Giorgio Moroder-Chase



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Giorgio Moroder - First Hand Experience In Second Hand Love [Remastered]...



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ENO, REM, RAY DAVIES E GIORGIO MORODER....DAFT PUNK

   É mais que conhecido o momento em 1977. Brian Eno liga para Bowie e pede para ele ligar o rádio na estação X. Diz que nesse exato instante o futuro está tocando. 
   Foi uma premonição brilhante. I Feel Love de Donna Summer e Giorgio Moroder foi o single mais influente  desde quando James Brown inventou o funk em 1967. Eu me lembro que nesse mesmo ano eu escutava Giorgio no rádio e tentava entender o que era aquilo. Eu pensava que From Here To Eternity tinha instrumentos normais. Mas algo naquela bateria soava diferente. E o baixo...era estranho. Demorou para que eu percebesse que era tudo programado. Tudo teclado. Mas eu adorei. E viajei desde o começo. 
   E recordo agora que Eno dizia que o pop e o rock eram pobres em harmonia e em melodia. Que nada poderia ser esperado de novo nesses campos, mas que ele era potencialmente inovador em timbre. Que a evolução sempre vinha na mudança de timbres. Desde o timbre da guitarra de Link Wray, passando pelo som metálico da guitarra de Jimi Page, o som frio do rock alemão, as gravações hiper trabalhadas dos Beatles e um belo etc. 
   Sempre fui bom, até os 30 anos, em adivinhar o futuro do rock. Lembro que em 1978 todos achavam, os caras que andavam comigo e boa parte do povo do meio, que o futuro seria um rock progressivo, bem tocado e bem gravado. Um tipo de Rush. Eu falava que o futuro era dançante. Que Heart Of Glass seria mais relevante que Supertramp. 
   Depois, em 1980, falavam que o futuro seria punk. Barulhento, simples, pesado. Eu chamava atenção para o funk. Prince. Em 1984 as guitarras estariam com as horas contadas. Só velhos ouviriam guitarras. O futuro era synth eletro. Eu ouvia REM, Lloyd Cole e Prefab Sprout. Guitarras. 
   Meu último acerto foi em 1986. Naquele ano era moda ouvir Smiths e Cure, sons tristes, ingleses, com guitarras. Eu descobria o rock do skate, Red Hot Chilli Peppers e The X. 
   Foi meu último acerto. No fim da década eu estava numa de RAP, mas o futuro era Seattle e Manchester. Depois, em 1996, eu acreditei no eletrônico.
   Acreditei que toda aquela safra iria ser dominante. Que o futuro nos traria timbres novos, viagens doidas, o fim dos vocais, experimentação, desbunde. Errei. A música eletro morreu em tédio. E voltou ao gueto. O que surgiu foi uma geração de cantoras indistintas e de bandinhas que reciclam o pop de Kinks, The Jam e afins. Aff!
   Há excessões! Mas este tempo será lembrado no futuro como o tempo de Katy Perry e de Lady Gaga. 
   Hoje reescutei o Daft Punk de 96 e escutei o de 2014. Giorgio Moroder e Chic sobrevivem no som deles todo o tempo. Era um futuro possível. Continuar do ponto em que Giorgio parou.
   Um aluno meu, de 14 anos, escutava Who e Kinks desde os 12. Guitarrista, nele poderia haver um futuro. De Ray Davies ele poderia chegar a Iggy Pop, Eno, Rap e talves daí criar algo de seu. O que aconteceu? Ele descobriu Zappa e Yes. E hoje seu sonho é ser mais um virtuose da guitarra. Passa dias copiando linhas de Steve Howe e de Zappa. Mais um ano ele descobre John Mclaughlin e será o fim.
   Acho que esse meu aluno revela muito.
  

