AMANHÃ
Amanhã, ou daqui a 6 meses, o nacionalismo europeu voltará com tudo. E a união europeia, organismo que só serve para turistas, terá sua inutilidade escancarada. Os ingleses mais uma vez se anteciparam ao continente. Aliás, isso é histórico. Perceberam Hitler antes de todos, se industrializaram primeiro, criaram um modo de controlar o rei sem revoluções abjetas. A Inglaterra percebe antes porque ela é pragmática. Ela observa sem a distorção do idealismo. Sem a ideologia. Ela olha e vê, e então age. Agora assiste de camarote. Vê que ninguém se moveu para ajudar a Itália. Ninguém ajuda a Espanha. Portugal fala para as paredes. Na hora do aperto é cada um por si. E se apertar demais, que venha os EUA nos salvar. Coordenação nenhuma, e a grana não aparece. Alemanha, Holanda e Austria vão bem. O resto, um abraço.
A esquerda; famosa por jamais acertar uma previsão, eles ainda acham que a evolução do capitalismo é o comunismo; quer pensar que o mundo pós corona vírus será anti capital. Que o estado ganha moral com essa onda de dor e medo. Modo bobinho de pensar. Após o medo vem a raiva, sempre. As pessoas acusarão o estado por não ter agido antes. Reclamarão das fronteiras abertas. Tenderão a se fechar. Olharão com medo o imigrante e até o turista. No médio prazo a China sai perdendo. Políticos de direita radical tenderão a vencer. Fechar fronteira e se manter em casa é a praia deles.
Por aqui, na amarga Latino América, nada mudará. A Argentina caminhará alegremente para mais um suicídio. A Venezuela é a grande derrotada. O país acabou. O governo não cai porque o exército não quer. Esquecem que Chavez era militar. O exército tem bons salários. A população está tão faminta que não tem energia nem pra reclamar. 15 dólares por mês.
Cá no Brasil já se percebe quem ficou feliz com a crise. A turma do quanto pior melhor foi com tanta sede ao pote que ficou chato. Todo mundo notou. Bolsonaro, péssimo em relações públicas, vai se manter. Os governadores sairão com o pires na mão. Vão mendigar recursos. O povo, coitado, não conta. O brasileiro continua sendo um peão. O presidente se queimou por falar besteiras. Os outros por inflar o medo. Presidente que fala besteira é o comum por aqui. Inflar medo é imperdoável. Os eleitores serão lembrados disso.
Quando Dilma foi impedida, falei que nunca mais teríamos um presidente sem a sombra do impeachment. Até nisso imitamos os EUA. Lá, desde Nixon, todo presidente convive com isso. É briga de crianças: Voce impediu o meu, quero impedir o seu. Bolsonaro faria bem em não tentar a reeleição. Poderia até vencer. A oposição se destrói por si mesma. Mas não vale o desgaste. Deverá surgir um nome novo da baixa política. Mais uma vez.
Lula morreu. Se tornou aquilo que foi Brizola em seus últimos anos. Uma memória meio turva. Um velhinho gritando slogans mofados.
Doria e Witzel esqueceram que são menos que nada. Estão no governo por usar a força do presidente em seu momento mais forte. Sozinhos não têm base nenhuma. Cercados por puxa sacos, estão acreditando nos elogios dos sombras.
Haddad não existe como pessoa independente. E seus posts depõe contra ele mesmo. Hesitante, ele apenas grita, com voz fraca, palavras de ordem sem sentido. Parece líder estudantil. É Robin. O pupilo do Batman esclerosado.
Ciro não precisa de oposição. Basta deixar ele falar. Ciro destrói Ciro.
Que panorama podre!
E temos nossos formadores de opinião. Arautos que falam para outros formadores de opinião. Masturbadores que se encantam com a própria mão. Se empolgaram com a crise. Acharam que ela faria deles Os Protagonistas outra vez. Não. Os políticos, ruins e menos ruins, são as estrelas do momento.
Termino citando Hitchcock. Atores são gado. Salvo 1% deles, não pensam. Decoram texto. E vomitam banalidades. Ninguém falou mais idiotices nestes dias que eles. Me perdoem os menos bobos, mas eles parecem ter a mente de um menino de 10 anos educado num sindicato do ódio.
O mundo após a crise voltará outro? Talvez.
Mas creia, não será como seu professor de sociologia diz. Ele nunca acertou uma.
A esquerda; famosa por jamais acertar uma previsão, eles ainda acham que a evolução do capitalismo é o comunismo; quer pensar que o mundo pós corona vírus será anti capital. Que o estado ganha moral com essa onda de dor e medo. Modo bobinho de pensar. Após o medo vem a raiva, sempre. As pessoas acusarão o estado por não ter agido antes. Reclamarão das fronteiras abertas. Tenderão a se fechar. Olharão com medo o imigrante e até o turista. No médio prazo a China sai perdendo. Políticos de direita radical tenderão a vencer. Fechar fronteira e se manter em casa é a praia deles.
Por aqui, na amarga Latino América, nada mudará. A Argentina caminhará alegremente para mais um suicídio. A Venezuela é a grande derrotada. O país acabou. O governo não cai porque o exército não quer. Esquecem que Chavez era militar. O exército tem bons salários. A população está tão faminta que não tem energia nem pra reclamar. 15 dólares por mês.
Cá no Brasil já se percebe quem ficou feliz com a crise. A turma do quanto pior melhor foi com tanta sede ao pote que ficou chato. Todo mundo notou. Bolsonaro, péssimo em relações públicas, vai se manter. Os governadores sairão com o pires na mão. Vão mendigar recursos. O povo, coitado, não conta. O brasileiro continua sendo um peão. O presidente se queimou por falar besteiras. Os outros por inflar o medo. Presidente que fala besteira é o comum por aqui. Inflar medo é imperdoável. Os eleitores serão lembrados disso.
Quando Dilma foi impedida, falei que nunca mais teríamos um presidente sem a sombra do impeachment. Até nisso imitamos os EUA. Lá, desde Nixon, todo presidente convive com isso. É briga de crianças: Voce impediu o meu, quero impedir o seu. Bolsonaro faria bem em não tentar a reeleição. Poderia até vencer. A oposição se destrói por si mesma. Mas não vale o desgaste. Deverá surgir um nome novo da baixa política. Mais uma vez.
Lula morreu. Se tornou aquilo que foi Brizola em seus últimos anos. Uma memória meio turva. Um velhinho gritando slogans mofados.
Doria e Witzel esqueceram que são menos que nada. Estão no governo por usar a força do presidente em seu momento mais forte. Sozinhos não têm base nenhuma. Cercados por puxa sacos, estão acreditando nos elogios dos sombras.
Haddad não existe como pessoa independente. E seus posts depõe contra ele mesmo. Hesitante, ele apenas grita, com voz fraca, palavras de ordem sem sentido. Parece líder estudantil. É Robin. O pupilo do Batman esclerosado.
Ciro não precisa de oposição. Basta deixar ele falar. Ciro destrói Ciro.
Que panorama podre!
E temos nossos formadores de opinião. Arautos que falam para outros formadores de opinião. Masturbadores que se encantam com a própria mão. Se empolgaram com a crise. Acharam que ela faria deles Os Protagonistas outra vez. Não. Os políticos, ruins e menos ruins, são as estrelas do momento.
Termino citando Hitchcock. Atores são gado. Salvo 1% deles, não pensam. Decoram texto. E vomitam banalidades. Ninguém falou mais idiotices nestes dias que eles. Me perdoem os menos bobos, mas eles parecem ter a mente de um menino de 10 anos educado num sindicato do ódio.
O mundo após a crise voltará outro? Talvez.
Mas creia, não será como seu professor de sociologia diz. Ele nunca acertou uma.
DAS AMIZADES VERDADEIRAS
Cresci ouvindo falar que brasileiro não era politizado. Que aqui se brigava por futebol, nunca por política. Diziam ainda que quando o Brasil se politizasse tudo ia melhorar. ( Mais um mito. O que me lembra também a tese de que com educação tudo se resolve ).
Hoje brasileiro briga por política, e como no futebol, todos se acham experts no assunto. Não sei nada de política, apenas vejo o que posso ver. Cresci me achando esquerdista, adorava irritar meu pai com meu ateísmo. Mas mudei a partir dos anos 80. Me rendi às evidências históricas. E mesmo quando me contam tolices, do tipo: Cuba não deu certo por causa do bloqueio americano, eu penso: Pois que se rendesse! De que adiantou esse teimoso heroísmo? Os EUA não perderam um só dólar, e Cuba ganhou apenas uma lenda. Para seus habitantes seria muito melhor ter nascido na Costa Rica ou em Porto Rico. Pragmatismo salva vidas. Ideologia cria mitos.
