos o começo do cristianismo. Na igreja sempre houve a ideia de rebanho unida aos mártires que se destacavam do grupo, ou aos homens que se isolavam no deserto ou em cavernas. Observo agora que em sociedades muito primitivas não existe a ideia de isolamento. Entre indios do Brasil não se verifica o homem que ansia por sair do grupo, e mesmo na Grécia antiga, nada era pior que o ostracismo. Ser expulso do grupo era pior que a morte. Os EUA foram criados conscientemente com a ideia dessa contradição. Sua constituição prega a união democrática e ao mesmo tempo garante a individualidade. É uma obra perfeita modernista. Pois desde o romantismo há essa luta interna explícita: fazer parte e ser único, estar sendo apoiado e ser livre. Se a conciência da morte nos faz humanos, o conflito entre eu e eles nos faz modernos. Assisti ontem um filme novo com Vin Diesel. O tipo da aventura bem feita que toca em assunto sério. O tipo de filme que mais gosto hoje, POP e pensante. No filme ele é um soldado morto. Volta à vida com tecnologia de ponta. Até aí nada demais. Mas ele não sabe que sua memória é manipulada. Implantam novas memórias nele TODO DIA. A cada novo dia ele crê ter sido casado e que sua esposa foi morta. A cada dia implantam em sua cabeça um novo assassino, para que desse modo ele mata a cada dia um alvo diferente. Tenho um amigo, sábio em tecnologia, que trabalha com INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. Para ele não há dúvida: o mundo do futuro nos dará a vida eterna e esse mundo será perfeito. Chips apagarão emoções dolorosas e a tristeza será algo tão arcaico quanto o canibalismo. Mas...e o filme toca nesse ponto, mas e se eu quiser ser triste? E se eu quiser lembrar da dor? E se eu desejar morrer? Haverá nesse mundo o ponto máximo de conflito entre o TODO e o EU. E sinto que o EU terá de se radicalizar para sobreviver. Em 2020 há muito de histeria. Meus amigos mais livres vêm nas máscaras símbolo de domínio. Os mascarados seriam as primeiras ovelhas do novo mundo. Não acho tanto. Continuo achando que há muito de acidental em tudo que acontece aqui e agora. Mas a luta está explícita: eu e nós, voces e o que é só meu. O filme se chama BLOODSHOT e o recomendo.

1980, UM ANO PELA METADE

1980 foi o ano de The Game, do Queen. É um disco desconjuntado, as faixas não combinam, mas caramba, tem Another one Bites the Dust. Foi o ano também de Back in Black. E esse disco, histórico, é uma coleção de riffs insuperáveis. Hell Bells salva sua alma da pasmaceira. 1980, ano decisivo no rock mais musculoso, teve Ace of Spade. O Motorhead foi a zebra do ano. Chegou ao número um na Inglaterra. Mesmo indo contra a moda ´crítica de então: Gary Numan, Adam Ant e Madness ( gosto dos 3 ). O disco do Lemmy é como uma moto hiper turbinada correndo sem freio entre penhascos cheios de lava. Adrenalina. 1980 foi de British Steel, do Judas Priest. Críticos dizem hoje ser o terceiro disco mais decisivo da história do heavy metal. Ele é quase perfeito. Não gosto de United, um hino feito para o clube de Rob Halford. Mas todas as outras são matadoras. Não vou deixar de dizer que em 1980 houve Killer também. Voce sabe de quem. Em 1980 eu andava muito com três amigos. Inseparáveis nós três. Mauro ouvia apenas black music. E para mim, na época, black era música pop, sem valor nenhum. Tocava nas rádios tipo Cidade e Antena Um. Sonzinho pra " catar mulher ", nada mais que isso. Diógenes ouvia Led Zeppelin e Deep Purple. Duas bandas que eu considerava velhas, mofadas, antigas, vergonhosas. E havia Tinho, Robertinho, que ouvia os discos que citei acima. Eu não entendia como alguém civilizado como ele escutava algo tão "pouco refinado". Queen ainda vá lá, mas Judas? Angus Young e seu ridículo calção! O horroroso Lemmy! Os analfabetos Iron Maiden!!!! Eu tentava o salvar. Livra sua alma do pecado de um gosto vulgar. Que gloriosa missão! Não preciso dizer que em 1980 eu não ouvi nem um segundo de Back in Black, Killers, Ace e Judas. EU SABIA QUE ERAM PÉSSIMOS. Um crítico do Estado de SP me dissera isso. Em 1980 eu comprei Gang of Four, Joe Jackson, Clash, e claro, o hiper cool Elvis Costello. Eu tinha a auto satisfação de estar up to date, dentro das novas ondas. Eu ouvia o que apenas OS MAIS ESPERTOS ouviam. Melhor que tudo, eu comprava discos históricos, coisas que me davam uma cultura rock n roll. Naquele ano foi Crosby Stills Nash e Young, Traffic, Cream e muito Grateful Dead. A questão é: eu ouvia tudo isso? Comprei, como bom aluno, tudo que a crítica MANDAVA, mas o que eu escutava todo dia? Não, não era Heavy e rock básico, isso era PECADO, não chegava nem perto. Mas esses discos endeusados pelos cabeças, confesso, eu ouvia uma vez e guardava. Então, preso entre o que ERA INTELIGENTE, e o que era escutado pelos meus amigos, eu me escondia no meio termo e passei 1980 com Rolling Stones, Jorge Ben, Dire Straits, Police e Pretenders. Não eram queridinhos dos jornais, mas também não eram odiados pelos DONOS DO BOM GOSTO. Eu não tinha prazer com os caras do tal BOM GOSTO CRÍTICO, mas não tinha coragem de romper. Um bundão