OS DOIS NEURÔNIOS

Há gente que tem apenas dois neurônios, e por isso enxerga tudo em termos de SER contra ou SER a favor. Explico. ---------------- José mora em Goiás. Nada contra. Ele pegou seu carro, e foi prestar ajuda aos moradores da cidade do Paraná que sofreu a tragédia do tornado. José é bolsonarista. Como pensa o ser com dois neurônios? Sou contra bolsonaro, portanto, sou contra esse tal José. Foda-se ele. A mesma coisa acontece com Pedro. Ele ajuda cães abandonados. E o cara de dois neurônios é contra Pedro porque ele votou em Lula. --------------- Para entender um ser humano, tentar o conhecer, são precisos bilhões de conexões cerebrais e mais uma imensa dose de intuição e de educação. Sim, voce tem todo direito de odiar qualquer um dos dois, mas dê motivo para isso, um bom motivo. --------------- Pensar em termos de contra ou a favor é pensar em termos de futebol, sou contra o Vasco porque sou Flamengo. Fim. Isso serve para torcer, mas não para julgar nada. -------------- Falei em julgar? Eis um belo exemplo! Juizes julgam, mas no STF eles torcem sempre. Tanto que eu tenho a certeza de que voce sabe o veredito antes do julgamento começar. Aliás, até a pena já se sabe. Eles a anunciam em jantares cheios de risos. --------------- Usar dois neurônios também favorece sua paz de espírito, paz hipócrita, mas é um tipo de paz de avestruz. Se centenas de pessoas estão presas por terem invadido um prédio público, sem armas, sem feridos, e pegaram 14 anos de pena sem direito à recurso, voce fica em paz e nem sente pena ao pensar que eles são DO OUTRO LADO e portanto, inimigos. Veja, voce não os conhece, voce não os individualiza, são como ratos, todos iguais. ------------------ Por outro lado, voce pede a individualização de gente armada que atirou na polícia. Voce grita para que cada um fosse julgado individualmente. Na realidade voce apenas torce, não pensa. Eles são dos meus, e são dos meus porque meus rivais não gostam deles. Fim. ----------------------- Eu gosto de Jung. De Henry James e de Nabokov. Adoro Bergman. Cinema francês e Bartok. Bergson e Wittgeinstein. Bebo e nada tenho contra erva em si, odeio o modo como ela é vendida. Sexualmente não creio em fidelidade. Não tenho religião definida. E sou bastante anti esquerda. Porque usando meu cérebro vejo que ela nunca funciona, e no caso brasileiro, é tragicamente mentirosa e desonesta. Me identifico com Milei e Meloni. Acho Trump um cara eficiente e sei que Bolsonaro foi apenas um bobo e isso não é crime. Mas veja, se voce tem dois neurônios eu sou apenas UM CARA FASCISTA. Não interessa meu discurso ou o que faço. Pouco interessa minha história e minha moralidade. Eu sou Vasco e voce é Flamengo. Vamos morrer nos ofendendo. --------------------- Para quem se interessar, a teoria dos dois neurônios é de Olavo de Carvalho, aquele cara que foi me ensinado ser um perigoso nazista e que ao o conhecer descobri ele ser antes de tudo um humanista cristão. Olavo adivinhou tudo que aconteceria no Brasil após a queda da Dilma. Na mosca. --------------------------- Humanos são complexos. Conheça-os antes de os julgar.