Se voce é de esquerda já se arrependeu de ler isto né. Me desqualificou como mais um bolsominion. E tá tudo resolvido. Rótulo posto, assunto morto. Mas que surpresa! Não votei no mito. Nunca votei na direita. Sou contra a pena de morte. Odeio a caça. Odeio armas. E tenho amigos gays e lésbicas. Ah sim, adoro ler. Não só livros policiais. Leio poesia. Leio romances russos. E amo cinema de arte. Estranho né? As pessoas não cabem em rótulos meu caro amigo. Mesmo o mais bronco dos bolsominions ou o mais raivoso dos piçolistas têm alguma nuance. São humanos.
Entro agora no tema da amizade ( já li Montaigne, veja só, um direitista que lê Montaigne ). Perdi quatro amigos nos últimos dois anos. Perdidos para a política. Quatro até que é um bom número. São poucos. Mas me magoaram como se fossem muitos.
Tenho hoje vários amigos que não pensam como eu. Alguns continuam sendo de esquerda. E morrerão sendo. Assim como espero que eu morra sendo amigo deles. Nossa amizade está além do assunto política. É um assunto interessante. Importante. Mas em amizade não é central. Por um motivo muito simples: voce não escolhe um amigo por ele ter votado em B ou X. Quem termina uma amizade por esse motivo, começou a dita amizade pelo motivo errado. Ou nunca o foi.
Eu e meus amigos de esquerda não discutimos politica porque sabemos que seria inútil. Eles não mudarão meu modo de pensar. Eu não mudarei o deles. Na verdade nem queremos isso. Sabemos que uma opinião profunda só é mudada na experiência do dia a dia. E se for uma crença, bem, só um grande acontecimento modifica uma crença. Quem sou eu para os catequizar?
O máximo que falamos é : caramba seu tonto, voce é um merda de um petista! Ou um : seu ignorante, como pode voce ser um imbecil de direita! Rimos. E o assunto se encerra.
A amizade precisa de um certo pudor para sobreviver. Acham os estúpidos que amigos podem e devem falar tudo. Nunca foi assim. Sempre existiram assuntos tabu. E por delicadeza e afeto, deles não falamos.
Dois anos atrás perdi meu primeiro amigo para a politica. Ele me convidou para um café e após poucos minutos me interrogou. Fui literalmente examinado. Assim que a primeira pergunta foi feita a amizade morreu. Ele me olhou, mal contendo a raiva, e disse: Eu sou de esquerda, e voce é o que?
Eu juro que senti um derretimento interno. A decepção profunda. Uma armadilha. Eu não queria crer! Ele estava me policiando! Era isso a tal patrulha ideológica? Teria sido assim na Polonia, na Hungria, na Lituânia? Amigos dedurando, interrogando, acusando?
Saí pela tangente. Tentei me explicar. Sim. Fui obrigado a dar explicações. E assim, ainda nos vimos mais duas vezes. Em todas elas vinha o momento da pergunta: O que vc acha da luta de classes? Como vc se posiciona diante da miséria? Me explique o que vc entende por conservadorismo? Tudo isso dito com cara séria, raiva muito mal disfarçada.
Acabou então.
Vinte anos de amizade trocados por um partido.
Minha mente não consegue entender isso e meu coração não aceita. Pelo fato de que eu nunca fiz ou faria tal ato de traição. A palavra é essa: Traição. Amizade que exige a mesma opinião ou a mesma fé não é amizade. Há nesse ato um tipo de frieza egoísta que nega todo o universo do amor.
Por outro lado....Que nobreza de caráter vive nesses amigos que apesar dos pesares, mantém viva a chama do afeto, o compromisso de vida, o amor pelo que é diferente de si mesmo.
Sim, eles me dizem: Que bosta voce falou cara! Mas dizem isso com o olhar do afeto, do bem, do entendimento.
Nunca no Brasil a amizade foi tão testada.
E vocês são a prova de que ela é maior que tudo.
Hoje brasileiro briga por política, e como no futebol, todos se acham experts no assunto. Não sei nada de política, apenas vejo o que posso ver. Cresci me achando esquerdista, adorava irritar meu pai com meu ateísmo. Mas mudei a partir dos anos 80. Me rendi às evidências históricas. E mesmo quando me contam tolices, do tipo: Cuba não deu certo por causa do bloqueio americano, eu penso: Pois que se rendesse! De que adiantou esse teimoso heroísmo? Os EUA não perderam um só dólar, e Cuba ganhou apenas uma lenda. Para seus habitantes seria muito melhor ter nascido na Costa Rica ou em Porto Rico. Pragmatismo salva vidas. Ideologia cria mitos.
Se voce é de esquerda já se arrependeu de ler isto né. Me desqualificou como mais um bolsominion. E tá tudo resolvido. Rótulo posto, assunto morto. Mas que surpresa! Não votei no mito. Nunca votei na direita. Sou contra a pena de morte. Odeio a caça. Odeio armas. E tenho amigos gays e lésbicas. Ah sim, adoro ler. Não só livros policiais. Leio poesia. Leio romances russos. E amo cinema de arte. Estranho né? As pessoas não cabem em rótulos meu caro amigo. Mesmo o mais bronco dos bolsominions ou o mais raivoso dos piçolistas têm alguma nuance. São humanos.
Entro agora no tema da amizade ( já li Montaigne, veja só, um direitista que lê Montaigne ). Perdi quatro amigos nos últimos dois anos. Perdidos para a política. Quatro até que é um bom número. São poucos. Mas me magoaram como se fossem muitos.
Tenho hoje vários amigos que não pensam como eu. Alguns continuam sendo de esquerda. E morrerão sendo. Assim como espero que eu morra sendo amigo deles. Nossa amizade está além do assunto política. É um assunto interessante. Importante. Mas em amizade não é central. Por um motivo muito simples: voce não escolhe um amigo por ele ter votado em B ou X. Quem termina uma amizade por esse motivo, começou a dita amizade pelo motivo errado. Ou nunca o foi.
Eu e meus amigos de esquerda não discutimos politica porque sabemos que seria inútil. Eles não mudarão meu modo de pensar. Eu não mudarei o deles. Na verdade nem queremos isso. Sabemos que uma opinião profunda só é mudada na experiência do dia a dia. E se for uma crença, bem, só um grande acontecimento modifica uma crença. Quem sou eu para os catequizar?
O máximo que falamos é : caramba seu tonto, voce é um merda de um petista! Ou um : seu ignorante, como pode voce ser um imbecil de direita! Rimos. E o assunto se encerra.
A amizade precisa de um certo pudor para sobreviver. Acham os estúpidos que amigos podem e devem falar tudo. Nunca foi assim. Sempre existiram assuntos tabu. E por delicadeza e afeto, deles não falamos.
Dois anos atrás perdi meu primeiro amigo para a politica. Ele me convidou para um café e após poucos minutos me interrogou. Fui literalmente examinado. Assim que a primeira pergunta foi feita a amizade morreu. Ele me olhou, mal contendo a raiva, e disse: Eu sou de esquerda, e voce é o que?
Eu juro que senti um derretimento interno. A decepção profunda. Uma armadilha. Eu não queria crer! Ele estava me policiando! Era isso a tal patrulha ideológica? Teria sido assim na Polonia, na Hungria, na Lituânia? Amigos dedurando, interrogando, acusando?
Saí pela tangente. Tentei me explicar. Sim. Fui obrigado a dar explicações. E assim, ainda nos vimos mais duas vezes. Em todas elas vinha o momento da pergunta: O que vc acha da luta de classes? Como vc se posiciona diante da miséria? Me explique o que vc entende por conservadorismo? Tudo isso dito com cara séria, raiva muito mal disfarçada.
Acabou então.
Vinte anos de amizade trocados por um partido.
Minha mente não consegue entender isso e meu coração não aceita. Pelo fato de que eu nunca fiz ou faria tal ato de traição. A palavra é essa: Traição. Amizade que exige a mesma opinião ou a mesma fé não é amizade. Há nesse ato um tipo de frieza egoísta que nega todo o universo do amor.
Por outro lado....Que nobreza de caráter vive nesses amigos que apesar dos pesares, mantém viva a chama do afeto, o compromisso de vida, o amor pelo que é diferente de si mesmo.
Sim, eles me dizem: Que bosta voce falou cara! Mas dizem isso com o olhar do afeto, do bem, do entendimento.
Nunca no Brasil a amizade foi tão testada.
E vocês são a prova de que ela é maior que tudo.
BEM VINDO AO MUNDO REAL
Conheço críticos que nos anos 80 e 90 diziam que o grande mal da arte brasileira era a subserviência à Caetano Velloso e sua corte. Eles bufavam dizendo que todo novo cantor, banda ou escritor, tinha como ambição máxima receber as bênçãos de Cae e Gil. Diziam que aqui não havia ruptura, fim de ciclo. Que tudo girava em torno da corte baiana.
Hoje esses mesmos críticos estão alinhados com a corte.
