EU VI 3 FILMES...

   Vi três filmes recentes ontem. E eles dão um bom exemplo do que o cinema é hoje.
   O novo filme de Todd Haynes é o atual filme de arte. Uma ótima ideia desperdiçada. Haynes estica tudo, enche de ambição desmedida, deixa o narciso à solta e perde nosso interesse. Falta vitalidade. Falta sangue. Falta culhão. O filme é flácido e mesmo cenas maravilhosas ( a parte de filme mudo, as cenas em Nova Iorque anos 70 ), se deixam esquecer perdidas sem rumo.
   Deadpool 2 é, como quase toda continuação, a morte de um excelente personagem. Sai a ousadia e entra o óbvio, sai o politicamente incorreto e vem a média geral, sai a zebra e entra a vaidade. O filme não é ruim não, mas é o fim. Depois dele não tem mais como continuar.
   E vi ainda um filme do Dwayne Johnson sobre uma fórmula que faz os bichos crescerem ( não é Viagra ). O filme é tão mal escrito, tão sem sentido, que parece ser feito para ser assistido enquanto se faz coisa melhor ao mesmo tempo.
  Que foi o que fiz.

HISTÓRIAS DA OUTRA MARGEM - NAGAI KAFU

   Nos anos 30, em Tokyo, um solteirão começa a andar pelas ruas sujas do bairro das putas. Não das gueixas, das putas. Ele vaga por lá para escapar do calor de seu apartamento e dos ruídos dos vizinhos. Conhece então uma prostituta e começa a visitar essa moça ainda ingênua.
 Ele é escritor e ao mesmo tempo escreve um livro sobre um homem casado que abandona a família.
 O escritor solteiro e a jovem puta conversam e ela se apaixona por ele. Ele resiste, não vê futuro.
 Fim.
 Nunca li um romance mais simples que este. As frases de Kafu são esquálidas e o que mais lemos no livro são descrições das ruas e conduções do local. O texto é quase um guia de endereços.
 Se eu gostei? Acho que sim.

AS AULAS QUE NÃO SE REVELAM

   Avicena é tema de um dos cursos que faço agora. O professor é ótimo e o filósofo, médico, físico árabe é fascinante. Com 12 anos ele já era um mestre. Escreveu uma enciclopédia que resumia todo o saber da época. No ano de 800 de nossa Era, ele já era um renascentista.
  Ótimo. Só que quase não. Uma coisa me incomoda. A renúncia absoluta do professor e dos alunos em citarem a palavra "Deus". Avicena dizia que somos existentes mas não a existência. Que dentro da existência existiam minerais, plantas, animais e humanos, estrelas e o sol, a lua e a terra. Nós temos uma existência que se manifesta na nossa capacidade de pensar o imaterial. Com a mente criamos coisas que não possuem matéria: ideias. Vivemos dentro da Existência, uma substância sem tempo ou sem começo, dentro da qual todas as existências vivem e morrem. Nosso corpo, como um rádio, deixa de funcionar, mas a existência, como a onda que dava voz ao rádio, continua no universo. Pois bem, meus colegas conseguem falar nesse Existente sem jamais admitir que Avicena falava de Deus. Haja ginástica verbal e mental pra isso!
  Faço também um curso de literatura da Irlanda do Sul e os professores estão conseguindo falar de literatura sem jamais falar de escrita ou de imaginação. Na primeira aula se falou da imigração irlandesa, na segunda aula da condição das mulheres em países católicos e agora se fala do fato dos escritores irlandeses terem fugido do país. Aff...
 