marcello e stefania

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SEXO E RISOS

Eu tinha 30 anos quando vi meu primeiro filme pornô. Era um dvd explícito. Fiquei chocado. Espantado com a tristeza daquilo. O sexo parecia em luto. ---------------- Uma amiga estava me contando, ela é jovem, de uma experiência sexual dela com um homem da minha geração. Ela adorou mas riu muito por causa das coisas que o homem falava. Foi então que me veio essa constatação: educados sexualmente com a Playboy, as piadas do Juca Chaves e do Costinha e as pornochanchadas brasileiras e italianas, minha geração vê o sexo como deboche, esbórnia, piada, carnaval de salão. Para nós o sexo foi vendido como ato de rebeldia, mas rebeldia alegre, adolescente, um alívio. ----------------- Minha amiga me diz que hoje não se brinca com sexo. É coisa séria sim. Não se ri no pornô atual. Se sofre. Se "come" a mulher. É tudo urgente. Há tensão. Há agressão. O prazer está no gozo, na ejaculação e nunca no riso, na brincadeira. ----------------- A transformação do sexo em ato sem alegria foi mais uma etapa da amortização da rebeldia no mundo. Um povo triste e com medo é fácil de ser dominado. Gente sem riso não pensa em mudar nada. Se submete à dor e a rotina. Por isso temos hoje um rock sem força, cinema sem hedonismo, arte sem sensualidade e até o sexo, veja só, sem risos. Para minha geração sexo será sempre uma alegre sacanagem.

Keith Richards - I'm Waiting For The Man (Lou Reed Cover) (Official Video)

SEM CONTRA-BAIXO NÃO DÁ!

Leio uma matéria onde se diz que a música feita hoje não tem contra-baixo. Na mixagem atual o som do baixo é eliminado. Agudos em volume ao máximo e sons graves mal definidos, é esse o timbre dos anos 2020. Waaaaaaallllll ( esse Waaaaalllll eu roubei do Paulo Francis ), eu ouvia hoje uma faixa maravilhosa do Wheater Report pré Pastorius, era Miroslav Vituous no baixo. A coisa é um frenesi erótico. E nessa hora percebi algo bem óbvio ( o óbvio demora para ser percebido ): toda música boa tem um som de baixo sublime. E provo: Beatles. Sim, Beatles. Repare. Tudo é guiado e embelezado por Paul. Abbey Road pode ser chamado de uma obra prima do contra baixo. Rolling Stones. Note o som do baixo em Jumpin Jack Flash, Gimmie Shelter, Under My Thumb, todos os clássicos. Não vou falar da música negra, eles sabem do valor do baixo. Eles sabem que o som do baixo não entra pelo ouvido, ele entra pelo umbigo, vem do chão e sobe para dentro do seu corpo. Mas veja Led Zeppelin. Deep Purple. As linhas de baixo do Iron Maiden. O modo como Bowie usou o baixo nas suas mais modernas canções. Os grandes baixistas do progressivo. Cream. E mesmo um grupo sem um baixista, como os Doors, tinham um som grave que era o que levava tudo adiante. No começo da década de 80 os baixos pulsavam influenciados pela disco music e pelo reggae. Mesmo que esse baixo fosse um teclado. E nos anos 90 Flea dos Chilli Peppers deu a dica: o baixo era o rei. Nas raves o que levantava o povo era o momento em que o som grave ficava em looping infinito. Uma festa para umbigos e outras partes íntimas. ---------------------------- Mas de repente, mais ou menos em 2010, isso mudou. O som baixado em phones não comportava o grave e se apostou nos agudos e nos sons de lata. A música virou uma sopa de sons compactados em alto volume. O estéreo morreu. A alta definição, cada timbre limpo em seu canto não fazia mais sentido: para que ficar dias mixando uma faixa se ninguém vai prestar atenção? E súbito desabou. A música se tornou uma voz e uma massa de som. E só isso. ------------------ Stanley Clarke toca agora em meu quarto e eu me balanço sem saber. É o contra baixo que me toma pela barriga. E eu deixo ir.

A BBC MENTIU E MENTE. SÓ ELA?

