BOB, LE FLAMBEUR - UM FILME DE MELVILLE, REI DO COOL

O início já marca o tom: em poucos segundos voce já está capturado. O filme é madrugada, é seco-árido, urbano, é de macho!
Vemos Montmartre. Montmartre ainda com cheiro. O bairro cheirava e fedia. Tabaco, anís, urina, frituras, fumaça de carro, perfumes de putas, cachorro molhado, papel. A câmera ,de Henri Decae, viaja pelas esquinas nas primeiras horas da manhã. Parece um quase documentário. Mas então Bob entra em cena.
Bob é um jogador. Ganha a vida no jogo de bares suspeitos. Bob bota ordem entre os pequenos gatunos de araque e entre as damas da madrugada. Cumpriu pena e se fez amigo de policial. Vive só, e se encanta por jovem putaine, uma vagabunda muito jovem que está sempre ok.
Mas atenção!!!! Bob jamais se apaixona! Com ela ele é apenas um protetor. Bob é macho pacas! Ele usa sobretudo, fuma Galoises sem filtro e nunca sorri. Bob quer sobreviver, eis tudo. Bob seria Bogart mais Sartre. Lembramos que Bogart foi criado por Jean Gabin. No fim, tudo é França.
Bob quer um último golpe. Roubar um cassino em Deauville. Conseguirá? Não conto o resto. Basta dizer que o final é surpreendente e perfeito. Bob vencerá?
Todo homem que assistir este filme irá querer ser Bob, Le Flambeur. Hoje estou cheio de maneirismos Bobianos. E este filme é jazz todo o tempo, é sexy toda hora e tem uma fotografia em p/b que é ensaio sobre estilo cool. Talvez seja o mais cool dos filmes já feitos.
Jean-Pierre Melville o dirigiu. É uma obra-prima. Melville não se chamava Melville. Adotou o nome em homenagem ao autor de Moby Dick. Jean-Pierre tinha paixão pelos yankees. Se Gabin criou Bogart, Bogart melhorou Gabin e Bob refinou Bogart. O mundo gira e Montmartre fede.
È um cinema sem tempo. Tarantino e Soderbergh estão neste filme. E mais um monte de coisas boas deste século XXI. Este filme estava cinquenta anos à frente. Melville é o cara.
Bob, le Flambeur. Do cacete!!!!!!