leia e escreva já!
SEM SEXO, SEM DROGAS E SEM ROCK`N`ROLL....PETE TOWNSHEND, UMA BIOGRAFIA PARA QUEM NÃO GOSTA DE ROCK
Ando lendo a Bio de Pete Townshend. É a menos rock`n`roll de todas, muitas, que li. O oposto de Keith Richards, pois ao contrário de Keith, Pete viu tudo com clareza, e viu de fora, viu muito. E em oposto a Rod Stewart, Pete não tem humor, não ama verdadeiramente os blues e sua atração por mulheres equivale a paixão por roupas e por moda. Pete chega a falar que desejou ir para a cama com Mick Jagger. ( well.... quem em 1967 não quis? ).
O centro da vida de Pete é a arte, mas a Arte. Enquanto todos pensam em sex. drugs e rocknroll, ele pensa em neurose, jazz e pintura. Quando ele fala de música, Pete fala de técnicas de gravação, novos amplificadores, novos tapes. Sua abordagem é científica. Ele inventava coisas, feedback, volume, fitas, loops. E era parte do Who, uma banda que ele sentia como performance e não como música. O Who era um campo de provocação, um ato de arte desafiadora. Não ato de amor, ato de arte. De certo modo eles fazem aquilo que o Velvet fazia em NY e que Bowie faria mais tarde, Rock usado para um fim, rock feito de fora e não de dentro. Uma linguagem aprendida e não a coisa tipo "rock é minha vida".
Ele cresceu em meio a pais artistas. O pai era músico de jazz, a mãe cantora. Boa situação material, desleixo em carinho. Os pais brigam e ele é dado aos 6 anos a uma avó. Promiscua e doida. Sádica. Ela dava para todo caminhoneiro de Londres. O menino via. Tímido, ele volta após dois anos para os pais. Que continuam a trair um ao outro. Entra numa escola de arte, estuda pintura, adora Charlie Parker, Ella e Billie. Aos 15 anos conheceu o movimento mod. Jovens estilosos, vaidosos, com ternos, gravatas, lambretas, sapatos italianos, écharpes de seda. Esses caras ouvem R and B: Sam Cooke, Marvin Gaye, Pickett. Pete toca guitarra, mas sua paixão é o design moderno, arte performática, as provocações de galeria. Perto de Pete, Keith, Lennon ou Eric são analfabetos. Mick não. Pete é fã dos Stones. Os Stones têm visual, androginia, são provocativos e sexys. Mas sua banda favorita são os Kinks. Pete considera Ray Davies um igual. Perversos, estilosos, afeminados, agressivos. Novo modo de ser: delicados desafiadores.
Pete entra para o Who convidado por Roger Daltrey. Ele não conhecia ninguém da banda. Eles precisavam de um guitarrista e ele conseguiu o lugar. Simples assim. Nada de amizades de infância. Os 4 mal se conhecem. Roger é briguento e anda com marginais. Tende a resolver tudo na briga. Quer uma banda de rock. Pete é delicado e complicado. Quer fazer arte. John Entwistle bebe muito e faz piadas. Muda o modo como se toca baixo no mundo do rock. E há Keith Moon, que é louco. Ele é o foco de tensão na banda. Fã de surf music, Keith só quer festejar. E beber. Falta ensaios, leva soco na cara de Roger ( que mal o suporta ), ameaça sempre sair da banda, um chato escroto....só que adorável na bateria. O melhor, o mais original, descontrolado e o maior carisma do grupo.
Eles se tornam mito entre o público undergound da Inglaterra. E logo estouram com seu primeiro single, I Cant Explain. A vida de Pete muda ao ser procurado por um bando de desajustados que lhe diz que "ele fala aquilo que eles não conseguem falar". Pete Townshend será o porta voz dos desajustados.
E chega a era da psicodelia. Townshend toma ácido, mas não perde o poder de observar. Descreve a coisa melhor que qualquer outro. Sua apreciação de Pet Sounds e de Sgt Peppers é ferina: São grandes discos, mas sem nenhum legado. Nada comentam sobre o mundo real, nada falam de relevante socialmente, e não apontam nenhum futuro. São belos, porém estéreis.
Estou lendo essa época. 1967. Página 100. Lançando Sell Out, o disco com anúncios. Pete cheio de grana, com namorada, andando pela noite com Clapton, vendo Hendrix no palco, escutando música erudita e jazz, pensando em pintura. Roupas. Cenários. Design. Infeliz.
Um livro fascinante.
O centro da vida de Pete é a arte, mas a Arte. Enquanto todos pensam em sex. drugs e rocknroll, ele pensa em neurose, jazz e pintura. Quando ele fala de música, Pete fala de técnicas de gravação, novos amplificadores, novos tapes. Sua abordagem é científica. Ele inventava coisas, feedback, volume, fitas, loops. E era parte do Who, uma banda que ele sentia como performance e não como música. O Who era um campo de provocação, um ato de arte desafiadora. Não ato de amor, ato de arte. De certo modo eles fazem aquilo que o Velvet fazia em NY e que Bowie faria mais tarde, Rock usado para um fim, rock feito de fora e não de dentro. Uma linguagem aprendida e não a coisa tipo "rock é minha vida".
Ele cresceu em meio a pais artistas. O pai era músico de jazz, a mãe cantora. Boa situação material, desleixo em carinho. Os pais brigam e ele é dado aos 6 anos a uma avó. Promiscua e doida. Sádica. Ela dava para todo caminhoneiro de Londres. O menino via. Tímido, ele volta após dois anos para os pais. Que continuam a trair um ao outro. Entra numa escola de arte, estuda pintura, adora Charlie Parker, Ella e Billie. Aos 15 anos conheceu o movimento mod. Jovens estilosos, vaidosos, com ternos, gravatas, lambretas, sapatos italianos, écharpes de seda. Esses caras ouvem R and B: Sam Cooke, Marvin Gaye, Pickett. Pete toca guitarra, mas sua paixão é o design moderno, arte performática, as provocações de galeria. Perto de Pete, Keith, Lennon ou Eric são analfabetos. Mick não. Pete é fã dos Stones. Os Stones têm visual, androginia, são provocativos e sexys. Mas sua banda favorita são os Kinks. Pete considera Ray Davies um igual. Perversos, estilosos, afeminados, agressivos. Novo modo de ser: delicados desafiadores.
Pete entra para o Who convidado por Roger Daltrey. Ele não conhecia ninguém da banda. Eles precisavam de um guitarrista e ele conseguiu o lugar. Simples assim. Nada de amizades de infância. Os 4 mal se conhecem. Roger é briguento e anda com marginais. Tende a resolver tudo na briga. Quer uma banda de rock. Pete é delicado e complicado. Quer fazer arte. John Entwistle bebe muito e faz piadas. Muda o modo como se toca baixo no mundo do rock. E há Keith Moon, que é louco. Ele é o foco de tensão na banda. Fã de surf music, Keith só quer festejar. E beber. Falta ensaios, leva soco na cara de Roger ( que mal o suporta ), ameaça sempre sair da banda, um chato escroto....só que adorável na bateria. O melhor, o mais original, descontrolado e o maior carisma do grupo.
