A ERVA DO DIABO - CARLOS CASTANEDA
O Brasil de 1975 era muito estranho. Havia uma ditadura, pois não podíamos votar para presidente. Havia censura, alguns filmes não podiam ser exibidos, mas ao mesmo tempo voce achava Karl Marx exposto em vitrines, cantores contra o regime tinham músicas em novelas e ganhavam milhões e nas escolas as aulas davam um viés marxista a tudo. Como disse um filósofo de direita, o regime militar perseguiu e executou a guerrilha, mas deixou a esquerda tomar conta da cultura à vontade. Eram ditadores burros. Foi uma ditadura à brasileira. ---------------- Basta dizer que eles exilaram JK, Janio e destruíram Carlos Lacerda, nomes de direita ou no mínimo liberais. Mas o que eu via, em 1975 eu tinha 13 anos, eram bancas de jornais cheias de livros como este, A ERVA DO DIABO. Hippies liam isso. Sidharta também. Nelson Rodrigues, Jorge Amado, Erico Verissimo, pareciam estar em todo canto. Até supermercados vendiam livros. Eu lia outras coisas. -------------------- Lançado em 1968, por um antropólogo peruano que vivia na California, este livro vendeu milhões e milhões de exemplares. No lançamento foi bastante elogiado. Ele acertava em cheio o espírito da época, o desejo de explorar a mente e ver outras realidades. Mas a coisa mudou a partir de 1972, quando se percebeu que tudo ali era ficção. Vendido como experiência real, ao descobrirmos que tudo é invenção, vemos em nossas mãos o livro perder todo valor. Fosse testemunho de efeito real de uma droga haveria um interesse jornalístico. Como história inventada, é fraco, bem fraco. ---------------- Um jovem conhece Dom Juan ( tão óbvio que esse homem é inventado ), um índio mexicano. Esse índio lhe administra peyote e o livro narra as viagens mentais do jovem. Welllll..... eu li esperando algo de poético, ou místico, ou plástico, ou sei lá. Mas não. As viagens são monótonas, estranhamente entediantes. E as descrições são escritas sem nenhum sendo de poesia. Filosoficamente ele não tem nada de nada. É um livro banal. Nada maluco, nada ousado, nada instigante. Então porque em 1968, 1970, hippies o amavam? Porque fala de drogas. Só isso. Assim como nos anos de 1930 qualquer livro que falasse de sexo parecia bom, em 1968 tudo que falasse de drogas era considerado relevante. Desse modo, muitos discos, filmes e livros ruins foram alçados ao status de cult só por terem relação com a cultura da droga alucinógena. É certo que em 2025 há muita coisa ruim sendo vista como cult por tocas no assunto desta época. ----------------------- Esqueçam Carlos Castaneda.