PERSUASÃO- JANE AUSTEN

   Dear Jane
   Eu me envolvi tanto com seus outros livros! Puxa, como torci por suas heroínas e por seus atrapalhados cavalheiros! Me vi dentro daquelas casa de campo e senti o gosto do que eles viviam. Voce tem o dom de dar vida a seus personagens, eles realmente se parecem com gente normal. Melhor ainda, voce sabe ser atemporal. O jogo de interesses e de mal entendidos nos toca fundo. Aprendi a amar seus livros.
   Mas o que aconteceu com este? Sim, eu sei que voce o escreveu já doente e isso talvez tenha te atrapalhado. Anne Elliot jamais nos conquista. Cheguei a me sentir irritado com tanta passividade. O que aconteceu?
   Sim, reconheço aqui seu encantador mundo pequeno, o mundo que voce conheceu. Me conquista algo que poderia ser fraqueza em outro autor: sua falta de imaginação. Tudo o que acaba por acontecer é óbvio, normal. Seus livros são homenagens a vida comum. Nada de vôos de idealismo. O cotidiano sempre. Voce consegue mostrar o que existe de bonito nesse mundo tão banal.
   Só que aqui esse cotidiano é cotidiano demais! Voce esqueceu de dar vida a Anne e a todos os outros. E Bath não ficou parecendo um lugar à Jane Austen. Pena....
   Despeço-me agora e saiba que nossas relações continuam calorosas como sempre.
   De seu amigo
   Anthony Roxy

OS INGLESES, OS FRANCOS, DARNTON, TV E JANE AUSTEN

    O excelente Joe Wright lança em Londres, agora, Anna Karenina. Keira Knightley faz Anna. Pelas criticas que leio, o filme é lindo. Mas nada tem a ver com Tolstoi. O melhor diretor jovem da Inglaterra filmou a obra-prima de Tolstoi após filmar Desejo e Reparação e Orgulho e Preconceito. Voce já vai entender o porque de eu ter escrito isso.
   A Tv às vezes surpreende. Robert Darnton foi entrevistado ontem no Roda Viva. Ele é o melhor historiador do mundo. E agora está digitalizando a biblioteca de Harvard. Fala uma coisa preocupante. Arquivos digitais podem desaparecer. Nada prova que eles vivam mais que um livro impresso. Temos livros de mais de 500 anos. Um livro digital pode sumir no ciberespaço. Um website dura em média 40 dias...
   Darnton é bem humorado, sabe falar e diz, brincando, que vive no ´seculo XVIII. Seus livros sobre o iluminismo são obrigatórios. Não pense que ele condena a internet. Ele é fascinado pelo assunto. Mas avisa: a época do autor como gênio, do homem que cria e sabe tudo está encerrada. Cada vez mais o homem será um ser grupal. Toda obra intelectual será um trabalho em equipe. Seja filosofia, romance ou cinema.
   Logo depois a Cultura passou um doc sobre Merce Cunningham. Trechos de uma obra com música eletrônica e cenário de Andy Warhol. Fascinante.
   Conheço um novo colega. Fez filosofia em Londres. Locke, Hume, Berkeley, Adam Smith.
   Ingleses são diferentes de franceses. Como cerveja e vinho.
   Franceses amam a comida. Ingleses vêm na comida um mal necessário. Preferem o jogo.
   Todo sonho de um francês remete a Paris. Ingleses sonham com casas no campo. Lareiras, xícaras de porcelana e sofás macios e imensos.
   Em maio de 68 franceses foram às ruas gritar por marxismo e liberdade sexual.
   Em maio de 68 ingleses estavam em casa estudando exoterismo, poesia medieval e tomando chás de ervas suspeitas. O protesto era em casa, na cama ou num comicio organizado. Em Paris faziam barricadas.
   Os franceses criam teses, planejam a vida, tecem utopias. E os homens devem se adaptar a elas.
   Ingleses observam a vida e depois tecem teses baseadas no que viram. Suas utopias se adaptam aquilo que foi visto.
   Para um francês a mente é um misto de desejo, preconceito e linguagem. Para um inglês é uma lousa em branco que vai sendo escrita aos poucos.
   Franceses metidos viram intelectuais.
   Ingleses metidos viram professores.
   Na França há o dever de se sonhar com um estado onde todos sejam iguais.
   Na Inglaterra o ideal é que todos possam ser diferentes.
   A França ama Napoleão e o ser que tem um grande destino.
   A Inglaterra ama o industrial que constrói e domina o mundo pelo trabalho.
   Todo francês termina por ser um entediado diante de uma taça de vinho.
   Todo inglês acaba por ser um conservador numa sala cheia de panos e pratinhos.
   Os franceses estão cheios de Descartes, Balzac e Rousseau.
   E os ingleses se entupiram de Wordsworth, Shelley e Keats.
   Um canta o homem politico e as construções da mente abstrata.
   O outro sonha com o campo e constrói o real.
   Ambos amam o dinheiro. Um tem vergonha disso. O outro o esconde.

