musical express 1980 especial kevin ayers blog am~tve



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Kevin Ayers - Falling In Love Again (1976)



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Milos Forman - Cerny Petr (1964) PEDRO, O NEGRO, SUBLIME.



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PEDRO MILOS FORMAN/ O MESTRE/ PRESTON STURGES/ STEVE MCQUEEN/ OSCAR 2013

   Antes vou falar sobre o Oscar de amanhã. Bem, cada ano ele se torna mais irrelevante, mas não dá pra ignorar. Neste ano tem um monte de filmes "bacaninhas" e nenhum filme ótimo. Pelo menos não estamos em nivel tão baixo quanto 2011, quando uma série de filmes de arte-lixo-fake concorreu ( e foram derrotados, felizmente, pelo Discurso do Rei, excelente ). Infantil o prêmio se torna cada vez mais, mas ás vezes ele ainda acerta. O melhor filme em inglês do ano não concorre a melhor filme ou direção. Anna Karenina é um filme sofisticado demais para um prêmio que se faz teen. O diretor Joe Wright faz mais um grande filme e dessa vez nos dá o prazer de uma féerie de cores e de sons. Arte superior. Porcos não apreciam pérolas. Dos indicados deve dar Argo, filme que tenho preguiça de ver. Ben Affleck será melhor diretor. Hollywood ama atores que dirigem. Se unirá a Warren Beaty, Clint Eastwood, Mel Gibson, Kevin Costner. Day-Lewis vencerá melhor ator e Emmanuelle Riva a melhor atriz. Anne Hathaway será coadjuvante e Seymour Hoffman o masculino. Ou seja, vai ser tudo um tédio mortal. Dos indicados eu adoraria ver a vitória de Os Miseráveis. É o único indicado que me surpreendeu. Muito melhor do que eu esperava, nada tem de xaroposo. Diretor votaria em Tom Hooper. Assim ele seria o segundo inglês na história a ter dois Oscars ( o primeiro é David Lean ). Melhor ator Hugh Jackman, de longe o melhor. Atriz Helen Mirren em Hitchcock. Jamais daria o coadjuvante para Anne, seria Amanda Seyfried e ator coadjuvante Christoph Waltz. Tá bom? Vamos aos filmes que assisti na semana....
   O MESTRE de Paul Thomas Anderson com Joaquim Phoenix, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams
Anderson é um bom diretor mas ele precisa dar um tempo e viajar, descansar, se renovar. Seus filmes sempre foram chatos, mas em troca da chatice nos davam momentos de belo cinema. Ele criava. Ousava. Mas, ultimamente, seus filmes se tornam cada vez mais crispados, áridos, mal-humorados, solenes, quase mortos.  O cinema de Anderson sempre foi cristão. Todos os seus filmes falam sobre a perda do pai, a dor e a ressurreição. Às vezes de forma explícita, como em Magnólia, onde até a passagem bíblica da queda dos sapos comparece. Sangue Negro é o filme em que o diabo vence. Anderson entrega os pontos e admite, gnósticamente, que a partir de certo momento de nossa história Deus foi exilado. Puritano. O cinema de Anderson é hiper-puritano. Hawthorne e Melville são suas fontes. A ironia que dava a força vital a seus filmes vinha de Robert Altman, diretor que foi seu mestre. Boogie Nights e Magnólia são filmes à Altman feitos por um cara que nunca foi doidão. Com o tempo Anderson foi trocando a influência saudável de seu mentor hippie por um cinema mais clássico, um tipo de William Wyler intelectual. Não está dando certo. Mesmo admirando suas intenções, mesmo torcendo por ele, seus filmes são chatos, sempre chatos. Aqui, puritanamente, ele condena os falsos religiosos, os vendilhões do templo. Ótimas intenções, mas o tiro sai pela culatra. O único ser vivo em todo o filme é Seymour Hoffman. Ele parece ser humano e real. Todos os outros são tipos unilaterais, sofrem de sintomas, não são "ricos". Sem nota.
