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A FELICIDADE EM FILME, OS MAIS FELIZES DOS FILMES
Pegaram FANCY FREE, uma obra genial de Bernstein e Jerome Robbins e transformaram neste filme impactante. Criticos snobs da época torceram o nariz, afinal não respeitaram toda a obra-prima, mas caramba, que filme bom!
A primeira cena, com a música de Lennie Bernstein, já conquista qualquer cara de gosto refinado. Um trabalhador se lamenta por ser segunda-feira. De um navio descem marinheiros em férias de 24 horas. Um luminoso marca o tempo:: segunda, 7 horas...
New York, os 3 marinheiros andam pela cidade e cantam. É excitante, é feliz, é wonderful ! Gene Kelly é um entusiasmado rapaz que se apaixona pela Miss Metrô. Jules Munshin é um grandão que só pensa em garotas e Frank Sinatra faz o tipo de papel que ele fazia nos anos 40, um ingênuo desprotegido. A cidade, gloriosa, é percorrida pelos amigos e pelas mulheres que eles vão conquistando pelo caminho, uma taxista e uma antropóloga. Nesse frenesi alegre e atlético, o espectador acompanha o espírito do filme: alegria sem ironia. É o mais feliz filme já feito.
Sucesso em seu tempo, curto e direto, sem muita pieguice, e com um final perfeito, UM DIA EM NEW YORK é uma obra-prima de Gene Kelly e Stanley Donen. A primeira direção dos dois.
Fariam alguns poucos anos mais tarde SINGIN IN THE RAIN.
O cinema tem duas cenas que são seus emblemas: A cena no chuveiro de Psycho e Kelly dançando na chuva. Quem foi feliz sabe, quem é feliz sabe, aquela dança simboliza tudo o que sentimos aos nos descobrir felizes. Kelly canta, pula, chuta a água e em toque de sublime delicadeza termina a cena dando seu guarda-chuva para um senhor molhado que o agradece. A felicidade ignora a chuva, ignora o guarda, ignora a elegância ( é uma dança deslegante ), e se dá a um anônimo. Como Kelly e Donen conseguiram fazer algo de tamanha perfeição? É uma prova palpável de que milagres existem.
Mas há mais! Bem mais!
Make em Laugh, com Donald O`Connor é absurdamente alegre. Dança que faz rir, um artista dando o máximo e chegando ao pós-limite. Há Debbie Reynolds no simples e leve All I Wanna Do, lindo momento como noite de natal. Linda, ela, leve, brilha. Fadas existem?
Uma subtrama séria ronda o filme: O quanto somos esmagados pelo star system. Nossos padrões são altos e irreais demais! Queremos ser charmosos como Fred Astaire, elegantes como Cary Grant, bonitos como Gary Cooper, másculos como Bogart e dispostos como Erroll Flynn. Esses os moldes, voce pode substituir pelo astro de seu tempo, Clooney, Pitt, Depp, Butler, MacConaughey... O padrão é muito alto, e ficamos frustrados.
Mas nada impede que cantemos Good Morning! Tenho amigos que piram com essa cena! Como não pirar?
No Oscar de 94 Stanley Donen finalmente ganhou seu Oscar. E dançou com ele! Se Kelly era o perfeccionista ( e são dois filmes absolutamente perfeitos ), Donen foi chique e feliz.
Um musical precisa de pelo menos três momentos tipo "Arrasa Quarteirão", aqueles apogeus em que o público se levanta e aplaude. Em que o show explode. Pois estes dois filmes têm mais de 6 desses momentos.
A primeira cena, com a música de Lennie Bernstein, já conquista qualquer cara de gosto refinado. Um trabalhador se lamenta por ser segunda-feira. De um navio descem marinheiros em férias de 24 horas. Um luminoso marca o tempo:: segunda, 7 horas...
New York, os 3 marinheiros andam pela cidade e cantam. É excitante, é feliz, é wonderful ! Gene Kelly é um entusiasmado rapaz que se apaixona pela Miss Metrô. Jules Munshin é um grandão que só pensa em garotas e Frank Sinatra faz o tipo de papel que ele fazia nos anos 40, um ingênuo desprotegido. A cidade, gloriosa, é percorrida pelos amigos e pelas mulheres que eles vão conquistando pelo caminho, uma taxista e uma antropóloga. Nesse frenesi alegre e atlético, o espectador acompanha o espírito do filme: alegria sem ironia. É o mais feliz filme já feito.
Sucesso em seu tempo, curto e direto, sem muita pieguice, e com um final perfeito, UM DIA EM NEW YORK é uma obra-prima de Gene Kelly e Stanley Donen. A primeira direção dos dois.
Fariam alguns poucos anos mais tarde SINGIN IN THE RAIN.
O cinema tem duas cenas que são seus emblemas: A cena no chuveiro de Psycho e Kelly dançando na chuva. Quem foi feliz sabe, quem é feliz sabe, aquela dança simboliza tudo o que sentimos aos nos descobrir felizes. Kelly canta, pula, chuta a água e em toque de sublime delicadeza termina a cena dando seu guarda-chuva para um senhor molhado que o agradece. A felicidade ignora a chuva, ignora o guarda, ignora a elegância ( é uma dança deslegante ), e se dá a um anônimo. Como Kelly e Donen conseguiram fazer algo de tamanha perfeição? É uma prova palpável de que milagres existem.
Mas há mais! Bem mais!
Make em Laugh, com Donald O`Connor é absurdamente alegre. Dança que faz rir, um artista dando o máximo e chegando ao pós-limite. Há Debbie Reynolds no simples e leve All I Wanna Do, lindo momento como noite de natal. Linda, ela, leve, brilha. Fadas existem?
Uma subtrama séria ronda o filme: O quanto somos esmagados pelo star system. Nossos padrões são altos e irreais demais! Queremos ser charmosos como Fred Astaire, elegantes como Cary Grant, bonitos como Gary Cooper, másculos como Bogart e dispostos como Erroll Flynn. Esses os moldes, voce pode substituir pelo astro de seu tempo, Clooney, Pitt, Depp, Butler, MacConaughey... O padrão é muito alto, e ficamos frustrados.
Mas nada impede que cantemos Good Morning! Tenho amigos que piram com essa cena! Como não pirar?