   Pondé falou isso de forma mais Podeniana ontem.
   Volto a Joe Wright.
   Ingleses sempre retornam a Dickens. Ou Jane Austen, Keats, Shakespeare. Os pés firmes na cultura escolar. Um frenesi com a idade média. Não é outra coisa que fez Harry Potter, O Senhor dos Anéis. E um músico pop inglês sempre vai ter seu momento de "menestrel romântico".
   Detrás de um guarda-chuva sempre há um almirante, um pirata ou um bardo.
  

SONG TO THE SIREN- TIM BUCKLEY, A BELEZA LIBERTA

   O momento exato em que voce descobre a beleza. É uma epifania.
   Não conhecia Tim Buckley. Ou melhor, só de ouvir falar. Sabia que havia morrido e era o pai de Jeff Buckley. Mas após escrever sobre a versão de Ferry de Song To The Siren ( e de num lapso dizer ser ela de Nick Drake!!!! ), ouço a versão de Robert Plant, que é melhor que a de Ferry, a dos Cocteau Twins, de Sinead O"Connor, de David Gray....então vamos ouvir a original logo.
   Digito Tim Buckley e vem o video de 1968. Ele canta na TV, num episódio dos Monkees. Logo dos Monkees, meus amados de infância. Ouço a voz de Mickey Dolenz anunciando Tim.
   E o homem canta....e me embebeda em beleza. A voz dele é firme e é pura. Há nela uma qualidade de certeza e de destino. E a música é uma sereia. E penso....
   A melodia é meu barco onde eu navego na mistura de beleza e de horror. Sublime, a doce e amarga lembrança. E eis eu aqui, sim, eis eu aqui nesta canção. Momento em que descobrimos um novo homem. Nele que canta e em quem o escuta. Here I Am....Onde são os limites?
   Milagre. O envolvimento de meu corpo no canto das sereias. Todas elas foram sereias. Todas elas eu esperava. Here I Am....Até onde?
   É uma das mais belas canções. E beleza é animal caçado hoje. Têm ódio do que é belo. Por serem feios. Vomitam sujeira nos rios e depois trancam esses cadáveres em concreto. Ódio mortal do que é belo.
   Porque a beleza lembra aquilo que poderíamos ter sido. Aquilo que fomos um dia. Ou pior, o que nunca nos deixaram ser. Here I Am....Pra sempre?
   A beleza faz nosso sonho falar. Liberta. O animal que nos dá a liberdade.
   Tudo isso eu sinto nos 3 minutos de uma canção de Tim Buckley. O inefável.

Tim Buckley - Song to the Siren



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"ENTRE RIOS" - a urbanização de São Paulo



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TIME OUT-ENGLAND, OS MELHORES FILMES INGLESES DA HISTÓRIA

1- DON'T LOOK NOW ( O INVERNO DE SANGUE EM VENEZA ) de Nicholas Roeg
2- O TERCEIRO HOMEM de Carol Reed
3-DISTANT VOICES de Terence Davies
4-KES de Ken Loach
5-THE RED SHOES de Michael Powell
6-A MATTER OF LIFE de Michael Powell
7- PERFORMANCE de Nicholas Roeg e Donald Cammell
8-KIND HEARTS AND CORONETES de Robert hamer
9-IF...de Lindsey Anderson
10-TRANSPOTTING de Danny Boyle
   Boyle? Oh God! Transpotting é legal, mas décimo? Don't Look Now é uma obra-prima, mas não sei se esse filme de horror e espiritismo feito em 1973 se manterá em primeiro lugar. Nos comentários à lista se ressalta a definitiva ressurreição de Powell. Ele tem seis filmes entre os 100, sendo cinco entre os 20 primeiros. O autor comenta que o DVD fez com que seus antes menos conhecidos filmes fossem reavaliados. Todos são grandes surpresas. Não posso fazer minha lista, mas desses dez primeiros meu favorito é The Red Shoes. Na lista completa dos 100 filmes surge Stephen Frears como um grande derrotado. Tem apenas um filme entre eles. Assim como Ken Russell, Alan Parker, Chris Menges, Peter Greenaway, todos diretores que tiveram seu momento e o perderam. Felizmente não há Guy Ritchie.

