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O JOGO DA IMITAÇÃO/ A TEORIA DE TUDO/ JAZZ/ MARCEL CARNÉ/ A STAR IS BORN/ BOYHOOD/ FANNY
O JOGO DA IMITAÇÃO de Morten Tyldun com Benedict Cumberbatch e Keira Knightley
Mesmo conhecendo a bio de Alan Turing fiquei chocado com o fim do filme. Imagino como se sente quem não a conhece. O filme é sensacional. Ele toca todos aqueles que se sentem esquisitos, todos os que foram perseguidos na escola, todos os diferentes. Ou seja, toca quase todos nós. Turing foi um gênio e o filme é digno dele. Suspense bem feito, drama e uma bela história. Adoraria ver este filme ser, como foi O Discurso do Rei alguns anos atrás. a grande surpresa inglesa do Oscar. Os dois se parecem muito. São filmes clássicos, muito ingleses, com um momento chave do século XX pescado do esquecimento. O melhor ator do ano é Benedict. E quem achar que caio em contradição, pois costumo criticar essa mania de confundir boas imitações com grandes desempenhos, que Benedict não imita Turing, ele cria uma personagem. Pois ao contrário de Capote ou de Ray, Turing tem um nada de videos para se imitar. Foi em vida uma pessoa obscura. 2015 é a melhor safra do Oscar desde o século XX, este é o filme que mais me emocionou, O Hotel Budapeste é o melhor filme. Qualquer dos dois que vencer será uma alegria para mim. Nota 9.
A TEORIA DE TUDO de James Marsh com Eddie Redmayne e Felicity Jones
Se Eddie vencer o Oscar será mais uma vitória do papel de doente. Impressiona como o Oscar ama gente interpretando doentes! O filme é legal, mas está muito atrás de O Jogo da Imitação, com o qual poderia se parecer. Tudo aqui é correto, como Hawking, que é um cara do bem. Mas o filme não causa impressão. Dois dias depois voce mal recorda uma cena. Felicity é na verdade a heroína. Excelente interpretação, ela foi uma santa em aguentar o casamento. O filme é dela. Nota 6.
WHIPLASH, EM BUSCA DA PERFEIÇÃO de Damien Chazelle com Miles Teller e JK Simmons
Um pensamento ruim me ocorreu durante o filme. O jazz desde os anos 50 virou isso...um fóssil estudado por chatos, nerds e infelizes. O que era uma expressão folclórica de vida, virou objeto de adoração semi-religiosa e de estudos devotados. But....o filme, simples, barato, é bom. E mostra algo de muito particular que só o jazz tem: nele não existe nada de bom ou de correto. Ou o cara é """do cacete"""ou é muito ruim. Para fazer parte da coisa voce tem de ser uma fera. Músicos bons, como no rock são quase todos, não sobrevivem no jazz. Porque aqui, mesmo aquele esquecido baixista da banda de Fletcher Henderson ou do trio de Benny Golson, era mais que excelente. No jazz, como na música erudita, não dá pra enganar. Porque aqui o simples barulho ou as notas simples inexistem. Para quem toca este filme é obrigatório. E mesmo para o resto, é um bom filme. Espero que ele mostre aos roqueiros o quanto bateristas discretos, jazzistas, como Charlie Watts ou Mitch Mitchell são bons. Ritmo, isso é tudo. Conseguir manter a batida, sem variação de velocidade ou de volume, matematicamente preciso, é isso. Posto acima um Buddy Rich, o mito. JK dá um show. Mas o garoto também é bom. Nota 7.
BOYHOOD de Richard Linklater com Ethan Hawke e Patricia Arquette
Somos uma geração, a minha, entre 40/50 anos, desastrada. Criamos filhos como amigos e eles queriam pais. O filme acompanha o crescimento de um menino. E Linklater, que entre seus filmes favoritos tem Truffaut e Bresson, evita todo momento de drama, exibe o banal e nesse banal o que há de mais bonito. O filme é leve, puro, otimista. O menino, que sorte, vira um cara legal. Mas eu queria que mostrassem mais a irmã! Ela parece mais interessante. Ethan faz Ethan Hawke, o cara gente boa. Patricia manda muito bem. Gorda, a sensual Alabama virou uma americana comum. Ponto pra ela! O melhor de Linklater ainda é Dazed and Confused, mas se ele vencer o prêmio de direção será bem legal. Ele é Wes, com seu amor por filmes franceses, são dos poucos caras a dar ar de liberdade ao amarrado e cabisbaixo cinema atual. Nota 8.
FANNY de Marcel Pagnol com Raimu, Pierre Fresnay e Orane Demazis
Por falar em cinema francês...Eis Pagnol, escritor, autor de teatro e diretor de cinema. O homem da Provence antes do lugar virar moda. A história aqui é de uma menina, grávida e solteira. O pai da criança a abandonou para virar marinheiro. Ela aceita a proposta de um homem mais velho, que assumirá o nenê. Mas o marinheiro volta...O filme é tosco, sem produção, primitivo. E encantador. É um tipo de filme tão arcaico que hoje fica parecendo muito fresco, novo, original. Assistir Fanny é como ver um documentário sobre um planeta que deixou de existir. O mundo de Cézanne e de Cassat. Um prazer. Nota 9.
CONTRABANDISTA A MUQUE de Christian-Jacque com Totó e Fernandel
Existe uma cidade na fronteira entre França e Itália em que ruas e casas marcam a divisão. O filme mostra desse modo o contraste entre os dois países. Totó é um contrabandista. Fernandel um policial. Um é bem italiano: malandro, preguiçoso, mentiroso. O outro é rigido, cumpridor das leis, burocrático e meio bobo. Divertido, o filme, de 1958, nos faz pensar que essas diferenças hoje seriam ilusórias. A Europa virou um grande caldeirão comum. Uma certa nostalgia surge, onde os italianos estão? Totó, um gênio como ator, nunca mais. Nota 7.
FAMÍLIA EXÓTICA de Marcel Carné com Françoise Rosay, Michel Simon, Jean-Louis Barrault, Louis Jouvet e Jean-Pierre Aumont.
No cinema clássico francês dois caminhos logo surgiram. O cinema simples de Renoir e o cinema elaborado de Carné. Prefiro Carné. Aqui temos uma rocambolesca comédia com os melhores atores de então. Como explicar a história? Tem um escritor que finge ser um pacato burguês, tem um doido assassino, tem um conquistador barato...e muito mais. Os diálogos, de Prévert, são brilhantes. É um filme Pop, feito para divertir, para entreter. Nota 7.