SOMOS TODOS ROMANOS

   Estou na USP, esse mundo mágico onde todos somos crianças em busca do sentido das coisas, fazendo um novo curso, Italo Calvino. 
   Fico sabendo que a familia inteira de Calvino era formada por cientistas, e que ele foi a ovelha desgarrada. Logo após a segunda guerra, aos 20 anos, ele lança seu primeiro livro, neo realista, e alcança o sucesso. Não, não vou falar sobre esse livro, vou falar sobre a Itália, esse país que equivale a um universo ( ou equivalia ), rico, complexo, desconcertante, e que foi sufocado nos últimos 40 anos. 
   Calvino conta que o pós guerra foi uma explosão de vida. Na rua, nos cafés, nos ônibus, todo mundo narrava histórias da guerra. Inventadas ou não, era uma multidão sem fim de rostos e vozes, cada um deles individualizado, contando dores e humores da guerra. O italiano não é alegre, ele é vivo, essa a verdade. Ao contrário da Alemanha ou do Japão, que morreram e ficaram em luto por décadas após a derrota, a Itália passou a narrar, falar, seja em filmes, canções, discursos, livros, piadas, anedotas, lendas, mitos. Rapidamente a dor foi superada e o apogeu italiano veio. Não vou descrever esse apogeu. Quem assistiu A Doce Vida sabe do que falo. Luxo, miséria, começo da decadência e conforto como nunca antes....está tudo lá, vivo e falastrão, ópera e dor. 
  Somos todos romanos, nós, latinos. Com nossa volúpia e nossa vaidade vã, discursos sem fim, leis e mais leis, corrupção e vida, destruição, recomeços, mulheres e risos. O amor pela comida, pela bebida, pela cama, pelo banheiro, pela praia, pela caminhada à toa, pelo dolce far niente. Commendattore, vossa sinhoria, minha bella, cantare!! Estou criticando? Não! Ë um elogio!
  Em outra aula, outro curso, sobre os começos do Brasil, um autor americano, escreve o elogio da latinidade, especificamente ibérica. A questão é simples: Valeu à pena? Valeu a pena os americanos reprimirem toda sua vida espiritual em troca do desenvolvimento material? ( Ele é ateu. Espírito é criatividade, festa, arte, ritual, vida na rua, familia....). Valeu a pena os ingleses matarem seu espírito celta em troca do inglês eficiente, pontual, quieto? 
  Os negros americanos mantiveram a alma livre e são aqueles que ainda dão vida à América. E os brancos saxões? O que eles têm vivido? 
  Ele fala da brilhante ( isso mesmo ) maneira como os portugueses colonizaram o Brasil. Tentando catequizar os índios, misturar-se à terra, casando-se inter raças, tentando se fundir ao ambiente. Falhas houve muitas. Mas os americanos do norte lutaram para homogeneizar o todo, aparar diferenças, fazer do todo um uno. Valeu a pena? Richard Morse conta ainda que o sistema está esgotado e que talvez venha do mundo latino um novo modo de viver. Ou não. 
  Romanos gostam de dizer que na verdade o Império Romano ainda está de pé. Que todo o modo de pensar e fazer, viver e conhecer do ocidente é romano. O desenvolvimento dos últimos 2000 anos segue um padrão criado em Roma, coliseus, pão e circo, leis, juizes, senadores, guerra, colonias, ateísmo, crenças particulares, sexo, sangue e ambição materialista. A nossa filosofia seria romana, assim como a arte, os esportes, o modo de vida.  Será?
  Calvino crê, como Borges, que a realidade é inacapturável. Podemos crer em certas coisas, experimentar outras, mas a totalidade nos é inalcançável. Cada vez mais, ele era amigo de Borges e os dois trocavam cartas, Calvino foi se tornando esotérico e ao mesmo tempo simplificando a escrita.  Os dois amavam livros de aventuras, raiz da criatividade. Stevenson, Conrad, London e Doyle.
  Material vasto para pensar e fazer. Essas aulas, no reino dos meninos que pensam em pensar, prometem.

O MAL EM SER CRIANÇA PRA SEMPRE. EXISTE?