LISTAS DE ESCRITORES

   Na internet entro a procurar listas. Compartilho com voce.
   A BBC. Uma lista feita pelos espectadores. Os maiores poetas de todos os tempos:
   1- Eliot, 2- John Donne, 3- Zephaniah ( who? ), 4-Wilfred Owen, 5-Philip Larkin, 6-William Blake, 7-Yeats, 8-Betjeman, 9-John Keats e o décimo é Dylan Thomas. Não conheço Zephaniah e não sei de onde ele é. Imagino que escreva em inglês. Todos são britãnicos!
   Há uma lista de um site alemão. Eis:
   1-Goethe, 2-O Rei David, 3-O Rei Salomão, 4-Shakespeare, 5-Schiller, 6-Heinrich Heine, 6-Holderlin, 7-Rumi, 8-Omar Khayyan, 9-Hafiz, 10-Rilke....E assim a gente percebe o porque da união européia ser um engodo. Apesar da lista alemã se permitir um forte orientalismo ( imigrantes? ) e a inclusão de textos do Velho Testamento, e terem concedido aos ingleses a presença de Shakespeare, lendo toda a lista vemos Kleist e Moricke na frente de Dante, Herder e Storm diante de Homero e o fato de que o primeiro dos franceses é Rimbaud, em 67*. É uma lista totalmente germânica e nunca europeísta.
   Pessoa é o 64, Lorca o 78 e Wallace Stevens o 89.
   Uma lista feita por americanos é pouco mais democrática.
   O primeiro é Maya Angelou ( who? ), o segundo Shel Silverstein ( who? ), e o 3- Neruda, 4-e.e.cummings, 5-Robert Frost, 6-Poe, 7-Emily Dickinson, 8-Ted Hughes, 9-Ezra Pound e o décimo é Oscar Wilde ( sim, ele foi também um poeta ). A relação tem a cara dos EUA de hoje. É politicamente correta, moderninha mas não demais, variada e contempla as minorias. Maya é negra e nasceu em St.Louis. Tem 70 anos. Shel viveu 49 anos, morreu em 1999. A lista completa tem ainda Bob Dylan em 38 e John Lennon em 90. Poesia Pop.
   Para finalizar uma lista de escritores feita nos Eua com a participação de mais de 40.000 pessoas:
1-Mark Twain, 2-William Faulkner, 3-Poe, 4-Heminguay, 5-John Steinbeck, 6-Tennessee Willians, 7-Cormac MacCarthy, 8-Flannery O'Connor, 9-Harlan Ellison, 10-David Foster Wallace ( é o autor de As Pontes de Maddison.... ).  Não se assuste, é uma lista dos maiores escritores americanos da história. Fitzgerald é o 11. Melville o 12 e na sequência vêem Emerson, Dickinson, Eliot, Kurt Vonnegut, Jack London, Salinger, Joseph Heller e Walt Whitman. Li toda a lista. Tem até Sidney Sheldon. E não tem Philip Roth. Saul Bellow é o número 44 e Updike o 81. Lembraram de Gore Vidal: 75. Henry James é o 90 e esqueceram Edith Wharton. E Eugene O'Neill.
   Posso fazer minha lista de americanos?
   Henry James, Fitzgerald, Eliot, Whitman, Saul Bellow, Wallace Stevens, Poe, Faulkner e Edith Wharton.
   Twain é OK, Tom Sawyer foi o segundo livro que li na vida e o primeiro a me apaixonar, mas não é um gênio. Steinbeck é um pé no saco e a fama de MacCarthy sumirá quando ele morrer. Na relação tem ainda muita gente ruim. E felizmente lembraram do excelente John Cheever.
   Pra que servem listas? Pra orientar leituras? Quebrar mitos?
   Em meu caso é pura curiosidade. Revelam um certo momento cultural.
   Tá dito.