O LIVRO DO CHÁ - KAKUZO OKAKURA

   Kakuzo Okakura foi ministro da cultura do Japão. Era o tempo, fim do século XIX, começo do XX, em que o Japão se ocidentalizava. Tendo morado em Boston, sendo conhecedor da Europa, o autor tenta com este livro, lançado em 1909, mostrar ao ocidente o que faz do Japão aquilo que ele é. Ao mesmo tempo, Okakura quer fazer eterno o país que ele ama.
   Para isso ele escolhe a cerimônia do chá como o costume mais típico e que melhor simboliza sua nação. Pois para ele, é o chá que fez do Japão aquilo que ele é. A cerimônia transformou a arquitetura das casas, a pintura, o costume, e até mesmo o modo como o japonês se vê. Para isso, ele começa falando da China, da India, e por fim do país em plena modernidade.
   O livro, de apenas 100 páginas, mais uma bela edição da Estação Liberdade, fala de Zen, de budismo, de viver bem. Mas acima de tudo nos fala do que é a beleza. E das diferenças entre o belo ocidental e o belo oriental.
   No ocidente é belo o que é rico, farto, complexo, chamativo. No oriente é belo o que é precário, simples, incompleto, discreto. A cerimonia do chá se faz num aposento precário, de bambú e papel; usa elementos simples e perfeitos, incompletos e sublimes. Um arranjo de flores, uma pintura em seda, o bule e o fogo, o silêncio, a água em ebulição. Cada gesto é pensado e exato. Os elogios são comedidos, porém, obrigatórios. Cortesia e etiqueta. Criada em 1540, a cerimonia do chá cresceu séculos afora.
   Para Zen, o vazio é onde a beleza vive. Em tudo que fazemos há de se deixar espaço para a ausência, para o nada. Daí a incompletude. Pois é no vazio que a transformação pode ocorrer. Sem espaço vazio não pode haver imaginação. Sem imaginação não existe criação. Sem criação não há vida. Nada dura, nada faz sentido, a não ser a eterna mudança que se opera dentro do nada.
   Nosso corpo é um objeto sensitivo criado para podermos experimentar a matéria. O chá é matéria cercada por vazios. Espaços para se observar. E apreciar. O livro de Okakura é apreciação que se aprecia.

CREPÚSCULO - STEFAN GEORGE.

   Foi difícil achar este livro de Stefan George. Foi editado em 2012, mas logo sumiu das prateleiras. Não por ser um sucesso, quem lê no Brasil um poeta alemão simbolista?, mas por sua edição de poucos exemplares. Bem, o acho num canto da livraria Cultura em 2018.
  George é o simbolista mais conhecido e destacado em língua alemã. Ele e Rilke, claro. George nasceu no fim do século XIX e viveu até 1933. Teve a vida que quis, mas ela foi triste. Nada trágica, apenas melancólica. Seus pais nunca desaprovaram sua escolha e ele viveu de rendas. Viajou, escreveu, amou, escreveu. Teve um caso com uma mulher, mas sua vida era a de musos, dos quais o mais marcante foi um menino de 14 anos. Não é uma poesia que fala de casos gays, então não podemos chamar sua obra de homossexual. É antes uma poesia assexuada, ou talvez, hiper sexuada. Às vezes sinto que a Lua e a Música são falos ou vaginas.
  É enganosamente simples ler George. Seu vocabulário é acessível e sua sintaxe fácil. Mas suas imagens são rígidas, frias, e a construção é engenhosa. Tem metro e tem rima. Inflexível. Rilke é quase latino, George é hiper alemão.
  Voce deve notar que meu texto está um tanto perdido. E contraditório. É complicado falar de Stefan George. Ele não se deixa amar. É liso como peixe.
  O livro traz fotos dele e seus amigos. George foi impressionante. O rosto é inesquecível. Feio além da feiura. Forte. Ancestral. As fotos falam do além. Parecem fotos tiradas em um mundo que nunca houve. As pessoas não se parecem com gente. Lembram arquétipos.
  Acho que George gostaria de ser arquétipo. A poesia simbolista não procura nada mais que isso.

Stefan George - Das geheime Deutschland Doku (2018)



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Duran Duran - Girls on Film (Live @ Måndagsbörsen '81)



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Duran Duran: Careless Memories (Original version!!!)



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O SOM DOS ANOS 80 E DE HOJE.