   AS TRÊS NOITES DE EVA de Preston Sturges com Henry Fonda e Barbara Stanwyck
O mundo inteiro não deve estar errado. Todos adoram esta comédia do mais valorizado dos diretores americanos. Mas eu não. Então concluo que o errado deva ser eu. Certo? Fonda faz seu tipo bom rapaz ingênuo, e Stanwyck é uma vigarista que o seduz. É um filme ok, mas não vi sua criatividade tão decantada. Nota 5.
   SHENANDOAH de Andrew V. McLaglen com James Stewart
Se voce suportar a carolice de seu começo, onde Stewart faz um pai de familia, viúvo, voce verá um bom filme de ação em sua parte final.  Ele, Stewart, tenta ser neutro na guerra de secessão, não consegue. A guerra invade sua vida e sua familia se despedaça. É filme da fase final da carreira de Stewart, ele atua no piloto automático, repete as falas como um Lincoln de segunda mão. Mas a parte final é boa, e tem uma bela fotografia. Nota 6.
   CROWN, O MAGNÍFICO de Norman Jewison com Steve McQueen e Faye Dunaway
Um dos filmes mais vaidosos e exibicionistas de todos os tempos. O ano é 1968. Steve McQueen era então O Cara. Uma mistura de Sean Connery com Paul Newmann. O inventor do cool, o feio atraente, o cara muito macho e muito sexy. Ele se exibe como um milionário que se torna fora da lei só para espantar o tédio. Faye vinha de Bonnie e Clyde. Era a atriz da moda. Faz uma sexy e elegante agente de seguros que tenta capturar McQueen. O fotógrafo do filme é Haskell Wexler, o mais moderninho de então. O filme é todo "esperto". A tela dividida em quadros, imagens fracionadas, ângulos arrojados. A trilha sonora é de Michel Legrand. Cheia de bossa, jazzistica, a trilha que hoje Soderbergh adora. E o diretor, Jewison, vinha de sucessos em série. Resultado de tudo isso? Um super-sucesso de box-office. Mas não é um grande filme. Tanta exibição faz dele uma coisa fria, distante, sem emoção. É como ver uma revista de moda, o filme é lindo, chic, gostosão, mas sem mais nada que essa casca. Nota 6.
   PEDRO, O NEGRO de Milos Forman
Uma obra-prima. Finalmente descubro uma obra-prima!!!! Há quanto tempo!!!!! Aleluia!!!!!!!!! Feito na libertária Tchecoslováquia de 1966, Milos Forman com este filme influenciou todo o novo cinema americano de então.  O filme parece documentário, parece reportagem. É jovem, é fresco, é vivo, é maravilhoso. Com câmera na mão e atores de rostos inesquecíveis. Pedro é um adolescente. Ele trabalha como vigia de mercado e tenta engatar namoro. Sempre calado, os enormes olhos em dúvida constante, Pedro é um dos mais perfeitos retratos de um adolescente já vistos em filme. Mas todos os outros também são ótimos. O pai, um durão que não o entende, a mãe, submissa, os amigos, feios, ansiosos, brigões, e as meninas. Há tanto amor pelos personagens que o filme chega a comover. E há humor, o humor tcheco, absurdo, ácido. A cena do Hóy ( quem assistir saberá do que falo ), é uma das mais hilárias que já vi. Creiam-me, é um filme obrigatório. Vendo-o voce entende o quão pouco é preciso para se fazer um grande filme. Voce percebe que arte e diversão podem andar juntas. Melhor que Estranho no Ninho ou que Amadeus, é o grande filme do grande Milos Forman. PS: Maravilhosas cenas nas ruas e nos mercados da Praga de então. Nota DEZ !!!!!!!
  