INTOCÁVEIS/ TIM BURTON/ MIB III/ JOHN WAYNE/ LANG

   SOMBRAS DA NOITE de Tim Burton com Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Eva Green, Helena Bonham-Carter
Dificil falar deste filme. Foi injustamente desprezado. Não é ruim e não é nada bom. Ele é tolo, inacreditávelmente infantilóide e sem graça. Mas ao mesmo tempo há algo nele que convida a diversão. Talvez seja o belo visual gótico-cafona, talvez uma atuação tão ruim de Depp que se torne interessante. O roteiro, péssimo, fala de um homem enfeitiçado e que séculos depois volta como vampiro. Boa lembrança de Burton em abrir o filme com o Moody Blues e sua nights in white satin. Um dos filmes mais mal feitos de Burton....E com tudo isso, eu ainda assim gostei. Nota 6.
   UM parênteses: Zero-ridiculo, 1-péssimo, 2-fraco, 3-medíocre, 4- uma pena, 5- razoável, 6-médio, 7- bom, 8-um ótimo filme, 9 grande!, 10- sensacional, Obra-Prima- único.
   UM GOSTO DE MEL de Tony Richardson com Rita Tushingham
Adorei. Num p/b muito cinzento, vemos a história ( ou apenas um flash ), na vida de uma mocinha pobre, feia e sem graça. O que a redime é sua raiva e sua juventude. É a Londres que já tinha os Beatles, mas ainda não sabia disso. 1961. Ando vendo sites de cinema, e num deles há uma critica em que um idiota chama este filme de "chatice desinteressante". Nunca vi respostas tão iradas dos leitores. O tal critico não tolerou a exibição de um passado inglês que não casa com aquilo que ele quer imaginar ser sua história. É uma Londres feia, suja e de gente que discute todo o tempo. Escrevi mais sobre este filme logo abaixo. Destaque para a trilha esquisita de John Addison. Nota 7.
   MAN HUNT de Fritz Lang com Walter Pigeon e Joan Bennet
O filme foi feito em plena segunda-guerra, antes da entrada dos EUA na guerra. Temos um inglês que é pego na Alemanha no momento em que ia atirar em Hitler. Ele foge e na Inglaterra, agentes alemães tentam trazê-lo de volta. O filme começa muito bem, mas tem um problema, o roteiro. Dificil aceitar a facilidade com que os agentes nazistas trabalham em Londres. Lang era um excelente diretor, às vezes genial, mas não era Hitchcock. Inexiste suspense. Nota 5.
   OS COMANCHEROS de Michael Curtiz com John Wayne e Stuart Whitman
No começo dos anos 60, John Wayne era o astro mais famoso do mundo. Mas não era um dos de maior prestigio. A crítica preferia Lancaster, Peck, Newman, Quinn ou Brando. E pior que isso, Wayne estava falido. Chegou a fazer cinco filmes em um ano para tentar se reerguer. E já com o câncer que o levaria quase vinte anos depois. Este é o último filme de Curtiz, diretor mítico de Casablanca e dos hits de Erroll Flynn. É um western cômico, sobre caçador de recompensas e vendedores de armas mexicanos. Nada de especial, mas nada que envergonhe a carreira de Wayne. Nota 5.
   HOMENS DE PRETO III de Barry Levinson com Will Smith, Tommy Lee Jones e Josh Brolin
O primeiro foi maravilhoso. O segundo muito chato. Este é irregular. Toda a primeira parte é sem ritmo, sem humor, parece forçada. Melhora depois graças ao bom tipo de Josh Brolin. Smith volta a 1969 para salvar seu amigo Lee Jones. Estranho, foi-se o bom humor. O filme chega a ser triste. O contraste de 69 com 2012 não é explorado. Temos a impressão de que nada havia de diferente então ( a não ser o tamanho maior dos gadgets ). Nota 4
   WATCHMEN de Zack Snyder
Comprei esse dvd a séculos mas não me animara a ver. Ei-lo. Começa prometendo muito. Um visual deslumbrante e um clima de filme noir anos 40. Além do bom uso da música de Dylan. Mas logo se revela seu problema número um: a falta de um bom herói. Não há ninguém que nos interesse. E depois nasce mais um problema, vemos que toda aquela complicação é só para disfarçar a mensagem simplória: a América é um lixo. Mais uma dessas peças que tratam dos males do país ao mesmo tempo em que vendem o modo de vida americano. Ele fala mal da América sendo hiper-americano. Uma contradição, um golpe de publicidade como tanto se faz. Se voce quer ser anti-americano, tenha a coragem de criar ou seguir um estilo não-hollywoodiano. Machismo, violência, crime, tudo glamurizado. Nota 1.
   INTOCÁVEIS de Toledano e Nakache com Omar Sy e François Cluzet
Cássio Starling escreveu na Folha que este filme trata o negro como macaco. Mentira! Omar Sy dá um show como um africano da periferia de Paris. Um homem que começa como um malandro desajustado e que aos poucos percebe que dá pra tentar se dar bem sendo um cara do bem. O filme é antiquado, conservador e banal. Essa história de homem rico e triste que descobre a alegria com alguém pobre é velha como um filme de Julia Roberts. Mas há um mérito não desprezível aqui: o filme evita a chantagem melô. Nada de ceninhas pra chorar. É triste, mas não é chorão. Aliás, podiam ter tirado a péssima trilha de pianinho tipícamente noveleiro. Fenômeno na França, parece que vai bem aqui. Filme comum que com certeza será refilmado e destruído em Hollywood. Nota 5.
   PARAÍSOS ARTIFICIAIS de Marcos Prado
Poucos filmes tem personagens tão babacas. Tudo aqui é um porre de classe média em seu pior aspecto. Ele é falso, vazio, sem porque e mal intencionado. Todas as cenas chegam a constranger. O diretor parece ter o dom de sempre escolher o pior enquadramento. O tipo de filme que deseja ser moderno e acaba sendo apenas um péssimo produto. Zerão!

