FRANK OZ- MERYL STREEP- HUGH JACKMAN- KIRK DOUGLAS- AL PACINO- PAN

   PAN de Joe Wright com Hugh Jackman, Amanda Seyfried, Rooney Mara...
Para que serve mais um Peter Pan: para nos deixar entediados. Joe Wright comete um enorme fiasco de bilheteria e uma chatice sem fim. O roteiro fala da segunda-guerra. Num orfanato onde vive Peter Pan, piratas raptam crianças...e por aí vai. Parece um desfile de escola de samba, nada faz muito sentido mas é colorido e se sacode sem parar. Difícil imaginar que alguém um dia tenha achado que isso pudesse funcionar! Joe corre o risco de jogar fora sua boa carreira. Jackman está over!
   RICKI AND THE FLASH, DE VOLTA PARA CASA de Jonathan Demme com Meryl Streep, Kevin Kline e Rick Springfield.
Ricki é uma cantora sessentona. Um dia, nos anos 80, ela lançou um LP de algum sucesso. Hoje ela vive tocando em botecos. A banda, velhos roqueiros como ela, toca bem, mas eles jamais sairão daquele bar. Para sobreviver ela é caixa de supermercado. Então descobrimos que ela tem um ex-marido, careta e rico, e 3 filhos que a odeiam. Ela os abandonou. Quando a filha entra em crise Ricki vai visitar sua ex-família. Ok. Não estamos mais nos anos 70, então não vamos esperar que esse niilismo dure muito tempo. Logo tudo começa a se acertar. Não é um filme de rock. É mais um pequeno filme sobre família. O roteiro é óbvio ( de Diablo Cody ) e Meryl está fora de lugar. Ela nunca convence como pobre. Na banda vemos Bernie Worrell e Steve Rosas. Os dois tocaram com George Clinton, Talking Heads e Los Lobos. Springfield foi um tipo de Springsteen australiano. Foi estrela sexy lá por 1981. Demme foi o mais poderoso diretor de Hollywood...nos tempos do Silêncio dos Inocentes...
   AUTOR EM FAMÍLIA  de Arthur Hiller com Al Pacino, Dyan Cannon e Tuesday Weld.
O filme começa e já sabemos: foi feito entre 1978-1982. O grande tema dessa época logo é revelado: gente tentando se encontrar. Um pai divorciado que cuida de um monte de jovens e ainda escreve peças. Tema em moda na época: o novo homem, o homem mãe. Mas o filme é bobo. E Pacino não ajuda. Nenhum grande ator é pior quando está ruim que Pacino. Em seus dias ruins ele é muito ruim! O namoro entre ele e Cannon é repugnante de tão artificial.
   MORTE NO FUNERAL de Frank Oz com Rupert Graves, Matthew MacFadyen, Ewen Bremmer
Oz, um ótimo diretor americano de humor, vai à Inglaterra e faz com equipe toda inglesa um filme de humor muito negro. Todo passado durante um enterro, tem anão gay, assassinato, vaidade, ciúmes e muito mal gosto. Longe de ser um bom filme, mas também não é ruim. Digamos que é o tipo de erro interessante...
   CACTUS JACK, O VILÃO de Hal Needham com Kirk Douglas, Ann Margret e Schwarzennegger.
O jovem Arnold é o fortão-burro que nesta comédia western faz com que o vilão feito por Kirk se dê sempre mal. É um dos mais vergonhosos filmes já feitos! Não tem graça e dá pena de ver Kirk e Ann em coisa tão desajeitada. Inacreditável de tão bobo!

A SORTE DO AGORA - MATTHEW QUICK

   Quick foi professor na Filadélfia. Então deixou de lecionar partindo para viagens ao Perú, África e o Grand Canyon. Tornou-se escritor e alcançou o sucesso com O LADO BOM DA VIDA, que foi roteirizado e ganhou Oscar. Este livro, lançado em 2015, tem o mesmo astral do filme vencedor. Fala de gente do bem, mas disfuncional, gente que não consegue se adaptar. É fofo, e representa bem um certo tipo de gente que anda pelo mundo hoje. Gente que na verdade não anda, rasteja.
   Bartholomew é um homem de 39 anos que sempre viveu com a mãe e nunca trabalhou. Sua vida é apenas a casa. É feliz nessa vida, mas tudo muda quando sua mãe morre. Não falo o resto, mas digo que o livro é cheio de ação, melancólico sem ser desesperado, fantasioso e ao mesmo tempo comum. Os personagens são ótimos: uma terapeuta que sofre abuso, um padre alcoólatra, um fanático por gatos que fala palavrões a toda hora, uma menina que viajou com ETs, e Richard Gere, o ator, que surge em aparições para o aconselhar ( recurso usado por Woody Allen em Sonhos de Um Sedutor, no caso era Bogart ).
   Bartholomew é católico, crê em Deus, pensa no Dalai Lama, se aconselha escrevendo cartas para Gere e não sabe como viver sem a mãe. Toda sua vida foi dirigida a cuidar dela e agora ele não tem um só objetivo na vida. Mas tem dois sonhos: ter um amigo e um dia tomar uma cerveja com uma mulher. Sim, o livro ameaça cair no infantilismo mais doce a toda hora. Mas se salva graças a dois recursos: a dor, que é verdadeira, e o humor, amargo, que surge quando a coisa fica fofa demais. O personagem Max é genial, um cara que perdeu sua gata ( felina ) e está em crise por isso. Seu vocabulário se resume a "Que merda Hem!" ou "Bom pra Caralho!".´Creia, é muito hilário!
   Ficamos imaginando que belo filme este livro dará. Ou não. Se o diretor conseguir segurar o mel e não aumentar o fel, se não houver a vergonha de parecer católico, e se não entupirem tudo com musiquinhas doces...E claro, se Richard Gere aceitar fazer Richard Gere...
  Mais que um livro bom de ler, eis um retrato fiel de um momento.

