OS PRAZERES E OS DIAS - MARCEL PROUST, A MELHOR DROGA

Não conheço droga melhor que Proust. Ele faz com que sintamos a realidade de um modo totalmente diferente. Após ler um texto seu, cores, cheiros, vozes, tudo parece diferente, mais rico, mais exaltado. Reparamos nos detalhes, sentimos mais e melhor. Mas como toda droga, ele tem um preço e um mal, o preço é exigir que nos foquemos naquilo que ele diz e o mal é que há a melancolia da perda em tudo que ele escreve. ------------ Este livro é o primeiro que ele publicou, aos 23 anos, e estamos longe da saga do Em Busca do Tempo Perdido. Sentimos aqui um quase ensaio do que ele viria a produzir. Mas ainda não é o autor do parágrafos sem fim, dos aprofundamentos radicais, da feitiçaria do tempo. Composto de vários textos, esta obra abrange contos, poemas em prosa, poesia, comentários. Nada muito longo, mas já com uma complexidade original. Proust é incapaz de não escrever bem e de não produzir beleza. Algumas páginas brilham de tanta cor, de tanto perfume. A Morte de Baldassare é uma pequena obra prima e Violante um conto magistral. Já se nota a habilidade de Proust em compor sinfonias de vozes e de sentimentos, harmonias de palavras, climas musicais. A coisa se desenrola diante de nossos olhos e cérebros como fosse um sonho, sonho mais real que a realidade, daí o caráter de droga. Vicia.

CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO - HITCHCOCK

Se eu disse, em um post abaixo, que devemos lembrar que ao ver um filme de John Ford estamos vendo a obra de um homem do século XIX, digo que Hitchcock não, o inglês é já um homem do século XX. Em seus filmes vemos toda a neurose pós Primeira Guerra-Freud. Mesmo em um filme menor como este, não se trata de um grande filme, notamos como nada é o que parece, ninguém pode ser o que gostaria de ser e toda narrativa pode ser um engodo. Se todo filme de Ford é a afirmação de uma moral, todo filme de Hitch é a certeza do precário. Medo, dúvida, mudanças involuntárias, enredamento, cobranças, esse o mundo de Hitch e esse é nosso mundo ( ou era, o mundo de 2025 não é mais aquele do século XX ). -------------- Este filme, de transição, não é um dos grandes Hitch e talvez nem seja um bom filme. Percebemos que são três grandes cenas e que se cria uma história, bem forçada, para encaixar essas cenas. Entre elas, uma história que é quase desinteressante. ----------- Sim, eu continuo achando Alfred Hitchcock o maior talento da história do cinema e o mais atemporal dos autores, mas ele tem filmes bastante insatisfatórios, poucos, mas eles existem. Este é um deles.

Sinatra Basie, October 1965

It Was A Very Good Year (Live At The Sands Hotel And Casino/1966)

FRANK SINATRA NO SANDS AO VIVO

Gravado em 1966 no Sands em Las Vegas, este disco não tinha como ser melhor. Sinatra, maduro, aos 51 anos, tem controle absoluto da voz e é acompanhado por Count Basie e sua orquestra. Unindo todos esses ingredientes, o que temos? Um dos melhores momentos de Frank e isso significa que é um dos melhores momentos da música popular em qualquer gênero ou tempo. ---------------- A orquestra de Basie dá às canções um sabor viril, forte, cheio de testosterona. O toque dos metais é sempre feliz, ousado e o conjunto de baixo-bateria-guitarra é sacolejante. A voz de Sinatra pode se esparramar sobre essa cama de musicalidade swing. E ele aproveita. Estando em casa em Vegas, a voz de Frank abusa da dicção clara, do controle da respiração, e melhor que tudo, da emoção. Observe uma canção como IT WAS A VERY GOOD YEAR. Numa outra voz ela poderia soar melosa, talvez revelasse fragilidade excessiva, poderia ser uma exibição de lágrimas e gemidos, mas não com Frank. Ele sofre como Homem. Ou como homens deveriam sofrer. E por isso ele faz dessa canção uma obra prima. Mas não só ela. Todas as canções, eu disse todas, são superlativas, compêndios de arte musical. --------------- E o modo como ele tem o público nas mãos é delicioso. --------------- Voce leva sua mulher ao Sands e pede um Jack. Fuma dois Camels enquanto espera o jantar. Come um belo filet e conversa animadamente com ela. Então, durante o champanhe, entra Sinatra e canta FLY ME TO THE MOON, e voce pensa, perfeição. Sua mulher sorri e voce sabe que ela levaria Sinatra para a cama. Não importa. Ele é o cara e voce se sente o cara também. Então porque não mais um Jack e mais dois Camels? A vida pode ser triste às vezes, mas existe uma mulher, uma Lua e uma noite. E voce sabe que vale a pena. Ele faz valer.