Eles se tornam mito entre o público undergound da Inglaterra. E logo estouram com seu primeiro single, I Cant Explain. A vida de Pete muda ao ser procurado por um bando de desajustados que lhe diz que "ele fala aquilo que eles não conseguem falar". Pete Townshend será o porta voz dos desajustados.
E chega a era da psicodelia. Townshend toma ácido, mas não perde o poder de observar. Descreve a coisa melhor que qualquer outro. Sua apreciação de Pet Sounds e de Sgt Peppers é ferina: São grandes discos, mas sem nenhum legado. Nada comentam sobre o mundo real, nada falam de relevante socialmente, e não apontam nenhum futuro. São belos, porém estéreis.
Estou lendo essa época. 1967. Página 100. Lançando Sell Out, o disco com anúncios. Pete cheio de grana, com namorada, andando pela noite com Clapton, vendo Hendrix no palco, escutando música erudita e jazz, pensando em pintura. Roupas. Cenários. Design. Infeliz.
Um livro fascinante.
MOMENTS THAT MADE MOVIES- DAVID THOMSON
Com a morte de Pauline Kael, Thomson é considerado o melhor critico de cinema vivo. Mais que isso, ele é considerado um grande escritor. Seu texto é elogiado por gente como Michael Ondaatje e Benjamin Schwartz. Já lançou livros sobre E O Vento Levou, A História de David O. Selznick e um dicionário sobre filmes que poucos viram. Aqui, em livro rico em fotos, ele traça um panorama das cenas que o impactaram em filmes. Deixa claro, como qualquer pessoa séria faria, de que não são as melhores ou as mais importantes cena, são aquelas que ele sentiu vontade de escrever sobre neste momento. O que não impede que muitas delas sejam as melhores, claro.
Existem textos excelentes sobre RASTROS DE ÓDIO, AURORA, M, A CARTA, THE RED SHOES E THE RIVER. O diretor com mais filmes é Hitchcock, com 3, e não há nada de Woody Allen, Clint Eastwood, Almodovar ou Spielberg. Os maiores elogios são para Tokyo Story de Ozu, mas ele tembém se esparrama em odes soberbas a A RODA DA FORTUNA e O PASSAGEIRO. Aliás, cometi um erro, Antonioni tem O ECLIPSE, BLOW UP e O PASSAGEIRO. Três como Hitch.
A lista é deliciosa, e ela me faz tentar uma lista também ( na verdade mais de uma )...
FILMES MAIS ALEGRES, aqueles que te tiram de qualquer deprê mata monstro
SETE NOIVAS PARA SETE IRMÃOS de Stanley Donen
SHALL WE DANCE! de Mark Sandrich
HATARI! de Howard Hawks
LEVADA DA BRECA de Hawks
AS FÉRIAS DE MONSIEUR HULOT de Jacques Tati
NO HOTEL DA FUZARCA de Irmãos Marx
AFRICAN QUEEN de John Huston
INTRIGA INTERNACIONAL de Hitchcock
BEIJOS ROUBADOS de Truffaut
Vale aqui repetir o que diz Thomson, o século XXI não sabe mais fazer filmes alegres. Existem engraçados, irados, tristes e desesperados, mas não alegres.
FILMES MAIS TRISTES, todo filme ruim é triste, principalmente quando ele se acha genial. O que falo aqui são so tristes E geniais. Mas todos devem ser evitados pelos deprê.
UMBERTO D de Vittorio de Sica
O INTENDENTE SANCHO de Kenji Mizoguchi
GRITOS E SUSSURROS de Ingmar Bergman
VIVER! de Kurosawa
UM BONDE CHAMADO DESEJO de Elia Kazan
STALKER de Tarkovski
LADRÕES DE BICICLETAS de Vittorio de Sica
PARIS TEXAS de Wim Wenders
HIROSHIMA de Alain Resnais
O RETRATO DE JENNIE de William Dieterle
FILMES MAIS CHICS, são aqueles que dão aulas de etiqueta, de glamour, de ambiente. Festa para os olhos, mas também para os ouvidos. E são sempre muito inteligentes!
FUNNY FACE de Stanley Donen
ALTA SOCIEDADE de Charles Walters
MY FAIR LADY de George Cukor
CHARADA de Stanley Donen
ROMAN HOLIDAY de William Wyler
RED SHOES de Michael Powell
ORFEU de Jean Cocteau
O SOL POR TESTEMUNHA de René Clement
LIGAÇÕES PERIGOSAS de Stephen Frears
INTRIGA INTERNACIONAL de Hitchcock
OS FILMES MAIS BONITOS DE SE OLHAR. Acho que não preciso explicar.
AURORA de Murnau
L ATALANTE de Jean Vigo
O ROSTO de Ingmar Bergman
...E O VENTO LEVOU de Victor Fleming
OITO E MEIO de Fellini
MADAME DE... de Max Ophuls
RAN de Kurosawa
THE RIGHT STUFF de Philip Kauffman
CONTOS DE HOFFMAN de Michael Powell
O BOULEVAR DO CRIME de Marcel Carné
OS MAIS ERÓTICOS. Não os mais pornôs, pois ponografia é empaturramento e erotismo é ser um gourmet.
O filme mais erótico que já vi não tem uma cena de nú. é JUVENTUDE, de Bergman.
Os demais...
A CHAVE de Tinto Brass
WHAT? de Roman Polanski
HISTÓRIAS QUE NOSSAS BABÁS NÃO CONTAVAM com Adele Fátima
MEMÓRIAS DE CASANOVA de Luigi Comencini
PECADO VENIAL com Laura Antonelli
RIO BABILÔNIA de Neville Dalmeida
Qualquer filme com a jovem Jessica Lange.
ARIELLA com Nicole Puzzi
Qualquer filme com a jovem Ludivine Sagnier
Claro que todas essas listas podem mudar. Mas algumas escolhas são para sempre. Como diz Thomson, o cinema é uma janela para fora que reflete aquilo que vive dentro. Um espelho. Falar de um filme é revelar quem voce é e aquilo para onde voce vai.
Existem textos excelentes sobre RASTROS DE ÓDIO, AURORA, M, A CARTA, THE RED SHOES E THE RIVER. O diretor com mais filmes é Hitchcock, com 3, e não há nada de Woody Allen, Clint Eastwood, Almodovar ou Spielberg. Os maiores elogios são para Tokyo Story de Ozu, mas ele tembém se esparrama em odes soberbas a A RODA DA FORTUNA e O PASSAGEIRO. Aliás, cometi um erro, Antonioni tem O ECLIPSE, BLOW UP e O PASSAGEIRO. Três como Hitch.
A lista é deliciosa, e ela me faz tentar uma lista também ( na verdade mais de uma )...
