Wittgenstein Ludwig at a Cambridge class



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Bertrand Russell - Mensagem para o futuro. Legendado



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A FILOSOFIA NA ALCOVA - MARQUÊS DE SADE

Que lixo medonho! Não falo isso por moralismo, em tempo de filme pornô on line a pornografia de Sade é apenas mais do mesmo. Incesto, crueldade, sujeira, muito sexo anal, homossexualismo de monte, pedofilia, está tudo aqui e dito de modo nú e crú. Mas...que coisa chata! Sade não tem erotismo, é pornografia mecânica. As pessoas são artefatos de madeira que transam sem parar. Entre as ladainhas sexuais há a política de Sade. Ele xinga Jesus Cristo, e com isso xinga família, lei e ordem. Parece um adolescente bem louco de 14 anos em sua primeira farra de sexo, alcool e cocaína. O raciocínio de Sade é primitivo, bárbaro: tudo vale e viva o crime! Ele defende o assassinato, o roubo, a morte de bebes, sexo com os pais etc etc etc...O que me espanta é gente séria o ter em conta. Sade não é sequer um escritor ruim, ele não é um escritor. O que ele faz é propaganda. Como disse, um jovem querendo irritar papai e mamãe. Ele xinga. O tédio se revela até nessa mania, boba, de usar a antiguidade como álibi. Roma fazia isso, a Grécia fazia aquilo, então também posso fazer, eba! Esse tipo de autor sempre faz isso, escolhe no supermercado da história o que lhe absolve. Pega de Roma os bacanais, mas se esquece da obrigação militar; traz dos gregos o homossexualismo, mas "esquece" a noção de virilidade do cidadão. Falar que Cristo era um efeminado que foi sodomizado pelos sábios judeus é apenas uma ofensa tola. Nada significa. Lendo Sade percebo uma ironia dos tempos atuais: conservadores defendem noções de estado e família que na verdade são modernas, e os radicais defendem um tipo de liberdade que na verdade é tão antiga quanto é a barbárie. Todo anarquista sonha com um mundo tribal, mas ele esquece que esse mundo era o reino do medo e da violência como ato legal e cotidiano. Todo conservador sonha com o mundo da civilidade dos costumes, a continuidade do mundo dos avôs, mas ele se esquece que esse mundo não existe mais, e que a história, que ele defende, não pode regridir. Sade era nada mais que um sintoma.

INCONSCIENTE

Vou considerar apenas o DNA. Nada de alma portanto. Por 200 mil anos, no mínimo, vivemos a experiência de ver lobos trucidarem nossos companheiros. E ao anoitecer sentíamos o pavor indizível da hora da fera. Escondidos em árvores e depois em cavernas, encostados, passávamos a noite escutando urros, gritos, guinchos. Todo amanhecer era a alegria de mais uma vitória. Por 200 mil anos, na verdade mais, matávamos quem roubasse nossos grãos, matávamos por nossa área de caça, matávamos por nossa mulher, tomada. Se esperava de nós que assassinássemos bem. Capturamos bichos. Plantamos muito depois, e mesmo como agricultores, lutávamos para manter a terra. Por 200 mil anos, ou mais, bem mais, jogávamos ao lixo nossos bebês defeituosos. Sobrevivia quem podia ajudar a sobreviver, os doentes atrapalhavam. Nossos corações viviam encharcados de adrenalina, nossos ouvidos sempre alerta, prontos para fugir ou para brigar. Todo o tempo. Não havia família. Enquanto fosse forte um homem procriava com quem pudesse. Quando fraco, que se escondesse. Os filhos eram das mulheres, só ao crescer o pai os tomava e os levava à caça. E a guerra. Não havia propriedade. Tudo era do clã. E o clã tinha seu chefe. Esse chefe era aquele que melhor matava. Simples assim. Para poder comer, ou ter um teto, voce se submetia ao clã. A religião era a explicação da vida. Uma defesa contra o medo. A arte era sempre religiosa. Tudo era exterior. Eternamente em luta, não havia tempo de olhar para dentro. Não mais de 5000 anos de civilização como a conhecemos. E civilizar é sempre reprimir. Voce não vai tomar e estuprar sua vizinha. Voce não vai fugir da defesa do grupo. Será mantida uma lei, e ela tem por objetivo dar rumo e ordem ao grupo. A lei necessita história, tradição, costume. Nossa mente começa a ser ocupada por regras, novos hábitos, obrigações. Para onde vai o homem antigo? Para a caverna da mente, a zona escura, o inconsciente. Não se apaga essa herança por simples vontade. Ficou escrito em algum gene: matar, fugir, se esconder, estuprar, grunhir. Medo. Muito medo. Voltando no tempo somos 100 mil pessoas no planeta. Ou menos, claro. Tivemos as mesmas experiências. Por milênios. Somos todos parentes. Temos portanto o mesmo inconsciente. Coletivo. Esse inconsciente está a espreita. Eis ele surgindo em sonho. Numa doença mental. Num ato gratuito. Na arte. Na fala involuntária. No transe. Num crime. Numa guerra. Saúde é conseguir harmonizar consciente-civilização com o inconsciente-barbárie. Como? Nunca pela palavra. Por atos. O inconsciente não fala, faz. Simbolize.

