leia e escreva já!
O PRÍNCIPE DAS TREVAS OU MONSIEUR- LAWRENCE DURRELL
Durrell foi um daqueles ingleses que odiavam a Inglaterra. E fugiam do país em busca de se encontrar. No caso dele, seus lugares eram Egito, Provence, India e Veneza. Amigo de Henry Miller, ele vai mais longe que Miller em seu texto cheio de palavras bem urdidas e gostos amargos. O que Durrell realmente pensava é dificil saber. O que podemos é imaginar o que ele não foi. Conformista.
Este livro teria problemas se escrito hoje. Voce logo saberá porque.
Um homem viaja num trem rumo à Avignon. Lá, ele tentará saber do porque do suicidio de seu amante, Piers. Piers tem uma irmã, Silvie, que está num hospício. Ela também é amante do narrador. Um triângulo feliz, apesar dos pesares. Então vamos na memória do narrador. Ele recorda uma viagem ao Egito. No deserto eles conhecem Akkad, mestre em gnosticismo. Navegam pelo Nilo. O livro dá um salto a Veneza e lá ficamos sabendo que agora quem narra é o verdadeiro autor, um muito solitário veterano cuja esposa o abandonou por uma mulher. Em mais um salto, vamos brevemente a Viena e depois de volta a Provence, onde quem narra é um autor de best-sellers. Bem...acredite-me, Durrell consegue orquestar todos esses pontos de vista sem nunca parecer confuso. Porque ele faz isso? Mero capricho? Não, a mudança de narrador, de estilo, de ponto de vista é o próprio livro, já que seu tema é a ilusão, o real e o irreal, o que somos e o que não somos.
Aprendi em linguistica que na verdade todos os livros ( e filmes ) têm sempre o mesmo tema: vida e morte. Durrell tenta ter uma unidade, ele fala da morte e não da vida. O livro pode ser entendido como a tentativa de se entender o que seja morrer. Não há uma resposta. Ainda bem...mas várias tentativas se fazem, e todas são terríveis. ( Um adendo: eu juro que o livro é alegre ).
Durrell teria problemas hoje por se arriscar a ser chamado de anti-semita. Akkad, o gnóstico, diz que Deus foi destronado e o mundo que conhecemos tem apenas um criador e mestre, o Diabo. Toda a realidade é obra dele e isso é fácil de perceber, pois a vida nada mais é que guerra, fome, dor e morte. E uma grande ilusão, as religiões. E a mais ilusória seria o judaísmo e tudo o que ela trouxe: catolicismo, protestantismo, islamismo, e até mesmo Marx e Freud que nada mais são que filhos da velha Biblia hebraica. Tudo isso sendo um mundo de materialismo, usura, ouro, falo, sede, repressão e dogmas.
Confesso ser dificil ler essa parte. Principalmente quando Akkad diz que ir contra essa obra do mal é não obedecer a vida. Não ter filhos, não lutar por nada, e morrer com alegria e de forma consciente. Perceber a ilusão que há nessa vida criada pelo mal e só pelo mal. Weeelllll..... Depois o livro dá seu golpe de classe. Ele próprio vai contra tudo o que falou. O novo narrador não pode crer nessa, segundo ele, "besteirada", ( mas deixa uma dúvida no ar ) e foge dessas questões. O que ele expõe é o massacre ocorrido no dia 13 de novembro de 1345, em que 5000 gnósticos da Europa foram presos, julgados e queimados, por ordem de Filipe, o Belo. Porque?
Apesar de tema tão dificil ( todas as cerimônias são cheias de drogas alucinógenas ), o livro é solar. Durrell descreve o mundo, nosso, condenado a destruição e dominado pelo mal absoluto, e ao mesmo tempo dá descrições soberbas da Lua, do Sol, dos animais e das estradas. O texto é belo, vitalista, há prazer em ler. Esse seu grande mérito, ele fala de coisas terríveis, mas jamais se faz um peso.
Após a leitura ficamos confusos. Qual a verdade? Quem nos controla? Deus, Jesus, os Santos...ilusões do mal? Ou Jesus seria alguém que tentou lutar contra as trevas ( sabendo serem elas invencíveis, e portanto sendo um gnóstico ao escolher sua morte ). Não há solução e nunca haverá. O que fica é a sensação do ridiculo da presunção científica ( respondem sem responder nada ) e um gosto de Matrix na boca, azedo.
Este livro teria problemas se escrito hoje. Voce logo saberá porque.
Um homem viaja num trem rumo à Avignon. Lá, ele tentará saber do porque do suicidio de seu amante, Piers. Piers tem uma irmã, Silvie, que está num hospício. Ela também é amante do narrador. Um triângulo feliz, apesar dos pesares. Então vamos na memória do narrador. Ele recorda uma viagem ao Egito. No deserto eles conhecem Akkad, mestre em gnosticismo. Navegam pelo Nilo. O livro dá um salto a Veneza e lá ficamos sabendo que agora quem narra é o verdadeiro autor, um muito solitário veterano cuja esposa o abandonou por uma mulher. Em mais um salto, vamos brevemente a Viena e depois de volta a Provence, onde quem narra é um autor de best-sellers. Bem...acredite-me, Durrell consegue orquestar todos esses pontos de vista sem nunca parecer confuso. Porque ele faz isso? Mero capricho? Não, a mudança de narrador, de estilo, de ponto de vista é o próprio livro, já que seu tema é a ilusão, o real e o irreal, o que somos e o que não somos.
Aprendi em linguistica que na verdade todos os livros ( e filmes ) têm sempre o mesmo tema: vida e morte. Durrell tenta ter uma unidade, ele fala da morte e não da vida. O livro pode ser entendido como a tentativa de se entender o que seja morrer. Não há uma resposta. Ainda bem...mas várias tentativas se fazem, e todas são terríveis. ( Um adendo: eu juro que o livro é alegre ).
Durrell teria problemas hoje por se arriscar a ser chamado de anti-semita. Akkad, o gnóstico, diz que Deus foi destronado e o mundo que conhecemos tem apenas um criador e mestre, o Diabo. Toda a realidade é obra dele e isso é fácil de perceber, pois a vida nada mais é que guerra, fome, dor e morte. E uma grande ilusão, as religiões. E a mais ilusória seria o judaísmo e tudo o que ela trouxe: catolicismo, protestantismo, islamismo, e até mesmo Marx e Freud que nada mais são que filhos da velha Biblia hebraica. Tudo isso sendo um mundo de materialismo, usura, ouro, falo, sede, repressão e dogmas.
Confesso ser dificil ler essa parte. Principalmente quando Akkad diz que ir contra essa obra do mal é não obedecer a vida. Não ter filhos, não lutar por nada, e morrer com alegria e de forma consciente. Perceber a ilusão que há nessa vida criada pelo mal e só pelo mal. Weeelllll..... Depois o livro dá seu golpe de classe. Ele próprio vai contra tudo o que falou. O novo narrador não pode crer nessa, segundo ele, "besteirada", ( mas deixa uma dúvida no ar ) e foge dessas questões. O que ele expõe é o massacre ocorrido no dia 13 de novembro de 1345, em que 5000 gnósticos da Europa foram presos, julgados e queimados, por ordem de Filipe, o Belo. Porque?
