leia e escreva já!
JIM MORRISON E AS CALÇAS DE COURO
Jim Morrison é o mesmo caso psico que acometeu Kurt Cobain, um rapaz talentoso e idealista que se viu subitamente transformado em algo que ele jamais quis ou imaginou poder ser. No caso de Kurt, ele tinha ideais punk. Já Jim era filho de seu tempo, ele tinha os ideais beatniks.
Morrison era bonito, era sexy e era muito cool. E coroando tudo isso, ele tinha voz. Morrison é a melhor voz branca do rock. Ele grita como um cantor de heavy metal e é suave como um astro pop. Sua dicção é perfeita e o timbre jamais falseia. Quanto a presença de palco, é ele quem cria o performer de palco realmente perigoso, sexy, ofensivo. É o inventor de Iggy Pop e de David Bowie.
Mick Jagger poderia ter esse posto, mas além de cantar menos, Jagger é irônico. Ele mesmo não se leva a sério e de certo modo foi isso que salvou sua sanidade. Jagger sempre parece rir de si mesmo, ele macaqueia. Jim era absolutamente sério e esse era seu ponto fraco. Jim Morrison se achava um poeta. Ele era solene. Chato às vezes. Incapaz de rir das besteiras que fazia ocasionalmente. Suas letras são ótimas para uma banda de rock de LA, mas como poesia simbolista, são infantis. Jagger sabia disso e ria. Morrison não queria saber e sofria por não ser levado a sério. Todo astro pop se afunda ao se levar a sério. De Lennon à George Michael, não há um só que não tenha afundado em auto piedade ou hostilidade burra ao não aceitar o fato de que seu trabalho é dirigido a semi analfabetos ou a jovens estudantes idealistas e ingênuos. Quando eles começam a se ver como novos William Blakes ou Nietzsches revividos a coisa entra em curto.
O primeiro disco dos Doors é muito bom. Ele sacoleja e é um prazer ouvir o teclado de Ray rodopiar pelo balanço jazz de Robby e John. A voz de Jim é brilhante. E tudo o que ela transmite é a angústia pura do desejo sexual. É apenas isso. E isso é fantástico. No segundo disco, ainda melhor, eles acrescentam o medo como tempero. É um disco sobre o pesadelo do desejo sem objeto. Strange Days é um album perfeito. Mas então o ingênuo Jim Morrison começou a brigar com seu status pop. Queria ser artista. Queria ser Rimbaud. E como não tinha o dom para tanto, jogou o que tinha no lixo.
Falei em Iggy e em Bowie.
Iggy, que é um grande leitor, sempre soube que rock é primitivismo. E foi realista o bastante para dar ao rock o que ele quer: sangue. Inteligente ao extremo esse Iggy. Já Bowie foi o artista que Jim quis ser e não pode. Bowie criou um artista pop. Uniu o pop mais pré fabricado à arte possível em meio tão simplório. Nunca houve cara mais astuto.
As pessoas gostam de dizer que Morrison teve sorte ao morrer. Que gordo e careca ele seria patético. Bem....Van Morrison é gordo e careca e não é patético. Talvez Jim fosse feliz ao saber que sua voz era o que o mantinha e não sua aparência. Talvez.
De todo modo, era preciso ser muito homem para usar calças de couro em 1966.
Morrison era bonito, era sexy e era muito cool. E coroando tudo isso, ele tinha voz. Morrison é a melhor voz branca do rock. Ele grita como um cantor de heavy metal e é suave como um astro pop. Sua dicção é perfeita e o timbre jamais falseia. Quanto a presença de palco, é ele quem cria o performer de palco realmente perigoso, sexy, ofensivo. É o inventor de Iggy Pop e de David Bowie.