No Oscar de 94 Stanley Donen finalmente ganhou seu Oscar. E dançou com ele! Se Kelly era o perfeccionista ( e são dois filmes absolutamente perfeitos ), Donen foi chique e feliz.
Um musical precisa de pelo menos três momentos tipo "Arrasa Quarteirão", aqueles apogeus em que o público se levanta e aplaude. Em que o show explode. Pois estes dois filmes têm mais de 6 desses momentos.
RED 2/ MATO SEM CACHORRO/ LUC BESSON/ MINELLI/ BO WIDEBERG
RED 2 de Dean Parisot com Bruce Willis, John Malkovich, Helen Mirren
Um grande elenco numa diversão interessante. Humor de menos ( o primeiro Red era bem mais engraçado ), boas cenas de ação. Pode ver sem medo. Nota 6.
MATO SEM CACHORRO de Paulo Amorim com Bruno Gagliasso e Leandra Leal
Uma comédia muito boa. Bruno, ótimo, é um cara timido que se envolve com Leandra ( linda e simpática ), uma radialista. Um cachorro os une. Eles se separam, e Bruno rapta o cão. O filme é cheio de personagens vibrantes e exala simpatia. Gabriela Duarte quase rouba o filme como uma alcoólatra boca suja. Muito ritmo na direção de Amorim. Nota 8.
MUITO BARULHO POR NADA de Joss Whedon
Whedon é um roteirista quente. Estreia como diretor nesta coisa que usa o texto de Shakespeare em cenário e tempo chic de 2013. Fica tudo very strange. Ralph Fiennes fizera igual com Coriolano, texto do bardo em tempos de agora. Duvido que alguém consiga digerir. Nota 1.
ELVIRA MADIGAN de Bo Widerberg
Um grande sucesso dos anos 60 que se conserva mais ou menos. A trilha popularizou o concerto 21 para piano de Mozart. As imagens, campestres, são lindas. Mas o filme é frio. Fala de casal, ele um soldado, que tenta se amar em paz nos anos de 1880. Mas ele é um desertor...O diretor sueco usa climas de Truffaut, improvisa. Quando uma cena tem um acidente feliz, ele a usa, não a corta. Mas apesar de bonito, é um filme distante. Nota 5.
A FAMILIA de Luc Besson com Robert de Niro e Michelle Pfeiffer
Muita gente elogiou esse filme sobre familia mafiosa que se refugia na França. Os filhos e a mulher não perdem o costume, continuam sendo hiper-violentos. Achei o filme desagradável, chato, sem porque.
YOLANDA E O LADRÃO de Vincente Minelli com Fred Astaire
Em que pese o lindo technicolor e a bela produção da MGM, o roteiro é tão bestinha, tão boboca que não há como gostar deste musical. Fred, para piorar, canta e dança pouco. Nota 5.
Um grande elenco numa diversão interessante. Humor de menos ( o primeiro Red era bem mais engraçado ), boas cenas de ação. Pode ver sem medo. Nota 6.
MATO SEM CACHORRO de Paulo Amorim com Bruno Gagliasso e Leandra Leal
Uma comédia muito boa. Bruno, ótimo, é um cara timido que se envolve com Leandra ( linda e simpática ), uma radialista. Um cachorro os une. Eles se separam, e Bruno rapta o cão. O filme é cheio de personagens vibrantes e exala simpatia. Gabriela Duarte quase rouba o filme como uma alcoólatra boca suja. Muito ritmo na direção de Amorim. Nota 8.
MUITO BARULHO POR NADA de Joss Whedon
Whedon é um roteirista quente. Estreia como diretor nesta coisa que usa o texto de Shakespeare em cenário e tempo chic de 2013. Fica tudo very strange. Ralph Fiennes fizera igual com Coriolano, texto do bardo em tempos de agora. Duvido que alguém consiga digerir. Nota 1.
ELVIRA MADIGAN de Bo Widerberg
Um grande sucesso dos anos 60 que se conserva mais ou menos. A trilha popularizou o concerto 21 para piano de Mozart. As imagens, campestres, são lindas. Mas o filme é frio. Fala de casal, ele um soldado, que tenta se amar em paz nos anos de 1880. Mas ele é um desertor...O diretor sueco usa climas de Truffaut, improvisa. Quando uma cena tem um acidente feliz, ele a usa, não a corta. Mas apesar de bonito, é um filme distante. Nota 5.
A FAMILIA de Luc Besson com Robert de Niro e Michelle Pfeiffer
Muita gente elogiou esse filme sobre familia mafiosa que se refugia na França. Os filhos e a mulher não perdem o costume, continuam sendo hiper-violentos. Achei o filme desagradável, chato, sem porque.
YOLANDA E O LADRÃO de Vincente Minelli com Fred Astaire
Em que pese o lindo technicolor e a bela produção da MGM, o roteiro é tão bestinha, tão boboca que não há como gostar deste musical. Fred, para piorar, canta e dança pouco. Nota 5.
FRANK- JAMES KAPLAN, O INFERNO
Abaixo eu escrevi sobre toda a primeira parte do livro de James Kaplan sobre Frank Sinatra. A segunda parte é o inferno. A partir de 1946, ou seja, após a guerra, o gosto médio americano muda. O grande centrão do país, o interior profundo, passa a ditar as regras e o que faz sucesso é menos sofisticado, menos urbano, mais simples. Cantores como Perry Como, Eddie Fisher, Frankie Laine...Como aconteceu com o Brasil a partir de 1990, o povão começa a ter acesso a cultura, e a cultura que eles consomem é a mais simples possível, quase infantil. Sinatra não quer e não pode se encaixar nesse mundo. Então ele desaba. E como nada vem só, tudo começa a desmoronar.
Ele se apaixona por Ava Gardner. No começo tudo é lindo. Mas logo começam as brigas. Nesse terremoto, ele se separa de sua esposa ( o que gera a ira de 90% das mães americanas ), estreia um show de TV que é um fiasco, perde seu contrato de cinema e é acuado pela imprensa por suas ligações com a máfia e com a esquerda americana. Capacho de Ava, falido e sustentado por ela, despedido da gravadora, desesperado. Tenta se matar duas vezes, vaga solitário pelas ruas...