Apesar de tema tão dificil ( todas as cerimônias são cheias de drogas alucinógenas ), o livro é solar. Durrell descreve o mundo, nosso, condenado a destruição e dominado pelo mal absoluto, e ao mesmo tempo dá descrições soberbas da Lua, do Sol, dos animais e das estradas. O texto é belo, vitalista, há prazer em ler. Esse seu grande mérito, ele fala de coisas terríveis, mas jamais se faz um peso.
Após a leitura ficamos confusos. Qual a verdade? Quem nos controla? Deus, Jesus, os Santos...ilusões do mal? Ou Jesus seria alguém que tentou lutar contra as trevas ( sabendo serem elas invencíveis, e portanto sendo um gnóstico ao escolher sua morte ). Não há solução e nunca haverá. O que fica é a sensação do ridiculo da presunção científica ( respondem sem responder nada ) e um gosto de Matrix na boca, azedo.
FAUSTO SOKUROV, O CINEMA DE ARTE É NOSSA SINA
Toda forma de arte ao nascer e em toda sua fase mais pura não possui a divisão entre popular e artístico. Shakespeare era assistido por açougueiros e mestres de filosofia, e Haydn compunha para reis e ciganos. A divisão na literatura se dá por todo o século XIX e na música nos fins desse mesmo século. Mas isso aconteceu também com a pintura a dança e até com a culinária. No cinema, como com o jazz e o rock, isso aconteceu em poucos anos. O jazz dos anos 30 era uma coisa só. Duke Ellington ou Count Basie faziam arte ( em alto nível ) mas eram ao mesmo tempo populares. O be- bop faz a ruptura. No rock, Beatles ou Dylan foram simples e soberbos até 1967, e então se fizeram complicados e às vezes fascinantes. Com o cinema a coisa é bastante triste.
Quando Fritz Lang ou Murnau faziam seus filmes eles não faziam filmes de arte. Eles faziam cinema. Renoir e Clair, Chaplin e Keaton, Dreyer e Ford não viviam em guetos separados com rótulos fixos. Eles navegavam entre o popular e o erudito. Agradavam, às vezes, o operário e o filósofo. Isso se manteve até os anos 60.
Billy Wilder e Hitchcock jamais pensaram em fazer arte. Eles faziam filmes, aqueles que queriam fazer, e eram filmes "fáceis de ver" e ao mesmo tempo, cheios de sentidos, de pistas, de arte enfim. Mas esses dois campos foram se afastando por toda a década de 50. Essa culpa, se é que é uma culpa, pode ser creditada a Bergman. Mas também a Kurosawa e Buñuel. A crítica e os festivais começaram a tratar esses cineastas como a "realeza" do cinema. Os comparavam a Tolstoi e Proust e de repente, ser simplesmente um "cineasta" passou a parecer pouca coisa. Era preciso ser Bergman, um artista. E infelizmente, muitos diretores geniais como Hitchcock e Huston passaram a tentar ser "artistas". E se deram mal. Eles eram cineastas.
Esses dois mundos se separaram cada vez mais, mas uma corda fina se esticou entre eles. Os artistas foram se tornando cada vez mais pedantes, os cineastas, cada vez mais cínicos. E alguns, os melhores, tentavam corajosamente, se equilibrar sobre essa corda que une os dois mundos. Fellini fazia isso, como fazia Truffaut, Coppolla e Malle. O que os artistas não percebiam é que Bergman sempre fez isso. E Kurosawa também. Por esse motivo eles são cineastas antes de serem artistas.
Hoje a corda se transformou numa navalha. Cineastas artistas fazem filmes que não são mais cinema. São instalações, teses sociológicas, exibicionismos, experiências com imagens. E cineastas fazem filmes que procuram ser o mais cinemáticos possível, ou seja, ação e som que são apenas ação e som. O popular se faz hiper-popular, o artístico se faz como "filme de festival". Não se misturam. Claro, alguns poucos abnegados, que são inspirados pelo passado do cinema, tentam reatar os dois mundos. Tarantino, Soderbergh, Joel Coen, PT Anderson, Almodovar... procuram unir o popular e a arte. `As vezes acertam.
Adoro A ARCA RUSSA de Sokurov. Fausto é um dos filmes mais chatos desta década de filmes chatos. Nem Von Trier consegue ser tão bocejante. O filme de Sokurov exala em cada fotograma uma afirmação: -Isto é ARTE. Se eu fosse Paulo Francis eu diria, "O mundo Jeca que nos deu Bjork e José Saramago chega à Russia".
Tem até que ideias boas o tal filme. E não pense que o mundo do filme é o mundo de Goethe. É nosso mundo. Fausto em Goethe deseja o saber. Ele quer conhecer o segredo de tudo. Quer ser Deus. O Fausto de Sokurov, de 2012, quer ser feliz. Ele quer dormir, comer e amar. E ter dinheiro, poder. É um Fausto muito menos fascinante, sem coragem. O Fausto de Goethe foi o modelo para o homem moderno, um Titã à procura do saber. O Fausto 2012 é um deputado de Brasilia.
O filme, como em Goethe, tem uma visão gnóstica do mundo. Deus existe e criou a vida, mas todo este universo é obra de Mefistófeles, o anjo negro. Se Sokurov não fosse tão artista, ele faria Mefisto como um sedutor. Mas ele pensou que isso seria pop, e fez dele um monstrengo fedido. Porque? A beleza é muito diabólica. Welllllll.....
Há uma cena de beleza transcendente no filme ( que me levou às lágrimas ), é um longo close silencioso de Margarida. A luz a invade e ela se torna um anjo. Se Fausto pudesse ser salvo ele teria sua beatificação naquele momento, mas ele faz o contrário, estupra Margarida e faz dela uma puta. Em Goethe isso simboliza a destruição do bem pelo conhecimento, mas também pode ser a destruição da natureza pelo homem. Margarida é natural, Fausto é inatural.
Mas de que adianta o filme ter um momento de tanta beleza se temos de caminhar horas de tédio até alcançar esse cume? Em A Arca Russa temos duas horas de incessante prazer, e o filme tem tanta profundidade quanto Fausto. Ou mais.
Bem, de qualquer modo este filme tem uma bela função. Serve para que aqueles caras que odeiam e desprezam bons filmes pop ( westerns, comédias, romances ) sejam obrigados a passar por seu grande obstáculo: Hey, voce que se acha um intelectual só por ter adorado Clube da Luta ou Peixe Grande, saiba que aquilo é cinemão, popular como Homens de Preto ou Avatar. Isto é que é a tal arte para poucos. E então? Gostou?
Quanto mais entendo de cinema mais tenho a certeza de que nada foi melhor que o cinema dos anos 30.
