OFFENBACH E A JOIE DE VIVRE

Qual o problema em celebrar a vida? A mais popular das canções do século XIX é absoluta alegria. Coloca para ouvir uma execução da Filarmônica de Filadélfia sob Ormandy. É a Alegria de Paris de Jacques Offenbach. Champagne, risos e cortesãs, um tipo de universo que hoje devemos nos desculpar por apreciar. A alegria que em 2026 seria indesculpável, a alegria dos malvados eurpeus de 1870 colonialistas não é? Pois eu digo: ouse ser feliz enquanto a morte não vem, pois esses homens e essas mulheres de 1870 sofreram tudo que tinham de sofrer e estão esquecidos por seu mal e serão lembrados por seu bem. A música? Uma dançavel celebração do viver em esquecimento, por um momento. Estranho mundo! Sifilis, tuberculose, guerras e vidas que duravam quatro décadas! E por isso, e com isso, e apesar disso, a alegria de viver! Porque é necessário sofrer, sofrer no mundo lá de fora, o real, para dar valor ao estar vivo. Então celebrem! E bebam as bolhas do vinho! E se joguem nos braços delas, todas elas. Ritmo e rodopios que dizem o que é preciso ser dito. É tudo.