Quem já assistiu algum filme de Cary Grant sabe do que falo. Ele parecia ter nascido dentro de um terno feito sob medida. Tudo nele era pura elegancia. Nunca afetado, sempre simples.
As mulheres o adoravam porque ele parecia ser protetor, adulto, confiável. Era bonitão, mas não tinha traços femininos. Jamais corria atrás das mulheres, parecia não precisar delas, parecia poder viver bem e ser feliz sem ninguém. Passava a imagem de alguém que sabe viver, sabe ter prazer, mas sempre com discrição, suavidade, tato.
Muita gente diz que George Clooney é a reedição de Grant.
Realmente ele tem o mesmo queixo, usa bem ternos sob medida, não ostenta sua natural elegancia e envelhece sem drama algum. Mas ele tem uma certa infantilidade que Cary jamais exibiu. Clooney é muito mais um Clarck Gable, mais macho que Grant, menos suave e um pouco desleixado.
De qualquer modo, George Clooney é o único ator com menos de 50 anos que une elegancia a virilidade, boas atuações com charme inteligente, um certo " não estou nem aí " que nele parece autentico.
Os outros atores de sua geração parecem muito pouco viris se comparados a ele ( Depp, Keanu, Pitt ) ou destituídos de qualquer sombra de atração ( Hanks, Carrey, Spader ).
Ele é uma anomalia neste tempo em que todo ator fala grunhindo, se veste como um pedreiro e se comporta como um presidiário.
domingo, 30 de novembro de 2008
quando voce cresce
Quando voce cresce as mulheres não te assustam mais. Aquela raiva impotente que voce sentia sempre, e exibia em forma de petulância inutil desaparecem. Voce não grita como gritava e passa a procurar a qualidade e não a quantidade.
Novidades só irão lhe seduzir se forem absolutamente originais e não a repetição do velho travestido em maneirismos cheios de botox. Voce quer o que vale a pena, o que é bonito, bom, durável.
Quando voce cresce aprende a escutar e a olhar. O brilho fácil perde seu encanto e o ruído se mostra aquilo que sempre foi: nada.
Nessa hora o rock se torna outra coisa. Deixa de ser uma ansiedade surda e se torna um prazer sensorial. Voce descobre o que realmente importa.
Se voce conseguir largar parte da adolescencia, é nessa hora que voce percebe que a música é muito mais que o pop dos moderninhos ou a saudade do punk dos 70.
A música é um universo e o rock/soul/eletro, o pop enfim, é apenas um planeta desse universo. Um maravilhoso planetinha, feito de ruído, ritmo e nervosismo, mas apenas um ponto em meio ao infinito.
Voce descobre a canção. A canção americana criada no começo do século vinte. A música que é simplesmente música. Que é bonita, bem feita, adulta. Que seduz, jamais estupra; que chama e nunca berra; que pensa mas não se exibe.
Se apaixonará pela extrema elegancia de Cole Porter com suas rimas inesperadas, seus paraísos de navios, champagnes, caviar e praias vazias. Um mundo se tuxedos, sedas, ressacas e amores perdidos. E voce sentirá prazer por envelhecer, gosto por saber viver e admiração pela inteligencia com brilho, com finesse, pelo chic.
Descobrirá que Gershwin era um gênio da melodia, que quando ele canta o amor voce ama aquilo que ele canta. Vai perceber que a música não foi criada para gritar ou pular. Música é acasalamento-sedução.
Voce vai se apaixonar pela voz de Fred Astaire, com seu fraseado perfeito, uma voz que faz de qualquer cantor um plebeu. Uma voz que te leva para o mundo da pura fantasia.Vai vibrar com as vozes de Nat King Cole, Joe Willians, Mel Tormé, Bing, Dean, Ella, Billie, Sarah, Johnny...
E então, e só então, voce terá o privilégio de compreender aquilo que Frank diz, aquilo que Frank viveu, aquilo que O HOMEM sentiu. E vai notar que todos ( Elvis, Paul, Dylan, Lou, Bowie ) eram meninos e que Frank é UM HOMEM.
Bem vindo.
Novidades só irão lhe seduzir se forem absolutamente originais e não a repetição do velho travestido em maneirismos cheios de botox. Voce quer o que vale a pena, o que é bonito, bom, durável.
Quando voce cresce aprende a escutar e a olhar. O brilho fácil perde seu encanto e o ruído se mostra aquilo que sempre foi: nada.
Nessa hora o rock se torna outra coisa. Deixa de ser uma ansiedade surda e se torna um prazer sensorial. Voce descobre o que realmente importa.
Se voce conseguir largar parte da adolescencia, é nessa hora que voce percebe que a música é muito mais que o pop dos moderninhos ou a saudade do punk dos 70.
A música é um universo e o rock/soul/eletro, o pop enfim, é apenas um planeta desse universo. Um maravilhoso planetinha, feito de ruído, ritmo e nervosismo, mas apenas um ponto em meio ao infinito.
Voce descobre a canção. A canção americana criada no começo do século vinte. A música que é simplesmente música. Que é bonita, bem feita, adulta. Que seduz, jamais estupra; que chama e nunca berra; que pensa mas não se exibe.
Se apaixonará pela extrema elegancia de Cole Porter com suas rimas inesperadas, seus paraísos de navios, champagnes, caviar e praias vazias. Um mundo se tuxedos, sedas, ressacas e amores perdidos. E voce sentirá prazer por envelhecer, gosto por saber viver e admiração pela inteligencia com brilho, com finesse, pelo chic.
Descobrirá que Gershwin era um gênio da melodia, que quando ele canta o amor voce ama aquilo que ele canta. Vai perceber que a música não foi criada para gritar ou pular. Música é acasalamento-sedução.
Voce vai se apaixonar pela voz de Fred Astaire, com seu fraseado perfeito, uma voz que faz de qualquer cantor um plebeu. Uma voz que te leva para o mundo da pura fantasia.Vai vibrar com as vozes de Nat King Cole, Joe Willians, Mel Tormé, Bing, Dean, Ella, Billie, Sarah, Johnny...
E então, e só então, voce terá o privilégio de compreender aquilo que Frank diz, aquilo que Frank viveu, aquilo que O HOMEM sentiu. E vai notar que todos ( Elvis, Paul, Dylan, Lou, Bowie ) eram meninos e que Frank é UM HOMEM.
Bem vindo.
anos 30
Conversando com minha amiga Marília ( grande fã do cinema dos anos 70 ), tomo consciencia do prazer imenso que devo ao cinema dos anos 30. Sim, dos 30! Pois assim como o melhor teatro foi escrito entre os séculos xvi e xvii e a melhor filosofia pelos gregos de séculos antes de Cristo; o cinema mais prazeroso foi feito em sua tenra juventude.
Bastaria dizer que foi nos 30 que se filmou o que vale a pena dos irmãos Marx ( e quem não idolatra Groucho, Chico e Harpo é um cretino ao cubo ). Mas os 30 ainda têm W C Fields, Mae West, Lauel e Hardy e os filmes de horror da Universal.
É a década de Fred Astaire e de Busby Berkeley; das screwball comedies de Hawks, MacCarey e Stevens; da elegância de Cary Grant e Gary Cooper; das loucuras kitsch de Von Sternberg; dos filmes de gangster da Warner com Cagney, Robinson e Raft; do melhor Tarzan; dos mais fortes Lang; dos sofisticados Lubistsch e Mamoulian; do começo sério de John Ford e do Hitchcock inglês; Chaplin faz seus melhores filmes e temos Capra e Clair.
É aqui que a série do Pernalonga nasce e Betty Boop, Disney e Popeye. Um cinema adulto, alegre, vivo, muito inteligente, ágil, inspirador. Tempo de Gable, Harlow, Garbo, James Stewart e Henry Fonda, Bette Davis e Kate, Spencer Tracy, Errol Flynn criando os filmes de piratas, Marlene, William Powell e Barrymore, Myrna Loy, Bogart e tanta gente mais... ou melhor, tantos mitos...pois são os 30 o Olimpo do cinema, o mundo dos ícones, dos modelos eternos, do Forever and Ever...
Bastaria dizer que foi nos 30 que se filmou o que vale a pena dos irmãos Marx ( e quem não idolatra Groucho, Chico e Harpo é um cretino ao cubo ). Mas os 30 ainda têm W C Fields, Mae West, Lauel e Hardy e os filmes de horror da Universal.
É a década de Fred Astaire e de Busby Berkeley; das screwball comedies de Hawks, MacCarey e Stevens; da elegância de Cary Grant e Gary Cooper; das loucuras kitsch de Von Sternberg; dos filmes de gangster da Warner com Cagney, Robinson e Raft; do melhor Tarzan; dos mais fortes Lang; dos sofisticados Lubistsch e Mamoulian; do começo sério de John Ford e do Hitchcock inglês; Chaplin faz seus melhores filmes e temos Capra e Clair.
É aqui que a série do Pernalonga nasce e Betty Boop, Disney e Popeye. Um cinema adulto, alegre, vivo, muito inteligente, ágil, inspirador. Tempo de Gable, Harlow, Garbo, James Stewart e Henry Fonda, Bette Davis e Kate, Spencer Tracy, Errol Flynn criando os filmes de piratas, Marlene, William Powell e Barrymore, Myrna Loy, Bogart e tanta gente mais... ou melhor, tantos mitos...pois são os 30 o Olimpo do cinema, o mundo dos ícones, dos modelos eternos, do Forever and Ever...
a primeira noite de tranquilidade
Ele é um novo professor. Começa a dar aulas numa nova escola. Ele é niilista. Em sua primeira aula diz que os comunistas são insuportáveis e os fascistas idiotas ( isso em um tempo 72, em que todo italiano do bem era obrigado a ser comuna ). Nessa escola ele se apaixona e tem caso com aluna. Ela é uma prostituta de luxo. Suicida. Bela como o impossível.
Ele é Alain Delon. Seu professor é feito com um olhar de Stendhal e uma voz com ecos de Proust. Caminha para o absoluto desastre, e não se importa com isso. Tudo em sua impressionante atuação diz : a vida nada vale... E tudo em sua atuação nos seduz.
Valerio Zurlini, o poeta da desesperança, dirigiu este poema em forma de cinema. Lindo, triste, doído. Sonia Petrova faz a aluna. Uma jovem que consegue ser mais triste que o professor. Mas não pense que o filme é deprimente ou choroso. Nenhuma lágrima. nenhuma reclamação, nenhum gesto de desespero. Melancolia confortável.
Um filme para se guardar no peito e se rever por toda a vida e com um final perfeito.
Ele é Alain Delon. Seu professor é feito com um olhar de Stendhal e uma voz com ecos de Proust. Caminha para o absoluto desastre, e não se importa com isso. Tudo em sua impressionante atuação diz : a vida nada vale... E tudo em sua atuação nos seduz.
Valerio Zurlini, o poeta da desesperança, dirigiu este poema em forma de cinema. Lindo, triste, doído. Sonia Petrova faz a aluna. Uma jovem que consegue ser mais triste que o professor. Mas não pense que o filme é deprimente ou choroso. Nenhuma lágrima. nenhuma reclamação, nenhum gesto de desespero. Melancolia confortável.
Um filme para se guardar no peito e se rever por toda a vida e com um final perfeito.
RENOIR/LOLITA/TRUFFAUT/KIRK DOUGLAS/LUMET
MULHER COBRA de robert siodmak
um clássico kitsch, referencia para Almodovar e filmes como Hairspray. os atores são hilários de tão ruins, os cenários são dignos da Imperatriz Leopoldinense e a história fala sobre maldições, erotismo e mitos. nota 1.