O ROMANTISMO POR CARPEAUX, AFINAL, ELE AINDA VIVE?

   Se eu tivesse de escrever uma obra sobre a musica pop teria dificuldades em ser imparcial ao relatar as fases 61-67, 83-88 e 2005-2012; porque são as épocas que Menos gosto. Os elogios pareceriam forçados, as críticas muito fortes. Carpeaux por mais que disfarça, não gosta do romantismo, daí que seus elogios parecem artificiais e suas críticas exageradas. Como apaixonado pela literatura do século XVII, Otto, lógico, não pode compreender completamente o romantismo. Não o aceita.
   Românticos são narcisos. Em tudo aquilo que colocam o olhar vêem um EU. Suas obras sempre falam de um Ego em luta contra o Mundo. Daí a imensa quantidade de heróis e de sofredores. Napoleão é o guia dessa geração. Napoleão é amado como o indivíduo contra o mundo, ou odiado como o vilão que vulgarizou o planeta. Nunca é ignorado. Otto Maria Carpeaux não aceita essa literatura. Daí passar o livro inteiro chamando os autores da época de "esquisitões", "neuróticos" ou "paranóicos". Ele cria diagnósticos e analisa pouco.
   É verdade, nunca houve tanto poeta suicida como nessa época, nunca aconteceu de tantos morrerem tão cedo ou acabarem como mendigos ou loucos internados. Mas ele deveria dizer como isso aconteceu e não se contentar com um veredito. O que levou tantos a esse caminho?
   Por volta de 1800 acaba a imagem do artista como "protegido dos nobres". Com a ascensão da classe média e o fim da nobreza como classe central-única, os artistas devem, pela primeira vez, lutar pelo sustento "se vendendo". Precisam agradar a burguesia, agradar aos jornalistas, produzir muito, adivinhar o que o público deseja. É aqui que surge o conceito de best-seller, um gênero criado inconscientemente por Walter Scott. Os artistas mais sensíveis, incapazes de se adaptar a esse mundo de fábricas, relógios e competição, sucumbem.
   Aviso que não sou um grande fã dos romanticos. Apesar de ser a época de Stendhal, Keats e Wordsworth, me incomoda essa obsessão pelas dores da vida, pelas injustiças. Estou muito mais perto de Montaigne ou de Sterne que de Hugo ou Byron. Mas tenho de admitir, eles foram grandes, muito grandes, e até agora ( mas já em franca decadência ), aquilo que entendemos por "artista" está muito próximo daquilo que foi Beethoven, Byron ou Victor Hugo. O indivíduo em luta contra o meio injusto. O anjo caido.
   Falar de tudo o que o livro diz é impossível. São milhares de autores. Destaco alguns, não necessariamente os maiores. Vejam Walter Scott. Ele é até hoje o mais best-seller dos best-sellers. Mais que Dumas, Verne ou Conan Doyle, Scott criou aquilo que chamamos ainda de "romance popular". Influenciou toda a Europa, vendeu aos milhões ( em 1815, em 1820 !!! ). Ele criou o romance medieval, o romance de viagens, o romance de aventuras histórico. Tudo o que vemos nas livrarias que traga algo de gótico, de romanesco, de "passadista" tem uma dívida com Walter Scott. Ele cria o romantismo de evasão, o livro que nos faz "ir embora para lugares miticos".
   Otto considera Kierkegaard o grande filósofo romântico. Seu mergulho no Eu chega ao paradoxo: negar o Eu. Kierkegaard chega a conclusão que o homem deve tomar uma decisão existencial, negar a Deus, e viver na animalidade absoluta do aqui e agora, ou aceitar Deus, negar o Eu, e viver no compromisso com o Outro. Schopenhauer e Hegel seriam os outros filósofos românticos, um com seu nada e o outro com sua dialética histórica.
   Em termos de história do período, Otto, que era austríaco, coloca neste período o fim da verdadeira Viena. A cidade barroca, católica, sensual, feliz, riquíssima, seria sufocada por Berlim e seu espírito gótico, luterano. Fato pouco lembrado e muito importante, Otto Maria Carpeaux une religião e arte, religião e filosofia, dessa forma, a arte do romantismo se liga a um renascimento católico, assim como o realismo é a confirmação do positivismo e nossa arte atual é filha de um "vale tudo" pseudo-religioso. Para quem acha que nosso tempo é o mais ateu dos tempos, esse foi o século XVIII. Século que culmina na Revolução.
   Stendhal é um dos que Otto salva. Isso porque, em estilo, ele é muito mais século XVIII que XIX. Sua alma é racionalista. Coisa admirável, Stendhal é tão inteligente que a psicologia de seus livros é válida até hoje. O que os personagens fazem, sentem, pensam, é aquilo que fazemos, pensamos e sentimos até hoje. É o maior dos psicólogos romancistas.
   Devo dizer ainda que Otto preserva de suas críticas o pré-romantismo, esse romantismo de 1790, de Wordsworth e Coleridge, a poesia dos lagos, a poesia daqueles que negam a vida moderna e se isolam nas matas, em contemplação, em adoração ao mundo natural. São os poetas que percebem um universo numa gota de chuva. E que falam de pobres agricultores como se fossem reis.
   Gogol, Hans Christian Andersen, Shelley, Heine, Thoreau, Emerson, uma linha infindável de nomes, grandes, pequenos, esquecidos, vivos. Um grande livro, mas da série de Carpeaux é o pior.

UMA HOMENAGEM A KEVIN AYERS NO DIA DE SUA PARTIDA

Não vou falar sobre a biografia de Kevin; esse viajante exilado. Voce sabe, já escrevi sobre sua vida antes. Um rock star que nunca foi star e foi muito mais poeta que rock. Ele morreu e dizem que morreu dormindo. Morreu sonhando. Sua vida foi constelação de imagens e de coisas que se definem em indefinição. Estranha coincidência, eu cantara Strange in a Blue Suede Shoes ontem.
A morte sempre esteve perto de Ayers para mim. Isso porque descobri Kevin tarde na vida, apenas em 2008, um mês após a morte de meu pai. Assim como a poesia de WB Yeats, Kevin Ayers ajudou a superar a dor e a absurdês da morte daquele que me fez estar aqui. A música de Ayers, com sua irresponsabilidade perante tudo me aliviou e seu romantismo sem desespero, blasé e elegante, me fizeram ver a beleza na falta de sentido. Ele pegou minha mão e eu fui.
Posto dois videos e um deles foi posto no Tube recentemente. Um show no bar do Olympia em Paris. Ayers escolheu ser francês. Simbolismo, a evolução irônica do romantismo. No show dá pra ver sua imagem, um modo Shelley mais Wilde de ser. E o descompromisso com as razões e as direções. Solto e cercado por nuvens, assim viveu Kevin Ayers.
Para onde ele irá agora? Terá ido ao encontro final com a Lua em Junho ou a Criança de Gêmeos? Poderá enfim ver as cores que sempre sonhou? Ele tinha de morrer dormindo, afinal, há uma absoluta indiferença ao drama em sua música. Ele nunca posou de herói, daí seu não-sucesso no mundo do rock, esse mundinho cheio de heróis sofridos ou de heróis machões. Kevin Ayers escolheu ser um dandy. Dandy bêbado, dandy sonhador. E nesse sonho fez do mundo uma praia de caranguejos de nome Clarence e de Bananas filosóficas.
Eu amo Kevin Ayers e para mim, e alguns poucos, ele será sempre presente. Porque nunca o vi como um homem deste mundo. Ele sempre viveu no "outro". E lá continuará.