   Um amigo me pergunta qual seria afinal o mal causado a esses eternos homens-criança que habitam todo o mundo ocidental mais desenvolvido. Ele não escreveu isso no sentido de alguém que acha que ser criança para sempre seja algo de desejável. O que ele interroga é especificamente qual seria o mal, onde ele se manifesta. Minha primeira resposta seria: abra a janela.
 Manifestantes com blusas amarelas querendo derrubar, na raça, um governo corrupto, porém eleito, têm uma atitude infantil. Pensam que politica é um eu quero. Esquecem do processo, dos trâmites legais, da chatice toda de ser adulto. Isso dá a todo ato uma cara de brincadeirinha. Tanto que eu tenho a certeza de que se a policia reprimisse a coisa eles chorariam. E procurariam o colo de alguém. 
  Meu foco não é comentar a politica brasileira. E não pensem que condeno a manifestação contra o PT. Tudo indica que o governo errou e de forma infantil a reação deles é falar que é tudo mentira. Mais um faz de conta. O que digo é que crianças nunca sabem lidar com o mundo material. Não é a praia delas. Acabam bufando e fazendo birra e no fim tudo sai do jeito errado. 
  Mas vamos em frente. Antes de falar o que pode haver de mal na infância eterna, devemos ver o que há de bom em ser adulto. O primeiro fato é esquecer as dores da adolescência. Um adulto olha para a adolescência como águas passadas. O segundo fato é possuir uma certa independência. Não depender de alguém que cuide dele, seja mãe, esposa, psicólogo ou guru. E o principal, um adulto pode jamais vir a saber quem ele seja de fato, mas ele cessou a busca constante pela sua turma. O adulto deixou de se preparar para a vida, ele já mergulhou. 
  Então eu diria que mais que ser dependente ou estar paralisado pelas brigas da adolescência, o eterno criança fica eternamente no quase. Ele olha a vida mas nunca mergulha nela. Vive na expectativa, desgastante, do inicio de sua vida ""de verdade""'
No mínimo isso lhe causará os sintomas clássicos da ansiedade. 
  Posso saber o que seja um adulto por filmes ou livros, professores ou conhecidos, mas eu ainda tive um adulto em casa, meu pai. E ele, pobre homem, foi profundamente odiado por isso. Além de eu ter comprado a ideia de que ficar adulto é negar tudo no pai, eu fui um adversário muito forte. E joguei sempre sujo. Em cada briga, que podiam ser quase comuns aos 14 anos, mas que se tornaram ridiculas aos 30, eu achava que estava caminhando rumo ao mundo do cowboy, o mundo do cara auto-suficiente. Claro que não. Era tudo um brinquedo de gosto ruim. 
   Meu pai trabalhava. E seu mundo era o do trabalho. Meu pai era um cara pronto. Ele tinha arrependimentos, dores e dúvidas, muitas, mas estava pronto. A vida para ele havia começado muito antes de que eu nascesse e sobre isso não havia volta. A corrente do rio da vida o apanhara. E ele procurava nadar. Mas não eu. Meu ideal era nunca sair da margem, ou melhor ainda, trocar de rio quando quisesse.
   E posso então falar de mais um mal:: a sensação engasgante, amarga, que todo cara como eu tem, de que a vida passa e eu fico. Melancolia que pode ser raiz de belas depressões, a sensação de que o trem passa sem voce pode te levar a imagem de que o mundo é algo que foge e sua vida uma estação vazia, pois os outros já partiram.
   Então voce brinca. Trens e rios imaginários. Partidas sempre repetidas, Voce vai à África, ao Japão, em carne e osso, mas a grande viagem voce nunca faz, mergulhar no rio da vida. A vida de adulto, que antes o horrorizava, agora lhe é tão distante que voce nem sabe mais do que se trata. E brinca. Como eu disse, brinca de ter um filho, de ter um casamento, de ter um emprego. Mas tudo pode ser revertido ou anulado. Sem compromisso. Tudo é um ensaio. O rio continua a passar.
  Me lembro que aos 16 anos meu maior medo era: adultos trabalham para sempre. A vida do adulto é dura. Eu não quero isso. Em seguida foi: o adulto é o homem que começou a morrer. A contagem regressiva começa nesse momento.
  O mundo moderno nos dá milhões de fugas para dentro de Neverland. Eu aceitei o convite.
  E a mulher nisso tudo? Ela passa a ser, e me dói dizer, mais um brinquedo. A chamamos para a festa, queremos brincar de ser namorado, de fazer sexo como nos filmes, de ter um grande amor. Quando elas percebem que aquele cara forte, bravo, maduro, decidido, está brincando de parecer adulto, e que ela É A PROVA DE QUE ELE CRESCEU, bem, nesse momento ela foge. A mulher, ter uma, se torna o objeto que prova ao mundo e a ele que o garoto virou homem. Virou?
   Assim como a briga com os mais velhos nunca foi maturidade, ter uma mulher é apenas uma ideia torta de ser GRANDE. Nas sociedades tribais voce não virava homem ao fazer sexo. Voce era primeiro um homem e depois fazia sexo. A mulher era um merecimento. A cereja do bolo. Agora ela é o caminho, a casa, todo o bolo e a cereja. Coitadinha. Coitadão.
   E agora vou parar por aqui porque cansei e vou dormir.

PADRE SÉRGIO- TOLSTOI

   Esta novela de Tolstoi, apenas 70 páginas, foi chamada de patética, fraca, errada, durante décadas. Começou a ser reabilitada no fim do século XX e hoje é chamada de obra-prima. Claro que não é. As melhores novelas de Tolstoi estão muita à frente deste Padre Sérgio. Na verdade ela é uma peça de propaganda religiosa. Uma parábola. E lembra bastante os contos diretos e filosóficos de Voltaire. 
   Um nobre é humilhado por um rival. Se isola do mundo em uma caverna. É tentado por uma mulher fútil. Ao resistir à ela, faz com que essa mulher, arrependida, se torne freira. Sua fama se espalha. Cura doentes. Uma segunda mulher surge. E à essa ele não resiste. Cheio de culpa, foge outra vez. Vai visitar uma velha amiga. E lá ele tem uma revelação. Esse é o enredo. Tolstoi conta tudo isso de um modo que muito agradava Heminguay, direto, objetivo, seco, simples até o osso, sem firulas. Parece fácil escrever assim, puro engano. Escrever muito, descrever demais, isso é fácil, conseguir contar de modo limpo e claro, sem perder o encanto e o estilo, isso é bastante árduo. Requer exercício, prática. 
   O sentido de Padre Sérgio é transparente. Toda sua fé é baseada na vaidade. Por mais que ele tente, ele nunca se livra do orgulho de ser um religioso. Todo seu ato parece ter uma platéia, Deus. Quando ele encontra sua velha amiga, mulher atarefada, que sustenta sozinha várias pessoas, ele percebe ser esse o sentido da vida. Ela diz que se acha uma pessoa má, e que Sérgio complica tudo. São essas duas frases que resumem o livro. Sérgio se acha bom, amante de Deus, e isso é vaidade. Posso dizer que ele não sai de seu mundinho regido pelo eu. A amiga faz o bem todo o tempo, quando pensa em si mesma é para se condenar e acha estar longe de Deus. Essa é a verdadeira religiosa. 
  Tolstoi ao fim da vida fundou uma seita cristã que pregava o fim de toda violência e o fim da igreja. Ele queria o cristianismo de Cristo, sem a carga de teoria e de cerimônias criadas pelos homens. Todos movidos pela ambição e pela vaidade. Gandhi bebeu nessa fonte tolstoiana. 
   Este livro foi filmado no final dos anos 80 pelos irmãos Taviani. Um belo filme. Mas a novela é bem diferente. No filme o padre é quase um santo ingênuo. Aqui ele é um perdido. No momento em que ele perde a fé ele começa o longo processo de encontro com Deus.
   Um passarinho o encontra. Um besouro tromba com seu corpo. Sérgio entende a mensagem.