O RIDÍCULO DA ARISTOCRACIA HOJE ( E A FALTA QUE ELA PODERÁ FAZER )

   Converso com uma nova amiga, professora de filosofia. Esperava dela a mediocridade de um monte de dogmas, mas não. A definição de seu discurso é não possuir nada de definitivo.
   É levemente cômico, pra não dizer ridiculo, ser aristocrata hoje em dia. Guiar-se por valor e não por popularidade é sempre mal aceito. E por aí vai a conversa.
   Na Rede Globo, às 21 horas de sexta-feira, era exibido um programa que trazia óperas de Wagner e sinfonias de Beethoven. Veja bem, na Globo. Porque? Porque apenas meia dúzia de privilegiados viam TV? Não, a TV já atingia 80% da população. Porque a Globo era lider sem concorrência? Não, havia a Tupi e a Record. O motivo era que o público consumidor, que pagava o anunciante, era composto de uma "elite" que queria assistir Wagner na TV. Ser um aristocrata é pagar o mico de sentir saudades desse elitismo.
   O mesmo no cinema. Se um sucesso de bilheteria ainda podia ser cantado e dançado, se Bergman era pop, isso se devia ao fato de que era uma aristocracia intelectual que dominava as páginas culturais. O cinema tinha Trapalhões e filmes policiais de Charles Bronson, mas Kurosawa e Fellini causavam uma ressonância nem sonhada por Cronenberg ou Lynch. Porque apenas uma elite mandava em revistas e jornais culturais.
   Hoje a TV Globo ( e NatGeo, Sony, Fox ) precisa agradar uma imensa massa consumidora de seus anunciantes. Os jornais precisam tratar Batman ou Prometheus como arte, porque para o novo consumidor, eles são aquilo que ele pensa ser arte. É o povinho que vai no Masp ver Caravaggio e acaba por babar no Renoir.
   Se antes as letras das músicas eram mais sofisticadas e se Hesse ou Huxley eram best-seller, isso se devia ao fato de que só aristocratas liam e compravam LPs. Na atual democracia a massa lê. A literatura e a música servem seus paladares.
   Democracia é uma coisa complicada. Voce pega todo mundo e os une pelo mínimo denominador comum. Daí o fato de que nunca mais teremos nada de aristocrático. A língua do mundo tornou-se a língua da massa iletrada. E como essa massa tem mais filhos, a coisa tende a piorar.
   Mas eu vivi na ausência de democracia, e odiei ser comandado de forma explícita. Eu quero ler o que quiser, falar o que desejar e escolher o que me apetecer. Churchill dizia que a democracia era cheia de falhas, mas era o sistema menos ruim. Não nos esqueçamos de que no mundo de Stalin ballet era pop e em Praga tudo era preservado. Mas quem quer a volta de Stalin e da bota comunista sobre os tchecos?
  Daí a encruzilhada do espirito aristocrático. Odiar a extrema vulgaridade do mundo atual e jamais desejar a volta daquilo que já morreu tarde.
  Saudosismo. Causa espanto ao nobre que a palavra saudosismo seja hoje um palavrão. Aristocratas amam tudo o que é velho, amarelado pelo tempo. Seu inimigo é o novidadeiro, aquele que só vê e ouve aquilo que acabou de sair. O aristocrata está sempre atrás das raízes, do pedigree, dos ancestrais. Se Jack White tem Son House como mestre, ouçamos Son House. Se Almodovar ama Douglas Sirk, vejamos Sirk. É o estilo Debret de todo aristocrata. Só confiar no que é novo após seu envelhecimento em barris de carvalho. ( Debret é o imenso alfarrábio britãnico que traz toda a genealogia das familias de sangue azul ).
   Mas toda essa conversa é absolutamente inutil. E cômica em sua altivez ridicula. Pois lentamente até os pretensos aristocratas dão o braço a torcer e se pegam cantando Beyoncé e vendo filmes de Jason Statham. A ditadura, sedutora-suave-insistente, do anti-aristocrático, do novo, da arte sem aura, acaba por vencer, por baixar as resistências, por domar.
   Ainda virá um tempo em que Michael Bay será chamado de grande cineasta e Paulo Coelho de grande autor.

A VIRGEM

   Se existe algo na iconografia católica pelo que tenho o maior respeito, é sua simbologia ligada a história da civilização. Voce não precisa ser crente para perceber o valor de um símbolo. Basta ser um iniciado. Existem centenas de ateus que reconhecem  a riqueza do que falo. Vamos aos fatos.
   O catolicismo nasce como corrente patriarcal. Em sua origem, Pai, Filho e Espirito Santo regem toda a fé. Não há´nada de feminino na igreja. Com o correr dos séculos, correntes pagãs começaram a se fazer mais fortes. Sábios esclarecidos logo perceberam que havia algo ali. Por mais que os homens fossem "domesticados" pelo catolicismo, persistia neles um desejo natural, uma ligação com mitos arcaicos, com paganismos que louvavam a mãe-Terra. E foi um movimento popular, e em principio herege, que trouxe o mito da Virgem Maria para o centro do catolicismo. A igreja oficial, em profunda crise, foi obrigada a aceitar esse novo fato ( e até hoje tem dificuladade em aceitar o possível casamento de Jesus ).
   O que isso simboliza? Porque Virgem?
   Ela é a Deusa, a mulher sem homem, capaz da vida, sem mistura. Não há moralismo aqui. Ela simboliza a Terra antes do homem, o mistério da Natureza, que virgem, sem nossa mão de homem, produz vida, produz luz, produz tudo o que há. O culto a virgem é, de forma arcaica, o culto a natureza, a chuva, ao que é sem precisar de nossa ação. O que é Puro. O que está fora do tempo e da corrente do Homem.
   Dái meu profundo respeito. Minha compreensão. E meu entendimento sobre o que Ela significa e de onde ela vem.
   Tem coisas em nosso mundinho fofo que não servem para brincadeiras. Essa é uma delas.