Kevin Ayers - Taverne De L'Olympia, May 1970 - Part 1



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KEVIN AYERS & THE WHOLE WORLD - May I? (1972)



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BYRONISMO HOJE ( rock e romantismo )

   O byronismo não é um estilo, é uma atmosfera, uma mentalidade, uma atitude em face da vida e da morte. Fala-se em Mal du siécle ou Weltschmerz. Ninguém ou quase ninguém pensava em imitar o estilo poético de Byron, todos só pensavam em imitar-lhe o gesto, a fronte pálida reclinada à mão, o olhar para longe onde há mulheres a amar e a corromper, povos a libertar. Foi esse tipo que conquistou o mundo.
   Transcrevi esse parágrafo de Otto Maria Carpeaux em O Romantismo. Se voce tem por volta de 30 anos ou menos, não faz muita ideia do que seja a tal ATITUDE BYRONISTA perante a vida. Eu, infelizmente, não conheci outra coisa. Arte é para mim sempre byronismo, e o mundo, pena,  é hoje materialista e comercialista. Enfim....
   Como acontece com Oscar Wilde, se conhece muito o homem Byron, pouco se lê seus livros. Mas não foi sempre assim. Quando Byron surge, começos do século XIX, sua poesia torna-se sensação. O romantismo se confunde com seu nome. Porém, em 20 anos seu nome se faz maior que sua obra, ele passa a ser um tipo de Homem-Arte, celebridade. Odeia-se Byron, muito, ama-se Byron, muito mais. Por 150 anos ser artista é ser byronista.
   Lord Byron, nobre decaído. Ser artista é ter esse ar de nobre que perdeu tudo, de alguém que nasceu na hora errada, no lugar errado. Muito tarde, muito cedo, seu tempo nunca é o tempo certo. Inadaptado, angustiado, excitado pela raiva e pela melancolia, ele se debate, sonha com outros mundos, viaja. Creia-me, antes de Byron esse não era o modelo do Artista. Um escritor, um pintor podia e geralmente era, completamente "de seu tempo e de seu lugar". Com pés firmes no chão, ligado a realidade, gênios como Cervantes ou Moliére nada possuem de "sentir-se de outras eras". Byron não. Ele, solitário radical, porém cercado de amantes, nunca está aqui. Vive sempre lá.
   Místico, mesmo sendo cético, Byron populariza o satanismo. Flerta com o anjo caído, o anjo negro da noite e do pecado. Byron ousa. Inaugura isso também, o artista como pecador. Byron se droga, dorme com a irmã, blasfema, peca. E goza. É o homem mais famoso da Europa. Bate em popularidade Goethe e Beethoven. É um tempo de titãs.
   Byron parte, viaja. Mete-se em revoluções, ajuda anarquistas. Onde houver ação, ele lá estará. Mas suas causas devem ser as perdidas. Byron perde sempre. E morre nas trincheiras, na Grécia amada, lutando pela independência do país. Um fim digno de sua vida. Um fim artístico.
   Pois bem, por 150 anos esse será o modelo. De DH Lawrence a Heminguay, de Jean Cocteau a Joyce, todos serão em algum aspecto byronistas. Gauguin, Modigliani, Lorca... a ansiedade, a vida como obra, a obra como tentativa de inovação, a criação de um mito, a crença em outros caminhos, a inadaptabilidade ao tempo. Mas, claro, esse byronismo vai se tornando cada vez mais "fake", de segunda e terceira mão, cada vez mais impossível.
   Quando o rock explode os mais espertos logo surrupiaram o modo Byron de ser. Mick Jagger passa dez anos em poses de Lord Byron. Satânico, pecador, dúbio, entediado. Com ele vem toda uma leva de byronistas do rock, entre eles os mais ingênuos morreram ( Jim Morrison, Brian Jones, Nick Drake, Ian Curtis ), os mais espertos se tornaram cínicos ( o próprio Jagger, Bowie, Kevin Ayers ) ou trocaram Byron por Shelley ( Van Morrison, Bryan Ferry ). Quase todos ingleses, nos EUA o rock é folclore, todo rock star americano desde sempre é whitmaniano, ( com alguns anjos de Allan Poe como Lou Reed e Patti Smith ). Weeellll....
   Penso então que é por isso que tenho imensa dificuldade de levar o rock de agora a sério. A ênfase em Byron se foi. Uns poucos ainda bebem na fonte de Shelley ou de Wilde, mas quase todos são filhos da era naturalista, arte para eles é apenas "observação acurada da vida". Sempre vou pensar que isso não é arte. É jornalismo.
  

PORQUE O PÂNICO É TÃO RUIM? DADI É MEU MOMENTO FELIZ.