POSSUÍDOS de william friedkin
ashley judd no quase pior filme de todos os tempos. um filme que ofende qualquer inteligência mediana, com seu mix de modernices vazias, sustos previsíveis e diálogos de retardados. ZERO.
A CARRUAGEM DE OURO de jean renoir com anna magnani.
de todos os grandes é renoir o mais hiper-valorizado. seus filmes são bons, a regra do jogo é excelente, mas jean jamais é um gênio como muitos dizem. este é um filme de bela fotografia, humor leve e festeiro e com bonita mensagem pró-liberdade. mas não é genial ou especial. 6.
LOLITA de stanley kubrick com james mason, peter sellers, shelley winters e sue lyon.
todo aspecto político do delicioso livro de nabokov inexiste neste freudiano filme de kubrick. inexiste o humor que faz do livro uma obra genial e divertida, inexiste o barroquismo da linguagem do dandy nabokov, o que resta? uma lolita velha demais ( no livro ela tem 12 aparentando 11, aqui parece ter 17 ), um james mason sublime ( ele carrega o difícil personagem com leveza e humor- deve ter lido e entendido o livro ), um sellers asqueroso ( ter perdido o oscar é um vexame do prêmio ) e um clima geral de pesadelo e paranóia que o romance não tem.
mesmo com esses senões, é um filme adulto, bonito e que hipnotiza ( te conduz a algum lugar). 7.
O GAROTO SELVAGEM de truffaut.
seco e simples, truffaut dá a sensação de ter feito algo como um documentário de uma época em que não existia o cinema. nestor almendros dá um show de fotografia. 4.
DUELO AO SOL de king vidor com jennifer jones e gregory peck.
é western portanto é bom. uma ópera a cavalo, um história que beira o ridículo em seu exagero de taras e emoção. jennifer jones chegava a ser um crime de tão bonita e peck está ruim como sempre. mas se vê com prazer... nota 5.
ELEIÇÃO de alexander payne.
payne, coen, burton, hanson, wenders, clint, ridley, scorsese, wall e, o cinema de hoje tem alguns nomes interessantes, seu maior problema são atores ( muitos poucos tem algum carisma, o que abre campo para absolutas nulidades ) e o público atual, que não tem nenhuma sofisticação cinematográfica. este filme, com a maravilhosa reese witherspoon ( tenho um caso de paixão com ela- a melhor comediante de sua geração ) é uma diversão para adolescentes que- milagre- não fede a burrice e histeria. seu único defeito é que sua vilã ( reese ) que deveria ser irritante se torna adorável. nota 6.
MARCHA DE HERÓIS de john ford com john wayne e william holden.
o homero do cinema em filme menor. mas um filme menor de ford é um filme gigantesco para qualquer outro diretor. aqui ele trabalha com sua mitologia de heroísmo, liberdade e solidão. wayne está especialmente bem. filme para quem sabe o que significa uma palavra como virilidade. 7.
MACBETH de orson welles
talvez esta seja a melhor adaptação de shakespeare para a tela. um filme muito barato, um cenário apenas, poucos atores. sombras e escuridão, movimentos exatos de camera, falas claras e bem ditas, clima e emoção. uma aula de requinte, de cuidado, de perfeição. jeanette nolan como lady macbeth chega a arrepiar. 8.
ROMANCE E CIGARROS de john turturro com james gandolfini, kate winslet, susan sarandon. alguém precisa avisar kate que seu tipinho sujo já deu. ela faz sempre o mesmo personagem ( a gorducha gostosa ). este é um musical chato, vazio, pesadão, insuportável. ZERO.
EQUUS de sidney lumet com richard burton e peter firth.
lumet sabia filmar neuroses. este texto de shaffer foi imenso sucesso teatral em todo o mundo ( aqui feito por paulo autran e ewerton de castro ). burton está meio sonolento, mas sua voz era tão poderosa que ele leva o duro personagem do analista cansado com facilidade. um filme obrigatório para psicólogos, filósofos ou cinemamaníacos. um filme do tempo em que havia público sério para filmes simples, sem enfeites desnecessários. uma delícia intelectual. 7.
A SEREIA DO MISSISSIPI de truffaut com jean paul belmondo e catherine deneuve.
françois truffaut era fanático por hitchcock e aqui tenta fazer um filme de hitch. tenta criar um clima de vertigo. erra feio e dá vexame. o filme ´e aquilo que o mestre alfred nunca foi- chato. 1.
CAR WASH de michael schultz.
filme barato de latinos e negros dos loucos anos 70. a trilha sonora tem um arraso de ritmo e tudo aquilo que os filmes de tarantino e soderberg têm: funky. 3.
FUGA ALUCINADA de john hough com peter fonda.
um sub- vanishing point. 3.
um clássico kitsch, referencia para Almodovar e filmes como Hairspray. os atores são hilários de tão ruins, os cenários são dignos da Imperatriz Leopoldinense e a história fala sobre maldições, erotismo e mitos. nota 1.
POSSUÍDOS de william friedkin
ashley judd no quase pior filme de todos os tempos. um filme que ofende qualquer inteligência mediana, com seu mix de modernices vazias, sustos previsíveis e diálogos de retardados. ZERO.
A CARRUAGEM DE OURO de jean renoir com anna magnani.
de todos os grandes é renoir o mais hiper-valorizado. seus filmes são bons, a regra do jogo é excelente, mas jean jamais é um gênio como muitos dizem. este é um filme de bela fotografia, humor leve e festeiro e com bonita mensagem pró-liberdade. mas não é genial ou especial. 6.
LOLITA de stanley kubrick com james mason, peter sellers, shelley winters e sue lyon.
todo aspecto político do delicioso livro de nabokov inexiste neste freudiano filme de kubrick. inexiste o humor que faz do livro uma obra genial e divertida, inexiste o barroquismo da linguagem do dandy nabokov, o que resta? uma lolita velha demais ( no livro ela tem 12 aparentando 11, aqui parece ter 17 ), um james mason sublime ( ele carrega o difícil personagem com leveza e humor- deve ter lido e entendido o livro ), um sellers asqueroso ( ter perdido o oscar é um vexame do prêmio ) e um clima geral de pesadelo e paranóia que o romance não tem.
mesmo com esses senões, é um filme adulto, bonito e que hipnotiza ( te conduz a algum lugar). 7.
O GAROTO SELVAGEM de truffaut.
seco e simples, truffaut dá a sensação de ter feito algo como um documentário de uma época em que não existia o cinema. nestor almendros dá um show de fotografia. 4.
DUELO AO SOL de king vidor com jennifer jones e gregory peck.
é western portanto é bom. uma ópera a cavalo, um história que beira o ridículo em seu exagero de taras e emoção. jennifer jones chegava a ser um crime de tão bonita e peck está ruim como sempre. mas se vê com prazer... nota 5.
ELEIÇÃO de alexander payne.
payne, coen, burton, hanson, wenders, clint, ridley, scorsese, wall e, o cinema de hoje tem alguns nomes interessantes, seu maior problema são atores ( muitos poucos tem algum carisma, o que abre campo para absolutas nulidades ) e o público atual, que não tem nenhuma sofisticação cinematográfica. este filme, com a maravilhosa reese witherspoon ( tenho um caso de paixão com ela- a melhor comediante de sua geração ) é uma diversão para adolescentes que- milagre- não fede a burrice e histeria. seu único defeito é que sua vilã ( reese ) que deveria ser irritante se torna adorável. nota 6.
MARCHA DE HERÓIS de john ford com john wayne e william holden.
o homero do cinema em filme menor. mas um filme menor de ford é um filme gigantesco para qualquer outro diretor. aqui ele trabalha com sua mitologia de heroísmo, liberdade e solidão. wayne está especialmente bem. filme para quem sabe o que significa uma palavra como virilidade. 7.
MACBETH de orson welles
talvez esta seja a melhor adaptação de shakespeare para a tela. um filme muito barato, um cenário apenas, poucos atores. sombras e escuridão, movimentos exatos de camera, falas claras e bem ditas, clima e emoção. uma aula de requinte, de cuidado, de perfeição. jeanette nolan como lady macbeth chega a arrepiar. 8.
ROMANCE E CIGARROS de john turturro com james gandolfini, kate winslet, susan sarandon. alguém precisa avisar kate que seu tipinho sujo já deu. ela faz sempre o mesmo personagem ( a gorducha gostosa ). este é um musical chato, vazio, pesadão, insuportável. ZERO.
EQUUS de sidney lumet com richard burton e peter firth.
lumet sabia filmar neuroses. este texto de shaffer foi imenso sucesso teatral em todo o mundo ( aqui feito por paulo autran e ewerton de castro ). burton está meio sonolento, mas sua voz era tão poderosa que ele leva o duro personagem do analista cansado com facilidade. um filme obrigatório para psicólogos, filósofos ou cinemamaníacos. um filme do tempo em que havia público sério para filmes simples, sem enfeites desnecessários. uma delícia intelectual. 7.
A SEREIA DO MISSISSIPI de truffaut com jean paul belmondo e catherine deneuve.
françois truffaut era fanático por hitchcock e aqui tenta fazer um filme de hitch. tenta criar um clima de vertigo. erra feio e dá vexame. o filme ´e aquilo que o mestre alfred nunca foi- chato. 1.
CAR WASH de michael schultz.
filme barato de latinos e negros dos loucos anos 70. a trilha sonora tem um arraso de ritmo e tudo aquilo que os filmes de tarantino e soderberg têm: funky. 3.
FUGA ALUCINADA de john hough com peter fonda.
um sub- vanishing point. 3.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
carta de uma desconhecida-max ophuls
A câmera voa, roda, baila e flerta com os atores.
O filme, feito por Ophuls ( voce conhece esse austríaco? o mais romantico dos diretores? o mais sofisticado, elegante, nobre, que é capaz de fazer Visconti parecer vulgar? ), bem, voltando, o filme feito por Max Ophuls baseado em conto de Stefan Szweig, fala de um amor irrealisado e se passa na Viena de 1903.
Assistimos a bengalas com castão de prata, carruagens que correm pela chuva sobre calçadas de granito, chás entre espelhos de cristal e veludos da Bélgica, cartas em bicos de pena à luz de gás, vestidos de seda e cartolas negras, luvas retiradas e cigarros acesos...e pensamos que ainda hoje todo o nosso imaginário do amor-sublime está intimamente ligado à essas noites escuras, às sombras de velas, escadarias secretas e peles pálidas entrvistas em decotes discretos.
O filme é uma delícia para os românticos, para os sonhadores, para os literatos, para os fora de moda e fora de esquadro ( Ophuls foi um diretor cheio de lutas, incompreensão e dor, seus filmes em seu tempo eram considerados pesados e exagerados- hoje ele é considerado um mestre- leve, fluido e romantico ).
Fácil de assistir, ele deixa uma vontade de ver de novo e viver mais um pouquinho naquele universo de frases bonitas, ruas bonitas, chuvas bonitas e luzes tão tristes...
O filme, feito por Ophuls ( voce conhece esse austríaco? o mais romantico dos diretores? o mais sofisticado, elegante, nobre, que é capaz de fazer Visconti parecer vulgar? ), bem, voltando, o filme feito por Max Ophuls baseado em conto de Stefan Szweig, fala de um amor irrealisado e se passa na Viena de 1903.