   A gente estava na Europa em 1982 e foi um momento brilhante aquele. Naquele verão os anos 70 acabavam enfim. A primeira coisa que estranhei foram os jeans. Não havia jeans. Se voce quer saber como a molecada se vestia na Europa em julho de 82 veja o clip que postei acima. Continuo: fomos para o interior do interior do continente. Ou seja, norte de Portugal, quase Galicia. Quarenta graus, aridez, pouca gente. Uma festa na cidadezinha de meia dúzias de ruas. Eu e meu irmão vamos. Uma feira de tarde. Barraca de discos. Que surpresa!!!!! Tem tudo que aqui no trópico não tinha ( e na verdade nunca teve, nem em cd ): Talking Heads 77, Gang of Four, Classix Nouveaux, Ultravox, John Foxx, Toyah Wilcox, Orange Juice, Haircut One Hundred, Adam Ant e Bow Ow Ow. Compramos. Era a época do Escudo. Um escudo era dez cents de dólar. Eram discos made in Portugal e made in France. Tenho até hoje. Andamos pelo local...meninas de enormes franjas cobrindo os olhos. Meninos com calças de mulher: laranja, roxo, pinky. Bebemos ginja.
  Na sala da minha tia tem um programa de música POP ao vivo. Um palco cheio de luzes, cores e brilhinhos. Era o nascimento da década e ela só nasceria no Brasil em 1984. E aqui ela seria para meia dúzia de moradores de bairros legais. No fim do mundo português era fenômeno popular.
  Na época eu não era fã do Roxy Music e pouco entendia de Bowie. Ouvia-o desde 1974, mas era pra mim só um rock star gay e criativo. Então não pude notar que ele e Ferry eram os vencedores do década passada. Entre 1980-1987 o POP e o ROCK que importava eram, em 90% dos casos, filhotes do glam e do funk chic.
  Chego de volta a 2018 e escuto o disco Duran Duran, o primeiro. Para mim, é a coisa mais fora de moda que existe. Teclados gelados e simples, baixo funkeado ( John Taylor é um gênio do ritmo ), guitarra exagerada, percussão lá em cima, tudo a cara do POP dos anos 80. Mas caramba!!!! Ouço uma multidão de "novas" bandas de 2018 e um monte tem esse mesmo som, mas, COM UMA DIFERENÇA: eles tocam muito, muito mal. Daí dou razão à Neil Young. O fato dos novos sons serem gravados em aparelhos ruins para se reproduzir em condições precárias, faz com que toda uma geração seja acostumada a ouvir música pobre. É um tchuc tchuc prás sem nenhuma sutileza.
   Por isso esse vinil me surpreendeu desta vez. Fico embevecido com a riqueza sonora. Tem centenas de coisas para se escutar, sons que vão e que voltam, timbres que surgem e morrem, ecos sem fim.
   A criação do LP em 1948 fez nascer o som de Sinatra, e depois o jazz adulto. A tecnologia dava campo para eles. O estéreo deu nascimento aos sons dos Beatles e todo o rock psicodélico. Os estúdios de 64 canais ensejaram o POP dos anos 70, com seus montes de músicos profissionais. A fita K7 criou o fã de bandas toscas e o CD fez nascer a dance e o eletro. Cada salto científico faz surgir um novo modo de ouvir e de fazer música popular. E faz se abandonar outro modo, antigo, de produzir e compor. O tempo do Ipod e do Spotify, do mp3, fez surgir o som sem sutileza, que luta contra o ruído das ruas e a pressa do ouvinte. Se compõe para essa tecnologia. Singles de 3 minutos. E só.

Neil Young and Devo: Hey Hey, My My



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NEIL YOUNG, A AUTOBIOGRAFIA

   Neil Young é um cara muito mais legal do que eu esperava. Mas ele escreve como fala. E o que ele fala é muitas vezes repetitivo. O que nos seria agradável numa conversa na praia, em uma página escrita fica sem graça.
   Cresci lendo que Neil era um "artista atormentado". Outra das baboseiras impostas pela crítica ideológica dos anos 70-80! Essa crítica, fantasiosa, me fez crer não só que Neil era um tipo de mártir, mas que o AC DC era um lixo e que os discos de Peter Gabriel eram bons. Haja!!!
   Neil não é sofredor. Ele se divertia muito nos anos 60, 70 e 80. A gente imaginava que ele estava sofrendo como uma personagem de Bergman, e na verdade ele estava colecionando carros velhos e conhecendo "meninas cósmicas". Ele é um hippie assumido. Um hippie dos bons. Não a caricatura bicho grilo dos anos 70, mas o autêntico, o místico. Um dude. No livro, as melhores partes, são quando ele se derrama em elogios, como um hippie, aos amigos e meninas que lhe trouxeram boas vibes. Neil é sempre sincero. Um cara que a gente adoraria ter como amigo.
  Ele tem suas dores. Como todos temos. Um filho com paralisia cerebral. Casamentos desfeitos. Sua epilepsia. Mas ele não para nessas dores. Mesmo o tempo em que não saía de casa por medo de ter ataques ( sei bem o que é isso ), é deixado de lado em favor de suas lembranças felizes. Neil é profundamente otimista.
   Ele passa dezenas de páginas em um idealismo bastante anos 60: vencer a Apple e trazer de volta à música a qualidade sonora. Veja bem, não é saudosismo. Ele não fala que a música de hoje é mal composta. Ele diz, e basta ter ouvidos para perceber, que ela é mal gravada. A molecada ouve som em celulares e esse som não tem definição, profundidade, riqueza de timbres e de detalhes. A experiência cósmica de se ouvir música é rebaixada a uma atividade tão vazia como correr no parque ou fazer palavras cruzadas.
  Tenho uma experiência recente sobre isso. Após anos ouvindo dos discos de Hendrix em cd, ouço os 3 primeiros em vinil e me arrepio ao sentir que naquele som há uma profundidade, alcance, eco, ruído, chiado, agudez, que o cd não consegue reproduzir. Em stream ou mp3 a coisa é ainda pior.
  Neil fala do Pone, um sistema digital que ele e sócios desenvolveram que traz de volta o som cósmico. Como o livro é de 2012 e em 2018 esse Pone ainda não está por aí...acho que a Apple fodeu com eles. Neil também financia carros elétricos.
   Ele teve fazendas, barcos, iates, mulheres, drogas, bebidas, sucessos, fiascos, bandas, lutos, sexo, se dava bem com a família. É rico e viveu bem. É só isso. Mas ele é bem mais caloroso e bacana do que esperava. É cósmico.
   PS: A mudança no Hall da Fama, de cerimônia íntima em show de TV, é uma das coisas mais tristes no livro.