Ava desiste dele. Dorme com contra-regras, atores, atletas e toureiros. Principalmente toureiros. Frank tenta a reconquistar. Patético. Ela faz dois abortos que o revoltam. ( O segundo não era dele, mas ela não conta...). Ava se torna a atriz mais quente do mundo. Sinatra o cantor que ninguem mais quer.
( Uma frase de Humphrey Bogart para Ava nos bastidores de um filme que fizeram juntos: " Todas as mulheres querem dar pra Sinatra e voce prefere dormir com um cara que usa capa e sapatilhas!").
Uma nova gravadora, a Capitol, tem um jovem diretor. Com menos de 30 anos, esse garoto fez a moral ao ser incumbido de criar um selo de discos infantis. O cara cria o Bozo! E estoura. Em seguida ele chama Nat King Cole, e faz dele um sucesso. E Frank Sinatra aparece, o cantor que ninguem mais queria. Alan Livingston, esse o jovem produtor, traz Sinatra e Nelson Riddle para os arranjos. E a coisa acontece. Nasce o cantor que conheceu o inferno, a dor, nasce o homem forte, o cara que venceu o mal. Las Vegas, que nasce naquele tempo, se torna seu QG, Sinatra passa a ser o icone do big boss, o modelo a ser copiado, o cara que pode tudo, o adulto, o juiz, o fodao.
Sinatra renasce. A maior volta por cima da historia da musica popular. Do desemprego ao topo do mundo. De novo.
Ao mesmo tempo vem o cinema. Ele ganha o papel em A Um Passo da Eternidade ( sem a ajuda da mafia, com ajuda de Ava ), e leva o Oscar. O cara que toda Hollywood gostava de odiar vence. Porque ele mereceu, apenas por isso. As pessoas sabem que Sinatra tem tudo de um filho da puta: vaidade, infidelidade, teimosia, egoismo; e tambem genialidade, vulnerabilidade, timidez, generosidade e a VOZ. The Voice. Ele.
A ultima cena do livro: Frank com seu Oscar, em 1954. Anda pelas ruas de Los Angeles, madrugada, com o Oscar em maos. Sozinho. Feliz. Novo. Aos 39 anos.
Um grande livro.
Ele se apaixona por Ava Gardner. No começo tudo é lindo. Mas logo começam as brigas. Nesse terremoto, ele se separa de sua esposa ( o que gera a ira de 90% das mães americanas ), estreia um show de TV que é um fiasco, perde seu contrato de cinema e é acuado pela imprensa por suas ligações com a máfia e com a esquerda americana. Capacho de Ava, falido e sustentado por ela, despedido da gravadora, desesperado. Tenta se matar duas vezes, vaga solitário pelas ruas...
Ava desiste dele. Dorme com contra-regras, atores, atletas e toureiros. Principalmente toureiros. Frank tenta a reconquistar. Patético. Ela faz dois abortos que o revoltam. ( O segundo não era dele, mas ela não conta...). Ava se torna a atriz mais quente do mundo. Sinatra o cantor que ninguem mais quer.
( Uma frase de Humphrey Bogart para Ava nos bastidores de um filme que fizeram juntos: " Todas as mulheres querem dar pra Sinatra e voce prefere dormir com um cara que usa capa e sapatilhas!").
Uma nova gravadora, a Capitol, tem um jovem diretor. Com menos de 30 anos, esse garoto fez a moral ao ser incumbido de criar um selo de discos infantis. O cara cria o Bozo! E estoura. Em seguida ele chama Nat King Cole, e faz dele um sucesso. E Frank Sinatra aparece, o cantor que ninguem mais queria. Alan Livingston, esse o jovem produtor, traz Sinatra e Nelson Riddle para os arranjos. E a coisa acontece. Nasce o cantor que conheceu o inferno, a dor, nasce o homem forte, o cara que venceu o mal. Las Vegas, que nasce naquele tempo, se torna seu QG, Sinatra passa a ser o icone do big boss, o modelo a ser copiado, o cara que pode tudo, o adulto, o juiz, o fodao.
Sinatra renasce. A maior volta por cima da historia da musica popular. Do desemprego ao topo do mundo. De novo.
Ao mesmo tempo vem o cinema. Ele ganha o papel em A Um Passo da Eternidade ( sem a ajuda da mafia, com ajuda de Ava ), e leva o Oscar. O cara que toda Hollywood gostava de odiar vence. Porque ele mereceu, apenas por isso. As pessoas sabem que Sinatra tem tudo de um filho da puta: vaidade, infidelidade, teimosia, egoismo; e tambem genialidade, vulnerabilidade, timidez, generosidade e a VOZ. The Voice. Ele.
A ultima cena do livro: Frank com seu Oscar, em 1954. Anda pelas ruas de Los Angeles, madrugada, com o Oscar em maos. Sozinho. Feliz. Novo. Aos 39 anos.
Um grande livro.
URINA, SUOR E GOZO, FRANK, A BIO DE SINATRA ESCRITA POR JAMES KAPLAN
Ele veio ao mundo via fórceps. E ganhou com isso uma cicatriz e uma orelha torta. Pior, foi jogado na pia, enquanto o médico tentava salvar a mãe. Filho único, era vestido como um pequeno Lord. Se tornou um grande pentelho. O baixinho nojento, com mania de limpeza. Com mesada grande ( Nunca foram ricos ), comprava roupas e amigos. O cara com medo de solidão, aquele que pagava sorvetes e hamburger pra todo mundo. Vaidoso e delicado e ao mesmo tempo explosivo. Complicado? Veja o resto...
A mãe, uma italiana brava, fazia abortos e era conhecida em toda Jersey. Abortos e partos. O partido democrata, sabendo de sua fama no bairro a chamou para ser cabo eleitoral. Ela mandava. Uma mafiosa quase. O pai era um banana calado.
Sinatra era mimado pela mãe, e apanhava dela também. De porrete.
E tinha a voz. Dois fatos importantes. Sinatra era filho de italiano. E ser filho de italiano era ser negro. Eram chamados de escuros. Sinatra irá romper com isso. Tinha orgulho, muito orgulho.
E havia Bing Crosby. O jovem Sinatra amava Crosby. E Crosby foi o maior cantor do mundo. Até surgir Frank. Crosby foi o primeiro a cantar suave, a saber usar o microfone. Mais que isso, Crosby tinha inteligência na voz, tinha ritmo, tinha gênio. A América o escutava e queria ser como ele. Inteligente, fino, educado e esperto.