GALVEIAS - JOSÉ LUIS PEIXOTO.....PORTUGAL E A REALIDADE

   Minha origem é portuguesa. Já devem ter notado isso. Sou filho de pai e mãe e não tenho tio ou primo que não sejam de lá. Estive em Portugal. Conheci o país muito pobre de 1982. E o menos pobre de 1985. Minha mãe vai lá quase todo ano. Diz que tudo mudou. Virou Europa. Não parece mais a ilha cercada de mar e de Espanha por todos os lados. As pessoas são mais bonitas. Têm dinheiro. Consomem.
   Ter sangue luso não é fácil. É uma mistura louca de timidez com arrogância. Luxúria com rigidez. Falta de finésse com ares aristocratas. Muita fofoca. Muita inveja. E preguiça. ( Se você tirar a timidez e a rigidez terá como resultado o brasileiro ). Cresci nesse ambiente lusitano. Ouvindo falar daquela terra de frio, de bruxas, de uvas e de azeitona. Acreditava que gabeta era gaveta e que libro era livro. Nosso feijão era a batata.
   99% do tempo se falava de comida. A saudade era uma saudade da comida. O paladar era a língua do amor. Pouco olho e muita língua. Em casa se falava dos pratos, das frutas, da carne, nunca da paisagem de Portugal. A terra sempre foi, para mim, uma cozinha.
   Então leio esse autor novo de lá, nascido em 1980, e descubro que nada mudou em Portugal. Eles continuam abraçados a esse realismo de pedra, realismo que vem desde Eça e que nunca dá trégua. O autor descreve a vida em 1982, a vida numa vila do Algarve, as pessoas, os cães e o tempo. E tudo é como sempre: sujeira, medo, fofoca, violência e frio. As pessoas exalam solidão e orgulho. O sexo ronda cada pensamento. E tudo é escuro, triste, úmido e distante. Familias que brigam, vizinhos que se matam, vilas que afundam na indiferença. Mais um livro com esse Portugal triste, pedregoso, barrento, fedido.
   Como eu sei que ele não é apenas isso, é muito mais, me vem a sensação que boa parte da literatura lá feita tem o mesmo vicio daquela que aqui se faz, que seja: eles olham livros para escrever sobre a terra e descrevem a terra a partir dos livros. O Portugal aqui mostrado é tão real como é um texto de Graciliano ou de Jorge Amado. É verdade, mas é uma verdade, jamais a verdade.
   Eu não acho que a literatura deva ter alguma obrigação em relação a verdade. A verdade se cria. A realidade se pensa. Mas este tipo de literatura, a velha escola realista, quer ser verdade. Quer exibir a verdade. E fica apenas assim....um arroto.

