O QUE É A TENDENCIA STEAMPUNK
A molecada não é burra. Criou essa moda Steampunk. O que seria isso: misturar duas coisas aparentemente opostas: a aparência vitoriana com o modernismo decadente do século XXI. Então temos carros movidos a vapor. Pistolas mecânicas de madrepérola que emitem raio laser. Ruas da mais moderna cidade com carruagens e esteiras futuristas. Um mundo tão irreal quanto o mais bizarro sonho. E por isso, um mundo que revela a verdade mais secreta:
Queremos a tecnologia de hoje. E queremos viver em outro tempo. De preferência o passado. É a mais nova roupa do romantismo.
O visual é fascinante! Tudo remete ao sonho. Um simples fusca se torna um tipo de mecanismo de relógio mágico. Sherlock Holmes se une a Blade Runner. Dr. Who com Matrix. Meninas japonesas vestidas de personagem de Henry James com maquiagem punk. Ligas nas pernas com tatuagens.
Muitos livros e muitos filmes são feitos nesse novo estilo. Há muito de Art Nouveau. Com tecnologia vintage. Relógio de bolso e charuto. Telas e teclados. Muito ferro e muito cristal.
Daí as barbas. Os babados. O sobretudo. O chapéu.
Desconheço se existe música nesse movimento. Deve haver. E deve ser sexy e decadente. Muito século XXI e ao mesmo tempo muito "virada de século decadente".
É claro que tudo isso será esquecido bem depressa. É moda. Mas, puxa!, que belo modismo!
Queremos a tecnologia de hoje. E queremos viver em outro tempo. De preferência o passado. É a mais nova roupa do romantismo.
O visual é fascinante! Tudo remete ao sonho. Um simples fusca se torna um tipo de mecanismo de relógio mágico. Sherlock Holmes se une a Blade Runner. Dr. Who com Matrix. Meninas japonesas vestidas de personagem de Henry James com maquiagem punk. Ligas nas pernas com tatuagens.
Muitos livros e muitos filmes são feitos nesse novo estilo. Há muito de Art Nouveau. Com tecnologia vintage. Relógio de bolso e charuto. Telas e teclados. Muito ferro e muito cristal.
Daí as barbas. Os babados. O sobretudo. O chapéu.
Desconheço se existe música nesse movimento. Deve haver. E deve ser sexy e decadente. Muito século XXI e ao mesmo tempo muito "virada de século decadente".
É claro que tudo isso será esquecido bem depressa. É moda. Mas, puxa!, que belo modismo!
O FIM DO PALCO. A VIDA DE GLENN GOULD.
Vejo na TV O Legado de Glenn Gould, um fantástico documentário sobre o gênio canadense. Se você não sabe quem ele é...
Glenn nasceu em 1932 e explodiu nos anos 50 como o jovem revolucionário que tocava Bach como ninguém jamais tocara antes. Sua filosofia era: Não faz sentido tocar como todos tocam. A música ao ser executada deve ser recriada, revivida, renovada. Mas isso, claro, dentro da partitura. Deve-se ler a obra e reler a obra. Glenn Gould trouxe à música aquilo que a literatura crítica usava desde os anos 20, A Leitura Criativa. O leitor como co-autor da obra. No caso, o músico como co-autor da obra musical.
Seu sucesso em salas de concerto foi avassalador. As pessoas iam para ver aquele jovem pianista "pirar". Gould logo sentiu que aquilo não fazia sentido. E daí nasceu seu segundo ato criativo ( que na época causou raiva em outros pianistas ): Glenn Gould defendia que a gravação em estúdio tinha MUITO mais valor que a apresentação ao vivo. Por dois motivos:
No estúdio o artista tinha controle sobre a obra. E ao mesmo tempo podia interagir com engenheiro de som e produtor. Podia incorporar o acaso, o acidental. Podia criar enquanto interpretava.
E, segundo, no estúdio o TEMPO era vencido. A gravação se eternizava, ela vencia o efêmero, ela podia respirar em novas audições.
Críticos começaram a atacar Gould. Ele mexia em dois pontos sagrados: A primazia do show ao vivo, e o respeito à interpretação consagrada. O Bach de Gould era o Bach de Gould, ou melhor, o Gould de Bach, pois seus fãs diziam que Gould ressuscitava Bach e o fazia escrever para Gould. ( Bach era o Deus de Gould. )
Antes de qualquer artista POP, Glenn Gould percebeu que o estúdio libertava o músico, lhe dava asas, era um brinquedo. As Variações Goldberg se tornaram um hit de vendas nos anos 50, mas algo não ia bem com Glenn, e este bravo documentário mostra o que.
