Tears For Fears - Pale Shelter



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SYNCHRONICITY E LETS DANCE!

Estou falando da década de 80 não como retrospectiva da época, mas sim como a vivi naquele tempo. Não estou aqui enumerando o melhor da época, estou falando do que eu captava naquele momento. Eu lia todo mês a Rolling Stone, a Trouser Press e a Spin. E a Som3. Em 1983 as paradas americanas sofreram uma invasão inglesa. Foi chamada de "a segunda invasão", a primeira tendo sido em 1964 com Beatles etc...Em fevereiro ou abril de 83, ao lado de Bob Seger, Van Halen e MJ, voce via nomes ingleses, muitos. Duran Duran e Human League estouravam na América com atraso de um ano, mas havia também Tears For Fears com The Hurting, Big Country, U2, Culture Club, Ultravox ( finalmente ) e Spandau Ballet. De 1983 até 1985. ser cool nos USA era ouvir música britânica. Wham!, Smiths, Cure, FGTH, Cult, Simply Red entrariam no ano seguinte. Mas havia um underground. Bem no porão havia um movimento de bandas americanas que iriam dar o troco em 1986-87. REM, Husker Du, Black Flag, Red Hot Chili Peppers, Metallica, The X, tudo isso já havia desde 82, 83, mas o momento não era deles. Ainda. Eu ouvia Lets Dance do Bowie. Não sabia que aquele era o fim de David. Os fãs de Bowie viravam as estrelas do pop, e o inventor de futuros ficava para trás. Lets Dance foi o LP mais vendido da vida de Bowie, mas foi um adeus. O Police virou a maior banda da Terra com Synchronicity. Mas eles acabaram no auge desse sucesso. Eu ouvi até cansar. Meu irmão virou Devo maníaco nesse ano. Meus amigos ouviam AC\DC e Iron.

1982 TEVE 3 VERÕES

1982 foi um ano de 3 verões. O primeiro foi de janeiro a março. O segundo durou de maio até setembro. O terceiro foi de outubro até dezembro. No primeiro eu ouvia muito rádio. No segundo eu estava na Europa e é por isso que tive mais um verão. E no terceiro eu vivi uma paixão e estava feliz pra caramba! 1982 marcou o fim definitivo da década de 70. Lembro das meninas vestindo cores ácidas na Espanha, lembro dos meninos de calça laranja na França, e das mulheres dançando nos programas de TV em Portugal. Os Stones rodavam pelo continente com a excursão do Tattoo You, a primeira excursão da história com patrocínio integral. Os anos 50 estiveram na moda por dois meses, o bastante para fazer a fama de Stray Cats e Shakin Stevens. John Cougar Mellencamp vendeu muito com Jack e Diane, o Fleetwood Mac estava repaginado, mas foi o ano do tecno pop. Havia a fé de que guitarras eram passado. Human League, Heaven 17, Yazoo, BEF, Thomas Dolby, e até na taba havia o Ritchie. Synth era o futuro. Mas havia mais! Na Espanha cartazes anunciando Roxy Music com King Crimson abrindo. Avalon foi o último disco do Roxy, o máximo em termos de som "de veludo". Prince lançou 1999 e Marvin Gaye o Midnight Love, dois discos com a sonoridade da década. Estranho tomar senso que Thriller foi lançado nesse ano. Ele vendeu tanto, durante 3 anos, que tenho a sensação que ele era de 84. Teve Joe Jackson. The English Beat. E todo mundo foi inundado de Men At Work. No Brasil a Blitz vendeu como hot dog. No ano seguinte Duardo Dusek e Lulu iam abrir o caminho de vez. Ouvi muito reggae nesse ano. Black Uhuru e Peter Tosh. Linton Kwesi Johnson. Descobri o rockabilly de Gene e Eddie. E Stevie Wonder tinha that girl. A música pop estava mega sexy.

1980-1982...a GRANDE DESCOBERTA

EM 1982 OS BRANCOS LEMBRARAM ALGO QUE HAVIA SIDO ESQUECIDO DESDE 1965: MÚSICA ERA FEITA PRA DANÇAR. Se voce observar, toda nova banda surgida entre 1979-1982 dizia isso: DANCE! Em 1982 dançar passou a ser mais importante que VIAJAR NO SOM. Abaixo Pink Floyd e Bob Dylan! Era a vez da pista!