BRUNO BETTELHEIM E A INFÂNCIA

Estou lendo o livro de Bettelheim sobre os contos de fadas. E adianto aqui uma bela informação. Crianças acreditam e devem acreditar no mundo anímico, mundo onde tudo é vivo e tudo pode falar. No mundo dela, animais sentem como humanos, pedras podem ser vivas, o sol nasce porque ele quer e cada dia é povoado por anjos, fadas e mistérios. Pois bem, se esse universo é violado por uma adulto, se ele não pode, por alguma razão, se plenamente uma criança, na idade adulta ela irá compensar essa perda. Como? Sendo a caricatura de uma criança. Crendo em ganomos, magia, astrologia, no querer é poder. --------------- Vejo diante de mim um homem de 40 anos. Ele usa uma blusa do Snoopy e bermudas listradas. O cabelo tem uma franja roxa e na mão ele carrega um livro sobre o poder das fadas. Tenho a certeza que ele teve pais que o obrigaram a aprender inglês aos 3 anos, ciências aos 5 e ser responsável aos 6. Ou pior, ele foi exposto ao mundo cru do sexo aos 7. Esse homem abobado, pronto para crer em qualquer bobagem que um adulto lhe diga ( sim, pois a mais trágica característica do adulto infantil é que ele crê em tudo que um adulto lhe diz, desde um cometa que irá bater na Terra, até o mais delirante socialista cínico ), esse homem de ursinho na mão ou essa mulher que parece uma pubscente aos 50 anos são aqueles que pautam o poder que domina o planeta hoje. Pautam, mas não comandam, isso porque os Soros, Putin, Trump ou Gates da vida foram crianças infantis e são adultos bastante realistas, tão realistas que sabem que ninguém é mais fácil de ser dominado que um adulto criança. Alguém como Musk sabe lidar com o mundo real porque viveu a fantasia quando ela estava presente em seu cérebro infantil. Entenda, um artista genial tem um pé na infância porque ele recorda o que viu aos 4 anos, ele viu porque viveu lá. Isso é totalmente diferente de um adulto que sente saudade de uma infância que ele nunca teve e chora com Bambi idealizando a criança que ainda vive nele porque jamais pode existir de fato. ------------------- A grande meta desta geração é poder ser criança para sempre. Penso que não pode haver meta mais vazia de sentido que essa.

O MONÓCULO, CONTO DE ALDOUS HUXLEY

Um homem usa um monóculo. Rico, jovem, ele anda pela rua na Londres de 1925. E se sente confuso. O monóculo foi comprado como um disfarce. Com ele, sua intensão era criar um "tipo", parecer mais seguro. Mas ele sente que para as pessoas pobres ele parece tolo e para seus amigos ricos, um pretensioso. Vai à uma festa e não entende o que faz lá. Um sulafricano bêbado zomba de sua cara, um amigo lhe quer tirar dinheiro e a moça que ele quer está envolvida com o sulafricano. Vai com um amigo para a rua, já bêbado e pensa, pensa, pensa.... --------------- Huxley faz aqui um conto de mestre. Entenda, escrever um conto perfeito é uma arte rara. Conseguir dizer tudo e conseguir criar personalidades reais em poucas páginas é ato de que domina uma técnica. Completamente. Entendemos tudo sobre o narrador, sua culpa por ser rico, o fato de não se sentir bem em ambiente nenhum, sua sovinice, sua falta de força. Ao mesmo tempo entendemos o quanto a reunião dos amigos lhe é insuportável, a chatice das pessoas repetindo sempre as mesmas piadas, os mesmos elogios, os mesmos gestos. Ele é um inadaptado, um outsider e este é um dos melhores contos dos anos 20, tempo em que se escreveram os melhores contos da história. Isso porque foi um tempo de extrema transição, de revoluções, de novas modas, de liberação total. Tudo o que voce acha que aconteceu nos anos 60 e 70 foi plantado nos anos de 1920. Leia e se delicie.