Incrível a massa gigantesca de fotos, entrevistas, documentários e depoimentos que existem de Glenn Gould. Ele foi um superstar por toda a vida. Mas sua alma era a mais retraída possível. Ele conta que odeia a plateia, não cada um deles, mas o todo. A plateia existe como massa que presencia a intimidade do artista. Ela é invasiva. Ela quer sangue, suor, dor. E Glenn queria tão somente TOCAR. Quando ele toca o que vemos é uma profunda relação entre ele e o piano. O público fica excluído disso, não existe. E é essa indiferença que fascina o público desprezado. Ele tem a vã esperança de poder penetrar dentro do mundo de Glenn Gould. Impossível !
Glenn conta que não acredita na morte. Que isso lhe foi sempre natural, não foi algo que ele procurou. Filosofias do Aqui e Agora lhe eram repugnantes. A vida não ocorre aqui e muito menos agora. A vida é em outro ponto. Sua atitude diante da vida, hiper individualista, alheia, distante, revela sua crença. Crença que ele conta ser impossível de descrever.
Lembro que em 1982 eu comprava todos os números da Rolling Stone. Foi a leitura dessa revista, com um dicionário ao lado, que me deu a facilidade em ler o inglês. Numa última página inteira eu li a data: Glenn Gould, 1932-1982. Ele morria cercado de mistério. Afastado dos shows, solitário, se ia aos 50 anos. Cedo.
Para ele não fazia sentido tocar duas vezes a mesma obra do mesmo jeito. Se até mesmo no POP temos dificuldade em aceitar novas interpretações no palco, imagine no meio erudito... ( Esqueça o jazz. Gould não tem ligações jazzísticas. Suas releituras são dentro da partitura, como eu já disse ).
Esse documentário é brilhante! passou no canal Curta! Procure ver.
Glenn nasceu em 1932 e explodiu nos anos 50 como o jovem revolucionário que tocava Bach como ninguém jamais tocara antes. Sua filosofia era: Não faz sentido tocar como todos tocam. A música ao ser executada deve ser recriada, revivida, renovada. Mas isso, claro, dentro da partitura. Deve-se ler a obra e reler a obra. Glenn Gould trouxe à música aquilo que a literatura crítica usava desde os anos 20, A Leitura Criativa. O leitor como co-autor da obra. No caso, o músico como co-autor da obra musical.
Seu sucesso em salas de concerto foi avassalador. As pessoas iam para ver aquele jovem pianista "pirar". Gould logo sentiu que aquilo não fazia sentido. E daí nasceu seu segundo ato criativo ( que na época causou raiva em outros pianistas ): Glenn Gould defendia que a gravação em estúdio tinha MUITO mais valor que a apresentação ao vivo. Por dois motivos:
No estúdio o artista tinha controle sobre a obra. E ao mesmo tempo podia interagir com engenheiro de som e produtor. Podia incorporar o acaso, o acidental. Podia criar enquanto interpretava.
E, segundo, no estúdio o TEMPO era vencido. A gravação se eternizava, ela vencia o efêmero, ela podia respirar em novas audições.
Críticos começaram a atacar Gould. Ele mexia em dois pontos sagrados: A primazia do show ao vivo, e o respeito à interpretação consagrada. O Bach de Gould era o Bach de Gould, ou melhor, o Gould de Bach, pois seus fãs diziam que Gould ressuscitava Bach e o fazia escrever para Gould. ( Bach era o Deus de Gould. )
Antes de qualquer artista POP, Glenn Gould percebeu que o estúdio libertava o músico, lhe dava asas, era um brinquedo. As Variações Goldberg se tornaram um hit de vendas nos anos 50, mas algo não ia bem com Glenn, e este bravo documentário mostra o que.
Incrível a massa gigantesca de fotos, entrevistas, documentários e depoimentos que existem de Glenn Gould. Ele foi um superstar por toda a vida. Mas sua alma era a mais retraída possível. Ele conta que odeia a plateia, não cada um deles, mas o todo. A plateia existe como massa que presencia a intimidade do artista. Ela é invasiva. Ela quer sangue, suor, dor. E Glenn queria tão somente TOCAR. Quando ele toca o que vemos é uma profunda relação entre ele e o piano. O público fica excluído disso, não existe. E é essa indiferença que fascina o público desprezado. Ele tem a vã esperança de poder penetrar dentro do mundo de Glenn Gould. Impossível !