Adam & The Ants - Antmusic



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Adam & The Ants - Stand And Deliver (Video)



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Duran Duran - Careless Memories (Official Music Video)



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1981 FOI ESQUISITO

Abaixo voce leu sobre 1980. Agora falo sobre 81. Tive uma onda de back to 60s. Gastei muita grana em LPs tipo Traffic, Cream, John Mayall, Jefferson Airplane. Mas também ouvi coisas da época: Tom Tom Club, J. Geils Band, Go Go's, The Beat. Eu continuava fã dos Pretenders, apesar do segundo disco ser uma droga. Na Inglaterra foi o nascimento dos New Romantics, aquele povo afetado, frio, controlado, que misturava Bowie de Ashes to Ashes com o Roxy Music de 1979. Era Duran Duran, Classix Nouveau, Spandau Ballet, Adam and The Ants. Vendiam muuuuuito nas ilhas, mas nos USA só iriam marcar presença em 1983. Na América em 81 o que vendia era Tattoo You dos Stones, Rush e Journey, Styx, Foreigner, Loverboy. O Kraftwerk lançou Computer World e as revelações do ano foram U2, Stray Cats, Depeche Mode. O mundo se preparava para a festa que iriam ser os anos de 82 e 83. Aqui tinha Rita Lee e Ney Matogrosso. Os dois venderam para povão e cults. Ney lotou Morumbi. Aliás, em 1981 o Queen esteve aqui e eu fui. 100 mil pessoas no estádio. Dá pra esquecer? Nunca. Foi nesse ano que descobri o Velvet Underground. Eu e mais centenas de caras que iriam formar bandas. Foi foda. Meus amigos ouviam metal. Meu irmão ouvia Ramones. Eu ouvia Lou Reed.

Madness - One Step Beyond (Official Video)



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Motörhead - Ace Of Spades (Official Video)



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COMEÇO AQUI UMA SÉRIE SOBRE OS ANOS 80 EM MÚSICA. A PIOR DÉCADA. MAS AQUELA QUE MAIS ESTIVE ATENTO.

1980.O Brasil ainda cheio de seres dos anos 70. Os críticos daqui, 100% anglófilos, nos faziam crer que em Londres só existiam punks e pós punks. Escondiam da gente que Queen era a banda mais querida de lá. Então para Ana Maria Bahiana, José Emilio Rondeau e Matinas Suzuki, só o Clash contava. London Calling era um milagre, e tudo o mais pouco importava. Mas no mundo real não era assim. Na Inglaterra a banda que mais vendia, de longe, era o Madness. Depois vinha Adam Ant e Gary Numan. Estou escrevendo isto ouvindo Ace of Spade do Motorhead, e de 1980 nada envelheceu menos que esse disco. 1980 foi a época do novo metal também: Iron Maiden, Accept, Saxon, Deff Leppard. O Judas Priest, mais velho que esses citados, estava no pico com British Steel. A revelação do ano para a New Musical Express era Pretenders. Já falo deles. Nos USA se ouvia Pat Benatar, Bruce Springsteen, Cars, Supertramp, Michael Jackson. Talking Heads tinham Remain in Light. Aqui eu passei o ano ouvindo MPB ( Salve Simpatia-Jorge Ben, Cinema Transcendental- Caetano, Luar- Gil ), A Cor do Som eu ouvi demais e tinha ainda o Moraes. Zennyatta Mondatta do Police, com aquela bateria espetacular do Stewart Copeland, o chato do Sting ainda não mandava. Pretenders I eu ouvia todo dia. Mandei carta pra Londres e me mandaram poster de Chrissie Hynde. Eu queria casar com ela. Making Movies do Dire Straits, B'52s Wild Planet. Foi um ano divertido pacas. No rádio FM tocava muito Gary Numan, The Wall do Pink Floyd, Bee Gees, e o começo do Rap com Kurtis Blow. Muita música black. Meus amigos de então? Diogenes era fã do B'52s. Mauro só ouvia black music. Tinho ouvia Van Halen. Meu irmão era Clash e Ramones. POP aqui era Fabio Jr. 1981 iria ser bem mais chato. Conto em outra. PS: 1980 foi o ano de Back in Black. Eu odiava. Em 2020 eu adoro. Nada como 40 anos pra mudar seu preconceito não é?