Se voce acompanha apenas a mídia oficial, toda de esquerda e por isso ideológica, voce não sabe que o chefe da BBC renunciou ontem. Não só ele. Vários diretores pediram pra sair. Por que? Porque anos atrás eles editaram um discurso de Trump, fazendo com que parecesse que ele incentivava a invasão do Capitólio. ( Aquela invasão que no Brasil foi porcamente imitada, inclusive quase na mesma data. A diferença é que na democracia esse ato foi tratado com vandalismo e todos estão soltos. Aqui, na ditadura do judiciário, isso foi um ato terrorista, terrorismo sem armas e feito por donas de casa de 60 anos. !4 anos de prisão sem direito a defesa ). Mas.... voce deve estar pensando, só agora eles pedem pra sair? Sim, pois lá como cá, atos pró esquerda demoram anos para serem julgados enquanto atos pró direita são condenados em 24 horas. -------------- De qualquer modo isso prova o quanto os veículos de mídia inventam um mundo fictício que jogue a favor de sua ideologia e demonize toda a direita ( começando pelo vocabulário usado. Toda direita é extrema direita e todo direitista é fascista. Quem duvida é negacionista e ser de esquerda é ser progressista ). Agora, neste momento, há uma discussão sobre a BBC, outra vez, pois se percebeu o óbvio, que todas as notícias sobre Israel são retorcidas para favorecer o Hamas. ----------------- Então voce pode dizer: mas existe mídia que apenas informe? E eu te respondo: existem as que distorcem menos e existem as que mentem todo o tempo. Para voce saber quais são observe o vocabulário usado e se eles dão voz ao outro lado. Simples. ---------------- Conheço gente que trabalha ou trabalhou em jornalismo e 90% deles pouco se importam com a verdade. Sem perceber, não são pessoas ruins, eles se preocupam em expor o "inimigo" e dar "boas mensagens", que mensagem? A superioridade ética intelectual moral da esquerda sobre qualquer tipo de direita. Para eles, TODO direitista é um semi analfabeto e todo esquerdista é cool. ---------------- A atriz Sidney Sweeney neste momento sofre uma pressão enorme dos meios de comunicação americanos para se retratar. Querem que ela peça perdão por ser branca e loira. Tudo por causa de um comercial de jeans. Ela, que não é uma dessas idiotas que representam 99% da Hollywood de hoje, resiste calmamente e não faz o papel covarde que lhe é imposto. Não vai demorar para começar a campanha que vai a colocar como "pessoa com problemas neurológicos" ou "ser com passado fascista". Já vimos isso ser feito com Mel Gibson e Tom Cruise. ----------------- Vejo de passagem uma entrevista com um dos responsáveis por esse novo filme Agente Secreto. Ele diz que há um movimento fascista no mundo. O que bebê? Voce realmente crê nisso? Então esses líderes que falam em diminuir o tamanho do estado, acabar com a censura e liberar o cara das obrigações estatais são fascistas? Mesmo? Será que esse ingênuo sabe que o lema de Mussoilini era TUDO PELO ESTADO. TUDO NO ESTADO, NADA CONTRA O ESTADO? ? ---------------------- Ou ele é burro ou pior, mal intencionado. Na verdade acho que ele é as duas coisas.

mulher

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RODIN, A ARTE. CONVERSAS COM PAUL GSELL