FILMES MAIS ALEGRES, aqueles que te tiram de qualquer deprê mata monstro
SETE NOIVAS PARA SETE IRMÃOS de Stanley Donen
SHALL WE DANCE! de Mark Sandrich
HATARI! de Howard Hawks
LEVADA DA BRECA de Hawks
AS FÉRIAS DE MONSIEUR HULOT de Jacques Tati
NO HOTEL DA FUZARCA de Irmãos Marx
AFRICAN QUEEN de John Huston
INTRIGA INTERNACIONAL de Hitchcock
BEIJOS ROUBADOS de Truffaut
Vale aqui repetir o que diz Thomson, o século XXI não sabe mais fazer filmes alegres. Existem engraçados, irados, tristes e desesperados, mas não alegres.
FILMES MAIS TRISTES, todo filme ruim é triste, principalmente quando ele se acha genial. O que falo aqui são so tristes E geniais. Mas todos devem ser evitados pelos deprê.
UMBERTO D de Vittorio de Sica
O INTENDENTE SANCHO de Kenji Mizoguchi
GRITOS E SUSSURROS de Ingmar Bergman
VIVER! de Kurosawa
UM BONDE CHAMADO DESEJO de Elia Kazan
STALKER de Tarkovski
LADRÕES DE BICICLETAS de Vittorio de Sica
PARIS TEXAS de Wim Wenders
HIROSHIMA de Alain Resnais
O RETRATO DE JENNIE de William Dieterle
FILMES MAIS CHICS, são aqueles que dão aulas de etiqueta, de glamour, de ambiente. Festa para os olhos, mas também para os ouvidos. E são sempre muito inteligentes!
FUNNY FACE de Stanley Donen
ALTA SOCIEDADE de Charles Walters
MY FAIR LADY de George Cukor
CHARADA de Stanley Donen
ROMAN HOLIDAY de William Wyler
RED SHOES de Michael Powell
ORFEU de Jean Cocteau
O SOL POR TESTEMUNHA de René Clement
LIGAÇÕES PERIGOSAS de Stephen Frears
INTRIGA INTERNACIONAL de Hitchcock
OS FILMES MAIS BONITOS DE SE OLHAR. Acho que não preciso explicar.
AURORA de Murnau
L ATALANTE de Jean Vigo
O ROSTO de Ingmar Bergman
...E O VENTO LEVOU de Victor Fleming
OITO E MEIO de Fellini
MADAME DE... de Max Ophuls
RAN de Kurosawa
THE RIGHT STUFF de Philip Kauffman
CONTOS DE HOFFMAN de Michael Powell
O BOULEVAR DO CRIME de Marcel Carné
OS MAIS ERÓTICOS. Não os mais pornôs, pois ponografia é empaturramento e erotismo é ser um gourmet.
O filme mais erótico que já vi não tem uma cena de nú. é JUVENTUDE, de Bergman.
Os demais...
A CHAVE de Tinto Brass
WHAT? de Roman Polanski
HISTÓRIAS QUE NOSSAS BABÁS NÃO CONTAVAM com Adele Fátima
MEMÓRIAS DE CASANOVA de Luigi Comencini
PECADO VENIAL com Laura Antonelli
RIO BABILÔNIA de Neville Dalmeida
Qualquer filme com a jovem Jessica Lange.
ARIELLA com Nicole Puzzi
Qualquer filme com a jovem Ludivine Sagnier
Claro que todas essas listas podem mudar. Mas algumas escolhas são para sempre. Como diz Thomson, o cinema é uma janela para fora que reflete aquilo que vive dentro. Um espelho. Falar de um filme é revelar quem voce é e aquilo para onde voce vai.
FAZ CALOR
Alguns dias de calor excessivo e toda a nossa vida se modifica. O ar-condicionado, a irritação aumentando, a água acabando, a geladeira cheia, as roupas suadas, os banhos a mais. Dormir fica dificil. Somos bichos frágeis, é fácil nos deixar em miséria, um pequeno desequilibrio e tudo muda.
E se tivermos dois anos seguidos de seca? E se cada um dos verões, de agora para sempre, forem cada vez mais quentes? Ora, desde 1943 não era tão quente! Em 1943 foi quente como agora, pois! Mas se a gente pegar os dez verões mais quentes nos últimos cem anos, nove são de 1990 pra cá. Daí a coisa pega. Sim, o clima muda e a culpa não é toda nossa. Precisamos de 20 graus, e com pouco mais, pouco menos já ficamos no desconforto. Nosso mundo de 20 graus existe a pouco tempo, e ele tem um momento para acabar. Nossa culpa é estarmos apressando o processo, que é irreversível. Nossa culpa é não unir esforços para adiar a coisa.
Entenda, não é exatamente que o mundo vá acabar. Na idade média ele era bem mais frio e mesmo assim a coisa andou. O que deve acontecer é que as regiões habitáveis vão diminuir. Muito instável ao norte e muito quente ao centro. E um monte de plantas, corais, peixes, anfibios irão pras cucuias. A cultura do trigo tende a cair, assim como a cevada, o centeio e a aveia. Pão de soja é o futuro. E milho. Espero que desistam da carne, afinal.
A gente faz o possível para ignorar mas precisamos de um ambiente muito bem protegido. Tá calor pacas! E eu bebo água e me irrito fácil. E de madrugada espero esfriar para poder dormir.
Chegue logo inverno e me dê o conforto de seus vinte graus.
E se tivermos dois anos seguidos de seca? E se cada um dos verões, de agora para sempre, forem cada vez mais quentes? Ora, desde 1943 não era tão quente! Em 1943 foi quente como agora, pois! Mas se a gente pegar os dez verões mais quentes nos últimos cem anos, nove são de 1990 pra cá. Daí a coisa pega. Sim, o clima muda e a culpa não é toda nossa. Precisamos de 20 graus, e com pouco mais, pouco menos já ficamos no desconforto. Nosso mundo de 20 graus existe a pouco tempo, e ele tem um momento para acabar. Nossa culpa é estarmos apressando o processo, que é irreversível. Nossa culpa é não unir esforços para adiar a coisa.
Entenda, não é exatamente que o mundo vá acabar. Na idade média ele era bem mais frio e mesmo assim a coisa andou. O que deve acontecer é que as regiões habitáveis vão diminuir. Muito instável ao norte e muito quente ao centro. E um monte de plantas, corais, peixes, anfibios irão pras cucuias. A cultura do trigo tende a cair, assim como a cevada, o centeio e a aveia. Pão de soja é o futuro. E milho. Espero que desistam da carne, afinal.
A gente faz o possível para ignorar mas precisamos de um ambiente muito bem protegido. Tá calor pacas! E eu bebo água e me irrito fácil. E de madrugada espero esfriar para poder dormir.
Chegue logo inverno e me dê o conforto de seus vinte graus.
BROTHER, FILMES FOFOS E PEANUTS
Não falo com meu irmão desde 1984. Tempo pacas! Mas como fomos muito próximos por toda a infância e adolescência ( a biológica, a mental nunca termina ), ele acertou na mosca com os presentes que me trouxe dos EUA. Botas de alpinista, um livro sobre cinema e este que agora comento.
