Logan Ending Credits - Johnny Cash - The Man Comes Around



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Logan | Trailer Oficial 2 | Legendado HD



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LOGAN. UM FILME QUE DÓI.

   Há um momento em Logan, filme de James Mangold, mesmo diretor da bio de Johnny Cash e da refilmagem de Yuma, em que o professor Xavier assiste Shane na TV. É uma longa sequência. Shane ( OS BRUTOS TAMBÉM AMAM ),  fala de um homem da paz que é obrigado a usar a violência para salvar uma família. Logan é um reviver desse filme.
   Wolverine é um semimorto. Ele bebe e se droga, cuida de Xavier, mas nega todo seu passado. Logan não aceita ser o que ele é. Uma menina entra em sua vida. Uma mutante de 12 anos de idade. E essa menina, que ele não aceita, é uma versão dele mesmo. Sua filha. Fogem todos, como em um bom western, pelo deserto dos USA. E o acerto final é belíssimo.
  Logan não é um filme fácil. Ele é feio, ele é triste, ele não tem uma gota de humor. Mas, ao contrário de Batman, é um filme que não faz da doença um tipo de gancho. Logan é contra a doença, contra o individualismo, contra o mal. Batman se tornou no cinema uma besta. Um homem fraco dominado pelo mal. Logan reafirma o herói. O Herói possível para 2017. O herói que morre.
  Hugh Jackman nasceu para fazer este filme. Sua atuação é magnífica. Não há outra palavra, magnífico. Ele recicla Gary Cooper, Clint Eastwood e Alan Ladd em seus grandes momentos. Ele é um cowboy perdido no planeta errado. Seu lugar não é aqui. E nem lá. Ele não tem lugar. Vendo o filme, que nada tem de western, lembrei de Rastros de Ódio. A relação da menina com o adulto, a busca por redenção, o herói que parece ruim e se revela bom.
  O fim do filme é sublime. A cruz de Cristo vira o X dos X Men. Sim, o filme, na figura do professor Xavier, defende a família, a união, o costume que leva ao bem. Ele é profundamente conservador. E jamais piegas.
  Passou da hora de se dar valor à James Mangold. E passou da hora de se considerar Hugh Jackman um grande ator.
  Voce não vai achar filme melhor para ver.

SUPER GALO, SUPER CHICKEN, SUPER SUPER.

   Assistindo um box que tem George, O Rei da Floresta; Tom Sem Freio e O Super Galo ( Super Chicken ). Eu os assistia em 1977, na TV Tupi canal 4, as 15:30 hs. Nunca esqueci. Lembro que a primeira vez que os vi, achei a coisa mais doida do mundo. Eles eram maravilhosamente esculachados. Livres.
  Retratos de uma época, foram feitos em 1967, época do Batman de Adam West, dos Monkees, do começo do Monty Python e dos Smothers Brothers. Nesse tempo as cores tinham de ser fortes, psicodélicas e a moda era ser engraçado. A palavra de ordem era relax. Não levar nada a sério, principalmente  a seriedade. A grande doença da época era a esquizofrenia ( hoje é a depressão ).
  As trilhas sonoras de abertura, dos três cartoons, são uma obra prima. George é uma cacofonia de tambores, Tom Slick um tipo de rock big band corrido e Super Chicken é uma melodia excêntrica de banda marcial com musiquinha de circo freak. Os roteiros são ainda melhores. Tudo é de um esculacho delicioso, tirando uma de todas as convenções banais. George é um idiota. Tom é um americano hiper campeão. E o Galo é um almofadinha que vira herói azarado. O bem sempre vence. Mas a vitória é ridícula.
  A dublagem é outro ponto muito, muito alto. O narrador não crê nos heróis que deve exaltar, a voz do Super Galo é totalmente chicken e a coroa de Tom Slick é uma avó do yea yea yeah. A Odil Fono Brasil-Guanabara dá mais uma prova de quê a dublagem show foi aquela feita entre 64-69, as vozes que são tão queridas quanto as histórias que acompanham.
  Nos meus reencontros com velhas séries e velhos desenhos, cerca de 90% são decepções. E sobre elas nada escrevo. Melhor esquecer. Mas estes 3 cartoons merecem sua eternalização em DVD. Blu Ray. Rede Mundial. Corações e mentes. A geração que os viu aprendeu a zombar de tudo. E desde então nunca mais deixamos de rir.

O Super Galo Dublado



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Seinfeld Sings Super Chicken



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LIVROS AO LIXO.