Mick Jagger poderia ter esse posto, mas além de cantar menos, Jagger é irônico. Ele mesmo não se leva a sério e de certo modo foi isso que salvou sua sanidade. Jagger sempre parece rir de si mesmo, ele macaqueia. Jim era absolutamente sério e esse era seu ponto fraco. Jim Morrison se achava um poeta. Ele era solene. Chato às vezes. Incapaz de rir das besteiras que fazia ocasionalmente. Suas letras são ótimas para uma banda de rock de LA, mas como poesia simbolista, são infantis. Jagger sabia disso e ria. Morrison não queria saber e sofria por não ser levado a sério. Todo astro pop se afunda ao se levar a sério. De Lennon à George Michael, não há um só que não tenha afundado em auto piedade ou hostilidade burra ao não aceitar o fato de que seu trabalho é dirigido a semi analfabetos ou a jovens estudantes idealistas e ingênuos. Quando eles começam a se ver como novos William Blakes ou Nietzsches revividos a coisa entra em curto.
O primeiro disco dos Doors é muito bom. Ele sacoleja e é um prazer ouvir o teclado de Ray rodopiar pelo balanço jazz de Robby e John. A voz de Jim é brilhante. E tudo o que ela transmite é a angústia pura do desejo sexual. É apenas isso. E isso é fantástico. No segundo disco, ainda melhor, eles acrescentam o medo como tempero. É um disco sobre o pesadelo do desejo sem objeto. Strange Days é um album perfeito. Mas então o ingênuo Jim Morrison começou a brigar com seu status pop. Queria ser artista. Queria ser Rimbaud. E como não tinha o dom para tanto, jogou o que tinha no lixo.
Falei em Iggy e em Bowie.
Iggy, que é um grande leitor, sempre soube que rock é primitivismo. E foi realista o bastante para dar ao rock o que ele quer: sangue. Inteligente ao extremo esse Iggy. Já Bowie foi o artista que Jim quis ser e não pode. Bowie criou um artista pop. Uniu o pop mais pré fabricado à arte possível em meio tão simplório. Nunca houve cara mais astuto.
As pessoas gostam de dizer que Morrison teve sorte ao morrer. Que gordo e careca ele seria patético. Bem....Van Morrison é gordo e careca e não é patético. Talvez Jim fosse feliz ao saber que sua voz era o que o mantinha e não sua aparência. Talvez.
De todo modo, era preciso ser muito homem para usar calças de couro em 1966.
PALAVRAS DIZEM O QUE?
Já viveu isso Wittgeinstein: há um momento na vida de uma pessoa em que as palavras perdem o valor. E hoje, mais ainda, neste universo cheio de textos, frases, blogs, posts, memes. As pessoas falam, escrevem, tentam comunicar-se, demais, muito, em excesso. E eu aqui, neste blog, com agora uma imensa dificuldade para escrever, postar, me convencer e te convencer.
Penso que sempre tive um radar razoável para sentir o espírito do tempo. E sinto que o silêncio é hoje o bem mais precioso. Neste ano, 2019, perdi o amor absoluto que eu sentia pela palavra. Por isso escrevo menos. Por isso escrevo pior. Não há paixão aqui. Eu não sei precisar quando, mas houve um dia em que eu senti que a frase, a sentença são falsas. Elas são apenas palavras, e palavras são brinquedos, só transmitem jogos de sentidos. Palavras mentem. Mesmo quando não queremos e não pensamos mentir, elas mentem.
Isso porque elas jamais dizem exatamente o que se deseja dizer. E, pior, a pessoa que escuta entende o que ela pode e deseja entender. Não há ouvido neutro. Não há sentença inofensiva.
Sinto algum respeito pelo amor que senti um dia, e por isso estou aqui escrevendo. Mas é passado, mundo morto, ido e partido. Minha inocência sobre a escrita se perdeu. É irrecuperável. Eu poderia escrever sobre a morte de Anna Karina. Sobre um filme qualquer. Um autor do século XX. Mas a questão que coloco é: Pode-se fazer isso sem mergulhar no labirinto da vaidade?
Talvez tudo seja uma questão de politica, e hoje no Brasil o texto parece ser monopólio da esquerda. Daí a crise. Nada mais antigo e zumbi que a esquerda, ela nada tem de novo a oferecer e nada de sincero a professar. Já a direita nada escreve que possua algo de instigante. Seu discurso é realista. Seco. Cru.
Ainda sinto algum resto de paixão pelo texto científico. Meu coração se excita com um artigo sobre física ou química. Nesse tipo de texto não há a tola pretensão de se fazer arte escrita. É apenas um pretenso fato sendo comunicado em palavras. E o autor sabe que o verbo comunica o fato de modo muito pior e falho que os números.