Quando Fritz Lang ou Murnau faziam seus filmes eles não faziam filmes de arte. Eles faziam cinema. Renoir e Clair, Chaplin e Keaton, Dreyer e Ford não viviam em guetos separados com rótulos fixos. Eles navegavam entre o popular e o erudito. Agradavam, às vezes, o operário e o filósofo. Isso se manteve até os anos 60.
Billy Wilder e Hitchcock jamais pensaram em fazer arte. Eles faziam filmes, aqueles que queriam fazer, e eram filmes "fáceis de ver" e ao mesmo tempo, cheios de sentidos, de pistas, de arte enfim. Mas esses dois campos foram se afastando por toda a década de 50. Essa culpa, se é que é uma culpa, pode ser creditada a Bergman. Mas também a Kurosawa e Buñuel. A crítica e os festivais começaram a tratar esses cineastas como a "realeza" do cinema. Os comparavam a Tolstoi e Proust e de repente, ser simplesmente um "cineasta" passou a parecer pouca coisa. Era preciso ser Bergman, um artista. E infelizmente, muitos diretores geniais como Hitchcock e Huston passaram a tentar ser "artistas". E se deram mal. Eles eram cineastas.
Esses dois mundos se separaram cada vez mais, mas uma corda fina se esticou entre eles. Os artistas foram se tornando cada vez mais pedantes, os cineastas, cada vez mais cínicos. E alguns, os melhores, tentavam corajosamente, se equilibrar sobre essa corda que une os dois mundos. Fellini fazia isso, como fazia Truffaut, Coppolla e Malle. O que os artistas não percebiam é que Bergman sempre fez isso. E Kurosawa também. Por esse motivo eles são cineastas antes de serem artistas.
Hoje a corda se transformou numa navalha. Cineastas artistas fazem filmes que não são mais cinema. São instalações, teses sociológicas, exibicionismos, experiências com imagens. E cineastas fazem filmes que procuram ser o mais cinemáticos possível, ou seja, ação e som que são apenas ação e som. O popular se faz hiper-popular, o artístico se faz como "filme de festival". Não se misturam. Claro, alguns poucos abnegados, que são inspirados pelo passado do cinema, tentam reatar os dois mundos. Tarantino, Soderbergh, Joel Coen, PT Anderson, Almodovar... procuram unir o popular e a arte. `As vezes acertam.
Adoro A ARCA RUSSA de Sokurov. Fausto é um dos filmes mais chatos desta década de filmes chatos. Nem Von Trier consegue ser tão bocejante. O filme de Sokurov exala em cada fotograma uma afirmação: -Isto é ARTE. Se eu fosse Paulo Francis eu diria, "O mundo Jeca que nos deu Bjork e José Saramago chega à Russia".
Tem até que ideias boas o tal filme. E não pense que o mundo do filme é o mundo de Goethe. É nosso mundo. Fausto em Goethe deseja o saber. Ele quer conhecer o segredo de tudo. Quer ser Deus. O Fausto de Sokurov, de 2012, quer ser feliz. Ele quer dormir, comer e amar. E ter dinheiro, poder. É um Fausto muito menos fascinante, sem coragem. O Fausto de Goethe foi o modelo para o homem moderno, um Titã à procura do saber. O Fausto 2012 é um deputado de Brasilia.
O filme, como em Goethe, tem uma visão gnóstica do mundo. Deus existe e criou a vida, mas todo este universo é obra de Mefistófeles, o anjo negro. Se Sokurov não fosse tão artista, ele faria Mefisto como um sedutor. Mas ele pensou que isso seria pop, e fez dele um monstrengo fedido. Porque? A beleza é muito diabólica. Welllllll.....
Há uma cena de beleza transcendente no filme ( que me levou às lágrimas ), é um longo close silencioso de Margarida. A luz a invade e ela se torna um anjo. Se Fausto pudesse ser salvo ele teria sua beatificação naquele momento, mas ele faz o contrário, estupra Margarida e faz dela uma puta. Em Goethe isso simboliza a destruição do bem pelo conhecimento, mas também pode ser a destruição da natureza pelo homem. Margarida é natural, Fausto é inatural.
Mas de que adianta o filme ter um momento de tanta beleza se temos de caminhar horas de tédio até alcançar esse cume? Em A Arca Russa temos duas horas de incessante prazer, e o filme tem tanta profundidade quanto Fausto. Ou mais.
Bem, de qualquer modo este filme tem uma bela função. Serve para que aqueles caras que odeiam e desprezam bons filmes pop ( westerns, comédias, romances ) sejam obrigados a passar por seu grande obstáculo: Hey, voce que se acha um intelectual só por ter adorado Clube da Luta ou Peixe Grande, saiba que aquilo é cinemão, popular como Homens de Preto ou Avatar. Isto é que é a tal arte para poucos. E então? Gostou?
Quanto mais entendo de cinema mais tenho a certeza de que nada foi melhor que o cinema dos anos 30.
BEATS E BEATITUDES
Segundo Roberto Muggiati, Beat surgiu em "I Am Beat", Tou Ferrado. Mas a verdade é que o lance veio de BEATITUDE. O que eles queriam era alcançar um estado de beatitude via droga, sexo e jazz. Beat é também a batida do be bop de Charlie Parker, Bud Powell e Dizzy. Escrever palavras na velocidade supersônica do sax de Bird e do piano de Bud. Improvisar como um cara do jazz. Mas, surprise!, o autor favorito de Kerouac era Marcel Proust. E Proust nada improvisava. Mas ele era o mais Beatitude dos escribas.
Ler ON THE ROAD aos 17 anos. Quem não leu nessa idade não viveu. Eu andava na Paulista, fim de tarde de maio, com o livro na mão. A angústia do livro passava pra mim. Ele me fazia mal. Mas depois desse mal vinha a epifania-beatitude. Com o coração apertado eu via a luz na janela da mansão ( que foi derrubada a muito ) e sentia um anjo tocar minha boca. Nas escadas do Objetivo faziam ponto centenas de anjos.
Jack Kerouac ficou famoso entre os hippies dez anos depois de publicar seu livro. Mas ele não gostava de hippies. Então era amado por gente que ele desprezava. Jack era conservador. Morava com a mãe. E se mandava de casa por seis meses, pé na estrada, excessos e epifanias, e depois voltava pro sofá da mãe. Ele era como um cachorro no cio.
Eles eram apaixonados por Neal. Todos eles. O filme deve ter errado. Porque mulher em On The Road é nota de rodapé. Mas o velho produtor deve ter exigido: Bota a Kristen aí. Botou. O livro é fortemente gay. Sujo e fedido. Tosco e mal escrito. Se o filme for bem feito e clean...errou.
Na verdade o grande filme beat já foi feito. Foi NÃO ESTOU LÁ, a obra-prima sobre Bod Dylan. Roberto diz, e todo mundo sabe, que o herdeiro dos beats é Dylan. E Patti Smith, Lou Reed, Leonard Cohen. O Velvet Underground é uma banda beat.