Sempre percebi que Charlie Brown foi o primeiro Woody Allen, e o primeiro Catcher in The Rye tambe'm. O modo como ele fala com a gente e se relaciona com o mundo foi o molde onde se ajustou o estilo de toda uma generation de moleques-adultos mal ajustados. Ao contrario dos filhos de Dylan, os filhos de Charlie Brown eram muito mais timidos, melancolicos e pateticos. ( Sem acentos, tem um defeito nesta maquina maldita que uso para ESCREVER).
Snoopy era amado pelos hippies, mas hippies nada tem de Snoopy. Os caras de SanFran fizeram uma patetada e acharam que Snoopy viajava de LSD quando pensava ser o Red Baron ou um legionario. Snoopy na verdade faz o papel da sanidade, da criatividade.
E chegamos a 2014. E depois de ver o novo filme de Spike Jonze noto que TODOS os caras e mocinhas melancolicos dos filmes de Sofia, Spike e vasto etc descendem de Linus e seu cobertor. Desamparados, profundamente inseguros e muito fofos. Esperimente ler qualquer tira de Linus escutando qualquer musiquinha de qualquer filme triste de hoje. Bingo!
Peanuts foi criado por um genio chamado Charles M. Schulz. Eles mudaram o mundo para sempre. A industria cultural via jornais e depois cinema moldaram tudo aquilo que entendemos por mentalidade contemporanea. Livros ou teatro foram postos de lado. Snoopy era lido em todo o mundo por 4 decadas. E mais TV e cinema. Botou pra fora a melancolia sublime que vive na infancia. Se leitores de romances ingleses sabiam disso desde sempre, o brasileiro do Rio ou o caipira de Iowa descobriu isso com Schulz. A neurose woodyalleniana de Charlie Brown, a fofura de Linus ou os delirios de Snoopy entraram no nosso pensamento, em nossos gostos e se fizeram muito intimos de todos.
Este livro, imensa coletanea de tiras de 1958 a 1969 deve ser tratado como aquilo que deve ser: uma das vigas do seculo XX.
Sempre percebi que Charlie Brown foi o primeiro Woody Allen, e o primeiro Catcher in The Rye tambe'm. O modo como ele fala com a gente e se relaciona com o mundo foi o molde onde se ajustou o estilo de toda uma generation de moleques-adultos mal ajustados. Ao contrario dos filhos de Dylan, os filhos de Charlie Brown eram muito mais timidos, melancolicos e pateticos. ( Sem acentos, tem um defeito nesta maquina maldita que uso para ESCREVER).
Snoopy era amado pelos hippies, mas hippies nada tem de Snoopy. Os caras de SanFran fizeram uma patetada e acharam que Snoopy viajava de LSD quando pensava ser o Red Baron ou um legionario. Snoopy na verdade faz o papel da sanidade, da criatividade.
E chegamos a 2014. E depois de ver o novo filme de Spike Jonze noto que TODOS os caras e mocinhas melancolicos dos filmes de Sofia, Spike e vasto etc descendem de Linus e seu cobertor. Desamparados, profundamente inseguros e muito fofos. Esperimente ler qualquer tira de Linus escutando qualquer musiquinha de qualquer filme triste de hoje. Bingo!
Peanuts foi criado por um genio chamado Charles M. Schulz. Eles mudaram o mundo para sempre. A industria cultural via jornais e depois cinema moldaram tudo aquilo que entendemos por mentalidade contemporanea. Livros ou teatro foram postos de lado. Snoopy era lido em todo o mundo por 4 decadas. E mais TV e cinema. Botou pra fora a melancolia sublime que vive na infancia. Se leitores de romances ingleses sabiam disso desde sempre, o brasileiro do Rio ou o caipira de Iowa descobriu isso com Schulz. A neurose woodyalleniana de Charlie Brown, a fofura de Linus ou os delirios de Snoopy entraram no nosso pensamento, em nossos gostos e se fizeram muito intimos de todos.
Este livro, imensa coletanea de tiras de 1958 a 1969 deve ser tratado como aquilo que deve ser: uma das vigas do seculo XX.
HER, UM FILME INCOMPLETO DE SPIKE JONZE
Um computador super-desenvolvido adquire sentimentos humanos e resolve destruir os humanos e alcançar a imortalidade. Isso é 2001.
Um cara se apaixona por uma cabra, mas eles não podem viver juntos. Isso é Woody Allen.
Um robot cria sentimentos e sofre por não ter mãe, por não ter história e afinal, por não poder morrer. Isso é AI.
Mas o que mais interessa: anjos acompanham os humanos em Berlin e ao se apaixonar, um deles sonha em ter um corpo.
Tudo isso está em mais um filme de Spike Jonze, diretor que faz filmes que desejam ser tão originais que acabam sendo sempre iguais. A primeira cena, no trabalho do personagem de Joaquim Phoenix, em que várias vozes se misturam narrando as cartas que escrevem, cita diretamente a obra-prima de Wim Wenders ( a perturbadora cena na biblioteca ). Outras cenas virão. As ruas aqui são como as de Berlin, só que não. Se Wenders é um brilhante humanista alemão, que deixa sua obra cheia de significados e de pistas, e consegue triunfalmente deixar as portas abertas para inúmeras interpretações, aqui, mais uma vez, Spike se dá um trabalho muito além de sua capacidade intelectual. Óbvio que o filme foi escrito sob o impacto do filme do alemão. É fácil ver Spike o revendo em blu-ray e indo dormir com a mente fertilizada. Obras-primas são assim, trazem ideias. Mas o problema neste filme é sua infantilidade, problema aliás que mata todo o filme.
A não ser que tudo seja uma comédia!!! Tenho em minhas aulas percebido que inúmeros artistas produzem comédias que nós acabamos por levar a sério. Kafka era assim. Beckett também. Há uma cena em que Phoenix e a voz transam no escuro. E Gozam. É hilária ( apesar que acho que os meninos vão levar a sério todo o filme, como levaram a "Horror chanchada" Cisne Negro a sério ). Well...quando eles gozam dá pra esperar por Je T Àime com o gozo de Jane Birkin entrando na trilha. É brega pacas! Vemos então que o filme é nada mais que TED, O Urso Maconheiro levado em tom de "filme de arte".
Todas as falas de Scarlett são risiveis em seu discurso tipo novela das oito. Ora, dá um tempo!! Que me importa esse Groucho Marx com prisão de ventre amando sua ovelha eletrônica?
A carta que Phoenix manda a ex-esposa, na óbvia cena final, beira a caricatura. So What?
Faça uma experiência: tire a trilha sonora ( Brian Eno de quinta categoria ) e coloque Lionel Hampton. O filme irá mostrar sua verdadeira cara.
O tema da virtualidade é o mais sério de nosso tempo. A revolução é tão braba que o mundo de 2005 já parece ancestral. Mas ficar aqui, acompanhando as fotinhas, as frasezinhas, o dia a diazinho de um tonto e sua namoradinha silly...please!
Spike Jonze tem grandes ideias. O problema é que ele nunca consegue as levar adiante e fica andando em circulos. Cansa. E as vezes sinto que seu nivel mental ainda é o de um garoto, brilhante, mas com 12 anos de idade.