Glenn conta que não acredita na morte. Que isso lhe foi sempre natural, não foi algo que ele procurou. Filosofias do Aqui e Agora lhe eram repugnantes. A vida não ocorre aqui e muito menos agora. A vida é em outro ponto. Sua atitude diante da vida, hiper individualista, alheia, distante, revela sua crença. Crença que ele conta ser impossível de descrever.
Lembro que em 1982 eu comprava todos os números da Rolling Stone. Foi a leitura dessa revista, com um dicionário ao lado, que me deu a facilidade em ler o inglês. Numa última página inteira eu li a data: Glenn Gould, 1932-1982. Ele morria cercado de mistério. Afastado dos shows, solitário, se ia aos 50 anos. Cedo.
Para ele não fazia sentido tocar duas vezes a mesma obra do mesmo jeito. Se até mesmo no POP temos dificuldade em aceitar novas interpretações no palco, imagine no meio erudito... ( Esqueça o jazz. Gould não tem ligações jazzísticas. Suas releituras são dentro da partitura, como eu já disse ).
Esse documentário é brilhante! passou no canal Curta! Procure ver.
ILHAS, VEREDAS E BURITIS - ELIANE LAGE, UMA VIDA INCRÍVEL !
A família Lage começa a se tornar importante no século XIX. Fazem barcos, têm minas de carvão, são absurdamente ricos. O bisavô de Eliane compra algumas ilhas na baía da Guanabara. E vive numa delas, a de Santa Cruz. Traz pássaros de todo o país e cria-os soltos em sua ilha. Um paraíso com vista para a Serra do Mar. Na ilha apenas uma casa, o palacete do dono. Os filhos desse homem estudam na Europa, têm sangue francês, enriquecem.
Eliane nasce nos anos de 1920. O pai é um playboy. Jorge Lage não trabalha, tem ideias. E todas dão errado. Como tantas famílias ricas brasileiras, eles começam a perder dinheiro e poder. Eliane é filha desse homem com uma inglesa rica, Margie. E a menina, tímida, ama a ilha do bisavô. Interna na suíça, que odeia, sente a felicidade nas férias brasileiras, na ilha, como uma indiazinha, no sol, a cavalo, solta. A mãe volta à Europa, o pai tem festas e namoros, a menina cresce só. Internato no Rio. O que lhe salva é a natureza.
Essa a infância de Eliane. Depois os Lage constroem o Parque Lage, se tornam reis do glamour e perdem as ilhas e o Parque quando Getúlio Vargas confisca tudo, após a morte do avô que não deixou testamento. Continuam ricos, mas nunca mais serão donos do glamour. Passam a pensar em dinheiro ( o rico verdadeiro não pensa nisso ).
Eliane nunca ligou. Ela cresce com raiva de rituais, de etiqueta, de poses e gostos. E com uma elegância natural sublime. Sua vida é terra, é chão. Mora em Paris, em Londres. Depois na fazenda de Yolanda Penteado. Vira atriz de cinema da Vera Cruz. Vira estrela, mas nunca gostou de cinema, fez filmes por amor ao marido, Tom Payne, um inglês cineasta. O casal tem filhos e mora no Guarujá. No Tombo, selvagem ainda em 1955. Três casas em toda a praia. Vivem no interior de SP, num sítio e depois de 15 anos se separam.
Eliane larga o cinema e encontra a vida que sempre quis. O interior de Goiás, uma fazenda. Cria gado. No meio do nada. Perde dinheiro. Mora em Ouro Preto. Mora em Olinda. Mora num sítio em SP de novo. E lá, na casa rosa, escreve este livro de memórias. 1998.
Eliane fez o trajeto que tinha de fazer: da ilha ao mundo, do mundo aos bichos. Forte, bela, única, ela poderia ter sido uma revoltada, uma ressentida, uma dondoca da sociedade. Escolheu ser ela mesma. Bacana este livro de 2002 que releio agora.
Eliane nasce nos anos de 1920. O pai é um playboy. Jorge Lage não trabalha, tem ideias. E todas dão errado. Como tantas famílias ricas brasileiras, eles começam a perder dinheiro e poder. Eliane é filha desse homem com uma inglesa rica, Margie. E a menina, tímida, ama a ilha do bisavô. Interna na suíça, que odeia, sente a felicidade nas férias brasileiras, na ilha, como uma indiazinha, no sol, a cavalo, solta. A mãe volta à Europa, o pai tem festas e namoros, a menina cresce só. Internato no Rio. O que lhe salva é a natureza.