A vida de Sinatra parece ficção. Frank Sinatra desde cedo quis ser Sinatra. E tudo o que ele quis ele fez. Planejou cada passo. E cumpriu. Ia ao Harlem ver o jazz. Billie era seu modelo. Conseguir ser quente como ela. Cantou em rádios, em bares e foi crescendo. Cantou na banda de Harry James e aí a coisa começou a crescer. Viagens pelo país inteiro, de bus. Hotéis e mulheres, muitas mulheres. Sinatra era anormal, tinha um pau muito acima da média. Brigas com Buddy Rich, o batera estrela.
Vai para a banda de Tommy Dorsey, a mais hot da época. E começa a roubar o show. Então muda tudo. É o primeiro cantor a sair de uma banda e se fazer solo. Um imenso risco. Vence. O que ele tinha?
Frank Sinatra tinha aquilo que ninguém teve até então. Sua voz não era apenas bonita. Ele não cantava somente bem ou muito bem. Ele tinha sentimento. Passava fragilidade. Tudo o que ele cantava era de verdade. Frank Sinatra foi o primeiro cantor a interpretar as letras. Ele as estudava, as compreendia profundamente. Se preocupava em sentir o que o autor sentira. E milagrosamente conseguia passar isso ao público. Era mais que um cantor, era um fio que unia música a ouvinte. E sempre com extrema sinceridade. No palco ele se transformava. Se antes estivera briguento, chato, frio, distante, ao começar a cantar se tornava AQUILO QUE ELE ERA, frágil, vulnerável, e muito concentrado.
Nesse processo as mulheres se apaixonavam por ele. Amavam sua fragilidade. E também os olhos que pareciam fortes. Um misto irresistível de força e dor. Foi o primeiro cantor a fazer com que milhares de meninas gritassem por horas sem parar. Foi rocknroll antes de Elvis. Histeria, excessos, festas, drogas, birita. E muito sexo. As mulheres queriam casar com Bing Crosby. Com Sinatra elas queriam ser putas.
Espinhos existiram muitos. Dois filhos que ele mal via. A culpa por chifrar a boa esposa. Duas prisões por sedução de menores ( rock até nisso ). O preconceito racial. E o pior, por não ir para a guerra passou a ser odiado pelos soldados. "Nós morrendo aqui e ele comendo a Lana Turner..."
A imprensa de direita o persegue. O FBI começa a investigar sua vida. Odeiam seus amigos italianos. Seus amigos judeus. Suas opiniões. Isso mesmo, Frank Sinatra lia muito e tinha ideias. Ia as escolas fazer palestras contra a segregação. Gravou discos pró-união racial e religiosa. O menino que só andava com puxa-sacos, o cara que tomava 6 banhos por dia, o chato perfeccionista que explodia com uma brisa de verão não convidada, o neurótico sempre nervoso e insone, era um homem que na verdade enfrentava uma oposição tremenda. Direita, militares, racistas, caipiras, todos odiavam aquele italiano escuro baixinho e convencido amigo de comunas. Mas, muito antes dos Stones, Sinatra podia ter dito, "Voces me odeiam mas suas filhas adoram!"
Um empresário foi ver um show seu em 1940. Logo ao chegar ele percebeu que em meio aos gritos e desmaios se sentia um cheiro conhecido...o que era mesmo? ....Orgasmo!!! Cheiro de mulher! O teatro estava impregnado desse odor. As meninas gozavam nas calcinhas enquanto viam Sinatra cantar. Num tempo de teatros sem ar-condicionado, o cheiro era sufocante. Urina. suor e gozo. A América mudou para sempre.
Esse o primeiro Sinatra. Bem mais tarde Ava Gardner, a idade e muitas desilusões mudariam Frank e fariam nascer o chefão, o super-macho. Mas isso fica para outro post...
A mãe, uma italiana brava, fazia abortos e era conhecida em toda Jersey. Abortos e partos. O partido democrata, sabendo de sua fama no bairro a chamou para ser cabo eleitoral. Ela mandava. Uma mafiosa quase. O pai era um banana calado.
Sinatra era mimado pela mãe, e apanhava dela também. De porrete.
E tinha a voz. Dois fatos importantes. Sinatra era filho de italiano. E ser filho de italiano era ser negro. Eram chamados de escuros. Sinatra irá romper com isso. Tinha orgulho, muito orgulho.
E havia Bing Crosby. O jovem Sinatra amava Crosby. E Crosby foi o maior cantor do mundo. Até surgir Frank. Crosby foi o primeiro a cantar suave, a saber usar o microfone. Mais que isso, Crosby tinha inteligência na voz, tinha ritmo, tinha gênio. A América o escutava e queria ser como ele. Inteligente, fino, educado e esperto.
A vida de Sinatra parece ficção. Frank Sinatra desde cedo quis ser Sinatra. E tudo o que ele quis ele fez. Planejou cada passo. E cumpriu. Ia ao Harlem ver o jazz. Billie era seu modelo. Conseguir ser quente como ela. Cantou em rádios, em bares e foi crescendo. Cantou na banda de Harry James e aí a coisa começou a crescer. Viagens pelo país inteiro, de bus. Hotéis e mulheres, muitas mulheres. Sinatra era anormal, tinha um pau muito acima da média. Brigas com Buddy Rich, o batera estrela.
Vai para a banda de Tommy Dorsey, a mais hot da época. E começa a roubar o show. Então muda tudo. É o primeiro cantor a sair de uma banda e se fazer solo. Um imenso risco. Vence. O que ele tinha?
Frank Sinatra tinha aquilo que ninguém teve até então. Sua voz não era apenas bonita. Ele não cantava somente bem ou muito bem. Ele tinha sentimento. Passava fragilidade. Tudo o que ele cantava era de verdade. Frank Sinatra foi o primeiro cantor a interpretar as letras. Ele as estudava, as compreendia profundamente. Se preocupava em sentir o que o autor sentira. E milagrosamente conseguia passar isso ao público. Era mais que um cantor, era um fio que unia música a ouvinte. E sempre com extrema sinceridade. No palco ele se transformava. Se antes estivera briguento, chato, frio, distante, ao começar a cantar se tornava AQUILO QUE ELE ERA, frágil, vulnerável, e muito concentrado.