Allen Ginsberg era o melhor deles, UIVO é bom. Ginsberg amava Dylan. Ele aparece ao fundo, de cajado e barba, no clip que postei. Será que Dylan dormiu com Allen? Bob é melhor que todos eles juntos. Lou também. Deviam dar o Nobel pra Dylan. Já foi cogitado. Faltou coragem. O poeta de uma era. Esta.
Walt Whitman foi o primeiro beat. E depois veio Rimbaud. CANTO A MIM MESMO....epifania. Eu devo ser um beat e não sei. Porque? porque escrevo tudo automaticamente, nunca releio, não faço um plano, improviso. E minha vida tem um único sentido, a busca incessante de momentos de beatitude. Seja em filmes, sons, memórias, livros, sonhos, caminhadas, contatos, o que busco e o que justifica minha vida é isso, epifanias.
Nada mais fora de moda. Não pode haver beatitude em frente a um PC. Ou não?
Eu pulava a janela de meu amigo Fernando e lá a gente desenhava e escrevia poesia. Depois ia pegar carona pra ir pra longe. E virava garrafas de vinho barato. Não havia um só plano de futuro. Não tínhamos um tostão. E nunca sabíamos ser felizes. A felicidade não era uma meta, era a liberdade.
Quem disse que ser feliz é o máximo da vida? O máximo é ser livre baby. E ser livre NÂO é uma felicidade. É uma beatitude.
Falei.
Ler ON THE ROAD aos 17 anos. Quem não leu nessa idade não viveu. Eu andava na Paulista, fim de tarde de maio, com o livro na mão. A angústia do livro passava pra mim. Ele me fazia mal. Mas depois desse mal vinha a epifania-beatitude. Com o coração apertado eu via a luz na janela da mansão ( que foi derrubada a muito ) e sentia um anjo tocar minha boca. Nas escadas do Objetivo faziam ponto centenas de anjos.
Jack Kerouac ficou famoso entre os hippies dez anos depois de publicar seu livro. Mas ele não gostava de hippies. Então era amado por gente que ele desprezava. Jack era conservador. Morava com a mãe. E se mandava de casa por seis meses, pé na estrada, excessos e epifanias, e depois voltava pro sofá da mãe. Ele era como um cachorro no cio.
Eles eram apaixonados por Neal. Todos eles. O filme deve ter errado. Porque mulher em On The Road é nota de rodapé. Mas o velho produtor deve ter exigido: Bota a Kristen aí. Botou. O livro é fortemente gay. Sujo e fedido. Tosco e mal escrito. Se o filme for bem feito e clean...errou.
Na verdade o grande filme beat já foi feito. Foi NÃO ESTOU LÁ, a obra-prima sobre Bod Dylan. Roberto diz, e todo mundo sabe, que o herdeiro dos beats é Dylan. E Patti Smith, Lou Reed, Leonard Cohen. O Velvet Underground é uma banda beat.
Allen Ginsberg era o melhor deles, UIVO é bom. Ginsberg amava Dylan. Ele aparece ao fundo, de cajado e barba, no clip que postei. Será que Dylan dormiu com Allen? Bob é melhor que todos eles juntos. Lou também. Deviam dar o Nobel pra Dylan. Já foi cogitado. Faltou coragem. O poeta de uma era. Esta.
Walt Whitman foi o primeiro beat. E depois veio Rimbaud. CANTO A MIM MESMO....epifania. Eu devo ser um beat e não sei. Porque? porque escrevo tudo automaticamente, nunca releio, não faço um plano, improviso. E minha vida tem um único sentido, a busca incessante de momentos de beatitude. Seja em filmes, sons, memórias, livros, sonhos, caminhadas, contatos, o que busco e o que justifica minha vida é isso, epifanias.
Nada mais fora de moda. Não pode haver beatitude em frente a um PC. Ou não?
Eu pulava a janela de meu amigo Fernando e lá a gente desenhava e escrevia poesia. Depois ia pegar carona pra ir pra longe. E virava garrafas de vinho barato. Não havia um só plano de futuro. Não tínhamos um tostão. E nunca sabíamos ser felizes. A felicidade não era uma meta, era a liberdade.
Quem disse que ser feliz é o máximo da vida? O máximo é ser livre baby. E ser livre NÂO é uma felicidade. É uma beatitude.
Falei.
PAULO FRANCIS
A esposa de Paulo Francis lê uma carta. Essa carta foi escrita por Paulo a um amigo quando soube que sua gata, Alzira, estava morrendo. Francis não foi uma criança com bichos. Ele aprendeu a amar os animais com a idade. O documentário mostra então várias fotos de Paulo com Alzira. A esposa chora enquanto lê.
O filme é assim. Não foge da emoção, mas também não foge da polêmica. Ele foi sempre desse jeito. Chamava os nordestinos de preguiçosos e ao mesmo tempo sabia de cabeça dezenas de canções de Caymmi. Odiava Lula e também os milicos da revolução. Penso que ele era inteiro, conseguia ser si-mesmo na midia, o que hoje é impossível.
Paulo Francis começou a ser perseguido pela Folha quando a Folha se acovardou. Ansiosa para ser a número um, ela não podia aceitar alguém que batia tanto em tanta gente. Francis espirrou de lá. E a Folha virou esse balcão de RP que é hoje.
Então Paulo foi fazer o melhor programa de humor da história do Brasil, Manhattan Connection. Ele era Groucho Marx, os outros quatro eram Zeppo Marx. Ele cantava ópera, avacalhava todos os filmes ( "Não vi, não vou ver, e detesto"), citava filmes antigos, dava ataques azedos ao Brasil, indicava restaurantes em New York, se exibia. Caio era chamado de idiota, Nelsinho de menino ingênuo e o mediador de irrelevante. Quando Francis se foi o programa perdeu a alma e o porque.
Foi num desses domingos que Francis se "matou". Disse que os diretores da Petrobrás eram ladrões e tinham milhôes na Suiça. A empresa o processou. Com nosso dinheiro Francis foi processado em New York. Ele ficou apavorado e morreu do coração. Essa história simboliza a mudança do Brasil. O politicamente correto e o rabo preso.
Seria impossível ele ser publicado hoje. Se voce acha Mainardi ou Pondé incorretos, Francis foi bem mais. Ele falava em alto e bom som, sem nada de filosófico ou atenuante: a democracia é a ditadura dos medíocres, o nordeste mata o Brasil, Lula é uma besta, as universidades acabaram quando as mulheres puderam estudar, o rock é música feita por caipiras iletrados para jecas incivilizados, jazz só é suportável e faz sentido com whisky, vicio em drogas não existe, é mito, todo drogado quer se matar e passa a vida tentando.
A história mais engraçada é aquela do LSD. Paulo provou todas as drogas ( inclusive heroína ) e queria provar o ácido. Mas tinha medo de pirar e fazer merda. Então foi a seu médico, fechou a porta, deitou na maca e engoliu um ácido. Então falou ao médico: "-Agora tome conta de mim".