CAMERON CROWE- WILLIAM POWELL- MYRNA LOY- PAUL RUDD- WILLIAM H. MACY- DISCO MUSIC

DEU A LOUCA NOS ASTROS de David Mamet com William H. Macy, Alec Baldwin, Sarah Jessica Parker, Philip Seymour Hoffman, Julia Stiles e Charles Durning.
Uma equipe de cinema invade uma cidade para fazer um filme. O diretor não sabe o que fazer e só pensa em dinheiro. O ator estrela é pedófilo. O escritor é inseguro. E a cidade se vende baratinho....É um anti-A Noite Americana, de Truffaut. Ao contrário do filme francês, aqui o cinema é apenas um ato de histeria. E no oposto a Oito e Meio, o diretor é somente um burocrata. O filme é tão desencantado que se torna vazio. Os atores dão o máximo, mas sei lá...é um filme bastante frouxo. Nota 3.
FÉRIAS FRUSTRADAS de Goldstein e Daley com Ed Helms e Christina Applegate.
Oh God! Uma semi refilmagem do velho filme de Chevy Chase ( que aparece aqui chocantemente mudado ). Seria ok se tivesse uma cena engraçada...Não tem. Algumas até nos deixam constrangido. A comédia, esse filho bastardo, está num de seus piores momentos neste século sofrido. Christina foi a Bundy-filha na maravilhosa série Um Amor de Família...bons tempos do politicamente incorreto. ZERO.
A CEIA DOS ACUSADOS de W.S.Van Dyke com William Powell, Myrna Loy e Maureen O'Sullivan.
Revi, pela quarta vez, o filme alcoólico baseado no livro de Hammett que criou o moderno casal americano. Os dois, Powell e Loy, inventam sem querer, aqui, o modelo daquilo que todo casal almeja, ou o modo como se vê: alegre, meio infantil, elegante e apaixonado de um modo irônico. É um prazer ver os dois na tela. Eles brilham como luar em oceano. Pena a história, policial, ser tão fraca...Mas há genialidade na construção, intuitiva, desse casal divisor de águas. Uma boa introdução ao cinema dos anos 30.
THANKS GOD! IT'S FRIDAY! de Robert Klane com Donna Summer, Jeff Goldblum, Debra Winger, Terri Nunn, Commodores.
Um lixo adorável. Pura nostalgia neste filme barato de 1978 que foi malhado então e que continua sendo desprezado como aquilo que ele é: lixo. Mas ao mesmo tempo ele é um retrato tão fiel do que era estar vivo e solto e leve em 1978! Goldblum e Debra estreiam aqui e ambos estão muito bem. A trilha sonora é um desbunde e a pobreza da produção favorece o documentarismo involuntário do momento. È um dos piores filmes da história que eu adoro. Questão pessoal: eu estava lá. O mundo era outro nos anos 70, e apesar de sempre desejar voltar a ser tão livre e tolo como foi, nunca mais o será.
BRIDESHEAD, DESEJO E PODER de Julian Jarrold com Mathew Goode, Ben Whishaw, Hayley Atwell, Michael Gambom e Emma Thompson.
Apesar de bonito de se olhar, esta nova adaptação ( de 2008 ) do livro de Evelyn Waugh não se compara a mítica série de 1981. Escrevi em outro post, longamente, sobre as duas versões. Aqui tudo é mais bobo, Sebastian vira uma bicha louca e a mãe uma histérica carola. Meu medo é: será que hoje tudo tem de ser explicitado ou então ninguém mais consegue perceber nada... Mas, se você não teve o prazer de ver a série, irá gostar deste desfile de belos cenários e de emoções reprimidas.
HOMEM FORMIGA de Peyton Reed com Paul Rudd, Michael Douglas
Muito bom. O melhor filme Marvel do ano. Tem humor, ótimos efeitos e um herói muito gostável. E um bom vilão. Não é longo demais e a impressão que tenho é que os melhores filmes de herói são aqueles que se levam menos a sério. Um filme para ser visto numa tarde de férias. Pode confiar. Paul Rudd faz com leveza o "cara do bem" que vive uma vida "não tão legal". É um perdedor. Assista.
A BELA DO PALCO de Richard Eyre com Billy Crudup, Claire Danes, Rupert Everett.
Eyre deve se achar um grande talento. Todos os seus filmes caem sob o peso desse talento pretensioso. Este é tão pedante que nos esmaga. Tudo é "arte". E tudo aqui é chatice sem fim. Os atores estão risíveis, o roteiro é desinteressante, as cenas são longas e vazias. Fuja correndo!
THE CHOCOLATE SOLDIER de Roy Del Ruth com Nelson Eddy, Rise Stevens
Jeannette e Nelson brigaram e então a MGM o uniu a cantora de ópera Rise. E ela se revelou uma atriz amadora. Fica todo o filme com a mesma expressão: um sorriso de não-atriz. Nelson se esforça. O filme, opereta barata, é menos ruim do que eu temia. Bobo. Mas bem feito.
SOB O MESMO CÉU de Cameron Crowe com Bradley Cooper, Emma Stone, Rachel McAdams e Bill Murray
Crowe e mais um de seus filmes "alto astral". É muito bom ter um cara que ainda faz filmes genuinamente alto astral. Crowe crê no bem, na bondade, na alegria. Pena que seus filmes façam tão pouco sentido. A história parece muito mal escrita, tudo rola sem rumo, sem muito porquê. Mas então surge o trunfo: os personagens. São gente legal, gente que gostamos de ver, pessoas que adoraríamos ter por perto. Crowe não sabe criar uma trama, mas sabe imaginar pessoas. Ele é o último dos hippies no cinema, seu estilo é "paz e amor". Tão sincero que terminamos de ver o filme e queremos amar mais. Ele não tem vergonha de apostar no bem. Adorei.