Este não é um texto a favor ou contra. Juro que tento apenas olhar e descrever. Alguém tem de abrir um olho. Vamos a descrição.
Quero entender o motivo de tanto ódio. Por que um povo que ignorava Sarney, hoje quer ver morto Bolsonaro. Há algo de psicológico nisso. Há uma doença social. E eu sei, que pelo fato de 99% dos psicólogos sociais serem de esquerda, eles estão analisando a doença de ser Bolsonaro, e ignoram o ódio irracional ao presidente.
Não digo que ele seja bom. Talvez seja menos que razoável. O que me causa espanto é o tamanho do ódio. Eu vi os governos Figueiredo, Sarney, Collor e todos os demais. Nem Collor foi tão odiado. Por que?
Dizem que Bolsonaro é machista. Diria antes hetero ostensivo. Não o vi bater em mulher. Não o vi caçar algum direito feminino. Não o vi em orgias com 5 mulheres pagas. Sarney, Collor e Lula pareciam tão heteros quanto ele. O que seria então?
Dizem que ele é ignorante. Não vai ao teatro e não lê bons livros. Lula não lia nada. Não foi visto em museu ou teatro. Collor só frequentava festas de playboy. Itamar era alegremente bronco. Então onde Bolsonaro peca?
Já ficou claro não é? Ele cometeu o pecado de não beijar a mão de Caetano e Chico. Claro que estou usando símbolos. Collor e Figueiredo não fizeram isso. Mas o bronco Lula era amado porque foi prestar homenagens a eles. Mesmo não sabendo uma letra de Milton de cor.
Quem mais odeia Bolsonaro é quem não suporta o fato novo que acontece aqui e agora: a morte do formador de opinião. Quem o detesta são as pessoas que se vêm ameaçadas pela perda de sua importância intelectual. " Como esse bronco ousa me ignorar?"
O problema não é ele não ler. É ele ignorar quem escreve livros. Lula dava prêmios. Fazia festivais. Artistas são baratos. E Lula é esperto.
Bolsonaro foi eleito, como Trump, sem o apoio de formadores de opinião. E eles, assustados, não o perdoam por isso. Ele jogou na cara deles o quanto hoje eles são irrelevantes. E eles não podem suportar essa novidade.
O Brasil sempre teve duas elites que mandaram como reis e duques: Os ricos e os "letrados". Em terra de miseráveis, quem tem dois tostões é nobre e quem leu Jorge Amado se acha especial. Tanto o rico como o letrado têm na ponta da língua a frase: "Voce sabe com quem está falando? Voce não tem nível para me contradizer".
Bolsonaro e seus eleitores ignoraram os leitores de Chauí. Nem sequer a atacam. Ignoram sua existência. E vivem bem sem ela. Ela então grita.
Para o ego dos formadores de opinião, isso é insuportável.
A Globo ataca frontalmente, e na minha opinião se suicida com isso, ao governo não só por uma questão fiscal. Ela sabe que ele põe a perigo seu trono dourado. Mostra que ela já não dita regras. Lula foi ao Fantástico no dia da eleição. Foi dar uma exclusiva para a rainha do país. Bolsonaro rezou. Numa transmissão mambembe, ele transmitiu uma reza. Foi feio. Tosco. Foi Brasil.
Bolsonaro joga na cara desse povo, os classe média bem educados, esquerdistas no molde Partido Democrata da California, o que é o Brasil. Muito mais que Lula ou Itamar, ele é o tiozão caminhoneiro, o taxista, o guarda no sinal, o empreiteiro, o dono do açougue, o feirante. Lula era o homem do povo para uso de intelectuais culpados, Bolsonaro é o homem do povo que pouco se importa com intelectuais. Ele é absurdamente sincero.
O ódio a Bolsonaro é revelador. Mostra o preconceito das classes educadas, esnobes, egocêntricas, europeizadas e americanizadas , contra o homem comum, banal, simplório. Ele fala o que pensa e se atrapalha porque fala demais. Ele fala de um modo sujo, mal articulado, feio. Isso é motivo para tanto ódio? Não. Se ele pagasse tributo à realeza seria motivo apenas para risos. Como era o caso de Sarney ou de Itamar. O ódio é aquele do ego ferido. É insuportável para quem o sente.
Ele revela que seu curso de sociologia pode nada significar. Que suas leituras sobre Heidegger podem ser apenas masturbação. Que o mundo real pouco se importa com voce.
É claro que eu adoro livros etc etc etc. Mas por Deus! Como é possível tanta crueldade a alguém cujo único pecado é ser um bronco?
Esse ódio é possível a partir do momento em que ele ameaça seu senso de auto importância.
A partir do momento em que ele se elege contra todos os seus palpites.
E expõe, de forma humilhante, que voce não sabe prever, não influi mais e talvez esteja deixando de ser um "nobre leitor" e se tornando apenas mais um na multidão.
Bem Vindo ao mundo real.
Hoje esses mesmos críticos estão alinhados com a corte.
Este não é um texto a favor ou contra. Juro que tento apenas olhar e descrever. Alguém tem de abrir um olho. Vamos a descrição.
Quero entender o motivo de tanto ódio. Por que um povo que ignorava Sarney, hoje quer ver morto Bolsonaro. Há algo de psicológico nisso. Há uma doença social. E eu sei, que pelo fato de 99% dos psicólogos sociais serem de esquerda, eles estão analisando a doença de ser Bolsonaro, e ignoram o ódio irracional ao presidente.
Não digo que ele seja bom. Talvez seja menos que razoável. O que me causa espanto é o tamanho do ódio. Eu vi os governos Figueiredo, Sarney, Collor e todos os demais. Nem Collor foi tão odiado. Por que?
Dizem que Bolsonaro é machista. Diria antes hetero ostensivo. Não o vi bater em mulher. Não o vi caçar algum direito feminino. Não o vi em orgias com 5 mulheres pagas. Sarney, Collor e Lula pareciam tão heteros quanto ele. O que seria então?
Dizem que ele é ignorante. Não vai ao teatro e não lê bons livros. Lula não lia nada. Não foi visto em museu ou teatro. Collor só frequentava festas de playboy. Itamar era alegremente bronco. Então onde Bolsonaro peca?
Já ficou claro não é? Ele cometeu o pecado de não beijar a mão de Caetano e Chico. Claro que estou usando símbolos. Collor e Figueiredo não fizeram isso. Mas o bronco Lula era amado porque foi prestar homenagens a eles. Mesmo não sabendo uma letra de Milton de cor.
Quem mais odeia Bolsonaro é quem não suporta o fato novo que acontece aqui e agora: a morte do formador de opinião. Quem o detesta são as pessoas que se vêm ameaçadas pela perda de sua importância intelectual. " Como esse bronco ousa me ignorar?"
O problema não é ele não ler. É ele ignorar quem escreve livros. Lula dava prêmios. Fazia festivais. Artistas são baratos. E Lula é esperto.
Bolsonaro foi eleito, como Trump, sem o apoio de formadores de opinião. E eles, assustados, não o perdoam por isso. Ele jogou na cara deles o quanto hoje eles são irrelevantes. E eles não podem suportar essa novidade.
O Brasil sempre teve duas elites que mandaram como reis e duques: Os ricos e os "letrados". Em terra de miseráveis, quem tem dois tostões é nobre e quem leu Jorge Amado se acha especial. Tanto o rico como o letrado têm na ponta da língua a frase: "Voce sabe com quem está falando? Voce não tem nível para me contradizer".
Bolsonaro e seus eleitores ignoraram os leitores de Chauí. Nem sequer a atacam. Ignoram sua existência. E vivem bem sem ela. Ela então grita.
Para o ego dos formadores de opinião, isso é insuportável.
A Globo ataca frontalmente, e na minha opinião se suicida com isso, ao governo não só por uma questão fiscal. Ela sabe que ele põe a perigo seu trono dourado. Mostra que ela já não dita regras. Lula foi ao Fantástico no dia da eleição. Foi dar uma exclusiva para a rainha do país. Bolsonaro rezou. Numa transmissão mambembe, ele transmitiu uma reza. Foi feio. Tosco. Foi Brasil.
Bolsonaro joga na cara desse povo, os classe média bem educados, esquerdistas no molde Partido Democrata da California, o que é o Brasil. Muito mais que Lula ou Itamar, ele é o tiozão caminhoneiro, o taxista, o guarda no sinal, o empreiteiro, o dono do açougue, o feirante. Lula era o homem do povo para uso de intelectuais culpados, Bolsonaro é o homem do povo que pouco se importa com intelectuais. Ele é absurdamente sincero.
O ódio a Bolsonaro é revelador. Mostra o preconceito das classes educadas, esnobes, egocêntricas, europeizadas e americanizadas , contra o homem comum, banal, simplório. Ele fala o que pensa e se atrapalha porque fala demais. Ele fala de um modo sujo, mal articulado, feio. Isso é motivo para tanto ódio? Não. Se ele pagasse tributo à realeza seria motivo apenas para risos. Como era o caso de Sarney ou de Itamar. O ódio é aquele do ego ferido. É insuportável para quem o sente.
