BRANCA BRANCA...LEONE LEONE !
Carlos Rustichelli fez a maravilhosa trilha sonora. A música já instaura o riso. Voce nunca mais deixará de sorrir quando dela se recordar. A fotografia é de Carlo di Palma e o visual de Piero Gherardi. A Itália, em passado distante, teve os melhores técnicos do mundo.
Estamos na idade média, e em sua primeira cena o filme mostra o que era a violência ( covarde ) dos tais cavaleiros. Dois maltrapilhos ficam com documento de posse de feudo e encontram Brancaleone para ir com eles administrar essas terras. A aventura se faz. O filme, imensamente criativo, narra dúzias de peripécias, todas hilárias, todas encantadoras. É uma comédia, talvez a melhor já feita, mas é também uma das maiores aventuras filmadas. A grandeza da comédia de gênio é essa : fazer rir, mas acima de tudo, narrar uma história.
Vittorio Gassman, um gênio, cria esse bufão nobre. Seu Brancaleone é uma das maiores criações da história do cinema. Após dois minutos em cena já estamos apaixonados por ele. Brancaleone é idealista, sonhador, galante e muuuuito tolo. A voz que Gassman usa, a expressão do rosto, tudo traduz um ator de gênio em ação. Mas há mais...
Nada no filme força o humor. Monicelli não faz seus atores irem ao puro circo, ao absurdo. Ele não vende sua história por um riso. Sua meta é fazer um filme cômico, o riso virá com o filme e nunca às custas dele. Monicelli não humilha os atores, ele os ama, e ele ama seus brilhantes personagens.
Houve um tempo em que os melhores atores do mundo eram italianos. Personagens como o do velhinho judeu com sua arca são obras de ourivesaria. Não são só hilários, são reais.
Age, Scarpelli e Monicelli criaram esse roteiro que não pára nunca de surpreender. As aparições do monge fanático são das coisas mais brilhantes já escritas. Crítica à igreja com humor e com verdade. Peste, sarracenos, duelos, virgens, bizantinos, cruzadas, todo o universo medieval é aqui representado. E, susrpresa, com honestidade. O mundo que aqui vemos é de verdade, é a idade média real. Como disse, Monicelli não trai a arte pelo riso.
Em sua cena final, mágica, sentimos tristeza por termos de sair da companhia da Armada Brancaleone. E percebemos alí a função do humor : os personagens, absolutos párias, insistem em crer na vida, riem da desgraça, avançam rumo a aventura. E nós, pobres testemunhas, percebemos o que significa dançar e rir diante da morte. Monicelli era um gênio. Brancaleone é a maior comédia da história do cinema.
A CASA DAS BELAS ADORMECIDAS - KAWABATA
Um senhor muito respeitável. Visita casa onde adolescentes dormem com seus clientes. Dormem e oferecem seu corpo como templo de adoração. Sim, templo. O senhor, confuso em seu desejo soberbo, adora cada centimetro da pele explorada. O sexo se revela ato de beleza, de transcendencia, de veneração.
Esse homem jamais é analisado pelo autor. Nada o condena e nada o absolve. Estamos em universo que desconhece dogmas, sejam cristãos ou sejam freudianos. Ele deseja e adora religiosamente. O mundo se torna uma menina que dorme.
Sim, pois ela dorme. O que ele quer é um corpo inconsciente, objeto que se torna cosmo e portanto eterno. Sua relação não se dá entre velho e menina, é um contato de consciência que se sabe em seu final e pele jovem, clara, saudável, macia. Há muito de vampirismo.
Kawabata ganhou o Nobel de 1968. Sua escrita é nipônica em tudo. Cada palavra é um acorde de koto. Há delicadeza e ritual, mas há também a violência latente. Sexo e morte, seu mundo é apenas isso, sexo e morte ( apenas ? ).
Milagre : ele faz com que sintamos o que aquele senhor sente. Livro de sensualidade hipnótica. A pele da menina se torna o papel do livro. O cheiro dela é transportado em cada linha. Preto sobre branco, tinta e papel. Nós também a tocamos.
O livro explicita a diferença, imensa, entre erótico e pornográfico. Uma pequena jóia da escrita.
PS : Em mundo de imagem digital e de imediatismo urgente, só a pornografia é possível. Sem o toque do papel e a escrita feita com tinta sobre página clara, o sensualismo morre e a objetividade da pornografia impera.
Esse homem jamais é analisado pelo autor. Nada o condena e nada o absolve. Estamos em universo que desconhece dogmas, sejam cristãos ou sejam freudianos. Ele deseja e adora religiosamente. O mundo se torna uma menina que dorme.
Sim, pois ela dorme. O que ele quer é um corpo inconsciente, objeto que se torna cosmo e portanto eterno. Sua relação não se dá entre velho e menina, é um contato de consciência que se sabe em seu final e pele jovem, clara, saudável, macia. Há muito de vampirismo.
Kawabata ganhou o Nobel de 1968. Sua escrita é nipônica em tudo. Cada palavra é um acorde de koto. Há delicadeza e ritual, mas há também a violência latente. Sexo e morte, seu mundo é apenas isso, sexo e morte ( apenas ? ).
Milagre : ele faz com que sintamos o que aquele senhor sente. Livro de sensualidade hipnótica. A pele da menina se torna o papel do livro. O cheiro dela é transportado em cada linha. Preto sobre branco, tinta e papel. Nós também a tocamos.
O livro explicita a diferença, imensa, entre erótico e pornográfico. Uma pequena jóia da escrita.
PS : Em mundo de imagem digital e de imediatismo urgente, só a pornografia é possível. Sem o toque do papel e a escrita feita com tinta sobre página clara, o sensualismo morre e a objetividade da pornografia impera.
HERÓI - ZHANG YIMOU
E eles dançam diante da morte. Apuradamente eles se preparam para matar ou morrer. Cada gesto é refinamento de um pensamento perfeito. E o filme, obra-prima do cinema chinês, consegue ser aventura do corpo e saga de almas em busca dessa dança ao abismo.
Não falarei o óbvio: que o apuro visual remete a RAN de Kurosawa ( Ran é o mais belo filme colorido já feito ) ou que a luta marcial chinesa é hoje o único equivalente à maestria estética do grande musical americano de Astaire e Gene Kelly ( mas não só os dois ). E que o fato de que o musical vinha envolto em ingenuidade e comédia e o filme marcial vir envolto em sangue e morte exemplifica muito as diferenças entre as duas épocas.
Prefiro falar da saga desses heróis que se aprumam para morrer de modo estético e ético e que na cultura oriental ética e estética caminham sempre entrelaçadas.
Direi que o sonho está sempre presente e que sim, houve tempo em que um grande herói podia voar. Nós aprendemos a descrer disso e em ditadura da ciência é risivel levar a sério o heroísmo. Teorias sociológicas explicam grandes homens e seu ato se vê desmistificado. Mas o herói é diferente de nós, por mais que digam sermos todos iguais. Ele ousa onde eu recuo. Ele crê onde duvido. Ele segue firme onde me recolho.
Mira a morte. É o tigre na floresta.
Todas as cenas são de deslumbre para a vista e de concentração para a mente. Mas a luta de pensamentos em preto e branco humilha toda tentativa que outros filmes fazem de nos impactar com aviões, tiros e explosões. Tudo é de absoluta sutileza.
Há uma trilha sonora que é obra-prima de ritmo e de criação e somos absorvidos pelo andar filosófico deste gigantesco e muito simples espetáculo. Porque aqui chegamos ao coração da aventura : se dar a uma paixão e arriscar tudo por essa meta. Quando vemos um espadachim se exercitar na caligrafia estamos observando a alma afiar-se na antecipação do embate.
Terreno fértil para heróis é a terra que acredita naquilo que eles fazem/fizeram.
Agora tudo pede pelo tímido comodismo de quem pega tudo pronto. Mas os heróis nos aguardam, sua volta acontecerá, a urgência do trágico será recuperada um dia ( por poucos ) e a vida valerá aquilo que a faz ser nobre : o riso ao abismo. O salto dançarino à espada fria.
Não falarei o óbvio: que o apuro visual remete a RAN de Kurosawa ( Ran é o mais belo filme colorido já feito ) ou que a luta marcial chinesa é hoje o único equivalente à maestria estética do grande musical americano de Astaire e Gene Kelly ( mas não só os dois ). E que o fato de que o musical vinha envolto em ingenuidade e comédia e o filme marcial vir envolto em sangue e morte exemplifica muito as diferenças entre as duas épocas.
Prefiro falar da saga desses heróis que se aprumam para morrer de modo estético e ético e que na cultura oriental ética e estética caminham sempre entrelaçadas.
Direi que o sonho está sempre presente e que sim, houve tempo em que um grande herói podia voar. Nós aprendemos a descrer disso e em ditadura da ciência é risivel levar a sério o heroísmo. Teorias sociológicas explicam grandes homens e seu ato se vê desmistificado. Mas o herói é diferente de nós, por mais que digam sermos todos iguais. Ele ousa onde eu recuo. Ele crê onde duvido. Ele segue firme onde me recolho.
Mira a morte. É o tigre na floresta.
Todas as cenas são de deslumbre para a vista e de concentração para a mente. Mas a luta de pensamentos em preto e branco humilha toda tentativa que outros filmes fazem de nos impactar com aviões, tiros e explosões. Tudo é de absoluta sutileza.