Assistimos a bengalas com castão de prata, carruagens que correm pela chuva sobre calçadas de granito, chás entre espelhos de cristal e veludos da Bélgica, cartas em bicos de pena à luz de gás, vestidos de seda e cartolas negras, luvas retiradas e cigarros acesos...e pensamos que ainda hoje todo o nosso imaginário do amor-sublime está intimamente ligado à essas noites escuras, às sombras de velas, escadarias secretas e peles pálidas entrvistas em decotes discretos.
O filme é uma delícia para os românticos, para os sonhadores, para os literatos, para os fora de moda e fora de esquadro ( Ophuls foi um diretor cheio de lutas, incompreensão e dor, seus filmes em seu tempo eram considerados pesados e exagerados- hoje ele é considerado um mestre- leve, fluido e romantico ).
Fácil de assistir, ele deixa uma vontade de ver de novo e viver mais um pouquinho naquele universo de frases bonitas, ruas bonitas, chuvas bonitas e luzes tão tristes...
A MULHER DE AREIA DE TESHIGAHARA
Feito em 1965, A MULHER DE AREIA de Hiroshi Teshigahara, venceu a palma de ouro daquele ano e concorreu a dois Oscars. Vamos ao filme.
Um homem anda pela areia. Ele coleta insetos para sua coleção. Se hospeda numa casa que fica num buraco, entre as dunas. Lá vive uma viúva, só. Ele se torna um prisioneiro.
O filme é longo, imperfeito, difícil e cheio de grandes e muito fortes cenas.
Primeiro sua fotografia. Areia, cabelos e peles filmadas em detalhes gigantescos dando ao filme um erotismo absurdo. Nós quase sentimos o cheiro dos corpos, quase tocamos o suor que escorre, parece possível tocar as peles que são lavadas, arranhadas e mordidas por todo o filme.
Os atores, Eiji Okada e Kyoko Kishida dão um show de raiva e de sexualidade pura. Raras vezes assisti filme mais erótico.
A música vanguardista de Toru Takemitsu é de uma inesgotável complexidade, preenchendo a fita de climas e momentos impressionantes.
É um filme que excita para em seguida assustar. E é uma alegoria perfeita sobre o sentido do trabalho e da função do homem na Terra.
Único.
Um homem anda pela areia. Ele coleta insetos para sua coleção. Se hospeda numa casa que fica num buraco, entre as dunas. Lá vive uma viúva, só. Ele se torna um prisioneiro.
O filme é longo, imperfeito, difícil e cheio de grandes e muito fortes cenas.
Primeiro sua fotografia. Areia, cabelos e peles filmadas em detalhes gigantescos dando ao filme um erotismo absurdo. Nós quase sentimos o cheiro dos corpos, quase tocamos o suor que escorre, parece possível tocar as peles que são lavadas, arranhadas e mordidas por todo o filme.
Os atores, Eiji Okada e Kyoko Kishida dão um show de raiva e de sexualidade pura. Raras vezes assisti filme mais erótico.
A música vanguardista de Toru Takemitsu é de uma inesgotável complexidade, preenchendo a fita de climas e momentos impressionantes.
É um filme que excita para em seguida assustar. E é uma alegoria perfeita sobre o sentido do trabalho e da função do homem na Terra.
Único.
A PAIXÃO DE JOANA D'ARC-O QUE É ISTO?
Foi Jean Cocteau quem disse que A PAIXÃO DE JOANA DARC de Dreyer é um filme que parece ter sido feito no tempo em que o cinema não existia. Pois eu digo que Dreyer não faz cinema. Ele faz um outro tipo de arte, uma arte tão original, tão moderna, tão radical que ainda não foi nomeada.
Durante 3/4 do filme o que vemos são paredes brancas e rostos em super-close. Joana, muito jovem, muito crente, muito indefesa, é cruelmente massacrada por inquisidores balofos e machistas. Dreyer usa como roteiro os autos do processo real e isso dá ao filme algo de documentário e de perversamente doido.
A fotografia, de Rudolph Maté, é de um glorioso branco e no final, a cena da fogueira tem o mais belo fogo que já ví.
Falconetti tem aqui aquela que é considerada a mais fantástica atuação feminina da história e o que posso dizer é que chorei ao vê-la perceber, com um olhar apenas, seu final inevitável. Joana sente medo, e nós sentimos com ela.
Carl Dreyer se interessou por apenas um assunto: Deus. Todos os seus filmes falam disso: Deus, o mal, a fé, a dor. Ele foi um bruxo, um louco, um poeta, um Homem. Joana é um soco na boca, um filme poderoso, duro, cruel e absolutamente incomparável em sua originalidade rica e bela. Sua montagem, em que os cortes são velozes, a câmera sempre se movendo em horizontal, os atores berrando e rindo, Joana suplicando e chorando, as portas parecendo fugir e diminuir... é fascinante.
No mais assisti finalmente este mítico filme numa cópia sem trilha sonora e com cartelas em francês. Mesmo assim seus 80 minutos pareceram 20 e me sentí completamente arrasado por sua força. OBRIGATÓRIO para quem se importa com os mistérios da vida e a dor de ser.
Durante 3/4 do filme o que vemos são paredes brancas e rostos em super-close. Joana, muito jovem, muito crente, muito indefesa, é cruelmente massacrada por inquisidores balofos e machistas. Dreyer usa como roteiro os autos do processo real e isso dá ao filme algo de documentário e de perversamente doido.
A fotografia, de Rudolph Maté, é de um glorioso branco e no final, a cena da fogueira tem o mais belo fogo que já ví.
Falconetti tem aqui aquela que é considerada a mais fantástica atuação feminina da história e o que posso dizer é que chorei ao vê-la perceber, com um olhar apenas, seu final inevitável. Joana sente medo, e nós sentimos com ela.
Carl Dreyer se interessou por apenas um assunto: Deus. Todos os seus filmes falam disso: Deus, o mal, a fé, a dor. Ele foi um bruxo, um louco, um poeta, um Homem. Joana é um soco na boca, um filme poderoso, duro, cruel e absolutamente incomparável em sua originalidade rica e bela. Sua montagem, em que os cortes são velozes, a câmera sempre se movendo em horizontal, os atores berrando e rindo, Joana suplicando e chorando, as portas parecendo fugir e diminuir... é fascinante.
No mais assisti finalmente este mítico filme numa cópia sem trilha sonora e com cartelas em francês. Mesmo assim seus 80 minutos pareceram 20 e me sentí completamente arrasado por sua força. OBRIGATÓRIO para quem se importa com os mistérios da vida e a dor de ser.
O MAIS PERFEITO DOS FILMES-REAR WINDOW
Raras vezes assistimos a algum filme perfeito. Ocasionalmente o filme pode ser genial, sublime, divertido, mas ele sempre apresenta falhas. Momentos de tédio, tomadas inúteis, frases dispensáveis.
JANELA INDISCRETA não tem um só momento fraco. Desde sua abertura, até seu final perfeito, tudo é feito com precisão, com sabedoria, com maestria.
O som, sem trilha sonora-mas com ruídos e trechos de melodias-que lembra Tati, é perfeito. O cenário, um apartamento e o prédio em frente- é fascinante. As histórias vistas nas janelas e jardins- são tão cativantes que dariam vários outros filmes. Mas este, este filme é absolutamente prazeroso. Torcemos para que não termine.
James Stewart é um fotógrafo solteiro que convalesce com a perna quebrada. Ele é obviamente impotente. Grace Kelly ( sua entrada em cena é A MAIS LINDA IMAGEM FEMININA DO CINEMA ) flerta com ele, o seduz, o conquista. As cenas entre os dois são leves, sofisticadas, cheias de humor e com subtramas de raiva e dor. ( O filme é alegre, mas tem algo de neurótico por trás ). Stewart se agarra em sua solteirice e se envolve com as janelas ( cinemas ? ).
O final, irônico, é de uma riqueza perfeita, e todo o filme prescinde de falas, poderia ser um filme mudo. Stewart agora tem duas pernas engessadas e Grace, linda como o impossível, comanda o apartamento.
Quem mais poderia fazer um filme pop onde as mulheres são víboras, os homens são impotentes e seu único cenário é flagrantemente falso ?
Hitchcock é cinema e o amor à Hitch é a prova final de todo/qualquer cinéfilo.
JANELA INDISCRETA não tem um só momento fraco. Desde sua abertura, até seu final perfeito, tudo é feito com precisão, com sabedoria, com maestria.
O som, sem trilha sonora-mas com ruídos e trechos de melodias-que lembra Tati, é perfeito. O cenário, um apartamento e o prédio em frente- é fascinante. As histórias vistas nas janelas e jardins- são tão cativantes que dariam vários outros filmes. Mas este, este filme é absolutamente prazeroso. Torcemos para que não termine.
James Stewart é um fotógrafo solteiro que convalesce com a perna quebrada. Ele é obviamente impotente. Grace Kelly ( sua entrada em cena é A MAIS LINDA IMAGEM FEMININA DO CINEMA ) flerta com ele, o seduz, o conquista. As cenas entre os dois são leves, sofisticadas, cheias de humor e com subtramas de raiva e dor. ( O filme é alegre, mas tem algo de neurótico por trás ). Stewart se agarra em sua solteirice e se envolve com as janelas ( cinemas ? ).
O final, irônico, é de uma riqueza perfeita, e todo o filme prescinde de falas, poderia ser um filme mudo. Stewart agora tem duas pernas engessadas e Grace, linda como o impossível, comanda o apartamento.
Quem mais poderia fazer um filme pop onde as mulheres são víboras, os homens são impotentes e seu único cenário é flagrantemente falso ?
Hitchcock é cinema e o amor à Hitch é a prova final de todo/qualquer cinéfilo.
O AMOR É SEMPRE MENTIROSO-VERTIGO
O melhor dos diretores ( aquele que fazia grande arte e comércio pop ao mesmo tempo ), dá em VERTIGO o mais devastador retrato sobre a ilusão do amor.
Não contarei sua história para não adiantar sua magia. Direi no entanto, que jamais uma cidade foi mais bonita que a SanFran do filme, com seus azuis e amarelos da primeira parte "sonhadora" e seus neuróticos verdes e cinzas da segunda parte. O filme, quase sem diálogos, é como um sonho-alucinógeno, e nos faz realmente sentir o que seu protagonista sente.
Pierre Boulez disse que a trilha sonora deste filme ( bernard herrman ) é a mais perfeita da história cinematográfica. Não sei se ela é, mas direi que ela é hipnótica, wagneriana, obsessiva, inesquecível.
James Stewart tem aqui aquela que é possivelmente a melhor atuação já vista. Ele passa, na hesitação de sua voz, no olhar ansioso, toda a carência, todo o amor do personagem. Sua sina, seu futuro vazio, o seu medo.
Como todo filme de Hitch, o crime é mero pretexto para sua profunda análise da doença humana, das taras e psicoses, das dores e mentiras do mundo. E tudo isso, que em outras mãos se transformaria em arte hermética e obscura, com Hitch se torna diversão simples, direta, nítida e nada pedante, porém, profunda.
Suas cenas recordam muito TAXI DRIVER, a personagem feminina mostra um desamparo tocante e é este o filme que deixa mais clara a afinidade que Bunuel sentia por Hitchcock.
Seu final, trágico-imperfeito-abrupto-louco e vazio, é dos mais cruéis já filmados e ficamos sentindo a mesma dor absurda de Stewart.
Inesquecível, ele nos faz pensar muito. Nas mentiras do amor, na ilusão que criamos para nós mesmos, na busca inutil pela perfeição, e na música irresistível dessa ilusão.