   A biblioteca da escola coloca livros no pátio para que os alunos os levem. Como eu já esperava, eles os pegam e rasgam, chutam, fazem guerra de livros voadores. Livros, para a maioria deles, são como celulares para babuínos.
  Os livros, velhos, considerados inúteis, despertam minha pena. Eles são como amigos para mim, amigos sempre a postos, cães. Antes desse massacre eu salvei alguns. Um velho livro completamente desatualizado sobre linguística. MEMÓRIAS DE UM BURRO, de Herberto Sales, um delicioso livro sobre um burro mais inteligente que os homens burros. O livro ensina ética, bons sentimentos, moral, ou seja, tudo aquilo que não tem mais valor. Leio em duas gostosas horas e o trago para casa.
  Trago também NO PAÍS DAS FORMIGAS, de Menotti del Pichia, um esquecido autor brasileiro. Esquecido porque, ao contrário de seus amigos Mario de Andrade e Oswald, ele disse ser católico e conservador. O livro fala de duas crianças que são enfeitiçadas e diminuem de tamanho. São salvos pelas formigas. Legal.
  Encontro um modesto livro-homenagem. O filho dos Nogami escreveu um livro, COLETÂNEA, em que ele fala da sua família japonesa. De como vieram ao Brasil, da história de seu pai engenheiro. Não é um bom livro, mas é interessante. E doloroso.
  Uma joia é por mim garimpada: CONVERSAÇÃO COMPARADA PORTUGUÊS DO BRASIL E INGLÊS. É um livro vermelho, capa dura e papel macio e brilhante. Quando o abro encontro um lindo selo grudado nele. Escrito em japonês, é o selo da casa imperial. Entendo então que o livro ensina japoneses imigrantes a se comunicar ao chegar no Brasil. Para isso ele usa os dois ideogramas japoneses, os traduz para o inglês e então para o português. Mas o melhor vem em seguida: a data de publicação é de outubro de 1944 ! Ou seja, aquele livro foi editado para japoneses que fugiam da guerra. Em dez meses as bombas cairiam em Hiroshima e Nagasaki.
  Ele ensina coisas bem 1944, como ir ao chapeleiro, pedir tabaco, mandar fazer um sobretudo...me pego imaginando um Toshiro ou um Jun andando pela Liberdade, perdido, e mostrando o livro aberto, apontando com o dedo uma frase tipo: "Por favor, poderia me dizer onde fica um hotel..."
  É um tesouro.

O CINEMA MORREU BEM DEVAGAR.

   Uma arte tem uma história. Toda arte fala com ela mesma, nega ou afirma aquilo que é. O cinema morreu. Morreu por volta de 2001. Morreu em longa e lenta agonia. A morte começou em 1995, ou antes, ou depois, não importa. Está morto. E o pior de tudo: ninguém tá nem aí. Ele nunca vai ressuscitar.
  Existem filmes. E talvez sempre existam. Mas não cinema. Filmes é toda imagem em movimento. Quando voce grava sua filha voce faz um filme. Cinema é outra coisa.
  Cinema tem de ser feito para uma tela grande. Para ser exibido em público, numa sala fechada. Cinema não tem pausas para propaganda. Ele é uma experiência grupal, ritual, rotina que se renova. Isso tudo morreu.
  Morreu e digo que morreu, e não só eu diz isso, porque ninguém mais vai ao cinema. Milhões de adolescentes vão aos shoppings ver heróis de quadrinhos. Eles vão ver HQs animadas. Algumas muito boas. Muitas ruins. Mas elas representam a arte de Stan Lee, de Jack Kirby, de John Buscema. Não a arte do cinema.
  O cinema morreu porque são os bilhões desses filmes que ainda sustentam os estúdios. E as salas abertas. Voce, eu e seu amigo não vamos mais ao cinema. E se vamos, é duas ou cinco vezes ao ano. Ou menos.
  Em 1980 TODO MUNDO ia ao cinema. Ir ao cinema era hábito. Havia filme pro pedreiro, para o garoto, para o nerd e para os casais mais velhos. O pedreiro não vai mais ao cinema. Nunca. Não há mais filmes para ele e nem para minha mãe. Nem pra mim.
  Há TV. Mas a TV é tão diferente do cinema como rock é diferente de jazz. TV não pede paciência. TV não tem planos abertos. TV pode se esticar por anos. TV pode errar hoje e acertar amanhã. TV é barato. Cinema é risco, é caro, não se pode errar. Cinema é uma chance e adeus. Cinema é fruição, apreciação, olhar que se abre. TV é prazer imediato. Tudo é agora e já. É pizza.
  Sim, tem coisas geniais na TV. Mas é TV. Não é cinema. Tem gente que confunde ator com cinema. Ator faz teatro. Diretor faz cinema. Roteirista faz os dois.
  O cinema morreu por culpa dele. Virou ópera. Virou música erudita. Jazz. Ballet. Uma arte que perdeu sua raiz porque parou de se olhar. Jogou sua história no lixo, desprezou sua raiz popular, virou coisa de banqueiro e de marqueteiro. E meia dúzia de caras faz filmes, coitados, pensando em arte viva. Sinto caras, é arte morta.
 