Nesse processo as mulheres se apaixonavam por ele. Amavam sua fragilidade. E também os olhos que pareciam fortes. Um misto irresistível de força e dor. Foi o primeiro cantor a fazer com que milhares de meninas gritassem por horas sem parar. Foi rocknroll antes de Elvis. Histeria, excessos, festas, drogas, birita. E muito sexo. As mulheres queriam casar com Bing Crosby. Com Sinatra elas queriam ser putas.
Espinhos existiram muitos. Dois filhos que ele mal via. A culpa por chifrar a boa esposa. Duas prisões por sedução de menores ( rock até nisso ). O preconceito racial. E o pior, por não ir para a guerra passou a ser odiado pelos soldados. "Nós morrendo aqui e ele comendo a Lana Turner..."
A imprensa de direita o persegue. O FBI começa a investigar sua vida. Odeiam seus amigos italianos. Seus amigos judeus. Suas opiniões. Isso mesmo, Frank Sinatra lia muito e tinha ideias. Ia as escolas fazer palestras contra a segregação. Gravou discos pró-união racial e religiosa. O menino que só andava com puxa-sacos, o cara que tomava 6 banhos por dia, o chato perfeccionista que explodia com uma brisa de verão não convidada, o neurótico sempre nervoso e insone, era um homem que na verdade enfrentava uma oposição tremenda. Direita, militares, racistas, caipiras, todos odiavam aquele italiano escuro baixinho e convencido amigo de comunas. Mas, muito antes dos Stones, Sinatra podia ter dito, "Voces me odeiam mas suas filhas adoram!"
Um empresário foi ver um show seu em 1940. Logo ao chegar ele percebeu que em meio aos gritos e desmaios se sentia um cheiro conhecido...o que era mesmo? ....Orgasmo!!! Cheiro de mulher! O teatro estava impregnado desse odor. As meninas gozavam nas calcinhas enquanto viam Sinatra cantar. Num tempo de teatros sem ar-condicionado, o cheiro era sufocante. Urina. suor e gozo. A América mudou para sempre.
Esse o primeiro Sinatra. Bem mais tarde Ava Gardner, a idade e muitas desilusões mudariam Frank e fariam nascer o chefão, o super-macho. Mas isso fica para outro post...
MICHAEL SCHUMACHER
E enquanto corvos esfregam as mãos escrevendo manchetes e retrospectivas sobre um defunto ainda vivo, o cara em coma respira. E sonha sonhos que serão para sempre esquecidos.
Uma vida vale pelo que dela foi feita. Um piloto chegou ao seu máximo e parou. Mas a vontade de ousar não morre. Como um viking seu Valhala era a crença em morrer lutando. Se as pistas nada mais tinham para ele, o mundo ainda era um campo de batalha. Um nórdico feito para a luta.
E essa morte, se vier, será morte escolhida, nobre despedida. Em luta, sempre!
E enquanto isso pilotos sem brio e frustrados covardes esfregam as mãos com suas lamentações bem ensaiadas.
Filho de uma cultura latina, Senna morreu como um cristão numa cruz. E Gilles se foi como um celta enlouquecido. Mas Michael, se partir, irá numa barca em chamas rumo ao mar.
A vida vale por aquilo que fizemos. O que tiramos de mais particular para nosso espírito. O que levamos conosco para sempre.
A pedra em meio a neve o encontrou sorrindo...
Uma vida vale pelo que dela foi feita. Um piloto chegou ao seu máximo e parou. Mas a vontade de ousar não morre. Como um viking seu Valhala era a crença em morrer lutando. Se as pistas nada mais tinham para ele, o mundo ainda era um campo de batalha. Um nórdico feito para a luta.
E essa morte, se vier, será morte escolhida, nobre despedida. Em luta, sempre!
E enquanto isso pilotos sem brio e frustrados covardes esfregam as mãos com suas lamentações bem ensaiadas.
Filho de uma cultura latina, Senna morreu como um cristão numa cruz. E Gilles se foi como um celta enlouquecido. Mas Michael, se partir, irá numa barca em chamas rumo ao mar.
A vida vale por aquilo que fizemos. O que tiramos de mais particular para nosso espírito. O que levamos conosco para sempre.
A pedra em meio a neve o encontrou sorrindo...
NATAL
Pode chamar de consumismo, mas eu sinto saudade daquele monte de gente na rua batendo sacolas contra sacolas, sacolas cheias de compras de natal.
As filas doidas nos caixas e os pacotes embrulhados com fitas.
Se o natal se tornou puro comércio, que seja pelo menos um grande comércio!
As filas doidas nos caixas e os pacotes embrulhados com fitas.
Se o natal se tornou puro comércio, que seja pelo menos um grande comércio!
THOR FOI UM ET.
Um inacreditável programa do History Channel diz que Thor e Odin eram ETs e que os vikings chegaram a América porque foram instruídos por ETs. Essa bobageirada me recordou uma boa aula que tive sobre literatura.
Nessa aula começamos a conversar ( toda a sala ), sobre a imensa dificuldade que certos críticos, leitores, cientistas, teóricos têm em entender o que seja a criatividade, imaginação. Como são pessoas totalmente desprovidas do dom de inventar, de transformar o Nada em Coisa ou ideia, eles jogam tudo na vala de "vida vivida". Assim, se um escritor escreve sobre violência só pode ser porque ele foi vitima da violência. Se um outro escreve sobre homossexuais com certeza ele tem tendências homo. Tudo para eles é reflexo da vida de quem cria, lhes é inimaginável o fato de que alguém pode criar algo em sua imaginação sem vinculo algum com a sua auto-biografia. Eles querem ver na vida do criador um retrato de experiências reais. Porque? Porque a vida desses críticos é assim. Eles nada imaginam, tiram conclusões daquilo que DEVE ser fato.