Desconfio de gente que tem orgulho em dizer "sou de humanas, não sei contar". Pode ter certeza que ele também não sabe falar. As humanidades foram sublimes enquanto artistas e filósofos sabiam matemática. Quando sentiram despeito e passaram a esnobar a ciência, as humanidades se tornaram apenas campo para preguiçosos e vaidosos. Nada hoje é mais ridículo que um filósofo.
Por isso meu pudor em escrever. Não quero fazer parte desse povo que desprezo.
Obvio que continuo amando os autores de sempre. Mas os amo em silêncio. O que eu podia dizer sobre eles já foi dito. Meu amor foi alardeado aqui. Agora sinto em silêncio.
Não me comparo à eles, mas todo autor tem seu dia. A hora em que ele sente que o texto não tem mais o que falar. E então ele passa a viver. Viver o mundo fora do texto.
Não, isto não é o fim deste blog. Acho que ainda irei publicar alguma coisa. Breve, curta, simples. A paixão virou amizade.
Penso que sempre tive um radar razoável para sentir o espírito do tempo. E sinto que o silêncio é hoje o bem mais precioso. Neste ano, 2019, perdi o amor absoluto que eu sentia pela palavra. Por isso escrevo menos. Por isso escrevo pior. Não há paixão aqui. Eu não sei precisar quando, mas houve um dia em que eu senti que a frase, a sentença são falsas. Elas são apenas palavras, e palavras são brinquedos, só transmitem jogos de sentidos. Palavras mentem. Mesmo quando não queremos e não pensamos mentir, elas mentem.
Isso porque elas jamais dizem exatamente o que se deseja dizer. E, pior, a pessoa que escuta entende o que ela pode e deseja entender. Não há ouvido neutro. Não há sentença inofensiva.
Sinto algum respeito pelo amor que senti um dia, e por isso estou aqui escrevendo. Mas é passado, mundo morto, ido e partido. Minha inocência sobre a escrita se perdeu. É irrecuperável. Eu poderia escrever sobre a morte de Anna Karina. Sobre um filme qualquer. Um autor do século XX. Mas a questão que coloco é: Pode-se fazer isso sem mergulhar no labirinto da vaidade?
Talvez tudo seja uma questão de politica, e hoje no Brasil o texto parece ser monopólio da esquerda. Daí a crise. Nada mais antigo e zumbi que a esquerda, ela nada tem de novo a oferecer e nada de sincero a professar. Já a direita nada escreve que possua algo de instigante. Seu discurso é realista. Seco. Cru.
Ainda sinto algum resto de paixão pelo texto científico. Meu coração se excita com um artigo sobre física ou química. Nesse tipo de texto não há a tola pretensão de se fazer arte escrita. É apenas um pretenso fato sendo comunicado em palavras. E o autor sabe que o verbo comunica o fato de modo muito pior e falho que os números.
Desconfio de gente que tem orgulho em dizer "sou de humanas, não sei contar". Pode ter certeza que ele também não sabe falar. As humanidades foram sublimes enquanto artistas e filósofos sabiam matemática. Quando sentiram despeito e passaram a esnobar a ciência, as humanidades se tornaram apenas campo para preguiçosos e vaidosos. Nada hoje é mais ridículo que um filósofo.
Por isso meu pudor em escrever. Não quero fazer parte desse povo que desprezo.
Obvio que continuo amando os autores de sempre. Mas os amo em silêncio. O que eu podia dizer sobre eles já foi dito. Meu amor foi alardeado aqui. Agora sinto em silêncio.
Não me comparo à eles, mas todo autor tem seu dia. A hora em que ele sente que o texto não tem mais o que falar. E então ele passa a viver. Viver o mundo fora do texto.
Não, isto não é o fim deste blog. Acho que ainda irei publicar alguma coisa. Breve, curta, simples. A paixão virou amizade.
VELEJANDO O BRASIL - GERALDO TOLLENS LINCK
O veleiro sai do Rio Grande do Sul e sobe todo o litoral brasileiro. São várias paradas e a viagem aconteceu nos anos 80. Minha edição é de 1996, e vejo que até então eram 9 edições publicadas. Ora, eis um clássico nacional de aventuras!