PRESENTES DE NATAL: A ARTE DO KITSCH = SEXY COM PIMENTA.

Comecemos dezembro com quatro presentes de mim para todos vocês. Comecemos com o mestre do sexy: Bryan Ferry. Quatro vídeos de quatro discos diferentes. Todos apresentam a tapeçaria sonora na qual ele é mestre. Linhas de som vão se costurando uma na outra e se você fechar os olhos e se deixar conduzir irá se perder nos nós rítmicos que são então construídos. Dezenas de instrumentos urdidos em batidas negras e enfeitadas por sonoridades gélidas. Sim, é artificial. Sim, é pura produção. Mas é delicioso!
Quanto as imagens... Ferry criou e depois marketeou a mistura que ele aprendeu com seu professor de artes plásticas: Richard Hamilton, o mestre POP, nos anos 60, quando aos 18 anos o jovem Bryan estudava na escola de Artes de Birmingham. Essa mistura é o sonho colorido de um jovem aberto ao mundo do NOW. Surrealismo com cabaret barato. Páginas da Vogue unidas a paredes do MOMA. Comercial de cigarro e festas em Montmartre. Filmes de Carné e musicais de Fred Astaire. James Bond brega com o mais fino Cecil Beaton.
E Bryan, cercado de gatas, se equilibra nesse mundo que vai do mais lixo ao mais luxo. Se equilibra inclusive e principalmente nesse modo gay de se hetero. Dúbio sempre.
A dubiedade e a decadência é aquilo que melhor o define. Todos os vídeos parecem muito ricos e muito toscos. Muito chiques e Buzina do Chacrinha. É proposital. Estilo. Gente como George Michael ou Seal tentou ou viu só o chique, e assim se tornou apenas Vogue. Ferry vai além. O brega apimenta e dá relevo ao bonito. Seus vídeos são agora o que eram em 1995: instigantes. Beleza com pimenta e alguma sujeira= eis o cool.
Essa dubiedade se revela no som também. É muito POP, mas nunca o bastante. Falta sempre o refrão grudento. É dançável mas nunca quente. E Bryan canta como um romântico, mas nunca canta forte, apenas murmura. estranheza.
Mamouna é fascinante. Limbo é pervertidamente kitsch. I Got a Spell é tentador. E ainda há apenas a beleza banal e colorida de mais um...Presentes de Natal.
BF é sempre um laço de fita que a gente abre suspirando.

Bryan Ferry - I Put A Spell On You



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Bryan Ferry Limbo



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Bryan Ferry - Mamouna (US Video) [Official]



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PROMETEU DESACORRENTADO E OUTROS POEMAS- SHELLEY

  Ah esses românticos.... Veja Shelley: Sua poesia é aquele samba do crioulo doido onde cabe de tudo um pouco e nada acaba por ficar de fora: Ele é ateu radical e militante, mas ao mesmo tempo parece crer em alma e fantasmas. Politicamente é anarquista. Mas ao mesmo tempo transparece a saudade dos heróis gregos e romanos. Feminista. E violentamente egoísta. A favor dos pobres e narcisista. De origem classe mèdia alta, e paladino da simplicidade. Com tudo isso ele se torna um exemplo clássico do pior e do melhor do movimento romântico. o mais adolescente dos estilos, e por isso, mutável, contraditório, auto-ilusório e corajoso.
   A poesia de Shelley varia do excelente ao erro. Mas é sempre interessante. Influenciou Drummond, muito. Desagradava Eliot. Bastante. Nunca alça vôo como Keats. Nunca é filosófica, como Goethe. Brilha, mais que Byron.
  Neste livro recém lançado temos uma peça para ser lida e não encenada, e ainda uma boa coletânea de poemas. O tema de Prometeu cai como luva para Shelley, ele se via como o herói grego que roubou de Zeus o segredo do fogo. A peça de Esquilo é de uma beleza arrebatadora. O trágico em osso e nervo. Shelley nunca é nervo. É pele e veia. Bonito.
  Nos demais textos temos momentos de brilho intenso ( Ozymandias, Alastor ) e alguns nem tanto.
  O tradutor é Adriano Scandolara. Um trabalho de detalhe e com excelente material de consulta.
  Espero uma edição cuidada de Keats agora. Ele merece. Mais.

