SCRUTON - CONSERVADORISMO

Lançado em 2015, nesta obra Roger Scruton traça um panorama histórico, breve, do conservadorismo. Nascendo ao lado da Revolução Francesa, com Burke, o movimento conservador foi sendo modificado em seus quase três séculos de história. No início ele era inimigo dos liberais e depois, com o nascimento dos socialistas, se torna o contrário dos partidários da igualdade. Além de Burke, Scruton nos apresenta Schopenhauer, Hegel, Monstesquieu, Tocqueville, Chesterton, Lewis, Kirk, Von Mises, Rand, Leavitt, Eliot, Arnold, Orwell, toda a evolução e adaptação histórica dos conservadores. Alguns fatos me saltaram ao coração. ----------------- Liberdade, Igualdade, Fraternidade. O lema da revolução francesa é pulverizado pelo conservadorismo. A igualdade sempre leva à opressão. Como? Para atingir a igualdade, condição artificial ao ser humano, condição não natural, é preciso a vigilância do estado. As diferenças têm de ser suprimidas. É preciso que o mérito individual desapareça. A propriedade privada deve ser abolida. O ser mais inteligente precisa ser "domesticado". O rebelde, o original, o desobediente não pode existir. Pelo fato de cada ser humano ser único, a igualdade precisa sufocar a alma dos seres. Quanto à fraternidade, ela nasce naturalmente em associações livres ( igrejas, clubes, bares, vizinhos, pequenas cidades ), não pode ser ideologia de estado. slogan. Já a liberdade é um fim e não um meio. A liberdade real nasce dentro da comunidade e nunca é imposta de fora. ------------- É essa a raiz do conservadorismo, o respeito por aquilo que as pessoas comuns fazem, vivem, querem. Scruton expõe duas observações de Chateaubriand: A constituição americana, escrita por apenas 4 intelectuais, não foi jamais um projeto para o futuro. Ela foi escrita como uma compilação, simples, daquilo que o povo americano já era. Os intelectuais olharam o que a nação era e escreveram a carta magna para esse povo. Nada lá visava modificar as pessoas, a constituição as respeita e por isso o americano sempre se sentiu responsável pelo estado e pela nação. --------------- A constituição da revolução francesa ( como a da URSS ) visava construir uma nação do zero. Tudo deveria começar do nada, o passado abolido e o povo moldado nessa nova vida. Era lógico que ela não poderia durar. Ou estar eternamente sob reforma. Entenda, se os americanos de 1776 amavam sua comunidade, sua família, se amavam Deus, se queriam liberdade de culto, se queriam ficar ricos, se queriam ter armas, a constituição garantiria isso. E garantiu. Já nas revoluções pouco importa aquilo que o povo é. Os intelectuais tomam a voz do povo e ditam o que o povo deverá ser. Minha questão é: a constituição do Brasil foi feita por quem? Ela respeitou o amor do brasileiro de 1989 por sua família, sua igreja? Ela deu ao brasileiro a certeza de ser dono do documento maior, de pertencer à uma comunidade, de se sentir responsável pela lei? --------------------- Para um brasileiro causa dor saber que a divisão de poderes, criada nos EUA, legislativo, executivo e judiciário, teve por objetivo a vigilância de cada casa sobre a outra, e que o judiciário TERIA A FUNÇÃO QUE ANTES ERA DA ARISTOCRACIA, servir como exemplo moral, exibir honra, frieza, imparcialidade e retidão moral. Por isso vemos em tantos filmes americanos o juiz do supremo como uma espécie de rei benevolente e justo. Weeeeelllll........ ---------------------- Ao final do livro, Scruton fala da péssima condição dos conservadores em 2015. Impedidos de lecionar, impedidos de falar na imprensa, ridicularizados pela esquerda. ----------------- Um aluno meu, na sexta feira, foi à escola de jeans. Aquele jeans largo, típico dos skatistas de 1995. Além disso vestiu uma camisa branca, sem desenhho nenhum. E uma bota estilo montanhista. Claro que ele me imitava. Pois bem, ele reclamou comigo que os colegas, todos, ficaram todo o tempo zombando dele. Por que? Ele fugira do modelo "calça justa preta ou cinza e blusa preta ou cinza e tênis ou chinelo". Todos iguais. Como digo sempre, voce pode usar 38 tatuagens, e 22 piercings, pintar o cabelo de azul, mas não pode usar ou fazer nada que fuja do modelo "diverso". Há uma incrível e entediante falta de marca pessoal, de caráter único nas ruas, no esporte, nos novos atores, músicos, políticos. Todos moldados em 3 ou 4 moldes fixos. Permitidos. Cabe aos conservadores serem os chatos que estragam essa festinha cínica e fazer o mundo ver o que importa: voce é único. As coisas que importam são as que permanecem. Tudo que vem do estado é sempre suspeito. Comunidades nascem nas famílias. Não há civilização sem religião. E por fim, tudo que voce ama deve ser defendido contra sua decadência.