Um dos maiores filmes já feitos e sem dúvida é este o mais moderno e influente dos filmes.
Hitchcock é o cara.
Não contarei sua história para não adiantar sua magia. Direi no entanto, que jamais uma cidade foi mais bonita que a SanFran do filme, com seus azuis e amarelos da primeira parte "sonhadora" e seus neuróticos verdes e cinzas da segunda parte. O filme, quase sem diálogos, é como um sonho-alucinógeno, e nos faz realmente sentir o que seu protagonista sente.
Pierre Boulez disse que a trilha sonora deste filme ( bernard herrman ) é a mais perfeita da história cinematográfica. Não sei se ela é, mas direi que ela é hipnótica, wagneriana, obsessiva, inesquecível.
James Stewart tem aqui aquela que é possivelmente a melhor atuação já vista. Ele passa, na hesitação de sua voz, no olhar ansioso, toda a carência, todo o amor do personagem. Sua sina, seu futuro vazio, o seu medo.
Como todo filme de Hitch, o crime é mero pretexto para sua profunda análise da doença humana, das taras e psicoses, das dores e mentiras do mundo. E tudo isso, que em outras mãos se transformaria em arte hermética e obscura, com Hitch se torna diversão simples, direta, nítida e nada pedante, porém, profunda.
Suas cenas recordam muito TAXI DRIVER, a personagem feminina mostra um desamparo tocante e é este o filme que deixa mais clara a afinidade que Bunuel sentia por Hitchcock.
Seu final, trágico-imperfeito-abrupto-louco e vazio, é dos mais cruéis já filmados e ficamos sentindo a mesma dor absurda de Stewart.
Inesquecível, ele nos faz pensar muito. Nas mentiras do amor, na ilusão que criamos para nós mesmos, na busca inutil pela perfeição, e na música irresistível dessa ilusão.
Um dos maiores filmes já feitos e sem dúvida é este o mais moderno e influente dos filmes.
Hitchcock é o cara.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
o filme mais sinfônico-FANNY E ALEXANDER
Bergman realizou FANNY em 1983. É seu testamento, seu último filme para cinema, seu legado ( como bom pessimista, ele imaginou estar perto do fim. Ainda viveu 24 anos...).
O filme é uma perfeita sinfonia e se a grande arte sempre aspira a ser música, Fanny é arte perfeita.
Ele começa em acordes leves e vagos, cresce em festa de sons harmônicos e coloridos, irrompe fortíssimo em graves dissonancias lúgubres e se encerra numa coda cheia de fúria, magia e mistério.
Mas do que fala o gênio, o mestre, o mais inteligente dos cineastas ?
Da luta entre alegria e dor, da disputa entre liberdade e repressão, saúde e neurose, arte e religião, fantasia e tédio, Deus e o homem. É um compêndio de todos seus filmes anteriores, de todas as suas dores e alegrias e recorda muito Shakespeare- A Tempestade ( um mago recontando sua obra e sua magia ).
Raras vezes um filme mostrou cenários tão ricos em beleza e complexidade, raras vezes tantos atores foram melhor dirigidos ( o final, quando se fala da gratidão aos atores é de se aplaudir de joelhos ), raras vezes um filme foi melhor.
Bergman captura nosso cérebro e o leva para uma viagem. Através do olhar de um menino ( Alexander ) assistimos seu crescimento, suas dores, sua revolta e seu maravilhoso humor ( o filme tem duas das falas mais hilárias já vistas ). Nos apaixonamos por sua família, odiamos certos agregados e tememos seu destino. Tudo em ritmo perfeito, uma variação entre cenas longas e curtas, movimentos elaborados de câmera ou fixidez formal, solos ( monólogos ) ou grupos de até vinte atores atuando em grupo ( coisa que hoje ninguém mais tenta ).
Tudo está neste filme. Comédia amarga e drama insuportável. Citações de PERSONA, GRITOS E SUSSURROS, MONIKA, MORANGOS SILVESTRES, O ROSTO... estão presentes os atores que aprendemos a amar, a fotografia do mestre Sven Nykvyst, a música de Schumann e Britten, as preocupações do cineasta que melhor representou a dor do mundo moderno.
É estranho o fato de que meus cineastas favoritos sejam Kurosawa, Hitchcock, Hawks, Ford, Murnau, Lang... mas é Bergman que fala, pensa e mostra aquilo que vivo, penso e gostaria de expressar. Não sei se ele foi o melhor dos diretores, não sei se ele sobreviverá neste mundo cada vez mais acéfalo; mas ele conseguiu fazer do cinema UMA ARTE NOBRE, nobre como Shakespeare, Mozart, Shelley e Rembrandt.
FANNY E ALEXANDER é obrigatório para qualquer amante da vida, do cinema, da cor. Ele é estranhamente feliz, alegre, vivo e subitamente trágico. Nietszche.
Um filme que é uma vida, um espírito livre, eterno como um homem, belo como um segundo, feito com profundo amor pela arte, imensa criatividade e potencia criativa sem igual.
Mágico, único; INCOMPARÁVEL.
O filme é uma perfeita sinfonia e se a grande arte sempre aspira a ser música, Fanny é arte perfeita.
Ele começa em acordes leves e vagos, cresce em festa de sons harmônicos e coloridos, irrompe fortíssimo em graves dissonancias lúgubres e se encerra numa coda cheia de fúria, magia e mistério.
Mas do que fala o gênio, o mestre, o mais inteligente dos cineastas ?
Da luta entre alegria e dor, da disputa entre liberdade e repressão, saúde e neurose, arte e religião, fantasia e tédio, Deus e o homem. É um compêndio de todos seus filmes anteriores, de todas as suas dores e alegrias e recorda muito Shakespeare- A Tempestade ( um mago recontando sua obra e sua magia ).
Raras vezes um filme mostrou cenários tão ricos em beleza e complexidade, raras vezes tantos atores foram melhor dirigidos ( o final, quando se fala da gratidão aos atores é de se aplaudir de joelhos ), raras vezes um filme foi melhor.
Bergman captura nosso cérebro e o leva para uma viagem. Através do olhar de um menino ( Alexander ) assistimos seu crescimento, suas dores, sua revolta e seu maravilhoso humor ( o filme tem duas das falas mais hilárias já vistas ). Nos apaixonamos por sua família, odiamos certos agregados e tememos seu destino. Tudo em ritmo perfeito, uma variação entre cenas longas e curtas, movimentos elaborados de câmera ou fixidez formal, solos ( monólogos ) ou grupos de até vinte atores atuando em grupo ( coisa que hoje ninguém mais tenta ).
Tudo está neste filme. Comédia amarga e drama insuportável. Citações de PERSONA, GRITOS E SUSSURROS, MONIKA, MORANGOS SILVESTRES, O ROSTO... estão presentes os atores que aprendemos a amar, a fotografia do mestre Sven Nykvyst, a música de Schumann e Britten, as preocupações do cineasta que melhor representou a dor do mundo moderno.
É estranho o fato de que meus cineastas favoritos sejam Kurosawa, Hitchcock, Hawks, Ford, Murnau, Lang... mas é Bergman que fala, pensa e mostra aquilo que vivo, penso e gostaria de expressar. Não sei se ele foi o melhor dos diretores, não sei se ele sobreviverá neste mundo cada vez mais acéfalo; mas ele conseguiu fazer do cinema UMA ARTE NOBRE, nobre como Shakespeare, Mozart, Shelley e Rembrandt.
FANNY E ALEXANDER é obrigatório para qualquer amante da vida, do cinema, da cor. Ele é estranhamente feliz, alegre, vivo e subitamente trágico. Nietszche.
Um filme que é uma vida, um espírito livre, eterno como um homem, belo como um segundo, feito com profundo amor pela arte, imensa criatividade e potencia criativa sem igual.
Mágico, único; INCOMPARÁVEL.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
LOACH/ROCKY/LORD JIM/SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS
VENTO E LIBERDADE de ken loach.
ingleses massacram irlandeses. todos sabem do meu sangue cem por cento católico-celta-irlandes...mas não gostei do filme. na verdade o achei maniqueista, falso, tolo, vazio. será que todo ingles era tão nazista?
MONPTI de helmut kautner, com romy schneider e horst bucholz
romy aos 18 era adorável mas o filme é velho e mofado. 1.
ABISMO DE UM SONHO de fellini com alberto sordi, leopoldo trieste.
sonolento.2.
A JANELA SECRETA de david koepp com johnny depp, john turturro.
suspense sem emoção. mistério sem tensão. uma chatice ridícula. 1.
CRIMES DE UM DETETIVE de keith gordon com robert downey, carla gugino, robin wright penn. uma das mais grotescas tolices já feitas. um pseudo musical engraçadinho, um pseudo noir sem drama, um completo equívoco. ZERO.
O LOBO ATRÁS DA PORTA de henning carlsen com donald sutherland e max von sydow. são cinco anos na vida de paul gauguin ( meu ídolo maior ). o filme é escuro, denso e prende a atenção graças a força de sutherland e ao belo strindberg de von sydow ( foi sydow o maior ator do cinema ? ). 6.
SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS de peter weir com robin willians. um filme sobre poesia e liberdade filmado sem poesia e sem imaginação. torcemos para que willians fique mais tempo em cena, pois ele é a liberdade e a poesia do filme. os meninos são aqueles meninos de dramas da Metro dos anos 40/50, ou seja, velhos meninos...6.
LORD JIM de richard brooks com peter o'toole, james mason, eli wallach. baseado em conrad, o filme é uma cara aventura arrastada e banal. a falha central é peter que faz jim como um fraco que quase acerta, quando quem leu o livro sabe que jim é um forte que erra sempre.
ROCKY de john g. alvidsen com stallone. sly imita de niro e john imita lumet. 4.
ingleses massacram irlandeses. todos sabem do meu sangue cem por cento católico-celta-irlandes...mas não gostei do filme. na verdade o achei maniqueista, falso, tolo, vazio. será que todo ingles era tão nazista?
MONPTI de helmut kautner, com romy schneider e horst bucholz
romy aos 18 era adorável mas o filme é velho e mofado. 1.
ABISMO DE UM SONHO de fellini com alberto sordi, leopoldo trieste.
sonolento.2.
A JANELA SECRETA de david koepp com johnny depp, john turturro.
suspense sem emoção. mistério sem tensão. uma chatice ridícula. 1.
CRIMES DE UM DETETIVE de keith gordon com robert downey, carla gugino, robin wright penn. uma das mais grotescas tolices já feitas. um pseudo musical engraçadinho, um pseudo noir sem drama, um completo equívoco. ZERO.
O LOBO ATRÁS DA PORTA de henning carlsen com donald sutherland e max von sydow. são cinco anos na vida de paul gauguin ( meu ídolo maior ). o filme é escuro, denso e prende a atenção graças a força de sutherland e ao belo strindberg de von sydow ( foi sydow o maior ator do cinema ? ). 6.
SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS de peter weir com robin willians. um filme sobre poesia e liberdade filmado sem poesia e sem imaginação. torcemos para que willians fique mais tempo em cena, pois ele é a liberdade e a poesia do filme. os meninos são aqueles meninos de dramas da Metro dos anos 40/50, ou seja, velhos meninos...6.
LORD JIM de richard brooks com peter o'toole, james mason, eli wallach. baseado em conrad, o filme é uma cara aventura arrastada e banal. a falha central é peter que faz jim como um fraco que quase acerta, quando quem leu o livro sabe que jim é um forte que erra sempre.