Essa a infância de Eliane. Depois os Lage constroem o Parque Lage, se tornam reis do glamour e perdem as ilhas e o Parque quando Getúlio Vargas confisca tudo, após a morte do avô que não deixou testamento. Continuam ricos, mas nunca mais serão donos do glamour. Passam a pensar em dinheiro ( o rico verdadeiro não pensa nisso ).
Eliane nunca ligou. Ela cresce com raiva de rituais, de etiqueta, de poses e gostos. E com uma elegância natural sublime. Sua vida é terra, é chão. Mora em Paris, em Londres. Depois na fazenda de Yolanda Penteado. Vira atriz de cinema da Vera Cruz. Vira estrela, mas nunca gostou de cinema, fez filmes por amor ao marido, Tom Payne, um inglês cineasta. O casal tem filhos e mora no Guarujá. No Tombo, selvagem ainda em 1955. Três casas em toda a praia. Vivem no interior de SP, num sítio e depois de 15 anos se separam.
Eliane larga o cinema e encontra a vida que sempre quis. O interior de Goiás, uma fazenda. Cria gado. No meio do nada. Perde dinheiro. Mora em Ouro Preto. Mora em Olinda. Mora num sítio em SP de novo. E lá, na casa rosa, escreve este livro de memórias. 1998.
Eliane fez o trajeto que tinha de fazer: da ilha ao mundo, do mundo aos bichos. Forte, bela, única, ela poderia ter sido uma revoltada, uma ressentida, uma dondoca da sociedade. Escolheu ser ela mesma. Bacana este livro de 2002 que releio agora.
1963
Deve ser chato ser inglês e ter de olhar pra trás. Isso porque o país vive apenas de um longo passado. Seja 1600, 1810, 1900 ou 1963. Veja 1963...havia uma combustão de novidades que explodiam no ar. Nesse ano Tom Jones venceu os principais Oscars e Peter Sellers confirmava seu estrelato como Clouseau. James Bond começava a virar mito. Julie Christie e Peter O'Toole eram os atores mais quentes ( mas havia ainda Vanessa Redgrave, Terence Stamp, Tom Courtney e toda a velha guarda ). A Carnaby Street ditava moda. E cantavam os Beatles. Doctor Who na TV. O Santo também. David Bailey tirava fotos. George Best e Bobby Moore começavam a jogar e em 1966 a nação ganharia sua copa ( ao som de Kinks ). E depois...nunca mais...
Havia Jim Clark, Graham Hill e Jackie Stewart. E nas letras os novatos Anthony Burgess, Iris Murdoch, William Golding e Philip Larkin. Eliot, Waughn e Greene ainda estavam vivos.
E pela primeira vez, coordenando tudo isso, uma ideia londrina: a propaganda como arte. Nos escritórios moderninhos jovens publicitários pensavam em fazer arte na propaganda e arte na TV. ISSO mudou o mundo. E tudo explodindo em 1963.
Ouço o primeiro disco dos Beatles e lembro de tudo isso ( engraçado recordar o que não vivi, nasci depois ). A banda foi adotada pela onda meio sem querer. Os Stones ou o Who tinham muito mais a ver com a coisa. Eram mais citadinos, mais snobs e bem mais perigosos. Mas os caras de Liverpool se impuseram porque eles eram muito, muito bons. O disco ainda espanta. Sim, é primo europeu de Everly Brothers e principalmente de Buddy Holly. Lennon imita o gênio do Texas descaradamente. Mas eles vão além. As vozes unidas de Paul e de John arrepiam. Nasceram para se harmonizar. E é impressionante como todas as coordenadas do POP futuro estão lá. Os arranjos enxutos, o refrão grudento, o solo breve no meio da canção, e a sensação de que naqueles dois minutos há mais que aquilo que realmente há. A faixa Please Please Me, se escutada com renovada atenção, se você tentar ouvir com ouvidos "virgens", tem uma exuberância, um tal grau de alegria e de confiança jovem que te faz sorrir imediatamente. Ela já dá a pista do talento milagroso que lá borbulha. PS I love You é outro petardo, e George cantando Do You Want to Know a Secret nos deixa comovidos...
Deve ser chato pacas ser britânico e saber que nunca mais haverá um John. Assim como não mais um George. Mas...talvez seja ótimo saber que os outros países nunca tiveram e jamais terão Beatles.