COMO SER UM HOMEM HOJE?

   Em Rastros de Ódio, o mitico filme de John Ford, Ethan, o personagem de John Wayne, parte em busca de uma menina que foi raptada pelos indios. Com ele vai um jovem mestiço e no filme vemos a transformação desse jovem em homem. O momento de sua transformação seria aquele em que ele se rebela contra Wayne. O filme, feito em 1956, coincide com esse que foi o ano do rock, o ano de Elvis. De repente, com a ajuda dos beats, se vendeu para a primeira geração americana criada em frente à TV, a ideia de que virar adulto era se rebelar contra os adultos. Estranho não? Ser adulto era brigar com um adulto, na maioria das vezes, o pai. As gerações seguintes aceitaram com alegria essa verdade. Essa nova verdade. Para ser um adulto voce tinha de enfrentar o mais velho e além disso criar um modo novo de ser. Voce tinha de nascer outra vez. 
   Nesse processo muitos afundaram, outros se perderam e ficaram brigando para sempre e a maioria simplesmente desistiu. Se para ser adulto eu tenho de ser brigão, rebelde, e ainda criar um novo EU, bem, eu prefiro ficar onde estou. Começou aí a infantilização. O jovem, que tinha de ser herói, entrega os pontos. As mães adoraram isso. Abriram os braços para aquele novo filho, um filho que queria ser novo para sempre. E o filho, perdido entre o dever da rebeldia e a incapacidade de se recriar, ficava num meio termo irritado. Vergonha e prazer. Vergonha de ter desistido, prazer pelo conforto. 
  Essa a minha hipótese. E mais uma vez sou obrigado a jogar a culpa sobre os teens do rock. Os hippies e etc. Vamos voltar ao filme. O jovem, papel de Jeffrey Hunter, amadurece ao se afirmar perante Wayne. Mas, e Ethan? O que ocorre com John Wayne? Ele parte porque odeia os indios. Quer na verdade se vingar. Encontrar a menina é secundário, ele quer o sangue. Mas ao encontrar a menina, agora crescida após anos de busca, Ethan faz o mais belo movimento da história do cinema ( segundo Godard e segundo este que vos fala ), ele a perdoa, a aconchega e a leva de volta para casa. Devolvida a menina à comunidade, o jovem que o acompanhou prestes a se casar, Ethan-Wayne parte. E temos o mais belo final de filme da história, Wayne na porta, indo, mas na verdade sem querer mais partir. John Wayne, e tinha de ser ele, mostra para quem quiser ver, o que significa ser adulto. Ethan começa imaturo e é ele aquele que realmente se transforma. Gosto de pensar que a partir dali ele encontrou uma mulher e foi viver numa cabana de madeira, onde criou dois filhos. 
  Escrevi mais de uma vez aqui que esse filme salvou minha vida. E que sempre que o revejo sinto meu pai próximo de mim. Fosse refeito hoje eu tenho a certeza que todo o foco seria no jovem e o personagem de Wayne seria secundário. 
  Agora falo sobre o cinema de 2015. Gostei da última entrega do Oscar. Mas uma coisa sempre me incomoda. A cada ano que passa os atores parecem mais e mais crianças. Pensava que era pelo fato de que a cada ano fico mais velho. Mas não. Eles são cada vez mais frágeis, delicados, vulneráveis, ou seja, infantis. Sua forma fisica e suas vozes combinam com os filmes que lhes são oferecidos. Filmes para crianças que brincam, sem saber, de ser adultos. Gosto muito, às vezes adoro, dos filmes de Tim Burton por exemplo. Como agora gosto dos filmes de Wes Anderson. São filmes bonitos, às vezes tristes, às vezes cômicos. E sempre profundamente infantis. O visual é o mesmo dos livros para crianças e eles têm uma imensa incapacidade de exibir relações entre homens e mulheres que não se pareça com um cartoon. Ou um conto de fadas. Isso não os desqualifica. São ótimos. E no caso dos dois, são honestos. Nenhum dos dois fica fazendo pose de adulto. São assumidamente infantis. E essa pode ser, eu não sei, uma característica adulta: assumir suas criancices. 
  O trágico é quando um filme infantil é visto como obra de um adulto. Não vou citar Lars Von Trier, um adolescente de 14 anos, embirrado, que brinca de chocar os pais.  O que devo dizer é que a maioria dos filmes de arte de agora são filmes de arte feitos por colegiais. Eles falam daquilo que teens conhecem, tristeza, solidão e raiva, e se perdem completamente quando falam do que teens não sabem, mas imaginam saber, amor, familia, trabalho, morte. Tudo é borrado com as cores de um adolescente egocêntrico que se imagina inteligente, culto e cheio de verdades a serem ditas. Nada é mais infantil que isso. Desse modo temos montes de filmes que brincam em ser Kubrick, Hitchcock ou Bergman. Mal sabem eles que nada foi menos infantil que Kubrick, Hitchcock e Bergman. Se soubessem de seus limites eles imitariam Bunuel, Fellini ou Welles, que foram gênios, mas que sempre mantiveram um pé na infantilidade. No caso dos três, consciente. 