TIPOS PSiCOLÓGICOS - JUNG

"Em épocas arcaicas não havia individualidade. Rousseau estava errado. O homem primitivo não era livre. Ele sofria a pressão da coletividade de forma absoluta." " Esse poder opressor está vivo dentro de nós. Estado e igreja são a exteriorização do poder que internalizamos em nosso passado mais arcaico. O poder dos dois não é tão forte quanto permitimos que seja". " Para a força coletiva nada é mais odioso que a individualidade. Para o barbarismo tudo tem de ser feito para todos. O indivíduo é uma criação da cultura ". " Para o introvertido, Deus é procurado dentro de si mesmo. Para o extrovertido, Deus se encontra no mundo, Ele é um encontro fora de si". " Duas mentalidades opostas: Uma procura fazer do mundo aquilo que ela pensa ser o certo, outra olha o mundo e procura tirar proveito daquilo que se apresenta. São inconciliáveis. " " O individualismo nasce com a creça cristã de que cada um possui uma fagulha divina e que cada um é responsável por sua salvação. " " Uma das certezas mais ilusórias de nosso tempo é crer que a religião pode ser banida de nossa vida com um simples desejo de negação. Ela faz parte de nosso modo de sentir, pensar, e formar nossa ideia de vida. E assim como o paganismo, ela está incrustada em nosso inconsciente". " Artistas e filósofos, os verdadeiros, trazem sua ideia do inconsciente. Têm acessa á essa fonte. Por isso logo o mundo os segue, pois eles apenas antecipam aquilo que o inconsciente pede à todos". " No mundo tecnológico, QUANTO MAIS O HOMEM COLOCA SUA LIBIDO EM SEUS OBJETOS, MENOS LIBIDO ELE TERÁ EM SI MESMO. Haverá um esvaiziamento interno e um excesso de libido na máquina ". Estes são frases coletadas dessa imensa, difícil, compensadora obra de Jung. Lançada em maio de 1920, temos então seus 100 anos. Dos gregos aos primeiros cristãos, depois Schiller, William James, Nietzsche, Schoppenhauer, Spitteler, a cultura de Jung é imensa. Eis um volume que vale por enciclopédia. Procure e leia.

ALMA LIBIDO E ANIMA

Ande comigo minha alma, anima, sombra que espreita minha vida. Se falo demais, então é voce calada, se penso demais, então é voce impulso. Espelho, imagem invertida, se sou viril é voce pura feminilidade. Fértil. Olhe para mim alma que me dá libido, libido que não é sexo apenas, é investimento, energia que injeto em algo que está em mim. Ou não. Mulher que vejo na rua agora, e onde projeto a minha alma. Invisto energia. Libido feito imagem fora de mim. Beijar minha alma em voce. Ouvir minha alma em voce. Unir. Se eu sou a pedra é voce água. Se eu sou mudança é fixa sua presença. Indomável alma, feminina alma, todo homem tem alma mulher, toda mulher tem alma homem, abraça-me. Imagem à janela que me encanta desde que vim ao mundo. Olhar lânguido que é um lago e uma fonte. Alma minha eu sou seu.