PS Veja 30 minutos de Asas do Desejo e este em seguida. Voce sentirá com uma força terrível o contraste.
Um cara se apaixona por uma cabra, mas eles não podem viver juntos. Isso é Woody Allen.
Um robot cria sentimentos e sofre por não ter mãe, por não ter história e afinal, por não poder morrer. Isso é AI.
Mas o que mais interessa: anjos acompanham os humanos em Berlin e ao se apaixonar, um deles sonha em ter um corpo.
Tudo isso está em mais um filme de Spike Jonze, diretor que faz filmes que desejam ser tão originais que acabam sendo sempre iguais. A primeira cena, no trabalho do personagem de Joaquim Phoenix, em que várias vozes se misturam narrando as cartas que escrevem, cita diretamente a obra-prima de Wim Wenders ( a perturbadora cena na biblioteca ). Outras cenas virão. As ruas aqui são como as de Berlin, só que não. Se Wenders é um brilhante humanista alemão, que deixa sua obra cheia de significados e de pistas, e consegue triunfalmente deixar as portas abertas para inúmeras interpretações, aqui, mais uma vez, Spike se dá um trabalho muito além de sua capacidade intelectual. Óbvio que o filme foi escrito sob o impacto do filme do alemão. É fácil ver Spike o revendo em blu-ray e indo dormir com a mente fertilizada. Obras-primas são assim, trazem ideias. Mas o problema neste filme é sua infantilidade, problema aliás que mata todo o filme.
A não ser que tudo seja uma comédia!!! Tenho em minhas aulas percebido que inúmeros artistas produzem comédias que nós acabamos por levar a sério. Kafka era assim. Beckett também. Há uma cena em que Phoenix e a voz transam no escuro. E Gozam. É hilária ( apesar que acho que os meninos vão levar a sério todo o filme, como levaram a "Horror chanchada" Cisne Negro a sério ). Well...quando eles gozam dá pra esperar por Je T Àime com o gozo de Jane Birkin entrando na trilha. É brega pacas! Vemos então que o filme é nada mais que TED, O Urso Maconheiro levado em tom de "filme de arte".
Todas as falas de Scarlett são risiveis em seu discurso tipo novela das oito. Ora, dá um tempo!! Que me importa esse Groucho Marx com prisão de ventre amando sua ovelha eletrônica?
A carta que Phoenix manda a ex-esposa, na óbvia cena final, beira a caricatura. So What?
Faça uma experiência: tire a trilha sonora ( Brian Eno de quinta categoria ) e coloque Lionel Hampton. O filme irá mostrar sua verdadeira cara.
O tema da virtualidade é o mais sério de nosso tempo. A revolução é tão braba que o mundo de 2005 já parece ancestral. Mas ficar aqui, acompanhando as fotinhas, as frasezinhas, o dia a diazinho de um tonto e sua namoradinha silly...please!
Spike Jonze tem grandes ideias. O problema é que ele nunca consegue as levar adiante e fica andando em circulos. Cansa. E as vezes sinto que seu nivel mental ainda é o de um garoto, brilhante, mas com 12 anos de idade.
PS Veja 30 minutos de Asas do Desejo e este em seguida. Voce sentirá com uma força terrível o contraste.
RUSH/ WONG KAR WAI/ AZUL/ LOSEY/ ANGELOPOULOS
FAMILIA DO BAGULHO de Hawson Marshal Thurber com Jennifer Anniston e Jason Sudeikis
Jennifer está cada vez mais linda. Aqui ela faz uma striper que finge ser esposa de um pequeno traficante que pega uma grande missão no Mexico. O filme é previsível, mas tem ritmo, atores ok e Jennifer. Nota 5.
FLASH GORDON de Mike Hodges com Sam Jones, Ornela Mutti e Max Von Sydow
Um cult do trash. Tem um dos piores roteiros de todos os tempos, uma trilha sonora tola e um ator que não consegue atuar. E a bela Mutti e o bergmaniano Max sendo o vilão ( Max nunca escolhe filme, até hoje pega o que vem ). É o pior filme de HQ? A concorrência é forte ( Hulk, Demolidor, Capitão América, Sheenah ). Tentei ver com bom humor, não rola.
RUSH de Ron Howard com Chris Hemsworth, Daniel Bruhl e Olivia Willians
Escrevi sobre ele abaixo. Uma ótima diversão com tinturas de drama que nos envolve, seduz e emociona. Mathew MacCornaghy sempre foi bom ator, desde Dazed and Confused e incluindo as comédias pop. Pois saibam que o Thor, Chris Hemsworth é um bom ator. O primeiro Thor já deu uma pincelada em seu talento e aqui ele emociona. É um adorável James Hunt. Estou com vontade de ver de novo! Ron Howard, ator em American Graffitti é um diretor a moda antiga, pouco vaidoso, dirige em função da história. Nota 8.
RIDDICK 3 de David Twohy com Vin Diesel
O mundo é o de um deserto amarelo e brumoso. Vin enfrenta monstros e gente monstruosa. O filme é bobo, ralo, sem nada, o clima é bom e há horror autêntico. Twohy tem talento, mas desperdiça sua carreira. 2.
A ESPIÃ QUE VEIO DO CÉU de Leslie H. Martinson com Raquel Welch e Tony Franciosa
Um daqueles super bobinhos filmes dos anos 60 que passavam direto na velha TV Record. Raquel, uma gata, é mostrada de bikini ( wow ) a toda hora. A trama, incompreensível e sem sentido, tenta ser esperta, moderninha, groovy. O filme nos distrai...do próprio filme. Nota 2.
CERIMONIA SECRETA de Joseph Losey com Elizabeth Taylor, Mia Farrow e Robert Mitchum
Losey foi um graaaande diretor! O cara fez O Mensageiro! E excelentes filmes pequenos na Inglaterra de 58/64. Mas por volta de 67/69 ele fez 3 filmes metidos a arte que são lindos de ver mas que nada dizem. Mia Farrow é uma doida que usa Taylor como mãe de faz de conta. O filme nos leva a mente de uma psico e a coisa é barroca, exagerada. Taylor só posa, não tem nada aqui a sua altura. Farrow dá medo! Eu tenho muito medo de Mia Farrow. Nota 3.
O GRANDE MESTRE de Wong Kar Wai com Tony Leung e Ziyi Zhang
Os closes de Wong se justificam, são lindos. Ninguém filma casais apaixonados como ele no cinema de agora. Este filme abusa da beleza, depois de hora e meia estamos exaustos. Mas é hipnótico. Sou fã dos filmes de Kung Fu e Wai sabe filmar golpes e movimentos, e ainda injetar lirismo amoroso na ação. É um épico histórico discreto em nota pianíssimo. Mas é longo, muito longo...Nota 7.
