UMA BUSCA INTERIOR EM PSICOLOGIA E RELIGIÃO - JAMES HILLMAN

Na tarde quente de março, era 1977. Enormes ratos brincavam no capim alto. Cheiro de fezes. O suor escorria pela minha testa. A tarde insistia em durar. Momento na vida: sem amigos, sem família, sem nada além. Descobertas. Eu fugia. Criava uma ilha onde só eu existia. Então deu quatro horas e eu saí do mato e entrei na rua. Na calçada, cansado, ouvi o som de um piano. De onde vinha? Varanda de um sobrado, janela aberta no quarto de cortinas brancas. Eu sabia que ela tocava piano e triste, só, fazia música de tarde. Escutei. Nunca a esqueci e nunca amei tanto. ---------------- O livro de James Hillman, junguiano que abriu seu caminho particular, basicamente fala sobre isso. O encontro com a alma. Alma que vive além do inconsciente. Alma que é anima, o feminino que é o eu, self que existe antes do ego ser construído. Eu não ansiava pela triste mulher que tocava piano, ela era eu e encontrar essa mulher é missão para a vida. --------------- Isso independe de querer a encontrar, pois querer envolve o ego e é o ego quem dela nos afasta. A coisa acontece "sem querer". Não adianta amar 100 mulheres pois se voce não amou sua alma não saberá amar de fato. E eu vi minha alma no rosto daquela menina loira que vi passar na rua apenas uma vez e amei para sempre. Freud diria que ela era minha mãe revivida, mas isso reduz meu amor à um mecanismo raso. A menina era símbolo de minha alma, meu feminino que não aceitei, a delicada flor que todo homem traz no coração. ------------------- Olhe para este mundo, o de 2026, e veja tanta gente sem alma. Procurando como idiotas aquilo que não aceitam dentro de si. Correndo atrás de amor, de poder, de tempo, de saúde e não abraçando a flor que é só dele. ------------- Silencie...