NASCE UMA ESTRELA de William Wellman com Janet Gaynor, Frederic March e Lionel Stander
Um grande clássico. A primeira versão da história da moça que quer ser estrela de Hollywood e se envolve com um ator decadente. Ela sobe, ele afunda. Tudo aqui funciona. O filme emociona, dá raiva, toca, fica. O mecanismo da imprensa surge crú. March está magnífico! Faz um alcoólatra com tintas de Barrymore sublime. Temos pena dele. E admiração. Gaynor jamais se torna doce demais. Ela ama March. Ama o cinema. E tem ainda Stander, um jornalista que é o mal em pessoa. Ele odeia March e goza em ver sua queda. Wellman faz o roteiro de Dorothy Parker voar. É um grande filme. Nota DEZ.
Mesmo conhecendo a bio de Alan Turing fiquei chocado com o fim do filme. Imagino como se sente quem não a conhece. O filme é sensacional. Ele toca todos aqueles que se sentem esquisitos, todos os que foram perseguidos na escola, todos os diferentes. Ou seja, toca quase todos nós. Turing foi um gênio e o filme é digno dele. Suspense bem feito, drama e uma bela história. Adoraria ver este filme ser, como foi O Discurso do Rei alguns anos atrás. a grande surpresa inglesa do Oscar. Os dois se parecem muito. São filmes clássicos, muito ingleses, com um momento chave do século XX pescado do esquecimento. O melhor ator do ano é Benedict. E quem achar que caio em contradição, pois costumo criticar essa mania de confundir boas imitações com grandes desempenhos, que Benedict não imita Turing, ele cria uma personagem. Pois ao contrário de Capote ou de Ray, Turing tem um nada de videos para se imitar. Foi em vida uma pessoa obscura. 2015 é a melhor safra do Oscar desde o século XX, este é o filme que mais me emocionou, O Hotel Budapeste é o melhor filme. Qualquer dos dois que vencer será uma alegria para mim. Nota 9.
A TEORIA DE TUDO de James Marsh com Eddie Redmayne e Felicity Jones
Se Eddie vencer o Oscar será mais uma vitória do papel de doente. Impressiona como o Oscar ama gente interpretando doentes! O filme é legal, mas está muito atrás de O Jogo da Imitação, com o qual poderia se parecer. Tudo aqui é correto, como Hawking, que é um cara do bem. Mas o filme não causa impressão. Dois dias depois voce mal recorda uma cena. Felicity é na verdade a heroína. Excelente interpretação, ela foi uma santa em aguentar o casamento. O filme é dela. Nota 6.
WHIPLASH, EM BUSCA DA PERFEIÇÃO de Damien Chazelle com Miles Teller e JK Simmons
Um pensamento ruim me ocorreu durante o filme. O jazz desde os anos 50 virou isso...um fóssil estudado por chatos, nerds e infelizes. O que era uma expressão folclórica de vida, virou objeto de adoração semi-religiosa e de estudos devotados. But....o filme, simples, barato, é bom. E mostra algo de muito particular que só o jazz tem: nele não existe nada de bom ou de correto. Ou o cara é """do cacete"""ou é muito ruim. Para fazer parte da coisa voce tem de ser uma fera. Músicos bons, como no rock são quase todos, não sobrevivem no jazz. Porque aqui, mesmo aquele esquecido baixista da banda de Fletcher Henderson ou do trio de Benny Golson, era mais que excelente. No jazz, como na música erudita, não dá pra enganar. Porque aqui o simples barulho ou as notas simples inexistem. Para quem toca este filme é obrigatório. E mesmo para o resto, é um bom filme. Espero que ele mostre aos roqueiros o quanto bateristas discretos, jazzistas, como Charlie Watts ou Mitch Mitchell são bons. Ritmo, isso é tudo. Conseguir manter a batida, sem variação de velocidade ou de volume, matematicamente preciso, é isso. Posto acima um Buddy Rich, o mito. JK dá um show. Mas o garoto também é bom. Nota 7.
BOYHOOD de Richard Linklater com Ethan Hawke e Patricia Arquette
Somos uma geração, a minha, entre 40/50 anos, desastrada. Criamos filhos como amigos e eles queriam pais. O filme acompanha o crescimento de um menino. E Linklater, que entre seus filmes favoritos tem Truffaut e Bresson, evita todo momento de drama, exibe o banal e nesse banal o que há de mais bonito. O filme é leve, puro, otimista. O menino, que sorte, vira um cara legal. Mas eu queria que mostrassem mais a irmã! Ela parece mais interessante. Ethan faz Ethan Hawke, o cara gente boa. Patricia manda muito bem. Gorda, a sensual Alabama virou uma americana comum. Ponto pra ela! O melhor de Linklater ainda é Dazed and Confused, mas se ele vencer o prêmio de direção será bem legal. Ele é Wes, com seu amor por filmes franceses, são dos poucos caras a dar ar de liberdade ao amarrado e cabisbaixo cinema atual. Nota 8.
FANNY de Marcel Pagnol com Raimu, Pierre Fresnay e Orane Demazis
Por falar em cinema francês...Eis Pagnol, escritor, autor de teatro e diretor de cinema. O homem da Provence antes do lugar virar moda. A história aqui é de uma menina, grávida e solteira. O pai da criança a abandonou para virar marinheiro. Ela aceita a proposta de um homem mais velho, que assumirá o nenê. Mas o marinheiro volta...O filme é tosco, sem produção, primitivo. E encantador. É um tipo de filme tão arcaico que hoje fica parecendo muito fresco, novo, original. Assistir Fanny é como ver um documentário sobre um planeta que deixou de existir. O mundo de Cézanne e de Cassat. Um prazer. Nota 9.
CONTRABANDISTA A MUQUE de Christian-Jacque com Totó e Fernandel
Existe uma cidade na fronteira entre França e Itália em que ruas e casas marcam a divisão. O filme mostra desse modo o contraste entre os dois países. Totó é um contrabandista. Fernandel um policial. Um é bem italiano: malandro, preguiçoso, mentiroso. O outro é rigido, cumpridor das leis, burocrático e meio bobo. Divertido, o filme, de 1958, nos faz pensar que essas diferenças hoje seriam ilusórias. A Europa virou um grande caldeirão comum. Uma certa nostalgia surge, onde os italianos estão? Totó, um gênio como ator, nunca mais. Nota 7.