PELA PRIMEIRA VEZ ME DOU O TRABALHO DE ESCREVER SOBRE UM DISCO RUIM: OLYMPIA-BRYAN FERRY, ODE AO TÉDIO

   Quem me conhece sabe que sou um Roxy Music fã. Mas esse disco de Bryan, seu mais recente, chega a causar vertigem de tão ruim. Pior que ele ( dentre os outrora nobres do pop ), só os últimos de Paul MacCartney.
   Ferry se repete. Até aí nada de mais. Todo artista tem um estilo e o domina. Faz variações sobre o mesmo, cria novas interpretações. Mas aqui ele se repete ao ponto do plágio. Faz cover de si-mesmo. Olympia é mais uma releitura, pobre, de Avalon, último disco do Roxy, de 1982. Os mesmos backing vocals, o mesmo acúmulo sinfônico de instrumentos, a cadência black, o bom-gosto límpido. E um bando de convidados estelares: Flea, Eno, David Gilmour, Dave Stewart, Groove Armada, Jonny Greenwood, Chris Spedding. E a voz lânguida repetindo gemidos e temas de sempre. Chega Bryan! Cansou.
   Há tempos que todos sabemos, um artista médio tem cinco anos de inspiração. Um acima da média, dez anos. Um genial, quinze. Não mais que isso. Depois é a habilidade de repetir o já feito sem cansar o fã. Aqui Bryan cansa. É impossível ouvir o disco inteiro.
   È sabido que uma das grandes habilidades de Ferry sempre foi a de fazer covers. Em sua carreira temos dezenas deles, inclusive discos só de covers. Aqui ele canta Traffic  de uma forma banal. Mas acerta com Nick Drake. Song To The Siren é de chorar de tão bonita. Uma pérola, pena que jogada em meio ao lixo. Emoção, gosto, sabedoria, luxo e sinceridade. Tudo está aqui. Ferry deveria tê-la guardado para seu próximo disco só de releituras de outros autores.
   Eu compreendo que um grande artista tem o direito de continuar exercendo sua arte. Deve ser um prazer cantar, compor, juntar arranjos. Mas é preciso saber a hora de calar. Concentrar-se no palco, dar shows, encarar e dar prazer aos fãs. E não lançar novas bobagens.
   Pena.

O FIM DE UM DEUS ( O ELEFANTE )

Temos livre-arbítrio. Segundo Aldous Huxley, a cada avanço científico temos a escolha, saber se aquilo vale a pena ou não. Isso porque tudo na vida tem um preço ( e este é um fato que tudo no mundo moderno tenta nos fazer esquecer ). Cada ato tem sua contrapartida. Sempre. Portanto a descoberta da energia nuclear cobra o preço da bomba, a opção pela gasolina tem um preço, e por aí vai. Caberia ao homem decidir se o preço é alto demais.
Mas existe também o juro, que é cobrado de forma imprevisível. A droga parecia ter como único preço a possibilidade do vicio. Mas ela acaba cobrando o juro da criminalidade. Criminalidade como jamais poderia ter sido imaginada. Huxley diz que a opção pelo progresso foi assumida no século XVIII. Progresso que tomou o lugar da permanência. Desde então, queiramos ou não, somos obrigados a arcar com o custo dessa opção. Pior que isso, como na pior época da igreja dogmática, somos obrigados a acreditar que o progresso é não só desejável como biológico. A teoria da evolução nada mais é que a "legitimização" biológica, inescapável, de que o progresso está inscrito em nossos gens. Se antes Deus nos obrigava a Lhe obedecer, hoje o progresso nos obriga a "progredir".
Há um preço. A arte ao se mecanizar perde o poder de se comunicar com o sublime. E a religião, ao se tornar materialista e humana, perde qualquer possibilidade de sagrado.
Desde sempre tivemos duas opções: ser o jardineiro do planeta, ou ser seu fungo. Não há meio termo. Ou trabalhamos para o planeta, com a humildade de entendermos sermos parte de algo incompreensível; ou exploramos o ambiente, esgotamos tudo, e sonhamos com novas possibilidades em outros mundos. A escolha foi feita por volta de 1740. Não preciso dizer qual.
Um batalhão de assassinos, armados de um arsenal hiper-sofisticado, está dizimando todos os elefantes da África. Em 2011 foram 4000 elefantes assassinados. Os guardas florestais não têem como enfrentar tanto armamento. Os chineses, que ficaram ricos, amam o marfim, e nunca na história do mundo o marfim foi tão caro. Um quilo vale 500 dólares. Um tipo de projétil com granada explode a cabeça do elefante. Os corpos apodrecem no chão. O dinheiro mata o elefante. O dinheiro é deus. Optaram por isso. Não temos mais outra escolha. Os próprios conservacionistas sabem que os elefantes não têem mais como se salvar. O dinheiro decidiu por seu fim.
Não quero e não posso viver num mundo sem elefantes. O mundo que está sendo construído não é o meu.