Rodin adquiriu uma fama em vida que muitos poucos conseguiram. Talvez apenas Wagner e Goethe, Victor Hugo e Picasso possam ser comparados. Ele explode no século XIX e vive ainda no século XX sendo aclamado e tratado como divindade. Não se discute Rodin, é um gênio e fim. O Pensador é a obra mais famosa do nosso tempo e é difícil negar isso. ( Mas o busto que ele fez de Voltaire é, para mim, melhor ). Então neste livro temos um amigo, Gsell, visitando Rodin,já velho, algumas vezes, em sua casa e em seus ateliês, e Rodin fala da vida, da arte e da beleza. Daqueles que ele admira. --------------- Rodin é um artista fora de moda porque ele fala coisas que hoje seriam problematizadas. Primeiro há nele ausência de ódio. Ele não ataca rivais, fala dos que ama. Não destroi o passado, o respeita e tenta não o copiar. Rodin ama a beleza e fala abertamente que tudo é belo, a dor, a doença, a fome, a guerra, basta saber olhar. A beleza não é moral, a doença e a fome são más, mas a beleza é tão poderosa que ela se mistura mesmo na maldade. O artista é aquele que vê isso e traduz essa força em sua obra. Ora, a arte moderna fala exatamente o contrário, ela diz que a beleza não existe, é uma invenção humana e que cabe ao artista mostrar a verdade, e essa verdade é feia. ( Fato interessante é que eles nunca suspeitam que se o Belo é artificial, o Feio, como seu oposto, também o é ). O artista atual seria aquele que estraga o prazer, que vê a podridão em tudo que parece saúde. Rodin diz o contrário, o artista vê a beleza na podridão. Ele não nega a morte ou a carne podre, mas percebe a beleza. ------------------ O que é beleza? Para Rodin é o caráter. Caráter sendo a força, a alma, o espírito por detrás da carne. A beleza é tudo aquilo que FALA, seja um gesto, um olhar, uma tensão, uma ruído. A união de tudo isso faz o que se chama BELO. ----------------- E para ele, nada é mais belo que o corpo humano e no corpo humano nada se compara a beleza de uma mulher. É a mulher o ser mais pleno de beleza em todo o universo. Impossível um artista ter a coragem de dizer isso hoje, não é? Seria chamado de assediador barato. Insincero. Perverso. Ou mero charlatão. Ele seria levado mais à sério se afirmasse que nada é mais feio que uma mulher jovem. --------------------------- Há várias fotos de obras de Rodin e como disse, o busto de Voltaire me impressionou muito. Isso porque todo o homem está lá. O olhar vivo e complexo, o ar de deboche, a força da boca toda sua vida explicitada em uma pedaço de pedra. Belo? Muito. Belo por ser tão vivo e vivo sendo tão belo. É uma conversa bastante agradável esta.

A ARTE DE CALAR - ABADE DINOUART

Já em 1771, na França, o Abade Dinouart lança este pequeno livro onde ele constata que o excesso de livros faz com que em breve não haja leitores, apenas escritores. Ele sem querer antecipa a época da internet. ---------------- Na época da Dinouart havia uma grande novidade: o povo se tornara letrado. O analfabetismo nos países mais ricos caía a níveis baixos ( níveis que o Maranhão ou o Piauí ainda não têm ). Isso fazia, diz o autor, com que todo homem ou mulher achasse que seus mais banais pensamentos, suas ideias mais ridículas, merecessem ser impressas. Era portanto a hora de se aprender a calar. A dizer apenas aquilo que valesse a pena ser dito. ------------------ Claro que havia uma intenção política nisso. Era a véspera da revolução e Dinouart está na verdade pedindo para que parem de publicar tanta coisa contra o rei e contra a igreja. Como acontece hoje, por trás de toda crítica a "tolice" da internet vive o desejo de blindar O Poder constituído. Se publicava muita bobagem em 1771? Ora, o tempo jogou ao lixo tudo que deveria ter ficado sem voz. Se fala muita asneira hoje? Que cada cidadão escolha aquilo que ele deseja ouvir. Se for tolo ou for mentira, o tempo tudo revela. Calar jamais foi solução. Na verdade a realidade se impõe quando TUDO É EXPOSTO. SEM NENHUM SEGREDO. ---------------------------------- De todo modo, Dinouart dá belas dicas de como ficar calado mas ao mesmo tempo falar com o silêncio. As expressões faciais que tudo dizem. Os gestos que transmitem segredos. Atacado em seu tempo como livro mal escrito e mal arranjado, hoje é uma leitura simples e divertida.

AZUL PROFUNDO E A MENTIRA DO MUNDO DA ARTE ( SÓ DA ARTE? )