O texto é bom, a aventura é leve e sem grandes dramas, os perigos são não tão perigosos. Mas o livro é lindo! Lendo em 2019 vejo que as coisas mudaram muito em 30 anos. Ainda se caçavam baleias, alguns bichos estavam quase extintos, o mar era mais limpo. O trecho do litoral norte de São Paulo é mágico. A partir de Bertioga um espaço limpo, deserto, em vias de sofrer um crescimento veloz nos anos seguintes. Conheci Bertioga e onde hoje é a tal Riviera havia um pântano que nada valia. Terreno ali meu pai não quis nem quase de graça. Cem metros valiam um Fusca velho. Isso em 1986.
Este é mais um livro que releio e garanto que vocês deveriam procurar em algum site ou sebo. Nada melhor para o verão e as férias.
O texto é bom, a aventura é leve e sem grandes dramas, os perigos são não tão perigosos. Mas o livro é lindo! Lendo em 2019 vejo que as coisas mudaram muito em 30 anos. Ainda se caçavam baleias, alguns bichos estavam quase extintos, o mar era mais limpo. O trecho do litoral norte de São Paulo é mágico. A partir de Bertioga um espaço limpo, deserto, em vias de sofrer um crescimento veloz nos anos seguintes. Conheci Bertioga e onde hoje é a tal Riviera havia um pântano que nada valia. Terreno ali meu pai não quis nem quase de graça. Cem metros valiam um Fusca velho. Isso em 1986.
Este é mais um livro que releio e garanto que vocês deveriam procurar em algum site ou sebo. Nada melhor para o verão e as férias.
NATAL?
O símbolo é esse: Mesmo que voce seja ateu, o mundo que formou sua mente é cristão. O fato de voce ser contra Deus ou contra Jesus já te coloca dentro da civilização cristã. Então, ateu, leia isto que não vai te fazer mal algum...
Faz uns 2020 anos, mais ou menos, que no dia 25, talvez, nasceu um homem que se disse filho de Deus. Ele era judeu e pobre. Até aí nada demais. Montes de profetas nasciam na Galileia todo dia. Mas houve algo de muito, muito novo e ousado no que veio depois: Ele não era um super herói.
Jesus Cristo fez milagres, é o que dizem, mas foram apenas mágicas ou magias modestas se compararmos ao que os deuses faziam até então. Deuses explodiam mundos. Faziam chover fogo. Matavam todos os inimigos. Viravam chuva de ouro ou boi potente. Deuses ficavam invisíveis. E principalmente, jamais provavam a morte. Um deus é imortal. Ele não morre, e portanto, não ressuscita.
A revolução, a maior revolução da história, é a que diz, pela primeira e única vez, que a fraqueza é uma força. Que amor e caridade são tudo aquilo que Deus quer. E surge na Terra um Deus que é homem e é divino. Jesus dá ao homem o estatuto da dignidade. Não mais a divisão em castas. Não mais a espada como valor supremo. Não mais o culto da morte. E, em ato definitivo, esse Deus morre. Morre não como herói, não na guerra, Ele morre na cruz, como ladrão, como indigente. Uma morte suja, feia, sem glamour. Morre para mostrar assim que mesmo a morte é digna de um Deus, e que ela não é o fim. Que mesmo nós, mortais, podemos vence-la.
Toda nossa civilização se baseia, filosoficamente, nessa base. Mesmo ao negar e ao trair esse Deus, estamos o tempo todo inseridos nessas ideias. A caridade, o amor, a doação, o auto sacrifício. Olhar o outro, olhar a criação divina, olhar a vida. Pela primeira vez eis uma religião que olha a realidade ao redor como um bem de Deus. Toda religião temia a natureza ou a olhava como ilusória. O cristianismo fala do mundo e do universo como coisas sagradas, coisas reais, coisas divinas. A ciência nasce desse interesse pelo real. No cristianismo a realidade se torna Real de fato.