Havia Jim Clark, Graham Hill e Jackie Stewart. E nas letras os novatos Anthony Burgess, Iris Murdoch, William Golding e Philip Larkin. Eliot, Waughn e Greene ainda estavam vivos.
E pela primeira vez, coordenando tudo isso, uma ideia londrina: a propaganda como arte. Nos escritórios moderninhos jovens publicitários pensavam em fazer arte na propaganda e arte na TV. ISSO mudou o mundo. E tudo explodindo em 1963.
Ouço o primeiro disco dos Beatles e lembro de tudo isso ( engraçado recordar o que não vivi, nasci depois ). A banda foi adotada pela onda meio sem querer. Os Stones ou o Who tinham muito mais a ver com a coisa. Eram mais citadinos, mais snobs e bem mais perigosos. Mas os caras de Liverpool se impuseram porque eles eram muito, muito bons. O disco ainda espanta. Sim, é primo europeu de Everly Brothers e principalmente de Buddy Holly. Lennon imita o gênio do Texas descaradamente. Mas eles vão além. As vozes unidas de Paul e de John arrepiam. Nasceram para se harmonizar. E é impressionante como todas as coordenadas do POP futuro estão lá. Os arranjos enxutos, o refrão grudento, o solo breve no meio da canção, e a sensação de que naqueles dois minutos há mais que aquilo que realmente há. A faixa Please Please Me, se escutada com renovada atenção, se você tentar ouvir com ouvidos "virgens", tem uma exuberância, um tal grau de alegria e de confiança jovem que te faz sorrir imediatamente. Ela já dá a pista do talento milagroso que lá borbulha. PS I love You é outro petardo, e George cantando Do You Want to Know a Secret nos deixa comovidos...
Deve ser chato pacas ser britânico e saber que nunca mais haverá um John. Assim como não mais um George. Mas...talvez seja ótimo saber que os outros países nunca tiveram e jamais terão Beatles.
A FÍSICA DA ALMA - AMIT GOSWAMI....FOI UM LONGO CAMINHO.
...foi um longo caminho para que eu chegasse até aqui. E como nada sei, ainda tenho uma estrada, maior ainda, pela frente.
Não, essas palavras não são de Goswami, são de mim mesmo. Desde cedo tenho me intoxicado de informações. Lembro que aos 9 anos comecei a ler romances, aos 10, livros de ciência e aos 15 as enciclopédias. Encontrei vários gurus e cheio de medo, sempre fugi de qualquer tipo de conhecimento religioso. Se um autor revelasse o menor viés místico eu prontamente o evitava. Ria deles. Me sentia seguro no mais completo materialismo. Queria ter certezas, e acreditava que o universo era somente um tipo de explosão sem sentido e sem fim. A vida, um acidente químico. Toda emoção seria apenas um arranjo de fluidos cerebrais. O acaso guiaria tudo.
Mas eu nunca perdi a curiosidade. E continuei a andar. Abrindo portas. E certas coisas começaram a surgir.
Primeiro percebi que o tempo é ilusório. Ele não conta fora de nós. É artificial. Depois notei que o número é sempre arbitrário. Nós contamos coisas para tentar dar ordem ao que não tem. ( Aparentemente não tem uma ordem numeral ). O que pode ser contado, medido e pesado nos dá uma tênue segurança. E então cheguei a conclusão de que nossa razão existe SEMPRE como redutora. Ela pega o inexplicável e ao ignorar sua incompreensibilidade reduz tudo ao nível racional. Ou seja, conta, enumera e classifica. Mas essa conta nunca fecha. As perguntas mais importantes continuam sem resposta.
Passei a me abrir ao absurdo. E a perceber as linhas de pensamento abstratas. A vida, súbito, se aclareou. O universo aumentou. E ao mesmo tempo, meus limites, humanos, foram vistos e aceitos. Só sabemos aquilo que cabe em nós. Só vemos aquilo que nossa carne consegue ver. Como hardwares, temos um limite mecânico, mas a POTENCIALIDADE é infinita.
Amit Goswami é físico, leciona em Universidade americana. E usa a física quântica para explicar a reencarnação. É claro que li este livro com dois pés atrás! Seria autoajuda....seria new age....mas não. Ele tenta ser sério todo o tempo. Conta e reconta fatos da física e os liga, logicamente, a possibilidades de vida e de morte. Fala-se bastante da morte e por isso me identifiquei muito com ele. ( A morte sempre foi o assunto central da minha vida ).