FAMÍLIA EXÓTICA de Marcel Carné com Françoise Rosay, Michel Simon, Jean-Louis Barrault, Louis Jouvet e Jean-Pierre Aumont.
No cinema clássico francês dois caminhos logo surgiram. O cinema simples de Renoir e o cinema elaborado de Carné. Prefiro Carné. Aqui temos uma rocambolesca comédia com os melhores atores de então. Como explicar a história? Tem um escritor que finge ser um pacato burguês, tem um doido assassino, tem um conquistador barato...e muito mais. Os diálogos, de Prévert, são brilhantes. É um filme Pop, feito para divertir, para entreter. Nota 7.
NASCE UMA ESTRELA de William Wellman com Janet Gaynor, Frederic March e Lionel Stander
Um grande clássico. A primeira versão da história da moça que quer ser estrela de Hollywood e se envolve com um ator decadente. Ela sobe, ele afunda. Tudo aqui funciona. O filme emociona, dá raiva, toca, fica. O mecanismo da imprensa surge crú. March está magnífico! Faz um alcoólatra com tintas de Barrymore sublime. Temos pena dele. E admiração. Gaynor jamais se torna doce demais. Ela ama March. Ama o cinema. E tem ainda Stander, um jornalista que é o mal em pessoa. Ele odeia March e goza em ver sua queda. Wellman faz o roteiro de Dorothy Parker voar. É um grande filme. Nota DEZ.
LET`S STICK TOGETHER- BRYAN FERRY. PORQUE O AMOR PODE SER UMA QUESTÃO GLAMUROSA.
Então em 1976 nada em Londres era mais chique que gostar de Mr. Ferry. Ele vendia discos, vendia shows, fazia cinema e estava sempre na TV. Nessa ego trip ele deu um chute no Roxy e começou a namorar a mais famosa modelo do mundo, Jerry Hall ( que está no clip abaixo ). Desde 1973 Bryan lançava discos solo. Mas nesse verão de sua ego trip ele solta este disco. Uma coleção de 11 músicas. Seis são covers, e elas vão de Beatles à Louis Armstrong. As outras cinco são releituras de faixas gravadas com o Roxy Music. Três do primeiro disco, uma do quarto e outra do segundo. Para o acompanhar ele chamou Chris Spedding, John Wetton, Mel Collins. A carreira solo de Ferry sempre foi marcada por uma excelência em som, em timbre, por um aveludamento sonoro, uma suavização daquilo que ainda pode ser chamado de rock, mas que na verdade sempre foi simplesmente canção. Elvis Presley é o ídolo branco de Bryan, o Elvis pós 1960, e Otis Redding o ídolo negro, o Otis de sempre.
Let`s Stick Together abre o disco e foi um single de sucesso na Inglaterra. ( Só na Europa Ferry vendia então. A coisa não mudou muito em 40 anos ). Sacolejante, irônica, é uma alegria. Casanova está irreconhecível. Apocaliptica com o Roxy, aqui ela é noturna, suavemente safada. Sexy ao extremo. Sea Breezes é um lamento. O espírito é o mesmo da banda antiga, mas aqui ele está mais seguro. Shame é cover de um blues dos bons. Ferry faz dela um Pop acaipirado, alegre, esfuziante.
Os deuses olímpicos se aquietam e Vênus sorri quando 2HB começa a tocar. É uma das mais belas coisas da história da música do ocidente. HB significa Humphrey Bogart, a canção homenageia Bogey, To HB portanto. Mas pode ser To Heartbroken. Ela decola, ela é linda, inesquecível. A melodia sobe da voz e do teclado e voa, rodopia, gira colorida, melancólica, sagrada e diáfana. Ferry atinge um dos seus pontos alfa. A versão original, de 1972, com o Roxy, é tão boa quanto, mas esta...
The Price of Love é puro Pop feliz. Riff de guitarra vibrante, forte. Chance Meeting é uma das mais tristes canções do Roxy. Esta versão tem mais equilíbrio, menos dor, a beleza se mantém. Ela me recorda todos os meus amores. Os antecipou desde 1976. Os anuncia hoje.
It`s Only Love é dos Beatles. Ele faz dela uma canção de Brian Wilson. Leva-a à Califórnia. You Go To My Head é luxuosa. De certo modo ela dá a dica do que Bryan faria na meia idade. Sinuosa. ReMMake, ReModel foi a primeira faixa do primeiro disco do Roxy. Ela era barulhente e bastante desenfreada. Aqui ele cortou as arestas e a deixou redonda. Ainda desafiadora, só que dançante, aveludada, líquida.
Por fim Heart on My Sleeve. Simples como o amor. Singela. E nunca tola. O amor para Ferry é simples. é básico, singelo, porém nunca silly.
Neste momento de amor, voltar a este disco, trilha dela, da amada, é um ato de amor.
Let`s Stick Together abre o disco e foi um single de sucesso na Inglaterra. ( Só na Europa Ferry vendia então. A coisa não mudou muito em 40 anos ). Sacolejante, irônica, é uma alegria. Casanova está irreconhecível. Apocaliptica com o Roxy, aqui ela é noturna, suavemente safada. Sexy ao extremo. Sea Breezes é um lamento. O espírito é o mesmo da banda antiga, mas aqui ele está mais seguro. Shame é cover de um blues dos bons. Ferry faz dela um Pop acaipirado, alegre, esfuziante.
Os deuses olímpicos se aquietam e Vênus sorri quando 2HB começa a tocar. É uma das mais belas coisas da história da música do ocidente. HB significa Humphrey Bogart, a canção homenageia Bogey, To HB portanto. Mas pode ser To Heartbroken. Ela decola, ela é linda, inesquecível. A melodia sobe da voz e do teclado e voa, rodopia, gira colorida, melancólica, sagrada e diáfana. Ferry atinge um dos seus pontos alfa. A versão original, de 1972, com o Roxy, é tão boa quanto, mas esta...
The Price of Love é puro Pop feliz. Riff de guitarra vibrante, forte. Chance Meeting é uma das mais tristes canções do Roxy. Esta versão tem mais equilíbrio, menos dor, a beleza se mantém. Ela me recorda todos os meus amores. Os antecipou desde 1976. Os anuncia hoje.