   Preciso falar agora que quando Picasso diz que passou a vida lutando para voltar a ser criança, isso não significa que ele lutou para voltar a colecionar brinquedos ou a brincar de Batman. Como adulto, ele queria poder adentrar o mundo simbólico e sem palavras da criança. Era um adulto vendo o mundo infantil. Não pensem que Lewis Carroll ou James Barrie eram infantis. Walt Disney entendia as crianças. E por isso não poderia ser uma delas.
  Crianças odeiam ser crianças. Teens detestam não ser adultos. Só adultos infantilizados amam essa fase da vida. Ser criança é ter medo. Medo de ser abandonado. Medo de se perder na rua. Ser criança é estar sempre de olho em si-mesmo. Ligado na sua fome, sua sede, sua dor, seu desejo. Não existe o voce. Tudo é eu. O mundo mágico e lindo existe. Mas a criança não pensa nele, ela está dentro dele. É o adulto que percebe sua beleza quando já saiu dele. Ele é real. Tão real que na infância mal se percebe. Adolescentes são como crianças em quase tudo. Menos no contato com o voce. O voce existe e esse ser dá ao adolescente raiva, por ter invadido seu mundo, e desejo, por se parecer com uma porta. O adulto de 2015 muitas vezes fica na ansiedade dessa porta. Com a mão na maçaneta. Sem a abrir. E pode crer, eu sei do que falo.
   Ele usa bermudas. Fala montes de palavrões. Adora brincar. Nada parece muito sério. E é cheio de teorias adultas, verdades filosóficas. Vive mudando de metas. Viaja, experimenta, procura descobrir quem vai ser quando crescer. E tem 45 anos. 
   Mora com uma mulher. Mas não têm filhos. Quem sabe um dia. Moram juntos como quem brinca de casinha. Sem nenhum compromisso do mundo dos adultos. Sem filho, sem papel e sem casa comprada. Tudo provisório. Tudo de brincadeira. A palavra :: para sempre:: os apavora. 
   Não falarei do fim das cerimônias tribais. Dos atos que faziam do menino um adulto. Prefiro falar de duas que viraram brinquedo. 
   Meu irmão serviu o exército. E servir poderia ser um ato de virar adulto. Ele mudou, endureceu. Mas não ficou adulto. Por dois motivos. Primeiro porque servir é um ato sem significado algum. Ninguém mais fala que servir é virar homem. E o principal, voce sai de lá como entrou. O mundo não reconhece em voce um adulto, Na verdade te chama de azarado.
  O outro ato eu o cumpri. Entre católicos, aos 14 anos, voce é crismado. Crisma é o momento em que o menino, que foi batizado quando bebê, confirma a opção dos pais pelo Papa. É quando ele deve pensar na sua fé e a aceitar. Ou não. Eu a fiz como um zumbi. Não fazia a menor ideia do que era aquilo. E nem meus pais sabiam muito bem. 
  O limite do exército seria a guerra. E eu acho que nem a guerra hoje deixa de ter seu aspecto de brinquedo. E o passo após a crisma é o casamento na igreja. Cerimônia que hoje pode ser revertida em divórcio. O casamento é agora uma festinha de conto de fadas.
  A saúde da mente se exerce no equilibrio, impossível, entre o mundo sólido e o mundo interno. Toda dualidade deve ser aceita. Não podemos ser adultos absolutos, isso seria outra doença, mas ser adulto significa ser responsável por decisões, ser capaz de defender e abrigar pessoas, ser parte de uma comunidade que se aceita e não que se impõe. E ao mesmo tempo ter contato com esse mundo criativo e simbólico da infância. Mas sabendo que é o mundo DA infância, vivo e presente, mas nunca o único mundo possível e desejável.
   Nada  mais infantil que um filme de Tarantino, de quem eu também gosto. 
   Você consegue recordar um só casal adulto nos seus filmes? Há apenas um, Bruce Willis e Maria de Medeiros em Pulp Fiction. Ele cuida dela. Ela não é perfeita. Eles estão na cama apenas conversando. Um lapso na obra de Quentin, toda ela feita de mulheres gostosas e perigosas e de homens que falam como garotos na lanchonete da esquina. 
   Em um mundo de Homem de Ferro, onde Batman e James Bond são levados a sério e onde cada vez mais as bandas de rock se parecem com menininhos brincando no quarto,  ser adulto se tornou a maior e a única das rebeliões.