Uma obra de Yves Klein acaba de ser leiloada por 27 milhões de dólares. É uma tela pintada em belo azul profundo. Voce pode fazer uma igual em casa e talvez a sua fique melhor. ----------------- Meia dúzia de jornalistas semi letrados interpretam a genial mensagem da obra. O que eles falam pode ser aplicado à minha versão feita em casa. No caso fiz em verde para dar um tom ecológico e irlandês. --------------- Faz cem anos que a arte, a literatura, a música, o cinema, a política funciona assim. Amigos ou gente bem paga tece elogios a um certo personagem. Voce fica curioso. Ao conhecer a dita figura voce sente vergonha por não o apreciar. E se convence de que DEVE HAVER ALGO ERRADO EM VOCE E NÃO NA FIGURA FAMOSA. Automaticamente, todos aqueles que desprezam o "gênio" serão taxados de incultos e o clube daqueles que entendm o "gênio" se sentirão uns super extra cool humano. No fundo da sua alma voce sabe que aquilo ou aquele não vale nada, mas querendo fazer parte da "turma legal" voce finge gostar. Finge tanto que até acredita. ------------- Isso funciona para Yves Klein mas também para 90% das figuras da mídia impressa. Seja um cantor, um autor, um político ( há centenas de figuras ridículas que são elogiadas sem jamais terem feito nada ), filósofo ou cineasta. Basta estar no clube e para estar no clube há certas características que são infalíveis. ------------------ Usar palavras que não dizem nada mas que parecem ecoar algo. Ser bastante chato. Atacar família-religião-tradição. Ter uma sexualidade indefinida. Apresentar traços óbvios de psicopatia. Ser de esquerda porém democrático. Ser irônico. Ter origem sofrida. Fazer parte de alguma minoria ( que hoje ditam a realidade social ). E principalmente, ser amigo do editor do jornal ou do cara poderoso da TV. --------------------- Habilidade, originalidade, transcendência pouco importa. Assim como no mundo político hoje não tem valor algum a competência. São considerados valores burgueses. O que tem valor é parecer ser parte do clube. --------------------- É assim que centenas de artistas realmente talentosos são colocados ao canto. Quando não, ridicularizados. Gente que produz excitação, beleza, frisson real, que exibe técnica, refinamento, conhecimento histórico, verdade. Ou seja, gente que vive fora do clube da imprensa, do press release, dos coquetéis, das bienais. Gente do mundo real, e que portanto, não contam. -------------- Não é preciso que eu diga que o clube é composto de otários.

A ERA DO ESTADO

Faz agora 18 anos que trabalho no estado. E voce deve pensar: que hipocrisia, voce se coloca contra o estado e vive dele! Bem, a vida não é como gostaríamos e há fatos que nos obrigam a sobreviver como podemos e não como desejamos. É o mesmo problema com o tráfico de drogas. Conheço quem odeie traficantes e seja obrigado a comprar maconha deles. Veja, voce odeia matadouros e adora comer carne. Esses consumidores de maconha adorariam que ela fosse legal e que assim a produção saísse da mão dos assassinos e fosse para os campos dos produtores legais. Mas não há chance. País que produz droga nunca irá legalizar. Governo e tráfico trabalham juntos e é o negócio mais lucratico do planeta. --------------- Weelll....então eu trabalho no estado e sei então o que ele é. Ele não tem como funcionar. Pelo fato muito simples de que ninguém está preocupado com isso. Não há pressão do consumidor, empresa estatal não concorre com empresa nenhuma, e não há presença do patrão, todos são funcionários, ninguém paga o salário ou pode demitir. Então o clima é de relaxamento eterno. --------------- Mas há algo pior. O estado se tornou refúgio daqueles que deram errado no "mundo real". Dou um exemplo. Oswaldo é engenheiro. Mas por ser meio "aéreo", lento, desconcentrado, nunca conseguiu durar mais de 6 meses em emprego nenhum. Pois bem, com seu diploma de engenheiro ele pode dar aula de matemática no estado, sem precisar prestar concurso. E eis que a 10 anos ele dá aulas de matemática para jovens de 15 anos. Sem didática e sem nunca ter pensando em ser professor. Na verdade Oswaldo odeia dar aula. Ele não teve escolha. ---------------- O estado se tornou dessa maneira uma espécie de consolo para o fracasso. Voce não tem capacidade de dar aula no Dante Alighieri? Dê no estado! Voce é um péssimo administrador? Dê aula de projeto de vida no estado! Voce é um fracasso como psicólogo? Preste concurso, entre nos Correios e nunca mais se preocupe com desemprego! --------------------------- Falo isso porque não há campo pior. no estado. que o das artes. O "artista" apresenta um projeto medíocre, algo que ninguém quer ver, e se tiver o contato certo, levanta alguns milhões que garantirão sua vida por mais dez anos. Foi aprovada uma nova lei que irá cobrar 5% de imposto sobre a Netflix e outros serviços desse tipo. Esse dinheiro, na mão do estado, será usado para financiar o canal de governo e produções de conteúdo nacional. Coisas tipo Show da Faxina, um concurso de gastronomia ou um documentário sobre os artesãos do Maranhão. Claro que tudo super faturado. E com traço zero na audiência. Qual o sentido? Alimentar o exército de fracassados. E garantir apoio de uns poucos talentosos espertalhões. ( esses são os piores ) -------------------- Nunca na história do mundo fomos tão reféns do estado. Tudo o que fazemos requer autorização, vigilancia, cobrança, multa estatal. Metade dos brasileiros trabalha diretamente para o estado ou são associados a ele. Muitas vezes sem perceber isso. Cada movimento seu, cada projeto, cada passo tem o olho gigante de algum burocrata entediado te cobrando. Mais absurdo, há quem ame isso. Freud explica. Explica ? Pagar para ter coisas de graça é a malandragem mais ridícula da história. Mas se sentir seguro sob as asas de uma organização monstruosa que pouco se importa com a eficiência é doentio. Somos Brasil e somos escravos. Sempre. E forever.