Há uma trilha sonora que é obra-prima de ritmo e de criação e somos absorvidos pelo andar filosófico deste gigantesco e muito simples espetáculo. Porque aqui chegamos ao coração da aventura : se dar a uma paixão e arriscar tudo por essa meta. Quando vemos um espadachim se exercitar na caligrafia estamos observando a alma afiar-se na antecipação do embate.
Terreno fértil para heróis é a terra que acredita naquilo que eles fazem/fizeram.
Agora tudo pede pelo tímido comodismo de quem pega tudo pronto. Mas os heróis nos aguardam, sua volta acontecerá, a urgência do trágico será recuperada um dia ( por poucos ) e a vida valerá aquilo que a faz ser nobre : o riso ao abismo. O salto dançarino à espada fria.
AMY WINEHOUSE e LUIZ FELIPE PONDÉ
Cito texto da revista Serafina de domingo: ( escrito por Luiz Felipe Pondé )
E Amy não faz ridiculo de boazinha, coisa rara na cultura dominada pela breguice.
...haja saco para roqueiros que cantam em nome de um mundo melhor.
A imagem de astros pop morrendo de overdose nos anos 60/70 fazia parte da ética contra o sistema. De lá para cá a caretice de se preocupar com o corpo tomou conta do mundo. E artista bonzinho é artista fraquinho.
Não é que se morrer de overdose voce é talentoso. Pode ser apenas mais um idiota da fila.
A virtude básica da tragédia é a coragem de viver sabendo-se amaldiçoado pela finitude e pela falha trágica, ou seja, a desmedida ( hybris, em grego antigo ). A desmedida é o passo que leva o herói a maldição, o exagero passional, a revolta diante do destino.
Estamos todos condenados a gargalhada da morte. A DIFERENÇA É QUEM RI DE VOLTA PRA ELA, DANÇANDO OU QUEM CHORA DE MEDO.
Por isso Nietzsche dizia que o que move a vida da maioria é o RESSENTIMENTO DIANTE DA GARGALHADA DA MORTE QUE NOS HUMILHA.
Aristóteles já dizia que o terror trágico ( a desmedida, o desespero, a morte ) que toma conta dos heróis nas tragédias gregas, nos contamina e nos ENLOUQUECE DE PAIXÃO ( pathos ) por eles. Mas por que ?
SIMPLESMENTE PORQUE ELES NÃO PARECEM TER MEDO COMO NÓS.
Magnífico e simples este texto.
Escrevi sómente alguns trechos. O que acrescentar ?
Poderia dizer que o herói vive por nós aquilo que ansiamos mas tememos viver. Poderia ainda acrescentar que a morte nos humilha por sempre vencer no final, ela está invicta nessa competição.
Pois até Cristo teve de se submeter a ela ( e vencer na prorrogação ).
A desmedida é a medida do herói. E penso que o grande talento sem a desmedida poderá ser genial, mas jamais um herói. É a diferença entre Henry James e Tolstoi. Entre Shelley e Wordsworth.
Rir de volta e dançar diante da morte. Equilibrar-se no abismo. É essa a imagem dos melhores westerns. Brincar com o terror, bailar diante dos tiros, sorrir ao inimigo.
Nada define melhor a condição humana : o que dança ( Zorba ) e o que assustado e acovardado empurra canetas, digita besteiras, ou muito pior, ri daquele que ousa o desmedido.
Fica claro então que aquele que zomba do herói trágico, do apaixonado radical, do dançarino no abismo, aquele que zomba por medo, por rancor, por covarde despeito, esse se coloca ao lado da morte, no time do cinza sem vida, e é irônico que por covardia diante da morte esse tolo bunda mole opte por ser um semeador de coisas mortas.
Nada define melhor para onde caminhamos.
PS: Tão necessário quanto ouvir Amy Winehouse é ler a bio de Patti Smith. Tudo o que faz da vida ato de desafio está lá escrito.
E Amy não faz ridiculo de boazinha, coisa rara na cultura dominada pela breguice.
...haja saco para roqueiros que cantam em nome de um mundo melhor.
A imagem de astros pop morrendo de overdose nos anos 60/70 fazia parte da ética contra o sistema. De lá para cá a caretice de se preocupar com o corpo tomou conta do mundo. E artista bonzinho é artista fraquinho.
Não é que se morrer de overdose voce é talentoso. Pode ser apenas mais um idiota da fila.
A virtude básica da tragédia é a coragem de viver sabendo-se amaldiçoado pela finitude e pela falha trágica, ou seja, a desmedida ( hybris, em grego antigo ). A desmedida é o passo que leva o herói a maldição, o exagero passional, a revolta diante do destino.
Estamos todos condenados a gargalhada da morte. A DIFERENÇA É QUEM RI DE VOLTA PRA ELA, DANÇANDO OU QUEM CHORA DE MEDO.
Por isso Nietzsche dizia que o que move a vida da maioria é o RESSENTIMENTO DIANTE DA GARGALHADA DA MORTE QUE NOS HUMILHA.
Aristóteles já dizia que o terror trágico ( a desmedida, o desespero, a morte ) que toma conta dos heróis nas tragédias gregas, nos contamina e nos ENLOUQUECE DE PAIXÃO ( pathos ) por eles. Mas por que ?
SIMPLESMENTE PORQUE ELES NÃO PARECEM TER MEDO COMO NÓS.
Magnífico e simples este texto.
Escrevi sómente alguns trechos. O que acrescentar ?
Poderia dizer que o herói vive por nós aquilo que ansiamos mas tememos viver. Poderia ainda acrescentar que a morte nos humilha por sempre vencer no final, ela está invicta nessa competição.
Pois até Cristo teve de se submeter a ela ( e vencer na prorrogação ).
A desmedida é a medida do herói. E penso que o grande talento sem a desmedida poderá ser genial, mas jamais um herói. É a diferença entre Henry James e Tolstoi. Entre Shelley e Wordsworth.
Rir de volta e dançar diante da morte. Equilibrar-se no abismo. É essa a imagem dos melhores westerns. Brincar com o terror, bailar diante dos tiros, sorrir ao inimigo.
Nada define melhor a condição humana : o que dança ( Zorba ) e o que assustado e acovardado empurra canetas, digita besteiras, ou muito pior, ri daquele que ousa o desmedido.
Fica claro então que aquele que zomba do herói trágico, do apaixonado radical, do dançarino no abismo, aquele que zomba por medo, por rancor, por covarde despeito, esse se coloca ao lado da morte, no time do cinza sem vida, e é irônico que por covardia diante da morte esse tolo bunda mole opte por ser um semeador de coisas mortas.
Nada define melhor para onde caminhamos.
PS: Tão necessário quanto ouvir Amy Winehouse é ler a bio de Patti Smith. Tudo o que faz da vida ato de desafio está lá escrito.
THE JEAN GENNIE - DO CARA MAIS INFLUENTE DE TODO O ROCK
Vamos e venhamos, para um cara do Brasil, de 11 anos de idade, que estava acostumado a Beatles, Monkees e Elton John, ver Bowie na tela cantando Jean Gennie foi uma coisa decisiva.
Nelson Motta apresentou a nova sensação inglesa "bem louca, bicho", um tal de David Bowie e suas Aranhas de Marte. E tava lá, na tela ( e tudo o que veio depois, de Sex Pistols a Boy George, de Lady Gaga a Freddie Mercury, de Johnny Greenwood a Damon Albarn e Paul Weller bebe na fonte pinky de Bowie ), tava lá na tela aquele rosto maquiado com unhas pintadas de preto e aquele cabelo orange com calças de prata e botas plataforma.
Mas não era tudo jeans e cabelão sujo ???????
Mas não era tudo radicalismo politico ( Lennon, Dylan ) ou pop fofo ( Elton, Paul ) ?
Esse tal de Bowie não era nada disso. Não era de esquerda e não era pop. Ele era um "artista". Bowie pegava ( foi o primeiro a fazer isso ) um monte de coisas que não eram rock ( pintura, dadaismo, fotografia, existencialismo ) e misturava no pop/rock.
Ele era tudo menos roqueiro. Foi pioneiro nisso. Com ele morre o blue jeans.
Mas na época eu não sabia nem o que era homossexual, o que era glitter ou o que fosse distanciamento brechtiniano. O que eu sabia é que o cara era muito diferente de tudo, novo, divertido, que Mick Ronson tocava uma guitarra do caraca e que o clip, com cenas de Angie Bowie na rua me enfeitiçava.
Me apaixonei por ela. ( Angie era bonita então ). O diretor do video era Mick Rock.
Depois disso nada nunca mais foi como era antes.
( E eu estava a anos luz de saber que a tal de Jean Gennie era Iggy Pop ! )
Bowie é o cara.
Nelson Motta apresentou a nova sensação inglesa "bem louca, bicho", um tal de David Bowie e suas Aranhas de Marte. E tava lá, na tela ( e tudo o que veio depois, de Sex Pistols a Boy George, de Lady Gaga a Freddie Mercury, de Johnny Greenwood a Damon Albarn e Paul Weller bebe na fonte pinky de Bowie ), tava lá na tela aquele rosto maquiado com unhas pintadas de preto e aquele cabelo orange com calças de prata e botas plataforma.
Mas não era tudo jeans e cabelão sujo ???????
Mas não era tudo radicalismo politico ( Lennon, Dylan ) ou pop fofo ( Elton, Paul ) ?
