The Specials - Too Much Too Young (1980) (HD)



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Stiff Little Fingers - Suspect Device



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ROCK IN RIO

   Michael Jackson, Madonna e Prince colocaram o POP numa nova época e com isso transformaram o velho rock em coisa para sempre PROUSTIANA. O rock deixou de ser a ponta da lança e virou madeleine que sempre remete a alguma sensação do passado. Porque mesmo os meus alunos de 12 anos, quando gostam de rock, ficam naquela coisa de "detestar os anos 2013 e amar o que deveria ter sido SEATTLE-BEATLES-WOODSTOCK-VELVET UNDERGROUND. A coisa congelou e é irrelevante. O futuro passa longe do rock. Virou jazz, virou blues. Pode ser até sincero, emocionante, mas é SEMPRE coisa derrotada, passada, mofada e levemente preconceituosa.
   Não há diferença entre um show de Elton Juhn e algum cantor de piano com 20 anos. Só as rugas e a quantidade de boas canções. Todas as cantoras fofas de violão e de cabelinho são idênticas a Joni Mitchell ou a Rickie Lee Jones. A única diferença é que Joni era melhor. Se em 1980 ser velho era copiar alguma coisa com mais de dois anos, hoje ser "jovem" é se parecer com algo que tem mais de 30 anos. Esquisito pacas! O rock é a trilha sonora daqueles que não aceitam a passagem do tempo.
   É claro que alguns shows são bacaninhas! Mas chamar um show de rock de "divertido, bacana ou super-interessante" revela sua falência. Rock tinha de ser revoltante, surpreendente e visceral. Ou não era rock, era pop. Por isso que os caras se detonavam. A exigência dionisíaca era imensa.
   Nunca esqueci de uma matéria de Ezequiel Neves escrita em 1981. Ele tinha ido a Londres e comentava os shows que vira por lá. Falava dos "novos" Duran Duran, Classix Nouveaux, Visage e Ultravox. Reclamava que eram shows ensaiados demais, sem suor, limpos, shows sem erros, sem riscos. Dizia que eles copiavam Bowie só na superficie. Pois bem. Hoje, em 2013 posso dizer, eles eram o futuro.
   Nerds não namoram. E nunca parecem ser sexys. O rock é hoje música do cara que tira 10 em física. Como pedir para essa música voltar a ser sexy, solta, doida e livre? A galera rebelde está ligada em esporte e não mais em som. O cara que foge de casa, que namora todas, que se mete em encrencas, esse dá uma importãncia enorme a esporte, e quando escuta música é algo para o acompanhar no skate, no surf, na moto ou na briga. Nunca será rock. Nos anos 80 além de MJ, Madonna e Prince surgiu um novo fenômeno jovem, o esporte como moda. Basquete, surf, skate, bike, snow, esses passaram a ditar visual e comportamento. O rock os seguiu. E ficou mofado. Porque nunca os alcançou. Música de esporte passou a ser o RAP. Ou eletro. E só.
   A ligação do rock com o corpo se foi nesse momento. A coisa libertária e cheia de gozo que havia em Jagger, Iggy Pop, Jim Morrison e mais uma multidão, foi perdida. O rock passou a ser a música de Morrissey, do cara que no máximo se masturba no quarto. E esse cara é sempre um fraco. O nerd viu nele sua salvação. O rebelde riu e puxou o carro. O tempo anda. Morrissey se lamenta e sonha com Oscar Wilde.
   Diante de Jay Z, Justin ou Beyoncé, o rock "rock", o rock que sonha em ser Beatles, Led Zeppelin ou Bowie, sabe que seu tempo passou. Ele fica parecendo pequeno, nada potente, fútil. Porque no mundo que agora, sem o disco e o CD, é feito de show e de imagem digital, competir com esses shows tipo LAS VEGAS-DISNEY-CABARET é impossível. Três caras com guitarra, baixo e bateria nada podem contra trinta dançarinos e um bom cantor.
   Porque esses caras têm talento. E cantam pacas! E o principal: Eles têm sangue nos olhos. Vieram do gueto. Trabalharam duro. E seguem a tradição pop de Marvin Gaye e de Diana Ross. A essas vozes uniram o puteiro de Madonna. Eis a modernidade. Que pode ser muito bonita. Mas nada tem a ver com rock.
   Pois voce acha que o BOB DYLAN nascido em 1990 tá cantando o que? Ele canta a saudade da route 66, ele canta a solidão de seu quarto de teen, ele canta a redoma de seu amor triste. Mas sabe, se for sincero, que nasceu tarde demais. Se Dylan foi um futuro, esse cara é agora um passado que virou madeleine.
  