A TASTE OF HONEY- TONY RICHARDSON, FREE CINEMA

   A Inglaterra sempre teve ótimo cinema. David Lean, Carol Reed, Michael Powell, Anthony Asquith...Mas seu cinema foi sempre acusado de passadista, de cinema de sala de chá. Bonito, artístico, cheio de excelentes atores e de boas frases, mas sem verdade e sem "atualidade". Isso tudo mudou em 1958 com a eclosão do movimento do "free cinema". John Schlesinger, Karel Reisz e Tony Richardson foram os primeiros nomes. Mas logo a eles se uniram Richard Lester, Ken Russell, John Boorman, Michael Winner e Ken Loach. Como eram esses filmes?
 Mostravam a Inglaterra real, a jovem Inglaterra. E o que seria o tal "real"? E "jovem", era o que? Para explicar, vejamos este excelente filme.
 Mãe e filha. A mãe tem vários namorados, a filha está sempre de mal humor. Vivem discutindo. Se agridem e são pobres. E feias. Quantos mitos caíam aqui? Nada de salas de chá. São casas sujas, apertadas, escuras e cheias de mal cheiro. Nada da famosa elegância. São mal vestidos, sujos e sem boas maneiras. E falam alto. Têm muita raiva. A base desses filmes é a raiva.
 Antes do free cinema houve a revitalização do teatro. Os "angry young men". Tony Richardson começou com eles, dirigindo Osborne no West End. Raiva, eles queriam tudo e nada tinham. Raiva. Jovem era a raiva.
 Voltando ao filme.
 A mãe vai morar com um namorado. A filha tem caso com marinheiro negro. Ele parte e ela vai morar sózinha. Mas acaba por dividir o espaço com um novo amigo, gay assumido. E por aí vamos. Feito em 1962, eis uma Inglaterra que não existe mais. Primeira surpresa: bandos de crianças nas ruas. Elas são donas de tudo. Entre 1945 e 1960 houve um surto de nascimentos na Europa. E nos EUA. O "baby boom". Dizem que crianças nascem quando o mundo está otimista. Elas aqui dominam a vida. Correm, pulam, são sujas e têm espaço. A cidade é cheia de vielas, prédios aos pedaços, ruas sem gente, terrenos baldios. Ainda há marcas da guerra, restos e muita poluição. Todos são muito pobres, mas já pressentem o surto de crescimento dos anos que viriam ( 63/72 ). Aquelas crianças nas ruas serão os hippies de 69 e os glitters de 72.
 A câmera se enerva. Nada é bonitinho, mas não se apela ao drama. Não temos pena da menina. E de ninguém. Assistimos e gostamos deles, de todos eles, sabemos que eles irão sobreviver. Todos eles. São vivos, ansiosos, nunca deprimidos. Falam, andam. O filme tem muito de documentário, acompanhamos suas idas a parques, a praias, a diversões vulgares. Vemos a verdade, se é que ela existe. Se existir, estará aqui.
 Antecipações do futuro. O namorado negro, o amigo gay, a vontade de ser um designer, o querer ser só, a raiva jovem. Ela é uma menina de 2012. Sem a pasmaceira de 2012. Com a ansiedade de 1962.
 Tony Richardson acertou nos seus cinco primeiros filmes. E Tom Jones, em 1963,o quinto filme em quatro anos, lhe deu Oscars de filme e direção. Voces têm de ver Tom Jones! Mas a partir desse sucesso ele só errou. Seu casamento com Vanessa Redgrave acabou e todos os seus filmes fracassaram. Mas este não.
 Voce vê o filme com muito prazer e sente algo de muito volátil em cada cena. A transformação se anunciava. Londres iria se erguer, voltar a ser moda, criar, inovar, ousar. E essas crianças sentem isso em meio a toda miséria.
  Que filme lindo!
  PS: Arte brota na sujeira. Sempre.
  PS2: O pessoal da nouvelle vague adorava odiar todo o cinema inglês. Tolice! Velha rivalidade entre bulldogs e galos.
  PS3: As ruas hoje são de quem? Carros? Õnibus? Ou estão desertas? São de pessoas adultas ocupadas.