Esse tal de Bowie não era nada disso. Não era de esquerda e não era pop. Ele era um "artista". Bowie pegava ( foi o primeiro a fazer isso ) um monte de coisas que não eram rock ( pintura, dadaismo, fotografia, existencialismo ) e misturava no pop/rock.
Ele era tudo menos roqueiro. Foi pioneiro nisso. Com ele morre o blue jeans.
Mas na época eu não sabia nem o que era homossexual, o que era glitter ou o que fosse distanciamento brechtiniano. O que eu sabia é que o cara era muito diferente de tudo, novo, divertido, que Mick Ronson tocava uma guitarra do caraca e que o clip, com cenas de Angie Bowie na rua me enfeitiçava.
Me apaixonei por ela. ( Angie era bonita então ). O diretor do video era Mick Rock.
Depois disso nada nunca mais foi como era antes.
( E eu estava a anos luz de saber que a tal de Jean Gennie era Iggy Pop ! )
Bowie é o cara.
THE GOOD, THE BAD, THE WEIRD- KIM JEE-WOON
1967.
Como diz Keith Richards em sua hilariante biografia, foi em 67 que tudo se definiu. Os moldes se criaram. E em 1967 todo cinéfilo se dividiu entre WEEK-END de Godard e BONNIE E CLYDE de Arthur Penn. E ainda havia Mike Nichols com A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM e Antonioni com BLOW-UP. Filmes que criaram os nichos onde os diretores pretensiosos se instalam até agora. Godard e Antonioni criando o filme "não entendi nada", Nichols dando ao mundo o primeiro filme de "adolescente nerd gracinha" e Penn o filme de "ação com cérebro".
Pouca gente em 1967 notou que o grande sucesso popular daquele ano, THE GOOD THE BAD THE UGLY de Sergio Leone, era possivelmente o melhor filme. Não só o melhor, mas sim o mais atemporal.
2008.
Toda uma geração de cinéfilos jovens cultua o filme de Leone. A obra desse italiano genial é estudada, copiada, citada, amada, divulgada. E cria-se uma certeza, a de que existem dois tipos de cinéfilos : os que amam Leone e os que apenas adoram Leone.
2010.
Cineastas, muitos, principalmente na América, continuam a estudar Godard. E Penn, Nichols, mas não Antonioni, que continua restrito a Europa. Mas eles copiam principalmente Leone.
E Leone idolatrava Kurosawa.
Fecha-se o circuito. O oriente olha para a obra do italiano. E vem esta homenagem. Este filme coreano, este espetáculo.
A corrida atrás de um mapa. Sangue e algum humor. Kim Jee-Woon não tem o dom de poesia que Leone tinha. Mas este não é um século poético. Este filme chupa o sangue do filme de 67, mas é um filme absolutamente de hoje, de agora, já!
O cinema americano está cansado. Mesmo quando surge um grande filme, há uma sensação geral de que ele pode ser o último, ou pior, a de que foi um acaso. A linha histórica de grandes obras e grandes mestres foi desfeita. O cinema ocidental não requer mais grandes cérebros originais. Ele pede grandes comunicadores. O que é beeeem diferente. O que importa é vender seu produto, mesmo que ele pareça anti-comercial ( só pareça ).
No oriente existe a vitalidade. Lá ainda se crê na festa que o cinema é. Ainda se tem a sensação de que HÁ MUITO POR SE FAZER. Os roteiros não têm medo. Vão fundo no ridiculo, na farsa, no pastiche e em outro extremo, no hermético. Seja China, Japão, Coréia, Irã ou Tailandia, o cinema do oriente corre riscos, propõe exageros, vai além da pasmaceira. Tem cor, ainda.
Este filme é uma festa. Deixaria o Spielberg de 1981, deixaria o Tarantino de agora, extasiados. Seu único defeito é a trilha sonora terrível. Mas ele tem tanta ação, criatividade, suspense, cor, ritmo, inteligencia, arrojo, que nos sentimos como em festa, festa de cinema.
Vejo que ele faz parte do livro 1001 FILMES PARA SE VER ANTES DE MORRER. E foi enorme sucesso na Europa e Ásia. Kim Jee-Woon. Guarde esse nome. O cara sabe tudo....
Como diz Keith Richards em sua hilariante biografia, foi em 67 que tudo se definiu. Os moldes se criaram. E em 1967 todo cinéfilo se dividiu entre WEEK-END de Godard e BONNIE E CLYDE de Arthur Penn. E ainda havia Mike Nichols com A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM e Antonioni com BLOW-UP. Filmes que criaram os nichos onde os diretores pretensiosos se instalam até agora. Godard e Antonioni criando o filme "não entendi nada", Nichols dando ao mundo o primeiro filme de "adolescente nerd gracinha" e Penn o filme de "ação com cérebro".
Pouca gente em 1967 notou que o grande sucesso popular daquele ano, THE GOOD THE BAD THE UGLY de Sergio Leone, era possivelmente o melhor filme. Não só o melhor, mas sim o mais atemporal.
2008.
Toda uma geração de cinéfilos jovens cultua o filme de Leone. A obra desse italiano genial é estudada, copiada, citada, amada, divulgada. E cria-se uma certeza, a de que existem dois tipos de cinéfilos : os que amam Leone e os que apenas adoram Leone.
2010.
Cineastas, muitos, principalmente na América, continuam a estudar Godard. E Penn, Nichols, mas não Antonioni, que continua restrito a Europa. Mas eles copiam principalmente Leone.
E Leone idolatrava Kurosawa.
Fecha-se o circuito. O oriente olha para a obra do italiano. E vem esta homenagem. Este filme coreano, este espetáculo.
A corrida atrás de um mapa. Sangue e algum humor. Kim Jee-Woon não tem o dom de poesia que Leone tinha. Mas este não é um século poético. Este filme chupa o sangue do filme de 67, mas é um filme absolutamente de hoje, de agora, já!
O cinema americano está cansado. Mesmo quando surge um grande filme, há uma sensação geral de que ele pode ser o último, ou pior, a de que foi um acaso. A linha histórica de grandes obras e grandes mestres foi desfeita. O cinema ocidental não requer mais grandes cérebros originais. Ele pede grandes comunicadores. O que é beeeem diferente. O que importa é vender seu produto, mesmo que ele pareça anti-comercial ( só pareça ).
No oriente existe a vitalidade. Lá ainda se crê na festa que o cinema é. Ainda se tem a sensação de que HÁ MUITO POR SE FAZER. Os roteiros não têm medo. Vão fundo no ridiculo, na farsa, no pastiche e em outro extremo, no hermético. Seja China, Japão, Coréia, Irã ou Tailandia, o cinema do oriente corre riscos, propõe exageros, vai além da pasmaceira. Tem cor, ainda.
Este filme é uma festa. Deixaria o Spielberg de 1981, deixaria o Tarantino de agora, extasiados. Seu único defeito é a trilha sonora terrível. Mas ele tem tanta ação, criatividade, suspense, cor, ritmo, inteligencia, arrojo, que nos sentimos como em festa, festa de cinema.
Vejo que ele faz parte do livro 1001 FILMES PARA SE VER ANTES DE MORRER. E foi enorme sucesso na Europa e Ásia. Kim Jee-Woon. Guarde esse nome. O cara sabe tudo....
QUANTO EU DEVO A BLAKE EDWARDS....
Eu devo a ele minha comédia favorita. Sei que não é a melhor ( a melhor é Levada da Breca, de Hawks ) mas é o filme que mais me fez rir. Essa comédia é UM TIRO NO ESCURO, que balançou a crença que eu tinha aos 18 anos de que filme "bom" era filme dificil. Arte só podia existir em Antonioni, Bunuel, Bergman e que tais. Mas numa noite de sábado, deprimido, assisto a Peter Sellers criar um personagem eternamente vivo, ouço Henri Mancini com sua trilha sonora de gênio e vejo Edwards orquestrar tudo isso. Foi uma madrugada que jamais esqueci. Minha visão de cinema começou a mudar e me coloquei uma questão que coloco até hoje : o que Blake Edwards tem de menos que John Cassavettes ou que Fassbinder ? Pretensão talvez.
Mas o mundo não mudou. Hoje continua a se pensar que genial é aquilo que se parece com aula ou com museu. Na Itália da época se cultuava Elio Petri, Mauro Bolognini e Francesco Rossi. Mas Monicelli era "apenas" um diretor de comédias. Nos USA se cultuava Martin Ritt, Franklyn Schaffner e Arthur Penn, mas não Blake Edwards. Porque amamos tanto quem nos faz rir, mas só damos valor intelectual a quem nos faz sofrer ? A quem parece sério e só fala de temas sérios com sisudez ? Não é muito mais nobre rir da seriedade ? Arrancar risos da tragédia, sem negá-la ?
Blake fez vários filmes ruins. E até alguns muito ruins. Mas tem seis grandes filmes. E desses, os que mais gosto, além do Tiro no Escuro, são O CONVIDADO BEM TRAPALHÃO, VITOR OU VITÓRIA ( um dos melhores filmes dos anos 80 ) e BREAKFAT AT TIFFANYS, o filme mais lembrado do ícone Audrey Hepburn.
Ele tinha classe, tinha gosto e sabia ser ácido. Se une a Keaton, Chaplin, Hawks, Mel Brooks, Chuck Jones, John Landis, Steve Martin, como aqueles caras que deveriam ter tido muuuuuito mais reconhecimento por Oscars, Cannes, Veneza e etc.
