RITUAIS - CEES NOOTEBOOM.

Ao terminar este livro, veio um pensamento à mim: entre o que somos antes, e aquilo que seremos mais tarde, a vida é um ritual, cada gesto um rito. Mas não sabemos. ------------------- Ser o maior escritor holandês do século XX significa não muita coisa. A Holanda é um país tão morto que suas realizações artísticas se tornam vergonhosas quando comparadas aos vizinhos. Nooteboom fala sobre a realidade fria, vazia, dessa Holanda sem alma. Inni, o personagem central, é rico, e passa a vida entre sexo fácil, bolsa de valores, vendas em leilão. Ele, Inni, recorda duas pessoas que conheceu, um homem, Arnold Taads, nos anos 50, e um outro, Philip Taads, filho de Arnold, nos anos 70. -------------- Arnold é um cético que vive longe dos homens. Muito rico, a vida desse homem é ditada pelo rigor do relógio. Cada ato seu tem sua hora e seu tempo de duração e o único afeto é pelo seu cão. Odiando toda a humanidade, ele passeia por montanhas e encontra seu fim entre elas. -------------- Philip cruza a vida de Inni em uma loja, uma galeria de objetos refinados. Um pote japonês, perfeito, é exposto na vitrine e Philip, que vive como um monge zen, em um cubículo no centro pobre de Amsterdã, irá possuir esse objeto raro, executar a cerimônia do chá e morrer como sempre quis. ------------------ Pai e filho nunca se encontraram, Philip foi não aceito por Arnold que abandonou a mãe do bebâ. ------------- Nooteboom tem muito a dizer e o que fica é a sensação de que ele não diz porque não pode. É holandês. Todos são presos em um ritual, seja de caminhadas com seu cão, seja a do chá, seja a vida de Inni, um nada que se distrai com prazeres cada vez mais efêmeros. Sobretudo Cees Nooteboom testemunha o fim de uma civilização, a falta de espírito de pessoas sem rumo e o grito, sempre mudo, que exibe raiva e dor. É um autor ateu que sente saudade da fé.