   Quem desejar saber o que é o Brasil hoje que assista o Pânico. O programa exemplifica a perfeição os dois tipos de humor que existem: o humor alegre e revigorante e o humor maldoso e triste. As pessoas assistem o programa na esperança de rir. Algumas riem, nenhuma sente alegria. Nada nele é feito com leveza, com felicidade, com prazer. O riso, quando vem, é aquele riso que diz: "Que bosta que essa gente idiota é! Ainda bem QUE EU NÃO SOU ASSIM!". Eles são incapazes de uma cena de humor em que alguém não seja ridicularizado. São tão tristes que confundem rir com humilhar. A alegria passa longe daqueles caras.
   Isso se explicita no modo como eles tratam "as gostosas". As "grandes ideias" são sempre as mesmas, mostrar como elas são imbecis. Com certeza na adolescência eles foram muito desprezados pelas gostosas da classe. É um pseudo-humor vingativo. Triste portanto. E nada lá é mais triste que o rosto maquiado e sempre emburrado de um sujeito de barbinha cujo nome esqueci. Azedo, maldoso, infeliz, é o cara que "bola" as maldades estúpidas contra um gordinho bobo alegre e as gostosas "idiotas". Humor? Não, infelicidade vingativa.
   Humor do bom ( sim, sou moralista! A moral é o que nos salva queridões ), é sempre feliz. É o momento em que o humorista se expõe e diz ao mundo: "Sim, eu sou assim, mas estamos todos no mesmo barco!" No Pânico a frase é: "Voces são assim, eu sou mais esperto que todos voces seus trouxas!" Nada mais Brasil-Brasilia que isso. O riso do Pânico é a zombaria de um senador corrupto e impune.
   Saindo do inferno.... Dadi esteve na Cultura. Naquele programa que entrevista gente no escuro. Ensaio. Quem é Dadi? Dadi é feliz, Dadi é alegre, brasileiradamente alegre. Por toda a minha vida tenho o acompanhado e ele nunca envelhece. Começou a tocar em 1971, num dos melhores discos da história do mundo, ACABOU CHORARE, dos Novos Baianos, o mais feliz dos discos. Contrabaixista, foi morar com a troupe lá no sitio dos caras. A vida deles era futebol de manhã e música de tarde. Depois ele foi tocar com Jorge Ben. Ou seja, saiu da alegria e foi para a felicidade. Linhas de baixo insinuantes. Conheci Dadi quando ele foi em 1979 para a Cor do Som. Da felicidade para a leveza pura. Ele já devia ter 30 anos, mas parecia ter 15. A Cor Do Som foi um big big big sucesso. Principalmente entre o pessoal da escadaria do Objetivo e da praia do Arpoador. Tenho seus discos. Todas as faixas falam de alegria. Cores, visuais, gatas e viagens astrais. Hippies? Talvez. Mas do tipo A, os felizes. Meio Lebowski.
   Era um Brasil que prometia. Tropical e livre, parecia que íamos ser exmplares. Um Tahiti gigante, um Hawaii aqui. Mal sabíamos que enquanto nos sentíamos felizes a coisa era combinada. Desandou. Nos anos 80 a coisa foi ficando cada vez mais mal humorada. Deu no Pânico.
   Toda geração tem seu momento Copacabana. A hora em que tudo parece "lindo leve e solto". A minha foi entre 1978/1983. Quer dizer, eu espero que todos tenham tido esse momento. Quem não viveu seu ano, ou anos, bossa-nova-tudo-lindo, que vá pedir emprego no Pânico. Com certeza seu sonho é se vingar do meu sorriso. Eu era aquele cabeludo que sorria nas escadarias do Objetivo. E voce era o ressentido que zombava da minha alegria.

Wrong To Love You



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APÓS PENSAR, ESCREVO SOBRE O PAPA BENTO