Ele revela que seu curso de sociologia pode nada significar. Que suas leituras sobre Heidegger podem ser apenas masturbação. Que o mundo real pouco se importa com voce.
É claro que eu adoro livros etc etc etc. Mas por Deus! Como é possível tanta crueldade a alguém cujo único pecado é ser um bronco?
Esse ódio é possível a partir do momento em que ele ameaça seu senso de auto importância.
A partir do momento em que ele se elege contra todos os seus palpites.
E expõe, de forma humilhante, que voce não sabe prever, não influi mais e talvez esteja deixando de ser um "nobre leitor" e se tornando apenas mais um na multidão.
Bem Vindo ao mundo real.
CORONA VÍRUS EM NEVERLAND
Este texto é escrito por inspiração de um belo artigo de Luiz Felipe Pondé. A filosofia que ele expressa é 99% a minha. Algo me incomodava nesta crise mundial, um certo mal estar indefinido, e Pondé conseguiu desanuviar minha mente. O que ele escreve colocou a primeira marcha neste meu escrito. Aqui vão as outra quatro.
Convivo com duas classes sociais. A classe média e a classe dos que lutam para comer. Quando pensei em escrever este desabafo, imaginei que só as classes mais abastadas poderiam ser alvo do que falarei. Mas agora percebo que não. Mesmo os mais pobres, aqui no Brasil, São Paulo, vivem na mesma ilusão. Para eles a coisa é ainda pior. Eles não têm como pagar pela ilusão. Vamos ao que Pondé disse e ao que eu falo do meu ponto de vista.
O vírus escancara a fragilidade de um certo tipo de pessoa. Aquela que vive na ideia de que tudo é possível se voce desejar. O corpo é meu e faço com ele o que quero. Mas não só isso, também a ideia de que a vida é minha e ela está aqui para me servir. A vida e a existência vistas como um tipo de serviçais. Pessoas que acreditam no "direito à felicidade", uma invenção fabricada, e portanto artificial, criada ao fim da segunda guerra mundial. Desumana no sentido de que nada na humanidade predispõe à felicidade. A vida é uma luta, uma guerra, uma disputa. É assim para o esquilo, para o macaco e para o tigre. A vida não é um desenho da Disney. Os animais estão em constante e eterna luta e se voce crê que o humano é apenas mais um animal, e não um filho de Deus, então saiba que sua vida é como a do salmão, briga por sobreviver.
A vida é assim e não há como escapar. Mas o mundo de 2020, na verdade o mundo desde 1945, consegue fazer com que ignoremos isso. Podemos passar vinte ou até 60 anos de nossa vida crendo que Bambi existe e que se " a gente se unir e quiser com bastante vontade, o bem será de todos". Até que um dia, sozinho na sala de espera de um médico, voce descobre ter um câncer. Então a vida Disney acaba. E voce descobre que a leoa que morria de fome na savana, cercada por hienas, era igual a voce. Seu corpo te trai. Sua mente te condena. Bem vindo à natureza real, Bambi. A vida é lutar por viver. A felicidade é apenas uma miragem criada por gente que nunca achou que ia ter de sobreviver. Que ia apenas tentar ser feliz.
O vírus joga na cara de 3 bilhões de pessoas, ao mesmo tempo, que a morte existe. Que seu condomínio não te protege dela. Que todos podemos morrer amanhã. E veja que coisa: Provavelmente sua morte será de câncer! Educados para crer que desejar é poder, e que a vida é a busca pela felicidade e não pela sobrevivência, nos tornamos histéricos com essa afronta desse vírus maldito. O pavor nos domina. E as hienas, felizes, esfregam as mãos.
Usamos então a antiquíssima válvula de escape. Um bode expiatório. A culpa pela peste era do judeu, era do feiticeiro, era do bárbaro. Agora é do chinês, é do Bolsonaro, é do italiano. Queremos crer que há um culpado para assim podermos o eliminar, e o eliminando vencer a morte. Que infantil ainda somos! O inimigo é um vírus. E ele pouco se lixa para suas opiniões. Não comer carne ou fazer ioga não vai te salvar. Na vida todos nós morremos no final. Hoje, amanhã ou em 2100.
Para a classe média, essa vida Disney é absoluta. A morte não existe e as pessoas do meu meio são boas e positivas. Para os mais pobres percebo que já surgiu o mesmo fenômeno. A pessoa não tem o que comer, mas vive na fantasia de que sua vida é um filme policial em Los Angeles, que ela é um astro do Rap, ou que sua vida é a busca da felicidade, e que desejando com fé, ela virá. Como diria Paulo Francis: weeeeeellllll........
O movimento hippie aconteceu porque pela primeira vez os adolescentes não precisavam trabalhar. O capital criou tanta riqueza que o mundo viu um fenômeno inédito: gente de 15 anos tendo tempo livre e dinheiro pra consumir. Surgiu a indústria pro jovem, indústria que hoje é hegemônica. E jovens têm desejos. E o comércio os atendia e atende. Já. E ser feliz é o maior dos desejos.
Problema: Claro que ninguém sabe o que é ser feliz. Mas não faz mal. Vamos querer algo indefinível. Vamos pagar por ele. E é aqui que entra o texto de Pondé: Vamos nos deprimir por ele. Depressão óbvia: Se voce quer algo que não sabe o que é, voce jamais encontrará. E ao não encontrar vai se deprimir. Pior, se condenará por ser incapaz de o encontrar. Imaginará que todos os outros são felizes e que voce não é.
Pois bem. Junte um universo de iludidos estilo Disney, crentes na bondade natural do mundo, e junte à deprimidos que falharam em achar a felicidade dentro desse mundo Disney. Jogue então um vírus sobre eles, o que resultará?
Os deprimidos dirão: Eu avisei. E com um sorrisinho de superioridade irão prognosticar: vai piorar muito! Que satisfação ver os que voce imaginava felizes tão apavorados, né?
Os crentes no mundo fofo argumentarão: Há algo de errado neste NOSSO mundo perfeito! O mundo é maravilhoso e a natureza é benéfica. São eles ( chineses, bolsonaristas, italianos, ricos, americanos, petistas ) os culpados! Eles destroem a nossa Neverland!
Ambos são o resultado de cinco gerações que jamais viram uma guerra ou tiveram de enterrar quatro ou cinco irmãos ainda bebês. ( Calma! Estou escrevendo pra voce. Não para um sírio ou um afegão. E se voce vive na periferia, e teve meia família perdida no tráfico, voce sabe que não é de voce que falo ). Essa geração, que pega inclusive os eternos adolescentes de 55 ou 65 anos, jamais cresceu e jamais desejou crescer. Eles exibem imaturidade como troféu. Alcançar a felicidade passa por ser jovem pra sempre. Somos tão burros que não notamos que a fase mais dura da vida é exatamente a adolescência. Viver 50 anos nela é coisa de masoquista hard. Todos o somos.
Pra esse povo a palavra serenidade não existe. Como não existe a palavra responsabilidade. Honra. Abnegação. Pragmatismo. São esses que esperam, como todo teen, que um pai resolva tudo por eles. E esse pai se chama estado. Igreja. Grupo. Se a morte nos ronda, o governo que nos livre dela. Se a fome aparece, o pai que nos alimente.
Somos covardes. Vergonhosamente covardes. Acreditamos realmente que Bambi é mundo real. Que temos o direito de ser Peter Pan. Que a Neverland é nossa por direito de nascença.
Meu pai foi da última geração a ignorar a ideia de felicidade. Nascido em 1926, no fim do mundo, ele fazia uma cara de surpresa absoluta quando eu reclamava, aos 14 anos, não ser feliz, não estar realizado, não ser livre. Usando a linguagem dele, meu pai dizia:
Que porra de conversa é essa? Estuda e trabalha, a vida é só isso. Seja bom e honre quem voce ama. Felicidade....que ideia mais idiota...
Para meu pai, esse vírus seria apenas mais uma das muitas mortes que ele viu.
Mas para nós, que horror, o vírus nos joga na cara que apesar do smart phone da academia, a morte é democrática, irreparável e invencível.
Convivo com duas classes sociais. A classe média e a classe dos que lutam para comer. Quando pensei em escrever este desabafo, imaginei que só as classes mais abastadas poderiam ser alvo do que falarei. Mas agora percebo que não. Mesmo os mais pobres, aqui no Brasil, São Paulo, vivem na mesma ilusão. Para eles a coisa é ainda pior. Eles não têm como pagar pela ilusão. Vamos ao que Pondé disse e ao que eu falo do meu ponto de vista.