Surpreso? Sim, está no cristianismo a base e a liberação da ciência. A estrela e o átomo se fazem dignos de Deus, pois são Dele. E o homem, amorosamente, se debruça sobre o universo.
Dia 25 é Natal. E cada vez mais vemos pacotes e luzes, e menos presépios e imagens do aniversariante. Nosso mundo caminha para a indiferença, a absoluta falta de paixão. O desinteresse por Deus leva ao desinteresse pelo universo como coisa digna, criação divina. Caminhamos para ver o mundo como abstração. Ilusão. Um tipo de armadilha.
Acenda uma vela e pense, nem que por um segundo, no aniversariante. Mesmo sendo ateu, reconheça alguma importância histórica nesse "mito", nessa "mentira". O pensamento de Cristo está ao redor de tudo que voce vê e faz.
Um pouco de modéstia te fará muito bem.
Faz uns 2020 anos, mais ou menos, que no dia 25, talvez, nasceu um homem que se disse filho de Deus. Ele era judeu e pobre. Até aí nada demais. Montes de profetas nasciam na Galileia todo dia. Mas houve algo de muito, muito novo e ousado no que veio depois: Ele não era um super herói.
Jesus Cristo fez milagres, é o que dizem, mas foram apenas mágicas ou magias modestas se compararmos ao que os deuses faziam até então. Deuses explodiam mundos. Faziam chover fogo. Matavam todos os inimigos. Viravam chuva de ouro ou boi potente. Deuses ficavam invisíveis. E principalmente, jamais provavam a morte. Um deus é imortal. Ele não morre, e portanto, não ressuscita.
A revolução, a maior revolução da história, é a que diz, pela primeira e única vez, que a fraqueza é uma força. Que amor e caridade são tudo aquilo que Deus quer. E surge na Terra um Deus que é homem e é divino. Jesus dá ao homem o estatuto da dignidade. Não mais a divisão em castas. Não mais a espada como valor supremo. Não mais o culto da morte. E, em ato definitivo, esse Deus morre. Morre não como herói, não na guerra, Ele morre na cruz, como ladrão, como indigente. Uma morte suja, feia, sem glamour. Morre para mostrar assim que mesmo a morte é digna de um Deus, e que ela não é o fim. Que mesmo nós, mortais, podemos vence-la.
Toda nossa civilização se baseia, filosoficamente, nessa base. Mesmo ao negar e ao trair esse Deus, estamos o tempo todo inseridos nessas ideias. A caridade, o amor, a doação, o auto sacrifício. Olhar o outro, olhar a criação divina, olhar a vida. Pela primeira vez eis uma religião que olha a realidade ao redor como um bem de Deus. Toda religião temia a natureza ou a olhava como ilusória. O cristianismo fala do mundo e do universo como coisas sagradas, coisas reais, coisas divinas. A ciência nasce desse interesse pelo real. No cristianismo a realidade se torna Real de fato.
Surpreso? Sim, está no cristianismo a base e a liberação da ciência. A estrela e o átomo se fazem dignos de Deus, pois são Dele. E o homem, amorosamente, se debruça sobre o universo.
Dia 25 é Natal. E cada vez mais vemos pacotes e luzes, e menos presépios e imagens do aniversariante. Nosso mundo caminha para a indiferença, a absoluta falta de paixão. O desinteresse por Deus leva ao desinteresse pelo universo como coisa digna, criação divina. Caminhamos para ver o mundo como abstração. Ilusão. Um tipo de armadilha.
Acenda uma vela e pense, nem que por um segundo, no aniversariante. Mesmo sendo ateu, reconheça alguma importância histórica nesse "mito", nessa "mentira". O pensamento de Cristo está ao redor de tudo que voce vê e faz.
Um pouco de modéstia te fará muito bem.
AMOR AOS 15 ANOS
Um homem falando de futebol diz que o time que a gente ama aos 15 anos passa a ser o time que vamos amar a vida toda. Assim, as pessoas que hoje têm por volta de 50 anos vão sempre amar a tal seleção de 1982. Será?
Lembro então de meus 15 anos e de meus amores nessa idade...
O time sempre foi o Santos, mas como era fraco nesse tempo, só tinha Pita e João Paulo, eu admirava o Flamengo de Zico, Junior e Adílio, e a seleção francesa de Plantini, Tigana e Giresse.