ROCKY de john g. alvidsen com stallone. sly imita de niro e john imita lumet. 4.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
amigos, escutem!
Um amigo me acusa de ser de direita. E um outro diz que sou socialista demais. Weeeelll....
Eu sou ferozmente contra quem manda alguém calar a boca. Sou a favor de regimes que não se importam com o que é publicado, exibido ou veiculado.
Adoro quem garante a liberdade de ir e vir, de criticar e louvar, e de possuir-sim. Pois o homem, desde a pré-história, quer ter mais que o vizinho. Seja dinheiro, cultura, mulheres, neuroses ou armas. E quero que todos tenham o direito de LUTAR PARA SER DIFERENTE.
Deu pra entender?
Outro amigo diz que não sou MODERNO.
Se ser moderno é consumir séries de tv e bandas inglesas-cover, não sou.
Mas o QUE É SER MODERNO?
O espírito moderno se define em:
Ser infiel. Não se prender a nada. Nem crença, nem gostos, nem desejos.
Ser inconstante. Jamais levar nada até os finalmentes. Ter projetos sempre pelo meio.
Não se comprometer. Se abster de vínculos, de compromissos, de promessas.
Ignorar distancia e tempo. Nações perdem o sentido, pois meus amigos vivem na europa, meu amor foi para a Austrália, falo todo o dia com franceses e fui criado em ambiente americano. Estou em todo o mundo agora. TEMPO. O passado está ao meu alcance, o futuro também. Um quarteto de cordas de Haydn acabou de ser relançado. Ele está ao alcance de todos, influindo na vida de todos-agora- e sendo redescoberto-agora. Portanto, esse quarteto de 1802 é de agora. ( assim como Murnau/ Cocteau/ou Tati- influindo em jovens mentes-hoje! ).
Ter Pressa. Existe tanto a ver e fazer que a pressa é eterna. O moderno tem pressa de ter, ver e saber; e uma preguiça imensa de viver.
Sentir tédio. O moderno está sempre entediado, pois para ele tudo é fácil demais, reprisado demais, comum demais, óbvio demais.
Ser Oscar Wilde ( mesmo sendo hetero e não sabendo quem ele foi/é ).
Ter muito, muito medo. Pois tudo o que é moderno encobre o medo de depender, pertencer, passar, envelhecer e morrer.
Serei então moderno?
Eu sou ferozmente contra quem manda alguém calar a boca. Sou a favor de regimes que não se importam com o que é publicado, exibido ou veiculado.
Adoro quem garante a liberdade de ir e vir, de criticar e louvar, e de possuir-sim. Pois o homem, desde a pré-história, quer ter mais que o vizinho. Seja dinheiro, cultura, mulheres, neuroses ou armas. E quero que todos tenham o direito de LUTAR PARA SER DIFERENTE.
Deu pra entender?
Outro amigo diz que não sou MODERNO.
Se ser moderno é consumir séries de tv e bandas inglesas-cover, não sou.
Mas o QUE É SER MODERNO?
O espírito moderno se define em:
Ser infiel. Não se prender a nada. Nem crença, nem gostos, nem desejos.
Ser inconstante. Jamais levar nada até os finalmentes. Ter projetos sempre pelo meio.
Não se comprometer. Se abster de vínculos, de compromissos, de promessas.
Ignorar distancia e tempo. Nações perdem o sentido, pois meus amigos vivem na europa, meu amor foi para a Austrália, falo todo o dia com franceses e fui criado em ambiente americano. Estou em todo o mundo agora. TEMPO. O passado está ao meu alcance, o futuro também. Um quarteto de cordas de Haydn acabou de ser relançado. Ele está ao alcance de todos, influindo na vida de todos-agora- e sendo redescoberto-agora. Portanto, esse quarteto de 1802 é de agora. ( assim como Murnau/ Cocteau/ou Tati- influindo em jovens mentes-hoje! ).
Ter Pressa. Existe tanto a ver e fazer que a pressa é eterna. O moderno tem pressa de ter, ver e saber; e uma preguiça imensa de viver.
Sentir tédio. O moderno está sempre entediado, pois para ele tudo é fácil demais, reprisado demais, comum demais, óbvio demais.
Ser Oscar Wilde ( mesmo sendo hetero e não sabendo quem ele foi/é ).
Ter muito, muito medo. Pois tudo o que é moderno encobre o medo de depender, pertencer, passar, envelhecer e morrer.
Serei então moderno?
DE OLHOS BEM FECHADOS-VOCE VIU?
Um anjo cai do céu e perde suas asas. Condenado, ele vagueia pelas ruas sem conseguir se conectar à ninguém. O filme é isso. Mas...
Um ingênuo marido descobre que mulheres têm desejo. Ou...
Numa festa, marido é cortejado por duas modelos. Elas querem lhe conduzir ao final do arco-iris. Ele não vai, pois a morte intervém. Depois ele irá à esse rainbow, e descobrirá que ao final, rainbow é uma loja de fantasias. Porém...
Ele descobre que tudo é fake. Falso. Aparência. Sua esposa, seu amigo, a cidade...nada é o que parecia ser. Ele tenta se conectar com alguma verdade: é abordado por uma prostituta. Mas não transa com ela. Lhe dá dinheiro ( observe que todas as conexões dele envolvem dinheiro ). Vai à uma orgia. E não toca ninguém. Pensa ter descoberto um crime. Mas ele pode não ter ocorrido. Volta para casa e encontra a esposa dormindo ao lado da máscara.......
Observe que a esposa não o traiu na verdade. Apenas pensou e sonhou. Observe que nada acontece de verdade- tudo é quase/ talvez/ quem sabe...
Recorde a orgia. Críticos mal informados reclamaram dela ser pouco erótica. Bingo! Esse é o objetivo: corpos nús sem qualquer erotismo/ beijos mascarados que não se tocam/ intenções infantis onde tudo é fingimento.
Tom Cruise ( justiça feita: ele está ótimo ) é um crente. Acreditava no amor, no compromisso, na amizade, na verdade. Ao ver a máscara ao lado de sua esposa ( cena muito bela e emocionante) ele chora, reconhecendo que a vida é fake. Nossa vida.
O filme é sim um digno testamento de um gênio, uma mente superior que se ocupou de uma arte inferior ( como Welles, Bergman e Kurosawa ).
Ao final, Nicole diz que precisamos foder. E penso: não é isso que fazemos todo o tempo? No que mais, nós, classe média pensamos? Com quem foder, com quem amar, com quem casar...e de novo, e de novo, e de novo...é tudo o que restou, o único consolo, a última fé.
Mas não existe erotismo nesse mundo. Pois não há tabú a ser rompido, virgindade a ser cobiçada, e nem sequer toque real ( máscaras ).
Uma obra-prima que melhora muito na segunda visão e aumenta na terceira ( como todos os filmes de Kubrick- todos decepcionam na primeira olhada e fascinam na segunda- todos).
Nota dez.
Um ingênuo marido descobre que mulheres têm desejo. Ou...
Numa festa, marido é cortejado por duas modelos. Elas querem lhe conduzir ao final do arco-iris. Ele não vai, pois a morte intervém. Depois ele irá à esse rainbow, e descobrirá que ao final, rainbow é uma loja de fantasias. Porém...
Ele descobre que tudo é fake. Falso. Aparência. Sua esposa, seu amigo, a cidade...nada é o que parecia ser. Ele tenta se conectar com alguma verdade: é abordado por uma prostituta. Mas não transa com ela. Lhe dá dinheiro ( observe que todas as conexões dele envolvem dinheiro ). Vai à uma orgia. E não toca ninguém. Pensa ter descoberto um crime. Mas ele pode não ter ocorrido. Volta para casa e encontra a esposa dormindo ao lado da máscara.......
Observe que a esposa não o traiu na verdade. Apenas pensou e sonhou. Observe que nada acontece de verdade- tudo é quase/ talvez/ quem sabe...
Recorde a orgia. Críticos mal informados reclamaram dela ser pouco erótica. Bingo! Esse é o objetivo: corpos nús sem qualquer erotismo/ beijos mascarados que não se tocam/ intenções infantis onde tudo é fingimento.
Tom Cruise ( justiça feita: ele está ótimo ) é um crente. Acreditava no amor, no compromisso, na amizade, na verdade. Ao ver a máscara ao lado de sua esposa ( cena muito bela e emocionante) ele chora, reconhecendo que a vida é fake. Nossa vida.
O filme é sim um digno testamento de um gênio, uma mente superior que se ocupou de uma arte inferior ( como Welles, Bergman e Kurosawa ).
Ao final, Nicole diz que precisamos foder. E penso: não é isso que fazemos todo o tempo? No que mais, nós, classe média pensamos? Com quem foder, com quem amar, com quem casar...e de novo, e de novo, e de novo...é tudo o que restou, o único consolo, a última fé.
Mas não existe erotismo nesse mundo. Pois não há tabú a ser rompido, virgindade a ser cobiçada, e nem sequer toque real ( máscaras ).
Uma obra-prima que melhora muito na segunda visão e aumenta na terceira ( como todos os filmes de Kubrick- todos decepcionam na primeira olhada e fascinam na segunda- todos).
Nota dez.
LISSU/MICHAEL CAINE/TRAINSPOTTING/KEIRA/REESE
COMO POSSUIR LISSU de ronald neame, com michael caine e shirley maclaine. filme de assalto extremamente engenhoso, surpreendente, original, safado. impossível contar a história sem estragar seu prazer. caine está soberbo!........8.
UM GOLPE A ITALIANA de peter collinson com michael caine, noel coward. outro filme de assalto. mal refilmado em 2002 ( com walhbergh no papel de caine-argh! ).....7
SUNSHINE de isztvan szabó, com ralph fiennes, rachel weisz, deborah kara unger. bela novelinha. mostra como os húngaros foram humilhados por todo o século. a nobreza fraca e alienada, o fascismo cruel e o comunismo enlouquecedor. fiennes nasceu para papéis como este: um chorão impotente......6
NORMAL LIFE de john mcnaughton com ashley judd. judd está tão bonita que chega a doer. ela é uma psicótica-junkie que destrói sua vida e a de seu marido policial. muito melhor do que aparenta, é um filme pobre, crú e estradeiro......7
GHOST WORLD de terry zwickoff com thora birch e scarlett johanson. que belo filminho fofo. thora está adorável como uma adolescente que odeia tudo ( os amigos, música, dias de sol...). ela é aquele tipo de menina de óculos, minissaia, botas e cara de tédio. um colecionador de vinil ( steve buscemi ) lhe introduz o blues urbano ( aquele que usa orquestra, anos 30 ) e a garota se apaixona por blues e pelo colecionador. o final é bem amargo. lento, tristinho, moderninho, e muito simpático......8
TRAINSPOTTING de danny boyle. não o assistia desde 1998. os primeiros dez minutos, ao som de iggy pop, são absolutamente geniais. mas ele vai caindo, perdendo a leveza e caindo na pura chatice. envelheceu cedo este filme......7
DE VOLTA AO VALE DAS BONECAS de russ meyer. há quem ame meyer, o homem que criou o cinema quase-pornô americano. este é seu único filme mainstrean. uma salada de lesbianismo, sadismo, rock'n'roll, horror. os atores são inacreditávelmente ruins, o roteiro beira o grotesco, as falas são tolices imensas. cortes abundam ( todo diretor inseguro abusa dos cortes ), e ele fascina e irrita muito.....ZERO.
