CONCERTOS PARA PIANO DE BARTOK E DE PROKOFIEV
Bartok e Prokofiev nasceram e morreram quase na mesma época. Saíram de sueus países e viveram nos USA, mas nunca se encontraram. Não consigo decidir de qual dos dois eu mais gosto. Bartok tem a exuberância de sua terra, a Hungria. Ele é eslavo, ele é cigano, ele é folclórico e ao mesmo tempo é pura inteligência. Seu concerto para piano número três soturno e é violento, é festivo e é profundamente misterioso. Ele usa a orquestra como numa sinfonia e o piano é integrado ao som de cordas, metais e muita percussão. O centro não é o pianista, é a obra construída. Uma obra prima. -------------------- Prokofiev é russo até os ossos. E como russo ele não esconde nada, a música nasce como parto explosivo. Exuberante, ele usa tudo o que pode para criar vida. Prokofiev é sempre belo, mas nunca é uma beleza óbvia, ela é estridente, efusiva, vasta e cheia de defeitos bem vindos. Um gigante da música, Prokofiev é um prazer que nunca decepciona. ----------------- Georg Solti, húngaro como Bartok, rege a Filarmônica de Londres na versão do CD que consegui ( por dois dólares ). Já Prokofiev é regido pelo famoso André Previn. O pianista em ambas as obras é Vladimir Ashkenazy e não há pianista maior que ele. Nunca lento demais, jamais histérico, Ashkenazy tem volume e tempo certos. --------------- Leio que as pessoas estão voltando a comprar CDs e que os preços começam a subir. O que as motiva é querer poder ouvir aquilo que desejam onde e quando quiserem e também o fato de certas obras serem muito dificeis de se achar na net. Eu penso que o motivo principal é uma mistura de esnobismo e desejo de posse. Eu quero TER um Bartok e eu tenho vários Prokofiev, voce não. O fato desse renascimento do CD começar pelo público dos eruditos não é casual. Nós somos todos esnobes sim.