JOHN FORD

leia e escreva já!

NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS - JOHN FORD. VOLTEI A VER FILMES...

Hoje é o dia, após 14 meses, volto a ver filmes. Várias circunstâncias me fizeram parar. Meu aparelho de DVD quebrou. E cinema me recuso a ir. Serviços de filmes na TV não me interessam assinar. E estive ocupado com amores, livros, música e muito trabalho. Wellll.... tenho, pela última vez que contei, mais de 2.500 dvds, qual seria o primeiro a rever? Entenda que eu adoro rever meus filmes. Vi tanto filme na vida que 90% deles é como ver pela primeira vez, e claro, há aqueles que sempre retorno, são como ouvir um LP que voce adora, não canso de rever. Penso então em começar pelo melhor, Hitchcock. Mas não seria melhor um dos Irmãos Marx? Pego um John Ford. Recomeçar pelo começo, pelo Homero do cinema, pelo criador da linguagem do cinema. Qual filme? Nenhum dos meus favoritos, NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS não está entre os que me emocionam e será um bom teste para ver se ainda amo o cinema como amei sempre. -------------------- Começa e estranho. Ficção visual. Fique mais de um ano sem ver nada, nem série, nem novelas, nem filmes, nada e sinta o choque. Durante uns 5 minutos eu fiquei meio a deriva. Estranho. Mas aos poucos fui pegando o ritmo. Audio visual é isso, um ritmo. Voce precisa entrar na dança das imagens. Começo a dar os passos certos. Entro no filme. ----------------- Um grupo de pessoas, que não se conhecem, tomam uma diligência para viajar. Mas os índios estão em guerra e a viagem é um risco. O filme, muito famoso, muito bem feito, tem as marcas típicas de Ford, imagens lindas e personagens imensos. Ford amava pessoas e as filmava com respeito. Quando vemos Ford temos que lembrar que se trata de um homem do século XIX. Em seu mundo não há a descrença na humanidade. Ele ainda tem raizes. Ele ainda crê em várias coisas, família, nação, virilidade, feminilidade, dever, progresso, civilização. -------------- John Wayne se tornou um astro aqui, ele é Ringo, um bandido. O close que Ford dá, assim que Ringo surge, é um presente dado a um amigo. Já se disse que a diligência é um símbolo da nação americana. Os USA em miniatura. Tem um irlandês bêbado que é médico e boa gente. Um banqueiro ladrão. Uma mãe correta. Um missionário que vende bebida alcoolica. Um cavalheiro sulista que é jogador. E no centro de tudo, um bandido que é heroi e uma prostituta expulsa da cidade. Para Ford, os herois da América são eles, os dois marginalizados de bom caráter. O mito do rebelde. ( Do jazz ao rocknroll, da pintura abstrata ao político outsider, tudo nos USA tem como foco essa imagem do cara fora do círculo que brilha como referência. ----------------- Eu havia esquecido que o filme termina com um duelo na cidade e que o fim lembra aquele de Casablanca. E eu esquecera também o prazer de ver um filme bem feito. Não, ele não é monumental como os grandes Ford. Mas é um ótimo filme. Voltei!