GASOLINA- JULIO MENEZES...UM RETRATO DE UMA SENSAÇÃO

   É dificil escrever sobre o livro de um brother. Se voce elogia fica parecendo que é coisa de amigo. E se voce mete o pau a coisa parece deselegante. Ou pior, voce pode estar dando uma de imparcial. But...
   Julinho, li teu livro em uma tacada só. As duzentas páginas desceram como vodka. Eu tava com medo. Temia que fosse mais um desses pseudo-Kerouac. Ou mais um cara apanhando coisas num campo de centeio. Teu livro não é nada disso. Ele tem a ver muito mais com algum filme dos irmãos Coen. Ou com Afterhours do Scorsese. Soube que vão fazer um filme dele. Não deixa nenhum Selton Mello fazer o Vanderley. Seria óbvio. Tem de ser um Michael Douglas brasileiro. Teu texto tem algo de Michael Chabon. Assista Wonder Boys, o filme duca com o filho do Kirk Douglas.
   Pois é, teu livro me lembra um monte de coisas que adoro. E ele nada tem a ver com voce e é ao mesmo tempo a nossa cara. Arte é isso. Fazer uma coisa que nada tem de auto-retrato mas é. Porque Vanderley é anos 80 até o osso da canela. Vodka barata. A gente bebia qualquer merda. Mas a escrita é absolutamente anos 2010. Esfacelada.
   Se teu texto fosse pretensioso diria que sua linha é a de Saul Bellow e aquela do Philip Roth em tempos de Portnoy. Mas não. É Julinho 100%. Trágico. E engraçado. Ridículo.
   Porra cara! Atropelar a Janaína foi uma sacanagem. Porque tua escrita tem o dom do erotismo. Deixa o Figueira comer ela!
   No mais, a gente sabe que é ridiculo ter mais de 40 anos e continuar sendo adolescente. Cara, a gente ainda tá pensando no que vai ser quando crescer. Voce é um escritor. De verdade. E cá entre nós, a gente quer continuar sendo teen porque a gente ainda deseja meninas com corpo de 18 anos. Fazer o que né? Somos grotescos e ridiculos.
   Lendo voce senti uma puta vontade de escrever um livro. Mas voce sabe, sou da turma do Caymmi, uma linha a cada dois meses.
   PS...Escreve mais um!!!! Vanderley made in Japan.
   abç.

A MÁQUINA DO TEMPO- H.G.WELLS

   Inventor vitoriano constrói mecanismo capaz de viajar pelo tempo. No futuro ele encontra um planeta quase irreconhecível. A sociedade pós-apocalipse, dividida em duas classes. Os eloys, que vivem na superficie e os morlocks, moradores da escuridão subterrânea. Vivendo em passividade, alheios a decisões, os claros e tolos eloys nada mais são que gado, carne que alimenta os morlocks.
   Wells foi um grande, grande novelista. Preocupado sempre com a sociedade, seus livros não se ocupam em desenvolver caracteres. Seu dom é puramente narrativo.
   Gosto de observar o fenômeno que ocorre no mundo de hoje. As classes mais ricas, e brancas, se tornam cada vez mais indolentes, passivas, delicadas. Sinto que há um processo natural de enfraquecimento dessas pessoas. Acho isso natural e irreversível, seu conforto as torna inaptas para a vida. São um poço de tédio e de eterno auto-exame. Espero que o modo como escrevo isto não pareça fascista, não prego a volta da força-branca européia, apenas observo o mesmo tipo de destino que foi vivido pelos últimos romanos. Presas naturais dos bárbaros. Mocinhos bonzinhos são trouxas ao lado dos espertos improvisadores da periferia. O dinheiro os salva, mas um dia essa situação mudará.
   Wells leva isso ao extremo. Com pavor das transformações sociais de seu tempo, ele cria essa sociedade de gado e de devoradores.
   Há um filme de George Pal, feito em 1961, que tem soberba magia. O assisti na TV Globo em 1975, sábado a noite com meus pais e adorei. As cenas de viagem no tempo, as ruínas de Londres cobrindo a máquina e depois o mistério do futuro... tudo aquilo me marcou. Revendo o filme em dvd percebo que ele sobreviveu bem. Ao contrário de outras ficções, que empalideceram, essa mantém o mistério e um delicioso clima vitoriano.
   Leia e veja.