LOST HIGHWAY de david lynch. Lynch é aquele tipo de diretor que nada tem a dizer. ele não tem histórias para contar e não consegue criar personagens. mas...o cara sabe filmar. cria climas em cima de climas. sabe iluminar, cortar, usar o som, sugerir. eu prefiro o filme com a naomi watts, mas este tem bill pullman muito bem e uma patrcia arquette bem fatal.....7
DESEJO E REPARAÇÃO de joe wright com keira knightley. ouçam e anotem: wright é o melhor diretor de sua geração. a cena da praia ( sem cortes, uma só tomada ) é coisa de mestre. keira já é a atriz de sua época. o filme é perfeito ( e ainda tem vanessa dando show ).....DEZ.
DR. JIVAGO de david lean e todo mundo conhece o elenco. jivago se ergue da cama. lara dorme a seu lado. ele vai à mesa e escreve poemas para ela. lara se ergue e os lê. bem... eu passei anos tentando viver isso!.....9
ARMADILHAS DO CORAÇÃO de oliver parker com reese witherspoon, colin firth, rupert everett, judi dench. baseado em oscar wilde. diálogos brilhantes ( claro ). mas falta alguma coisa...é um excesso de casas bonitas, roupas vistosas, chás das cinco...Wilde se perde...firth está passando a vida fazendo sempre o mesmo papel : ingles triste e tonto. rupertt imita cary grant. ele não sabe que cary é inimitável. e reese... bem, sou apaixonado por ela! devo ser o único não-americano que a adora!.....6
SOCIEDADE FEROZ de griffin dunne com diane lane, donald sutherland e um vasto elenco adolescente. dunne foi ator nos 80 e hoje é diretor. -e que filme é este?- ele fala dos índios brasileiros. de amadurecer. de ritos de passagem. de sexo e de poder financeiro. é um filme cheio de erros, de idéias mal desenvolvidas- mas...é cheio de idéias!- infelizmente faltou coragem para levá-las até o fim. o filme cai num quase policial bobo. mas ele fica na memória, é original, e merece muita consideração. ( donald aparece pouco e brilha como sempre. todo o elenco é bom )........9
UM GOLPE A ITALIANA de peter collinson com michael caine, noel coward. outro filme de assalto. mal refilmado em 2002 ( com walhbergh no papel de caine-argh! ).....7
SUNSHINE de isztvan szabó, com ralph fiennes, rachel weisz, deborah kara unger. bela novelinha. mostra como os húngaros foram humilhados por todo o século. a nobreza fraca e alienada, o fascismo cruel e o comunismo enlouquecedor. fiennes nasceu para papéis como este: um chorão impotente......6
NORMAL LIFE de john mcnaughton com ashley judd. judd está tão bonita que chega a doer. ela é uma psicótica-junkie que destrói sua vida e a de seu marido policial. muito melhor do que aparenta, é um filme pobre, crú e estradeiro......7
GHOST WORLD de terry zwickoff com thora birch e scarlett johanson. que belo filminho fofo. thora está adorável como uma adolescente que odeia tudo ( os amigos, música, dias de sol...). ela é aquele tipo de menina de óculos, minissaia, botas e cara de tédio. um colecionador de vinil ( steve buscemi ) lhe introduz o blues urbano ( aquele que usa orquestra, anos 30 ) e a garota se apaixona por blues e pelo colecionador. o final é bem amargo. lento, tristinho, moderninho, e muito simpático......8
TRAINSPOTTING de danny boyle. não o assistia desde 1998. os primeiros dez minutos, ao som de iggy pop, são absolutamente geniais. mas ele vai caindo, perdendo a leveza e caindo na pura chatice. envelheceu cedo este filme......7
DE VOLTA AO VALE DAS BONECAS de russ meyer. há quem ame meyer, o homem que criou o cinema quase-pornô americano. este é seu único filme mainstrean. uma salada de lesbianismo, sadismo, rock'n'roll, horror. os atores são inacreditávelmente ruins, o roteiro beira o grotesco, as falas são tolices imensas. cortes abundam ( todo diretor inseguro abusa dos cortes ), e ele fascina e irrita muito.....ZERO.
LOST HIGHWAY de david lynch. Lynch é aquele tipo de diretor que nada tem a dizer. ele não tem histórias para contar e não consegue criar personagens. mas...o cara sabe filmar. cria climas em cima de climas. sabe iluminar, cortar, usar o som, sugerir. eu prefiro o filme com a naomi watts, mas este tem bill pullman muito bem e uma patrcia arquette bem fatal.....7
DESEJO E REPARAÇÃO de joe wright com keira knightley. ouçam e anotem: wright é o melhor diretor de sua geração. a cena da praia ( sem cortes, uma só tomada ) é coisa de mestre. keira já é a atriz de sua época. o filme é perfeito ( e ainda tem vanessa dando show ).....DEZ.
DR. JIVAGO de david lean e todo mundo conhece o elenco. jivago se ergue da cama. lara dorme a seu lado. ele vai à mesa e escreve poemas para ela. lara se ergue e os lê. bem... eu passei anos tentando viver isso!.....9
ARMADILHAS DO CORAÇÃO de oliver parker com reese witherspoon, colin firth, rupert everett, judi dench. baseado em oscar wilde. diálogos brilhantes ( claro ). mas falta alguma coisa...é um excesso de casas bonitas, roupas vistosas, chás das cinco...Wilde se perde...firth está passando a vida fazendo sempre o mesmo papel : ingles triste e tonto. rupertt imita cary grant. ele não sabe que cary é inimitável. e reese... bem, sou apaixonado por ela! devo ser o único não-americano que a adora!.....6
SOCIEDADE FEROZ de griffin dunne com diane lane, donald sutherland e um vasto elenco adolescente. dunne foi ator nos 80 e hoje é diretor. -e que filme é este?- ele fala dos índios brasileiros. de amadurecer. de ritos de passagem. de sexo e de poder financeiro. é um filme cheio de erros, de idéias mal desenvolvidas- mas...é cheio de idéias!- infelizmente faltou coragem para levá-las até o fim. o filme cai num quase policial bobo. mas ele fica na memória, é original, e merece muita consideração. ( donald aparece pouco e brilha como sempre. todo o elenco é bom )........9
lolita, vladimir nabokov- o livro que voce acha que conhece
Sim. Trata-se, aparentemente da história ( bastante cômica ) de um homem de trinta e cinco que se apaixona por uma criança- ninfeta de doze. Ele, Humbert-Humbert, se casa com a mãe da ninfa; a mãe falece e ele viaja pelos EUA com Lolita.
Mas o livro não é só isso. É bem mais.
Humbert é a velha Europa. Ele só valoriza o que é antigo, culto, feito pelo homem superior. Ele é pretensamente sofisticado. Humbert despreza jazz, cinema. Odeia a imensidão americana, os vastos panoramas, as florestas desumanas, o excesso de " por-do-sol", o gigantismo. Ele olha os americanos como caipiras. Gente que só pensa em trabalhar, gente ridícula e sonhadora, gente que não sabe viver.
Veja que coisa: Humbert odeia o cinema por ser apenas ação sem pensamento. E note que por toda a história europeus só fazem cinema quando o misturam a literatura ou teatro, artes nobres e antigas ( na visão deles ). Europeus não amam o cinema -cinema, pura ação, puro movimento, pura imagem. Assim como a música não pode parecer improvisada, deve ser estudada.
Mas Humbert se apaixona por Lolita.
E Lolita é jovem, inocente e muito sensual. Ela rí de sua cultura, ela não presta a menor atenção no que ele diz ou pensa. Ela está sempre rindo, ou chorando, ou gritando. Está sempre em movimento.
Lolita ama as estradas, os motéis, hamburgers, sorvetes, cocas, balas... Para ela a história não interessa, tudo é hoje.
Lolita é infiel e Humbert, que pensava ser o sedutor- senhor, se torna o escravo- capacho.
A Europa ama a América e não cansa de olhá-la. Ela a critica, tenta catequizá-la, mas sempre a lambe, beija, namora. A América, namorada infiel, criou uma forma de governo sem nobreza, sem parlamento, sem tradição. Criou sua própria música, sua própria arte, sua religião ( várias ), seu mundo único.
Humbert se ressente disso. Mas continua a amá-la.
Lolita é tudo isso. Escrito como comédia. Num estilo rico, caleidoscópico, saboroso e muito erótico.
Humbert é ridículo. Lolita é linda. E quem pode negar?
Mas o livro não é só isso. É bem mais.
Humbert é a velha Europa. Ele só valoriza o que é antigo, culto, feito pelo homem superior. Ele é pretensamente sofisticado. Humbert despreza jazz, cinema. Odeia a imensidão americana, os vastos panoramas, as florestas desumanas, o excesso de " por-do-sol", o gigantismo. Ele olha os americanos como caipiras. Gente que só pensa em trabalhar, gente ridícula e sonhadora, gente que não sabe viver.
Veja que coisa: Humbert odeia o cinema por ser apenas ação sem pensamento. E note que por toda a história europeus só fazem cinema quando o misturam a literatura ou teatro, artes nobres e antigas ( na visão deles ). Europeus não amam o cinema -cinema, pura ação, puro movimento, pura imagem. Assim como a música não pode parecer improvisada, deve ser estudada.
Mas Humbert se apaixona por Lolita.
E Lolita é jovem, inocente e muito sensual. Ela rí de sua cultura, ela não presta a menor atenção no que ele diz ou pensa. Ela está sempre rindo, ou chorando, ou gritando. Está sempre em movimento.
Lolita ama as estradas, os motéis, hamburgers, sorvetes, cocas, balas... Para ela a história não interessa, tudo é hoje.
Lolita é infiel e Humbert, que pensava ser o sedutor- senhor, se torna o escravo- capacho.
A Europa ama a América e não cansa de olhá-la. Ela a critica, tenta catequizá-la, mas sempre a lambe, beija, namora. A América, namorada infiel, criou uma forma de governo sem nobreza, sem parlamento, sem tradição. Criou sua própria música, sua própria arte, sua religião ( várias ), seu mundo único.
Humbert se ressente disso. Mas continua a amá-la.
Lolita é tudo isso. Escrito como comédia. Num estilo rico, caleidoscópico, saboroso e muito erótico.
Humbert é ridículo. Lolita é linda. E quem pode negar?
domingo, 21 de setembro de 2008
dr jivago, aula de história
Imenso sucesso de bilheteria ( mas não de critica ), Jivago mostra para todos um tipo de cinema classudo, competente, porém, um pouco engessado.
Está lá a competencia de David Lean em montar cenas. Jamais percebemos os cortes. As tomadas se encadeiam naturalmente, todas com o tempo exata e caminhando em cadencia musical. A camera nunca chama a atenção sobre sí mesma, ela é como a caneta que escreve a página. Mas, o David Lean, jovem-ousado dos anos 40 já se fora. Ele ilustra o belo roteiro de Robert Bolt, mas não cria-acrescenta nada. ( As excessões são a belíssima cena no palácio de gelo e a genialidade pura da cena à janela- aquela em que Tom Courtney briga com Julie... puro cinema mudo ).
Lean foi inteligente em diminuir as falas de Shariff, usando seus olhos chorosos como comentário à ação. Julie Christie, musa-maior, brilha com sua imensa força interior, seus olhos de fogo gelado, sua voz metálica. Podemos ainda admirar os lords monstruosos do teatro ingles: Ralph Richardson, como o pai de Geraldine Chaplin; Alec Guiness, como o irmão de Jivago; e Courtney como o noivo. Klaus Kinski causa imensa impressão como o intelectual louco.
Quanto ao fim do filme- não há quem não se comova...