TANGO SOLO, a bio de ANTHONY QUINN com DANILE PAISNER

   Se tudo for verdade a vida de Quinn é a mais rica de todos os atores.
   O pai foi um emigrante irlandês que acabou no México. A mãe era mexicana e a avó materna um tipo de nobre espanhola. Na infância ele vivia numa favela imunda, chão de terra e muita fome. Viu Pancho Villa e a revolução. Estudou e queria ser arquiteto. Conheceu Frank Lloyd Wright, o maior arquiteto do século e estagiou com ele. Virou ator meio sem querer. Casou com a filha de Cecil B. de Mille, o nome mais poderoso do cinema nos anos 20 e 30. Foi amigo de John Barrymore, o mito, já em sua decadência. Depois fez parte da turma de Erroll Flynn, isso tudo antes de ser famoso.
  Ao mesmo tempo era amigo de John Steinbeck, William Faulkner e de Saroyan. No cinema fazia papéis de índio e de mexicano, até que foi pro teatro. Na Broadway substituiu Marlon Brando em Um Bonde Chamado Desejo. Brando foi Kowalski por 4 meses apenas, Quinn por seis meses seguintes. Faz Viva Zapata com Marlon, ganha Oscar e vira ator respeitado.
  Muito bacana sua descrição de Brando. O cara que podia fazer tudo o que desejasse. E escolhia esculhambar sempre. Assim como o retrato de Barrymore, um mito alcoólatra que vivia para criar pegadinhas e dar festas.
  Depois vem Fellini, que Quinn considera o maior talento que conheceu e o sucesso de A Estrada da Vida. Vem ainda David Lean, o mais perfeccionista dos diretores, Lawrence da Arábia, uma filmagem toda desastrada. Vem sua amizade com Laurence Olivier, talvez o mais falso dos amigos, um homem que era fino e classudo no palco, mas um perfeito caipira na vida pessoal.
  Zorba então. E não vou falar de Zorba.
  O mais impressionante: apesar de se dizer tímido, Anthony Quinn teve incontáveis filhos com diversas mulheres. Desisti de contar, mas acho que chega a 14, os filhos. Ele viveu até mesmo um caso a quatro, uma esposa, uma amante, uma relação tórrida e ainda uma paixão surpreendente. Todas ao mesmo tempo. O cara era um Zorba!
  Tudo contado em flash back enquanto ele pedala sua bike pelas colinas próximas a Roma, onde viveu seus derradeiros 40 anos. É um livro ótimo para ler descontraidamente, ao sol, crendo ou não em tudo o que esse ator, sempre intenso, sempre vaidoso, diz.
  Saiu em 1995, mas é fácil de achar.

David Bowie - Modern Love



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Charles and Sebastian Alone in Brideshead