AVONMORE, MAIS DE BRYAN FERRY

   O som de Bryan Ferry começou a ser criado em 1982, no último disco do Roxy Music, o luxuoso Avalon. Esse som, criação única, é um tipo de delicada tapeçaria, pontos musicais que se entrelaçam. Podemos também chamar de flocos de neve em caleidoscópio. É um som frio, cheio de volteios, ângulos que se abrem para serem fechados em seguida, riffs que ameaçam nascer e desaparecem. As batidas são sempre negras, mas elas são partidas, retomadas, perdidas. Em meio a essa massa sonora vagueia a quase sonâmbula voz de Ferry, sussurrante e aliciante. Sempre.
   Desde então ele nunca mais mudou. Disco após disco, ele apenas se contentou em aperfeiçoar essa tapeçaria, às vezes com grande sucesso ( Taxi ), às vezes errando feio ( Olympia ). Mesmo ao gravar seu disco de standards da música pop dos anos 20/30, As Times Goes By, ele conseguiu fazer trompetes e banjos soarem como seu costumeiro tricot. Avonmore não atinge as alturas de Taxi, ou mesmo de Frantic, ( estou falando apenas dessa fase costureira. Os discos solo anteriores a 1982 não contam ). Por outro lado, o novo disco nunca desce a ladeira como o citado Olympia, ponto mais baixo de toda a carreira do romântico maior da Inglaterra. 
   Como é esse som? O clip que postei, apresentação no show de Jay Leno em 1993, duas faixas de Taxi, demonstra esse som em seu modo mais simples. Em disco Bryan chega a usar 3 baixos, 3 baterias e 4 guitarras tocando juntas. É um sinfonia de eletricidade, mas que mesmo com essa montanha de som, soa sempre leve, delicada, fina como gelo. No novo disco ele volta a usar Johnny Marr, Flea, Jonny Greenwood, David Gilmour, Marcus Miller... e claro, o maestro, o grande Nile Rogers. 
   Nile está presente nesse clip de 1993. Egresso da cena disco, lider do delicioso Chic, em seu auge, entre 1982/1990, Nile produziu Bowie, Madonna, Duran Duran, Debbie Harry, Robert Palmer e um imenso etc. A guitarra dele pulsa e ela é a linha que une todos os instrumentos que gemem e arremetem durante as sonhadoras canções de Ferry. Nesse video temos também Robin Trower, guitarrista inglês que por volta de 1975 foi chamado de novo Hendrix. Sua guitarra cheia de ecos e wah wah enfeita e dá feeling ao som. São duas guitarras no palco, no disco são quatro, o efeito se expande. 
   Bryan Ferry abraçou esse estilo e nesses trinta anos jogou fora uma de suas maiores características, a surpresa. Em entrevistas ele diz ter se encontrado após as buscas feitas entre 1972/1982. Esse estilo, em seus auges, é muito sedutor, ele pega nossa alma e a leva para fluir por aí. E tem o espírito de amores perdidos e amores novos. 
   Bryan Ferry não muda. E aqui é um prazer dizer isso. Ferry é Ferry. Again.

Bryan Ferry & Robin Trower - I Put a Spell on You + Will You Love Me Tom...



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ALAIN DELON/ CARY GRANT/ HAWKS/ DORIS DAY/ ANNE BANCROFT/ SPENCER TRACY/ AL PACINO