DUAS OU TRÊS GRAÇAS - ALDOUS HUXLEY

Novela lançada em 1926, começamos a ler e logo encontramos o modo do Huxley dos anos de 1920: levemente satírico, bem descrito, vasto, elegante, crítico com discrição. O narrador, um jornalista bem estabelecido ( em 26 a profissão de jornalista ainda era digna ), homem racional, calmo, sem paixão. Bondoso. Ele reencontra um colega de universidade, um homem horrivelmente chato. Nesse ponto pensamos que o texto será focado nesse chato, uma crítica às pessoas enfadonhas. Mas não. O foco muda para o marido da irmã desse chato, um outro chato e lemos tudo sem sentir chatice nenhuma. É uma delícia. Surge então a irmã do primeiro chato, esposa do segundo chato e o narrador começa a sair com ela. O foco muda mais uma vez, achamos agora que o tema é o romance entre os dois. Eles vão a concertos, a museus, ela se abre com ele e o narrador percebe ser ela uma pessoa bondosa e vazia, uma criança entediada. Mas não se envolvem, a amizade é real. O foco muda. Ele a leva a conhecer um charlatão, um pintor modernista da moda. O foco agora é outro, é uma sátira ao modernismo vazio, modista, fake. Ela se envolve com o pintor e vira sua amante. Ela muda, se torna uma mulher moderna, liberada, sem culpa. Nela há o impulso por imitar e ela imita ao artista. Não há amor, ela se volta, como faz o pintor, ao hedonismo total. Mas o artista termina e ela fica sem chão. Passa a flertar com todo mundo, se torna quase vulgar. E então conhece mais um amigo do narrador, o intenso Kingham, um sádico. ----------------- Nesse ponto, nas últimas 30 páginas, o livro desanda. Huxley não é bom em histórias de paixão verdadeira, ele brilha como narrador filosófico. De todo modo, eis uma novela que se lê depressa, com vivo interesse, onde todo personagem parece vivo e temos vontade de, em certas páginas, dizer que se trata de uma obra prima. Mas não é. O que fica é um quase no ponto.

Venezia, Basilica di San Marco - L'interno

A BELEZA SUPERLATIVA. A SUSPENSÃO DO EGO. MUNIQUE. BARROCO.

SOMOS BARROCOS SEM FÉ

Li dois livros sobre o Barroco, um de Tapies e outro de Bazin. A coisa é bacana e tem a ver com sua vida de hoje, então leia. ------------- A Renascença foi época de valorização da calma, da ordem, da coisa feita com pureza de linhas, limpeza. Apesar dos arroubos de Michelangelo, nada é tão definido assim, a renascença tinha a ambição de ser grega, racional. Então veio a reforma de Lutero bagunçar tudo e a igreja Católica lança a contra-reforma. Ora, protestantes limparam as igrejas de enfeites, de imagens. A relação do fiel com Deus era a mais austera possível. Nada de santos ou anjos. Era sua alma com Ele. A reação do papado foi aumentar a riqueza, impressionar fieis pela imagem, pela assomboza beleza do Divino. É claro que não é tão simples, mas basicamente foi isso. Foi nesse momento que se criou uma divisão de visões de mundo. O norte austero, dando ênfase ao trabalho, ao dever, à limpeza, a ordem. E o sul europeu entregue a inspiração, a riqueza, ao exagero, ao impulso instintivo. O mundo barroco é mundo de super população de imagens, de arabescos, de curvas e ondas, de movimento, principalmente movimento. ---------------- Não é difícil distinguir uma pintura ou uma escultura barroca de uma clássica ou renscentista. A imagem clássica está sempre parada, posando, sem ação. É o momento congelado que define uma obra. Já no barroco tudo é movimento. A escultura está se movendo, a pintura foi pega em meio a uma exaltação. Tudo não está prestes a acontecer, tudo está acontecendo. Por isso nosso mundo, de movimento de incessante, de exageros, de ruído está muito mais afinado com o barroco que com o mundo clássico. Posto duas obras primas do barroco e as duas têm o mesmo efeito. Em meio a tanta beleza seu ego como que se dissolve a voce entra em uma outra realidade. É a procura da epifania e do êxtase. Quanto ao valor da obra, ela nos humilha. A habilidade de fazer coisas assim foi perdida. Não tenho a menor dúvida de que o apogeu do gênio humano já passou. Os últimos 3 séculos são de longa agonia.