Francis odiava os democratas americanos, Tinha saudades dos velhos republicanos, povo que fez a fortuna da América. Mas odiava Bush. Para ele o governo ideal seria um tipo de monarquia meritória. Os melhores governando. Ele dizia que a democracia era a ditadura da ralé. Os melhores tendo de puxar o saco dos pulhas bons de voto. Votar era como escolher quem merecia ser seu feitor. O dono da fazenda jamais mudava.
Devorei Paulo Francis em todos os meus anos formativos. Me deu tanto que às vezes penso ser um mero continuador, mais pobre e muito menos corajoso, dele.
Adoraria vê-lo escrever hoje. Sobre Bin Laden, Obama, Lady Gaga e o mensalão. Chavez e Kirchner, Big Brother e Irã.... quer saber? Se Paulo se sentia um zumbi, num mundo sem classe e conforto, em 1995, acho que foi bem melhor pra ele ter partido antes do imbecilizante século XXI.
Procurem e assistam.
O filme é assim. Não foge da emoção, mas também não foge da polêmica. Ele foi sempre desse jeito. Chamava os nordestinos de preguiçosos e ao mesmo tempo sabia de cabeça dezenas de canções de Caymmi. Odiava Lula e também os milicos da revolução. Penso que ele era inteiro, conseguia ser si-mesmo na midia, o que hoje é impossível.
Paulo Francis começou a ser perseguido pela Folha quando a Folha se acovardou. Ansiosa para ser a número um, ela não podia aceitar alguém que batia tanto em tanta gente. Francis espirrou de lá. E a Folha virou esse balcão de RP que é hoje.
Então Paulo foi fazer o melhor programa de humor da história do Brasil, Manhattan Connection. Ele era Groucho Marx, os outros quatro eram Zeppo Marx. Ele cantava ópera, avacalhava todos os filmes ( "Não vi, não vou ver, e detesto"), citava filmes antigos, dava ataques azedos ao Brasil, indicava restaurantes em New York, se exibia. Caio era chamado de idiota, Nelsinho de menino ingênuo e o mediador de irrelevante. Quando Francis se foi o programa perdeu a alma e o porque.
Foi num desses domingos que Francis se "matou". Disse que os diretores da Petrobrás eram ladrões e tinham milhôes na Suiça. A empresa o processou. Com nosso dinheiro Francis foi processado em New York. Ele ficou apavorado e morreu do coração. Essa história simboliza a mudança do Brasil. O politicamente correto e o rabo preso.
Seria impossível ele ser publicado hoje. Se voce acha Mainardi ou Pondé incorretos, Francis foi bem mais. Ele falava em alto e bom som, sem nada de filosófico ou atenuante: a democracia é a ditadura dos medíocres, o nordeste mata o Brasil, Lula é uma besta, as universidades acabaram quando as mulheres puderam estudar, o rock é música feita por caipiras iletrados para jecas incivilizados, jazz só é suportável e faz sentido com whisky, vicio em drogas não existe, é mito, todo drogado quer se matar e passa a vida tentando.
A história mais engraçada é aquela do LSD. Paulo provou todas as drogas ( inclusive heroína ) e queria provar o ácido. Mas tinha medo de pirar e fazer merda. Então foi a seu médico, fechou a porta, deitou na maca e engoliu um ácido. Então falou ao médico: "-Agora tome conta de mim".
Francis odiava os democratas americanos, Tinha saudades dos velhos republicanos, povo que fez a fortuna da América. Mas odiava Bush. Para ele o governo ideal seria um tipo de monarquia meritória. Os melhores governando. Ele dizia que a democracia era a ditadura da ralé. Os melhores tendo de puxar o saco dos pulhas bons de voto. Votar era como escolher quem merecia ser seu feitor. O dono da fazenda jamais mudava.
Devorei Paulo Francis em todos os meus anos formativos. Me deu tanto que às vezes penso ser um mero continuador, mais pobre e muito menos corajoso, dele.
Adoraria vê-lo escrever hoje. Sobre Bin Laden, Obama, Lady Gaga e o mensalão. Chavez e Kirchner, Big Brother e Irã.... quer saber? Se Paulo se sentia um zumbi, num mundo sem classe e conforto, em 1995, acho que foi bem melhor pra ele ter partido antes do imbecilizante século XXI.
Procurem e assistam.
CONVITE PARA JANTAR. ADIVINHE QUEM VEM...
Paulo Francis era fã de Bergman. Ele dizia que o sueco era o único que às vezes conseguia atingir a altura da literatura. Mas ele amava também o cinema mais popular. Se divertia imensamente com ....E O VENTO LEVOU e as doces bobagens de Doris Day. Falava que Hollywood sabia fazer lixo que não ofendia a inteligência. Amava Peter Sellers e o inspetor Clouseau.
Mas o que desejo aqui destacar é a resposta que ele deu a Nelson Motta sobre PULP FICTION. Paulo até gostou de Pulp, mas fez uma pergunta muito esperta a Nelsinho. "-Você convidaria algum daqueles personagens para jantar?"
O sentido da pergunta não é moralista. Nem mesmo uma coisa do tipo: eles seriam divertidos? A questão é a seguinte: Seria interessante jantar com eles? Eles teriam algo a dizer?
Francis era assim. Perguntava aquilo que parecia simples, mas que ia ao fundo da coisa. Porque agora eu penso....
Não seria fantástico jantar, calmamente, com o aristocrata empobrecido de A SALA DE MÚSICA de Satyajit Ray? E os personagens de AMARCORD? Jantar com eles poderia mudar sua vida!
Penso no prazer de um faisão e conhaque com charutos ao lado do Henry Higgins de MY FAIR LADY. Nos dias que eu teria de conversa com o diretor em crise de OITO E MEIO. O Gregory Peck de TO KILL A MOCKINGBIRD, o Paul Newman de GOLPE DE MESTRE.
Eu não sei se são esses personagens fascinantes que definem um grande filme, mas eu adoraria jantar com o Michael Douglas de GAROTOS INCRÍVEIS ou o Clint Eastwood de CORAÇÃO DE CAÇADOR. E detestaria estar numa mesa com o cara de GRAN TORINO ou aquele de DIRTY HARRY.
Alguns atores têm uma quantidade imensa de personagens "convidáveis". Cary Grant deve ter mais de 30. Mas pensando bem, dá pra unir as duas paixões de Francis numa coisa só.
Não há nenhum filme que tenha uma maior quantidade de personagens "convidáveis" que FANNY E ALEXANDER, de Bergman. Seria uma dádiva dos céus jantar longamente ( Natal? ), com aquela familia inteira. Melhor ainda, passar longas férias com eles. ( E por falar em férias, imagine passar um verão com todos os personagens de Monsieur Hulot...um paraíso!).