LORAX/ BETTE DAVIS/ NICHOLAS RAY/ SIRK/ STATHAM/ WENDERS

   O INTOCÁVEL de Boaz Yakin com Jason Statham
Adoro os filmes de Jason. Não são hiper produzidos, eles têm ação real e Jason luta como um chinês. Sabe se mover e tem leveza. Aqui ele é um lutador a beira do suicidio que é salvo ao se involver com uma menina chinesa que está sendo usada por mafiosos russos. Nada de especial no roteiro, mas a ação é de primeira. Uma diversão sem culpa. Nota 6.
   O LORAX de Chris Renaud
É bom. Como todo desenho, tem uma mensagem certeira. No futuro tudo é de plástico e tudo é bonito e limpo. Mas por detrás disso, há um mundo destruído e morto. O ar é vendido por uma corporação que deseja manter tudo como está. Bem... como escrevi em outro lugar, crianças hoje carregam a missão de nos resgatar. Vejam o que fizemos kids! Reajam, pois nós desistimos. Eis a mensagem. É uma bela mensagem, claro. Melhor isso que o niilismo acomodado dos filmes adultos. Mas caramba! Um dia voltarão a fazer desenhos  bobos e infantis? Nota 6
   PETER PAN  de Wilfred Jackson e Disney
Mítico. São dezenas de mensagens cifradas, montes de possibilidades poéticas. O menino que não quer crescer e a menina que não pode deixar de crescer. Alguém se vê neles? Bem vindos ao mundo de 2012. Não é uma obra-prima, mas é um ícone. Nota 8.
   UM AMOR DE TESOURO de Andy Tennant com Mathew McConaughey, Kate Hudson e Donald Sutherland
Um casal brigado acha tesouro. Mas tem de disputar a descoberta com rivais "do mal". O cenário é estupendo. O filme é um café. Voce vai em um restaurante com sua namorada, vê umas vitrines e por fim assiste este filme. Um café: gostoso e tirado às dúzias toda hora. Mathew é simpático. Em tempos de melhores filmes pop ele seria rei. Kate envelhece mal. Sua mãe era melhor em tudo aquilo que ela tenta fazer. Donald apenas está lá. O filme não é ruim, é bobo. Nota 4.
   ALMAS MACULADAS de Douglas Sirk com Rock Hudson, Dorothy Malone e Robert Stack
Um repórter alcoólatra se envolve com casal de aviadores de circo. São aqueles pilotos que se exibem em circos, fazem corridas e se arriscam. O filme mostra a condição patética do repórter. Ele ama sem ser amado, é desprezado pela mulher que ele ajuda. Se destrói. Mas ao final, é ele quem dá a volta por cima. Não é dos melhores Sirk, mas tem um Rock Hudson bem dirigido ( quem falou que ele era mal ator? ) e aquele clima fatalista que esse excelente diretor sabia tão bem criar. Nota 7.
   PINA de Wim Wenders
Assisto mais uma vez e gosto mais ainda. Acachapante. A primeira cena com Stravinsky já te deixa zonzo. O filme não é apemas bom. Ele é uma aula emocionante sobre arte. O limite, a expressão e o risco. Pina Bausch ousava, errava, repetia, acertava. Os dançarinos-atores são magos. Cenas com água, humor com cachorro que late, mulheres que caem, retratos de sofrimento e de alegria. O filme te derruba, te impressiona. Os corpos vão ao limite. A alma se entrevê. Lindo. Nota 9.
   AMARGA ESPERANÇA de Nicholas Ray com Farley Granger e Cathy O'Donnell
Famoso filme de Ray que antecipa a Nouvelle Vague. Godard amava este filme e há muito de Acossado nele. Sobre um ladrão que não consegue sair do mundinho podre onde ele vive. Mas o filme não é centrado em roubos ou em tiros, o que vemos é uma hiper triste história de amor. Amor tragédia, fadado ao absoluto fracasso. Nos incomoda ainda. É invulgar, original e melancólico. Nota 7.
   MULHER MARCADA de Lloyd Bacon com Bette Davis e Humphrey Bogart
Atenção. Não é um tipico filme de Bogey. Ele aparece pouco e faz um promotor do bem. O filme é de Bette, ainda bonita e sexy, que faz uma prostituta que é usada por gangster. O que vemos é sua conscientização. O filme é esquemático e sem muito apelo. Mas é um prazer ver Bette em ação. Uma diva imensa, a única que poderia trombar com Kate Hepburn e vencer. Um filme curto, grosso e direto. Típico Warner anos 30. Nota 6.