AION, ESTUDOS SOBRE O SIMBOLISMO DO SI-MESMO - JUNG

Escrito na fase mais madura de Jung, eis o texto que explicita todo o estudo do self do psicólogo suiço. Demonstrando uma erudição que nos deixa abismados, ele traça um panorama que vai desde 3000 antes de Cristo até o iluminismo. Cabala, gnosticismo, astrologia, antropologia, alquimia, politeísmo, são centenas de citações, de nomes de autores, de teorias, de experiências, de conhecimento. Começando pela simbologia do peixe e do signo de peixes, ele adentra, sem medo, em um universo que fala de deuses do Egito, entidades desconhecidas, sonhos, artes perdidas e livros enigmáticos. Tudo isso com um sentido: o encontro da alma e do self, self sendo a totalidade do ser, condição que poucos encontraram. --------------------- Jung demonstra como tanto o marxismo como o modo de vida americano são dogmas de sociedades que perderam o sentido, estilos de vida que exigem obediência e fé política, no caso da esquerda, ou ansiedade competitiva, no caso americano. Destaco isso em Jung porque em 2026 se fala de esquerda e direita como opostos, mas para Jung eles são o mesmo,apenas com personas diferentes. Ambos negam o individualismo autêntico. -------------------- Jung diz também, e nisso ele se parece com um conservador, que o encontro do consciente com o inconsciente só se dá dentro da tradição cultural do lugar onde voce nasceu e foi criado. Para um ocidental, não há como encontrar o self usando para isso o budismo ou o islamismo. São séculos de cristianismo e milênios de paganismo. Esse é o mar onde nossa alma nada, esse o caldo onde ela se alimenta, esses os símbolos que falam sua lingua. -------------------- O que Jung nos dá é a consciência da riqueza ilimitada que vive dentro de nós mesmos e de como esse tesouro é perdido ao longo de uma vida. Todos temos uma alma para ser entendida e todos temos uma vida que, pricipalmente agora, pede para que a ignoremos. Jung cavou bibliotecas inteiras atrás de apoio às ideias e intuições que brotavam em sua mente e que surgiam nos sonhos de seus pacientes. Nada ele deixava de pesquisar e nesse sentido ele foi livre de preconceitos. Sua curiosidade era sem fim. Este livro é, de tudo que dele li, o mais satisfatório.