O vírus escancara a fragilidade de um certo tipo de pessoa. Aquela que vive na ideia de que tudo é possível se voce desejar. O corpo é meu e faço com ele o que quero. Mas não só isso, também a ideia de que a vida é minha e ela está aqui para me servir. A vida e a existência vistas como um tipo de serviçais. Pessoas que acreditam no "direito à felicidade", uma invenção fabricada, e portanto artificial, criada ao fim da segunda guerra mundial. Desumana no sentido de que nada na humanidade predispõe à felicidade. A vida é uma luta, uma guerra, uma disputa. É assim para o esquilo, para o macaco e para o tigre. A vida não é um desenho da Disney. Os animais estão em constante e eterna luta e se voce crê que o humano é apenas mais um animal, e não um filho de Deus, então saiba que sua vida é como a do salmão, briga por sobreviver.
A vida é assim e não há como escapar. Mas o mundo de 2020, na verdade o mundo desde 1945, consegue fazer com que ignoremos isso. Podemos passar vinte ou até 60 anos de nossa vida crendo que Bambi existe e que se " a gente se unir e quiser com bastante vontade, o bem será de todos". Até que um dia, sozinho na sala de espera de um médico, voce descobre ter um câncer. Então a vida Disney acaba. E voce descobre que a leoa que morria de fome na savana, cercada por hienas, era igual a voce. Seu corpo te trai. Sua mente te condena. Bem vindo à natureza real, Bambi. A vida é lutar por viver. A felicidade é apenas uma miragem criada por gente que nunca achou que ia ter de sobreviver. Que ia apenas tentar ser feliz.
O vírus joga na cara de 3 bilhões de pessoas, ao mesmo tempo, que a morte existe. Que seu condomínio não te protege dela. Que todos podemos morrer amanhã. E veja que coisa: Provavelmente sua morte será de câncer! Educados para crer que desejar é poder, e que a vida é a busca pela felicidade e não pela sobrevivência, nos tornamos histéricos com essa afronta desse vírus maldito. O pavor nos domina. E as hienas, felizes, esfregam as mãos.
Usamos então a antiquíssima válvula de escape. Um bode expiatório. A culpa pela peste era do judeu, era do feiticeiro, era do bárbaro. Agora é do chinês, é do Bolsonaro, é do italiano. Queremos crer que há um culpado para assim podermos o eliminar, e o eliminando vencer a morte. Que infantil ainda somos! O inimigo é um vírus. E ele pouco se lixa para suas opiniões. Não comer carne ou fazer ioga não vai te salvar. Na vida todos nós morremos no final. Hoje, amanhã ou em 2100.
Para a classe média, essa vida Disney é absoluta. A morte não existe e as pessoas do meu meio são boas e positivas. Para os mais pobres percebo que já surgiu o mesmo fenômeno. A pessoa não tem o que comer, mas vive na fantasia de que sua vida é um filme policial em Los Angeles, que ela é um astro do Rap, ou que sua vida é a busca da felicidade, e que desejando com fé, ela virá. Como diria Paulo Francis: weeeeeellllll........
O movimento hippie aconteceu porque pela primeira vez os adolescentes não precisavam trabalhar. O capital criou tanta riqueza que o mundo viu um fenômeno inédito: gente de 15 anos tendo tempo livre e dinheiro pra consumir. Surgiu a indústria pro jovem, indústria que hoje é hegemônica. E jovens têm desejos. E o comércio os atendia e atende. Já. E ser feliz é o maior dos desejos.
Problema: Claro que ninguém sabe o que é ser feliz. Mas não faz mal. Vamos querer algo indefinível. Vamos pagar por ele. E é aqui que entra o texto de Pondé: Vamos nos deprimir por ele. Depressão óbvia: Se voce quer algo que não sabe o que é, voce jamais encontrará. E ao não encontrar vai se deprimir. Pior, se condenará por ser incapaz de o encontrar. Imaginará que todos os outros são felizes e que voce não é.
Pois bem. Junte um universo de iludidos estilo Disney, crentes na bondade natural do mundo, e junte à deprimidos que falharam em achar a felicidade dentro desse mundo Disney. Jogue então um vírus sobre eles, o que resultará?
Os deprimidos dirão: Eu avisei. E com um sorrisinho de superioridade irão prognosticar: vai piorar muito! Que satisfação ver os que voce imaginava felizes tão apavorados, né?
Os crentes no mundo fofo argumentarão: Há algo de errado neste NOSSO mundo perfeito! O mundo é maravilhoso e a natureza é benéfica. São eles ( chineses, bolsonaristas, italianos, ricos, americanos, petistas ) os culpados! Eles destroem a nossa Neverland!
Ambos são o resultado de cinco gerações que jamais viram uma guerra ou tiveram de enterrar quatro ou cinco irmãos ainda bebês. ( Calma! Estou escrevendo pra voce. Não para um sírio ou um afegão. E se voce vive na periferia, e teve meia família perdida no tráfico, voce sabe que não é de voce que falo ). Essa geração, que pega inclusive os eternos adolescentes de 55 ou 65 anos, jamais cresceu e jamais desejou crescer. Eles exibem imaturidade como troféu. Alcançar a felicidade passa por ser jovem pra sempre. Somos tão burros que não notamos que a fase mais dura da vida é exatamente a adolescência. Viver 50 anos nela é coisa de masoquista hard. Todos o somos.
Pra esse povo a palavra serenidade não existe. Como não existe a palavra responsabilidade. Honra. Abnegação. Pragmatismo. São esses que esperam, como todo teen, que um pai resolva tudo por eles. E esse pai se chama estado. Igreja. Grupo. Se a morte nos ronda, o governo que nos livre dela. Se a fome aparece, o pai que nos alimente.
Somos covardes. Vergonhosamente covardes. Acreditamos realmente que Bambi é mundo real. Que temos o direito de ser Peter Pan. Que a Neverland é nossa por direito de nascença.
Meu pai foi da última geração a ignorar a ideia de felicidade. Nascido em 1926, no fim do mundo, ele fazia uma cara de surpresa absoluta quando eu reclamava, aos 14 anos, não ser feliz, não estar realizado, não ser livre. Usando a linguagem dele, meu pai dizia:
Que porra de conversa é essa? Estuda e trabalha, a vida é só isso. Seja bom e honre quem voce ama. Felicidade....que ideia mais idiota...
Para meu pai, esse vírus seria apenas mais uma das muitas mortes que ele viu.
Mas para nós, que horror, o vírus nos joga na cara que apesar do smart phone da academia, a morte é democrática, irreparável e invencível.
FUNK NA HOUSE E OS GRANDES SONS
Não me lembro se foi Nelson Motta, mas alguém disse que o grande mal do RAP foi quebrar a tradição do negro americano de estudar e ser um grande músico. Estudar jazz e blues e usar seu swing natural. Se foi Nelson ele errou. Os USA continuam produzindo bons músicos às centenas, o que ocorre é que eles hoje têm pouco destaque. E a culpa não é do RAP, é da tecnologia. Os meios digitais criaram já duas gerações que não apreciam o som. Eles ouvem, mas não usufruem. ´Na internet a qualidade do som é sofrível e as gravações atuais não têm mais o refinamento e a equalização do auge da técnica de produção de discos, 1970-1980. Foi o período dos grandes produtores de discos e dos super engenheiros de som. Tom Dowd, Roy Thomas Baker, Alan Parsons, Chris Thomas, Ted Templeman, Gus Dudgeon, Jimmy Miller, Brian Eno, Tony Visconti, Martin Birch, Glyn Johns, a lista não acaba.
Kool and The Gang é uma das grandes bandas de 1973. Baixo, guitarra, teclados, trompete, saxofone, todos formados na tradição do jazz. Do hard jazz. Lançado no auge do movimento negro, este LP catapultou a banda para a parada dos brancos e vendeu como doghnuts. Aqui no Brasil, este que cá escreve, ainda criança, se lembra de ouvir duas das faixas tocarem insistentemente na rádio Difusora. Uma delas inclusive entrou na novela das oito. Funky Stuff abre a coisa em nível estratosférico. É funk que ensina o que é funk. É aquilo que faz Flea sorrir. O baixo pula e vai na frente e os metais, doces metais, correm atrás. A música faz a alma subir aos céus. E o corpo goza entre requebros das cadeiras e murmúrios de alcova. É febre na pelvis baby. Mas tem mais e a próxima todo mundo saca: Jungle Boogie não é a melhor do LP, mas tava no Pulp Fiction então OK. Depois vem o auge do creme: Hollywood Swingin é um dos melhores funks do mundo preto. É desfile de sangue e fogo e balanço de bunda lelê. Se voce não gostar, esquece. Você é 100% alma branca. Vai ouvir valsa vienense. Valsa é legal. Mas não é Kool. E nem Gang.
