DECLÍNIO E QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO - EDWARD GIBBON
Gibbon é, assim como Dr.Johnson, um daqueles autores ingleses muito lidos por lá ( ou eram muito lidos ), e que são muito menos considerados fora da ilha. Para voces terem uma ideia, há críticos britânicos que consideram esta obra tão importante como a Capela Sistina de Michelangelo. Sim, a comparação é essa, pois assim como a obra do italiano, o trabalho de Gibbon levou anos para ser terminado e é de um tamanho material imenso. Escrito e lançado no final do século XVIII, a obra é composta por mais de 2000 páginas divididas em 4 volumes. Que eu saiba ela jamais foi lançada integralmente no Brasil, mas há uma versão feita por um professor britânico em 1952, que é aquela que se lê hoje e é a que foi lançada em 2002 no Brasil. Um único livro com 600 páginas. ------------------- A história começa no auge do império romano, em 200 depois de Cristo e vai até cerca de 1450, quando Bizâncio cai. Na versão completa Gibbon fala de cada povo bárbaro subjugado pelos romanos, descreve cada estilo de vida dos adversários e a paisagem de todo o império, império que ia de Portugal ao começo da Russia, da Escócia à Libia, do Egito à Siria. Na Europa, apenas o norte da Alemanha, a Escandinávia e o norte da Escócia não foram terra de Roma ( a Irlanda também ), e no norte da Africa apenas Marrocos ( Roma não se interessou por essas regiões por serem muito frias ou muitos áridas ). A conquista se dava pela guerra mas o domínio pela cultura. Roma seduzia os bárbaros com a exibição de um estilo de vida mais rico e um modo de ser ordeiro. Roma não proibia as religiões dos conquistados ( não tolerava apenas as religiões que praticavam sacrifícios humanos ), e permitia que chefes tribais tivessem ainda alguma dignidade. Mas havia escravos, soldados vencidos eram escravizados, e com o tempo a semente da decadência surgiu. O império precisou de 300 anos para ser gigantesco e de os mesmos 300 para entrar em anarquia. Para Gibbon o fator principal de queda foi o próprio enriquecimento de Roma. Gerações de preguiçosos, de indolentes que não mais lutavam por Roma e se deixavam enredar em corrupção, vícios e sono. -------------- Gibbon escreve como os grandes autores de seu tempo, procura a clareza e a beleza, procura ser direto sem perder sua emoção. O prazer é vasto, tão grande como sua obra.