Como compreender a 4ª DIMENSÃO espacial? | Ponto em Comum 133



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GIGANTES DA FÍSICA - RICHARD BRENNAN

   Brennan, físico e escritor, pega oito físicos centrais e conta suas biografias e explana o que descobriram. O estilo é agradável, mas para quem, como eu, já se aventurou no assunto, ele pode ser cansativo. Se voce nunca leu nada sobre o assunto, eis um começo.
  Newton, Einstein, Planck, Bohr, Rutherford, Heisenger, Feynman e Gell-Mann, são esses os oito. Lista arbitrária, claro, pois se os quatro primeiros não podem ser esquecidos, onde estão Pauli ou De Broglie?
  Não me darei ao trabalho de aqui explicar nada, dou apenas duas pistas:
  1- Vivemos no mundo da física de Newton e até na polícia isso de revela. Mundo onde toda ação enseja uma reação proporcional.
  2- O mundo quântico só se aplica ao mundo muito, muito pequeno. Então não tente falar em mundo paralelo, ausência de sentido, realidade invisível em nosso mundo cotidiano.
  De qualquer modo o mundo Einsteiniano é nosso e olho minha cadela e, como diz a relatividade, sei que ela é energia, que eu sou energia, e que essa energia irá um dia se transformar, e permanecer a mesma quantidade de energia para sempre. Massa não se faz energia, ela é energia. Tudo o que voce vê, faz e sente são fluxos de energia. E energia são feixes, ondas que se movem. Isso não é física quântica, é relatividade. A física sub atômica é bem mais perturbadora e dela nem quero tentar falar.
  ( Mundo tão pequeno que ele tem o tamanho de minha unha em relação à Júpiter ).