O Livro Tibetano dos Mortos é explicado e ao final percebemos que este autor nos ensina a morrer. Morrer visto como chance de sabedoria, de coda luminosa, de transcendência. Morrer como o grande ato da vida. É como se toda nossa vida fosse isso, preparação para morrer.
Ele cita bastante Platão, Whitman, Schopenhauer e uma montanha de autores indianos que não conheço.
Não vou explicar sua teoria quântica, ela é cansativa e complicada. Eu não sei se a entendi corretamente. Mas o que devo falar é que a ciência tem se aproximado MUITO de certas teses espirituais e cada vez mais ouvir um físico falar fica parecido com algum poeta exotérico a criar.
Goswami diz que Jung falava que no futuro a psicologia seria um ramo da física.
A mais bela mensagem do livro é aquela que diz que todo saber passa pela intuição e que intuição é criatividade. Viver é criar e criar é viver a alma. Evoluímos quando criamos, intuímos, inventamos. Porque essa é a negação do automatismo e automatismo é vida mecânica, puramente material.
Não é um grande livro, mas é uma grande mensagem.
Não, essas palavras não são de Goswami, são de mim mesmo. Desde cedo tenho me intoxicado de informações. Lembro que aos 9 anos comecei a ler romances, aos 10, livros de ciência e aos 15 as enciclopédias. Encontrei vários gurus e cheio de medo, sempre fugi de qualquer tipo de conhecimento religioso. Se um autor revelasse o menor viés místico eu prontamente o evitava. Ria deles. Me sentia seguro no mais completo materialismo. Queria ter certezas, e acreditava que o universo era somente um tipo de explosão sem sentido e sem fim. A vida, um acidente químico. Toda emoção seria apenas um arranjo de fluidos cerebrais. O acaso guiaria tudo.
Mas eu nunca perdi a curiosidade. E continuei a andar. Abrindo portas. E certas coisas começaram a surgir.
Primeiro percebi que o tempo é ilusório. Ele não conta fora de nós. É artificial. Depois notei que o número é sempre arbitrário. Nós contamos coisas para tentar dar ordem ao que não tem. ( Aparentemente não tem uma ordem numeral ). O que pode ser contado, medido e pesado nos dá uma tênue segurança. E então cheguei a conclusão de que nossa razão existe SEMPRE como redutora. Ela pega o inexplicável e ao ignorar sua incompreensibilidade reduz tudo ao nível racional. Ou seja, conta, enumera e classifica. Mas essa conta nunca fecha. As perguntas mais importantes continuam sem resposta.
Passei a me abrir ao absurdo. E a perceber as linhas de pensamento abstratas. A vida, súbito, se aclareou. O universo aumentou. E ao mesmo tempo, meus limites, humanos, foram vistos e aceitos. Só sabemos aquilo que cabe em nós. Só vemos aquilo que nossa carne consegue ver. Como hardwares, temos um limite mecânico, mas a POTENCIALIDADE é infinita.
Amit Goswami é físico, leciona em Universidade americana. E usa a física quântica para explicar a reencarnação. É claro que li este livro com dois pés atrás! Seria autoajuda....seria new age....mas não. Ele tenta ser sério todo o tempo. Conta e reconta fatos da física e os liga, logicamente, a possibilidades de vida e de morte. Fala-se bastante da morte e por isso me identifiquei muito com ele. ( A morte sempre foi o assunto central da minha vida ).
O Livro Tibetano dos Mortos é explicado e ao final percebemos que este autor nos ensina a morrer. Morrer visto como chance de sabedoria, de coda luminosa, de transcendência. Morrer como o grande ato da vida. É como se toda nossa vida fosse isso, preparação para morrer.
Ele cita bastante Platão, Whitman, Schopenhauer e uma montanha de autores indianos que não conheço.
Não vou explicar sua teoria quântica, ela é cansativa e complicada. Eu não sei se a entendi corretamente. Mas o que devo falar é que a ciência tem se aproximado MUITO de certas teses espirituais e cada vez mais ouvir um físico falar fica parecido com algum poeta exotérico a criar.
Goswami diz que Jung falava que no futuro a psicologia seria um ramo da física.
A mais bela mensagem do livro é aquela que diz que todo saber passa pela intuição e que intuição é criatividade. Viver é criar e criar é viver a alma. Evoluímos quando criamos, intuímos, inventamos. Porque essa é a negação do automatismo e automatismo é vida mecânica, puramente material.
