BELEZA E TRISTEZA- KAWABATA ( A BELEZA DO JAPÃO E DAQUI )

Livro final de Kawabata. Quem quiser o conhecer leia O PAÍS DAS NEVES. Ou KYOTO. Este é o pior. Mas aqui se fala do conceito de beleza japonês. A beleza ( sentido absoluto da vida para eles ), como retensão e repressão. O que é belo é aquilo que se liga a depuração máxima, tensão de espera, atenção em seu limite.
O Japão é pequeno. E é frio. Para sobreviver sempre foi preciso saber guardar, saber valorizar o mínimo. Cada flor que nasce é uma paisagem, todo canto de jardim é um deslumbre. O japonês aprende então a olhar o detalhe, a saborear com lentidão tudo que se desvanesce.
Que outro país excursiona para ver uma árvore florir?
Quando japoneses fotografam tudo, não existe ali o deslumbramento, o que mora nesse ato é a tristeza pela beleza que morre. A foto é a tentativa de a guardar viva.
Prende-se o cabelo, disciplina-se o corpo, cria-se um ritual para falar, para caminhar, para decorar, para o chá e a morte. Apruma-se a elegância. Cada gesto é um refinamento ( repressor e anti-natural ) de um ato grosseiro. Congela-se a animalidade e ritualiza-se a carne ( até o suicidio, elegancia na morte, ritualização do inescapável ).
A beleza torna-se tristeza, porque tudo o que é belo passa a ser retensão de impulso. Nada é natural, tudo é calculo. A beleza então confunde-se com melancolia ( e quantos ocidentais não sofrem dessa doença de pensar que a alegria nunca é bela? ).
Na Europa, no mundo árabe, isso não se faz tão acentuadamente. A exuberância é muito maior, a beleza é feita da tensão entre real e ideal; e na África toda beleza é sempre feliz. A exuberância como lei. Quando a imensidão sem fim das Américas nasce, a beleza se torna indomável, tudo o que é bonito é forte, grande, potente e natural.
Quem me conhece sabe que adoro o ritual e a religião do Japão ( religiões ), porque lá vejo o absoluto oposto ao que sou e sinto. Pois sou o desregramento da mata atlântica, o excesso de praias perdidas e o sem fim dos desejos ocidentais.
Nada disse sobre o livro do Kawabata. Mas o livro é bem isso. Falei....