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REFILMAGENS

   A coisa tá pobre demais. Refilmagens estão acontecendo a rodo. Nada errado. refilmagens sempre aconteceram e algumas são melhores que a original. O próprio Hitchcock refilmou para melhor um filme seu. Mas... depois de assistir as péssimas reprises de O MENSAGEIRO ( o de Losey é um belíssimo drama com soberbas atuações e uma trilha sonora de gênio ), e de LONGE DESTE INSENSATO MUNDO, ( o de Schlesinger esfria o drama de Thomas Hardy e o transforma num perfeito painel sobre o amor e as relações sociais, o novo é apenas um veículo que tenta dar a uma jovem atriz um grande papel ), assisto agora a heresia suprema: ousaram tocar em BRIDESHEAD REVISITED, obra sagrada da minha geração snob.
  Vou falar por partes. O pior nessas refilmagens é que elas não retrabalham uma história. Esses filmes copiam. Todos eles copiam movimentos de câmera, cenários, movimentação dos atores e pasmem!!!!, até mesmo as expressões faciais! A impressão é que os atores não precisaram ler um roteiro, apenas decoraram um dvd. Em Brideshead isso chega ao cômico.
  BRIDESHEAD é um livro problema de Evelyn Waugh. E Waugh, para quem não sabe, foi um dos mais populares dos escritores ingleses dos anos 40-60. Fazia parte da turma conservadora, a turma que nasce com Eliot e segue com Greene, Chesterton, Lewis, Tolkien, Orwell. Em 1981, seguindo o clima do tempo novo Thatcher, a BBC 2 produz e exibe a série de Waugh em 18 capítulos. No elenco o novato Jeremy Irons, a sagrada Claire Bloom e os dois maiores mitos do teatro inglês do século: John Gielgud e Laurence Olivier. Imediatamente a série virou mania inglesa e uma febre Brideshead se instaurou. A nova geração encontrava seu mundo: Oxford, campos verdes, bissexualismo, amor a tradição aristocrática e requinte no vestir. Até no rock a coisa chegou! Em 1983 David Bowie se veste em toda a excursão Serious Moolight como o Sebastian Flyte de Brideshead e grupos como Style Council, Depeche Mode, Spandau Ballet adotam clima e roupas da série. Bryan Ferry não. Ele vivia em Brideshead desde 1974.
  Tudo isso chegou ao Brasil, em tempos pré TV a cabo e internet, em 1988. A TV Cultura, despretensiosamente comprou a série, não dublou e passou às quintas, 20 horas. Estourou no boca a boca. Logo o povo fashion estava se reunindo para assistir a série em grupo. Com chá e morangos com creme. A Folha deu a notícia. A coisa cresceu e em 1991 houve uma reprise.
  Eu fui pego em 1988. Gravava em VHS e reassistia. N vezes. Para aquele tempo, alguma coisa ali nos seduzia como religião. Era o escape de um mundo feio e pobre. A série tinha Jeremy Irons como Charles Ryder, o estudante de classe média que se deixa seduzir pela família de seu amigo aristocrata, Sebastian Flyte. Flyte, gay, infantil e muito bêbado, seduziu toda a audiência. A frescura suave de Flyte virou mania. Uma frescura feita de paletós listrados, cabelo na testa, ursinho de pelúcia na mão, cardigans pendurados nos ombros e cílios longos. Anthony Andrews teve o papel de sua vida e nunca mais conseguiu se livrar dele.
  Mas havia mais. O pai de Irons, um lunático hiper vitoriano, era feito pelo mito John Gielgud, numa atuação genial, e o pai de Sebastian era Laurence Olivier, em uma de suas últimas atuações. Claire Bloom era a mãe carola de Flyte. E a linda Diana Quick fazia a irmã sedutora de Sebastian. Havia ainda uma trilha sonora absolutamente mágica e imagens estupendas de Oxford e de Veneza. Uma série de TV digna dos maiores filmes da época.
  Dito tudo isso, vejo a refilmagem para o cinema, de 2014. E logo vejo a repetição do vício: as cenas são idênticas! A câmera se coloca no mesmo lugar, os sets são os mesmos, e ridículo supremo: os atores imitam até as expressões faciais dos atores de 1981 !!!!!!!!
  Não devem ter lido um roteiro, apenas assistido o dvd da série original !!!!!!
  Mathew Goode no papel que foi de Jeremy Irons até se sai bem. Boa imitação. Mas o Sebastian Flyte da nova versão é um vexame... Anthony Andrews era uma criança grande, seu homossexualismo era sedutor por ser inocente. Ele tinha trejeitos de fragilidade, de mimo. de aristocrata. A gente nunca sabia se ele era gay de verdade ou apenas brincava de fazer sexo com um amigo. E mesmo assim, as cenas de 1981 eram mais explícitas. Beijocas e cama.
  Aqui Ben Whishaw faz um Sebastian Flyte desmunhecado, uma bicha louca exagerada. Nada há de sedutor nele, é apenas ridículo. Emma Thompson consegue ser pior. O papel da mãe é feito de forma caricata. Uma máscara que nunca se move, fria, desumana, nunca convence. A pior atuação da ótima atriz.
  Waaaallll.....mesmo assim, se você tem menos de 40 anos, aconselho que assista. Para quem não viveu a série em seu tempo, pode ser uma bela experiência. O filme, como o livro, fala de fé e de sua perda. Fala da decadência de uma civilização. Falsidade e desejo. E se eu conseguisse esquecer a série ( e é mágica a maneira como fui lembrando de falas e de cenas inteiras ), poderia ter achado este um muito bom filme.
  PS: Só para comparação. No segundo capítulo se mostra pela primeira vez Oxford. A câmera voa sobre a cidade e vemos depois Charles Ryder chegando com bagagens à seu alojamento. A sensação é de êxtase. Aqui repetem toda cena. Tentam fazer igual. A sensação é de ....Ok, vamos em frente....
  Esse o mistério da arte.

PAULO FRANCIS - DANIEL PIZA

Acho que para quem, como eu, conhece bem Francis, é um livro dispensável. Para quem quer começar a conhecer, ótimo.
Francis precisa de uma bia de 800 páginas. Há muito o que contar e falar sobre ele. Este tem apenas 120. O próprio autor diz ser este apenas um convite para que se escreva mais. No futuro.
Bom saber alguns dados da infância que eu não sabia: o apego a mãe que morreu quando ele tinha 14 anos. O pai distante e a educação em internatos: um dominicano e o pior. jesuíta.
Francis foi boa vida até os 27 anos. Queria ser escritor. Ou ator. Tentou ambos e falhou. Foi escrever em jornal. Sua geração modernizou o país. Depois o desgosto. 1964 os fez cair na real. A realidade da burrice humana. Francis foi trotkysta. Depois um desiludido. Por fim um liberal.
Defendeu Collor. Depois o atacou. Achava Itamar melhor que FHC. Lula lhe era uma piada. Sarney foi Sir Ney. Viu, antes de todos, que os militares não sabiam o que fazer, era uma ditadura improvisada, mal feita, sem plano. Uma direita estatizante.
A Petrobrás o matou.
Adorava Bernard Shaw. Huxley. Pepys. Orwell. Edmund Wilson. George Jean Nathan.
Amava Casablanca e Erroll Flynn. E Bergman.
E Wagner, Sinatra.
E as brigas, várias imensas: Tonia, Autran, Caetano, e mais um milhão ou dois.
A relação com a esposa e com seus gatos, o homem carinhoso, atencioso.
Um livro que se lê em duas horas, um livro que abre o apetite para ler mais Francis, e PF foi um homem que nos dava vontade de ler de tudo.
Não foi pouco.