Não é um grande livro, mas é uma grande mensagem.
LET'S GET IT ON! - MARVIN GAYE, SEXO E ALMA. ( E AINDA DIANA E MARVIN, 1973 )
What's Going On, disco de 1971, desde que foi lançado tornou-se um tipo de Santo Graal do Pop. Lá estava o LP que unia 3 universos: Pop, arte e mensagem política. Até hoje ele é apontado por muitos o melhor disco de todos os tempos. Não sei se é. Prefiro, mesmo dentro da black music o There's a Riot de Sly Stone. Mas, claro, o disco de Marvin dói de tão profundo e faz dançar, de tão sublime.
Em 1972 ele veio com Let's Get it On, e embora seja um sucesso de paradas e de crítica, a impressão na época foi de uma certa decepção... Ora! Qualquer um decepciona após uma obra-prima! Mas verdade que devo dizer, eu ouço mais este disco que o anterior.
Let's Get It On troca a política pelo sexo, tira o foco da confusão e dá em troca a mensagem espiritual. Sim, Marvin, que foi morto pelo próprio pai em 1984, sempre buscou a luz, e essa luz, para ele, seria a comunhão da carne e da alma, Deus e amor, sexo e bondade. O disco é sexy até a medula. Cercado pelos melhores músicos do mundo ( gente com James Jamerson, Wilton Fiedler, Hal Davis ), Marvin cria um lençol sonoro que sacode, desliza, geme e goza. Preste atenção no baixo de James ( o favorito de Paul Mac ), siga os pratos da bateria, a pulsação das guitarras...Tudo remete a sedução, dor e prazer, êxtase. Isso deixou a crítica perdida em 72: um disco individualista em tempos de "vamos todos juntos". Marvin prega a iluminação individual, cada um achando sua luz, e essa luz pode vir de Deus ou do sexo, melhor ainda, de ambos.
Falar da voz de Gaye é sempre falar em superlativos. Dizem que ele fazia gozar com um sussurro. Acredito nisso. Ele e Otis têm as melhores vozes do Pop.
Em 1973 Marvin realiza o grande sonho da Motown, se une a Diana Ross e lança com ela um novo LP, Diana e Marvin. Quase tão bom quanto Let's Get It On, esse foi completamente esnobado pelos críticos que viram nessa união uma concessão ao puro apelo marqueteiro. Que tolice!!!! O disco é lindo!!!! Ouça a faixa que postei, Love Twins, e tire sua conclusão.
O verão vem aí...Marvin Gaye é o sacerdote desse clima.
Em 1972 ele veio com Let's Get it On, e embora seja um sucesso de paradas e de crítica, a impressão na época foi de uma certa decepção... Ora! Qualquer um decepciona após uma obra-prima! Mas verdade que devo dizer, eu ouço mais este disco que o anterior.
Let's Get It On troca a política pelo sexo, tira o foco da confusão e dá em troca a mensagem espiritual. Sim, Marvin, que foi morto pelo próprio pai em 1984, sempre buscou a luz, e essa luz, para ele, seria a comunhão da carne e da alma, Deus e amor, sexo e bondade. O disco é sexy até a medula. Cercado pelos melhores músicos do mundo ( gente com James Jamerson, Wilton Fiedler, Hal Davis ), Marvin cria um lençol sonoro que sacode, desliza, geme e goza. Preste atenção no baixo de James ( o favorito de Paul Mac ), siga os pratos da bateria, a pulsação das guitarras...Tudo remete a sedução, dor e prazer, êxtase. Isso deixou a crítica perdida em 72: um disco individualista em tempos de "vamos todos juntos". Marvin prega a iluminação individual, cada um achando sua luz, e essa luz pode vir de Deus ou do sexo, melhor ainda, de ambos.
Falar da voz de Gaye é sempre falar em superlativos. Dizem que ele fazia gozar com um sussurro. Acredito nisso. Ele e Otis têm as melhores vozes do Pop.
Em 1973 Marvin realiza o grande sonho da Motown, se une a Diana Ross e lança com ela um novo LP, Diana e Marvin. Quase tão bom quanto Let's Get It On, esse foi completamente esnobado pelos críticos que viram nessa união uma concessão ao puro apelo marqueteiro. Que tolice!!!! O disco é lindo!!!! Ouça a faixa que postei, Love Twins, e tire sua conclusão.
O verão vem aí...Marvin Gaye é o sacerdote desse clima.