A ABADIA DE NORTHANGER- JANE AUSTEN

   Para um homem que como eu, gosta de Jane Austen, a esperança é sempre a de se encontrar em seus livros um personagem tão bom quanto Mr.Darcy. Não é o caso aqui. Este romance, em que pese seu bom humor e a precisão dos sentimentos expressos, falha em seu lado masculino. Todos os homens aqui são superficiais. É um livro desequilibrado. Não conseguimos crer no amor de Catherine.
   Ela ama e a vida faz com que esse amor seja adiado. Ela é uma leitora de livros góticos, e assim, ela vê a vida como romance. As dificuldades aumentam seu afeto. Austen não lançou este romance. Deixou o manuscrito guardado, foi lançado póstumamente. Tenho a certeza de que Austen planejava aumentá-lo.
   O romance nos recorda que em seu nascimento romances eram coisa de mulher. Apesar de menos alfabetizadas, eram elas que tinham tempo livre para ler. Livros eram escritos, em sua maioria, para elas. Para cada Robinson Crusoe, centenas de romances para moças eram lançados. Homens iam ao teatro e, vejam só, liam poesia. Moças liam romances.
   Ler Jane Austen é sempre um prazer. Passeio em jardim acompanhado de gente interessante. Claro que este é um bom livro. Chega a ser ridículo ter de dizer isso. Mas é um passeio onde a quantidade de gente interessante é menor e nenhum deles usa calças. Falta alguém com quem me identificar.
   Irei reler Orgulho e Preconceito.

THE WHO - QUICK ONE - MONTEREY 1967



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The Blues Project - A Flute Thing - 06-18-1967 - Monterey Pop Festival -...



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OS EXTRAS DE MONTEREY

   Assistindo o DVD com as cenas que D.A.Pennebaker deixou de fora na montagem de Monterey Pop. Várias porcarias. Country Joe and The Fish por exemplo. E The Byrds, que fazem uma apresentação sem vida. O grupo nunca funcionou ao vivo e dá vontade de ver Chris Hillman se juntar logo a Gram Parsons e fundar os Flying Burrito Brothers. Acho David Crosby uma das figuras mais antipáticas do rock.
   Jefferson Airplane também é bem nada. E ter de assistir aos Mammas and Pappas...Quem merece? Tudo bem, podemos ver Michelle Phillips aos 16 anos, linda de doer e já na estrada, musa hippie para quem Paul MacCartney dedicou Michelle.
   Pennebaker foi esperto. Focou montes de meninas bonitas. E crianças brincando. O filme é de junho de 67, auge e começo do fim do sonho hippie. Pra voce ter uma ideia nesse mês voce podia comprar nas lojas os novos lançamentos: Sgt. Peppers e os primeiros discos de Hendrix, Doors, Velvet Underground, Love, Traffic, Pink Floyd, além de Cream e Small Faces com grandes discos. Vamos logo ao lado bom dos extras.
   Al Kooper, Electric Flag e Paul Butterfield. Bom pacas! Mas a coisa pega mesmo é com a apresentação do Buffalo Springfield, já sem Neil Young. Excelente e emocionante. Assim como emociona a bela ousadia do Blues Project, uma viagem de ácido.
   O Quicksilver Messenger é um arraso. Rock que me lembrou o the best do rock de Seattle em 89/91. Banda ícone da Califa 1967. E os extras trazem The Who. Bem, ainda tento entender Keith Moon. Com eles explode o luxo mod com o furacão rocker. Estão milhas à frente de tudo aquilo de então.
   Postei alguma coisa. Aproveite baby.

TELMO MARTINO E O LUXO DO HUMOR

   Telmo Martino foi o cara que me ensinou que humor e inteligência andam sempre juntos. Suas colunas no Jornal da Tarde mudaram minha vida ( e pelo visto, a de muita gente ). Ele era o cara que todo mundo se espelhava para ser "top". Informado e fino, no auge da "bicho-grilice" paulistana, da "intelectualice rabugenta", Telmo fustigava com chicote de ouro os chatos, os bobos e os sem jeito. Ler Telmo fazia com que nos sentíssemos cosmopolitas. Eu lia, nas terças, quintas e sábados, e me sentia em London Town.
   Telmo cresceu amigo de Paulo Francis e de Ivan Lessa. Em comum, a inteligência, o humor feroz e a consciência de que New York e Londres eram o centro do mundo. Eles sacudiam a pasmaceira.
   Fagner, Maria Bethânia, Elba Ramalho, Maluf, Antonio Fagundes, Vera Fisher, autores de teatro em geral dentre um imenso etc eram suas vítimas. Dos poucos que mereciam elogios estavam Suplicy e Beatriz Segall. Telmo era elitista? Muito. Mas não era uma elitização apenas financeira, era a elitização do gosto, do costume, dos bons modos. Telmo fazia, sem saber, a sobrevida do mundo antes-da-democracia-geral-de-tudo. Nos anos 80 a vitória foi do hiper-pop e o mundo de Telmo se desfez e se escondeu nas caves secretas do gosto. Telmo sumiu. Ou quase isso. Quem o leria hoje?
   Adoraria ler Telmo falar do funk, de Tiririca, dos BBB, da TV Record...Olha só o que eu disse! Telmo jamais escreveria sobre essas coisas. Iria tirar uma do mensalão, da moda das ruas, dos atores globais e dos sobreviventes da velha MPB. Não escreveu... sua coluna se foi assim como se foi o JT. O que lemos hoje são as colunas banais de Calligaris ( a de ontem sobre a prostituição foi de doer de tão ruim ), as colunas iradinhas de Pondé, e algumas boas tiradas de Da Matta e de Coutinho, mas nada com "finésse", com "chic", com luxo, inteligência e prazer.
   Acho que esses valores estão em baixa. Me parece que conforto, esnobismo chic e luxo esnobe irritam e não inspiram mais.
   O mundo ficou mais pobre. Mais óbvio e muito medroso.
   Telmo se foi.