Esse tipo de pesquisador é incapaz de aceitar o fato de que vikings criaram uma mitologia e de que conseguiram imaginar e executar um barco que cruzava o oceano. Desse modo, se eles ( os cientistas sem imaginação ), falam em Asgard é porque crêem que os vikings viram Asgard ( uma nave espacial spielbergniana ) e não porque imaginaram ou sonharam com Asgard. Thor seria um ET com uma arma laser e Odin uma estação espacial. Veja bem, o problema com essas teorias bestas não é que os caras viajam demais ou imaginam demais. É exatamente o contrário! Eles nada imaginam, pensam em termos somente daquilo que já conhecem. Conhecem a NASA e a realidade de hoje, portanto jogam tudo que não compreendem nessa linguagem conhecida.
Não imaginam sequer que aquilo que falam são piadas e suas descobertas puro humor.
Nessa aula começamos a conversar ( toda a sala ), sobre a imensa dificuldade que certos críticos, leitores, cientistas, teóricos têm em entender o que seja a criatividade, imaginação. Como são pessoas totalmente desprovidas do dom de inventar, de transformar o Nada em Coisa ou ideia, eles jogam tudo na vala de "vida vivida". Assim, se um escritor escreve sobre violência só pode ser porque ele foi vitima da violência. Se um outro escreve sobre homossexuais com certeza ele tem tendências homo. Tudo para eles é reflexo da vida de quem cria, lhes é inimaginável o fato de que alguém pode criar algo em sua imaginação sem vinculo algum com a sua auto-biografia. Eles querem ver na vida do criador um retrato de experiências reais. Porque? Porque a vida desses críticos é assim. Eles nada imaginam, tiram conclusões daquilo que DEVE ser fato.
Esse tipo de pesquisador é incapaz de aceitar o fato de que vikings criaram uma mitologia e de que conseguiram imaginar e executar um barco que cruzava o oceano. Desse modo, se eles ( os cientistas sem imaginação ), falam em Asgard é porque crêem que os vikings viram Asgard ( uma nave espacial spielbergniana ) e não porque imaginaram ou sonharam com Asgard. Thor seria um ET com uma arma laser e Odin uma estação espacial. Veja bem, o problema com essas teorias bestas não é que os caras viajam demais ou imaginam demais. É exatamente o contrário! Eles nada imaginam, pensam em termos somente daquilo que já conhecem. Conhecem a NASA e a realidade de hoje, portanto jogam tudo que não compreendem nessa linguagem conhecida.
Não imaginam sequer que aquilo que falam são piadas e suas descobertas puro humor.
A NOITE EM QUE VI JOHN LENNON REBOLAR
As boas e más linguas diziam que Mick Jagger vetara a exibição deste show de TV por perceber que o Who, só pra variar, roubara o palco. Quem mandou chamar os maiores ladrões de show da história do rock?
Mas não é verdade. Acho que o que o fez vetar é que como espetáculo de TV ele é bem fraco. Senão veja. O Jethro Tull até que manda bem ( e com Tony Iommi na guitarra!!! ), mas quando vem o Taj Mahal a coisa começa a ficar very boring. John Lennon tá por lá, assim como Eric Clapton, e eles cantam, razoavelmente, Yer Blues, mas depois uma coisa, talvez uma cabra, começa a gemer e compromete a música seguinte. É instrutivo. Vendo Yoko Ono nesse show a gente percebe o que Lennon viu nela. O rapaz de Liverpool que queria ser aceito como High Art pelos High Brow se deslumbrou com as High Ideias da artista Yoko. Só não percebeu que ela era uma artista de terceira. Ela era do mundo de Beuys e de Christos, tinha desprezo pelo rock e pelos Beatles. O que ela faz/fez? Avacalhou. Lennon, um perturbado rapaz caipira da caipiríssima Liverpool entrou de gaiato. Well...Os Beatles iam acabar de qualquer jeito, mas a vida de Lennon seria diferente sem ela. Melhor talvez. Os discos solo seriam mais soltos, com certeza.
The Who faz o seu normal. O seu normal é sempre anormal. Keith Moon maníaco e sendo Moon, o mais original dos bateristas ( e o mais show-man ), Pete estupra a guitarra e Roger canta como sempre, muito bem. Ponto educativo: Percebemos mais uma vez que o Who NADA tem a ver com a cultura hippie radical de 68. A viagem deles era bem outra.
Marianne Faithfull, provavelmente a pessoa mais drunk da noite canta a mais pop das canções. Drogas nunca foram sinonimo de música ousada. Zappa e James Taylor provam isso.
E vem os Stones. Bem, Mick tenta por fogo na banda o tempo todo, mas não rola. A coisa não decola. Brian Jones está em estado de catatonia. Keith parece preocupado. Bill está tipo Bill, ou seja, não está. E Charlie gostaria de estar na cama com a esposa. Dormindo. Que amanhã é dia de trabalho.
É claro que NO EXPECTATIONS vale o dvd! A canção é tão genial, tão blue, fala tão dentro de quem já se fodeu, que é impossível ser estragada. Pois é....Dá pra ver John Lennon dançando em Sympathy for the Devil, e ver Lennon dançando...tirem as crianças da sala!
No fim, uma patética versão de Salt of the Earth. Pete e Keith Moon roubam o show de novo, estão na platéia e começam a zoar. Legal, algum bom humor nesta noite baixo astral.
Os anos 60 foi quando os loucos tomaram conta da zona. Alguns desses loucos enganam até hoje ( Timothy Leary, Che Guevara, filósofos pop star franceses ), os Stones sempre ficaram fora dessa. Aqui a gente vê o pior lado da década, ou seja, coisas sendo feitas na doideira, na curtição, bem louco, deixa fluir, numa nice. Claro que o perfeccionista Jagger ia vetar.
O rock era um circo, hoje é um bordel, e Jagger sabe/soube sempre isso.
Mas não é verdade. Acho que o que o fez vetar é que como espetáculo de TV ele é bem fraco. Senão veja. O Jethro Tull até que manda bem ( e com Tony Iommi na guitarra!!! ), mas quando vem o Taj Mahal a coisa começa a ficar very boring. John Lennon tá por lá, assim como Eric Clapton, e eles cantam, razoavelmente, Yer Blues, mas depois uma coisa, talvez uma cabra, começa a gemer e compromete a música seguinte. É instrutivo. Vendo Yoko Ono nesse show a gente percebe o que Lennon viu nela. O rapaz de Liverpool que queria ser aceito como High Art pelos High Brow se deslumbrou com as High Ideias da artista Yoko. Só não percebeu que ela era uma artista de terceira. Ela era do mundo de Beuys e de Christos, tinha desprezo pelo rock e pelos Beatles. O que ela faz/fez? Avacalhou. Lennon, um perturbado rapaz caipira da caipiríssima Liverpool entrou de gaiato. Well...Os Beatles iam acabar de qualquer jeito, mas a vida de Lennon seria diferente sem ela. Melhor talvez. Os discos solo seriam mais soltos, com certeza.