   Como diz o novo filme de PT Anderson ( filme cheio de pontos ruins e de algumas boas ideias ), todos precisam de uma força superior, de um mestre. Esse mestre pode ser uma besta, um idiota, um mentiroso ou uma alma realmente superior. Mesmo voce, inteligentinho-livre e esclarecido, mesmo voce tem seu mestre. Pode ser Bill Gates, Lenine, Darwin, Bob Marley ou Maradona. Pode ser Freud, Jung, Paulo Coelho ou Chico Buarque. Buda, Maomé ou Jesus Cristo. Não importa. De Hitler a Luther King, todos precisam crer num guia, numa inteligência superior. Mas é claro que existem os hiper-individualistas. Esses crêem em si-mesmos e só. Pobres tolos, carregam o peso de uma vaidade mortal e uma solidão asfixiante.
   O catolicismo foi o pai e a mãe de todos os ismos. Assim como acontece com o darwinismo, freudianismo, comunismo ou liberalismo, o catolicismo pretendeu explicar o mundo numa única verdade. E nessa explicação teve a certeza de que conseguiria unir todo o planeta numa liderança centralizada. Pois observe que todo ismo tem essa fé. A certeza de que sua crença é uma verdade, a única, e de que todos que dela não compartilham estão perdidos em ignorância. Well...todos os ismos são falíveis, inclusive o ismo original. Afinal, todos os Papas, sejam Bento, Mussolini, Lacan ou Marx são humanos. Erram.
   Mesmo no auge de seu poder, 1500, talvez 1400, a igreja romana não conseguiu seu intento, nunca foi universal. Ela dominava 3/4 da Europa e só. O mundo era na maioria pagão, judeu e muçulmano. E então, exatamente como acontece com todos os outros ismos, sua cabeça-durice e sua cobiça destruíram sua chance de crescimento. Imoralidades, recusa em dialogar, arrogância e vaidade, a igreja romana se viu em xeque. Lutero surge.
   Para os muitos que falam de religião sem nada saber dela, Lutero fez algo que hoje parece simples, mas que na época foi espantoso. Ele pegou a Bíblia e a leu. Sem a intermediação de um padre. Nesse ato ele tirava de Roma a exclusividade sobre Cristo e dava a todos os fiéis o acesso a Deus. A ideia era ótima, mas Lutero, Calvino, John Smith eram todos humanos. Erraram também. Não previram que alguns esquisitões iriam ler a Biblia, criar sua própria versão simbólica e arrebanhar aqueles que como todos nós, precisam de orientação. Jamais uma pessoa com um mínimo de inteligência poderá condenar alguém por procurar "uma luz", uma ajuda, uma fé. O que se deve apontar é a qualidade dessa luz. A conta que se paga.
   O catolicismo está condenado. Ele é suave demais, frouxo, sem força. Diante do pragmatismo dos evangélicos e da força dos islâmicos ( não falo em força como violência, falo em decisão ), católicos sempre parecem perdidos. A ruína do papado nasce na própria filosofia católica, aberta a dúvidas, a indagações e a heresias. O catolicismo se perdeu por ser uma religião democrática ( ao contrário do que acham os ateus ). Ela pede para que não se use camisinha ou se faça sexo gay, mas a séculos não excomunga ninguém por isso. A igreja se submeteu a vontade da maioria. Abriu concessões.
   Parece que defendo a ortodoxia? Talvez. Ninguém é obrigado a ser católico. Mas se for, deveria ser "de verdade". Desde o século XVIII não é mais o que se vê. O futuro do catolicismo, ele existe, será a volta a origem. Será uma religião de poucos, um tipo de judaísmo light. Alguns milhões de fiéis.
   Claro que o papa sabe de tudo isso. O catolicismo pode voltar a crescer. Basta deixar de ser católico. Que aceite mulheres padres, que diga que nada pode ser pecado se feito com boa intenção. Talvez uma eleição geral para Papa, que tal? Partidos na TV, campanha pelo seu voto. Mas isso seria outra coisa, seria capitular, seria deixar de ser o que se é. E o Papa tentou manter um mínimo de rigor, de verdade em sua igreja. Perdeu. Claro que perdeu.
   Eu sou um católico romano. Mas nunca vou a igreja, não comungo, não me confesso e cobiço a mulher do próximo. Acho que Deus existe, penso que Cristo foi um Ser Superior e tive experiências místicas incofessáveis.  Admiro Buda, Krishna, os Batistas e os Sufis. Isso se tornou um católico. Nossa frouxidão, ou melhor, nosso espírito democrático fez de nós ovelhas perdidas.
   Bento sabe de tudo isso. E não encontrou nenhuma chance de solução. O caminho que ele escolheu é o mais honesto e o mais "espiritual": a volta ao mosteiro, a saída da vida vulgar, o recolhimento.  Ele está certo.

AINDA DÁ PRA LER JORNAL? CADA VEZ MAIS, NÃO.