Prince & the Revolution -Computer Blue (Live @First Avenue '83)



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PRECISAMOS FALAR SOBRE O HÁBITO DO PRECONCEITO: PURPLE RAIN-PRINCE. FAZIA 25 ANOS QUE EU NÃO O OUVIA

Em 1984 corria o papo de que Michael Jackson tinha inveja de Prince. Tanto no som como na aparência, MJ lutava para ser Prince. Acho que era verdade. O que tenho certeza é que na minha faculdade, em 84, ninguém ouvia Prince. Purple Rain vendia aos milhões, mas o povo preferia ouvir Bowie, Duran Duran e Van Halen. Não os culpo. Não eram racistas, apenas tinham o hábito de jamais considerar a música negra. Black Music era POP, só POP, sem verniz de arte. Fim de papo. Me lembro de numa discussão em sala de aula, sobre cultura popular, vários rostos se viraram em minha direção com risinhos, quando falei que Prince era um gênio. Que para perceberem seu tamanho, bastaria imaginar o que pensariamse se um branco fizesse o que ele fazia. Lembro que em 84 eu ouvia música pra caramba. Foi o ano de Bruce Springsteen, de New Order, do Culture Club e das bandas dark que eu dançava à noite no Satã. Mas PURPLE RAIN era o Pet Sounds do ano. Prince era negro e branco. Era homem e mulher. Era rock e funk. Era isso que o povo mais cool dizia. Era isso o que eu falava. Não ouvia o disco desde os anos 80. É daqueles discos, como Dark Side of The Moon ou Thriller, tão consumidos, tão digeridos, que é impossível voltar a sentir seu frescor. Quantas vezes o escutei em casa? 300? Quantas vezes ouvi suas faixas no rádio? Mil? Quantas vezes os clips na TV? Prince não tinha limites. Essa era sua missão. Se os dois monstros POP dos 80 foram MJ e Madonna, Prince unia os dois. Sexo como Madonna. Negritude como MJ. Em Purple Rain ele toca todos os instrumentos. Poderia ter sido um dos maiores guitar player da história, mas sua viagem era outra. Lets Go Crazy é uma das melhores aberturas de qualquer disco de qualquer tempo e estilo. Emenda com Take me With You, um tipo de sonho psicodélico que atualizou LOVE e Beatles. É linda de fazer amar. The Beautiful Ones é 100% negra. Falsete Marvin Gaye e desespero soul. Computer Love é POP e Darling Nikki é sexy, sexy, sexy, deliciosa. Na época se falou em Zappa. Não! É George Clinton BB. Doves é tão conhecida como Hey Jude. A gente não consegue mais prestar atenção. I Would Die For You mantém a tensão que explode em Star, uma festa black. No fim, Purple Rain, um hino, Purple Haze da geração seguinte. Prince dizia ter feito pensando em Bob Seger, uma balada à Seger. Pra quê vou dizer que é um disco perfeito? Voce sabe disso. Foi a lista da Rolling Stone que me fez o reouvir. Miles Davis queria gravar todo um disco com Prince. Não rolou. A partir de 1988 Prince começaria a pirar. Ele entrou na mesma viagem de Brian Wilson ( em parte ), ter de ser melhor que si mesmo. Brigou com a Warner, mudou de nome, não conseguia deixar de provocar. Em certo momento dos anos 90, tudo que era dos 80 foi rebaixado. Prince foi um dos que mais foi injustiçado. Eu sabia que ele daria a volta por cima. Eu vira outras décadas virarem. O que é bom sempre retorna. Mas ele havia perdido o interesse genuíno. E sua arte só podia ser plena se feita com o máximo de paixão. Prince deixou 3 albuns perfeitos: este, 1999 e Sign o The Times. E mais alguns muito bons discos: Parade, Dirty Mind, o Black Album. Ouça.

Prince & The Revolution - Darling Nikki (Live 1985) [Official Video]



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