SÉRIES DE TV: MASH E SEINFELD, AS DUAS MAIS ICÔNICAS
Mash. Lembro de quando eu tinha uns 12 anos. Ela era exibida na TV Bandeirantes. Sábado, dez da noite. Nunca fez sucesso aqui. Eu nunca assisti. Comprei um box agora. Comento.
Para quem não sabe, MASH tem o recorde de audiência da TV americana ( se não considerarmos os jogos do futebol americano ). O último episódio, em 1983, bateu esse recorde. Ela começou em 1972 e logo estourou. Baseada no filme de Robert Altman, temos os mesmos personagens no mesmo ambiente. Um centro médico na guerra da Coréia. No lugar de Donald Sutherland entra Alan Alda, e no posto de Elliot Gould vem Wayne Rogers. Funciona. O humor continua amargo, niilista, atirando pra todo lado. Penso que esse humor seria impossível hoje. Não porque não se faça crítica, mas hoje a destruição tem um alvo. Aqui não há alvo. Se atira. E se destrói. Me surpreendo notando que a série de TV tem mais ligação com os Irmãos Marx. Hawkeye fala como Groucho. Passam o tempo bebendo, transando e afrontando a ordem militar. São hippies médicos. Às vezes a coisa fica bem triste. Uma série que caiu como uma luva nos anos 70.
Assim como Seinfeld é a cara dos anos 90. Nada faz o menor sentido. Ou faz sentido demais....Há uma lógica dentro dessa loucura e a sacada de Jerry Seinfeld e de Larry David é levar o roteiro até seu fim lógico. Se uma bola é arremessada, vamos acompanha-la até ela parar. O modo como se arquiteta tudo é uma aula de escrita: cada história corre paralela a outra e ao fim todas trombam numa coda musical. Jerry não atua, observa e comenta; Kramer é genial, um clown assustador; Elaine é a amiga doida que todo mundo precisa e Jason Alexander faz o mais infame e ridículo dos amigos. A mistura funciona. São tão pouco charmosos que ficamos intrigados. Não fosse tão inspirada seria um desastre.
Nas famosas listas de melhores da TV eu já vi Seinfeld ganhar como a melhor de todos os tempos. Já vi MASH vencer. E na última que vi Seinfeld era a segunda melhor e MASH a terceira. ( Venceu BREAKING BAD...deve cair com o tempo...).
Em termos de humor, são os ícones.
Para quem não sabe, MASH tem o recorde de audiência da TV americana ( se não considerarmos os jogos do futebol americano ). O último episódio, em 1983, bateu esse recorde. Ela começou em 1972 e logo estourou. Baseada no filme de Robert Altman, temos os mesmos personagens no mesmo ambiente. Um centro médico na guerra da Coréia. No lugar de Donald Sutherland entra Alan Alda, e no posto de Elliot Gould vem Wayne Rogers. Funciona. O humor continua amargo, niilista, atirando pra todo lado. Penso que esse humor seria impossível hoje. Não porque não se faça crítica, mas hoje a destruição tem um alvo. Aqui não há alvo. Se atira. E se destrói. Me surpreendo notando que a série de TV tem mais ligação com os Irmãos Marx. Hawkeye fala como Groucho. Passam o tempo bebendo, transando e afrontando a ordem militar. São hippies médicos. Às vezes a coisa fica bem triste. Uma série que caiu como uma luva nos anos 70.
Assim como Seinfeld é a cara dos anos 90. Nada faz o menor sentido. Ou faz sentido demais....Há uma lógica dentro dessa loucura e a sacada de Jerry Seinfeld e de Larry David é levar o roteiro até seu fim lógico. Se uma bola é arremessada, vamos acompanha-la até ela parar. O modo como se arquiteta tudo é uma aula de escrita: cada história corre paralela a outra e ao fim todas trombam numa coda musical. Jerry não atua, observa e comenta; Kramer é genial, um clown assustador; Elaine é a amiga doida que todo mundo precisa e Jason Alexander faz o mais infame e ridículo dos amigos. A mistura funciona. São tão pouco charmosos que ficamos intrigados. Não fosse tão inspirada seria um desastre.
Nas famosas listas de melhores da TV eu já vi Seinfeld ganhar como a melhor de todos os tempos. Já vi MASH vencer. E na última que vi Seinfeld era a segunda melhor e MASH a terceira. ( Venceu BREAKING BAD...deve cair com o tempo...).
Em termos de humor, são os ícones.
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