   Se voce quer saber o nome de quem escreveu o troço já aviso: Não me lembro. É algum desses caras que andam escrevendo em jornais. Que que tá acontecendo? A coisa tá indo ladeira abaixo e não diminui a velocidade de queda! Tem aumentado!
   O texto, óbvio, confuso, sem sal, bobo, burrinho até, fala das maravilhas contemporâneas. De como a internet abriu um admirável mundo novo para as artes. Mundo vasto e complexo que a crítica não consegue acompanhar. Well...vamos por partes. E vamos tentar ser menos tweetuosos.
   Ele começa dizendo que no youtube tem um monte de gente que elogia e ama o Ursinho Blau Blau. Com isso ele quer dizer que o tempo e a saudade aumenta o valor das coisas. Que engano cara! O povo que elogia Radio Taxi e Gilliard no Tube É O MESMO que em priscas eras comprou seus discos. Qual a surpresa? O tempo não melhora um disco, o tempo, para certas pessoas, nada muda. Elas continuam vendo, seja na TV, no Tube ou num palco, as mesmas coisas de sempre. Barão Vermelho e Renato Russo. Eu particularmente detesto os anos 80. É a década que criou tudo aquilo que hoje chamo de lixo. Começou com MPB melada, New Wave falsa e Metal farofa, depois nos trouxe muito rock deprê, pseudo-gênios e terminou com lambada e sertanejo moderno. O cinema dos 80 não é muito diferente disso.
   O texto continua em suas babosas asnices. Fala que o cinema do passado é melhor porque só se preservou o que tem valor. Ora ora ora...óbvio né? O melhor fica, o muito ruim também fica como coisa brega-chic, o médio desaparece. Dessa forma temos do passado Lubistch e Lang, mas também Ed Wood e Abbot e Costello. Aliás vou me contradizer! Com o dvd TUDO do passado foi revivido. Até as insuportáveis séries de cinema ( Zorro, Mandrake, Flash Gordon ) e os westerns classe Z. Se certas épocas do passado parecem melhores isso se deve ao fato de que elas foram realmente melhores. Basta se olhar a lista dos indicados ao Oscar ou os ganhadores de Cannes e Berlim. O fato é que Humphrey Bogart virou um nome Para Sempre e William Hurt ou Eddie Murphy não. O texto é burro por botar tudo no mesmo saco. Como se as coisas por serem antigas tivessem sempre uma FALSA AURA DE VALOR. Blá!!! Quando moleque eu odiava os filmes de Elvis e hoje gosto ainda menos. Eu não engolia Jeannie é Um Gênio ou Star Trek, e continuo os evitando. Desenhos da Hanna-Barbera eram um saco, hoje gosto só de Jonny Quest. Tenho saudades dos anos 70, mas ninguém é idiota ou masoquista. Gonzaguinha e Ivan Lins continuam sendo chatos e Led Zeppelin mais Secos e Molhados serão o que são para sempre. O cara do texto imagina que no Tube elogiam Kid Abelha só porque Paula Toller é do passado. Não, elogiam os Kid aqueles que em 1985 já gostavam deles. Pra mim são o que sempre foram, banais.
    Mas o texto piora ao falar da internet. Da revolução nas artes causada pelo mundo virtual, revolução que a crítica não acompanha. Revolução há, sem dúvida. Mas ele não percebe que é uma revolução de suporte e não de conteúdo. A internet traz a possibilidade de TODOS fazerem arte e de um cara como eu BRINCAR de crítico. Mas o conteúdo, infelizmente, não tem se modificado. A música é a mesma da época da TV e o cinema continua vinculado a grandes produções ou a prêmios em festivais de arte. O que a internet fez foi baratear a produção. Os filmes, em sua maioria, têm uma fotografia mais simples e as bandas podem gravar a vontade. Só na minha escola existem oito bandas de rock. A questão é: o conteúdo é novo? Bandas hoje são como grupos de baile, vivem em função de shows em festivais. Todas são como covers de algum momento do passado. Os shows são bons para se divertir, mas ninguém liga muito para os discos. O que traz a tona a mais perversa das consequências da internet: a trágica comparação.
    Montes de alunos roqueiros começam ouvindo bandas de hoje. Falo porque vi. Aos 12 anos ouvem bandas atuais e aos 16 começam a descobrir Led Zeppelin e Beatles e então piram. O leque se abre e logo estão vidrados em Kinks ou Lou Reed. Passam a ouvir só velharias e começam a falar que "bom eram os anos 60". Bandas novas só em shows. É perverso porque as bandas novas, com sua carreira de apenas um ou dois discos, não têm como concorrer com os 50 discos de Dylan ou os 40 de Neil Young. A internet dá a um moleque curioso de 12 anos o que eu nem sonhava quando adolescente: acesso a toda a história do rock. Assim como a toda a história do cinema. O suporte é ilimitado, o conteúdo tende a ser passadista.
    Por fim pergunto a voce: Quantos novos artistas voce descobriu na internet? Na tv fechada voce vê o que? Sinfonias modernas? Documentários relevantes? Filmes desconhecidos? Ou séries de tv e esportes? Onde a tal revolução da arte?

