SOBRE OS COVARDES

Quando Nietzsche falava sobre a valorização dos covardes e dos ressentidos, eu sei que ele tinha em vista muitos religiosos. O filósofo alemão percebia na religião uma forma de fugir às responsabilidades individuais e se refugiar no grupo. Nietzsche via também, com acerto, que a humildade escondia a vaidade e que o Reino dos ùltimos era uma vingança contra os fortes. Mas há algo que ele não percebeu ou não teve tempo de notar: a coragem que a religião requer. Os primeiros cristãos nada tinham de medrosos ou de acomodados. Minoria das minorias, eles eram mortos, perseguidos, acusados, viviam como ratos, escondidos em cavernas e buracos. Do mesmo modo, na Idade Média nada havia de fácil nos jejuns e nas guerras a que os cristãos se expunham. Havia a disposição em se obedecer e seguir algo que exigia imensos sacrifícios. Era sim uma forma de heroísmo. O problema é que no tempo de Nietzsche e no meio onde ele viveu, ser um luterano ou até mesmo um judeu rico nada tinha de desafiador. Era cômodo, pior, era hipócrita. --------------------- Para voce entender o que digo basta ir à USP ou a qualquer universidade moderna e OUSAR falar de Deus no meio de uma discussão filosófica. É necessário firmeza e coragem e provavelmente após a discussão voce será colocado de lado, como um tipo de "idiota parvo". Cada período histórico tem seu modo de ser covarde e se na Londres de 1900 ser gay era ato de desafio, na Londres de 2023 ser gay é quase uma rotina. O corajoso, como falo no post abaixo, segue aquilo que ele é, não importando a moda do grupo, a imposição dos amigos ou o momento histórico. Ele é um indivíduo e nisso tanto Nietzsche quanto Jung foram perfeitos. ------------- Por fim, para voce entender onde estamos, ontem falei a dois alunos que sou uma pessoa única e que eles também o são. Com horror e para minha surpresa, ambos disseram que NÃO QUEREM SER DIFERENTES, QUEREM SER COMO TODO MUNDO É. Weeellll....os dois têm 15 anos e se aos 15 anos adolescentes pensam assim, então o trabalho de repressão do poder atual está muito bem feito. É isso.