FILMES

   Faz duas ou três décadas que o cinema, como arte relevante, morreu. Ainda se fazem bons filmes, alguns geniais, mas eles todos além de não repercutirem, possuem a tristeza de saber que seu mundo, o universo do cinema, é passado. Como o jazz, a ópera, o rádio ou mesmo o teatro, ir ao cinema é apenas um modo de digerir o jantar, passar duas horas com a namorada ou, pior de tudo, tentar dar sobrevida à um costume. Filmes de TV são apenas isso: Filmes de TV. São filmes, mas não é cinema. Podem ser bons programas para se ver na cama. Podem ser boas séries para se ver após o futebol, Mas por serem TV, já nascem sabendo que em duas décadas estarão completamente mortos. Ninguém assiste Os Sopranos hoje. Menos ainda assiste Friends.
   Um rápido comentário sobre o que assisti no último mês:
   PORTO, UMA HISTÓRIA DE AMOR de Gabe Klinger
Passado na cidade do Porto ( estrangeiros nunca acertam o nome da cidade! Ela se chama O Porto, nunca se diz Porto apenas. ), conta o encontro de um cara muito chato e uma moça muito triste. .
Voce já viu esse mesmo filme umas mil vezes. A cidade é exibida, claro, em seu lado mais soturno.
   OS AVENTUREIROS de Robert Enrico com Alain Delon, Lino Ventura e Joanna Shimkus.
O cenário é lindo mas a aventura é chata. Dois homens se envolvem na busca de um tesouro. Com eles vai uma mulher que eles partilham. É longo e tem a modernice de um filme de 1968. Ou seja, cansa. Mesmo com uma fotografia bonita, não vale a pena. E a trilha sonora é insuportável.
   ILHA DOS CACHORROS de Wes Anderson
Eu vejo várias qualidades em Wes Anderson. Mas ele está mergulhando em uma emboscada. Seu estilo virou maneirismo e aqui desce ao cliché. Ele precisa de uma dose de adrenalina e sair desse mundinho feito de vozes sem emoção, ações sem impetuosidade e humor fofo. Mesmo adorando cães, achei este filme bobo, vazio e incrivelmente feio. Não há porque se fazer uma coisa assim. Parece apenas um desenho da TV Cultura dos mais banais. ( Doug é melhor ).
   SOMENTE O MAR SABE de James Marsh com Colin Firth, Rachel Weisz
Baseado numa incrível história real. Em 1967, na Inglaterra, se estipula um prêmio para o homem que conseguir quebrar o recorde de navegação solitária. Um cara cheio de dívidas, que navega só em fins de semana, se lança ao mar. E enlouquece. Com uma história tão boa, este filme, chato, consegue naufragar. Ele é boring boring boring boring boring so boring.
   MISTER ROBERTS de Melvyn LeRoy e John Ford com Henry Fonda, William Powell, Jack Lemmon e James Cagney.
Foi uma peça de enorme sucesso e marca a estreia de Lemmon no cinema. E ele é a única coisa que presta aqui. É um filme longo, que deveria ser engraçado e heroico, mas que é apenas chato e aborrecido. Fala de um capitão que trata mal seus marujos. Fonda é o oficial que o enfrenta. Tudo em clima de farsa leve. Quer dizer, deveria ser leve, fica travado na verdade. Le Roy assumiu o filme depois que Ford perdeu o interesse. Ou foi o contrário?
   ATOS DE VIOLÊNCIA de who cares? com Bruce Willis, Cole Hauser, Mike Epps
Um bom filme de ação como aqueles que Willis fazia nos anos 90...não é o caso. Ele é um tira que procura um assassino sequestrador. Mas é lento, calmo, e dois irmãos assumem o controle da busca. Pois é.
   SURPRESAS DO CORAÇÃO de Lawrence Kasdan com Meg Ryan, Kevin Kline, Timothy Hutton
Kline está magnífico como um francês malandro que se envolve com uma americana que tem medo de voar. Se passa em Paris e na Riviera, e, óbvio, tenta resgatar a beleza charmosa dos filmes de Cary Grant e Audrey Hepburn. Fica a milhões de anos luz. Mas tem belas canções, bela imagem e não tem nada de burro ou forçado. E tem um casal que funciona bem.
  DESEJO DE MATAR de Eli Roth com Bruce Willis
E esse desejo se satisfaz. Ele mata um monte de gente. Bruce é um cidadão pacato que resolve ir à caça dos bandidos. O filme é ruim? Não. É bom? Não. Não é ruim por nunca ser chato. Não é bom por ser de uma tolice atroz. Bruce não parece muito interessado na coisa. Aliás, desde Pulp Fiction ele não parece muito a fim de trabalho.
  ANDREI RUBLEV de Andrei Tarkovski.
Sentiu a coisa? Eis a tal aura da arte, aquilo que Benjamin dizia que o mercado e a repetição destruía. Este filme de mais de 3 horas, fala da vida de um pintor de ícones do século XV. É um filme sobre pintura que não fala de pintura. Fala do momento em que a Russia nasce como nação. Mas vai além. É sobre a violência crua. Por isso ele é bem duro de se ver. As cenas de crueldade são cruas, rudes, e os atos de violência são vistos como ato banal. Claro que por ser Tarkovski, o filme é bem mais que isso. Há um conflito entre ideal e real, e em meio às loucuras dos homens paira sempre a calma beleza da natureza. A cena final justifica todo o filme. Ao lado de uma aldeia arrasada, dois cavalos namoram numa ilha fluvial. Tarkovski foi um gênio, um dos 5 ou 6 do cinema, e no documentário que vem com o filme vemos que ele parecia ser uma pessoa adorável.