SEAMUS HEANEY E O NOBEL

   Fico sabendo só hoje que Seamus Heaney morreu no fim de agosto. Irlandês, o terrorismo irlandês dos anos 60/70 marcou toda sua obra. Li Heaney em 1998, e como ainda vou reler não falarei dele agora. Seria tolo. O que recordo é sua escrita surpreendente. Onde voce espera mistério surge o cotidiano, onde o dia-a-dia nasce o inefável. A Irlanda tem os nobéis de Shaw, Yeats, Beckett e Heaney. Não tem Joyce e muito menos Wilde.
   Estou aqui com a lista de todos os ganhadores do Nobel. Se voce desconhece Heaney, saiba que há muita gente não só esquecida como não relevante. Seamus é relevante. Quem lembra de Sully Prudhomme, o primeiro vencedor? Em 1901 o autor mais famoso do mundo era Tolstoi. Ou talvez Mark Twain. Escolheram Sully. Os primeiros dez anos são assustadores. Apenas Selma Lagerlof permanece relevante. Não vou delirar e dizer que poderiam ter premiado Machado de Assis. Ninguém o conhecia fora do Brasil. Como seria um absurdo querer que Lorca ou Pessoa tivessem ganho. Só se tornaram conhecidos pós-morte. Mas em 1910 podiam ter premiado Thomas Hardy. Daria tempo em 1902 de premiar Tchekov. Preferiram escolher Heyse e Kipling.
   Nos anos de 1910-1920 a coisa melhora um pouco. Temos Tagore e Maeterlinck, mas foi o tempo de Proust! Rilke! Kafka! Tudo bem, seria impossível ter conhecimento de Kafka então, mas Proust em lugar de Heidenstan e Rilke tomando o prêmio de Gjellup, que beleza!
   Os anos 20 foram os melhores. Na lista dos vencedores temos Knut Hamsun, Anatole France, Yeats, Shaw, Henri Bergson, Thomas Mann e Sinclair Lewis. Lewis é o primeiro americano a vencer. Deveria ter sido Twain. Fitzgerald nunca venceu. Yeats foi o primeiro irlandês. E Bergson o primeiro e um dos poucos filósofos.
   Nos anos 30 o nível cai de novo e sobe no pós-guerra. É quando premiam Gide, Hesse, Mann, Faulkner e Eliot. Raras vezes o nível do prêmio foi tão alto. Russel é o segundo filósofo a vencer, em 1950 e Heminguay vence após Faulkner, em 54, assim como Sartre vence depois de Camus, Camus ganha em 57 e Sartre em 64.
   Nesse tempo a lista dos injustiçados cresce. Laxness em 55 no lugar de Borges. Ivo Andric em 61 e não Nabokov. John Steinbeck vence em 62, mas não Tennessee Willians. Patrick White e nada de Graham Greene. Harry Martinson e não Philip Roth ou John Updike. A lista é imensa! Premiam Jelinek e esquecem Iris Murdoch. Ignoram Wallace Stevens, Auden, Kaváfis...
   Mas têm grandes acertos. Kawabatta em 68, Bellow em 76, I.B. Singer em 78. As vitórias de Paz, Szymborska, Naipaul...A tardia premiação de Pinter e de Golding.
   Claro que há uma má vontade com os americanos. Basta dizer que nos últimos 40 anos apenas Saul Bellow e Toni Morrison venceram. Talvez possamos considerar Singer um americano, então são três. Justo? Penso que sim. Edward Albee ou Gore Vidal ficariam mal nessa lista? Odysseus Elytis venceu em 1979. Quem é Elytis? E Wole Soyinka? Mesmo Claude Simon, vencedor de 1985, quem o estuda hoje?
   A lista completa voce acha em Nobel Prize. com.
   Nela voce não encontrará Calvino, Lawrence, Waugh, Pound, Dylan Thomas, Vallejo...

