WITTGENSTEIN AMAVA FAROESTES
Wittgenstein gostava muito de cinema, mas apenas de faroestes. Isso porque ele achava fascinante o mundo ético dos westerns. Para ele, como para mim, o western exibia, como nenhum outro tipo de arte, a natureza do mal e a luta do bem contra essa força. Qual o modo de vencer a maldade? O faroeste mostra. ------------------ Estou começando a ler uma obra que fala sobre a cultura de Viena centrada em Wittgenstein. O filósofo austríaco viveu até 1951, mas o livro enfoca os anos entre 1880-1918. O Império austro húngaro termina com a Primeira Guerra, e estranhamente, nada irá restar dessa nação. É como se tal civilização, imensa, jamais houvesse existido. Ficou a herança, da psicanálise à arquitetura moderna, da literatura à pintura e principalmente a filosofia de Wittgenstein. -------------- Linguista e lógico? Sim, ele foi um gênio que mudou esses dois campos, mas os autores, o livro foi feito em co-autoria, falam que os ingleses sempre simplificam o que vem da Europa Oriental. Seja a filosofia alemã ou a prosa tcheca, as universidades e a imprensa inglesa torna tudo mais pé no chão, mais prático, mais simples. Nietzsche por exemplo, é tratado na Inglaterra como um niilista ateu e na verdade ele não é nem niilista e nem ateu. Wittgenstein em Oxford ou Cambridge é um grande linguista e um lógico matemático, quando na verdade ele é um filósofo ético e moral. Eu nunca havia pensado nisso e agora noto essa característica no cinema inglês por exemplo, eles não têm um equivalente a Bergman, Fritz Lang, Max Ophuls ou Murnau, e mesmo gênios como Hitchcock são artistas que produziam malabarismos, alta diversão e não estudos profundos ( o que não os deiminui. Mas...Hitchcock era fã de Lang e Michael Powell trabalhava com Pressburger que era austríaco e tinha toda uma equipe alemã ). Penso num grupo POP como o Kraftwerk e isso exemplifica à perfeição a diferença. Compare Kraftwerk com Pet Shop Boys, Depeche Mode ou mesmo o Bowie de 1977. Eles pegaram apenas o mood e nunca a filosofia. Não existe um Schoppenhauer inglês como não há um John Locke da Europa danubiana-renana. ----------------- O pensamento daquela região do mundo, hungaros, Tchecos, austros, alemães, romenos, é sempre idealista. É um pensamento abstrato, que investiga o invisível, a mente em si. Já o modo anglo saxão tem sempre um pé no chão, é prático, se guia pelo visível. Parece ser este um ótimo livro.