KIRK DOUGLAS

   Não havia ator melhor para expressar raiva. Raiva contida, raiva que explode. Seja fazendo um lutador de box, um escravo ou um cowboy, Kirk nos fazia admirar a raiva. Foi além de tudo, na vida pessoal, um inconformado. Além de desafiar proibições, comprou os direitos de UM ESTRANHO NO NINHO ainda nos anos 60, e se viu depois velho demais para o protagonizar. Seu filho Michael o produziu então. E foi o que foi.
  Kirk era bonito sem parecer delicado, fazia humor e jamais perdia a elegância e foi uma estrela sem perder a dignidade. Uma estrela...para quem chama atores como Benedict ou Adam de estrelas, chega a ser humilhação pensar em Kirk. Ele é uma estrela de 8 décadas! De um tempo em que uma estrela lotava salas independente de que filme fizesse. O nome no cartaz arrastava multidões. Estrelas de hoje não são assim. Mesmo Brad ou Leo dependem do tipo de filme que fazem. Seus nomes não garantem lucro.
  Meu pai adorava Kirk. E via qualquer filme que tivesse seu nome. Wayne, Kirk e Mitchum, esses eram seus favoritos. Douglas está no meu top dez. Seu filho Michael carrega um pouco de seu carisma. Mas só um pouco. Foi uma longa vida. Agora ele se une aqueles de seu tamanho: Bogey, John, Gary Cooper, Stewart. Burt Lancaster, com quem ele fazia uma dupla perfeita.
  Caramba! Eles eram gigantes...