DOIS TIPOS DE POETAS

Yeats é um tipo introvertido. Whitman um tipo extrovertido. Yeats vê dentro de sua mente uma paisagem enevoada, e dessa paisagem ele tira uma narrativa. Whitman vê soldados em meio à guerra civil, e disso ele desenvolve sua poesia. Yeats joga sobre a torre, real, em Sligo, aquilo que dentro dele ele vê. Yeats sente que o mundo vive em sua alma. Whitman olha para o mundo e do mundo ele absorve aquilo que dentro dele entrará. Ele é parte do mundo. Yeats acharia Whitman muito ativo demais. Talvez rude demais. Quem sabe até mesmo ríspido. Whitman veria Yeats como um delicado. Egocêntrico demais. Idealista que não sente o gosto do mundo real, como ele é. Todos nós somos os dois, e é claro que os dois tiveram seu lado contrário. Mas um dos lados nos domina por um tempo maior. Nos traimos por nossas ações mais planejadas, pela nossa rotina, pelo que nos interessa. Observe: Yeats não parecia ligar para o sucesso. Whitman queria ser a voz de sua nação. Tudo nele está voltado ao outro, ao cidadão. Yeats escrevia para as fadas. Para si mesmo. E no máximo cinco amigos. Whitman falava com um país inteiro. É arriscado e ingênuo querer falar da personalidade de duas almas tão complexas e distantes de nós. Mas a obra de ambos nos dá essa chance. ( baseado em Jung mas ele não usa esses exemplos )

JUNG, TIPOS PSICOLÓGICOS

Estou lendo o TIPOS PSICOLÓGICOS de Jung. Aviso que não irei destrinchar o livro. Ele é vasto e toda redução o empobreceria demais. Farei vários textos, curtos, em que citarei uma ideia do livro. Voce que pense sobre ela. A obra tem 600 páginas, estou na 170, agora ele analisa Nietzsche e o conceito de Apolo x Dionísio que o alemão escreveu. Antes disso, Jung, sempre uma mente enciclopédica, falou sobre filósofos medievais, gregos primitivos e Schiller. Destaco aqui duas afirmações: 1- A história do mundo e da civilização se explica pela divisão, dentro de nós e fora de nós, entre tipos INTROVERTIDOS E EXTROVERTIDOS. O conflito tem sido insolúvel, e é nessa guerra que se faz a história. Ideal contra prático. O idealista pensa e depois olha o mundo. E busca adaptar o mundo àquilo que ele crê ser a verdade. O prático vê o mundo e depois o conhece. Tenta se adaptar àquilo que o mundo é. Neste momento histórico, se voce pensou em esquerda e direita acertou. Jung, como Schiller e Nietzsche, sabe que são modos de ver o objeto inconciliáveis. Não há comunicação entre essas duas visões. Mas não se engane! Na vida pública hiper exposta e hiper calculada de 2020, o que parece ser introvertido pode ser um extrovertido oportunista; e um que se mostra como extrovertido, ser um idealista confuso. Jung adverte que saber qual seu "time" é ato de muito difícil diagnóstico. Uma dica: auto análise aqui está fadada ao fracasso. 2- A religião surge sempre como criação inconsciente que visa equlibrar o mundo. Desse modo, óbvio que uma religião como a cristã, baseada em amor ao próximo, revela que dentro do homem cristão existe o impulso pelo ódio ao próximo. Jung escreveu em 1920, pós primeira guerra: " Não me surpreende que dentro da civilização do pacifista Jesus Cristo, ocorra a pior das guerras " Imagine o que Jung pensou em 1945! Portanto, Jung sabe que se os gregos, por exemplo, criaram a religião clara e heroica do Olimpo, era porque eles se sentiam acossados por uma vida cheia de medo e de escuridão. E chega aqui.