Mas devo dizer que eu, acima de tudo, iria adorar poder receber para jantar, em mesa cheia de doces e vinho do Porto, o professor feito por Victor Sjostrom em MORANGOS SILVESTRES. Teríamos uma conversa sobre a memória, o tempo e o sentido de recordar. Falaríamos então sobre nossos pais, as mulheres e a estrada. Esse seria meu primeiro convidado. E de certo modo tenho o recebido desde quando o conheci.
Paulo Francis matou a charada.
Mas o que desejo aqui destacar é a resposta que ele deu a Nelson Motta sobre PULP FICTION. Paulo até gostou de Pulp, mas fez uma pergunta muito esperta a Nelsinho. "-Você convidaria algum daqueles personagens para jantar?"
O sentido da pergunta não é moralista. Nem mesmo uma coisa do tipo: eles seriam divertidos? A questão é a seguinte: Seria interessante jantar com eles? Eles teriam algo a dizer?
Francis era assim. Perguntava aquilo que parecia simples, mas que ia ao fundo da coisa. Porque agora eu penso....
Não seria fantástico jantar, calmamente, com o aristocrata empobrecido de A SALA DE MÚSICA de Satyajit Ray? E os personagens de AMARCORD? Jantar com eles poderia mudar sua vida!
Penso no prazer de um faisão e conhaque com charutos ao lado do Henry Higgins de MY FAIR LADY. Nos dias que eu teria de conversa com o diretor em crise de OITO E MEIO. O Gregory Peck de TO KILL A MOCKINGBIRD, o Paul Newman de GOLPE DE MESTRE.
Eu não sei se são esses personagens fascinantes que definem um grande filme, mas eu adoraria jantar com o Michael Douglas de GAROTOS INCRÍVEIS ou o Clint Eastwood de CORAÇÃO DE CAÇADOR. E detestaria estar numa mesa com o cara de GRAN TORINO ou aquele de DIRTY HARRY.
Alguns atores têm uma quantidade imensa de personagens "convidáveis". Cary Grant deve ter mais de 30. Mas pensando bem, dá pra unir as duas paixões de Francis numa coisa só.
Não há nenhum filme que tenha uma maior quantidade de personagens "convidáveis" que FANNY E ALEXANDER, de Bergman. Seria uma dádiva dos céus jantar longamente ( Natal? ), com aquela familia inteira. Melhor ainda, passar longas férias com eles. ( E por falar em férias, imagine passar um verão com todos os personagens de Monsieur Hulot...um paraíso!).
Mas devo dizer que eu, acima de tudo, iria adorar poder receber para jantar, em mesa cheia de doces e vinho do Porto, o professor feito por Victor Sjostrom em MORANGOS SILVESTRES. Teríamos uma conversa sobre a memória, o tempo e o sentido de recordar. Falaríamos então sobre nossos pais, as mulheres e a estrada. Esse seria meu primeiro convidado. E de certo modo tenho o recebido desde quando o conheci.
Paulo Francis matou a charada.
PETER O'TOOLE, O PRIMEIRO
Peter O'Toole anunciou hoje sua aposentadoria. Não mais o cinema, não mais o teatro.
Até descobrir O'Toole, o que me impressionava num ator era aquele estilo febril de Jack Nicholson e Dustin Hoffman. Um estilo realista, das ruas, estilo que teve em John Garfield e Monty Clift seus primeiros exemplos e em Brando seu grande gênio. Mas ao entender Peter O'Toole e seu estilo "inglês", um novo mundo se abriu para mim. Não era mais o exagero, a febre ou o realismo; era um modo delicado de atuar, leve, criativo, sutil e "romântico". Na época eu ainda não conhecia Olivier e Redgrave. Peter foi o primeiro.
O filme era A CLASSE GOVERNANTE, e logo depois assisti LEÃO NO INVERNO e muitos outros. Durante dez anos foi então meu ator favorito. Eu, ainda adolescente, o usava como guia, como mestre de estilo e de elegância. ( Ninguém mais diferente de meu modo de ser que O'Toole.... ).
Depois veio COMO ROUBAR UM MILHÃO DE DÓLARES e compreendi seu lado star, mais dandy, pop. Se voce quiser conhecê-lo indico O LEÃO NO INVERNO. Voz como trovão, olhar de gelo, expressão de rei decaído. BECKET é tão bom quanto. Pensando bem, talvez seja melhor ainda. LAWRENCE não é seu grande desempenho, o filme é do diretor David Lean.
Após Peter vieram Alan Bates, Terence Stamp, e só depois tomei contato com Olivier, Gielgud, Richardson e Michael Redgrave. São atores que criam interpretações, não imitam gente real, criam personalidades. São atores criadores, jamais imitadores.
Há tempos que O'Toole trabalhava pouco.
O cinema encolhe dia a dia.
Até descobrir O'Toole, o que me impressionava num ator era aquele estilo febril de Jack Nicholson e Dustin Hoffman. Um estilo realista, das ruas, estilo que teve em John Garfield e Monty Clift seus primeiros exemplos e em Brando seu grande gênio. Mas ao entender Peter O'Toole e seu estilo "inglês", um novo mundo se abriu para mim. Não era mais o exagero, a febre ou o realismo; era um modo delicado de atuar, leve, criativo, sutil e "romântico". Na época eu ainda não conhecia Olivier e Redgrave. Peter foi o primeiro.
O filme era A CLASSE GOVERNANTE, e logo depois assisti LEÃO NO INVERNO e muitos outros. Durante dez anos foi então meu ator favorito. Eu, ainda adolescente, o usava como guia, como mestre de estilo e de elegância. ( Ninguém mais diferente de meu modo de ser que O'Toole.... ).
Depois veio COMO ROUBAR UM MILHÃO DE DÓLARES e compreendi seu lado star, mais dandy, pop. Se voce quiser conhecê-lo indico O LEÃO NO INVERNO. Voz como trovão, olhar de gelo, expressão de rei decaído. BECKET é tão bom quanto. Pensando bem, talvez seja melhor ainda. LAWRENCE não é seu grande desempenho, o filme é do diretor David Lean.
Após Peter vieram Alan Bates, Terence Stamp, e só depois tomei contato com Olivier, Gielgud, Richardson e Michael Redgrave. São atores que criam interpretações, não imitam gente real, criam personalidades. São atores criadores, jamais imitadores.
Há tempos que O'Toole trabalhava pouco.
O cinema encolhe dia a dia.
DANNY TREJO/ LECH MAJEWSKI/ SODERBERGH/ CANET/ CLARK GABLE
O FUNDO DO MAR de Peter Yates com Robert Shaw, Jacqueline Bisset, Nick Nolte, Louis Gosset e Eli Wallach
Vi no cinema quando moleque. Tou ficando velho...este filme é antigo até em dvd. E é muito chato! Fala de tesouro no fundo do mar. Shaw era um ator inglês interessante, Bisset era bonita e fria e Nolte, ainda bonitão, era considerado na época o pior ator do mundo. Yates foi um diretor promissor. Fez o fantástico Bullit com Steve McQueen, mas aqui tudo dá errado. Nota 2.