   O INVENTOR DA MOCIDADE ( Monkey Business ) de Howard Hawks com Cary Grant, Ginger Rogers, Charles Coburn e Marilyn Monroe.
É o primeiro fracasso de bilheteria de Hawks e um dos raros de Cary. Hawks vinha de 15 anos seguidos de sucessos quando resolveu fazer na Fox este roteiro de Lederer e Diamond. Os dois são roteiristas que trabalharam com Billy Wilder, e isso explica muito sobre o filme. O humor tem a grossura despudorada de Billy. Não tem o estilo humanista de Hawks. De qualquer modo o filme é tão louco que diverte, além do que o elenco é sensacional. Cary é um cientista que tenta criar a fórmula do rejuvenescimento. Um macaco cobaia mistura elementos e Cary bebe aquilo sem querer. Súbito ele volta aos 19 anos. Passa a ter o comportamento de um teen. Ginger é a esposa, que acaba por voltar aos 14 anos. Monroe faz uma secretária e este é dos seus primeiros papeis importantes. Ainda gordinha, ela é tremendamente sensual. O final, com Cary voltando aos 7 anos e amarrando um adulto na árvore para tirar seu escalpo é uma mistura de hilariedade com o incômodo do excesso de ridiculo. O filme se equilibra o tempo todo nesse fio, de um lado uma soberba alegria, de outro o ridiculo. As cenas com Ginger passam todas do ponto. Cary mantém a elegância. Um grande ator! Quer saber? Após seu encerramento deu vontade de ver outra vez. Nota 7.
   CARÍCIAS DE LUXO de Delbert Mann com Cary Grant, Doris Day e Gig Young.
Doris é a super-virgem. Desempregada, ela conhece o super rico Cary Grant. Ele tenta a seduzir com dinheiro. E consegue! Mas ela é virgem e defende sua honra. Bem, não poderia haver tema mais antigo. Imagino um cara de 15 anos vendo isso! Belos cenários e um Gig Young hilário como um paciente de um freudiano, não conseguem salvar o filme. Cary parece desinteressado, entediado ( este era o tempo em que ele descobria o LSD ). Nunca ninguém, naquela época, percebeu como Doris era sexy? A voz dela é de erguer defunto! Nota 4.
   STANLEY AND LIVINGSTONE de Henry King com Spencer Tracy, Walter Brennan e Cedric Hardwicke.
As convenções do filme de aventuras foram criadas por 3 grandes aventureiros da vida real: Raoul Walsh, Howard Hawks e Henry King. Todas as técnicas criadas pelos 3 são usadas até hoje. Pode-se enfeitar um filme o colocando no espaço, em outra dimensão ou fazer do mal o bem, mas o esquema é exatamente o mesmo. Aqui temos um dos melhores exemplos. Feito em 1939, o filme mostra Stanley, feito por um brilhante Spencer Tracy, partindo para a África desconhecida, em 1870, atrás do paradeiro de Livingstone. Em hora e meia o filme, com ritmo, tem um pouco de tudo: exploração do desconhecido, humor com o amigo do heróis, encontros inesperados, suspense e depois a edificação e o crescimento do herói. Ele retorna à sua terra como um homem melhor. Até uma cena de tribunal temos. Henry King foi um grande diretor. E como ser de seu tempo, dirigiu de tudo, westerns, comédias, dramas e musicais. Nota 8.
   O RIO DA AVENTURA de Howard Hawks com Kirk Douglas e Arthur Hunnicut.
O dvd tem belos extras. A voz do velho Kirk falando do filme, fotos de Michael Douglas aos 6 anos visitando o pai no set e Todd MacCarthy, um dos melhores críticos, falando do filme. Mas, surpeendentemente, a imagem não foi refeita e a foto está em mal estado. Feito em 1952, é o segundo maior fracasso da carreira de Hawks. O público da época estranhou esta aventura lenta, calma, primeira experiência do estilo Hawks de filmagem, que seria mais bem desenvolvida nos filmes seguintes. Como é esse estilo? Focar nos personagens e não na ação. Veja: aqui temos Kirk como um aventureiro no Oeste que vai com um grupo à procura de peles em terras inexploradas. Sobem o rio e encontram aventuras. Muitas. Mas todo interesse do filme é mostrar o cotidiano, o dia a dia, a personalidade de Kirk e de seus companheiros ( dentre eles um excelente Hunnicut fazendo um velho do mato ). Desse modo a sensação que fica é de pouca ação e de muito papo furado, o tal estilo Hawks. MacCarthy descreve bem, achamos o filme falho, mas quando termina queremos mais. Acabamos por gostar daquelas pessoas e desejamos sua companhia. É isso que acontece com os bons filmes de Hawks, o mais discreto dos mestres. O filme tem falhas sim, mas a gente acaba querendo mais. Nota 8.
   MOMENTO DE DECISÃO de Herbert Ross com Shirley MacLaine, Anne Bancroft, Tom Skerrit, Mychail Baryshnikov, Leslie Browne.
Este filme de 1977 tem um recorde. Junto com A Cor Púrpura, é o maior perdedor da história do Oscar. Foram 11 indicações e nenhum prêmio. Na época era moda falar mal dele. Ou melhor, os críticos o detestaram, o público adorou. Hoje a situação é a mesma. Não virou cult. Conta a história do reencontro de duas mulheres de meia idade. Amigas antigas, as duas foram grandes bailarinas. Uma largou tudo ao ficar grávida. A outra persistiu e se tornou estrela em NY. No reencontro se faz o balanço, a briga, a reconciliação. Eu adorei o filme. Assisti sem a menor expectativa e gostei muito. Me emocionei. Ele mostra com sagacidade a questão da idade, da fama e da solidão. E Anne está soberba! A diva é sempre humana, e a mulher é uma diva. A cena da briga entre ela e Shirley foi homenageada em Dancin Days, a novela. Gilberto Braga é um grande fã do filme. A fotografia de Robert Surtees impressiona muito. E vemos a estréia da super estrela e do sex symbol da época, Baryshnikov. Foi indicado a coadjuvante! Faz um bailarino hetero e playboy. Bom. Vemos Marcia Haydée nas cenas de dança, em seu auge como bailarina. Um lindo filme que teve o azar de concorrer nos ano de Annie Hall, Julia e Star Wars. Nota 8.
   UM MOMENTO, UMA VIDA ( Bobby Deerfield ) de Sidney Pollack com Al Pacino e Marthe Keller.
Assisti este filme no cine Astor, em 1978. Senti um profundo tédio. Revendo agora, senti um profundo desgosto. É o pior filme de Pollack, isso é aceito por todos, mas é também o pior de Pacino, e olhe que Pacino fez muito filme ruim. Uma sopa melosa e lenta, metida à filme de arte, sobre um famoso piloto da Fórmula 1. Ele perdeu suas raízes, virou um tipo de robot arrogante. Ao visitar um piloto acidentado na Suiça, conhece uma italiana doidinha que está morrendo...O filme evita o drama e vira um vazio. Tudo é seco e lento. Argh. Vemos James Hunt, Pace e Depailler nas cenas de corrida....que duram cinco minutos!!! Uma enganação...fuja! PS: Keller era um alemã que tinha corpo e rosto, bonito, de Valkiria. Como acreditar que frau Keller é uma italiana maluca????? Aff....ZERO!
   O SOL POR TESTEMUNHA de René Clement com Alain Delon, Maurice Ronet e Marie Laforet
Simplesmente o filme mais chique já feito. Itália em 1960 alcançou um nível de elegância sem ostentação que transparece em cada segundo do filme. Ronet descalço e sem camisa, parece o mais chique dos homens. Delon, com terno claro, com dock sides, com polo, sempre parece modelo da Vogue. Mas, eis o charme, tudo sem formalidade, sem afetação, com certo desleixo. Foi o auge do estilo mediterrâneo, que todos procuram e quase ninguém o revive. Clement consegue, ao seguir o livro de Patricia Highsmith, fazer um filme à altura de suas imagens. Ele é lindo e tem muito suspense. Gostamos de canalha Delon. O ator se confunde com o tipo. Houve ator mais diabólico e bonito? A refilmagem de 1999, de Minghella, colocou Matt Damon como Delon...aff!!! Jude Law era Maurice Ronet. O que era chique virou novo rico, parecia formal e Damon era um teen vestido de adulto. Aqui não! Até a carteira de Delon parece elegante! E temos o final, um dos mais inesperados da história. Um grande filme e um super sucesso de bilheteria. DEZ!!!!!!