The Who faz o seu normal. O seu normal é sempre anormal. Keith Moon maníaco e sendo Moon, o mais original dos bateristas ( e o mais show-man ), Pete estupra a guitarra e Roger canta como sempre, muito bem. Ponto educativo: Percebemos mais uma vez que o Who NADA tem a ver com a cultura hippie radical de 68. A viagem deles era bem outra.
Marianne Faithfull, provavelmente a pessoa mais drunk da noite canta a mais pop das canções. Drogas nunca foram sinonimo de música ousada. Zappa e James Taylor provam isso.
E vem os Stones. Bem, Mick tenta por fogo na banda o tempo todo, mas não rola. A coisa não decola. Brian Jones está em estado de catatonia. Keith parece preocupado. Bill está tipo Bill, ou seja, não está. E Charlie gostaria de estar na cama com a esposa. Dormindo. Que amanhã é dia de trabalho.
É claro que NO EXPECTATIONS vale o dvd! A canção é tão genial, tão blue, fala tão dentro de quem já se fodeu, que é impossível ser estragada. Pois é....Dá pra ver John Lennon dançando em Sympathy for the Devil, e ver Lennon dançando...tirem as crianças da sala!
No fim, uma patética versão de Salt of the Earth. Pete e Keith Moon roubam o show de novo, estão na platéia e começam a zoar. Legal, algum bom humor nesta noite baixo astral.
Os anos 60 foi quando os loucos tomaram conta da zona. Alguns desses loucos enganam até hoje ( Timothy Leary, Che Guevara, filósofos pop star franceses ), os Stones sempre ficaram fora dessa. Aqui a gente vê o pior lado da década, ou seja, coisas sendo feitas na doideira, na curtição, bem louco, deixa fluir, numa nice. Claro que o perfeccionista Jagger ia vetar.
O rock era um circo, hoje é um bordel, e Jagger sabe/soube sempre isso.
Á MESA COM MONET, DE CLAIRE JOYES, NAUDIN E ROBUCHON, VIVER COM GOSTO
A editora Sextante lança dois livros nesse estilo ( e cheios do mais graúdo style ), "'A mesa com Proust", que ainda não li, e este. Terei de ser didático com voce? Penso que voce sabe da história desse admirável homem chamado Claude Monet. Então, claro, voce conhecer Giverny, a casa de campo, perto de Paris, que ele construiu. O jardim, as hortas, e o lago, tudo feito como se fosse "selvagem", natural, a toa; e tudo de uma precisão estética insuperável.
O título engana. Não vamos apenas a mesa, entramos no dia a dia do pintor. Sua rotina é descrita. Seus pic nics e seus jantares. O que ele comia, bebia, pedia. Comida feita por batalhões. Comer bem em 1900 dava trabalho e levava tempo. Aliás, o texto, belo e com sabor francês em ritmo e dicção, de Joyes, ressalta o tempo. Ela nos recorda que Monet foi dos primeiros franceses a ter automóveis em casa. Sua esposa amava a velocidade dos carros. Monet foi dono de três máquinas fumarentas. Um de seus amigos, um dos muitos, Heredia, abominava. Numa bela frase do livro ele diz que passear de automóvel destruia a capacidade de apreciar a viagem. Num carro toda árvore deixa de ter individualidade, ela vira apenas mais uma árvore. seja castanheira ou carvalho, apenas um monte de folhas que passa...
A obra, em capa e fotos bem cuidadas, é um prazer. Os amigos entram na casa, louças amarelas e azuis, paredes amarelas, lilás, e sentem o aroma: patos, tomates, vitela, galinhas, omeletes, saladas, sorvetes, tortas, frutas. Pêssegos, uvas, bananas, melão. Vinhos e champagnes. O marc e o calvados. Chá e café. Chocolate. O dandy Whistler, o melhor amigo, Rodin, o bem-vindo Mallarmé, Paul Valéry, Clemenceau, Sacha Guitry...e Degas, Renoir, Pissarro...Se come, se canta, se caça, se ri muito. A familia enorme, os genros americanos, ingleses, Sargent.
Terminar 2013 lendo esta delicia é uma homenagem a este belo ano que se vai e a este belo ano de 14 que começará.
Paz, cor e calma. Luxo. É isso.
O título engana. Não vamos apenas a mesa, entramos no dia a dia do pintor. Sua rotina é descrita. Seus pic nics e seus jantares. O que ele comia, bebia, pedia. Comida feita por batalhões. Comer bem em 1900 dava trabalho e levava tempo. Aliás, o texto, belo e com sabor francês em ritmo e dicção, de Joyes, ressalta o tempo. Ela nos recorda que Monet foi dos primeiros franceses a ter automóveis em casa. Sua esposa amava a velocidade dos carros. Monet foi dono de três máquinas fumarentas. Um de seus amigos, um dos muitos, Heredia, abominava. Numa bela frase do livro ele diz que passear de automóvel destruia a capacidade de apreciar a viagem. Num carro toda árvore deixa de ter individualidade, ela vira apenas mais uma árvore. seja castanheira ou carvalho, apenas um monte de folhas que passa...
A obra, em capa e fotos bem cuidadas, é um prazer. Os amigos entram na casa, louças amarelas e azuis, paredes amarelas, lilás, e sentem o aroma: patos, tomates, vitela, galinhas, omeletes, saladas, sorvetes, tortas, frutas. Pêssegos, uvas, bananas, melão. Vinhos e champagnes. O marc e o calvados. Chá e café. Chocolate. O dandy Whistler, o melhor amigo, Rodin, o bem-vindo Mallarmé, Paul Valéry, Clemenceau, Sacha Guitry...e Degas, Renoir, Pissarro...Se come, se canta, se caça, se ri muito. A familia enorme, os genros americanos, ingleses, Sargent.