13 HOMENS E UM NOVO SEGREDO de Steven Soderbergh com Al Pacino e Ellen Barkin
Após o ótimo primeiro filme e o chatíssimo número dois, este terceiro é bom de se ver. Estranhamente Clooney aparece menos, Matt Damon tem boas cenas e Elliot Gould é o centro da trama. Soderbergh sabe criar o clima. O filme não faz feio em comparação com as boas aventuras sofisticadas que foram moda em Hollywood por volta de 1960/67. O elenco tem classe, as falas ok e Pacino faz um tipo muito divertido. Um prazer de primeira. Nota 7.
CHAMADO SELVAGEM de William Wellman com Clark Gable e Loretta Young
Baseado no ótimo livro de Jack London, dele ficou só o nome do cão, Buck. A ênfase aqui vai toda para um romance entre o aventureiro e uma viúva perdida no Alasca. Tempo em que o cinema não humanizava a um cão. Buck é um cachorro com jeito de cachorro. Gable está a vontade, faz o macho de bom coração e muito safo. Wellman foi um dos grandes do cinema clássico. Nota 6.
BAD ASS de Craig Moss com Danny Trejo
E não é que Trejo sabe interpretar? Aqui ele é um ex-combatente do Vietnâ que se torna estrela do youtube ao salvar velho de bandidos. Em registro que mistura Gran Torino com Charles Bronson, o filme é triste, meio chato, bobo até. Mas Trejo é uma figuraça! Não se compara ao maravilhoso Machette, esse sim, excelente homenagem a Danny Trejo. Nota 5.
O MOINHO E A CRUZ de Lech Majewski com Rutger Hauer, Michael York e Charlotte Rampling
O que vemos é um quadro. De visual riquíssimo. Acompanhamos então a vida dos personagens do quadro. E vemos Pieter Brueghel pintando-o. E o que há nesse quadro? Um moinho que pode ser Deus e pode ser o tempo. Os espanhóis que humilham e torturam os belgas. Cristo sendo crucificado, que pode ser todo e cada um daqueles que foram contra a tirania. Tudo isso de modo lento, silencioso. Lembra Sokurov, Dreyer e até Tarkovski, é lógico que não atinge a estatura de nenhum deles. Mas acontece uma coisa perturbadora com quem o assiste: voce se sente hipnotizado "depois" que ele termina. Só sentirá seu efeito após a sessão, se tiver paciência e prestar atenção. É um filme invulgar. Quase uma viagem ao passado. Sem nota.
ATÉ A ETERNIDADE de Guillaume Canet com Jean Dujardim, François Cluzet e Marion Cotillard
Canet presta homenagem ao filme de Kasdan, O Reencontro. O que vemos é um grupo de amigos que se reúne. Faz tempo que não se vêem. O que sentirão? Que dores e alegrias irão ser acordadas? O filme fala sobre amizade. E sabe falar. O cinema americano perdeu o dom de falar sobre pessoas. Fala apenas sobre o excepcional. Sejam loucos, drogados ou heróis, o cinema made in usa só conta histórias fora do comum. Os franceses, como os italianos e outros, ainda consegue falar de gente comum. É uma delicia ver isso. Quem verá este filme??? Jean Dujardim, após O Artista, se mostra um ator adorável. Nota 7.
EM NOME DO REI de Uwe Boll com Jason Statham, Ray Liotta e Claire Forlani
Lixo. Gosto muito dos filmes de Statham. Acho ele um simpático ator para ação. Mas aqui o que temos? Uma idade-média que se parece com backstage de um show do Metallica. Cavaleiros medievais negros, mocinhas com cara de Kate Perry, ação pouco criativa, roteiro medíocre. Se no filme de Lech Majewski nos sentimos completamente em 1640, aqui nos vemos num passado com cara de video-clip. ZERO!!!!
Vi no cinema quando moleque. Tou ficando velho...este filme é antigo até em dvd. E é muito chato! Fala de tesouro no fundo do mar. Shaw era um ator inglês interessante, Bisset era bonita e fria e Nolte, ainda bonitão, era considerado na época o pior ator do mundo. Yates foi um diretor promissor. Fez o fantástico Bullit com Steve McQueen, mas aqui tudo dá errado. Nota 2.
13 HOMENS E UM NOVO SEGREDO de Steven Soderbergh com Al Pacino e Ellen Barkin
Após o ótimo primeiro filme e o chatíssimo número dois, este terceiro é bom de se ver. Estranhamente Clooney aparece menos, Matt Damon tem boas cenas e Elliot Gould é o centro da trama. Soderbergh sabe criar o clima. O filme não faz feio em comparação com as boas aventuras sofisticadas que foram moda em Hollywood por volta de 1960/67. O elenco tem classe, as falas ok e Pacino faz um tipo muito divertido. Um prazer de primeira. Nota 7.
CHAMADO SELVAGEM de William Wellman com Clark Gable e Loretta Young
Baseado no ótimo livro de Jack London, dele ficou só o nome do cão, Buck. A ênfase aqui vai toda para um romance entre o aventureiro e uma viúva perdida no Alasca. Tempo em que o cinema não humanizava a um cão. Buck é um cachorro com jeito de cachorro. Gable está a vontade, faz o macho de bom coração e muito safo. Wellman foi um dos grandes do cinema clássico. Nota 6.
BAD ASS de Craig Moss com Danny Trejo
E não é que Trejo sabe interpretar? Aqui ele é um ex-combatente do Vietnâ que se torna estrela do youtube ao salvar velho de bandidos. Em registro que mistura Gran Torino com Charles Bronson, o filme é triste, meio chato, bobo até. Mas Trejo é uma figuraça! Não se compara ao maravilhoso Machette, esse sim, excelente homenagem a Danny Trejo. Nota 5.
O MOINHO E A CRUZ de Lech Majewski com Rutger Hauer, Michael York e Charlotte Rampling
O que vemos é um quadro. De visual riquíssimo. Acompanhamos então a vida dos personagens do quadro. E vemos Pieter Brueghel pintando-o. E o que há nesse quadro? Um moinho que pode ser Deus e pode ser o tempo. Os espanhóis que humilham e torturam os belgas. Cristo sendo crucificado, que pode ser todo e cada um daqueles que foram contra a tirania. Tudo isso de modo lento, silencioso. Lembra Sokurov, Dreyer e até Tarkovski, é lógico que não atinge a estatura de nenhum deles. Mas acontece uma coisa perturbadora com quem o assiste: voce se sente hipnotizado "depois" que ele termina. Só sentirá seu efeito após a sessão, se tiver paciência e prestar atenção. É um filme invulgar. Quase uma viagem ao passado. Sem nota.