O filme criou em 1965 o padrão Oscar; que se mantém até hoje nos filmes de Spielberg, Ridley Scott, Frank Darabont, Michael Mann e um imenso etc.
Está lá a competencia de David Lean em montar cenas. Jamais percebemos os cortes. As tomadas se encadeiam naturalmente, todas com o tempo exata e caminhando em cadencia musical. A camera nunca chama a atenção sobre sí mesma, ela é como a caneta que escreve a página. Mas, o David Lean, jovem-ousado dos anos 40 já se fora. Ele ilustra o belo roteiro de Robert Bolt, mas não cria-acrescenta nada. ( As excessões são a belíssima cena no palácio de gelo e a genialidade pura da cena à janela- aquela em que Tom Courtney briga com Julie... puro cinema mudo ).
Lean foi inteligente em diminuir as falas de Shariff, usando seus olhos chorosos como comentário à ação. Julie Christie, musa-maior, brilha com sua imensa força interior, seus olhos de fogo gelado, sua voz metálica. Podemos ainda admirar os lords monstruosos do teatro ingles: Ralph Richardson, como o pai de Geraldine Chaplin; Alec Guiness, como o irmão de Jivago; e Courtney como o noivo. Klaus Kinski causa imensa impressão como o intelectual louco.
Quanto ao fim do filme- não há quem não se comova...
O filme criou em 1965 o padrão Oscar; que se mantém até hoje nos filmes de Spielberg, Ridley Scott, Frank Darabont, Michael Mann e um imenso etc.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
UM DISCO QUE ENLOUQUECE
THEIR SATANIC MAJESTIES REQUEST
eu tinha 16 e me escondia na biblioteca do mackenzie. e tentava e conseguia ser o mais louco possível numa época em que todo mundo queria ser o mais louco possível e esse possível era bem louco. aninha me mostrava a calcinha de algodão branco mas não me deixava tocar sua pele e ela tinha espinhas na cara e sardas e era loura e quase muda e jogava bola com os meninos. ela ria. encontrei satanic numa loja da teodoro sampaio que não existe mais e na rua não existiam camelôs, existia espaço. escutei satanic numa sala gelada, pela janela o sol era frio e minha garganta doía e eu tinha febre e dor nos ossos. o cheiro era de vick-vaporub. eu fechei os olhos...................................................o mais profundo acorde de piano. vindo do mais profundo miligrama do sangue coagulado de meu ser. quando os metais ecoam eu já morri. sing this all together. faixas sobrepostas de realidades comunicantes. o martelar de ondas de mares amarelos e a perdida guitarra vagueia no vazio absoluto interestelar. percussão vagabunda sem ritmo conhecido e vocal de apartamentos cheios de hashish. o convite é feito: enlouqueça comigo. yes. citadel. faíscas lunares pipocam em meio a lsd de flashs em technicolor medieval. o riff das guitarras tem cheiro de demonios, hipnóticos tabletes de estrelas falecidas. enlouqueço e me apaixono perigosamente. o volume é máximo e a bateria faz ecos dentro da super-consciencia e festeja o meu sexo. in another land. afogado no oceano de sereias hermafroditas. passeando num bosque de desejos tortos, a voz guia um cego entre penas de pavão albino. minhas lágrimas são tolices prazerosas. arrancam meus nervos e dados ao corvo e a rosa. tudo zomba e rí. brian jones respira e eu sou ele. 2000 man correm pelas ruas da londres vazia e encontram 4000 buracos entre rochas de espuma. sing this all again. fazemos tolices copulamos e engolimos e jogamos fora e vomitamos e rimos. um ritual bobo. she's a rainbow. sublime na vulcânica lava. uma virgindade cheia de maldade. satânicos anjos. the lantern. meus eus penetram entre páginas de yeats e eliot e encontram o pecado divino e a paz. um violão keithsiano que aspira fumaça de hashishs exorbitantes e uma guitarra que urina luz azul alucinada e ácido de destino. eu já pirei e inexisto. vivo entre frases e riffs. flores mortas em luzes mortas. mick me guia entre gala´xias ilusórias. gomper. eu. pássaro.2000 light yeaes from home. entende? atingí o ponto. eu não conheço e não sou. tudo é vazio, ausencia. absoluto feliz. livre. rosotos de bilhôes de corpos. faces perdidas. não tenho idade, nem função, sou um vazio sim. on with the show. apresento a volta de tudo que foi visto. tudo que vivi e acabei de dizer É UMA GRANDE BOBAGEM. mas talvez bobagens façam a vida valer. o show recomeça como farsa. o show é no teatro e teatro é mentira. mas onde termina o palco? o show é satanico. tudo é inferno. este disco é do mal. e nestes muitos anos EU SEMPRE RETORNO QUANDO O AMOR RETORNA.
eu tinha 16 e me escondia na biblioteca do mackenzie. e tentava e conseguia ser o mais louco possível numa época em que todo mundo queria ser o mais louco possível e esse possível era bem louco. aninha me mostrava a calcinha de algodão branco mas não me deixava tocar sua pele e ela tinha espinhas na cara e sardas e era loura e quase muda e jogava bola com os meninos. ela ria. encontrei satanic numa loja da teodoro sampaio que não existe mais e na rua não existiam camelôs, existia espaço. escutei satanic numa sala gelada, pela janela o sol era frio e minha garganta doía e eu tinha febre e dor nos ossos. o cheiro era de vick-vaporub. eu fechei os olhos...................................................o mais profundo acorde de piano. vindo do mais profundo miligrama do sangue coagulado de meu ser. quando os metais ecoam eu já morri. sing this all together. faixas sobrepostas de realidades comunicantes. o martelar de ondas de mares amarelos e a perdida guitarra vagueia no vazio absoluto interestelar. percussão vagabunda sem ritmo conhecido e vocal de apartamentos cheios de hashish. o convite é feito: enlouqueça comigo. yes. citadel. faíscas lunares pipocam em meio a lsd de flashs em technicolor medieval. o riff das guitarras tem cheiro de demonios, hipnóticos tabletes de estrelas falecidas. enlouqueço e me apaixono perigosamente. o volume é máximo e a bateria faz ecos dentro da super-consciencia e festeja o meu sexo. in another land. afogado no oceano de sereias hermafroditas. passeando num bosque de desejos tortos, a voz guia um cego entre penas de pavão albino. minhas lágrimas são tolices prazerosas. arrancam meus nervos e dados ao corvo e a rosa. tudo zomba e rí. brian jones respira e eu sou ele. 2000 man correm pelas ruas da londres vazia e encontram 4000 buracos entre rochas de espuma. sing this all again. fazemos tolices copulamos e engolimos e jogamos fora e vomitamos e rimos. um ritual bobo. she's a rainbow. sublime na vulcânica lava. uma virgindade cheia de maldade. satânicos anjos. the lantern. meus eus penetram entre páginas de yeats e eliot e encontram o pecado divino e a paz. um violão keithsiano que aspira fumaça de hashishs exorbitantes e uma guitarra que urina luz azul alucinada e ácido de destino. eu já pirei e inexisto. vivo entre frases e riffs. flores mortas em luzes mortas. mick me guia entre gala´xias ilusórias. gomper. eu. pássaro.2000 light yeaes from home. entende? atingí o ponto. eu não conheço e não sou. tudo é vazio, ausencia. absoluto feliz. livre. rosotos de bilhôes de corpos. faces perdidas. não tenho idade, nem função, sou um vazio sim. on with the show. apresento a volta de tudo que foi visto. tudo que vivi e acabei de dizer É UMA GRANDE BOBAGEM. mas talvez bobagens façam a vida valer. o show recomeça como farsa. o show é no teatro e teatro é mentira. mas onde termina o palco? o show é satanico. tudo é inferno. este disco é do mal. e nestes muitos anos EU SEMPRE RETORNO QUANDO O AMOR RETORNA.
MENSAGEIRO DO DIABO/EMBRIAGUEZ DO SUCESSO/PARTNER/PERFORMANCE
AS BRUXAS DE SALEM de nicholas hytner
se mantém a força do texto alegórico de arthur miller. daniel day lewis e paul scofield seguram o filme. 5.
POR AMOR OU POR DINHEIRO de bertrand blier
blier sempre faz filmes que procuram fugir do padrão. não se tratam de comédias, nem dramas, sequer aventuras ou alegorias. este é uma quase comédia. sem graça. 1.
O MENSAGEIRO DO DIABO de charles laughton
para quem não sabe, laughton foi um dos maiores e mais conhecidos atores ingleses de cinema. gordo, com cara de sapo, gay assumido, brilhou como rembrandt, como henrique viii e em filmes de hitchcock e wilder. este filme, de 1955, foi o único dirigido por ele. é considerado uma obra-prima e foi fracasso de crítica e público na época. fácil entender o porque : trata-se de uma comédia gótica afiadíssima! um filme que tim burton ou david lynch adorariam ter feito. a história trata de um pastor que se casa com viúva. comete o assassinato para ficar com o dinheiro. os dois filhos da viúva conseguem fugir e ele os persegue. isso tudo contado em clima de sonho/pesadelo, sombras expressionistas, cortes precisos e um robert mitchum perto do milagroso ( seu papel se tornou referencia ). na parte final, quando as crianças encontram a velhinha boazinha ( lilian gish ), voce quase tem um orgasmo de tanto prazer em estar vendo tal obra-prima. DEZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A EMBRIAGUEZ DO SUCESSO de alexander mackendridk
filme de 1958, dirigido por um grande diretor ingles de comédias e que dirige aqui, nos eua, seu único drama. fracasso na época ( de público ), traz burt lancaster em mais um grande desempenho, com seu rosto de pedra pleno de autoridade e força viril. mas é tony curtis, o subestimado curtis quem rouba o filme, fazendo um vilão patético e mesquinho. o filme ( cheio de jazz e clima cool ) trata de um jornalista que domina carreiras com suas fofocas. curtis é o auxiliar puxa-saco desse poderoso homem de midia. o filme, cheio de fel e com falas exuberantes, mostra a derrocada dessa carreira e a inexorabilidade de seus destinos. cínico, amargo, brilhante! 9.
RICARDO III, UM ENSAIO
única doreção de al pacino. obrigatório para quem trabalha com teatro ou ama a cultura. 7.
O DESTINO BATE A SUA PORTA de bob rafelson
rafelson, diretor de head e cada um vive como quer, dirigiu este new-noir em 1982, usando jack nicholson e uma jessica lange cheia de sexualidade vulgar. se trata de um bonito filme que não tem aquilo que os noir clássicos tinham de melhor- nervos! mesmo assim é fácil de assistir, lange está maravilhosa e o choro final de jack é coisa que justifica uma carreira inteira. 6.
BEIJOS E TIROS de shane black
primeira direção do roteirista dos filmes lethal weapon. robert downey é um ladrãozinho de quinta que vira ator em ´hollywood ( é uma comédia ). val kilmer ( bem ) é um detetive gay e a lindíssoma michelle monaghan está no elenco. o filme é ágil, alegre, os capítulos têm nomes de títulos dos livros de chandler..mas falta loucura. os coen fariam dele uma festa! como está, é apenas um divertido produto meio termo. 6.
RESGATE ABAIXO DE ZERO de frank marshall
marshall, roteirista e produtor de vários filmes de spielberg, nos apresenta uma aventura antártica. para quem gosta de cães ( eu os idolatro ), é obrigatório. como cinema, é sessão da tarde das boas. 7.