Ou talvez não. Talvez ninguém seja mais reconhecido que Chaplin, Groucho, Eddie Murphy, Tati ou René Clair. Talvez os prêmios sejam apenas consolo para aqueles que não conseguem ter o amor popular que gente como Jerry Lewis ou os Monty Python sempre tiveram/têm.
Pois por mais que eu admire Ingmar Bergman e Godard, é para atores/diretores que me fizeram rir que dirijo meu afeto. Para aqueles que consolaram minhas deprês, que aliviaram minha dor e que restauraram a minha fé na vida.
E para gente como essa, todo o amor lhes é devido.
Mas o mundo não mudou. Hoje continua a se pensar que genial é aquilo que se parece com aula ou com museu. Na Itália da época se cultuava Elio Petri, Mauro Bolognini e Francesco Rossi. Mas Monicelli era "apenas" um diretor de comédias. Nos USA se cultuava Martin Ritt, Franklyn Schaffner e Arthur Penn, mas não Blake Edwards. Porque amamos tanto quem nos faz rir, mas só damos valor intelectual a quem nos faz sofrer ? A quem parece sério e só fala de temas sérios com sisudez ? Não é muito mais nobre rir da seriedade ? Arrancar risos da tragédia, sem negá-la ?
Blake fez vários filmes ruins. E até alguns muito ruins. Mas tem seis grandes filmes. E desses, os que mais gosto, além do Tiro no Escuro, são O CONVIDADO BEM TRAPALHÃO, VITOR OU VITÓRIA ( um dos melhores filmes dos anos 80 ) e BREAKFAT AT TIFFANYS, o filme mais lembrado do ícone Audrey Hepburn.
Ele tinha classe, tinha gosto e sabia ser ácido. Se une a Keaton, Chaplin, Hawks, Mel Brooks, Chuck Jones, John Landis, Steve Martin, como aqueles caras que deveriam ter tido muuuuuito mais reconhecimento por Oscars, Cannes, Veneza e etc.
Ou talvez não. Talvez ninguém seja mais reconhecido que Chaplin, Groucho, Eddie Murphy, Tati ou René Clair. Talvez os prêmios sejam apenas consolo para aqueles que não conseguem ter o amor popular que gente como Jerry Lewis ou os Monty Python sempre tiveram/têm.
Pois por mais que eu admire Ingmar Bergman e Godard, é para atores/diretores que me fizeram rir que dirijo meu afeto. Para aqueles que consolaram minhas deprês, que aliviaram minha dor e que restauraram a minha fé na vida.
E para gente como essa, todo o amor lhes é devido.
ASSIM FALOU ZARATUSTRA - NIETZSCHE
Viver na corda sobre o abismo, como um bailarino, e ser odiado por ser só. Obedecer ao corpo e só ao seu corpo. E viver na pura verdade, a verdade da vontade. Eu sou meu corpo e é só com ele que vivo.
Nietzsche prega no deserto. Não sei se ele foi um dia entendido. Penso que ele não o queria.
Na ponta da corda, o animal, na outra ponta, o super-homem, fora da corda e longe do abismo, o rebanho, o homem sem individualidade.
Volta a Terra. O segredo do filósofo-poeta : o homem como ser-Terra. A vida é carne, a vida acontece agora, a vida é o sol. Quanto mais distantes da Terra/Mãe mais distantes da vida. Daí o fato de se ser só : desenvolver a individualidade ao máximo.
Igreja e Politica, as forças que fazem do homem apenas mais um, um fraco em meio a seus senhores. Igreja e Politica, véus que disfarçam as cores reais da vida.
( Para Nietzsche seria cômico um bando de ateus se unirem e fazer propaganda de seu ateísmo. Ser ateu é ter a coragem de ser só, de não precisar de companheiros de rebanho. Unir ateus em "fé" ao ateísmo é criar nova igreja. )
Como ele pensaria em Marxismo, Freudianismo, Darwinismo, Jungismo, existencialismo, como novas igrejas, com seus dogmas e seus fiéis dizendo amém.
A corda sobre o abismo. Colocar-se em prova. O SuperMan.
O homem precisa ir além, o homem precisa despir-se de toda ilusão, o homem precisa caminhar ao deserto. Para Nietzsche não existe a comunhão e esse foi seu grande erro : a vida acontece na Terra, sim, mas o SuperMan se completa no outro. O ódio de Nietzsche ao cristianismo fez com que ele ignorasse a suprema originalidade da fé cristã : amor. O filósofo alemão é incapaz de entender o amor.
Mas ele é muito atual ao dizer que o homem fraco abomina a Terra. Para esse ser, tudo o que é natural lhe é intolerável. A própria visão da corda sobre o abismo lhe é insuportável. Então, esse subHomem, pequeno e rancoroso, fará a sabotagem da vida, tentará negar a vida e destruirá a Terra. Fugirá da força titânica que é o fogo e o sangue da vida.
Há em Nietzsche a terrível nostalgia do paganismo. Nascido no mais racional dos séculos ( XIX ) houvesse nascido 40 anos depois, seria Friedrich colega de Hesse, Lawrence e Huxley, percorreria mais livremente o caminho do paganismo, provávelmente teria experiências alucinógenas e talvez vivesse bem mais. Mas no meio do século em que viveu, pensar na força pagã, em Dionisio, era viver sempre só.
O livro é poema que aspira a filsofia. E é filsofia que é poema. Biblia do século que nasceria com sua morte.
Continuamos sobre o abismo. E ele diz : Não olhe para baixo e nem para trás. Não anteveja o futuro. Caminhe rumo ao UberMann, o Homem sobre-humano, o ser que é todo Terra, que é todo de verdade, sem ilusão, de olhos claros e de gestos firmes. Não se lamenta, faz. Dono da alegria soberba de se saber vivo.
Ler este livro aos 15 anos é detestar para sempre tudo o que signifique "ser parte de um rebanho".
Ps: agora sim Laerte. Sua última opinião é ok.
Nietzsche prega no deserto. Não sei se ele foi um dia entendido. Penso que ele não o queria.
Na ponta da corda, o animal, na outra ponta, o super-homem, fora da corda e longe do abismo, o rebanho, o homem sem individualidade.
Volta a Terra. O segredo do filósofo-poeta : o homem como ser-Terra. A vida é carne, a vida acontece agora, a vida é o sol. Quanto mais distantes da Terra/Mãe mais distantes da vida. Daí o fato de se ser só : desenvolver a individualidade ao máximo.
Igreja e Politica, as forças que fazem do homem apenas mais um, um fraco em meio a seus senhores. Igreja e Politica, véus que disfarçam as cores reais da vida.
( Para Nietzsche seria cômico um bando de ateus se unirem e fazer propaganda de seu ateísmo. Ser ateu é ter a coragem de ser só, de não precisar de companheiros de rebanho. Unir ateus em "fé" ao ateísmo é criar nova igreja. )
Como ele pensaria em Marxismo, Freudianismo, Darwinismo, Jungismo, existencialismo, como novas igrejas, com seus dogmas e seus fiéis dizendo amém.
A corda sobre o abismo. Colocar-se em prova. O SuperMan.
O homem precisa ir além, o homem precisa despir-se de toda ilusão, o homem precisa caminhar ao deserto. Para Nietzsche não existe a comunhão e esse foi seu grande erro : a vida acontece na Terra, sim, mas o SuperMan se completa no outro. O ódio de Nietzsche ao cristianismo fez com que ele ignorasse a suprema originalidade da fé cristã : amor. O filósofo alemão é incapaz de entender o amor.
Mas ele é muito atual ao dizer que o homem fraco abomina a Terra. Para esse ser, tudo o que é natural lhe é intolerável. A própria visão da corda sobre o abismo lhe é insuportável. Então, esse subHomem, pequeno e rancoroso, fará a sabotagem da vida, tentará negar a vida e destruirá a Terra. Fugirá da força titânica que é o fogo e o sangue da vida.
Há em Nietzsche a terrível nostalgia do paganismo. Nascido no mais racional dos séculos ( XIX ) houvesse nascido 40 anos depois, seria Friedrich colega de Hesse, Lawrence e Huxley, percorreria mais livremente o caminho do paganismo, provávelmente teria experiências alucinógenas e talvez vivesse bem mais. Mas no meio do século em que viveu, pensar na força pagã, em Dionisio, era viver sempre só.
O livro é poema que aspira a filsofia. E é filsofia que é poema. Biblia do século que nasceria com sua morte.
Continuamos sobre o abismo. E ele diz : Não olhe para baixo e nem para trás. Não anteveja o futuro. Caminhe rumo ao UberMann, o Homem sobre-humano, o ser que é todo Terra, que é todo de verdade, sem ilusão, de olhos claros e de gestos firmes. Não se lamenta, faz. Dono da alegria soberba de se saber vivo.
Ler este livro aos 15 anos é detestar para sempre tudo o que signifique "ser parte de um rebanho".
Ps: agora sim Laerte. Sua última opinião é ok.