A ÚLTIMA VIAGEM A VEGAS de Jon TTurteltaub com Michael Douglas, Kevin Kline, Morgan Freeman, Robert de Niro e Mary Steenburgen
Amigos velhos se reencontram em Vegas para a despedida de solteiro de Douglas ( que pra variar é um playboy ). O roteiro é preguiçoso, nada acontece de inesperado. É um filme gracinha para uma geração amarga. Não combina. Há uma certa moda de filmes para gente madura. A princípio essa é uma ótima nova, mas não se eles tiverem de fazer filmes teen em que a única diferença são as rugas. Porque não colocaram Morgan no papel de Douglas? De qualquer modo o filme é digno e tem um ótimo De Niro e um simpático Kline ( que não é da geração deles!!! ) Algumas boas piadas. Nota 5.
A ETERNIDADE E UM DIA de Theo Angelopoulos com Bruno Ganz
Não dá, Theo é o diretor mais lento que há.
THANKS FOR SHARING ( UMA BOA DOSE DE SEXO ) de Stuart Blumberg com Mark Ruffallo, Tim Robbins, Gwyneth Paltrow.
Como alguém consegue fazer um filme tão babaca? Um bando de caras que foram viciados em sexo. E sua vidinha cinzinha e tristinha. Argh!! Se voce quiser saber o que considero o pior cinema existente veja isso. É pretensioso, infantil, auto-referente, masturbatório e muito óbvio. ZERO
AZUL É A COR MAIS QUENTE de Mechiche
Quer ver duas teens na cama? Quer se sentir parte do hype GLS ? Este filme óbvio ( que vá lá, daria um bom curta ) mostra a falência da crítica atual. Ele é ruim? Claro que não! Mas todo esse bla bla bla? É um filme banal. Nota 3.
Jennifer está cada vez mais linda. Aqui ela faz uma striper que finge ser esposa de um pequeno traficante que pega uma grande missão no Mexico. O filme é previsível, mas tem ritmo, atores ok e Jennifer. Nota 5.
FLASH GORDON de Mike Hodges com Sam Jones, Ornela Mutti e Max Von Sydow
Um cult do trash. Tem um dos piores roteiros de todos os tempos, uma trilha sonora tola e um ator que não consegue atuar. E a bela Mutti e o bergmaniano Max sendo o vilão ( Max nunca escolhe filme, até hoje pega o que vem ). É o pior filme de HQ? A concorrência é forte ( Hulk, Demolidor, Capitão América, Sheenah ). Tentei ver com bom humor, não rola.
RUSH de Ron Howard com Chris Hemsworth, Daniel Bruhl e Olivia Willians
Escrevi sobre ele abaixo. Uma ótima diversão com tinturas de drama que nos envolve, seduz e emociona. Mathew MacCornaghy sempre foi bom ator, desde Dazed and Confused e incluindo as comédias pop. Pois saibam que o Thor, Chris Hemsworth é um bom ator. O primeiro Thor já deu uma pincelada em seu talento e aqui ele emociona. É um adorável James Hunt. Estou com vontade de ver de novo! Ron Howard, ator em American Graffitti é um diretor a moda antiga, pouco vaidoso, dirige em função da história. Nota 8.
RIDDICK 3 de David Twohy com Vin Diesel
O mundo é o de um deserto amarelo e brumoso. Vin enfrenta monstros e gente monstruosa. O filme é bobo, ralo, sem nada, o clima é bom e há horror autêntico. Twohy tem talento, mas desperdiça sua carreira. 2.
A ESPIÃ QUE VEIO DO CÉU de Leslie H. Martinson com Raquel Welch e Tony Franciosa
Um daqueles super bobinhos filmes dos anos 60 que passavam direto na velha TV Record. Raquel, uma gata, é mostrada de bikini ( wow ) a toda hora. A trama, incompreensível e sem sentido, tenta ser esperta, moderninha, groovy. O filme nos distrai...do próprio filme. Nota 2.
CERIMONIA SECRETA de Joseph Losey com Elizabeth Taylor, Mia Farrow e Robert Mitchum
Losey foi um graaaande diretor! O cara fez O Mensageiro! E excelentes filmes pequenos na Inglaterra de 58/64. Mas por volta de 67/69 ele fez 3 filmes metidos a arte que são lindos de ver mas que nada dizem. Mia Farrow é uma doida que usa Taylor como mãe de faz de conta. O filme nos leva a mente de uma psico e a coisa é barroca, exagerada. Taylor só posa, não tem nada aqui a sua altura. Farrow dá medo! Eu tenho muito medo de Mia Farrow. Nota 3.
O GRANDE MESTRE de Wong Kar Wai com Tony Leung e Ziyi Zhang
Os closes de Wong se justificam, são lindos. Ninguém filma casais apaixonados como ele no cinema de agora. Este filme abusa da beleza, depois de hora e meia estamos exaustos. Mas é hipnótico. Sou fã dos filmes de Kung Fu e Wai sabe filmar golpes e movimentos, e ainda injetar lirismo amoroso na ação. É um épico histórico discreto em nota pianíssimo. Mas é longo, muito longo...Nota 7.
A ÚLTIMA VIAGEM A VEGAS de Jon TTurteltaub com Michael Douglas, Kevin Kline, Morgan Freeman, Robert de Niro e Mary Steenburgen
Amigos velhos se reencontram em Vegas para a despedida de solteiro de Douglas ( que pra variar é um playboy ). O roteiro é preguiçoso, nada acontece de inesperado. É um filme gracinha para uma geração amarga. Não combina. Há uma certa moda de filmes para gente madura. A princípio essa é uma ótima nova, mas não se eles tiverem de fazer filmes teen em que a única diferença são as rugas. Porque não colocaram Morgan no papel de Douglas? De qualquer modo o filme é digno e tem um ótimo De Niro e um simpático Kline ( que não é da geração deles!!! ) Algumas boas piadas. Nota 5.
A ETERNIDADE E UM DIA de Theo Angelopoulos com Bruno Ganz
Não dá, Theo é o diretor mais lento que há.
THANKS FOR SHARING ( UMA BOA DOSE DE SEXO ) de Stuart Blumberg com Mark Ruffallo, Tim Robbins, Gwyneth Paltrow.
Como alguém consegue fazer um filme tão babaca? Um bando de caras que foram viciados em sexo. E sua vidinha cinzinha e tristinha. Argh!! Se voce quiser saber o que considero o pior cinema existente veja isso. É pretensioso, infantil, auto-referente, masturbatório e muito óbvio. ZERO
AZUL É A COR MAIS QUENTE de Mechiche
Quer ver duas teens na cama? Quer se sentir parte do hype GLS ? Este filme óbvio ( que vá lá, daria um bom curta ) mostra a falência da crítica atual. Ele é ruim? Claro que não! Mas todo esse bla bla bla? É um filme banal. Nota 3.