It`s Only Love é dos Beatles. Ele faz dela uma canção de Brian Wilson. Leva-a à Califórnia. You Go To My Head é luxuosa. De certo modo ela dá a dica do que Bryan faria na meia idade. Sinuosa. ReMMake, ReModel foi a primeira faixa do primeiro disco do Roxy. Ela era barulhente e bastante desenfreada. Aqui ele cortou as arestas e a deixou redonda. Ainda desafiadora, só que dançante, aveludada, líquida.
Por fim Heart on My Sleeve. Simples como o amor. Singela. E nunca tola. O amor para Ferry é simples. é básico, singelo, porém nunca silly.
Neste momento de amor, voltar a este disco, trilha dela, da amada, é um ato de amor.
O AMOR SE GUARDA DO TEMPO. CHRIS ISAAK- FOREVER BLUE
...Heminguay disse um dia que o ódio termina mas o amor é para sempre.
Eu amo para sempre aquela menina e com ela eu amo este disco. Que foi e é sua trilha sonora. E Heminguay combina bem porque este disco e este amor tem cheiro de camisa de flanela e de eucalipto e ele é frio, é sopro de vapor e mãos que se esfregam. Touca de lã.
Ela é frágil como se fosse feita de promessas dificeis de serem cumpridas. A voz de Chris é de cristal? Não, acho que melhor dizer orvalho. E ele canta o amor todo o tempo. Ele realmente crê no amor. E te digo amigo, neste mundo a gente tem de crer no amor e mais ainda, a gente tem de bradar e exercitar o amor. All the time.
Como pode isso? É um milagre e o fato desse amor existir prova que milagres só acontecem para quem crê neles. Oh God! Eu crio no amor e creio nela. Porque ela é linda.
Como é este disco com seus solos de guitarra curtos, delicados e viris, com sua luz de estrada de quem vai voltar. com sua tristeza esparramada, mas não desespero, porque desespero só vem para quem deixou de acreditar.
Este disco me foi proibido por anos e anos. Doía demais escutar a trilha dela. E minha alma, saudosa, guardou esse disco como quem guarda cinzas. Agora ele toca porque chegou a hora de tocar de novo. Ela é agora como sempre foi. O amor guarda e protege do tempo da vida.
Tão bom ouvir a voz de Chris novamente. E tocar o corpo conhecido que se encolhe.
Ela é linda. E eu sou bom.
Eu amo para sempre aquela menina e com ela eu amo este disco. Que foi e é sua trilha sonora. E Heminguay combina bem porque este disco e este amor tem cheiro de camisa de flanela e de eucalipto e ele é frio, é sopro de vapor e mãos que se esfregam. Touca de lã.
Ela é frágil como se fosse feita de promessas dificeis de serem cumpridas. A voz de Chris é de cristal? Não, acho que melhor dizer orvalho. E ele canta o amor todo o tempo. Ele realmente crê no amor. E te digo amigo, neste mundo a gente tem de crer no amor e mais ainda, a gente tem de bradar e exercitar o amor. All the time.
Como pode isso? É um milagre e o fato desse amor existir prova que milagres só acontecem para quem crê neles. Oh God! Eu crio no amor e creio nela. Porque ela é linda.
Como é este disco com seus solos de guitarra curtos, delicados e viris, com sua luz de estrada de quem vai voltar. com sua tristeza esparramada, mas não desespero, porque desespero só vem para quem deixou de acreditar.
Este disco me foi proibido por anos e anos. Doía demais escutar a trilha dela. E minha alma, saudosa, guardou esse disco como quem guarda cinzas. Agora ele toca porque chegou a hora de tocar de novo. Ela é agora como sempre foi. O amor guarda e protege do tempo da vida.
Tão bom ouvir a voz de Chris novamente. E tocar o corpo conhecido que se encolhe.
Ela é linda. E eu sou bom.
BOYHOOD.
Uma entrega do Oscar com mais de dois filmes admiráveis. Desde o século passado isso não acontecia. Em 2015 temos 3 filmes que me deixariam feliz com sua vitória. E Boyhood é um deles. Contra o cinema empetecado e tolo de Nolan, Fincher e gang infindável, o cinema simples de Linklater. Boyhood é um filme que gosta de gente, e isso hoje é uma benção.
Acompanho o cinema de Richard Linklater desde 1995, DAZED AND CONFUSED é um filme que acompanha um bando de adolescentes em seu último dia de aula. Passado em 1976, o filme tem uma trilha sonora perfeita, melhor que a de Quase Famosos, e dentre seus atores inexperientes estão Mathew MacCornaghy, Ben Affleck e René Zellwegger. Adoro esse filme onde nada acontece. Ou melhor, onde nada de cinematográfico acontece. Mas onde a vida acontece. Boyhood é exatamente assim. Richard evita habilmente todas as cenas melodramáticas, tangencia o sensacional e nos entrega os momentos que fazem a vida, ou seja, uma coleção de ""quases"". Mostrar a mãe apanhando do marido seria fazer cinema sensacional, ou pior, seria dar valor a um momento isolado dentro de uma vida. Ao contrário do cinema de hoje, que procura sempre e de forma apelativa, a dor, o sangue, a doença, o extraordinário, Linklater procura o comum, o simples, o banal. E mostrando isso ele nos dá o presente inestimável de exibir diante de nós a nobreza da vida de qualquer um que ainda se veja como apenas mais um. Boyhood exala nobreza. Quantos filmes com essa marca voce tem visto?
O pai, o adorável Ethan Hawke, é apenas um mentiroso. Sonha em ser um rock star, mas não muito. E acaba sendo um bom pai. Dentro do possível. A mãe escolhe maridos errados. Mas consegue educar os dois filhos. Apesar de ser uma distraída. Eu gostaria que o filme se concentrasse na filha. Ela parece ser muito esperta. Mas o menino é cativante. Finalmente um filme consegue exibir um silencioso e delicado adolescente sem cair no chavão. A geração é aparentemente quieta e deprimida porque o mundo lhes parece absurdamente errado.
