AS MASSAS EM UMA DEMOCRACIA - MICHAEL OAKESHOTT

Voce nascia na sua comunidade. E tudo estava decidido por voce. Moraria na casa de seu pai ou na do dono da terra. Teria a profissão de sua família. Mesma religião, mesmo rei. Voce seria mais um entre muitos. Mas houve um momento em que isso mudou. O desenvolvimento do comércio, a fluidez do dinhehro começou a criar um novo homem. ( Estamos falando de 1400-1500 ). Ele percebeu que possuía algum grau de liberdade interior e que essa liberdade poderia ser exterior. Ele mudou de vila. Procurou outro emprego. Adquiriu conhecimento. Até mesmo questionou o rei e o bispo. Esse homem daria origem ao ser democrático, ao livre empreendedor, ao aventureiro do século XVIII, ao liberal do século XX. ------------- Porém, muitos ficaram com medo. Eles sentiram a angústia de ter de escolher. E passaram a se ressentir contra os liberais. Esses, assustados, amavam não precisar decidir nada. Toda a vida era drigida por alguém e não por eles. Eles queriam o anonimato familiar. Preferiam ser súditos de algum poderoso. Vassalos. ----------------- Logo esses homens assustados perceberam ser a maioria. E o ressentimento passou a ser uma política. Nascia aí o Homem da Massa. Se o rei havia se enfraquecido, se o bispo não possuía mais poder, então esse homem sem decisão delegaria sua vida ao Estado. Que a burocracia, que o partido tomasse conta de sua vida. E que os homens livres fossem obrigados a ser como eles. Nascia aí, já no século XVI, o tipo de homem da massa que se contraporia ao homem de iniciativa. --------------------- Esse o teor da palestra de Oakeshott. Ela explica porque sempre pensei que os movimento de esquerda sofrem de uma inconsciente nostalgia da idade média, onde o partido seria o feudo e o líder partidário o senhor feudal.