Heaven at Once é moleque falando com tio. Eles falam do mundo e a banda toca de fundo. É viagem em selva sem Tarzan. É meditação de bamba. Hora de This is You This is Me. Tira esse corpo pra pular e sacode as juntas dos ossos. A bateria se mostra: ela é do balacobaco. Os metais repercutem. É uma sacanagem na orelha. Life is What you Make It é mais funk na veia imaterial. Voce já percebeu: é um dos grandes discos do grande ano da black music. É Marvin, é Al e é Stevie. O'Jays e Brass Construction. Commodores e Sly.
Fecha com Wild and Peaceful. Ora vejam só! MPB! Uma levada de MPB !!!! Instrumental à Hermeto e Airto. Laço de fita que amarra o presente. Esses caras tocavam com fé. E a faca amolada na boca.
O LP se chama WILD AND PEACEFUL e a banda é KOOL AND THE GANG.
Ouve já.
Kool and The Gang é uma das grandes bandas de 1973. Baixo, guitarra, teclados, trompete, saxofone, todos formados na tradição do jazz. Do hard jazz. Lançado no auge do movimento negro, este LP catapultou a banda para a parada dos brancos e vendeu como doghnuts. Aqui no Brasil, este que cá escreve, ainda criança, se lembra de ouvir duas das faixas tocarem insistentemente na rádio Difusora. Uma delas inclusive entrou na novela das oito. Funky Stuff abre a coisa em nível estratosférico. É funk que ensina o que é funk. É aquilo que faz Flea sorrir. O baixo pula e vai na frente e os metais, doces metais, correm atrás. A música faz a alma subir aos céus. E o corpo goza entre requebros das cadeiras e murmúrios de alcova. É febre na pelvis baby. Mas tem mais e a próxima todo mundo saca: Jungle Boogie não é a melhor do LP, mas tava no Pulp Fiction então OK. Depois vem o auge do creme: Hollywood Swingin é um dos melhores funks do mundo preto. É desfile de sangue e fogo e balanço de bunda lelê. Se voce não gostar, esquece. Você é 100% alma branca. Vai ouvir valsa vienense. Valsa é legal. Mas não é Kool. E nem Gang.
Heaven at Once é moleque falando com tio. Eles falam do mundo e a banda toca de fundo. É viagem em selva sem Tarzan. É meditação de bamba. Hora de This is You This is Me. Tira esse corpo pra pular e sacode as juntas dos ossos. A bateria se mostra: ela é do balacobaco. Os metais repercutem. É uma sacanagem na orelha. Life is What you Make It é mais funk na veia imaterial. Voce já percebeu: é um dos grandes discos do grande ano da black music. É Marvin, é Al e é Stevie. O'Jays e Brass Construction. Commodores e Sly.
Fecha com Wild and Peaceful. Ora vejam só! MPB! Uma levada de MPB !!!! Instrumental à Hermeto e Airto. Laço de fita que amarra o presente. Esses caras tocavam com fé. E a faca amolada na boca.
O LP se chama WILD AND PEACEFUL e a banda é KOOL AND THE GANG.
Ouve já.
FORD X FERRARI
Um filme sobre velocidade que não consegue emocionar nas cenas de corrida. Isso revela um erro imperdoável.
Adoro filmes sobre esportes. O boxe, o beisebol, são esses os dois esportes com melhores filmes. Mas há também ótimos filmes sobre hipismo, futebol americano e até sobre skate. Em automobilismo GRAND PRIX de John Frankenheimer, de 1966, é o mais famoso. Hiper ambicioso, ele dura 3 horas e se perde às vezes em cenas de "arte". Mas tem o que este filme não tem: a emoção e a beleza da velocidade. Neste filme, todas as cenas na pista são feitas em completa indecisão. Não nos sentimos nem como o piloto e nunca como o público na torcida. A câmera muda de ponto de vista o tempo todo e assim qualquer envolvimento pessoal se esvai.
James Mangold é diretor competente. Tem o filme sobre Johnny Cash e até um bom western. Em su meio, o filme começa bem. A vida de dois derrotados é agradável. Depois ainda se mantém interessante, e adorei ver uma personagem interessante como Lee Iacocca na tela ( Lee merece um filme seu...foi um executivo que mudou a Ford e nos anos 80 tirou a Chrysler do vermelho..durante anos foi o executivo mais imitado e bajulado do mundo ). Mas os problemas de roteiro se acumulam, e quando o filme mais deveria excitar, ele murcha. Le Mans é uma decepção e os quinze minutos finais são artificiais. Bobos.
O piloto caipira tem muito de Chuck Yeager, o piloto de aviões que nos anos 40 foi o primeiro homem a bater a velocidade do som. Mas o filme de Philip Kauffman, OS ELEITOS, THE RIGHT STUFF tem poesia, tem velocidade, tem o mágico espírito épico. Quem viu Sam Sheppard fazendo Yeager não esquece. A cena em que Shelby e Ken andam juntos na pista é tirada direto de Os Eleitos. Mas o efeito é de filme banal.
Odiei o filme? Não. Claro que não. É um filme decente. Mas é um desperdício de ótimo tema.
PS: a trilha sonora...que lixo! Raros filmes de ação têm uma trilha tão desestimulante.
Adoro filmes sobre esportes. O boxe, o beisebol, são esses os dois esportes com melhores filmes. Mas há também ótimos filmes sobre hipismo, futebol americano e até sobre skate. Em automobilismo GRAND PRIX de John Frankenheimer, de 1966, é o mais famoso. Hiper ambicioso, ele dura 3 horas e se perde às vezes em cenas de "arte". Mas tem o que este filme não tem: a emoção e a beleza da velocidade. Neste filme, todas as cenas na pista são feitas em completa indecisão. Não nos sentimos nem como o piloto e nunca como o público na torcida. A câmera muda de ponto de vista o tempo todo e assim qualquer envolvimento pessoal se esvai.
James Mangold é diretor competente. Tem o filme sobre Johnny Cash e até um bom western. Em su meio, o filme começa bem. A vida de dois derrotados é agradável. Depois ainda se mantém interessante, e adorei ver uma personagem interessante como Lee Iacocca na tela ( Lee merece um filme seu...foi um executivo que mudou a Ford e nos anos 80 tirou a Chrysler do vermelho..durante anos foi o executivo mais imitado e bajulado do mundo ). Mas os problemas de roteiro se acumulam, e quando o filme mais deveria excitar, ele murcha. Le Mans é uma decepção e os quinze minutos finais são artificiais. Bobos.
O piloto caipira tem muito de Chuck Yeager, o piloto de aviões que nos anos 40 foi o primeiro homem a bater a velocidade do som. Mas o filme de Philip Kauffman, OS ELEITOS, THE RIGHT STUFF tem poesia, tem velocidade, tem o mágico espírito épico. Quem viu Sam Sheppard fazendo Yeager não esquece. A cena em que Shelby e Ken andam juntos na pista é tirada direto de Os Eleitos. Mas o efeito é de filme banal.
Odiei o filme? Não. Claro que não. É um filme decente. Mas é um desperdício de ótimo tema.
PS: a trilha sonora...que lixo! Raros filmes de ação têm uma trilha tão desestimulante.
QUARENTENA
Tenho colega que não consegue esconder sua felicidade. Desde o começo da pandemia ele anda como que aos pulinhos, soltando piadinhas, um sorriso eterno. Sua alegria se esparrama na certeza de que o presidente está destruído. Para ele, nada supera essa felicidade. Para ele, o Brasil tem um dono, o presidente, e ver o país ser destruído é ver o alvo de seu ódio ser destruído. Eis o pensamento subdesenvolvido que não nos larga: o presidente, o rei, o chefe é o país. Ele é o dono.
Durante anos eu lutei para não ver o Brasil como o país do Lula. Isto era mais que ele ou seu partido. Eu realmente torci para que a Olimpíada salvasse o Rio e para que a Copa civilizasse a nação. O futuro ia além do Lula ou de seu partido e foi assim que me coloquei. Tentando sair do pensamento primário do "este país tem um dono".
Essas pessoas não percebem que o presidente é apenas um homem. Bronco e falível. Continuam pensando que o presidente é o país. O presidente é apenas o homem que foi eleito. E se eu o defendo, e tenho feito isso, é porque vejo nos ataques uma sanha homicida. Não se ataca uma ideologia. Não se ataca um modo de gerir a economia. Se ataca apenas uma pessoa. E com isso se corrompe o país inteiro. Viciados na ideologia do "presidente é o Brasil", atacam todo o governo, que é bom, todo o ministério, que é bom, todas as ideias, muitas ótimas. Defendo o presidente não por gostar dele, mas por temer a estagnação. O retorno do congresso comprado e calado, e da imprensa amortecida com investimento estatal.