SOBRE O MAL

Uma das piores crenças que graça entre intelectuais é a de que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe. Rousseau santificou a criança e por achar que o selvagem era infantil, também o santificou. Quem conhece uma criança sabe, ela não é boa. Uma criança é cruel com um animal alegremente e tiraniza os pais se não for impedida. Uma criança é amoral e a amoralidade é uma maldade. Como? ------------------ O que é maldade? Maldade é tudo aquilo que provoca dor física ou moral em uma outra pessoa que não deseja sentir essa dor. A maldade é uma invasão mental ou corporal que tem por objetivo violentar a integridade dessa pessoa. A maldade usa o outro para um fim que não é compartilhado por ela. Crianças fazem tudo isso e não é por fazerem isso sem consciência que esse ato deixa de ser doloroso, deixa de ser um mal. Maldade involuntária, talvez, ela é ainda maldade. ------------------ Aprendemos a ser bons pois nascemos egoístas. Quem nos ensina, ou deveria ensinar o bem é nossa família, nossa religião e nossa educação. Exatamente as 3 instituições que o mal ataca. A família é tratada como fosse um fardo. A religião como fosse opressão. E a escola é sequestrada por agentes da maldade. --------------- Se crianças devem aprender a compartilhar, a esperar, a abrir mão, a ceder, selvagens devem aprender a aceitar a tribo rival, o estrangeiro, o diferente, o que parece não familiar. Não se engane, eles estão sempre em guerra e usam alegremente a escravidão. Voce odiaria viver a vida deles e não é por falta de um phone ou um remédio, é por não encontrar a bondade. ------------------- Sim, voce pode me acusar de estar falando de um valor artificial e é isso que defendo. O bem é uma construção obtida com esforço. Na vida puramente natural o mal impera. Um leão velho é abandonado a morte e creio que se voce fizer isso com sua mãe será chamado de monstro. Entenda, nossos melhores valores são criações humanas. Ou divinas. Nada de nobre foi criado na natureza. ------------------- O mal pode ser casual, não proposital e isso não faz com que ele deixe de ser mal. O resultado é a dor e a destruição. Não relativize. O mal "sem querer" é mal. E há o mal proposital que tem por meta a obtenção de um ganho ou de um prazer. ---------------- O mal é simples, fácil de fazer, o bem requer educação, refinamento, esforço. O bem garante um mínimo de paz ao mundo, o mal é uma guerra sem fim de todos contra todos. ------------- O bem se paga com o bem, o mal se vence com a força. Chegamos ao ponto principal. ----------------- Não se destroi a maldade com delicadeza. Não se vence o mal com conversa. O mal é vencido ao se usar a linguagem do mal, a força física, o poder, a voz que fala mais alto. O bem, para ter alguma chance, deve se disfarçar de mal e penetrar no mundo do mal e sair de lá com a vitória: a certeza de haver menos mal no mundo. --------------- O mal ri do bem. O mal respeita o bem apenas se ele se mostrar mais forte. E força para o mal é PODER. Ser mais mortal. Não há outro meio. O mal se curva à força. Nada mais pode o deter. Pois a maldade jamais será extinta mas ela pode e deve ser REPRIMIDA. Na infância ela é reprimida pela educação e na vida adulta pela força. Sinto dizer, mas essa é a vida real. Sem vigiar e punir não se diminue o mal. Sem produtos fortes não se limpa a sujeira. Sem liderança não se assusta a maldade e se a maldade não teme ela aumenta. Sem parar. -------------------- O mal existe meu amigo. E ele, não se cura. Pois o mal se orgulha de sua força. Para dobrar esse orgulho há que se ter uma força maior: honra. Firmeza. União. Constância.-------------------------- Eu amaria dizer que o mal se vence com a bondade. Que a maldade se apaga diante do bem. Mas não é assim. O mal é vencido quando o BEM se mostra mais mortal que ele. Essa a linguagem que a maldade compreende. O rugido mais aterrorizante. E a força mais exuberante.