CLIVE OWEN/ JET LI/ ERROL FLYNN/ JOHN WAYNE/ BILL MURRAY
MANDANDO BALA de Michael Davis com Clive Owen, Paul Giamati e Monica Bellucci
Tiros e tiros e tiros. Sem socos ou pontapés. Sobre um cara de mal-humor que protege um recèm-nascido de pessoas que querem o matar. É milésima homenagem a Fervura Máxima de John Woo ( talvez o filme de ação mais importante dos anos 90 ). Me incomoda essa mania atual de assexualizar tudo. Podemos ver sangue e tripas a vontade, mas nas duas cenas de sexo os atores estão vestidos!!!! Pelo jeito sexo é mais "pecado" que violência.... Mas o filme é legal. Acaba sendo um Robert Rodriguez à inglesa, ou seja, menos caliente. Clive é muito bom para esse tipo de papel e Davis tem ritmo e humor, o filme na verdade é uma comédia. Fracasso de bilheteria ( porque será ? ), é pura diversão escapista. Várias vezes recordei o cinema mudo. Malabarismos visuais, truques de imagem e diálogos irrelevantes. Quem poderá negar ser esta a verdadeira alma do cinema ? O filme de ação não seria o tal cinema puro, livre de diálogos teatrais e de afetações literárias ? Pois um filme como este só pode ser cinema : ele é inviável sobre um palco e impossível como romance. É este pensamento que expresso aqui que explica a grandeza de Hawks ou Ford, filmes que são cinema puro, obras que só podem existir como luz e ação. Este filme, divertidíssimo é sim bom cinema. Nota 7.
ROBIN HOOD de Michael Curtiz com Errol Flynn, Olivia de Havilland e Claude Rains
Versão definitiva do mito. Curtiz é o diretor de Casablanca. O filme, em explendoroso colorido, é bastante infantil. Robin é uma criança alegre. Deve-se assisti-lo como se assiste um cartoon da Disney. Flynn está perfeito: belo, sorridente, atlético. Ele e Olivia formavam um casal perfeito, ela era a pura lady esperta. Longe de ser o melhor filme de Errol, dá pra se ver. Nota 6.
O BEIJO DO DRAGÃO de Chris Nahun com Jet Li
Produção de Luc Besson. Ou seja, Paris como um inferno, fumaça saindo de bueiros, um vilão psicótico, tolices sem fim. A violência chega a ser revoltante. Para que tanta pornografia ? Jet Li tem pouco carisma, mas luta bem. Há cenas de bela coreografia. Mas o enredo é tolo demais, bastaria uma ida a embaixada e tudo se resolveria ! Nota 5.
ROMEU TEM DE MORRER produção de Joel Silver com Jet Li, Bridget Fonda, Burt Kuwok
Aqui quem produz é Silver, o cara de Matrix. Portanto, lutas chinesas e fotografia com sombras. Mas é um filme chato. O herói é muito fraco e os vilões são pouco ruins. Nota 2.
AS AVENTURAS DE DON JUAN de Victor Sherman com Errol Flynn e Viveca Lindfors
Na primeira parte, pura chanchada, o filme é delicioso. Juan é um conquistador compulsivo, irônico, meio decadente. Flynn dá um show de humor. Mas então ele se torna inconvincente aventura séria e Juan transforma-se num chato apaixonado. Uma pena. Nota 5.
BIG JAKE de George Sherman com John Wayne e Maureen O'Hara
É um dos últimos filmes de Wayne. Veterano, ele brinca com sua idade na história de um pai que volta ao lar para salvar neto que foi raptado. Os filhos vão com ele. Wayne cativa com seu carisma gigantesco, mas o roteiro ( dos autores de Dirty Harry ) se perde, não tem ritmo ou suspense. Vale só pelo velho Duke. Nota 4.
13 de Gela Babluani
Penso que fazer um filme de arte ruim é sempre mais fácil que fazer uma comédia ou uma aventura ruim. Eis aqui um filme cheio de "arte". Fotografia cinzenta, personagens deprimidos, ação lenta, falas enigmáticas. E, é claro, história contada de trás pra frente. Sobre pessoas fracassadas que são convocadas para roleta russa. Lixo da pior espécie, talvez seja o mais medíocre filme que já assisti. Nota muito muito ZERO !!!!!!!!
GHOSTBUSTERS de Ivan Reitman com Bill Murray, Sigourney Weaver, Dan Aykroyd, Harold Ramis, Rick Moranis, Annie Potts
Murray está preguiçoso, cool, sujo e irônico. Dan faz o seu tipo nervoso, Weaver está belíssima e Ramis é o nerd. Ainda tem Moranis como o bobalhão e um fantasma que vive no freezer. Que mais voce pode querer ? Porque a comédia é tão pouco levada a sério ? Por não parecer nobre ? Ivan Reitman é pior que seu filho Jason ? Após um filme como 13, assistir os Caça Fantasmas é uma dádiva. Se os efeitos ruins hoje incomodam, os atores nos entregam presentes e jóias de satisfação. Um filme que dignifica o cinema popular. Nota 8.
GHOSTBUSTERS II
Mesma equipe, quatro anos depois. O sucesso de bilheteria foi ainda maior, mas o filme é pior. Chega a ser chato. Nota 4.
Tiros e tiros e tiros. Sem socos ou pontapés. Sobre um cara de mal-humor que protege um recèm-nascido de pessoas que querem o matar. É milésima homenagem a Fervura Máxima de John Woo ( talvez o filme de ação mais importante dos anos 90 ). Me incomoda essa mania atual de assexualizar tudo. Podemos ver sangue e tripas a vontade, mas nas duas cenas de sexo os atores estão vestidos!!!! Pelo jeito sexo é mais "pecado" que violência.... Mas o filme é legal. Acaba sendo um Robert Rodriguez à inglesa, ou seja, menos caliente. Clive é muito bom para esse tipo de papel e Davis tem ritmo e humor, o filme na verdade é uma comédia. Fracasso de bilheteria ( porque será ? ), é pura diversão escapista. Várias vezes recordei o cinema mudo. Malabarismos visuais, truques de imagem e diálogos irrelevantes. Quem poderá negar ser esta a verdadeira alma do cinema ? O filme de ação não seria o tal cinema puro, livre de diálogos teatrais e de afetações literárias ? Pois um filme como este só pode ser cinema : ele é inviável sobre um palco e impossível como romance. É este pensamento que expresso aqui que explica a grandeza de Hawks ou Ford, filmes que são cinema puro, obras que só podem existir como luz e ação. Este filme, divertidíssimo é sim bom cinema. Nota 7.
ROBIN HOOD de Michael Curtiz com Errol Flynn, Olivia de Havilland e Claude Rains
Versão definitiva do mito. Curtiz é o diretor de Casablanca. O filme, em explendoroso colorido, é bastante infantil. Robin é uma criança alegre. Deve-se assisti-lo como se assiste um cartoon da Disney. Flynn está perfeito: belo, sorridente, atlético. Ele e Olivia formavam um casal perfeito, ela era a pura lady esperta. Longe de ser o melhor filme de Errol, dá pra se ver. Nota 6.
O BEIJO DO DRAGÃO de Chris Nahun com Jet Li
Produção de Luc Besson. Ou seja, Paris como um inferno, fumaça saindo de bueiros, um vilão psicótico, tolices sem fim. A violência chega a ser revoltante. Para que tanta pornografia ? Jet Li tem pouco carisma, mas luta bem. Há cenas de bela coreografia. Mas o enredo é tolo demais, bastaria uma ida a embaixada e tudo se resolveria ! Nota 5.
ROMEU TEM DE MORRER produção de Joel Silver com Jet Li, Bridget Fonda, Burt Kuwok
Aqui quem produz é Silver, o cara de Matrix. Portanto, lutas chinesas e fotografia com sombras. Mas é um filme chato. O herói é muito fraco e os vilões são pouco ruins. Nota 2.
AS AVENTURAS DE DON JUAN de Victor Sherman com Errol Flynn e Viveca Lindfors
Na primeira parte, pura chanchada, o filme é delicioso. Juan é um conquistador compulsivo, irônico, meio decadente. Flynn dá um show de humor. Mas então ele se torna inconvincente aventura séria e Juan transforma-se num chato apaixonado. Uma pena. Nota 5.
BIG JAKE de George Sherman com John Wayne e Maureen O'Hara
É um dos últimos filmes de Wayne. Veterano, ele brinca com sua idade na história de um pai que volta ao lar para salvar neto que foi raptado. Os filhos vão com ele. Wayne cativa com seu carisma gigantesco, mas o roteiro ( dos autores de Dirty Harry ) se perde, não tem ritmo ou suspense. Vale só pelo velho Duke. Nota 4.
13 de Gela Babluani
Penso que fazer um filme de arte ruim é sempre mais fácil que fazer uma comédia ou uma aventura ruim. Eis aqui um filme cheio de "arte". Fotografia cinzenta, personagens deprimidos, ação lenta, falas enigmáticas. E, é claro, história contada de trás pra frente. Sobre pessoas fracassadas que são convocadas para roleta russa. Lixo da pior espécie, talvez seja o mais medíocre filme que já assisti. Nota muito muito ZERO !!!!!!!!
GHOSTBUSTERS de Ivan Reitman com Bill Murray, Sigourney Weaver, Dan Aykroyd, Harold Ramis, Rick Moranis, Annie Potts
Murray está preguiçoso, cool, sujo e irônico. Dan faz o seu tipo nervoso, Weaver está belíssima e Ramis é o nerd. Ainda tem Moranis como o bobalhão e um fantasma que vive no freezer. Que mais voce pode querer ? Porque a comédia é tão pouco levada a sério ? Por não parecer nobre ? Ivan Reitman é pior que seu filho Jason ? Após um filme como 13, assistir os Caça Fantasmas é uma dádiva. Se os efeitos ruins hoje incomodam, os atores nos entregam presentes e jóias de satisfação. Um filme que dignifica o cinema popular. Nota 8.