ALÉM DOS LIMITES DO OCEANO- MAURICIO OBREGÓN

   O autor, colombiano, foi diplomata e navegador. Também cruzou mundo pilotando aviões. Um desse homens que sentem a febre da ação. Sem deixar de cultivar a erudição. Um tipo de renascentista.
    Eu havia lido este seu livro em 2004 e o reli agora. Fino, cheio de mapas e desenhos, ele fala das primeiras viagens por mar. O inicio é um pouco árduo. Mauricio descreve as estrelas, os pontos celestes que ajudam a navegação em alto mar. Mas as coisas se tornam muito interessantes quando ele passa a falar dos polinésios. Em suas canoas, onde cabem até 50 remadores, eles cruzava o Pacífico. Foram os mais habeis marinheiros de todos os tempos.
   Depois Obregón segue a Argonáutica, o texto grego sobre Jasão, e refaz a saga do herói. Navega do Mediterrâneo ao mar Negro, retorna usando o Danúbio e contorna o Adriático. 
   A Odisséia lhe dá o caminho para Oeste, chega às portas do Atlântico e margeia a África do Norte. Obregón, quando digo refaz, refez mesmo, navegou seguindo as descrições de Homero.
   Por fim, as navegações dos Árabes e Vikings. As longas rotas muçulmanas, da África à Ásia. e os nórdicos, Islândia, Groenlândia e América.  Lenda verdadeira, pois provas foram encontradas.
   Pena ser um texto tão curto!

Tanita Tikaram - Twist in my sobriety (HD 16:9)



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CAT POWER & TANITA TIKARAN

   No final dos anos 80 eu conhecia o grande disco de Tanita Tikaran. Como se feito fosse dentro de uma catedral, ele remete diretamente à Van Morrison. Mas também à Rickie Lee Jones. Cheio de sombras, úmido, a voz dela vem como de cavernas. Ela é quente. 
  O tempo passou e o mundo preferiu virar seus olhos para Bjork, a grande chata. Tanita sumiu do mainstream. ( Existe um mainstream alternativo hiper ativo e duro como aço ). 
  Cat Power tem o mesmo timbre de voz e surge dez anos após Tanita. No fim do século XX. Cat é ainda mais espartana e franciscana. O som é feito de pequenas notas e as canções são feitas só de refrões em busca de um arranjo. Van Morrison outra vez. Só que em clave feminina. Como o irlandês, ela joga uma melodia e discorre sobre ela. São hinos. Cantilenas. Remetem às celebrações de domingos. 
  Uma amiga me presenteou com 3 cds de Cat Power. Ela achou que eu gostaria. Os cds são como ela: melodias em busca de redenção. Delicadezas que insistem em ficar. Sombras impossíveis de iluminar. Bonitas como as maiores mágoas. Longas pernas pálidas e longos olhares despidos.
  Tanita é melhor. Mas Cat me assobia. E anda pela esquina.

Cat Power - Good Woman & Come on in My Kitchen (w/ Buddy Guy - Traffic M...



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