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CHOPIN E NOSSA ALMA

Jung dizia, e Hollis reafirma, que voce não encontra seu si-mesmo se viver imerso em distrações. Se voce temer o silêncio, se voce evitar pensar em solidão, se voce fugir do estar consigo mesmo, sua vida será uma farsa, um antro de ansiedade e frustração. Pois então se a música é a arte que mais chega perto da alma, é lógico constatar que essa arte nunca esteve tão distante do si-mesmo. Repetitiva, fútil, divertida, fácil, tola e cheia de horror ao que seja profundo, a música que se ouve hoje é fuga desesperada da alma. Ela, que sempre foi um convite à interioridade, nada mais é agora que mais uma distração. Histérica. --------------------- Vladimir Horowitz, um dos cinco grandes pianistas da história, seria hoje rotulado como autista. Longa carreira, seu toque era de extrema precisão e ao mesmo tempo cheio de sentimento. Romântico e bem humorado, foi uma figura única. --------------- Chopin foi um ousado harmonista. O piano era para ele como parte de sua alma. Ele criava mundos, seres e pensamentos em forma de música. E nos interiorizava. Pessoas ansiosas têm medo de Chopin, pavor. Sentem nele uma tristeza abissal. Não percebem que o que vive no abismo é sua alma que os chama e de quem eles têm panico. Chopin lhes lembra algo perdido, exilado e evitado. Cada nota, de uma beleza atemporal, é um passo para dentro, o interior que eles evitam. Exilado de sua terra, a Polonia invadida pela Russia, Chopin não falava de amor, ele falava da alma perdida. Horowitz, alma grande, recebe o polones com alegria e traduz para nós a sua existência. É um encontro. É um privilégio.

VLADIMIR HOROWITZ TOCA CHOPIN

VLADIMIR HOROWITZ TOCA RACHMANINOFF

Criticos não gostam de Rachmaninoff. Acham sua música popular demais. Hoje ele é um pouco mais aceito. Não muito. Talvez porque hoje nada no canon erudito seja popular demais. Eu gosto dele. Claro que há em sua música algo de exibicionista. É música feita para pianistas estrelas. Difícil de tocar, são milhões de notas. Ele jamais coloca duas notas, ele coloca dois milhões. O piano, o mais vaidoso dos instrumentos, rodopia em meio a acordes que nascem como gotas numa tempestade. O pensamento do autor russo é: Se é para dizer, façamos um discuro. Estou sendo severo? Claro que não. Em que pese seus exageros, Rachmaninoff é sempre belo. Estrela no começo da era da música gravada, negou a música de seus colegas ( Stravinsky, Prokofiev, Bartok ), por isso a má vontade da crítica. O mundo dele é o do romantismo de Liszt e de Chopin. Vladimir Horowitz, o mais mitológico entre os pianistas super stars, está em casa. Seus dedos sorriem. Todas as notas estão aqui. Neste cd da RCA, ele executa a sonata 2, o prelúdio 32 e o terceiro concerto, este com a orquestra da RCA sob Fritz Reiner. Tudo gravado ao vivo entre 1951-1981. Melancolia e brilho harmônico em doses sem avareza. Feliz o tempo que produziu coisas como essas.