TRANSPARÊNCIAS - VLADIMIR NABOKOV

   Eis aqui o livro de 1972 de Nabokov. Curto. Conta a aventura, se é que se pode chamar disso, patética, muito patética, de um jovem revisor de livros. Na Suíça ele se apaixona por Armande, liberal e misteriosa. Nosso herói é sonâmbulo. Foi internado em hospícios. Entrevista um escritor velhusco e tarado. Comete um crime. Casa-se. Lembra do pai. E divaga...A melhor frase do livro se encontra em seu final. Não irei a repetir. Mas, brilhante, ela meio que elucida todo o sentido de romance tão confuso. E simples.
  Existem dois tipos de escritor. O que escreve com enorme luta, imensa dificuldade; e o que escreve fácil, produz muito, como quem respira. Nabokov, assim como Dickens, Balzac, Greene ou Updike, escreveu muito, sem parar jamais. E, óbvio, em meio a tanta coisa, encontramos textos geniais e outros que parecem automáticos. Este é um dos automáticos. Fácil perceber que ele escreve com pressa, quase se repete, cumpre uma obrigação ( com ele mesmo, seja bem frisado ). Nada há de ambicioso aqui. Mas entenda, nada de ambicioso para o homem que escreveu Pale Fire. Este romance está longe de ser vulgar, comum ou simples. Em 1972 Nabokov era o escritor mais festejado do mundo, e ele sentia a febre de ter de escrever sem parar. Revistas, jornais, produtores de filmes, todos queriam algo dele. Eu ainda peguei o fim dessa onda. Nabokov morreu em 1977, sendo criança, recordo dele vivo, escrevendo contos para a Playboy e sendo muito bem pago por isso. Não ache indigno! Todo autor dos anos 60 e 70 escrevia para a revista.
  130 páginas esquisitas.