SONHO E SERRA DO MAR

Alguns momentos em minha infância foram reais, hoje eu sei, mas durante anos me pareceram ser sonhos. O mais fantástico foram as cenas que eu lembrava do filme SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO, de 1932, cenas que vi na TV, talvez aos 4, 5 anos de idade, e que cresci, até os 45 anos, pensando ter sonhado aquelas cenas. Pois bem...sempre que desço a Serra do Mar, seja pela Anchieta ou pela Imigrantes, tento entender de onde tirei as imagens, mágicas, que guardo daquela descida. Vejo dentro da minha memória uma estrada sinuosa, que passava roçando nas folhas das árvores. Um caminho onde eu sentia o cheiro da mata e ouvia, muito de perto, sons de insetos e de pássaros. O carro percorria as curvas com vidros abertos, o bafo úmido da floresta invandindo nossos corpos. Lembro de cachoeiras onde dava quase pra molhar as mãos. Descendo a Serra, lugar que mais amo no mundo, sinto prazer, mas ao mesmo tempo fico intrigado: sonhei esse outro caminho? Vejo no Youtube um video da velha estrada de Santos, aquela que Kipling conheceu. Aqui está meu sonho! Minha mãe assiste comigo e me conta: Sim, até os seus 11 anos era esse o caminho que fazíamos. Seu pai preferia usar a Anchieta, mas todas as vezes que fomos no carro de outras pessoas elas foram por aí, por ser mais bonito. A viagem levava quase 3 horas, contando tudo, e quando voce tinha 7 anos, a primeira vez que voce viu o mar, descemos por aí, de noite, chovendo, numa Kombi. Nunca senti tanto medo....Voce desceu comendo bolachas e rindo. Houve um domingo, eu tinha 9 anos então, em que subíamos para São Paulo, de taxi. Cheio de sono e calor, eu vi macacos nas árvores e enormes pássaros voando tão perto....em certo trecho os galhos caídos de uma árvores roçavam os vidros do velho Chevrolet. Crianças quando felizes sentem essa alegria na barriga. Como um calor suave. A falta de passado faz isso. A satisfação é nova, estala de tão perfeita. Eu fechei os olhos e dormi ouvindo os pneus rolando. Desde então essa é minha imagem da felicidade perfeita.

Descida pela estrada velha de Santos



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UM SONHO DE FILME

Um amigo meu assistiu Great Expectations e sentiu o clima de sonho que ele tem. Ele me pede indicação de livros que tenham esse mesmo clima. Difícil indicar. Nossos sonhos são visuais e o cinema consegue evocar esse aspecto onírico com muito mais facilidade. Os Mortos de Joyce pode ter o clima sonhador para mim, mas não para ele. Em filmes a coincidência de todos terem o mesmo tipo de experiência apresenta maior probabilidade. As imagens já estão lá, prontas para serem provadas. Muita gente boa diz que o cinema mudo tem esse ar de sonho. Que eles são uma espécie de inconsciente pop. Aurora de Murnau e A Carruagem Fantasma de Sjostrom são sonhos já sonhados. Assistir é ver uma paisagem que parecia ter sido nossa desde sempre. Os filmes franceses dos anos 30-40 têm esse poder onírico. Os Visitantes da Noite de Carné e Orfeu de Cocteau são sonhos em luz e som. Há muito mais, mas cito o que me ocorre agora. Na Inglaterra da mesma época há uma disposição enorme ao sonho. The Red Shoes de Powell nunca parece real. Aliás, esse é um diretor que parece elaborar tudo dentro de nosso mundo irreal. E verdadeiro. Cul de Sac de Polanski me ocorre agora. É tão sonhador como também é qualquer Tarkovski. E é estranho observar como o cinema italiano tem pouco esse jeito de sonho. O país me parece realista em cinema, sempre. Mizoguchi, no Japão, tem muitos filmes que parecem sonhos acordados, e já assisti diversos filmes de samurai, dos anos 60, que são como um mundo alternativo. Bem....já há uma lista aqui. Bons sonhos.