LANTERNA MAGICA- AUTOBIOGRAFIA DE INGMAR BERGMAN, NO FIO DA NAVALHA
Bergman mal fala de cinema. E nunca se coloca como algo acima do competente. Então o que ele fala? Que odiava o pai por seu rigor, que odiava a mãe por sua frieza, ele conta que tentou matar o irmão quando era criança, depois quase assassinou a irmã e esbofeteou o pai antes de sair de casa. Tudo descrito com detalhes. Não é uma leitura agradável e Bergman nada tem de simpático. Mulherengo, abandona suas esposas e mal percebia a presença dos filhos. Como todo problemático, Bergman é completamente um umbigo. Ele fala de suas dores, seus erros, suas falhas, seus traumas. E cansa. Cansa sua falta de humor, cansa o modo como ele ignora tudo aquilo que desejamos saber. Ele fala muito de sua carreira no teatro. Que não é exatamente aquilo que aqui no Brasil mais sabemos sobre Bergman.
Claro, Bergman escreve bem, e algumas descrições são soberbas. Assim como o modo, pena que breve, em que ele descreve o cinema de Tarkovski, Kurosawa, Bunuel e Fellini ( diretores que filmam como em sonho ). Mas o livro frustra quem como eu tem amor por seu cinema. Ele se mostra um homem frio, rigido, como ele mesmo diz: um sueco.
O que salta das folhas escritas em ritmo de montagem: a enorme influencia que seu modo radical de ver a vida teve sobre diretores, de Woody Allen, que escreve um belo texto introdutor, a Von Trier. Mas Ingmar foi o criador. Seu cinema dura para sempre. Mas lendo este livro sinto o quanto deve ter sido duro viver a vida de Bergman, e sorrio sentindo saudades dos livros de Huston ou de Wilder, autores que conseguem sair de seu casulo e se anular em favor de uma historia.
Estranho, amo muito os filmes de Bergman, mas nunca o ser Bergman.
Claro, Bergman escreve bem, e algumas descrições são soberbas. Assim como o modo, pena que breve, em que ele descreve o cinema de Tarkovski, Kurosawa, Bunuel e Fellini ( diretores que filmam como em sonho ). Mas o livro frustra quem como eu tem amor por seu cinema. Ele se mostra um homem frio, rigido, como ele mesmo diz: um sueco.
O que salta das folhas escritas em ritmo de montagem: a enorme influencia que seu modo radical de ver a vida teve sobre diretores, de Woody Allen, que escreve um belo texto introdutor, a Von Trier. Mas Ingmar foi o criador. Seu cinema dura para sempre. Mas lendo este livro sinto o quanto deve ter sido duro viver a vida de Bergman, e sorrio sentindo saudades dos livros de Huston ou de Wilder, autores que conseguem sair de seu casulo e se anular em favor de uma historia.
Estranho, amo muito os filmes de Bergman, mas nunca o ser Bergman.
O QUE AMA O AMOR
Ela salvou minha vida. Foi em 1988. Naquele primeiro momento em que a vi aconteceu aquilo que hoje, machucado, não mais sei o que seja, paixão a primeira vista. Olhei os cabelos ruivos e o rosto claro, o nariz espanhol, empinado, e o jeito de quem não sabe para onde está indo, e imediatamente comecei a sonhar.
Eu vinha de um tempo duro, onde cada dia era uma decisão, medo presente em toda noite, e ao sentir por ela o que eu sentia, a vida se transformou. Havia um motivo na dor, conhecê-la e salvá-la.
A aproximação foi lenta, foi um longo inverno de blusas brancas e de corredores gelados, até que na primavera nos tornamos amigos. Ela tinha um compromisso e para ela todo o compromisso era sério. Mas alguma coisa se abria e nós ficávamos horas falando. Eu queria a proteger porque assim, eu sempre soube, eu me salvaria. E ela aceitava tímida, e tudo em nós era tateante, delicado, quase ao ponto de se partir. Criávamos um irrealidade que nos absolvia.
Mas eu me cansei e ela percebeu e sentiu. Saí do sonho e comecei a ficar mais sólido, estúpido até. Magoada, ela foi. Eu a ignorava.
Ontem eu a revi. Após décadas lá estava ela, e a primeira coisa que eu vi foi seu cabelo, de novo. Magra, menos frágil, após anos vivendo em Barcelona, ela visita o país e continua não gostando do que vê.
Alívio. Vê-la é um alivio e conversamos horas, como se as últimas décadas tivessem sido outra vida e esta vida, dela, fosse contínua e sem tempo. Estar com ela é certo. É bom. Falamos de tudo, falamos do mundo, de bichos, de língua, de sempre. Casada a 20 anos, ela continua séria, correta e com alguma coisa que tateia. Eu ainda quero a proteger.
Dói se separar. A dor que acontecia todo dia ainda está viva hoje, quem diria, em 2014. Melhor se virar logo e andar...Mas me preocupo, ela estará bem?
É um tipo de amor. Ou melhor, é amor.
1988 foi importante pra mim. Foi quando descobri Yeats e a coisa celta, Chet Baker, Espanha e Chagall. Brideshead. Muito interiorizado, foi dos anos mais solitários e dos que mais escrevi. E foi o ano dessa menina, agora mulher, que vejo diante de mim. A vida que ela planejou ela viveu. Mora onde quis, trabalha com o que desejou e não foi mãe, algo que ela também pedia a vida. Eu tive o que pude.
A voz dela se altera na hora de partir. E vejo, mais uma vez, o quanto o amor ama a dificuldade, o quanto ele pede por obstáculos possíveis, mas sempre obstáculos, o quanto ele ama adiamentos, mal entendidos, espinhos, lutas, e reencontros. O amor ama o que pode ser, talvez seja, foi...O amor se enfada com o certo, correto e conforme.
Ela se volta e a voz fica diferente...E eu me afasto com a mesma dor de 1988.
Eu vinha de um tempo duro, onde cada dia era uma decisão, medo presente em toda noite, e ao sentir por ela o que eu sentia, a vida se transformou. Havia um motivo na dor, conhecê-la e salvá-la.
A aproximação foi lenta, foi um longo inverno de blusas brancas e de corredores gelados, até que na primavera nos tornamos amigos. Ela tinha um compromisso e para ela todo o compromisso era sério. Mas alguma coisa se abria e nós ficávamos horas falando. Eu queria a proteger porque assim, eu sempre soube, eu me salvaria. E ela aceitava tímida, e tudo em nós era tateante, delicado, quase ao ponto de se partir. Criávamos um irrealidade que nos absolvia.
Mas eu me cansei e ela percebeu e sentiu. Saí do sonho e comecei a ficar mais sólido, estúpido até. Magoada, ela foi. Eu a ignorava.
Ontem eu a revi. Após décadas lá estava ela, e a primeira coisa que eu vi foi seu cabelo, de novo. Magra, menos frágil, após anos vivendo em Barcelona, ela visita o país e continua não gostando do que vê.
Alívio. Vê-la é um alivio e conversamos horas, como se as últimas décadas tivessem sido outra vida e esta vida, dela, fosse contínua e sem tempo. Estar com ela é certo. É bom. Falamos de tudo, falamos do mundo, de bichos, de língua, de sempre. Casada a 20 anos, ela continua séria, correta e com alguma coisa que tateia. Eu ainda quero a proteger.
Dói se separar. A dor que acontecia todo dia ainda está viva hoje, quem diria, em 2014. Melhor se virar logo e andar...Mas me preocupo, ela estará bem?