A presidência caiu no colo desse bronco graças à vaidade da esquerda. E a sua infinita incompetência. Lula esbanjou dinheiro enquanto o país era o nome da moda. Lembram? Os BRICS? Entregou o governo para uma pobre tonta, bronca como o bronco, que mal sabia o que estava lá fazendo. Cheios de empáfia, acreditaram que seriam eternos, e que um poste poderia ser eleito mais uma vez. Bolsonaro chegou ao poder por acidente. Felizmente algumas pessoas de brilho estão o ajudando. Felizmente seu vice é um militar esclarecido e muito calmo.
A emissora central do país não esconde sua raiva. Neste momento terrível não perde a chance de rir de uma máscara mal colocada ( isso importa? ), uma frase mal falada ( ele nunca foi eleito por ser como o FHC ), por um impulso impensado ( ele é do tal povão, esse troço que a emissora diz defender ). A cobertura da emissora é toda voltada a alarmar, esperar o pior, assustar, confundir, contradizer. Dos jornais não falarei pois ninguém mais os leva á sério. Quem ainda os lê faz por hábito e por uma ou duas colunas. Nada mais que isso.
O Brasil vai falir e isto é uma guerra. Simples assim. E quarentena, para um povo que vive em casas apertadas e não gosta de ler, é uma coisa dolorida.
Para terminar: durante a guerra Churchill era terrivelmente sabotado pelos radicais de esquerda e direita. Uns torciam pela destruição da Inglaterra e a futura formação de um país comunista; os outros torciam simplesmente pelos nazistas. Eu sempre achei que havia aí um exagero. Que não podia ter sido assim. Agora vejo que foi. Para certas pessoas o ódio vence sempre.
Durante anos eu lutei para não ver o Brasil como o país do Lula. Isto era mais que ele ou seu partido. Eu realmente torci para que a Olimpíada salvasse o Rio e para que a Copa civilizasse a nação. O futuro ia além do Lula ou de seu partido e foi assim que me coloquei. Tentando sair do pensamento primário do "este país tem um dono".
Essas pessoas não percebem que o presidente é apenas um homem. Bronco e falível. Continuam pensando que o presidente é o país. O presidente é apenas o homem que foi eleito. E se eu o defendo, e tenho feito isso, é porque vejo nos ataques uma sanha homicida. Não se ataca uma ideologia. Não se ataca um modo de gerir a economia. Se ataca apenas uma pessoa. E com isso se corrompe o país inteiro. Viciados na ideologia do "presidente é o Brasil", atacam todo o governo, que é bom, todo o ministério, que é bom, todas as ideias, muitas ótimas. Defendo o presidente não por gostar dele, mas por temer a estagnação. O retorno do congresso comprado e calado, e da imprensa amortecida com investimento estatal.
A presidência caiu no colo desse bronco graças à vaidade da esquerda. E a sua infinita incompetência. Lula esbanjou dinheiro enquanto o país era o nome da moda. Lembram? Os BRICS? Entregou o governo para uma pobre tonta, bronca como o bronco, que mal sabia o que estava lá fazendo. Cheios de empáfia, acreditaram que seriam eternos, e que um poste poderia ser eleito mais uma vez. Bolsonaro chegou ao poder por acidente. Felizmente algumas pessoas de brilho estão o ajudando. Felizmente seu vice é um militar esclarecido e muito calmo.
A emissora central do país não esconde sua raiva. Neste momento terrível não perde a chance de rir de uma máscara mal colocada ( isso importa? ), uma frase mal falada ( ele nunca foi eleito por ser como o FHC ), por um impulso impensado ( ele é do tal povão, esse troço que a emissora diz defender ). A cobertura da emissora é toda voltada a alarmar, esperar o pior, assustar, confundir, contradizer. Dos jornais não falarei pois ninguém mais os leva á sério. Quem ainda os lê faz por hábito e por uma ou duas colunas. Nada mais que isso.
O Brasil vai falir e isto é uma guerra. Simples assim. E quarentena, para um povo que vive em casas apertadas e não gosta de ler, é uma coisa dolorida.
Para terminar: durante a guerra Churchill era terrivelmente sabotado pelos radicais de esquerda e direita. Uns torciam pela destruição da Inglaterra e a futura formação de um país comunista; os outros torciam simplesmente pelos nazistas. Eu sempre achei que havia aí um exagero. Que não podia ter sido assim. Agora vejo que foi. Para certas pessoas o ódio vence sempre.
MEU NOME É COOGAN
Assista este filme. Feito por Don Siegel em 1968, é, além de um ótimo filme policial, uma crônica sobre um tipo de sociedade que se estabeleceu no mundo desde então.
Clint Eastwood é um sheriff que vive à vontade no Arizona. Mas ao cometer um erro, transar ´com uma mulher casada no horário de trabalho, é transferido para New York. Vestido como um cowboy chique dos anos de 1960, ele entra em choque e aprende tudo sobre a nova época, o tempo dos então hippies e que hoje seriam nossos jovens antenados de 2020.
Primeira imensa surpresa: Já está tudo lá. O que vemos agora no enfrentamento Trump X Esquerda, está explícito no mundo da NY de 68. Drogas, sexo gay, feministas, tudo está nas ruas, tudo entra em conflito com o aturdido sheriff. Esperto, ele se aproveita do que aquele mundo pode lhe oferecer, tem uma noite de sexo com uma hippie, mas nunca deixa de ser o que ele é: um homem dos anos 50. O filme mostra que a lei já é relativa, os direitos são imperativos, e todo jovem se acha superior à qualquer ordem simplesmente por ser jovem. Mas vamos falar de cinema...
O filme tem diálogos, muitos diálogos. E eles nunca são chatos. E jamais tentam ser brilhantes. Os personagens falam porque na vida nós falamos muito. É um filme de ação, mas a ação só aparece quando há um motivo construído para ela acontecer. Nada é gratuito. Don Siegel, grande diretor que só se tornou famoso em seus últimos dez anos de vida ( teve uma carreira de mais de 30 anos de filmes ), dirige sem afetação. Ele narra. Com imagens. E o filme não tem uma só cena que não seja parte da linha narrativa. Quanto à Eastwood...bem...ele acabara de voltar da Italia e começa aqui seu estrelato nos EUA. O resto do mundo já o conhecia. Nos EUA era ainda o canastrão da TV. Ele está perfeito. Impecável é a palavra.
Aproveitei para rever no dia seguinte DIRTY HARRY. Mesmo diretor, mesmo ator, mesmo tema. Mas agora a cidade é San Francisco e o ano é 1971. Três anos mais tarde, a violência aumenta e o personagem, Harry Callahan é um cowboy que nasceu na cidade, é muito mais amargo. Dirty Harry inaugura tudo que se fez depois em filmes policiais. Em sua época nunca ninguém tinha pensado em botar na tela tudo o que lá se exibe: a figura do tira solitário, a ação como centro do roteiro e não mais o diálogo, um herói antipático, a completa ausência de cenas de alívio cômico, a pistola como peça de fetiche. Tudo criado neste soberbo filme, crônica brilhante sobre o conflito insolúvel entre a moral e a lei, a vingança e a bondade.
Em ambos os filmes deve se dar valor à trilha sonora de Lalo Schiffrin. Não existem mais trilhas assim. Jazz e funk, sinfonia e Pop, horror e silêncios...gênio.
Clint Eastwood é um sheriff que vive à vontade no Arizona. Mas ao cometer um erro, transar ´com uma mulher casada no horário de trabalho, é transferido para New York. Vestido como um cowboy chique dos anos de 1960, ele entra em choque e aprende tudo sobre a nova época, o tempo dos então hippies e que hoje seriam nossos jovens antenados de 2020.
Primeira imensa surpresa: Já está tudo lá. O que vemos agora no enfrentamento Trump X Esquerda, está explícito no mundo da NY de 68. Drogas, sexo gay, feministas, tudo está nas ruas, tudo entra em conflito com o aturdido sheriff. Esperto, ele se aproveita do que aquele mundo pode lhe oferecer, tem uma noite de sexo com uma hippie, mas nunca deixa de ser o que ele é: um homem dos anos 50. O filme mostra que a lei já é relativa, os direitos são imperativos, e todo jovem se acha superior à qualquer ordem simplesmente por ser jovem. Mas vamos falar de cinema...
O filme tem diálogos, muitos diálogos. E eles nunca são chatos. E jamais tentam ser brilhantes. Os personagens falam porque na vida nós falamos muito. É um filme de ação, mas a ação só aparece quando há um motivo construído para ela acontecer. Nada é gratuito. Don Siegel, grande diretor que só se tornou famoso em seus últimos dez anos de vida ( teve uma carreira de mais de 30 anos de filmes ), dirige sem afetação. Ele narra. Com imagens. E o filme não tem uma só cena que não seja parte da linha narrativa. Quanto à Eastwood...bem...ele acabara de voltar da Italia e começa aqui seu estrelato nos EUA. O resto do mundo já o conhecia. Nos EUA era ainda o canastrão da TV. Ele está perfeito. Impecável é a palavra.