O JOGO NA TERAPIA

Não é fácil viver em meio ao jogo de interesses que é a vida. Interesses afetivos, financeiros, desejos de segurança, de pertencimento. Somos mamíferos, precisamos do outro para existir. Dentro desse jogo, aprendemos desde muito cedo, a usar uma estratégia, e essa estratégia pode ser chamada de máscara. A máscara é aquilo que somos na presença de um outro, do público. Ela é tão cômoda, tão ajustada que acreditamos sermos apenas ela e nada mais. --------------- Aprendemos, observando, a agradar papai. A ter dele aquilo que desejamos. Ou de mamãe. Mas podemos também, por decepção, aprender a evitar papai. A se manter livre dele. Usaremos uma estratégia e provavelmente a levaremos vida afora. -------------------- Seremos o CARA ENGRAÇADO. Ou então o CARA QUE AGRADA-SEDUZ. Poderemos fazer o AMIGO ÚTIL ou o DOIDO. O que importa é que assim que recebemos um ganho com essa estratégia nos acomodamos nela e não mais iremos a largar. Em pouco tempo passamos a crer que somos uma estratégia e não um conjunto imenso de possibilidades. ---------------- Na minha adolescência ser rebelde era ter como estratégia, ou máscara, o SER ROQUEIRO. Cabelo comprido, jeans, cigarro, moto ou prancha de surf. A partir daí havia todo um jogo bem definido. Por ser do Rock, eu era deste modo e não daquele. Hoje esse rebelde usa cabelo azul e tem sexo indefinido. A consequência é a mesma: ele adotará um código rígido e se sair desse código irá perder o GRUPO, deixará de ter um papel "seguro" naquele palco. ----------------------- Acabamos reféns de nosso hábito. Como autômatos bem programados, paramos de reagir naturalmente e agimos automáticamente. Dentro do papel habitual. Para ser amigo de João devo continuar sendo o que sempre fui. --------------- Quando eu tinha 24 anos precisei ir à terapia pois meu papel na vida havia sido rasgado. Eu não queria mais aquela estratégia. Lembro que meu terapeuta me disse algumas vezes : " voce não precisa ser o paciente mais interessante do mundo". Por que ele dizia isso? Eu não entendia então. Hoje sei que eu criara uma estratégia: ser interessante sendo um neurótico complexo e bem esquisito. Era mais um papel e ele logo percebeu. ------------------ No espaço da terapia voce não precisa de um papel e a terapia funciona quando isso ocorre. Se voce é no jogo do mundo um ser charmoso, lá voce pode dispensar esse charme. Se voce é o engraçado simpático, não há porque ser dentro daquela sala de terapia. Voce pode e deve ser um nada de nada, para então começar a ser, talvez, voce mesmo. --------------- Mas por que isso acontece na terapia? -------------- Explico. Voce joga na vida para não perder o que possui e vir a ter o que precisa ( ou acha precisar ). Então, sem notar, voce segue um caminho fixo. Com Isabela sempre serei o amigo compreensivo porque sei que com ela "funciona". Desse modo não vou perder Isabela. Com minha sala de curos de história sou um intelectual satírico, pois sei que eles adoram isso e assim eu os "conquistei". Se eu não for assim, se eu mudar, posso OS PERDER. Ou seja, perder meu lugar seguro. --------------- Com o terapeuta não. Por mais chato, tolo, agressivo, inutil, inconsequente que eu seja, daqui a uma semana ele estará lá, na mesma sala, do mesmo modo, com a mesma disposição. Claro que eu o pago para isso, e o ato de pagar faz deste jogo um jogo limpo. É por dinheiro, mas por saber que ele não irá faltar eu me libero. Não preciso o seduzir. Eu o pago. ----------------- Lentamente vou me acostumando a esse novo jogo, onde eu não tenho obrigação nenhuma, apenas a de pagar, e assim não necessito ser o que sempre fui. Posso ser outro, talvez, com o tempo, me torne EU MESMO.