GAUGUIN - LAWRENCE E ELISABETH HANSON

Uma vasta biografia de Gauguin em edição de Portugal publicada em 1976. Felizmente eles não romantizam, o pintor francês surge como aquilo que foi, um enigma. Tendo passado cinco anos no Peru, quando criança, Gauguin jamais esqueceu a cor e o calor do país americano. Vaidoso, silencioso, ele foi corretor bem sucedido na Bolsa de Paris e se casou com uma dinamarquesa que jamais o entendeu. Pai de vários filhos, começou a pintar e não parecia ter talento. Larga tudo aos 35 anos e se faz artista como ocupação integral. A partir daí, a vida de Gauguin é uma luta sem fim por dinheiro e por reconhecimento. Dos seus contemporâneros, Monet e Renoir o desprezaram, Degas viu seu valor, Cézanne o detestava. Van Gogh o via como mestre e irmão. Gauguin não era fácil. Orgulhoso, achava que as pessoas deviam o ajudar, se via como nobre, como ser especial. Mas ao mesmo tempo, ele era sincero, fiel à família, sempre otimista, sempre crendo em sua arte e que tudo iria mudar. Tivesse vivido mais 5 anos, apenas 5 anos, teria dado a volta por cima, sua arte passou a ser apreciada quando Matisse e Picasso surgiram para o mundo. Mas ele morreu antes, no Tahiti. ------------------ Quando se fala em Gauguin logo se pensa em ilhas do sul, mas na verdade ele passou relativamente pouco tempo por lá. Gauguin era irriquieto e viveu em Paris, Copenhaguem ( odiou ), na Bretanha, no sul da França, no Tahiti e na Martinica. Ainda trabalhou no canal do Panamá e foi marujo na pós adolescência. Ele procurava a simplicidade, o básico, o real, o primitivo. Dizia que só as crianças e o selvagem entendem a vida. Era um anti intelectual, apesar de culto, um europeu que amava e odiava a Europa e nisso foi um precursor. Gauguin foi um hippie quando ainda ser hippie era um risco de vida, um absurdo, uma loucura. Quando não havia a moda de se cair na estrada, de se romper com a civilização. Ele, em 1880, 1890, inconformou-se com a sociedade, rompeu com a arte de então e viveu de acordo com aquilo que ele era: um buscador. --------------- Todo adolescente inteligente, se conhecer Gauguin irá se identificar com ele. Livre e irriquieto, ele foi e ainda é o sonho de muita gente, mesmo que sua vida tenha sido um pesadelo. Ele não posava de artista rebelde porque esse modelo ainda não existia, foi criado por ele. Mais que Manet ou Courbet, é Paul Gauguin quem cria o persoangem do pintor que se isola e cria arte. Do artista que fez fama após morto, do homem que não se vendeu. É uma figura admirável e dos poucos artistas que podem ser chamados de heroi, no caso, anti heroi.