O TEMPO LEVA...PARA ONDE?

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ENCONTRO COM HOMENS NOTÁVEIS - G.I.GURDJIEFF

Gurdjieff nasceu na Armênia, no fim do século XIX e viveu até 1949. Entre seus admiradores temos Kate Bush, Robert Fripp e David Silvyan. Além do diretor Peter Brook que fez um filme sobre este livro com o ator Terence Stamp. A filosofia de Gurdjieff é simples: vivemos em sonho, nossa missão na vida é despertar. -------------- Leio este livro com a expectativa de uma narrativa mística, mas ele é uma bela aventura. Cada capítulo fala de uma pessoa que ele conheceu na sua vida e descreve uma viagem feita com essa pessoa. Viagens através de um mundo que não existe mais, aquele que havia na região que vai do Egito à India, da Russia ao Afeganistão, da Turquia ao Irã. Reinos que não mais podem ser visitados. ---------------- Lendo fico pensando no que havia de diferente no mundo de então. E uma coisa se nota: as duas coisas que mais odeio no mundo de 2025 tinham uma presença bem menos no planete de 1900: a imprensa e os governos. O que vemos são cientistas, pesquisadores, arqueólogos, executando seu trabalho sem nenhum apoio estatal ou de qualquer universidade. São indivíduos que se metem a cumprir uma missão SEM DEVER OU OBRIGAÇÃO PARA NADA OU NINGUÉM. Livres portanto. E não há o menor sinal de propaganda ou cobertura de algum veículo de mídia. ------------- Na introdução do livro, Gurdjieff demonstra o porque de seu ódio, já em 1920, ao maior mal de então, o jornalismo. O modo como um autor, um político, um artista era colocado em evidência nunca por mérito mas sim por favor, amizade, patrocínio, puxa saquismo. A maneira como uma opinião se tornava A CORRETA só porque era impressa em um jornal, onde um garoto de 20 anos, filho de alguém do meio, podia posar de sábio apenas por ter uma coluna em um jornal. --------------- Quanto ao poder estatal, basta dizer que se o estado ajuda voce em seu trabalho, obviamente, voce nunca irá se colocar contra quem paga suas contas.------------------ Segundo o autor, essas duas forças matam nossa indivdualidade e assim nos fazem viver uma vida de sono em meio a opinião imposta. -------------- O despertar se dá ao reconhecer que não temos dono, somos emoção com pensamento com razão com corpo. E que vivemos num aqui e agora que é todo o universo que podemos provar. Como vê, nada de muito sofisticado, mas volto a dizer, como livro de aventuras vale muito à pena. Malandro, esperto, fazendo artimanhas nada honestas para ganhar a vida, Gurdjieff é um pensador que vive na realidade e se move entre gente e desejos.