ATÉ A ETERNIDADE de Guillaume Canet com Jean Dujardim, François Cluzet e Marion Cotillard
Canet presta homenagem ao filme de Kasdan, O Reencontro. O que vemos é um grupo de amigos que se reúne. Faz tempo que não se vêem. O que sentirão? Que dores e alegrias irão ser acordadas? O filme fala sobre amizade. E sabe falar. O cinema americano perdeu o dom de falar sobre pessoas. Fala apenas sobre o excepcional. Sejam loucos, drogados ou heróis, o cinema made in usa só conta histórias fora do comum. Os franceses, como os italianos e outros, ainda consegue falar de gente comum. É uma delicia ver isso. Quem verá este filme??? Jean Dujardim, após O Artista, se mostra um ator adorável. Nota 7.
EM NOME DO REI de Uwe Boll com Jason Statham, Ray Liotta e Claire Forlani
Lixo. Gosto muito dos filmes de Statham. Acho ele um simpático ator para ação. Mas aqui o que temos? Uma idade-média que se parece com backstage de um show do Metallica. Cavaleiros medievais negros, mocinhas com cara de Kate Perry, ação pouco criativa, roteiro medíocre. Se no filme de Lech Majewski nos sentimos completamente em 1640, aqui nos vemos num passado com cara de video-clip. ZERO!!!!
ANNA KARINA, GUILLAUME CANET, BATMAN E CINEMA FRANCÊS
Brasilia se torna uma cidade quase bonita amanhã. A mais que perfeita ANNA KARINA virá abrir o festival de cinema da cidade. Anna Karina é a mais fascinante atriz da história do cinema. Godard foi gênio enquanto teve essa musa dinamarquesa a seu lado. Depois que se separaram Jean Luc se tornou um chato. Anna era timida, sexy, esperta, enigmática e pensativa. Os olhos mais lindos do mundo com a boca mais perfeita da história.
O Estadão diz que ela virá cantar. A voz é aquela que toda cantora "tristinha" de 2012 queria ter. Só que Anna nunca foi tristinha. Na vida real ela era cheia de ideias, de ideais e de atitudes. Fugiu de casa aos 16 e foi pra Paris. Logo era modelo da Chanel e daí para o cinema de Godard.
Ela conta que o problema do cinema de hoje é simples: todos querem ser ricos e famosos. Eles se contentavam em ter um carro velho e um canto pra morar. Mas Anna mostra sua inteligência ao dizer que "Godard, de forma alegre e descompromissada, fazia filmes muito sérios; hoje, gente muito séria e metida faz filmes bobos e sem porque".
Anna Karina se diz feliz por ainda ser lembrada e por morar no Quartier Latin. Fico feliz por saber que ela é feliz. Na verdade ela é mais que lembrada, é referência para elegantes e estilosos de todas as idades.
Falando em Anna, falo em Guillaume Canet. ATÉ A ETERNIDADE é o melhor filme em cartaz. Mas, é lógico, por ser francês não terá público. Não deixa de ser cômico o fato de que meus colegas "rebeldes" da USP terem um forte preconceito contra filmes franceses. Eles se dizem contra o consumo e a moda, mas acham Tim Burton, Chris Nolan e Wes Anderson "gênios". Só assistem filmes made in usa. Como diria Francis, weeeeeelllll.....
Esse povo teen acredita quando o sr. Nolan posa de "cineasta com ideias", esquecendo que Batman é uma franquia de uma mega produtora. Nada há de risco em Batman. Todo Batman deu lucro. Não foram ver o magnífico CONVERSAS COM MARGUERITTE, e perderam a chance de ver O ARTISTA.
Pela enésima vez me explico: Adoro cinema pop-bobo. Mas só quando esse cinema pop se assume como tal. Tipo Tarantino ou Soderbergh. Quando o cara vem tentar me enganar salto fora. Não me venha com papo cabeça em filme pop. Não venha posar de artista sem ter coragem ou ideias para ser. Não me venha pegar um título popular e de apelo teen, e envergonhado, tentar me convencer de que aquilo é mais do que de fato é. Isso se chama "coisa de jeca". Só americano inseguro é assim. Vergonha de ser pop.
Respeito muito mais Levinson com seu HOMENS DE PRETO assumidamente bobo, que um jeca tentando me fazer crer que Batman é mais do que é. Meus colegas teen entram nessa como ovelhas inteligentes. Eu vou atrás de Guillaume Canet.
Em sua entrevista Canet tece loas à O REENCONTRO de Lawrence Kasdan. Tenho amigos que não conheciam esse filme e foram apresentados a ele por mim. Adoraram. Como Canet adorou. Viva o DVD.
O Estadão diz que ela virá cantar. A voz é aquela que toda cantora "tristinha" de 2012 queria ter. Só que Anna nunca foi tristinha. Na vida real ela era cheia de ideias, de ideais e de atitudes. Fugiu de casa aos 16 e foi pra Paris. Logo era modelo da Chanel e daí para o cinema de Godard.
Ela conta que o problema do cinema de hoje é simples: todos querem ser ricos e famosos. Eles se contentavam em ter um carro velho e um canto pra morar. Mas Anna mostra sua inteligência ao dizer que "Godard, de forma alegre e descompromissada, fazia filmes muito sérios; hoje, gente muito séria e metida faz filmes bobos e sem porque".
Anna Karina se diz feliz por ainda ser lembrada e por morar no Quartier Latin. Fico feliz por saber que ela é feliz. Na verdade ela é mais que lembrada, é referência para elegantes e estilosos de todas as idades.
Falando em Anna, falo em Guillaume Canet. ATÉ A ETERNIDADE é o melhor filme em cartaz. Mas, é lógico, por ser francês não terá público. Não deixa de ser cômico o fato de que meus colegas "rebeldes" da USP terem um forte preconceito contra filmes franceses. Eles se dizem contra o consumo e a moda, mas acham Tim Burton, Chris Nolan e Wes Anderson "gênios". Só assistem filmes made in usa. Como diria Francis, weeeeeelllll.....
Esse povo teen acredita quando o sr. Nolan posa de "cineasta com ideias", esquecendo que Batman é uma franquia de uma mega produtora. Nada há de risco em Batman. Todo Batman deu lucro. Não foram ver o magnífico CONVERSAS COM MARGUERITTE, e perderam a chance de ver O ARTISTA.
Pela enésima vez me explico: Adoro cinema pop-bobo. Mas só quando esse cinema pop se assume como tal. Tipo Tarantino ou Soderbergh. Quando o cara vem tentar me enganar salto fora. Não me venha com papo cabeça em filme pop. Não venha posar de artista sem ter coragem ou ideias para ser. Não me venha pegar um título popular e de apelo teen, e envergonhado, tentar me convencer de que aquilo é mais do que de fato é. Isso se chama "coisa de jeca". Só americano inseguro é assim. Vergonha de ser pop.
Respeito muito mais Levinson com seu HOMENS DE PRETO assumidamente bobo, que um jeca tentando me fazer crer que Batman é mais do que é. Meus colegas teen entram nessa como ovelhas inteligentes. Eu vou atrás de Guillaume Canet.
Em sua entrevista Canet tece loas à O REENCONTRO de Lawrence Kasdan. Tenho amigos que não conheciam esse filme e foram apresentados a ele por mim. Adoraram. Como Canet adorou. Viva o DVD.
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