GHOSTBUSTERS II
Mesma equipe, quatro anos depois. O sucesso de bilheteria foi ainda maior, mas o filme é pior. Chega a ser chato. Nota 4.
TWO TONE ( ANTI BUNDA )
Quem quiser que ouça : too much too young, com Specials, antídoto anti bundamolice.
Pula pula pula. Tá na barra aí em cima. 2 Tone records, 1980, pretos e branquelos ingleses tocando juntos. Specials, Madness, The Beat.... vendia demais, foi febre entre os workers, nada popular nos USA.
Do tempo em que ingleses ainda tinham testosterona. Mas aí veio Thatcher e tudo virou bundamolice. Aquela coisa fog que dura até hoje : inglesinhos sensíveis fazendo arte chorosa em seu quartinho azul. Mingau de aveia no lugar de Guiness.
Japas pulando em Monkey Man, 1979. Pra onde foram os caminhoneiros ingleses???? Jason Statham é o último inglês com culhões ?
Japas pulando com negros cantando. Milagre ? Em 79 a policia dava porrada em Brixton nos blacks e nos whites. Two Tone usava xadrez : preto and branco. Capicce ?
Saudade da Guiness !!!!!
O mundo só vai criar vergonha e voltar a ser fun quando os ingleses voltarem a ser machos e os americanos voltarem a ser cowboys, ou seja, jamais.
Os irmãos Coen refilmaram True Grit, o western que deu Oscar para John Wayne. Não vi e já adorei. Chega de cinema metido a besta!!!! Arte pode ser viril !
Too Much too Young. É pra pular !!!!!
Quem não escuta som de preto não sabe NADA de música.
Morô ?
Pula pula pula. Tá na barra aí em cima. 2 Tone records, 1980, pretos e branquelos ingleses tocando juntos. Specials, Madness, The Beat.... vendia demais, foi febre entre os workers, nada popular nos USA.
Do tempo em que ingleses ainda tinham testosterona. Mas aí veio Thatcher e tudo virou bundamolice. Aquela coisa fog que dura até hoje : inglesinhos sensíveis fazendo arte chorosa em seu quartinho azul. Mingau de aveia no lugar de Guiness.
Japas pulando em Monkey Man, 1979. Pra onde foram os caminhoneiros ingleses???? Jason Statham é o último inglês com culhões ?
Japas pulando com negros cantando. Milagre ? Em 79 a policia dava porrada em Brixton nos blacks e nos whites. Two Tone usava xadrez : preto and branco. Capicce ?
Saudade da Guiness !!!!!
O mundo só vai criar vergonha e voltar a ser fun quando os ingleses voltarem a ser machos e os americanos voltarem a ser cowboys, ou seja, jamais.
Os irmãos Coen refilmaram True Grit, o western que deu Oscar para John Wayne. Não vi e já adorei. Chega de cinema metido a besta!!!! Arte pode ser viril !
Too Much too Young. É pra pular !!!!!
Quem não escuta som de preto não sabe NADA de música.
Morô ?
BUNDA MOLE
Conversando ontem com um amigo. Sob influência de um artigo da Folha que chama esse oba oba sobre a "revolução" internética coisa de bunda-mole.
Fato : toda revolução se faz na rua.
Fato : de Bill Gates a Marcelo Tas, dos bundinhas do Facebook a todo garotinho fofo em seu mundinho protegido. Todos são bundões do mundo real. Na rua, todos eles são nerds, ratos de laboratório. O mundo virtual é sua vingança contra aqueles que ganhavam nos esportes e comiam as meninas.
Fato : Aqueles caras continuam a comer as meninas e a vencer nos esportes. A turma internética só vence na virtualidade.
Ser revolucionário é ir apanhar, correr riscos reais, botar a cara no fogo cruzado. Perder algo para vencer, ou tentar vencer, depois. Com sua bundona mole em cadeira acolchoada, nada há de revolucionário em se penetrar em sites de grandes companhias. Não existe risco algum. Voce não vai levar chute, soco, tiro, não vai ter de correr e fugir. Sua massa glútea continuará mole, como sempre foi.
A midia precisa de noticias. Qual a novidade nos documentos vazados ? Alguma coisa te deixou perplexo ? Faz de conta que sim.
O computador é um brinquedo. A vida continua acontecendo fora de seu quarto.
Ao contrário do que se pensa, em mundo que será completamente interligado e onde todos desenvolverão imensas bundas moles e fofas, quem dominar O MUNDO SÓLIDO E REAL, e não o virtual, DETERÁ O PODER.
Em futuro de cegos, quem tiver bunda dura e olho vivo será rei.
Fato : o futuro não irá tolerar segredos e dedos duros existirão aos montes. Bundas moles com dedos duros. Quem ousar ser diferente será dedurado.
Em ovelharia, todos balindo em seus micro chips, assistindo os mesmos filmes e ouvindo os mesmos sons, inexistirá o silêncio e a reflexão. Ovelhas modernas são boa carne para açougue. Quem for lobo irá dominar.
Eu estou fora.
Fato : toda revolução se faz na rua.
Fato : de Bill Gates a Marcelo Tas, dos bundinhas do Facebook a todo garotinho fofo em seu mundinho protegido. Todos são bundões do mundo real. Na rua, todos eles são nerds, ratos de laboratório. O mundo virtual é sua vingança contra aqueles que ganhavam nos esportes e comiam as meninas.
Fato : Aqueles caras continuam a comer as meninas e a vencer nos esportes. A turma internética só vence na virtualidade.
Ser revolucionário é ir apanhar, correr riscos reais, botar a cara no fogo cruzado. Perder algo para vencer, ou tentar vencer, depois. Com sua bundona mole em cadeira acolchoada, nada há de revolucionário em se penetrar em sites de grandes companhias. Não existe risco algum. Voce não vai levar chute, soco, tiro, não vai ter de correr e fugir. Sua massa glútea continuará mole, como sempre foi.
A midia precisa de noticias. Qual a novidade nos documentos vazados ? Alguma coisa te deixou perplexo ? Faz de conta que sim.
O computador é um brinquedo. A vida continua acontecendo fora de seu quarto.
Ao contrário do que se pensa, em mundo que será completamente interligado e onde todos desenvolverão imensas bundas moles e fofas, quem dominar O MUNDO SÓLIDO E REAL, e não o virtual, DETERÁ O PODER.
Em futuro de cegos, quem tiver bunda dura e olho vivo será rei.
Fato : o futuro não irá tolerar segredos e dedos duros existirão aos montes. Bundas moles com dedos duros. Quem ousar ser diferente será dedurado.
Em ovelharia, todos balindo em seus micro chips, assistindo os mesmos filmes e ouvindo os mesmos sons, inexistirá o silêncio e a reflexão. Ovelhas modernas são boa carne para açougue. Quem for lobo irá dominar.
Eu estou fora.
O BRASIL MUDOU, VADINHO X CAPITÃO NASCIMENTO
Raras vezes na história do cinema um filme conseguiu mudar um país ( eu falo de povo, não falo de meia dúzia de intelectuais ). Recordo de EASY RIDER e OPERAÇÂO FRANÇA que mudaram a América. Lembro dos filmes de gangster da Warner, que influenciaram toda a visão que o povo tinha do crime, e os filmes de Frank Capra, que ajudaram a reerguer os famintos e os desiludidos da depressão. TROPA DE ELITE mudou o Brasil. É o primeiro herói nacional ao estilo da lei, ao estilo Dirty Harry, um cowboy brasileiro, finalmente!!!!
TROPA destronou DONA FLOR como maior bilheteria. O Brasil muda de herói.
Vadinho era o herói. Baiano, cheio de ginga, muito mulherengo, sem trabalho, ele explora Flor e a trai com todas as mulheres possíveis. Morto, ele volta à Flor e se torna seu amante. Eis a imagem do antigo herói brasileiro: malandro sorridente, hiper-sexualizado, mentiroso. José Wilker era esse brilhante ator. E é muito dificil assistir Dona Flor hoje. O filme, ao contrário dos muito superiores O BANDIDO DA LUZ VERMELHA e MACUNAÍMA, envelheceu muito. Mas ele exibe a imagem que o Brasil amava. A malandrice. Com o tempo essa malandrice perdeu a ética ( havia a ética do malandro ) e com a cocaína em cena a coisa passou do limite.
Um novo herói surge. Totalmente assexuado, neuroticamente violento e vazio, mas sim, corajoso e comprometido com o bem. Se Flor era um filme só possível no Brasil, aqui temos uma obra transnacional. Poderia ser de Hong-Kong ou dos USA. É um novo Brasil, país que nos tempos de Flor tinha dois heróis: Vadinho e Roberto Carlos, o malandro e o romântico, os dois a mercê das mulheres; e que hoje tem Nascimento e Lula, os dois comprometidos com a tal classe C.