O LADO BOM DA VIDA/ HITCHCOCK/ SOPHIA LOREN/ REVOLUÇÃO SEXUAL

   O LADO BOM DA VIDA de David O. Russel com Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Chris Tucker, Jacki Weaver
Um casal de desajustados anda pelas ruas. Ele tem saudades da ex-esposa. Lentamente esse novo casal, que foi apresentado por amigos, vai se envolvendo. Mas seus problemas emotivos costumam atrapalhar tudo e dar ao filme seus momentos de humor. Poderia esse ser um resumo de Manhattan ou de Annie Hall. Mas infelizmente não é. O filme é este O Lado Bom da Vida. Ele não é ruim. É um filme muito gracinha. Um fofo. Um querido. Mas é ao mesmo tempo profundamente conservador, careta, reaça, antigo. Isento de sexo, de crítica social, de qualquer sinal de ousadia. Por que cobro ousadia deste filme? Porque me irrita essa coisa de se colocar gente pseudo-moderninha, gente com problemas "modernos" em filmes que no fundo são tão comodistas. Transforme o cara num alcoólatra vulgar no lugar de ser um bipolar, e transforme a mocinha numa descasada com roupas comuns e voce terá um filme de Doris Day. Mas dá pra ver algo de ainda pior. É uma comédia sem graça e um drama sem seriedade. E Jennifer Lawrence, por favor!, nada faz de especial, é uma atuação de rotina. A indústria resolveu que ela é a Jennifer da vez e poderá ganhar o Oscar numa atuação tão comum como as que premiaram Gwyneth Paltrow e Reese Witherspoon. O filme é de Mr.Cooper, e nos limites do roteiro pobre, ele se sai bem. Aliás se assistirmos ao filme esquecendo do absurdo de suas 8 indicações ( antigamente 8 indicações era coisa só para filmes excelentes ), poderemos ver um bom filme tipo Sessão da Tarde. Os personagens são simpáticos e torcemos pela mocinha e pelo mocinho. Torcemos mesmo. A gente sente peninha deles. O que nunca aconteceu com os personagens de Woody Allen. A gente pode odiar, mas nunca sente dó de Annie Hall e de Alvin. Escuta gente: a neurose foi extinta? Cooper nada tem de neurótico. Ele nada questiona, nada critica, não vai fundo em nada, nada tem a dizer. Nem chato ele é! Ele apenas sofre com seu TOC e fica nessa coisa de manias e obsessão. Não estou falando que ser neurótico é cool. Apenas digo que cada época tem sua doença e que hoje temos TOC e deprê. Em 1976 era a neurose. Talvez não tenhamos mais neuróticos porque não há bons comprimidos para eles. A neurose é traço da alma, não tem como curar. Não é sintoma, é um caráter. Termino dizendo que cada geração tem seu Annie Hall. Em 1989 foi Harry e Sally e em 2013 é este filme. Ah, ia esquecendo, De Niro faz De Niro de novo. Nota 6.
   HITCHCOCK de Sacha Gervase com Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlet Johanson, Toni Colette, Jessica Biel e James D'Arcy
Tem uma comovente imitação de Anthony Perkins feita por James D'Arcy. E um belo retrato de Hitch por um Hopkins contido. Como em todo filme que tem sua presença, Helen Mirren engole todo o elenco e domina o filme. Sem forçar. Scarlet imita Janet Leigh. A esposa de Tony Curtis era tão adorável que fazendo Leigh até Scarlet ficou mais humana. O filme é uma delicia. O momento em que a trilha de Bernard Herrman comparece na cena do chuveiro em Psycho é sublime. Um adendo: crianças que começaram a ver filmes agora tendem a não compreender o porque de tanta idolatria por Hitchcock. Ora meus novatos, todos os filmes que voces amam são hitchcockianos! O mestre inglês foi o cara que criou o cinema como "manipulação das emoções do público". Filmes planejados para dar emoções e reações a seu público. Hitch não contava histórias, ele criava sensações. Esse é o cinema, quando bom, de agora. Este filme cria uma sensação: a de testemunharmos a criação de um filme ícone. Nota 8.
   VÍCIOS PRIVADOS, VIRTUDES PÚBLICAS de Miklós Jancsó
Nudez frontal feminina e masculina todo o tempo. Masturbação explícita. Só dois cenários: um jardim e um salão. Um fiapo de história: dois jovens herdeiros resolvem sabotar o reino dopando toda a nobreza e fotografando uma orgia com duques, barões etc. Esse será o estopim da revolução. Jancsó é considerado por alguns o maior diretor do cinema húngaro. Foi famoso nos anos 60/70, e este filme, de 1976, tem a cara da década mais doida, é exagerado, otimista, tolo, brega, sem noção, despudorado, sujo e feio. E chato. Não tem história, não tem emoção, não tem nada. Tudo o que vemos são pênis, seios, muitas bundas, vaginas, e ouvimos risos, risos e mais risos. Hora e meia de uma cena dionisíaca. Seria bom estar lá, assistir cansa. Houve um tempo em que se tinha a certeza de que toda a tristeza do mundo vinha da repressão ao sexo. Liberando o sexo haveria naturalmente uma renascença. Os seres, livres, fariam uma revolução social e implantariam um socialismo libertário no planeta. Todos seriam felizes, sem patrões e com muito sexo. Essa era a fé da década. Daí seu otimismo. Jamais imaginaram que a liberdade sexual seria usada como produto e o gozo como objetivo em si-mesmo. Cães copulam a vontade e nem por isso são mais ou menos revolucionários. A liberdade é coisa muito mais individualista que a geração dos anos 60 queria crer. Não darei nota porque isto não é cinema. É uma tese.
   A BELA MOLEIRA de Mario Camerini com Sophia Loren, Marcello Mastroianni e Vittorio de Sica
Não seria Sophia a maior estrela do cinema mundial ainda viva? Felizmente viva. Ela é tão grande quanto Audrey, Liz Taylor ou Brigitte Bardot. De todas é a mais sensual, carnal, saudável. Uma festa na tela. Aqui, muito jovem e ao lado do sempre brilhante Marcello, ela faz uma camponesa que por ser bonita não padece dos impostos cobrados pelos invasores espanhóis na Nápoles de 1700. Marcello é seu marido, um malandro que começa a sentir ciúmes. É apenas isso, um alegre passatempo sobre a bella e alegre Itália. A direção é bastante tosca, mas os atores nos dão calor e encanto. Vale a pena. Nota 6.