Mais que um problema, nossa tragédia atual é a completa incapacidade que minha geração demonstra com a paternidade. Não importa se a geração de meu pai era hipócrita ou repressora, havia um papel para eles e eles o seguiam. Pai era provedor. Pai era protetor. E pai era autoritário. Mães eram ditadoras, preocupadas, davam comida e roupas quentes e queriam em troca amor e respeito. Claro que esse não era um mundo ideal, mas era um mundo possível. Hoje o mundo parece impossível. Os pais de hoje não são ruins, eles são raros.
Patricia Arquette foi uma mulher hiper sexy. E que nunca teve medo de perder essa condição. Faz a mãe. Comovente. Ethan Hawke é o amigo mais velho que todo moleque gostaria de ter. É quase um tio. Pai não. As melhores cenas são com ele e o filho. O menino é brilhante. A gente gosta dele. É um filho que todos gostariam de ter. E percebemos que filhos continuam a existir. E pedem o que sempre pediram. Ajuda.
Uma vez li a lista dos diretores favoritos de Richard Linklater. Havia Bresson. O maior elogio que posso fazer a Boyhood é esse. Ele é digno de um filho de Bresson. O cinema nunca mostra a vida como ela realmente é. Mas ele pode, em raros momentos, mostrar como a sentimos e percebemos. Boyhood chega lá.
Acompanho o cinema de Richard Linklater desde 1995, DAZED AND CONFUSED é um filme que acompanha um bando de adolescentes em seu último dia de aula. Passado em 1976, o filme tem uma trilha sonora perfeita, melhor que a de Quase Famosos, e dentre seus atores inexperientes estão Mathew MacCornaghy, Ben Affleck e René Zellwegger. Adoro esse filme onde nada acontece. Ou melhor, onde nada de cinematográfico acontece. Mas onde a vida acontece. Boyhood é exatamente assim. Richard evita habilmente todas as cenas melodramáticas, tangencia o sensacional e nos entrega os momentos que fazem a vida, ou seja, uma coleção de ""quases"". Mostrar a mãe apanhando do marido seria fazer cinema sensacional, ou pior, seria dar valor a um momento isolado dentro de uma vida. Ao contrário do cinema de hoje, que procura sempre e de forma apelativa, a dor, o sangue, a doença, o extraordinário, Linklater procura o comum, o simples, o banal. E mostrando isso ele nos dá o presente inestimável de exibir diante de nós a nobreza da vida de qualquer um que ainda se veja como apenas mais um. Boyhood exala nobreza. Quantos filmes com essa marca voce tem visto?
O pai, o adorável Ethan Hawke, é apenas um mentiroso. Sonha em ser um rock star, mas não muito. E acaba sendo um bom pai. Dentro do possível. A mãe escolhe maridos errados. Mas consegue educar os dois filhos. Apesar de ser uma distraída. Eu gostaria que o filme se concentrasse na filha. Ela parece ser muito esperta. Mas o menino é cativante. Finalmente um filme consegue exibir um silencioso e delicado adolescente sem cair no chavão. A geração é aparentemente quieta e deprimida porque o mundo lhes parece absurdamente errado.
Mais que um problema, nossa tragédia atual é a completa incapacidade que minha geração demonstra com a paternidade. Não importa se a geração de meu pai era hipócrita ou repressora, havia um papel para eles e eles o seguiam. Pai era provedor. Pai era protetor. E pai era autoritário. Mães eram ditadoras, preocupadas, davam comida e roupas quentes e queriam em troca amor e respeito. Claro que esse não era um mundo ideal, mas era um mundo possível. Hoje o mundo parece impossível. Os pais de hoje não são ruins, eles são raros.
Patricia Arquette foi uma mulher hiper sexy. E que nunca teve medo de perder essa condição. Faz a mãe. Comovente. Ethan Hawke é o amigo mais velho que todo moleque gostaria de ter. É quase um tio. Pai não. As melhores cenas são com ele e o filho. O menino é brilhante. A gente gosta dele. É um filho que todos gostariam de ter. E percebemos que filhos continuam a existir. E pedem o que sempre pediram. Ajuda.
Uma vez li a lista dos diretores favoritos de Richard Linklater. Havia Bresson. O maior elogio que posso fazer a Boyhood é esse. Ele é digno de um filho de Bresson. O cinema nunca mostra a vida como ela realmente é. Mas ele pode, em raros momentos, mostrar como a sentimos e percebemos. Boyhood chega lá.
O FIM DAS NAÇÕES ( E PORQUE CÉLULAS DE TERROR SÃO SEDUTORAS )
Vejo um filme italiano, com o grande ator Totó, e um filme francês, com o mítico Raimu. E percebo, daqui do século XXI, que a França e a Itália não têm mais razão de ser. Usamos esses nomes como uma saudade, ou pior, como marca de produto. Existe hoje a comida italiana, assim como o vinho francês. Se vende para um turista a fantasia do romance na Itália ou de uma semana na Provence...Mas é tudo uma ficção. Porque assim como a Inglaterra é hoje apenas uma rainha e um sotaque, os dois países europeus são apenas uma memória na mente de pessoas razoavelmente cultas.
Totó é todo um modo de falar e de gesticular que não mais existe. Seus valores, que são a amizade, a vagabundagem, a malandragem e o coração de manteiga não mais existem. Como se foi aquela nação de gritadores, de casas atulhadas, de montes de crianças e de tempo livre. O mesmo na França. Parecida com a Itália e ao mesmo tempo seu oposto, a França das longas conversas, das discussões, do jogo de bocha e das mentiras sem fim se foi. Hoje os dois são países higienizados, de arte sem sabor, sem sal e pimenta, e onde tudo parece uma Miami de coisas antigas recém pintadas. As originalidades de cada canto se foram. Viúvas de véu preto faleceram. Como faleceram os moleques de lábia afiada e os poetas de paletós imundos. Isso se vê em tudo. Cada vez é mais dificil ver um filme tipicamente italiano, ouvir uma canção bem francesa ou até mesmo perceber o caráter que fazia do calccio uma coisa diferente do futebol arte da França. É tudo o mesmo. ( E imigrantes logo absorviam o forte sabor do país. Não esqueçamos que o time francês de 82 tinha mais da metade composta de imigrantes ).
O mesmo se dá aqui e em todo o mundo. Dificil achar um brasileiro. Não que eu saiba o que isso seja, mas eu sei que ele, o brasileiro, não é como um peruano ou um chicano de L.A. Mas fica tudo cada vez mais parecido. Isso é bom ou ruim?