É um tipo de amor. Ou melhor, é amor.
1988 foi importante pra mim. Foi quando descobri Yeats e a coisa celta, Chet Baker, Espanha e Chagall. Brideshead. Muito interiorizado, foi dos anos mais solitários e dos que mais escrevi. E foi o ano dessa menina, agora mulher, que vejo diante de mim. A vida que ela planejou ela viveu. Mora onde quis, trabalha com o que desejou e não foi mãe, algo que ela também pedia a vida. Eu tive o que pude.
A voz dela se altera na hora de partir. E vejo, mais uma vez, o quanto o amor ama a dificuldade, o quanto ele pede por obstáculos possíveis, mas sempre obstáculos, o quanto ele ama adiamentos, mal entendidos, espinhos, lutas, e reencontros. O amor ama o que pode ser, talvez seja, foi...O amor se enfada com o certo, correto e conforme.
Ela se volta e a voz fica diferente...E eu me afasto com a mesma dor de 1988.
SEXO NO CINEMA
Pior que qualquer inquisição, pior que o pior dos Papas, são esses filmes repressores, cortadores de tesão, que mostram o sexo como uma coisa sempre triste, dolorida, cinza, sem festa ou poder de vida.
Malditas cenas que são sempre assim: uma menina infeliz, ou pior, doente, um cara tristinho, ou pior, junk, e as massacrantes cenas de sexo em que os dois padecem de tédio, de dor e de falta de sentido. Será que só eu noto isso? Que esses quartos cinzentos, esses atores sofridos, essas falas mortas, ensinam de forma virulenta que o sexo NÃO é uma alegria, uma celebração uma doce sacanagem?
Chega de sexo filosófico, velho, velhaco, chato, sem tesão!
Quando um filme mostra o sexo como coisa divertida, ele faz do ato comédia e mostra o ridiculo de sermos bichos que transam. Chega!!
E Quando um filme mostra o sexo como coisa "humana", ele mostra o ato como beco sem saída, dor sem motivo, ato de violência.
Chega! Basta! Quero sexo como alegria!
Já!
Malditas cenas que são sempre assim: uma menina infeliz, ou pior, doente, um cara tristinho, ou pior, junk, e as massacrantes cenas de sexo em que os dois padecem de tédio, de dor e de falta de sentido. Será que só eu noto isso? Que esses quartos cinzentos, esses atores sofridos, essas falas mortas, ensinam de forma virulenta que o sexo NÃO é uma alegria, uma celebração uma doce sacanagem?
Chega de sexo filosófico, velho, velhaco, chato, sem tesão!
Quando um filme mostra o sexo como coisa divertida, ele faz do ato comédia e mostra o ridiculo de sermos bichos que transam. Chega!!
E Quando um filme mostra o sexo como coisa "humana", ele mostra o ato como beco sem saída, dor sem motivo, ato de violência.
Chega! Basta! Quero sexo como alegria!
Já!
SOBRE A PORNOGRAFIA
O canal Brasil tem passado a meia-noite de quinta-feira uma série de filmes ( pornô? eróticos? ) feitos entre 1979/ 1983. Na época eu era menor de idade e nunca havia visto a produção de Claudio Cunha e de Ody Fraga. Lembro que eles eram exibidos nas salas do centro, avenida Ipiranga, São João, e raramente algum chegava a Pinheiros. A questão é: eles são pornográficos?
Ontem assisti "'Oh! Rebuceteio!" de Claudio Cunha. Primeira surpresa, a imagem. O filme é bem iluminado e a fotografia em película dá ares de "filme de verdade" a coisa toda. Bem, ele é um filme de verdade! Segunda surpresa: O roteiro tem alguma pretensão a arte subversiva. Conta a história de uma atriz, muito jovem, de teatro, que entra em grupo e começa a trabalhar com diretor doidão. A mãe da jovem atriz sonha em vê-la na Globo, mas a peça em que ela ensaia é uma orgia de cenas de sexo explícito.
Outra surpresa, as cenas são de sexo "de verdade". A penetração é mostrada em detalhes e vemos ejaculações, sexo oral, closes dos orgãos sexuais masculinos e femininos. Mas a impressão causada é muito estranha! Após anos de sexo via internet ou via dvds, o filme exibido na TV parece erótico, explicito, porém erótico, nunca pornográfico.
Porque? Talvez porque haja uma história? A fotografia, bem mais cuidada? Ou serão os atores, que além de tentar interpretar, surpreendentemente não possuem a cara e o corpo dos atores pornôs? Parecem gente de verdade, os rostos são de colegas do trabalho, e são saudáveis, bonitos. As meninas jamais parecem devoradoras, taradas ou artificiais. Os garotos são bonitos, parecem inocentes. Vemos então paus que gozam, pernas abertas, mas não vemos sujeira. As cenas parecem naturais. Isso chega a ser chocante. Se analisarmos o sexo por aquilo que é produzido para consumo de jovens masturbadores, a coisa está bem pior do que a gente pensa. Sexo explícito feito com alguma inocência e com desejos de se fazer cinema. Atores com cara de alunos de cursinho. Se alguém quiser saber de onde veio a inspiração para Boogie Nights, eis sua chance.
Ontem assisti "'Oh! Rebuceteio!" de Claudio Cunha. Primeira surpresa, a imagem. O filme é bem iluminado e a fotografia em película dá ares de "filme de verdade" a coisa toda. Bem, ele é um filme de verdade! Segunda surpresa: O roteiro tem alguma pretensão a arte subversiva. Conta a história de uma atriz, muito jovem, de teatro, que entra em grupo e começa a trabalhar com diretor doidão. A mãe da jovem atriz sonha em vê-la na Globo, mas a peça em que ela ensaia é uma orgia de cenas de sexo explícito.
Outra surpresa, as cenas são de sexo "de verdade". A penetração é mostrada em detalhes e vemos ejaculações, sexo oral, closes dos orgãos sexuais masculinos e femininos. Mas a impressão causada é muito estranha! Após anos de sexo via internet ou via dvds, o filme exibido na TV parece erótico, explicito, porém erótico, nunca pornográfico.
Porque? Talvez porque haja uma história? A fotografia, bem mais cuidada? Ou serão os atores, que além de tentar interpretar, surpreendentemente não possuem a cara e o corpo dos atores pornôs? Parecem gente de verdade, os rostos são de colegas do trabalho, e são saudáveis, bonitos. As meninas jamais parecem devoradoras, taradas ou artificiais. Os garotos são bonitos, parecem inocentes. Vemos então paus que gozam, pernas abertas, mas não vemos sujeira. As cenas parecem naturais. Isso chega a ser chocante. Se analisarmos o sexo por aquilo que é produzido para consumo de jovens masturbadores, a coisa está bem pior do que a gente pensa. Sexo explícito feito com alguma inocência e com desejos de se fazer cinema. Atores com cara de alunos de cursinho. Se alguém quiser saber de onde veio a inspiração para Boogie Nights, eis sua chance.
Assinar:
Comentários (Atom)