 

Humphrey Bogart and Lauren Bacall Rarely Seen Home Movie



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In a Lonely Place (1950) - Humphrey Bogart



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UM FILME PERFEITO- IN A LONELY PLACE.

   Dixon Steele. Esse nome vai ficar na sua cabeça para sempre. Dix Steele é um roteirista em Hollywood. E é um homem violento. Faz tempo que ele não escreve um sucesso. Um produtor, num bar, pede que ele leia um livro e faça um roteiro a partir dele. Dix pede para que uma garota leia o livro e lhe conte a história. Essa moça vai à casa de Dix. E nessa mesma noite é encontrada morta.
  Uma mulher diz que Dix passou toda aquela noite em casa. É sua vizinha. Mas mesmo com esse álibi, a polícia fica em cima dele. Então a vida sorri: a vizinha se apaixona por ele e ele por ela. Mas acontecem coisas que estragam o amor: Dix é violento, ciumento, impulsivo. Ela começa a pensar que ele pode ser o assassino...
  O filme consegue fazer algo de muito raro: muda nosso foco. Antes o filme era Dix. Agora é dela, Laurel Gray. Tememos Dixon Steele ao lado dela. Ao final o assassino é pego. Mas o mal já foi feito. O amor foi quebrado. Dix e Laurel se perderam.
  Uma frase famosa do filme: Nasci quando te conheci. Morri quando te perdi. Fui vivo enquanto te beijava. Bogart cruza o portão da casa e se vai sozinho. Ela diz: Adeus Dixon Steele...
  Os filmes que fazem com que voce se apaixone pelo cinema não são os grandes filmes. São os filmes médios, comuns, que com o tempo se revelaram joias, lembranças, mementos da beleza que o cinema pode atingir. Este é um dos filmes, no lançamento considerado apenas mais um, que com o tempo se tornaram clássicos.
  É um dos filmes favoritos de alguns amigos meus, e hoje o vejo pela segunda vez. Ele me toca. Tanto quanto na primeira vez.
  Bogart nunca esteve mais real. É ele na tela. Seu desnudamento é completo. Gloria Grahame não fica atrás. Fascinante. O filme é de Nicholas Ray, o cara que descobriu James Dean. Tem de ser visto. É belo, é lindo, é inesquecível.

O VENTO DA NOITE - EMILY BRONTE

   Em 1944 a editora Civilização Brasileira lançou um luxuoso livro de poemas escritos pela autora de O Morro dos Ventos Uivantes. Traduzidos por Lucio Cardoso, o volume tinha ilustrações de Santa Rosa e vinha com autógrafos e numerado. Agora, em 2017, a editora relança o livro, mas, que pena, em edição comum, sem ilustrações. Mas permanece a tradução de Lucio, e ele sabe, conhece, entende o mundo de Bronte.
   Isolada na região mais agreste de todas, apegada a suas irmãs e seu único irmão, que morreu jovem, Emily fala de morte, de lua, noite, vento e frio. Esses são seus assuntos, ela não inventa, fala daquilo que conhece. A morte é temida e homenageada ( Emily morreria aos 30 anos de tuberculose ). Seus poemas são musicais ( a edição é bilíngue ), lê-los em inglês é uma experiência musical. Lucio Cardoso, que foi um grande poeta, respeita o tema e o espírito, mas modifica a sintaxe. As rimas são abandonadas em prol do sentido. Os versos são esticados. Ler a versão em português e depois a inglesa é ler dois poemas irmãos, mas diferentes.
   Leia de madrugada, a luz de velas, com frio.
   Emily Bronte. A mais terrível das musas.

ATÉ OS DEUSES MORREM UMA VEZ.