Pode ser verdade essa teoria, pois continuo achando que Bjorn Borg foi o melhor tenista do mundo, que a seleção de basquete da Iugoslávia era imbatível ( Petrovic e Kikanovic ), e que Gilles Villeneuve foi o herói da F1.
Aninha não foi meu maior amor, mas é o amor mais bonito.
Aos 15 meus discos favoritos eram Let It Bleed dos Stones e Viva do Roxy Music. Amava também, muito, o Physical Graffitti, do Led. Não sei se mudou meu amor. Foi nessa idade que comecei a ouvir Vivaldi e Mozart.
Eu lia Dickens, Dostoievski e Thomas Hardy e meu livro do ano foi O Morro dos Ventos Uivantes.
O filme que mais revi no cinema, no velho cine Gazeta e no Vitrine, foi Embalos de Sábado a Noite. E foi aos 15 que descobri Fellini e Truffaut, Cary Grant e Audrey.
Usava cabelo longo e meu quarto estava atulhado nas paredes de fotos de surf e skate. Ir para a praia era a coisa que mais me dava prazer. Eu nem dormia no dia anterior.
Amava chuva forte, manhãs geladas e o sol na cara.
Andava a toa pelas ruas do bairro. E ficava entrando no mato fechado, só pra ver os bichos. Ainda havia bichos.
Penso então que o homem tava certo. Posso ter tido amores maiores ou mais "sérios", mas aos 15 anos eles são pra sempre, nunca serão esquecidos ou desvalorizados.
Lembro então de meus 15 anos e de meus amores nessa idade...
O time sempre foi o Santos, mas como era fraco nesse tempo, só tinha Pita e João Paulo, eu admirava o Flamengo de Zico, Junior e Adílio, e a seleção francesa de Plantini, Tigana e Giresse.
Pode ser verdade essa teoria, pois continuo achando que Bjorn Borg foi o melhor tenista do mundo, que a seleção de basquete da Iugoslávia era imbatível ( Petrovic e Kikanovic ), e que Gilles Villeneuve foi o herói da F1.
Aninha não foi meu maior amor, mas é o amor mais bonito.
Aos 15 meus discos favoritos eram Let It Bleed dos Stones e Viva do Roxy Music. Amava também, muito, o Physical Graffitti, do Led. Não sei se mudou meu amor. Foi nessa idade que comecei a ouvir Vivaldi e Mozart.
Eu lia Dickens, Dostoievski e Thomas Hardy e meu livro do ano foi O Morro dos Ventos Uivantes.
O filme que mais revi no cinema, no velho cine Gazeta e no Vitrine, foi Embalos de Sábado a Noite. E foi aos 15 que descobri Fellini e Truffaut, Cary Grant e Audrey.
Usava cabelo longo e meu quarto estava atulhado nas paredes de fotos de surf e skate. Ir para a praia era a coisa que mais me dava prazer. Eu nem dormia no dia anterior.
Amava chuva forte, manhãs geladas e o sol na cara.
Andava a toa pelas ruas do bairro. E ficava entrando no mato fechado, só pra ver os bichos. Ainda havia bichos.
Penso então que o homem tava certo. Posso ter tido amores maiores ou mais "sérios", mas aos 15 anos eles são pra sempre, nunca serão esquecidos ou desvalorizados.
VOLTA POR CIMA - MARGI MOSS E GÉRARD MOSS
Talvez seja o melhor livro de viagens que li na vida. E é um dos menos pretensiosos. Voce não irá achar este livro em livraria nenhuma, ele foi editado em 1995. É da editora Globo e vale demais a pena procurar.
Margi é esposa de Gérard. Ele é suíço e ela é francesa. Os dois vieram morar no Brasil no começo dos anos 80 e só aqui se conheceram, no Rio. Então, em 1989, os dois pegam um monomotor e resolvem dar a volta ao mundo. Monomotor é um avião simples, um motor, autonomia exata. Escolhem como trilha a menos usada pelos outros. Poderiam seguir rumo América do Norte, Alasca e Russia, então Europa e voltar ao Brasil. Mas optaram por Fernando de Noronha, Cabo Verde, África e então India, Malásia, Austrália e o Pacífico. E quanta coisa acontece! Muita miséria africana, muita paisagem de sonho, aventuras sem fim. Margi conta sua versão de tudo e ela escreve bem, escreve simples sem parecer amadora. Há suspense e há maravilhamento. Leiam, leiam que é bom demais. Dá vontade de viajar, dá vontade de viver.