The Paris Match - The Style Council & Tracey Thorn



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A RAINHA DA NEVE- MICHAEL CUNNINGHAM

   São quatro personagens centrais vivendo num subúrbio de NY. Um músico que cheira coca e tenta compor a canção de sua vida. A mulher desse músico, que está morrendo de câncer. A sócia dessa doente, dona de uma loja cool, cinquentona que namora garotos bonitos e burros. E o irmão gay do músico, um fracassado que acabou de levar mais um pé na bunda via celular. Ele anda pelo Central Park e percebe algo no céu.
  O autor recebeu o Pulitzer por As Horas, o livro que foi destruído naquele filme que fez sucesso em 2000. A arquitetura deste seu novo livro é parecida: cenas curtas com personagens que se conectam. Morte, dor, redenção, epifania. Cunningham não tem uma escrita fria. Ele é gentil. Uma escrita gentil é o tipo da coisa que nunca pensei escrever. Os diálogos, muitos, são simples. Ninguém fala nada de brilhante, mas no conjunto dá pra perceber a humanidade por entre as falas. As pessoas são frágeis.
  No final é uma história sobre a amizade de dois irmãos. A relação deles é a mais forte e a única que dura. Quanto a tal visão no céu....ela fica sem explicação, é como deve ser. O livro passa perto da epifania, mas a recusa. Se há um milagre não cabe a nós o compreender, apenas usufruímos. E nem mesmo saberemos para que ele serviu, se é que existiu.
  Curto e simples, Cunningham consegue falar de coisas muito tristes de um modo leve.
  É isso.

FRANÇA

   Em 1975 minha família foi pela primeira vez à França. Lembro das cores do céu e do vento em Orly. Mas agora quero falar do era o aeroporto de então. Descemos do avião e fomos entrando no país. Um civil deu uma rápida olhada em nossos passaportes e passamos. Ninguém abriu nossa bagagem de mão, meu pai poderia ter uma bazuca ou meio quilo de pó, ninguém perceberia. Em todo o aeroporto, e minha mãe confirma que foi assim até recentemente, não se via um só policial. E assim foi por toda a Europa ocidental. Apenas na Espanha, ao entrar em San Sebastian, dois policiais olharam nossa cara e pediram para entrar.
  A pá de cal sobre esse mundo foi jogada ontem. Você meu jovem, que só conhece esse estranho mundo de câmeras, vigias, portões e grades, irá ter de se acostumar a mais vigilância. Os loucos das sombras querem nos fazer ovelhas assustadas, Faz tempo que conseguiram.
  Minha indignação é impossível de ser expressa. Estamos numa guerra contra as sombras que dura décadas. Mas os tolos relativistas colocam vendas de sofismo sobre nossos olhos. O mal está firme e unido, nós divididos e paralisados.
  Meu mundo nasceu com a dúvida de Sócrates. Depois recebeu o direito romano e a caritas cristã. Essa a trindade do ocidente que querem destruir. E sinto que conseguiram. A França não mais é A França. Ela perdeu.
Todos perdemos.

O ORANGOTANGO

No rosto daquele orangotango toda acusação estampada numa cara de desamparo.
E o desamparo do irracional é o pior de todos porque ele acusa sem racionalizar, fala sem mentir, diz em todos os símbolos: Vocês me traíram.
O orangotango, notícia da UOL que vejo e me comovo, foi espancado, ele e seu filho, até o desespero.
E como um Cristo ele nos faz murmurar: Minha culpa, minha máxima culpa.
Se Deus há ele nos fez jardineiros. Se diabo há ele nos dá uma serra.
Mas o orangotango, que não é divino e menos ainda diabólico, alheio a história e ao tempo, sofre sozinho agarrado a seu filho. E nem mesmo uma acusação ele pode formular.
Nem xingar ele pode!
Mas eu posso! Posso amar esse ser infeliz e chorar com ele o destino sem caminho.
E em nossa comunhão se refaz uma peça do tabuleiro sem lugar.
Eu falo por você, sem voz.
mesmo que não seja ouvido...