Diziam, com suprema ingenuidade, que a globalização traria paz ao mundo. Que quando as diferenças específicas de cada país fossem esquecidas, todos se veriam como humanos, apenas humanos. Não é isso que vejo. O fim das especificidades trouxe o crescimento da individualidade. Se não existe mais o caráter original e único que me unia a meu concidadão, o sentimento de solidão aumenta e com ele o ""cada um por si"". O país de cada um passa a ser seu eu, somente o eu, e esse eu guerreia o tempo todo contra os estrangeiros, todos os outros.
Sem as festas populares folclóricas, sem os mitos da comunidade, sem o gestual e a história particular de um lugar, tudo o que resta é eu e minha história pessoal. ---Que horror!!!!!
Não é por acaso que jovens desiludidos se unam a células terroristas. Elas prometem aquilo que as nações não mais oferecem: uma identidade, uma fé e irmãos com corações em comum. O homem precisa ter uma raiz. Itália sem alho e sem Totó, França sem creme de leite e sem Raimu não são um país. São apenas um lugar.
Totó é todo um modo de falar e de gesticular que não mais existe. Seus valores, que são a amizade, a vagabundagem, a malandragem e o coração de manteiga não mais existem. Como se foi aquela nação de gritadores, de casas atulhadas, de montes de crianças e de tempo livre. O mesmo na França. Parecida com a Itália e ao mesmo tempo seu oposto, a França das longas conversas, das discussões, do jogo de bocha e das mentiras sem fim se foi. Hoje os dois são países higienizados, de arte sem sabor, sem sal e pimenta, e onde tudo parece uma Miami de coisas antigas recém pintadas. As originalidades de cada canto se foram. Viúvas de véu preto faleceram. Como faleceram os moleques de lábia afiada e os poetas de paletós imundos. Isso se vê em tudo. Cada vez é mais dificil ver um filme tipicamente italiano, ouvir uma canção bem francesa ou até mesmo perceber o caráter que fazia do calccio uma coisa diferente do futebol arte da França. É tudo o mesmo. ( E imigrantes logo absorviam o forte sabor do país. Não esqueçamos que o time francês de 82 tinha mais da metade composta de imigrantes ).
O mesmo se dá aqui e em todo o mundo. Dificil achar um brasileiro. Não que eu saiba o que isso seja, mas eu sei que ele, o brasileiro, não é como um peruano ou um chicano de L.A. Mas fica tudo cada vez mais parecido. Isso é bom ou ruim?
Diziam, com suprema ingenuidade, que a globalização traria paz ao mundo. Que quando as diferenças específicas de cada país fossem esquecidas, todos se veriam como humanos, apenas humanos. Não é isso que vejo. O fim das especificidades trouxe o crescimento da individualidade. Se não existe mais o caráter original e único que me unia a meu concidadão, o sentimento de solidão aumenta e com ele o ""cada um por si"". O país de cada um passa a ser seu eu, somente o eu, e esse eu guerreia o tempo todo contra os estrangeiros, todos os outros.
Sem as festas populares folclóricas, sem os mitos da comunidade, sem o gestual e a história particular de um lugar, tudo o que resta é eu e minha história pessoal. ---Que horror!!!!!
Não é por acaso que jovens desiludidos se unam a células terroristas. Elas prometem aquilo que as nações não mais oferecem: uma identidade, uma fé e irmãos com corações em comum. O homem precisa ter uma raiz. Itália sem alho e sem Totó, França sem creme de leite e sem Raimu não são um país. São apenas um lugar.
BIG EYES/ JACQUES TOUNEUR/ MIKE LEIGH/ REESE/ MICHAEL REDGRAVE
LIVRE de Jean-Marc Valée com Reese Witherspoon e Laura Dern
Adoro Reese. Eu realmente a acho encantadora. E aqui ela tem seu tour de force. Faz uma garota que percorre toda a costa do Pacífico. Sózinha. Faz isso para tentar superar a dor. Heroína, a morte da mãe e o fim do casamento. O filme incomoda. Reese é mignon, sua bagagem é imensa. O roteiro é de Nick Hornby. E ele é um dos produtores. O filme é baseado num livro. História veridica. E faz belo uso de El Condor Pasa, canção de Simon and Garfunkel. Valée analisa a relação filha e mãe. É o centro do filme. Mas é um filme deprimente. Triste, muito triste. Existiram cowboys, beatnicks e hippies. Hoje os andarilhos são deprimidos. Aff....Nota 4.
MR. TURNER de Mike Leigh com Timothy Spall
Turner foi um dos mais impressionantes pintores do século XIX. De certo modo ele antecipou os impressionistas. Seu objetivo era pintar a luz e o movimento. Era um excêntrico. O filme de Leigh não romantiza nada. Spall faz um Turner muito desagradável. As pessoas aqui são feias, falam grunhindo. Isso é realismo? Ou essa busca do real não será outro tipo de afetação? A fotografia concorre ao Oscar 2015. O filme é bastante enfadonho. Ficamos duas horas vendo o balofo Turner grunhir, comer, e ser sovina. Nota 2.
GRANDES OLHOS ( BIG EYES ) de Tim Burton com Amy Adams e Christoph Waltz
Tim Burton é um feminista. Seus filme sempre defendem as mulheres. E não só elas. As crianças e os sinceros do mundo o encantam. Quando ele defendeu Ed Wood ele defendeu não um cineasta ruim, mas antes um homem que acreditava naquilo que fazia. Wood era sincero. O mesmo ocorre aqui. Keane é uma pintora medíocre, mas sincera. Como bem disse o José Geraldo Couto, Burton defende aqui o cinema bem feito, honesto, sincero, puro. Burton é um anti-David Fincher, um anti-Nolan. Tim Burton não tenta ser um artista, um gênio, ele nunca quis e não quer parecer, ele é. Keane é isso. Quando acerta Burton é um poeta. Quando erra, como em Batman, no Planeta dos Macacos, em Alice, ele parece apenas um diretor sem vida, sem inspiração, morto. Tim Burton não consegue filmar sem paixão, sem crer no que faz. Voce jamais o verá defender uma teoria, ser explícitamente político, tentar parecer mais que um cineasta. Ele filma. E tem o dom da imagem. Este filme é bonito. É moderno. E é de uma delicadeza quase sublime. Simples. Muito simples. E, como tudo em Burton, sincero. Como Wood, como Keane. Nota 8.
