ALCEU AMOROSO, BERGSON, FÍSICA QUÂNTICA, MACONHA, HIPSTERS E ARSENE LUPIN

   Tem um monte de coisas que leio hoje. Nada pra fazer no trabalho. Caraca! O tempo corre, voa, urge e ruge, vira fumaça....já fazem 25 anos que uma carga de maconha em lata foi jogada de um navio nos mares do sudeste do Brasil !!!! E passamos meses ouvindo gente dizer que havia fumado "da lata". E que era coisa forte pra "dedéu"..... 25 anos!!!! Ai mamazita!!!!!
   Um site legal pra voces: http://www.saopauloantiga.com.br/
   Eles fotografam as casas e coisas que estão por um fio pra serem demolidas. E se mexem, tentam salvar as construções. Eu pensei que só eu sentia asco das demolições paulistas. Os caras do site saem andando pela city e disparam fotos sobre fotos. Bacana e urgente.
    Se voce tiver fotos manda pra eles.
    Marcelo Coelho fala de Arsene Lupin. Fazia tempo que ninguém falava dele. Os livros que têm Lupin como personagem são "quase" tão bons quanto os de Holmes. Não sei porque, mas eu tinha a certeza de que Marcelo Coelho era fã de Sherlock. Ele é. Nós, fãs de Conan Doyle, somos todos uns Watsons.
   Matéria sobre Alceu Amoroso Lima. Ele é do tempo em que intelectual era alguém que fora educado sobre várias coisas com profundidade. Teve o francês como primeira lingua e aos 17 anos já assistia aulas de Henri Bergson no College de France. Alceu era um intelectual católico. Veja bem, não falo de religioso, falo de católico. Ele seguia as normas e dogmas. E numa época em que ser católico era ser um quase fascista de direita, Alceu lutou contra a ditadura militar e pregou pela liberdade. Sem jamais romper com o Vaticano. Sua trajetória tem um nome: Honra. Intelectual hoje opina sobre tudo sem saber muito nada. E pior, nega compromissos como se isso fosse coragem.
   O College de France ainda é o sonho de todo intelectual francês. Para dar aulas lá voce tem de ser convidado. Recebendo o maior salário entre os docentes do país, voce pode escolher o assunto de sua aula e dar esse único curso, muito curto, em todo o ano. Henri Bergson foi mestre lá. Lacan também. Bem, nem o College de France é perfeito.
   Meu amigo Pagotto leu todo Os Miseráveis, de Victor Hugo, na tela do celular. Ler o imenso no muito minimo. Eu me recuso. Ainda.
   Matéria sobre uma tribo dominante: os Hipsters.
   Mexam-se no caixão Boris Vian e Thelonious Monk! Hipsters eram os amantes de jazz. Um povo muito cool e muito angustiado. Agora é essa turminha de calça skinny, óculos de armação grossa, gorro na cabeça e blusas velhas de lã. Ninguém entende o porque de usarem esse nome. Eles se revelam pela palavra Não: não são artistas, santos, reformadores, aventureiros ou cientistas. São vendedores. O único interesse é por aquilo que funciona. Vendem a si-mesmos e são hiper-conformistas. Disfarçados de "alternativos" não têm proposta nenhuma de mudança em nada. Quando gritam por reformas é só isso, gritam para que o que existe continue a existir. Se vendem como perfil e como produto, e sabem que o melhor produto é aquele que ninguém tem. Para eles, bom é aquilo que ninguém gosta. Forma de parecer diferente.
   Beatniks queriam o êxtase, a experiência transcendental. Hippies queriam o amor livre e a droga que abria a mente para o sonho. Punks queriam o anarquismo niilista. Os yuppies queriam o consumo, a festa chic. A geração dos anos 90, apática, queria ser deixada em paz. Os hipsters querem vender, vender sem parecer ambicioso, ser boêmio sendo conformista, obter sucesso sem pagar o preço da ambição. Eles querem parecer. Nunca ser.
   Pra finalizar, física quântica.
   Quanto mais longe a ciência vai, mais ela se parece com misticismo. Então existem mais de 12 sentidos? Existe toda uma realidade que não temos como ver? O tempo se dobra nas beiradas e transforma-se em "enroladinhos"? A maior parte da matéria é invisível e indiferente a tempo e distância? Caramba! O mundo do século XIX vive nas pessoas como eu, de cultura média, mas para a ciência de ponta, a velha matéria racional e sólida dos velhos cientistas positivistas já morreu.
   Já foi tarde.