Aproveitei para rever no dia seguinte DIRTY HARRY. Mesmo diretor, mesmo ator, mesmo tema. Mas agora a cidade é San Francisco e o ano é 1971. Três anos mais tarde, a violência aumenta e o personagem, Harry Callahan é um cowboy que nasceu na cidade, é muito mais amargo. Dirty Harry inaugura tudo que se fez depois em filmes policiais. Em sua época nunca ninguém tinha pensado em botar na tela tudo o que lá se exibe: a figura do tira solitário, a ação como centro do roteiro e não mais o diálogo, um herói antipático, a completa ausência de cenas de alívio cômico, a pistola como peça de fetiche. Tudo criado neste soberbo filme, crônica brilhante sobre o conflito insolúvel entre a moral e a lei, a vingança e a bondade.
Em ambos os filmes deve se dar valor à trilha sonora de Lalo Schiffrin. Não existem mais trilhas assim. Jazz e funk, sinfonia e Pop, horror e silêncios...gênio.
ROCKETMAN. MAIS UM FILME SOBRE ROCK....
Este filme é bem melhor que o filme do Queen, assim como Elton é bem melhor que a banda de Brian May e Mercury. Mas...Elton está vivo e isso é uma desvantagem. Ele não é um mártir. Sempre digo que se Mick Jagger tivesse morrido em Altamont ele seria um deus. Mas ele teve o "azar" de sobreviver a seu tempo e hoje é "apenas" uma big super estrela.
A primeira hora deste filme, a que fala da infância e do encontro com Bernie Taupin é perfeita. O roteiro dá a Taupin o crédito que ele merece. O filme tem bastante humor e não engana, Elton era um gordinho tímido nada rock n roll. Na parte final o filme cai muito. Se rende à pena, ao velho esquema de drogas e decadência. OK, Elton passou pelo inferno. Sabemos disso. Mas foca na glória please.
O inicio, Elton fantasiado indo a terapia é muito bem sacado. Assim como o final, com as fotos verdadeiras sendo comparadas às cenas do filme. Mas fica algo no ar...uma sensação de "cadê o resto?"
Entre 1970-1977 Elton foi quase tão grande quanto os Beatles. Eu vivi o fim do reinado e sei o que digo. Ele é até hoje, depois de Michael Jackson, o artista solo que mais vendeu discos. No geral é o quarto. Desde 1970 até 2020, 50 anos!!!!, de estrelato ininterrupto. Gravou alguns dos melhores álbuns que ouvi na vida. E algumas das mais perfeitas canções já cantadas. Um gênio de direito. Um fenômeno. Herdeiro de Elvis. Dos Beatles. Do POP absoluto e original.
O filme NUNCA transmite sua grandeza. Mas eu pergunto: Que filme transmitiu a grandeza de seu homenageado? De Miles à Hendrix, de James Brown à Bowie, eu vi todos e nenhum satisfaz. O pior é o de mais sucesso, Freddie Mercury reduzido à quase cartoon de si mesmo. Este é apenas um fofo brinquedo gay.
Um filme OK.
A primeira hora deste filme, a que fala da infância e do encontro com Bernie Taupin é perfeita. O roteiro dá a Taupin o crédito que ele merece. O filme tem bastante humor e não engana, Elton era um gordinho tímido nada rock n roll. Na parte final o filme cai muito. Se rende à pena, ao velho esquema de drogas e decadência. OK, Elton passou pelo inferno. Sabemos disso. Mas foca na glória please.
O inicio, Elton fantasiado indo a terapia é muito bem sacado. Assim como o final, com as fotos verdadeiras sendo comparadas às cenas do filme. Mas fica algo no ar...uma sensação de "cadê o resto?"
Entre 1970-1977 Elton foi quase tão grande quanto os Beatles. Eu vivi o fim do reinado e sei o que digo. Ele é até hoje, depois de Michael Jackson, o artista solo que mais vendeu discos. No geral é o quarto. Desde 1970 até 2020, 50 anos!!!!, de estrelato ininterrupto. Gravou alguns dos melhores álbuns que ouvi na vida. E algumas das mais perfeitas canções já cantadas. Um gênio de direito. Um fenômeno. Herdeiro de Elvis. Dos Beatles. Do POP absoluto e original.
O filme NUNCA transmite sua grandeza. Mas eu pergunto: Que filme transmitiu a grandeza de seu homenageado? De Miles à Hendrix, de James Brown à Bowie, eu vi todos e nenhum satisfaz. O pior é o de mais sucesso, Freddie Mercury reduzido à quase cartoon de si mesmo. Este é apenas um fofo brinquedo gay.
Um filme OK.
JOSEY WALES, UM GRANDE, MAJESTOSO, PERFEITO FILME.
Ele cospe tabaco. Em cachorros, escorpiões, insetos, mortos. E tem os olhos apertados, olhos que nada mais dizem a não ser ódio. Ele lutou na guerra civil pelo lado perdedor. E não quis se render. A guerra acabou, mas ele continua sendo um perdedor. E é caçado. Do Kansas ao Texas.
Seu nome é Josey Wales e na primeira cena do filme ele ara a terra. Na última ele retorna à terra. Clint Eastwood em 1976, ano do filme, não era levado à sério por crítico nenhum. Era o velho problema que só hoje eu percebo: a crítica era de esquerda e Clint era de direita. Então ele estava fora. Não era mais considerado que Burt Reynolds ou Robert Aldrich. Eram párias perante o povo bem pensante. Estes só tinham olhos para Robert Altman. E Redford. Quando lançado este filme foi visto apenas como mais um western violento para um público bronco. Nada mais.
Em 1990 Clint começou a ser levado à sério porque os ares políticos mudaram. Seu filme de então, Coração de Caçador, pagava tributo à John Huston e os críticos chatos começaram a achar o óbvio: havia muito cérebro em Eastwood. Em 1992 veio os Imperdoáveis e o resto voce sabe. Ele virou Mito. O último Mito do cinema ainda vivo.
Josey Wales dura quase 3 horas, horas que passam em absoluto deslumbramento. Clint dirige com segurança de John Ford e enche o filme de humor misturado à muita raiva e drama. Recheado de personagens fantásticos: a velha, o índio easy going, o garoto, o vendedor de medicina, a índia que sabe fazer tudo, o filme nos hipnotiza a vista. A fotografia de Bruce Surtees é deslumbrante e Jerry Fielding fez uma trilha sonora que nunca invade a ação, ela a conduz. O roteiro, de Philip Kauffman ( diretor de Os Eleitos e de tantos outros filmes ), não se perde jamais. Os acontecimentos não cessam. Há muito de picaresco no filme, Josey é como um desses personagens do século XVI, um Lazarilo em USA.
Um dos mais perfeitos westerns que já vi, este filme é porta de entrada para quem quiser conhecer o gênero. Talvez seja o mais amado dos filmes de Eastwood. Veja. Aproveite este prazer. Dê este presente a si mesmo.
Seu nome é Josey Wales e na primeira cena do filme ele ara a terra. Na última ele retorna à terra. Clint Eastwood em 1976, ano do filme, não era levado à sério por crítico nenhum. Era o velho problema que só hoje eu percebo: a crítica era de esquerda e Clint era de direita. Então ele estava fora. Não era mais considerado que Burt Reynolds ou Robert Aldrich. Eram párias perante o povo bem pensante. Estes só tinham olhos para Robert Altman. E Redford. Quando lançado este filme foi visto apenas como mais um western violento para um público bronco. Nada mais.
Em 1990 Clint começou a ser levado à sério porque os ares políticos mudaram. Seu filme de então, Coração de Caçador, pagava tributo à John Huston e os críticos chatos começaram a achar o óbvio: havia muito cérebro em Eastwood. Em 1992 veio os Imperdoáveis e o resto voce sabe. Ele virou Mito. O último Mito do cinema ainda vivo.
Josey Wales dura quase 3 horas, horas que passam em absoluto deslumbramento. Clint dirige com segurança de John Ford e enche o filme de humor misturado à muita raiva e drama. Recheado de personagens fantásticos: a velha, o índio easy going, o garoto, o vendedor de medicina, a índia que sabe fazer tudo, o filme nos hipnotiza a vista. A fotografia de Bruce Surtees é deslumbrante e Jerry Fielding fez uma trilha sonora que nunca invade a ação, ela a conduz. O roteiro, de Philip Kauffman ( diretor de Os Eleitos e de tantos outros filmes ), não se perde jamais. Os acontecimentos não cessam. Há muito de picaresco no filme, Josey é como um desses personagens do século XVI, um Lazarilo em USA.
Um dos mais perfeitos westerns que já vi, este filme é porta de entrada para quem quiser conhecer o gênero. Talvez seja o mais amado dos filmes de Eastwood. Veja. Aproveite este prazer. Dê este presente a si mesmo.
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