VIA ANCHIETA EM 1943 - Santos - Paranagua (Colégio dos Jesuítas)



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Copacabana (Rio de Janeiro) – A “Princesinha do Mar” em 1928



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AS CRÔNICAS DO BRASIL - RUDYARD KIPLING. UM INGLÊS SUPERSTAR ENCONTRA O PARAÍSO NA TERRA

São 5 artigos escritos e publicados em jornal inglês, no final de 1927. Rudyard Kipling era então um mito, o mais famoso escritor do mundo. Havia ganho o Nobel em 1907 ( o primeiro autor de lingua inglesa a vencer ), e era famoso como autor de Mowgli, Gunga Din, Kim e do poema If. É dele também O Homem que Queria ser Rei. Como se vê, seu ambiente era o mundo tropical. India acima de tudo. Ele viajava muito. E aqui ele conta sua impressão sobre o Brasil. Para quem é brasileiro, a coisa é séria. Primeiro o Rio de Janeiro. Que Rio é esse que ele descreve? Diz ele que a cidade cheira bem e tudo é de uma limpeza exemplar. O povo, no Carnaval, brinca em ordem, ninguém bebe. Ele anda por Copacabana, Santa Tereza, vai ao Jardim Botânico, ao centro. E tudo que vê é arquitetura deslumbrante, casas maravilhosas e o povo mais educado e gentil que há. Há todo um ritual de gentileza, de civilidade, de saber conviver. Ele se hospeda no Copacabana Palace, vai a rodas de samba, vê o desfile de blocos, guerra de confetes e de lança perfume, e tudo o encanta. Há um momento revelador em que ele diz não entender direito como o Brasil é o que é. Um amigo lhe explica: O estrangeiro teima em ver o Brasil como cultura espanhola, mas não, o Brasil é filho de um PORTUGAL QUE NÃO EXISTE MAIS. UM REINO QUE FOI MÁGICO, ÚNICO, OUSADO, UM REINO QUE DUROU QUASE NADA, MAS QUE PERMANECE AQUI. Kipling, ao fim do livro, escreve as linhas mais bonitas que já li sobre o meu país. Nota que o irresponsável Portugal mandou para cá, em nosso começo, pequenos nobres aventureiros. Eles deveriam cuidar de terras maiores que a Alemanha ( muito maiores ), sozinhos. Diz Kipling, que ao contrário dos EUA ou do Canadá, onde os primeiros anos estão soterrados pela história, no Brasil a alma desses aventureiros, dos bandeirantes, dos índios, dos piratas, ainda habita em cada canto. Então ele pega um barco, navega e vai à Santos. 1927 e todo o café do mundo passa por lá. Riqueza. Kipling nota algo que nós, por sermos daqui, mal percebemos: A Serra do Mar deu todo o destino do país. Para exportar é preciso vencer aquela montanha. Ela separa, de forma abrupta, o mar do continente. É como se o país tivesse uma parede que o protege mas que também o isola. Kipling sobe a serra de trem, conhece a represa Billings, vai ao Butantã ver as cobras, dorme numa fazenda de café em Campinas. Se espanta com tanta riqueza. Diz ele que mesmo a pobreza é aqui menos cruel, pois não há a fome da neve, a crueldade do frio, e nem a dor do deserto. São Paulo ele vê como uma confusão de ladeiras e vales, suburbios que nunca terminam ( ele andou por aqui, o Butantã de 1927, ainda toda a zona oeste como uma imensa fazenda de chá ). Fico triste ao imaginar o que deu errado. Kipling e seus amigos ingleses falam dos planos de inundar o país de estradas de ferro. Território imenso, que dava aos brasileiros essa sensação de riqueza guardada ao futuro,reservas eternas. Kipling parte em navio certo de ter visto o mais rico país do planeta. "O mais fascinante e misterioso mundo à parte".