A VIDA E O AMOR NA VIDA E PARA A VIDA

   Então voce anda pelas ruas com aquela música de George Gerswin na cabeça. Na verdade voce canta ela baixinho e até arrisca uns passos de dança numa rua mais vazia. Seus sentidos estão afiados e voce repara num jardim que nunca notara antes. As pessoas parecem menos feias e a tarde tem uma cor insuspeita. É estranho notar que seus amigos nunca te pareceram tão "bacanas". São grandes caras! Afinal, sua vida tem um objetivo, e ele está diante, atrás e ao seu lado. Falar sobre esse objetivo seria um pecado. Então voce anda e canta. Voce ama.
   E amando voce não está mais aqui. E todo mundo percebe isso. Voce é outro. E só voce sabe que esse outro é o verdadeiro voce. Porque amar é o que nos liberta, nos define e nos faz viver. Todo o resto é morte em vida. Ou na melhor das hipóteses, distração fútil do ato de esperar.
   Mas existem armadilhas. Pois o mundo nega o amor. De várias formas. As mais sutis: o tempo que se encurta e voce não consegue a ver como gostaria. A dúvida do ciúme: voce não confia no amor e acha que ele é fraco. O egoísmo: voce exige que o amor dela seja sempre maior que o seu. Voce pensa ser digno de mais amor que aquele que voce tem para dar. As pessoas ao redor: alguém diz que voce é ingênuo, outro fala que o amor não existe....Eis a grande batalha!
   O MUNDO grita desde sempre nos ouvidos de todo aquele que ama: O amor é uma ilusão! Uma armadilha! Uma tola invenção!
    E contrariado tudo em voce responde: Mas ele está em mim! E é mais verdadeiro que minha própria existência! Ele é a própria existência!
    E seu amor, que precisa e deve ser defendido, se vê em luta. É esse o Dragão. É isso que os cristãos chamam de a Tentação. Acuado, quase desiludido, vem a hora de lutar a única luta que vale a pena. A luta pela salvação do Amor. Isso define tudo, ou voce desiste ou voce persevera. E vence.
    Porque amar nunca foi TER quem voce ama. Amar é conseguir fazer sobreviver em voce O AMOR. Permanecer amante mesmo na ausência. Jamais desacreditar da força, da verdade e da eternidade do amor. A vida é isso. A alegria é assim. Viver só vale se for desse modo. Sim, é uma lei.
    Mas O MUNDO... antes eram familias que lutavam contra o amor. Guerras que desuniam, costumes que o impediam, tabús ou pecados. Heresias. Agora é a dúvida. Gente irá te dizer que Amor é Sexo, modo bonito de nomear um ato animal. Gente vai te dizer que Amor é interesse. Outros vão falar que ele não existe, é um conto da carochinha como é Deus ou a alma. Todos esses esqueceram o que o amor é, ou pior, nunca o conheceram. Mas eles te enfrentam, te tentam, te confundem.
    Persevere. Se voce perder o amor tudo será perdido. Lute.
    A gostosa que dança nuna diante de voce não é o amor. É um desejo. E o desejo vem e morre. É temporal, é falível e promete muito pouco. Quem amou sabe que o sexo NÂO é amor. É brinquedo, prazer delicioso, jogo de aparências, disputa por posse. Sedução. O amor nunca é jogo e jamais uma sedução. Ele sempre se mostra como verdade e acontece sem plano ou trabalho. Destino. Confirmação.
   Leio um texto de Pondé, não é de hoje, em que ele analisa o filme de Malick. Aquele com Ben Affleck. É disso que ele trata. Os críticos, incrível como os críticos de hoje têm baixa cultura, nada entenderam. O filme fala da descoberta do amor, da luta entre a matéria e o amor, da grande batalha.
   Porque tudo conspira, ao contrário do que dizem os new age, CONTRA o amor. O mundo abomina os amantes. Abomina sua passividade, a negação que eles demonstram da ambição mundana, sua indolência preguiçosa, sua ingenuidade perigosa. E cabe a todo amante SALVAR o amor. Lutar por ele.
   A vida é isso. Tão somente isso. É a verdade de Rumi, de São Francisco, de Buda, de Juan de La Cruz, dos poetas e dos músicos, de Chagall, é a verdade daqueles dois deitados na praia as quatro da manhã na chuva...