Se voce é gringo e ainda pensa o Brasil como terra de malemolentes mulherengos, de ninfas fazedoras de quitutes apimentados, de tempo de doce vagabundagem, sorry, esse mundo é tão morto como é a América de Sinatra e a França de Sartre. Brasil é hoje ambição e pressa, guerra por espaço e luta para botar a cara na midia. Uma sub- Miami.
TROPA destronou DONA FLOR como maior bilheteria. O Brasil muda de herói.
Vadinho era o herói. Baiano, cheio de ginga, muito mulherengo, sem trabalho, ele explora Flor e a trai com todas as mulheres possíveis. Morto, ele volta à Flor e se torna seu amante. Eis a imagem do antigo herói brasileiro: malandro sorridente, hiper-sexualizado, mentiroso. José Wilker era esse brilhante ator. E é muito dificil assistir Dona Flor hoje. O filme, ao contrário dos muito superiores O BANDIDO DA LUZ VERMELHA e MACUNAÍMA, envelheceu muito. Mas ele exibe a imagem que o Brasil amava. A malandrice. Com o tempo essa malandrice perdeu a ética ( havia a ética do malandro ) e com a cocaína em cena a coisa passou do limite.
Um novo herói surge. Totalmente assexuado, neuroticamente violento e vazio, mas sim, corajoso e comprometido com o bem. Se Flor era um filme só possível no Brasil, aqui temos uma obra transnacional. Poderia ser de Hong-Kong ou dos USA. É um novo Brasil, país que nos tempos de Flor tinha dois heróis: Vadinho e Roberto Carlos, o malandro e o romântico, os dois a mercê das mulheres; e que hoje tem Nascimento e Lula, os dois comprometidos com a tal classe C.
Se voce é gringo e ainda pensa o Brasil como terra de malemolentes mulherengos, de ninfas fazedoras de quitutes apimentados, de tempo de doce vagabundagem, sorry, esse mundo é tão morto como é a América de Sinatra e a França de Sartre. Brasil é hoje ambição e pressa, guerra por espaço e luta para botar a cara na midia. Uma sub- Miami.
O DIA EM QUE JOHN LENNON MORREU
Os americanos dizem que todos lembram, com estranha clareza, de onde estavam e o que faziam no dia em que Kennedy foi morto. Eu recordo de cada detalhe do dia em que John Lennon foi morto. ( E eu não era um fã. Em 1980 eu amava os Stones e ouvia muito Police, B'52's, Clash, Pretenders e Jorge Ben ).
Foi a melhor época da minha vida. Primeiro colegial, Objetivo Pinheiros. Apaixonado pela Aninha. Que era louca pelo meu melhor amigo, Carioca. E ele era o cara mais hilário do mundo. Uma amiga dele gostava de mim. Mas eu não gostava dela. De tarde eu jogava volei na escola e andava à toa, com Tinho e Carioca, pelos fliperamas e pelo Iguatemi. É maravilhoso quando somos felizes e temos consciência disso. Eu vibrava de alegria.
Naquela manhã eu escovava os dentes. Pensava no fim das aulas. Já sentia falta de Aninha. Meu irmão, que ouvia rádio na sala, veio ao banheiro e me perguntou: - Sabe quem morreu? John Lennon ! Mas não deve ser verdade....
Dei de ombros. Que história mais besta. Beatles não morrem, são eternos.
Mas na escola o professor de inglês estava com olhos vermelhos. Era verdade. E não me perguntem porque, o dia inteiro eu senti vontade de chorar.
Como na morte de Tancredo Neves, aquele foi um momento em que parecia que todo mundo se unia no luto. Na tarde de 9 de dezembro, eu e meu irmão ouvimos Imagine no rádio e eu não segurei o choro. Durante dois meses o que se ouvia era Woman e Starting Over. Foi o mais belo de meus natais e foi um natal com trilha de Lennon. Happy Xmas.
Era lindo andar por Pinheiros e ouvir em cada loja uma música de John Lennon ( não existiam camelôs ). No bar era Imagine, na loja de roupas Woman, no mercado Starting Over e na rua Dream. Nas lojas de discos os lps de Lennon se esgotavam. Comprei Walls and Bridges ( é meu favorito dele ) e os dois primeiros dos Beatles. Além de um poster. No shopping ( só existia o Iguatemi e o Ibirapuera ) só se ouvia Lennon. Todo o tempo.
A sensação foi terrível. Se Lennon não era imortal então todos podiam morrer. E nos anos seguintes se foram Miles Davis, Kurosawa, Laurence Olivier, David Lean e até Bergman. Todos os deuses eram mortais. De certa forma eu perdia a infancia ali.
O disco dele foi ridicularizado quando saiu. Diziam ser o pior disco de Paul feito por John. Mas após sua morte todos disseram que não era tão ruim. Era ok. Eu nunca o escutei. Mas gastei o Walls and Bridges de tanto ouvir. E o primeiro dos Beatles tem uma música chamada Anna! Aninha!
John Lennon desde então me recorda natal. E nada de triste, mas sim uma época de alegria plena. De roubar salgados em supermercado e de tomar sorvete com Fanta falando de Ana. Calor e chuva. E daquele dia triste, em que o mundo inteiro escutou Happy Xmas e chorou junto.
Foi a melhor época da minha vida. Primeiro colegial, Objetivo Pinheiros. Apaixonado pela Aninha. Que era louca pelo meu melhor amigo, Carioca. E ele era o cara mais hilário do mundo. Uma amiga dele gostava de mim. Mas eu não gostava dela. De tarde eu jogava volei na escola e andava à toa, com Tinho e Carioca, pelos fliperamas e pelo Iguatemi. É maravilhoso quando somos felizes e temos consciência disso. Eu vibrava de alegria.
Naquela manhã eu escovava os dentes. Pensava no fim das aulas. Já sentia falta de Aninha. Meu irmão, que ouvia rádio na sala, veio ao banheiro e me perguntou: - Sabe quem morreu? John Lennon ! Mas não deve ser verdade....
Dei de ombros. Que história mais besta. Beatles não morrem, são eternos.
Mas na escola o professor de inglês estava com olhos vermelhos. Era verdade. E não me perguntem porque, o dia inteiro eu senti vontade de chorar.
Como na morte de Tancredo Neves, aquele foi um momento em que parecia que todo mundo se unia no luto. Na tarde de 9 de dezembro, eu e meu irmão ouvimos Imagine no rádio e eu não segurei o choro. Durante dois meses o que se ouvia era Woman e Starting Over. Foi o mais belo de meus natais e foi um natal com trilha de Lennon. Happy Xmas.
Era lindo andar por Pinheiros e ouvir em cada loja uma música de John Lennon ( não existiam camelôs ). No bar era Imagine, na loja de roupas Woman, no mercado Starting Over e na rua Dream. Nas lojas de discos os lps de Lennon se esgotavam. Comprei Walls and Bridges ( é meu favorito dele ) e os dois primeiros dos Beatles. Além de um poster. No shopping ( só existia o Iguatemi e o Ibirapuera ) só se ouvia Lennon. Todo o tempo.
A sensação foi terrível. Se Lennon não era imortal então todos podiam morrer. E nos anos seguintes se foram Miles Davis, Kurosawa, Laurence Olivier, David Lean e até Bergman. Todos os deuses eram mortais. De certa forma eu perdia a infancia ali.
O disco dele foi ridicularizado quando saiu. Diziam ser o pior disco de Paul feito por John. Mas após sua morte todos disseram que não era tão ruim. Era ok. Eu nunca o escutei. Mas gastei o Walls and Bridges de tanto ouvir. E o primeiro dos Beatles tem uma música chamada Anna! Aninha!
John Lennon desde então me recorda natal. E nada de triste, mas sim uma época de alegria plena. De roubar salgados em supermercado e de tomar sorvete com Fanta falando de Ana. Calor e chuva. E daquele dia triste, em que o mundo inteiro escutou Happy Xmas e chorou junto.
BRUCE WILLIS/ MICHAEL DOUGLAS/ CAPRA/ DEMME/ ASTAIRE/ FLYNN
RED de Robert Schwentke com Bruce Willis, Mary-Louise Parker, John Malkovich, Helen Mirren, Richard Dreyfuss, Ernest Bognine e Karl Urban
Este filme, absurdamente estrelado, tem um grave defeito: um inicio confuso e muito sem sal. Depois melhora e sua hora final é bastante divertida. Bruce envelheceu bem e segura o filme com seu carisma tranquilo. Mas Mary-Louise está excelente e Malkovich tem uma cena hilária ( correndo atrás dos bandidos ). Helen Mirren tem momento relax em carreira exemplar: desde a ninfeta de A Idade da Reflexão ( obrigatório!!!! ) passando por teatro shakespeareano e filmes de arte, até o Oscar e a atual popice. Este filme, tolo, diverte por ter atores certos e gostáveis em papéis adequados. E é isso. Nota 5.
O SOLTEIRÃO de Brian Koppelman e David Levien com Michael Douglas, Mary-Louise Parker, Jesse Eisenberg e Susan Sarandon
Douglas em atuação perfeita e emocionante. Adianta eu falar que é o filme do ano? Com essa avalanche de lançamentos pré consagrados, quem liga para um filme fora do hype? Muito bem escrito, ele mostra o homem-masculino como urso polar ou lobo europeu: em processo de fuga. Douglas se reafirma como grande personalidade do cinema e o filme é drama sem choro e arte sem afetação. Brilhante! Nota DEZ.