FILMES PSICODÉLICOS FEITOS EM PLENA VIAGEM PSICO
PARTNER de bernardo bertolucci.
em 1968 bertolucci resolveu filmar partner, baseado numa novela de dostoievski. mas, em meio as filmagens explodiu o maio/68 e bernardo jogou o roteiro fora e passou a improvisar. o filme, fascinante, mistura lacan com nietzsche e tem uma trilha sonora de ennio morricone que é absolutamente genial e radical. pierre clementi, ator francês que era viciado em heroína, tem uma das atuações mais maníacas, inesquecíveis, originais, revolucionárias que já ví. ele apresenta completo domínio do corpo, total entrega e uma quase loucura digna de klaus kinski, bruno s ou falconetti. o filme fala de máscaras, de duplos, do quanto nós todos somos fingidos e de alienação. uma quase obra-prima e o mais difícl filme de um cineasta que jamais se acomodou. 8.
PERFORMANCE de donald cammel.
filme maldito feito em 1970. cammel, que se suicidaria em 78, filma em londres, a história de um gangster ( james fox ) que se esconde na casa de um astro do rock ( mick jagger ). nessa casa, o gangster prova sexo, drogas e muito rock e se torna um jagger também ( ou não ? ). o filme, que ainda tem anita pallemberg ( ex- brian, na época esposa de keith ) num papel de junk-bissexual, é absolutamente fascinante e muito inspirador. aqui é criado o conceito de glam-rock e se voce quer saber o que velvet goldmine tentou mostrar veja este filme radical. mick era incrivelmente magro, efeminado, drogado e o filme é hipnótico, macio, colorido e nem um pouco paz e amor. único, ele é aquilo que bergman faria se fosse mais jovem e ingles. 9.
PSYCH OUT de richard rush
jack nicholson tem muita história pra contar. ele está neste filme de 68, feito em san francisco, no auge do movimento hippie. uma moça foge de casa e vai parar em sanfran. conhece os hippies e passa a viver com eles. o filme é fraco, amador, constrangedor, e jack usa um péssimo cabelo. mas tem um clip fantástico dos inacreditáveis the seeds e mostra o que eram os tais hippies. o que eles eram ? drogados classe-média deslumbrados com sexo. comparando este filme com performance vemos que londres nos 60 era mais lsd, mais reichiana, mais individualista, mais psicótica. sua trilha era pink floyd, soft machine e gong. sanfran é mais alegre, comunitária, machista, mais anfetaminas e marijuana, mais byrds, grateful dead e love. hippies americanos se interessavam em sexo, festas e protestos de rua. hippies ingleses queriam saber até onde se cérebro conseguiria enlouquecer. o filme vale como puro fun. 5.
BARBARELLA de roger vadim
e vadim, inventor de brigitte bardot, tenta lançar jane fonda como nova bb. jane está absolutamente linda e anita pallemberg é a vi´lã. psicodelismo para os não psicodélicos, o filme mostra que em dois anos o movimento já se tornara um produto bonitinho e anódino. 4.
se mantém a força do texto alegórico de arthur miller. daniel day lewis e paul scofield seguram o filme. 5.
POR AMOR OU POR DINHEIRO de bertrand blier
blier sempre faz filmes que procuram fugir do padrão. não se tratam de comédias, nem dramas, sequer aventuras ou alegorias. este é uma quase comédia. sem graça. 1.
O MENSAGEIRO DO DIABO de charles laughton
para quem não sabe, laughton foi um dos maiores e mais conhecidos atores ingleses de cinema. gordo, com cara de sapo, gay assumido, brilhou como rembrandt, como henrique viii e em filmes de hitchcock e wilder. este filme, de 1955, foi o único dirigido por ele. é considerado uma obra-prima e foi fracasso de crítica e público na época. fácil entender o porque : trata-se de uma comédia gótica afiadíssima! um filme que tim burton ou david lynch adorariam ter feito. a história trata de um pastor que se casa com viúva. comete o assassinato para ficar com o dinheiro. os dois filhos da viúva conseguem fugir e ele os persegue. isso tudo contado em clima de sonho/pesadelo, sombras expressionistas, cortes precisos e um robert mitchum perto do milagroso ( seu papel se tornou referencia ). na parte final, quando as crianças encontram a velhinha boazinha ( lilian gish ), voce quase tem um orgasmo de tanto prazer em estar vendo tal obra-prima. DEZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A EMBRIAGUEZ DO SUCESSO de alexander mackendridk
filme de 1958, dirigido por um grande diretor ingles de comédias e que dirige aqui, nos eua, seu único drama. fracasso na época ( de público ), traz burt lancaster em mais um grande desempenho, com seu rosto de pedra pleno de autoridade e força viril. mas é tony curtis, o subestimado curtis quem rouba o filme, fazendo um vilão patético e mesquinho. o filme ( cheio de jazz e clima cool ) trata de um jornalista que domina carreiras com suas fofocas. curtis é o auxiliar puxa-saco desse poderoso homem de midia. o filme, cheio de fel e com falas exuberantes, mostra a derrocada dessa carreira e a inexorabilidade de seus destinos. cínico, amargo, brilhante! 9.
RICARDO III, UM ENSAIO
única doreção de al pacino. obrigatório para quem trabalha com teatro ou ama a cultura. 7.
O DESTINO BATE A SUA PORTA de bob rafelson
rafelson, diretor de head e cada um vive como quer, dirigiu este new-noir em 1982, usando jack nicholson e uma jessica lange cheia de sexualidade vulgar. se trata de um bonito filme que não tem aquilo que os noir clássicos tinham de melhor- nervos! mesmo assim é fácil de assistir, lange está maravilhosa e o choro final de jack é coisa que justifica uma carreira inteira. 6.
BEIJOS E TIROS de shane black
primeira direção do roteirista dos filmes lethal weapon. robert downey é um ladrãozinho de quinta que vira ator em ´hollywood ( é uma comédia ). val kilmer ( bem ) é um detetive gay e a lindíssoma michelle monaghan está no elenco. o filme é ágil, alegre, os capítulos têm nomes de títulos dos livros de chandler..mas falta loucura. os coen fariam dele uma festa! como está, é apenas um divertido produto meio termo. 6.
RESGATE ABAIXO DE ZERO de frank marshall
marshall, roteirista e produtor de vários filmes de spielberg, nos apresenta uma aventura antártica. para quem gosta de cães ( eu os idolatro ), é obrigatório. como cinema, é sessão da tarde das boas. 7.
FILMES PSICODÉLICOS FEITOS EM PLENA VIAGEM PSICO
PARTNER de bernardo bertolucci.
em 1968 bertolucci resolveu filmar partner, baseado numa novela de dostoievski. mas, em meio as filmagens explodiu o maio/68 e bernardo jogou o roteiro fora e passou a improvisar. o filme, fascinante, mistura lacan com nietzsche e tem uma trilha sonora de ennio morricone que é absolutamente genial e radical. pierre clementi, ator francês que era viciado em heroína, tem uma das atuações mais maníacas, inesquecíveis, originais, revolucionárias que já ví. ele apresenta completo domínio do corpo, total entrega e uma quase loucura digna de klaus kinski, bruno s ou falconetti. o filme fala de máscaras, de duplos, do quanto nós todos somos fingidos e de alienação. uma quase obra-prima e o mais difícl filme de um cineasta que jamais se acomodou. 8.
PERFORMANCE de donald cammel.
filme maldito feito em 1970. cammel, que se suicidaria em 78, filma em londres, a história de um gangster ( james fox ) que se esconde na casa de um astro do rock ( mick jagger ). nessa casa, o gangster prova sexo, drogas e muito rock e se torna um jagger também ( ou não ? ). o filme, que ainda tem anita pallemberg ( ex- brian, na época esposa de keith ) num papel de junk-bissexual, é absolutamente fascinante e muito inspirador. aqui é criado o conceito de glam-rock e se voce quer saber o que velvet goldmine tentou mostrar veja este filme radical. mick era incrivelmente magro, efeminado, drogado e o filme é hipnótico, macio, colorido e nem um pouco paz e amor. único, ele é aquilo que bergman faria se fosse mais jovem e ingles. 9.
PSYCH OUT de richard rush
jack nicholson tem muita história pra contar. ele está neste filme de 68, feito em san francisco, no auge do movimento hippie. uma moça foge de casa e vai parar em sanfran. conhece os hippies e passa a viver com eles. o filme é fraco, amador, constrangedor, e jack usa um péssimo cabelo. mas tem um clip fantástico dos inacreditáveis the seeds e mostra o que eram os tais hippies. o que eles eram ? drogados classe-média deslumbrados com sexo. comparando este filme com performance vemos que londres nos 60 era mais lsd, mais reichiana, mais individualista, mais psicótica. sua trilha era pink floyd, soft machine e gong. sanfran é mais alegre, comunitária, machista, mais anfetaminas e marijuana, mais byrds, grateful dead e love. hippies americanos se interessavam em sexo, festas e protestos de rua. hippies ingleses queriam saber até onde se cérebro conseguiria enlouquecer. o filme vale como puro fun. 5.
BARBARELLA de roger vadim
e vadim, inventor de brigitte bardot, tenta lançar jane fonda como nova bb. jane está absolutamente linda e anita pallemberg é a vi´lã. psicodelismo para os não psicodélicos, o filme mostra que em dois anos o movimento já se tornara um produto bonitinho e anódino. 4.
domingo, 14 de setembro de 2008
pra que serve will shakespeare
Assistindo o filme de Pacino sobre Shakespeare ( Ricardo iii, um ensaio ), noto que entre belos depoimentos de gente como Vanessa Redgrave, John Gielgud, Kenneth Branagh; ou entre os desempenhos de Pacino, Kevin Spacey, Winona Ryder, Alec Baldwin; nada é mais claro ou brilhante que o depoimento de um negro do Harlem. Ele diz que Shakespeare nos ensina a sentir. Que se sentimos a morte de um camarada, o remorso de uma má ação, deixamos de fazer uma má ação. Shakespeare então nos mostra o quanto o Homem pode ser grande. Pode ser nobre, vil, apaixonado e apaixonante. A tragédia de nossa época é o fato de que por falarmos uma pobre linguagem, vivemos uma pobre existência.
Dizemos que a vida é vazia e não que " ela é um sonho sonhado por um louco ", ficamos com alguém, não " amamos como as estrelas amam o sol que as apaga "...
Shakespeare é a maior jóia do tardio renascimento, filho da filosofia de Sêneca, criador do Humano tal como o conhecemos, um gigante entre gigantes e o maior sábio a ter pisado um dia este planeta.
Ele justifica, sózinho, a existência da língua inglêsa, a sobrevivência do teatro e toda ação do homem sobre a Terra. Foi a culminância de uma inteligência brotada em Roma, fertilizada em Paris e Oxford e colhida sob o reinado de Elizabeth.
Viverá enquanto algo parecido com civilização viver.
Dizemos que a vida é vazia e não que " ela é um sonho sonhado por um louco ", ficamos com alguém, não " amamos como as estrelas amam o sol que as apaga "...
Shakespeare é a maior jóia do tardio renascimento, filho da filosofia de Sêneca, criador do Humano tal como o conhecemos, um gigante entre gigantes e o maior sábio a ter pisado um dia este planeta.
Ele justifica, sózinho, a existência da língua inglêsa, a sobrevivência do teatro e toda ação do homem sobre a Terra. Foi a culminância de uma inteligência brotada em Roma, fertilizada em Paris e Oxford e colhida sob o reinado de Elizabeth.
Viverá enquanto algo parecido com civilização viver.
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