Margi é esposa de Gérard. Ele é suíço e ela é francesa. Os dois vieram morar no Brasil no começo dos anos 80 e só aqui se conheceram, no Rio. Então, em 1989, os dois pegam um monomotor e resolvem dar a volta ao mundo. Monomotor é um avião simples, um motor, autonomia exata. Escolhem como trilha a menos usada pelos outros. Poderiam seguir rumo América do Norte, Alasca e Russia, então Europa e voltar ao Brasil. Mas optaram por Fernando de Noronha, Cabo Verde, África e então India, Malásia, Austrália e o Pacífico. E quanta coisa acontece! Muita miséria africana, muita paisagem de sonho, aventuras sem fim. Margi conta sua versão de tudo e ela escreve bem, escreve simples sem parecer amadora. Há suspense e há maravilhamento. Leiam, leiam que é bom demais. Dá vontade de viajar, dá vontade de viver.
WHERE HAVE ALL THE GOOD TIMES GONE...
Conversando com uma menina de 20 anos...Ela não fazia ideia de que um dia roqueiros eram as estrelas de uma sala de aula.
Isso me incomoda sim. Qual foi o momento em que rock virou música de nerd? Porque em 1980, por exemplo, o povo do fundão ouvia rock e eram eles que andavam nas bikes mais velozes, nos skates mais detonados e pegavam as meninas mais bonitas. O rock era coisa de gente viva, hedonista, com ideias. Temo dizer que a mudança tenha sido a mais simples de todas...o Tempo.
Rock virou um estilo musical com mais de 60 anos de história, e em tempos tão velozes, isso equivale a 6 séculos. Mesmo que um moleque ouça uma banda nova, ele estará ouvindo um estilo musical velho, com visual velho, com um certo saudosismo incubado no fundo de cada nota musical. Daí vem esse ar de cansaço que se nota não só nos álbuns como nos fãs de rock. Eles, mesmo aos 12 anos, estão comprometidos com algo muito, muito antigo.
Posso então dizer que o momento da virada foi exatamente o ano de 1985. O estouro de Beastie Boys e de Walk This Way com RUN DMC. O novo não era mais rock. E assim, o moleque esperto não ouvia mais uma guitarra e um baixo. O fundão queria um DJ. Os roqueiros foram pro quarto se esconder e não saíram mais. Saudosos, choram por um protagonismo que não vai voltar. Uma guitarra e uma baqueta virou antiguidade.
Isso me incomoda sim. Qual foi o momento em que rock virou música de nerd? Porque em 1980, por exemplo, o povo do fundão ouvia rock e eram eles que andavam nas bikes mais velozes, nos skates mais detonados e pegavam as meninas mais bonitas. O rock era coisa de gente viva, hedonista, com ideias. Temo dizer que a mudança tenha sido a mais simples de todas...o Tempo.
Rock virou um estilo musical com mais de 60 anos de história, e em tempos tão velozes, isso equivale a 6 séculos. Mesmo que um moleque ouça uma banda nova, ele estará ouvindo um estilo musical velho, com visual velho, com um certo saudosismo incubado no fundo de cada nota musical. Daí vem esse ar de cansaço que se nota não só nos álbuns como nos fãs de rock. Eles, mesmo aos 12 anos, estão comprometidos com algo muito, muito antigo.
Posso então dizer que o momento da virada foi exatamente o ano de 1985. O estouro de Beastie Boys e de Walk This Way com RUN DMC. O novo não era mais rock. E assim, o moleque esperto não ouvia mais uma guitarra e um baixo. O fundão queria um DJ. Os roqueiros foram pro quarto se esconder e não saíram mais. Saudosos, choram por um protagonismo que não vai voltar. Uma guitarra e uma baqueta virou antiguidade.
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