   Quando meu pai se foi, quase nove anos atrás, passei meses com uma sensação de "janela aberta". Foi como se toda as coisas adquirissem outra cor, como se meu coração estivesse exposto. Minha intuição ficou muito mais antenada, minhas emoções se suavizaram. Eu estava triste, mas era uma tristeza fértil. Um tipo de melancolia sensitiva.
   Lembro que no dia seguinte ao enterro, não me pergunte por que, peguei um livro de Yeats é o reli pela quarta ou quinta vez. Imediatamente me senti dentro daquele universo. A morte ali fazia sentido. A vida se abria.
   Escrevo isto porque dia 13 de junho, dia de Santo Antonio, foi aniversário do nascimento de William Butler Yeats. O descobri num artigo de jornal em 1988 e comprei meu primeiro livro escrito por ele em 1991. Ele é mais que meu poeta favorito. Ele foi o homem que me fez perder o medo daquilo que eu mais temia: o invisível. Yeats me fez aceitar os fantasmas, os encantos, o milagre, os maus olhados, as maldições. Minha aceitação da religião, pois eu a oprimira em mim desde os 10 anos, começa com as peças de Yeats. Ele foi um pagão, um celta, mas trouxe para mim a alegria do reencontro com meus mitos.
   Nesse dia 13 morre Anita Pallemberg também. E de Anita posso dizer que ela foi minha mais durável musa. Ex-esposa de Keith Richards, ex-namorada de Brian Jones, atriz de Vadim e de Ferreri, Anita foi uma das mulheres mais perigosas do seu tempo. Ela era junk, era felina, era linda e era mais forte que o aço. Passei anos procurando a minha Anita e jamais a achei. ( Cheguei perto, mas ela não me quis ). Sua morte não me comove porque ela viveu bem, viveu muito e morreu velhinha. Todo mundo morre uma vez. Depois, nunca mais.
   Fica a alegria por ter amado uma mulher que na verdade nunca conheci. E por ter conhecido um poeta irlandês que me conhece muito bem. A vida é muito maior que a morte.

TRAINSPOTTING 2 - ATTENBOROUGH - A INOCENTE FACE DO TERROR

   TRAINSPOTTING T2 de Danny Boyle com Ewan McGregor, Robert Carlyle, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller e Anjela Nedyalkova.
Todas as bossas de Danny Boyle estão presentes. E todas, absolutamente todas, têm sua razão de ser. O filme é melhor que o primeiro, feito 20 anos atrás ( e que é bom pacas! ). Este, bem mais adulto, mostra os caras em 2017. O grande objetivo deles acaba por ser montar uma sauna-bordel. Há muito humor, e muita verdade. Tudo no filme fala à minha geração. Duas cenas curtas atingem o nível da epifania: uma em que Mark vê o jovem Mark correndo em 1997 na mesma rua; e outra, ao final, em que se ouve o disco que Mark temia ouvir de novo um dia. Anjela Nedyalkova faz a jovem prostituta, quase rouba o filme, é bonita e parece real. Os atores dão o máximo. É um grande filme, provavelmente a melhor coisa que Boyle fez até agora.
  UMA PONTE LONGE DEMAIS de Richard Attenborough com Sean Connery, Michael Caine, Robert Redford, James Caan, Liv Ullmann, Gene Hackman, Anthony Hopkins...
Até os anos 80, grande produção significava gastar muito dinheiro com pencas de atores famosos. Este é um dos mais chatos. A penca de atores é mal aproveitada. O filme fala de um momento chave na Segunda Guerra. Mas nada fica muito claro. Uma pena.
  BANHO DE SANGUE de Mario Bava
Compro um box de horror. Este é de 1971, tem um monte de sangue e muita nudez. Joe Dante comenta o filme. Foi um hit nos grindhouse da América, aquele tipo de filme que passava em pulgueiro sujo. E é divertido! Pobre, hiper colorido e cheio de talento. Vale a pena ver.
  A INOCENTE FACE DO TERROR de Robert Mulligan
Uma obra-prima. Mulligan foi o diretor do maravilhoso To Kill a Mockingbird, e também do histórico Summer of 42. Sabe dirigir crianças, portanto. Este sucesso, de 1973, um terror que perturba muito, conta a história, passada nos anos 30, de uma criança muito estranha. Uma criança que é dominada pelo mal. Assisti e senti raiva, medo, fiquei perturbado. É inesquecível.
  OS MENINOS de Narciso Ibañez Serrador com Prunella Ramsone.
Um casal inglês vai passar as férias na Espanha. Numa ilha, encontram crianças nada inocentes...Muito bom e muito simples. Uma mistura de Tubarão com Inverno de Sangue em Veneza e Os Pássaros. Nada é explicado, temos apenas ação. Veja. Voce vai gostar.
  MAGIA NEGRA de Richard Attenborough com Anthony Hopkins e Ann Margret.
Um mágico é dominado por seu boneco. Vi esse filme no cinema, em 1979. Revejo hoje e gosto ( eu o odiara então ). Talvez seja o filme mais barato de Attenborough. Simples, ele tem pouco horror, está mais centrado no suspense.