NA SOLIDÃO DA NOITE de Basil Dearden, Robert Hamer, Alberto Cavalcanti com Michael Redgrave
Foi lançado um box com seis filmes de horror. Eles variam do ruim ao excelente. Este é um filme inglês de 1948 muito bom. Um homem vai a uma reunião. Cada pessoa nessa reunião conta um caso de mistério e de horror que tenha vivido. Cada história tem um diretor diferente. A melhor é do diretor brasileiro Cavalcanti. Sim, brasileiro. Ele ainda é até hoje o cineasta brasileiro mais internacional da história. Fez filmes no Brasil e na França, Alemanha e Inglaterra. É a história de um ventriloco que é dominado por seu boneco. Nos outros contos se fala de fantasma, de pesadelos e de um espelho maldito. No geral há muito clima, excelente fotografia e um elenco brilhante ( com destaque ao genial Redgrave ), Nota 7.
A ALDEIA DOS AMALDIÇOADOS de Wolff Rilla com George Sanders
Um clássico! A história da cidadezinha que é tomada por uma nuvem. Quando ela se vai, todas as mulheres estão grávidas. Nove meses depois nascem crianças super inteligentes. São ETs. Como se livrar deles se eles podem ler pensamentos? É o único filme bom do diretor. Tem um estilo seco, trilha sonora tenebrosa e mexe com nossos nervos. Muito bom! Nota 7.
A NOITE DO DEMÔNIO de Jacques Tourneur com Dana Andrews e Peggy Cummings
Uma pequena obra-prima. Tourneur foi um diretor francês que fez carreira nos EUA. Dirigiu filmes noir, filmes de piratas, westerns e policiais. Todos bons, alguns geniais. Um americano vai à Inglaterra averiguar um homem que se diz bruxo. O filme narra o embate entre esse americano cético e o bruxo demoníaco. O filme é levado como um noir. Tem clima, estilo, suspense, escuridão. É uma diversão estupenda. Nota 9.
Adoro Reese. Eu realmente a acho encantadora. E aqui ela tem seu tour de force. Faz uma garota que percorre toda a costa do Pacífico. Sózinha. Faz isso para tentar superar a dor. Heroína, a morte da mãe e o fim do casamento. O filme incomoda. Reese é mignon, sua bagagem é imensa. O roteiro é de Nick Hornby. E ele é um dos produtores. O filme é baseado num livro. História veridica. E faz belo uso de El Condor Pasa, canção de Simon and Garfunkel. Valée analisa a relação filha e mãe. É o centro do filme. Mas é um filme deprimente. Triste, muito triste. Existiram cowboys, beatnicks e hippies. Hoje os andarilhos são deprimidos. Aff....Nota 4.
MR. TURNER de Mike Leigh com Timothy Spall
Turner foi um dos mais impressionantes pintores do século XIX. De certo modo ele antecipou os impressionistas. Seu objetivo era pintar a luz e o movimento. Era um excêntrico. O filme de Leigh não romantiza nada. Spall faz um Turner muito desagradável. As pessoas aqui são feias, falam grunhindo. Isso é realismo? Ou essa busca do real não será outro tipo de afetação? A fotografia concorre ao Oscar 2015. O filme é bastante enfadonho. Ficamos duas horas vendo o balofo Turner grunhir, comer, e ser sovina. Nota 2.
GRANDES OLHOS ( BIG EYES ) de Tim Burton com Amy Adams e Christoph Waltz
Tim Burton é um feminista. Seus filme sempre defendem as mulheres. E não só elas. As crianças e os sinceros do mundo o encantam. Quando ele defendeu Ed Wood ele defendeu não um cineasta ruim, mas antes um homem que acreditava naquilo que fazia. Wood era sincero. O mesmo ocorre aqui. Keane é uma pintora medíocre, mas sincera. Como bem disse o José Geraldo Couto, Burton defende aqui o cinema bem feito, honesto, sincero, puro. Burton é um anti-David Fincher, um anti-Nolan. Tim Burton não tenta ser um artista, um gênio, ele nunca quis e não quer parecer, ele é. Keane é isso. Quando acerta Burton é um poeta. Quando erra, como em Batman, no Planeta dos Macacos, em Alice, ele parece apenas um diretor sem vida, sem inspiração, morto. Tim Burton não consegue filmar sem paixão, sem crer no que faz. Voce jamais o verá defender uma teoria, ser explícitamente político, tentar parecer mais que um cineasta. Ele filma. E tem o dom da imagem. Este filme é bonito. É moderno. E é de uma delicadeza quase sublime. Simples. Muito simples. E, como tudo em Burton, sincero. Como Wood, como Keane. Nota 8.
NA SOLIDÃO DA NOITE de Basil Dearden, Robert Hamer, Alberto Cavalcanti com Michael Redgrave
Foi lançado um box com seis filmes de horror. Eles variam do ruim ao excelente. Este é um filme inglês de 1948 muito bom. Um homem vai a uma reunião. Cada pessoa nessa reunião conta um caso de mistério e de horror que tenha vivido. Cada história tem um diretor diferente. A melhor é do diretor brasileiro Cavalcanti. Sim, brasileiro. Ele ainda é até hoje o cineasta brasileiro mais internacional da história. Fez filmes no Brasil e na França, Alemanha e Inglaterra. É a história de um ventriloco que é dominado por seu boneco. Nos outros contos se fala de fantasma, de pesadelos e de um espelho maldito. No geral há muito clima, excelente fotografia e um elenco brilhante ( com destaque ao genial Redgrave ), Nota 7.
A ALDEIA DOS AMALDIÇOADOS de Wolff Rilla com George Sanders
Um clássico! A história da cidadezinha que é tomada por uma nuvem. Quando ela se vai, todas as mulheres estão grávidas. Nove meses depois nascem crianças super inteligentes. São ETs. Como se livrar deles se eles podem ler pensamentos? É o único filme bom do diretor. Tem um estilo seco, trilha sonora tenebrosa e mexe com nossos nervos. Muito bom! Nota 7.
A NOITE DO DEMÔNIO de Jacques Tourneur com Dana Andrews e Peggy Cummings
Uma pequena obra-prima. Tourneur foi um diretor francês que fez carreira nos EUA. Dirigiu filmes noir, filmes de piratas, westerns e policiais. Todos bons, alguns geniais. Um americano vai à Inglaterra averiguar um homem que se diz bruxo. O filme narra o embate entre esse americano cético e o bruxo demoníaco. O filme é levado como um noir. Tem clima, estilo, suspense, escuridão. É uma diversão estupenda. Nota 9.