DWAYNE- BILL CONDON- PETER BOGDANOVICH-WIM WENDERS- GUY RITCHIE- LAWRENCE- GUERRA

   UM AMOR A CADA ESQUINA de Peter Bogdanovich com Imogen Poots, Owen Wilson, Jennifer Aniston, Rhys Ifans, Will Forte, Cybill Shepard.
A produção é de Wes Anderson e de Noah Baumbach. Tem participação, como ator, de Tarantino. Ou seja, a nata do cinema de 2015 dando uma força para Peter, o grande diretor revelação de 1971 com A Última Sessão de Cinema. E que depois fez algumas excelentes comédias doidas, como aquelas que se faziam nos anos 30. Mas aqui nada funciona. É triste ver os atores se esforçando ao máximo para dar vida a personagens tão fake. Na comédia doida tudo é fantasia, tudo é exagerado, mas havia nelas uma inteligência, nas falas, que tornava tudo "verdadeiro". Pelo exagero se chegava à verdade final das relações. Aqui as pessoas são apenas loucas. Elas correm, gritam, mentem, fogem, voltam, e fazem com que nos sintamos indiferentes. Não chegam a ser antipáticos, são apenas chatos. Penso que deveríamos achar Imogen fofa. Ela é apenas bobinha. Owen deveria ser charmoso. É apenas oco. E a pobre Jennifer deveria ser divertida. É apenas sem peso. Triste ver um filme que pensa ser chique, leve, amoral, cínico, ser apenas infantil, truncado, espertinho e ingênuo. Um fiasco! ( Atenção a Imogen. Ela será uma estrela ).
   A ESTRADA 47 de Vicente Ferraz com Daniel de Oliveira
Bom tema: o brasileiro na guerra de Hitler. Penso que Ferraz tentou construir um clima à Kurosawa. A estética a serviço do absurdo. A guerra vista como confusão, medo, dor e niilismo completo. Mas falta muito para se chegar perto do mestre japonês ( ou de Naruse ), o filme não nos envolve. Histeria e frio que nunca vira narração.
   LADY CHATTERLEY'S LOVER de Jed Mercúrio com Holliday Grainger e Richard Madden.
Filme da BBC que foi exibido em setembro de 2015. Os filmes de TV da BBC nada mudaram. A Globo os exibia nos anos 70. Eram bem interpretados, solenes, adaptações de livros escritos no período vitoriano ou eduardiano. A única mudança foi nas cores dos sets: antes eram marrons e dourados, agora abusam do azul pálido e do cinza. Continuam sendo filmes bem feitos e meio mortos. Sem fibra e sem paixão. A antítese dos filmes de Boorman, Loach, Anderson, Schlesinger ou Losey.
   EVERYTHING WILL BE FINE de Wim Wenders com James Franco, Charlotte Gainsbourg, Rachel McAdams
Os primeiros dez minutos são ótimos. Neve e mais neve no Canadá do norte. Um homem atropela uma criança. Ele é escritor e é casado. E daí vem a crise... De admirável o fato de termos um filme "de arte" que não apela para sexo explícito, cenas de violência chocante ou um discurso calcado na velha ladainha de raiva adolescente. É adulto, lento, pausado, com imagens fortes, bem pensadas e nunca gratuitas. Mas é também insuportavelmente lento, escuro, triste e sussurrado. Não se pode dizer que não deu certo, ele é exatamente aquilo que Wenders imaginou.
   TERREMOTO, A FALHA DE SAN ANDREAS de Brad Peyton com Dwayne Johnson, Carla Gugino,  Ioan Gruffud e Paul Giamatti.
É bom poder dizer que este Terremoto é muito melhor que aquele de 1974. Não é uma refilmagem, mas tem o mesmo tema. Aqui os efeitos são ótimos, a ação vem na hora certa, nunca como única meta, mas sim como consequência, e ficamos muito satisfeitos com a diversão que ele nos dá. Sim, somos uma geração que se diverte vendo o fim do mundo...Quem sabe não sejamos no fundo uma geração descrente do mundo sólido e das cidades como centro da vida....Relaxe, enjoy!
   MR. HOLMES de Bill Condon com Ian McKellen, Laura Linney.
Já falei deste filme abaixo. Holmes está senil e luta para recordar a resolução de um crime de 30 anos atrás. Enquanto isso faz amizade com um menino e cria abelhas. Um bom filme com atuações ótimas. O final é bastante memorável.
  O AGENTE DA UNCLE de Guy Ritchie com Henry Cavill, Armie Hammer e Alicia Vikander.
Esperto, chique, divertido e charmoso. Tudo que imaginamos ter sido viver entre 1958-1965. Essa foi a época dos mais luxuosos filme. E foi o tempo do bom gosto. O filme tenta copiar esse tempo. E consegue! Os atores são bacanas, a trilha sonora imita Schiffrin e Barry, e Guy até diminui sua velocidade. Tipo do filme que te deixa de boas e faz com que você se sinta mais civilizado.