MUNRO, HAMMETT, ZEN, GRAVES
É incrível como em seus contos, Alice Munro faz com que todos os homens pareçam alienígenas. Não são pessoas más, e nem tampouco boas, são antes seres distantes e inescrutáveis. Vencedora do Nobel de 2014, Munro está no mundo que nega Jane Austen com paixão. Austen tecia maravilhosos tetratos de homens tímidos, perdidos, tolos, havia uma tentativa sincera e muitas vezes bem sucedida, de retratar um homem com simpatia, empatia e compreensão. No universo árido de Munro, isso se foi. No mais, é aquela arte anti vital que se faz neste tempo de destruição. 90% de romances, poemas, filmes, pregam a tristeza como regra e a solidão como destino inescapável. Destruir a masculinidade criou uma raça de homens facilmente dominaveis e mulheres individualistas ficam perdidas na solidão sem rumo. Como voltaremos a ser livres? Não vejo como. ----------------- Leio também Red Harvest de Dashiel Hammett, onde um tira, por razões pessoais, tenta livrar uma cidade da corrupção que a domina. Estamos no mundo dos anos de 1930, e ao contrário de 2026, aqui se valoriza o indivíduo que realiza. O tira age por vingança pessoal. O estilo de Hammett está todo lá, seco e viril. ------------------- Mokusen Miyuki é um psicanlista japonês especialista em Jung e no Zen. A Doutrina da Flor de Ouro explica o confucionismo, o Taoísmo e o Zen. Tenho aversão pela filosofia oriental, ela é toda embrenhada na passividade e na interioridade, enquanto o ocidente sempre viveu no individualismo e na exterioridade. Basta lembrar que um cristão atinge a luz por suas obras e aqui, no Tao, a luz nasce na quietude a na indiferença. De qualquer modo, por detrás do meu mal estar, percebo a sabedoria de se sentir, se intuir a verdade dentro de si mesmo. O Tao seria a ponte que une o Eu ao inconsciente. ----------------- Começo agora a ler Eu, Claudius, uma biografia semi ficcional de Robert Graves, escrita em 1934. Para quem não sabe, Graves chegou a ter status de gênio em seu tempo e hoje é figura bem conhecida nos países de língua inglesa. Este livro é guia de obras que vieram depois, como aquelas de Yourcenar e Vidal. Parece muito bom.