REVISTA DA CULTURA
A REVISTA DA CULTURA traz encartada com ela uma revista de Portugal, a IPSILON. O contraste entre o mundo das duas é gritante. A brasileira tem aquilo que nossa cultura escrita nos permite: pequenos textos que mais parecem coisa de RP. De bom é ficar sabendo que KANDINSKY está sendo exposto no Rio e estará em SP mais tarde. Um dos cinco gigantes do modernismo, é obrigatório e inspirador. Fora isso, gente indicando cultura, tudo vulgar, agito nas cidades, banal, e ainda Alceu Valença, irrelevante desde 1980, Supla e seu irmão, irrelevantes desde quando nasceram ( seu único mérito é o mesmo de Carlos X ou de Pedro III, ter nascido onde nasceu ). Mais Leonilson, Colin Firth, ele é ótimo, o texto é Caras, Karina Buhr, lamentável. Jessica Lange traz fotos ao MIS. Ela foi uma atriz lindíssima e ganhou dois Oscars. Mas as fotos me parecem comuns. Uma matéria sobre a mania de colecionar coisas antigas. A volta do vinyl. Tudo óbvio. Moleques de 18 anos colecionam o que nunca viram, e portanto desmentem a saudade, porque tentam preencher seu vazio com objetos que duram, já que agora nada pode durar. OK. Jo Nesbo é autor policial. Parece bom. O perfil é amorfo. A revista é bem colorida. Aff.
IPSILON tem fotos legais e textos Looooooooongoooooooos...... Lembra nosso joranlismo cultural dos anos 80. Um peso insuportável de pretensão, nenhum humor. Os temas são relevantes, urgentes e tudo é dissecado. Mas funciona ainda? Aqui no BR não mais. Ninguém mais lê textos tão longos, só os estudantes. Mas é preciso esse foco de resistência. Houellebecq lançou um livro que fala de uma França dominada pelo Islã. Polêmico. A França continua sendo um país covarde. Martin Amis e mais polêmica. Um romance sobre o holocausto. A Europa e seus assuntos mais pulsantes. Eles chegam amortecidos aqui. Nós ainda nos preocupamos com Cuba. Dario Fo entrevistado. Lança livro sobre os Bórgia. Vasco Gato é um poeta jovem português. Parece ruim. Miguel Gomes fez Tabu. Agora fez um filme de seis horas. Por um ano filmou Portugal. Criando ficção dia a dia, ao improviso. João Salaviza ganhou Cannes ano passado. Em curta. Lança seu primeiro longa. Sobre três adolescentes. Volker Schlondorff fala sobre Fassbinder. A volta de Pasolini, ele é moda na Europa de hoje. E música: Panda Bear, Mathew White, Pond, José Gonzalez, Laura Marling, Bob Dylan, Dan Deacon, Bon Iver, James Blake e Giorgio Moroder. Sleaford Mods, a melhor banda do mundo. O cara tem 44 anos!!!! Foi fã do The Jam, do Public Enemy, foi um fodido toda a vida. Seu discurso é: o capitalismo é um inferno. Cinco páginas. Boas. Dá vontade de ouvir. Ele diz que hoje se faz música bonita com guitarras, mas que sempre parecem saudosistas, o que é insuportável. Por fim João Bonifácio, portuga jovem que mistura Nick Cave com Tom Waits. Nome do estilo: Corno Maduro.
Entre o estilo foricultura da publicação brasileira e o estilo irado-chato da lusitana, ambas são insatisfatórias, uma por superficialidade e a outra por chatice radical. De menos, demais.
IPSILON tem fotos legais e textos Looooooooongoooooooos...... Lembra nosso joranlismo cultural dos anos 80. Um peso insuportável de pretensão, nenhum humor. Os temas são relevantes, urgentes e tudo é dissecado. Mas funciona ainda? Aqui no BR não mais. Ninguém mais lê textos tão longos, só os estudantes. Mas é preciso esse foco de resistência. Houellebecq lançou um livro que fala de uma França dominada pelo Islã. Polêmico. A França continua sendo um país covarde. Martin Amis e mais polêmica. Um romance sobre o holocausto. A Europa e seus assuntos mais pulsantes. Eles chegam amortecidos aqui. Nós ainda nos preocupamos com Cuba. Dario Fo entrevistado. Lança livro sobre os Bórgia. Vasco Gato é um poeta jovem português. Parece ruim. Miguel Gomes fez Tabu. Agora fez um filme de seis horas. Por um ano filmou Portugal. Criando ficção dia a dia, ao improviso. João Salaviza ganhou Cannes ano passado. Em curta. Lança seu primeiro longa. Sobre três adolescentes. Volker Schlondorff fala sobre Fassbinder. A volta de Pasolini, ele é moda na Europa de hoje. E música: Panda Bear, Mathew White, Pond, José Gonzalez, Laura Marling, Bob Dylan, Dan Deacon, Bon Iver, James Blake e Giorgio Moroder. Sleaford Mods, a melhor banda do mundo. O cara tem 44 anos!!!! Foi fã do The Jam, do Public Enemy, foi um fodido toda a vida. Seu discurso é: o capitalismo é um inferno. Cinco páginas. Boas. Dá vontade de ouvir. Ele diz que hoje se faz música bonita com guitarras, mas que sempre parecem saudosistas, o que é insuportável. Por fim João Bonifácio, portuga jovem que mistura Nick Cave com Tom Waits. Nome do estilo: Corno Maduro.
Entre o estilo foricultura da publicação brasileira e o estilo irado-chato da lusitana, ambas são insatisfatórias, uma por superficialidade e a outra por chatice radical. De menos, demais.
SOBRE OLHO
A desolação de Vitebsk. E a rosa de Vence. Com um cão.
Nesse video que postei abaixo, olhe fundo no olho do artista enquanto ele fala.
O olho que viu mais do que eu ou do que voce.
Olhe. Aprenda a olhar.
Nesse video que postei abaixo, olhe fundo no olho do artista enquanto ele fala.
O olho que viu mais do que eu ou do que voce.
Olhe. Aprenda a olhar.
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