O RIO DAS ALMAS PERDIDAS de Otto Preminger com Robert Mitchum e Marilyn Monroe
Nem Mitchum consegue salvar este western frouxo. Falta melhor trama e falta um bom personagem. Das divas do cinema, MM é de longe a pior. Só foi boa atriz com Billy Wilder. Preminger quando acertava era rei, mas quando erra é quase insuportável. Nota 3.
O HOMEM FORTE de Frank Capra com Harry Langdon
Langdon foi humorista famoso hoje esquecido. Seu tipo era muito estranho: um tipo de crianção inocente fofo e bobo. O rosto como o de um anjo irritante. Mas o filme é bom, graças ao talento de Capra para o movimento. Vemos Langdon zanzando pela cidade atrás de seu amor. Nota 6.
MELVIN E HOWARD de Johnathan Demme com Paul Le Mat, Mary Steenburgen e Jason Robards
É um dos filmes favoritos de PT Anderson. E foi a zebra de 1980. Um filme modesto que foi aclamado pelos criticos. Demme depois se tornou o cara de Silencio dos Inocentes e Filadelfia. O filme trata de Howard Hughes ( um comovente Robards ) que vaga pelo deserto. Um operário lhe dá uma carona. Acompanhamos o cotidiano desse operário americano, um simplório. Hughes lhe deixa a herança e ele a perde nos tribunais. Me diga: faz quanto tempo que o cinema americano não faz um filme sobre simples trabalhadores? Fosse hoje ele seria um drogado terminal ou um engraçado trapalhão. Mas aqui não, é vida real. Demme já demonstra seu talento para conduzir atores. Um belo filme pobre. Nota 7.
A ALDEIA DOS AMALDIÇOADOS de Wolf Rilla com George Sanders
Uma cidade fica isolada do mundo. Quando volta ao normal, todas as mulheres engravidam. Os filhos que nascem são muuuito estranhos. Uma parábola sobre filhos e pais. O medo que os pais têm de uma nova geração. É um pequeno clássico inglês. Nota 7.
UM AMOR DE DANÇARINA de Robert Z Leonard com Joan Crawford e Clark Gable
Anos 30. Gable super macho, Joan como a sexy com fibra. Escapismo para a era da depressão pós 1929. Tudo é previsivel, mas a MGM faz as coisas correrem tão depressa que acabamos caindo "no samba" e nos envolvendo com toda aquela besteira. Isto é cinema profissional. Nota 6.
MELODIAS DA BROADWAY de Norman Taurog com Fred Astaire e Eleanor Powell
Tudo brilha quando Astaire dança. Ele não era deste planeta! Flutua e nos passa uma imensa gama de sentimentos e significados com o bailar de seus pés. Um milagreiro! O filme, de rotina, fala de shows e estrelato. Powell era super-estrela, mas era ruim. Fria e distante, não funciona. Mas Fred salva tudo quando em cena, nós o amamos e penetramos em sua terra de sonho. Amar cinema e não amar Astaire é como amar rock e não gostar de Beatles, impensável Nota 6.
GENTLEMAN JIM de Raoul Walsh com Errol Flynn e Alexis Smith
Walsh foi um dos gigantes da Warner. Um mestre da ação, seus filmes fluem e envelheceram muito pouco. É mestre em narração, as cenas se ligam, a história é contada com leveza e mal percebemos seus cortes e o tempo que passa. Errol Flynn era o ator fetiche de bom humor, beleza, rapidez, economia, glamour. Os dois juntos fazem aqui o ponto mais alto da longa carreira de Walsh ( 80 filmes!!!! ). È a história de Jim Corbett, o campeão peso-pesado que inventou o bailado no ringue, o jogo de pés. Jim é exibido como um muito alegre e muito esperto irlandês ambicioso. O filme, festivo, se concentra na vida familiar de Jim ( muito alegre ) e em suas lutas ( muito emocionantes ). Errol Flynn está perfeito: adoramos aquele tolo rapaz simplório, deslumbrado com a fama, bailando no ringue e nas ruas. É um filme perfeito. Nenhuma cena é fraca. Tudo é vida e ação. Aula de como se fazer um filme. Nota DEZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Este filme, absurdamente estrelado, tem um grave defeito: um inicio confuso e muito sem sal. Depois melhora e sua hora final é bastante divertida. Bruce envelheceu bem e segura o filme com seu carisma tranquilo. Mas Mary-Louise está excelente e Malkovich tem uma cena hilária ( correndo atrás dos bandidos ). Helen Mirren tem momento relax em carreira exemplar: desde a ninfeta de A Idade da Reflexão ( obrigatório!!!! ) passando por teatro shakespeareano e filmes de arte, até o Oscar e a atual popice. Este filme, tolo, diverte por ter atores certos e gostáveis em papéis adequados. E é isso. Nota 5.
O SOLTEIRÃO de Brian Koppelman e David Levien com Michael Douglas, Mary-Louise Parker, Jesse Eisenberg e Susan Sarandon
Douglas em atuação perfeita e emocionante. Adianta eu falar que é o filme do ano? Com essa avalanche de lançamentos pré consagrados, quem liga para um filme fora do hype? Muito bem escrito, ele mostra o homem-masculino como urso polar ou lobo europeu: em processo de fuga. Douglas se reafirma como grande personalidade do cinema e o filme é drama sem choro e arte sem afetação. Brilhante! Nota DEZ.
O RIO DAS ALMAS PERDIDAS de Otto Preminger com Robert Mitchum e Marilyn Monroe
Nem Mitchum consegue salvar este western frouxo. Falta melhor trama e falta um bom personagem. Das divas do cinema, MM é de longe a pior. Só foi boa atriz com Billy Wilder. Preminger quando acertava era rei, mas quando erra é quase insuportável. Nota 3.
O HOMEM FORTE de Frank Capra com Harry Langdon
Langdon foi humorista famoso hoje esquecido. Seu tipo era muito estranho: um tipo de crianção inocente fofo e bobo. O rosto como o de um anjo irritante. Mas o filme é bom, graças ao talento de Capra para o movimento. Vemos Langdon zanzando pela cidade atrás de seu amor. Nota 6.
MELVIN E HOWARD de Johnathan Demme com Paul Le Mat, Mary Steenburgen e Jason Robards
É um dos filmes favoritos de PT Anderson. E foi a zebra de 1980. Um filme modesto que foi aclamado pelos criticos. Demme depois se tornou o cara de Silencio dos Inocentes e Filadelfia. O filme trata de Howard Hughes ( um comovente Robards ) que vaga pelo deserto. Um operário lhe dá uma carona. Acompanhamos o cotidiano desse operário americano, um simplório. Hughes lhe deixa a herança e ele a perde nos tribunais. Me diga: faz quanto tempo que o cinema americano não faz um filme sobre simples trabalhadores? Fosse hoje ele seria um drogado terminal ou um engraçado trapalhão. Mas aqui não, é vida real. Demme já demonstra seu talento para conduzir atores. Um belo filme pobre. Nota 7.
A ALDEIA DOS AMALDIÇOADOS de Wolf Rilla com George Sanders
Uma cidade fica isolada do mundo. Quando volta ao normal, todas as mulheres engravidam. Os filhos que nascem são muuuito estranhos. Uma parábola sobre filhos e pais. O medo que os pais têm de uma nova geração. É um pequeno clássico inglês. Nota 7.
UM AMOR DE DANÇARINA de Robert Z Leonard com Joan Crawford e Clark Gable
Anos 30. Gable super macho, Joan como a sexy com fibra. Escapismo para a era da depressão pós 1929. Tudo é previsivel, mas a MGM faz as coisas correrem tão depressa que acabamos caindo "no samba" e nos envolvendo com toda aquela besteira. Isto é cinema profissional. Nota 6.
MELODIAS DA BROADWAY de Norman Taurog com Fred Astaire e Eleanor Powell
Tudo brilha quando Astaire dança. Ele não era deste planeta! Flutua e nos passa uma imensa gama de sentimentos e significados com o bailar de seus pés. Um milagreiro! O filme, de rotina, fala de shows e estrelato. Powell era super-estrela, mas era ruim. Fria e distante, não funciona. Mas Fred salva tudo quando em cena, nós o amamos e penetramos em sua terra de sonho. Amar cinema e não amar Astaire é como amar rock e não gostar de Beatles, impensável Nota 6.
GENTLEMAN JIM de Raoul Walsh com Errol Flynn e Alexis Smith
Walsh foi um dos gigantes da Warner. Um mestre da ação, seus filmes fluem e envelheceram muito pouco. É mestre em narração, as cenas se ligam, a história é contada com leveza e mal percebemos seus cortes e o tempo que passa. Errol Flynn era o ator fetiche de bom humor, beleza, rapidez, economia, glamour. Os dois juntos fazem aqui o ponto mais alto da longa carreira de Walsh ( 80 filmes!!!! ). È a história de Jim Corbett, o campeão peso-pesado que inventou o bailado no ringue, o jogo de pés. Jim é exibido como um muito alegre e muito esperto irlandês ambicioso. O filme, festivo, se concentra na vida familiar de Jim ( muito alegre ) e em suas lutas ( muito emocionantes ). Errol Flynn está perfeito: adoramos aquele tolo rapaz simplório, deslumbrado com a fama, bailando no ringue e nas ruas. É um filme perfeito. Nenhuma cena é fraca. Tudo é vida e ação. Aula de como se fazer um filme. Nota DEZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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