Terminar 2013 lendo esta delicia é uma homenagem a este belo ano que se vai e a este belo ano de 14 que começará.
Paz, cor e calma. Luxo. É isso.
LITORAL E VALE DO PARAIBA- FOTOS DE IATA CANNABRAVA, TEXTO DE MARGARIDA GORDINHO
Termino esse delicioso livro. Montes de fotos, de 2012, das cidades do litoral de SP. Tudo que foi tombado. Santos tem dezenas de coisas interessantes, mas Lorena, Bananal, Pindamonhangaba...que beleza! Eu amo essa mata invadindo tudo. Entrando pelas entranhas, pelas rachaduras, pelas pedras. Fazendas de uma estonteante beleza. Ruas pacatas. E sempre a Serra ao fundo. E a chuva que vem.
Comprado na Fnac, editado pela Secretaria de Cultura, eis um lindo presente de Natal.
Comprado na Fnac, editado pela Secretaria de Cultura, eis um lindo presente de Natal.
O MEU ESPORTE : CAMINHAR POR ENTRE OS TUMULOS DAQUELES QUE FIZERAM ESPORTES POR TODA A VIDA
""o meu esporte favorito é caminhar entre os túmulos daqueles que passaram a vida fazendo esportes". Essa frase é de Peter O`Toole e eu não a conhecia. Leio hoje, na nova Isto É, um texto muito bom de Giron sobre Peter.
Conheço Giron desde 1987. Dele foi o melhor texto sobre Bryan Ferry escrito no Brasil. Na Folha. A Ilustrada de Suzuki.
"Produtores de cinema de Hollywood são todos porcos. Nunca conheci um que não fosse." Essa frase deve explicar as oito vezes em que Peter perdeu o Oscar. Well, ela condiz com aquilo que Peter dizia ser ( e era ), um esquerdista radical que amava tanto os grandes sucessos como as vaias apaixonadas. Teve logo os dois. Aplausos pelo Hamlet que fez em Londres, dirigido por Olivier, em 1964, e vaias em seguida, por um texto de vanguarda, feito em 65. Tomates voaram ao palco e o acertaram. De verdade!
Giron descreve maravilhosamente o modo como Peter atuava. Vendo-o logo sentiamos sua fragilidade. Apesar de alto, ele era quase feminino. Noel Coward chamou seu Lawrence da Arabia de Nancy da Arabia. Para fazer o papel, eu desconhecia isso, ele passou meses vivendo com beduinos.
Mas tudo mudava quando ele abria a boca e atuava. Era viril, mais que isso, agressivo. Gestos amplos, falas altas, quase a histeria. Giron atenta para os olhos de Peter. Belos.
Fiel a sua classe social e sua Irlanda natal, Peter sempre uniu esse seu espirito etereo com a agressividade da anarquia. Foi fiel a si-mesmo. Tinha de ser posto em geladeira. E nunca deixou de provocar.
Queria ser jornalista quando jovem. Aos 15 anos estava empregado. Mas foi ver Michael Redgrave em Lear e isso mudou sua vida. Quis ser ator! Na escola dramatica conheceu Alan Bates e Albert Finney. A melhor das turmas desde 1925. E os excessos vieram, bebida, mulheres, brigas.
Hollywood o queria como um novo Cary Grant. Ele foi ser Peter O`Toole.
Como disse Giron, sossego post-morten. Peter se cala agora.
Foi grande em tudo. Nunca no meio, nunca o banal.
Na mesma revista...
Quem viu o filme CADA UM FAZ O QUE QUER ( FIVE EASY PIECES ), de Bob Rafelson, sabe o que Belchior sentiu. Como Jack Nicholson, como Larry em O Fio da Navalha, ele se desvencilha das coisas da vida e acha seu mundo.
Em tempos mais liberais seria tudo bem aceito e nada misterioso. Em 2013 se torna o graaaande misterio!
Deu?
Conheço Giron desde 1987. Dele foi o melhor texto sobre Bryan Ferry escrito no Brasil. Na Folha. A Ilustrada de Suzuki.
"Produtores de cinema de Hollywood são todos porcos. Nunca conheci um que não fosse." Essa frase deve explicar as oito vezes em que Peter perdeu o Oscar. Well, ela condiz com aquilo que Peter dizia ser ( e era ), um esquerdista radical que amava tanto os grandes sucessos como as vaias apaixonadas. Teve logo os dois. Aplausos pelo Hamlet que fez em Londres, dirigido por Olivier, em 1964, e vaias em seguida, por um texto de vanguarda, feito em 65. Tomates voaram ao palco e o acertaram. De verdade!
Giron descreve maravilhosamente o modo como Peter atuava. Vendo-o logo sentiamos sua fragilidade. Apesar de alto, ele era quase feminino. Noel Coward chamou seu Lawrence da Arabia de Nancy da Arabia. Para fazer o papel, eu desconhecia isso, ele passou meses vivendo com beduinos.
Mas tudo mudava quando ele abria a boca e atuava. Era viril, mais que isso, agressivo. Gestos amplos, falas altas, quase a histeria. Giron atenta para os olhos de Peter. Belos.
Fiel a sua classe social e sua Irlanda natal, Peter sempre uniu esse seu espirito etereo com a agressividade da anarquia. Foi fiel a si-mesmo. Tinha de ser posto em geladeira. E nunca deixou de provocar.
Queria ser jornalista quando jovem. Aos 15 anos estava empregado. Mas foi ver Michael Redgrave em Lear e isso mudou sua vida. Quis ser ator! Na escola dramatica conheceu Alan Bates e Albert Finney. A melhor das turmas desde 1925. E os excessos vieram, bebida, mulheres, brigas.
Hollywood o queria como um novo Cary Grant. Ele foi ser Peter O`Toole.
Como disse Giron, sossego post-morten. Peter se cala agora.
Foi grande em tudo. Nunca no meio, nunca o banal.
Na mesma revista...
Quem viu o filme CADA UM FAZ O QUE QUER ( FIVE EASY PIECES ), de Bob Rafelson, sabe o que Belchior sentiu. Como Jack Nicholson, como Larry em O Fio da Navalha, ele se desvencilha das coisas da vida e acha seu mundo.
Em tempos mais liberais seria tudo bem aceito e nada misterioso. Em 2013 se torna o graaaande misterio!
Deu?
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